Notas iniciais
Bem, no episódio 04 da 15ª temporada de Criminal Minds há uma cena, onde uma um tanto bêbada Emily Prentiss diz que faz pilates com o namorado. E, durante a live no twitter, me pediram para escrever a bendita cena em uma fic. Karina e July, aqui está o pedido de vocês. Sobre o capítulo, só digo uma coisa, Deus abençoe os casais Hotchniss e Jibbs, porque as filhas que eles têm... Espero que gostem! Boa leitura!

Elena, que não estava lá com o melhor os humores, chegou em casa e não encontrou ninguém. Isso não era novidade. Novidade era ela ter reconhecido a bolsa da mãe dependurada perto da porta. Pois aquela bolsa era a que a mãe levava com ela todos os dias para o trabalho.

— Mamãe?! — Ela chamou.

Nada.

— Papai? Jack?

Ninguém respondeu.

— Bem... já que é assim, já que não tem uma viva alma nessa casa, eu vou é pedir uma pizza para mim e que se exploda o resto. – A garota tirou o celular do bolso da calça e abriu o aplicativo de entregas.

Depois de muito olhar, pensar, se decidiu pela pizza de calabresa e, de sobremesa, uma de brigadeiro. Quem vivia de dieta era a mãe dela, não ela.

Sem ter o que fazer – toda a sua tarefa estava pronta, seus trabalhos em dia. – Elena se deu o luxo de poder ver algo na TV sem ter nenhum chato para dar spoiler sobre esse ou aquele filme ou seriado.

Acabou vendo Piratas do Caribe— de novo -, quando as pizzas chegaram, ela pausou o filme, agradeceu ao entregador – dando a devida gorjeta na hora do pagamento – e voltou a ver o filme. Em uma calma que não era normal dentro daquela casa.

Mas como diz aquele velho ditado, depois da calmaria, sempre vem a tempestade. E não deu tempo nem da pizza esfriar, Elena escutou o carro dos pais parando na entrada da casa.

Carro desligado, portas abrindo e fechando. A voz de sua mãe soou alta.

— Não é para rir, Aaron.

— Em, você não conseguiu fazer aquele exercício!

Elena se sentou direito, tentando ouvir melhor a conversa.

— Pelo amor de Deus, eu estava com pesos de cinco quilos nos braços e de ponta cabeça, como você queria que eu fizesse aqueles abdominais?

A garota arregalou os olhos. Onde seus pais foram?

— Foi você quem quis ir entrar para o Pilates!

— Eu achei que iria fazer alongamento e exercício com bolas. Não ser posta de ponta cabeça como um morcego para fazer abdominais. – Prentiss disse abrindo a porta.

— Pare de ser dramática igual à Elena! Eu fiz mais força que você, acabei dependurado e nem por isso estou reclamando. – Hotchner retrucou às reclamações da esposa.

— VOCÊS ESTAVAM FAZENDO PILATES!!! – Elena gritou, de pé no sofá, assim que os pais colocaram os pés dentro de casa.

— Não! – Foi a reação natural de Emily.

— Sim, estavam!! Eu ouvi a mamãe reclamando e estas roupas não negam!! Vocês fazem pilates juntos!! — Ela caiu na gargalhada. – Que coisa mais fofa!! – A garota pegou o celular e tirou uma foto dos pais pegos no flagra. – Vou mandar essa foto para todos da BAU!! – E saiu pulando alegre para o segundo andar.

— Aaron faça alguma coisa!! Sua filha está descontrolada!! – Emily apontou para a garota que subia correndo as escadas.

— Elena, nem pense nisso!!! Apague essa foto! – Ele ordenou.

— Eu já mandei. E agora eu vou falar pro Jack!!!

Emily olhou para o marido.

— Foi sua ideia! – Ele disse.

Ela suspirou resignadamente e foi para a cozinha. Mexendo na adega, ela pegou uma garrafa de vinho.

— Onde estão os donuts? – Ela perguntou alto.

— Escondi dentro do forno. – Hotch respondeu. – Para que Elena não comesse todos.

— Ótimo. – Ela pegou a caixa de donuts, a garrafa de vinho e duas taças e foi para a sala. Ainda era possível ouvir a filha rindo no andar de cima. — Criatura maluca! – Emily gritou em direção à filha.

Elena só deu outra gargalhada.

