Sementes de rancor
3 Capítulo 3 – I'll carry your world
Notas iniciais
Some saw the sun
Some saw the smoke
Some heard the gun
Some bent the bow
Paulo conduzia Emily até o centro da pista de dança, ignorando todos os olhares que sua camiseta laranja atraia em um ambiente repleto de Smokings negros como aquele. Havia uma estampa de algo que parecia um cavalo no centro abaixo da frase “Acampamento Meio Sangue” que Lily leu com uma surpreendente facilidade.
Diferente dele, Emily podia sentir o olhar de todos no ginásio em cima dela, olhou em volta e percebeu que não havia nenhum sorriso encorajador, ou algo parecido, nenhum até que os olhos dela chegaram até Gary, sentado ao lado mesa do DJ, ele jogava o corpo de um lado para o outro no ritmo da música, segurando o seu par de “muletas de gala” enquanto sorria para Emily e para Paulo, fazendo com que mais uma pergunta surgisse na mente da garota: “Como aqueles dois se conheciam?”.
Sometimes the wire
Must be tense for the note
Caugth in the fire, say oh
We're about to explode
Paulo finalmente parou e virou se para ela, seus olhos havia uma timidez que ela só havia visto quando segurou, aos seis anos de idade, a mão dela e depositou um beijo em sua bochecha durante a peça de Romeu e Julieta no orfanato. Dez anos haviam se passado agora, segurar a mão de Emily tinha se tornado algo natural, mas a cintura não.
Apesar de todo o nervosismo, suas mãos estavam firmes sobre ela, e os polegares se atrevendo a acariciar o tecido suave do vestido. Emily timidamente colocou os braços em volta do pescoço dele, sentindo-se levar pela sensação de segurança e aconchego que eram consequência proximidade de Paulo.
A música que tocava era lenta e envolvente, falava sobre uma luta, sobre um homem que haviam chegado para transformar o mundo de alguém e, enquanto girava com ele, um pouco hipnotizada pelo momento, Emily sentia que ele havia chegado justamente para isso.
– Então... Pelo visto eu não fui o único a sentir saudade não é mesmo? Você sonhou muito comigo Emily?
A garota baixou o olhar enquanto decidia o que responder, quando voltou a encarar aqueles olhos verdes, já tinha começado a falar a verdade:
– Com certa frequência por assim dizer, o engraçado é que muitas vezes sonhei com você matando seres mitológicos, alguns que eu nem conhecia, não faz o menor sentido não é?
Paulo primeiro pareceu surpreso, depois riu e colocou um cacho rebelde no lugar em quanto respondia:
– Na verdade pequena, faz mais sentido do que você imagina. Olha, eu sei que a situação toda deve estar sendo muito confusa pra você, sei que nesse momento sua cabecinha está saturada de perguntas, que eu prometo que eu vou responder mais tarde, por enquanto só termine de dançar comigo está bem? Eu realmente preciso disso.
Emily ficou sem entender o tom suplicante e o olhar suplicante com que ele usou para terminou a frase, mas deu de ombros e aninhou a cabeça no peito dele, sentindo que ele apoiava a dele na dela e cheirava seu cabelo.
Fechou os olhos e se deixou levar pela música, enquanto enrolava os dedos nos cachos dele até que, no fim da música sentiu o cheiro de sangue misturado com algo parecido com Channel nº5. Levantou a cabeça e viu Mrs. Polaine no alto da escada que levava para fora do ginásio, mas havia algo terrivelmente errado com ela: seus cabelos estavam terrivelmente despenteados, unhas e dentes estavam e afiados, e seus olhos, com a aparência dos de uma cobra, varriam o lugar freneticamente, e só pararam quando seu olhar encontrou o de Emily.
Então seus lábios ressequidos se abriram em um sorriso faminto.
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