Sementes de rancor
7 Capítulo 7 – Profecia
Era tudo que Emily precisava: mais dúvidas para a sua coleção que havia crescido de forma assustadora na última noite. Além de tentar quebrar a cabeça sobre que deus Olimpiano era seu pai ou mãe, agora o chefe do acampamento de crianças meio divinas que amavam laranja queria falar com ela (ela havia deduzido isso, afinal, quem além do chefe ia morar em uma casa grande imensa com direito a lareira e estantes cheias de livros, pergaminhos e... aquilo era um chifre?). E agora havia a cereja do bolo: Paulo e seu comportamento estranho, afinal o quem foi aquilo de a segurar pela cintura e intimidar uma confissão, ainda que fosse pelas poesias, aquilo tinha plantado uma sementinha de esperança que estava sendo difícil de arrancar, parecia que havia uma balão inchando em seu peito.
Paulo agora estava largado em cima de uma das poltronas elegantes da sala a expressão indecifrável e seus olhos estavam focados em Emily, não perdendo um único movimento da garota enquanto ela se movia nervosa pela sala, o silêncio entre os dois estava durando desde que Garry interrompeu o que quer que estive se acontecendo naquele momento, avisado sobre o encontro com o tal alguém importante e mostrado a Emily onde ela podia tomar um banho e entregado uma muda de roupas novas pra ela, uma calça jeans e uma camiseta do acampamento um par de tênis e meias, o que foi ótimo pois nada se destacava mais ali do que um vestido vermelho, e ela odiava ter todo mundo olhando para ela .
Emily parou subitamente e se jogou em uma poltrona:
– Eu ainda não entendo porque eu estou aqui, nem como essa bagunça toda aconteceu...
– Bom o porque eu não sei... mas posso te dizer que quando um Olimpiano acha um mortal incrivelmente sexy, as vezes nem precisa ser humano, ele vem para o nosso mundo e dá um jeito de convencer o mortal a...
– Explicação fascinante Martins mas acredito que nossa nova campista já tem conhecimentos sobre isso. — interrompeu uma voz grave e calma, seguida de um barulho que pareciam cascos sobre madeira.
O dono da voz era um homem de meia idade com um olhar grave e atento, cabelos um pouco compridos e debaixo de sua cintura metade de um corpo de um alazão branco.
Ele entrou na sala, e começou a procurar algo entre uma pilha de pergaminhos em uma estante em um canto, enquanto Emily, boquiaberta tentava não olhar tão fixamente para as pernas daquele senhor, com medo de que isso fosse parecer rude mas é claro q ela falhou, miseravelmente.
– Minha jovem não há razão para ficar tão espantada com um velho centauro, prometo não lhe fazer mal algum. Eu sou Quíron, diretor de atividade do acampamento e vim aqui para a sua possível participação na nossa mais recente profecia. — disse virando-se e entregando um pergaminho para Emily.
Dentro dele, escrito a tinta estava escrito:
Rancor e mágoa se unirão,
Para manter o trigo em lúgubre prisão.
Através de velhos amigos uma filha perdida será encontrada,
E com ela a busca pelas divindades iniciada.
Dois filhos de deuses do acampamento partirão,
E no submundo o terceiro encontrarão.
– O que exatamente isso significa? E o que eu tenho haver com tudo isso?
– O significado de uma profecia é um enigma, precisa –se ir coletando peças até entende- lá de forma clara, mas posso adiantar que o trigo na certa refere-se a Deméter uma vez que a agricultura no mundo todo vai mal. – explicou Quíron enquanto caçava a barba. – Quanto a sua participação, acreditamos que você seja a filha perdida porque o normal é que semideuses apareçam em nossos registros aos onze anos, no máximo, ou sejam atacados antes mas você já está com quinze, era filha adotiva de uma fúria mas até essa semana, não existia nos registros do acampamento nem tinha sofrido um ataque. E não fazemos ideia do motivo.
– Eu entendo, ou acho que entendo, mas e o meu pai? Vocês sabem que deus ele é?
– Emily, como pode ter certeza de que é filha de um deus e não de uma deusa? Meu palpite é que você é filha de Atena.
– Eu tenho porque logo depois que você foi embora do orfanato eu descobri que minha mãe me deixou no orfanato dizendo que não tinha como me criar logo ela não pode ser uma divindade superpoderosa né? – sua voz vacilando no final da frase, mas só Paulo percebeu.
– Esse é um forte argumento, além disso, deuses são proibidos de conviverem com seus filhos mortais então faria muito sentido se fosse uma divindade masculina. – Ponderou Quíron. – Mas de nada vai adiantar ficarmos especulando, por enquanto você fica no chalé de Hermes, Garry já levou suas coisas para lá mas eu recomendo que você tenha cuidado porque, bem, digamos que os filhos de Hermes gostar de redistribuir objetos... Se é que você me entende. Bom, Emily por enquanto é isso, pense nas duas pessoas que você mais confia e treine um pouco porque, assim que seu pai te reclamar você sairá em missão.
Paulo disse que a levaria pelo chalé e saiu andando do lado da garota, a mente dela, mais do que nunca, estava um turbilhão... ela precisava achar um lugar pra se acalmar, e Emily estava prestes a perguntar onde achar esse lugar para Paulo quando um turbilhão de cabelos ondulados com cheiro de bala passou com tudo por ela, fazendo ela engasgar.
A dona daquele cabelo era uma garota de aparência latina que se jogou nos braços de Paulo lhe deu um beijo na bochecha e disse em uma voz melosa:
– Estou tão feliz que você voltou a salvo meu lindinho! – e beijou a bochecha dele outra vez, deixando uma marca de batom vermelho de cada lado do rosto, que a essa altura estava assumindo a mesma cor.
– É muito bom te ver também Penélope – disse Paulo constrangido, colocando a garota no chão mas ela continuo com os braços firmes no pescoço dele.
– E essa daí quem é? – disse Penélope finalmente olhando para Emily. – Bom seja lá quem for não vai se importar se eu roubar Paulo um minutinho né?- e apertou o garoto para mais perto de si.
– C-claro que não,- gaguejou Emily — eu queria mesmo dar uma volta sozinha. Até mais tarde.- deu um aceno fraco, deu meia volta e disparou até uma ponte que levava a um bosque mais deserto pelo qual eles tinham acabado de passar, lutando contra suas lágrimas de frustração.
Não sabia o porque de estar tão frustrada, sabia que ter esperanças era algo idiota desde o inicio.
Dentro dela, o balão tinha estourado.
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