— Para que isso? – Hotch perguntou, jogado no sofá, morto depois de ser obrigado a se dependurar, se esticar e levantar pesos. Até ele achava que pilates era mais fácil do que realmente era na verdade.

— Eu acho, Aaron Hotchner, que nós merecemos uma taça de vinho e estes donuts como recompensa por termos sobrevivo a mais uma aula de pilates. Aquela coisa fica mais difícil a cada dia!

Hotch encheu as taças e entregou uma à esposa.

— A nós. E a nossa força de vontade por não termos abandonado aquele lugar!

— A nós! — Emily bateu a taça na do marido e tomou um gole da bebida.

Estavam os dois jogados no sofá bebendo a segunda taça de vinho, Emily um pouco alta por conta do álcool e do excesso de açúcar – só ela tinha comido sete donuts – quando Elena reapareceu na sala.

— Se vocês dois que só foram para o pilates e voltaram para casa estão assim, como estarão os outros seis que estão há três dias em um treinamento de outro mundo no calor da Califórnia? – Ela cutucou pegando um pedaço da pizza de chocolate e comendo.

— Desde quando tem pizza de chocolate nessa casa? – Emily nem quis saber de preocupação, ou não escutou o que a filha disse.

— Desde que eu comprei! – Elena respondeu.

— Eles estão bem, Elena. Pare de preocupar. – Hotch garantiu, comendo outro donut.

— Bem, são vocês quem vão ter achar outros agentes para formar uma nova equipe mesmo.... – E a garota saiu da sala levando a caixa com a pizza de chocolate com ela.

— Ei, volta aqui! Eu quero um pedaço dessa pizza! Você roubou um donut meu! – Emily gritou.

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Três dias no inferno e nenhum dos agentes conseguia sequer levantar da cama. E, cada vez que isso acontecia, era uma rodada de alguma punição que requeria muita força de vontade para ser completada.

— Eu não aguento mais! – Ellie chorou.

— Nem pense em desistir. Já imaginou o que aqueles quatro vão falar se nós desistirmos? – Ziva perguntou.

— Mas eu tô morto! Não sinto meus pés desde a metade do primeiro dia! – Reid completou.

— Temos que conseguir. Aposto que eles estão sentindo a nossa falta. Somos as melhores equipes. E por isso vamos ficar aqui. – Tony tentava convencer mais a si mesmo do que os demais.

— Tomara que eles estejam trabalhando dobrado sem a nossa presença. – Tara falou com um sorriso diabólico.

— Alguém teve alguma sorte em reaver nossos celulares? – Tim perguntou.

Foi Simmons, que entrava no alojamento naquele momento, que trouxe a boa notícia.

— Estão aqui! – Ele mostrou a sacola de pano onde os aparelhos foram colocados.

Na mesma hora todos voaram para pegar os aparelhos.

A turma do NCIS foi inundada com mensagens de Abby e Liz, e a cada uma que não era respondida, o desespero das duas aumentava. Até que na última:

MEU DEUS DO CÉU!!! EU VOU TER QUE CONTATAR O SECRETÁRIO DA MARINHA PARA PODER REAVER OS CORPOS DE VOCÊS?! GENTE, VOCÊS ESTÃO VIVOS??

— Elizabeth e Abigail juntas podem transformar qualquer falta de notícia em uma tragédia sem precedentes! – Torres disse ao ver a mensagem em caixa alta, seguida de um monte de gifs demonstrando o desespero das duas.

Por outro lado, a turma da BAU estava rindo de chorar.

— O que foi? Qual é a boa notícia? – Ziva, sempre curiosa, quis saber.

— Boa notícia não tem não, mas isso daqui é excelente. – Tara começou.

— Muito melhor do que excelente. – JJ deu uma risada.

— Isso prova que não estamos fazendo falta, mas nos dá uma senhora arma... – Alvez completou.

Reid estava perdido, com o celular da idade das trevas que ele tinha, não tinha recebido nada.

— Podemos saber o que é? – Tim perguntou.

JJ só entregou o celular para McGee. E toda a MCRT se juntou ao redor dele para poder ver e não aguentaram.

Elena tinha encaminhado para o grupo intitulado “Manicômio” algumas fotos.

E a legenda da primeira dizia tudo:

Enquanto vocês estão quase sendo mortos na Costa Oeste, os bonitos estão fazendo pilates. Ou melhor, sofrendo no pilates.

E a foto mostrava os dois, mortos, jogados no sofá da sala, com cara de cansados e esgotados.

Já a segunda foto mostrava a recompensa, uma garrafa de vinho e uma caixa de donuts. Elena não deixou por menos e escreveu embaixo da foto:

Depois fala que tá gorda e não sabe o motivo!

E a última foto, era uma preciosidade:

Emily e Aaron, um escorado no outro, dormindo no sofá. Uma caixa de donuts vazia, assim como duas taças de vinho.

Não, eles não tomaram o vinho todo. Duas taças para cada um e acabaram assim. Se eu tivesse dois anos de idade eu juro que desenhava na cara deles!!

— Elena é uma figura que não teme a morte!! – Tony disse depois de um ataque de riso.

— Alguém tem a caras para responder? – Ziva perguntou.

Na mesma hora, Tara, que já estava cansada de tanto sentir dor, mandou a seguinte frase no grupo.

Morta tô eu. Vocês estão é de frescura!

Ninguém ali sabia qual seria a reação do casal em Manassas, mas uma coisa era certa, nunca mais eles teriam paz depois dessa.

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O silêncio estava imperando na vida de Gibbs. Com a esposa atolada em trabalho e a equipe fora não tinha ninguém para perturbá-lo. Assim, seus dias no Estaleiro se resumiam em casos antigos e, quando chegava em casa, ele tinha toda a quietude do mundo para trabalhar em seu porão.

Acontece que estava quieto demais. Ainda mais quando se tem uma pré-adolescente de doze anos dentro de casa. Ele não estava escutando nem os passos da filha no andar de cima, nem um sinal de que ela estava ouvindo música ou vendo TV.

De início ele pensou que Liz estava cheia de trabalhos. Porém, ele conhecia a filha, ela não deixava nenhuma tarefa acumular. Foi quando ele percebeu. Lizzy estava fazendo greve de silêncio. Como nem ele, nem Jenny tinham dado um jeito de trazer a equipe de volta, Liz, ao invés de começar a falar na cabeça deles, fez absolutamente o contrário. Parou de falar.

— Por que tão teimosa? – Ele xingou, deixando as ferramentas em cima da bancada e rumando para o segundo andar.

— Elizabeth Shepard-Gibbs! – Ele gritou do pé da escada. – O que a senhorita pensa que está fazendo?

E Lizzy, muito calmamente, colocou a cabeça para fora do quarto e olhou para o pai com ar de dúvida.

— A mocinha pode sair desse quarto agora! – Ele ordenou.

Elizabeth, já sabendo que o pai já tinha entendido a mensagem, apenas apontou para o livro que estava lendo, sem falar uma palavra.

Gibbs subiu a escada de dois em dois degraus, parando na frente da porta do quarto da filha e olhando lá para dentro. Lizzy deu passagem para o pai e observou o que ele iria fazer.

— O que você está fazendo aqui, trancada o dia todo? – Ele tentou tirar uma palavra da filha.

Ela gesticulou para os livros e cadernos na escrivaninha.

— Elizabeth! Até quando você acha que pode levar essa palhaçada de greve de silêncio? – Ele estava perdendo a paciência.

Lizzy encarou o pai e mostrou um calendário atrás da porta, dois dias estavam marcados, e Jethro reconheceu as datas, o dia em que a equipe foi para Coronado e o dia em que, supostamente, eles voltariam. E a garota apontava para a data da volta. Era ali que ela voltaria a falar com ele.

Gibbs teve que respirar fundo.

— Você não vai conseguir ficar todo esse tempo sem falar nada, Elizabeth. Você é igual a sua mãe, incapaz de ficar calada por muito tempo! – Ele desafiou a filha.

Liz se manteve firme. O pai queria que ela conversasse com ele. Era fácil, era só trazer a equipe de volta. Ainda mais depois que ela não tinha tido nenhuma notícia de nenhum deles.

— Elizabeth, é muito bom você voltar a conversar comigo! – Gibbs ordenou a filha.

Nesse momento, Jenny, exausta depois de ficar mais de vinte horas acompanhando o desenrolar de uma operação, entrava em casa.

— Não é possível! Até aqui eu tenho que contornar problemas! – Ela xingou por baixo da respiração.

— Mas o que está acontecendo nessa casa? – Jenny perguntou para o marido que estava furioso na porta do quarto da filha, encarando a garota.

— Sua filha resolveu fazer greve de silêncio. – Ele respondeu.

— E você não está gostando disso? Acho que temos uma virada de mesa aqui, hein Jethro? – Jenny não conseguiu não provocar o marido.

— Ela vai ficar calada até a equipe voltar. – Jethro informou a esposa em um tom monótono.

Disso Jenny não gostou de saber.

— Vai?!

— Pelo menos foi o que eu entendi quando ela me mostrou esse calendário aqui. – E ele fechou a porta para mostrar o tal calendário.

— Duvido que consiga! – Jenny deu de ombros. – Liz é falante por natureza. Não vai passar mais três dias sem abrir a boca.

Lizzy estreitou os olhos na direção da mãe, enquanto Jenny só deu um sorriso para a filha.

— Eu aposto um mês do meu salário que ela abre a boca até amanhã. E você Jethro, aposta que isso dura por quanto tempo?

Lizzy arregalou os olhos, a mãe dela estava virando o jogo, fazendo com que a ideia principal, que era ter a equipe de volta, fosse esquecida, e a sua greve de silêncio virasse uma aposta entre os dois.

Ela queria gritar de frustração por sua mãe ser tão perspicaz. Estava tão fácil manipular o pai.

Jethro gostou do que a esposa tinha dito, e estava gostando ainda mais do fato de que a filha estava começando a ficar brava com a virada do jogo.

— Se eu disser, ainda hoje, acho que ganho. – Ele apontou a cabeça na direção da filha que estava vermelha a ponto de explodir.

Jenny riu. Ela sabia que Liz não aguentaria ficar calada, a garota tinha a necessidade de tentar defender a opinião dela a todo custo.

— Não sei, Jethro. – Jenny parou de braços cruzados e cabeça tombada, fingindo analisar a filha. – Posso trocar a minha então? Creio que dentro de uma hora.

Elizabeth começou a bater o pé no chão. Tentou começar a gesticular qualquer coisa, mas desistiu. Olhou para os pais com a cara emburrada e passou voando por eles, descendo as escadas correndo.

Jenny e Jethro se olharam, começaram a rir. Eles conheciam muito bem a filha. Ouviram a porta ser aberta, Liz andar de um lado para outro, até que escutaram:

— Eu odeio vocês!!! Eu tenho um motivo para isso! Traga a equipe de volta!! E parem de tirar sarro com o que eu estou tentando fazer!! – A garota, tão vermelha quanto seu cabelo subiu as escadas e encarou os pais. – Tragam todos eles de volta!! Já tem quatro dias que estão lá!! – Ela bateu o pé.

O casal se olhou e depois, voltando a atenção à filha, disseram juntos:

— Não.

Elizabeth gritou de raiva.

— E não adianta a mocinha ficar com raiva. Eles só voltam quando o treinamento terminar.

— Quer saber. Tudo bem! – Ela disse.

— Tudo bem? – Esse movimento pegou os pais desprevenidos.

— Sim. Quem tá com o serviço acumulado é o papai, não eu. E quer saber, se eles forem bem nesse treinamento, pode ser que outras agências queiram que eles sejam transferidos para lá, ou, Deus permita que isso possa acontecer, eles podem ser promovidos. Tony, há anos, merece uma equipe só dele. Assim como Tim. Ellie é inteligente, pode ser realocada em Londres, no contraterrorismo. Ziva pode ir parar como Agente Especializada no Oriente Médio, assim como Torres é na América do Sul. E, com isso, com cada um sendo promovido, eles vão deixar a MCRT, e quem vai ter que montar uma equipe nova, ensinar todas as regras e técnicas de interrogatório de novo e de novo, vai ser o papai. E eu espero que ele não chegue em casa reclamando que está cansado de fazer isso. Pois foi ele quem, voluntariamente, mandou a equipe que ele custou montar para o desmanche. – Elizabeth terminou e olhou para os dois. – Agora, com licença, eu ainda tenho que terminar de ler um livro e começar a fazer um ensaio que tenho que entregar daqui a um mês! – Boa noite, mamãe, — ela deu um beijo na bochecha da mãe. – Boa noite, papai, acho que o senhor pode começar a procurar novos agentes por aí... – Ela deu um abraço de solidariedade no pai e entrou para o quarto.

Os dois se olharam, e foi Jethro quem conseguiu se mover primeiro. Pegando a esposa pelo braço, ele a levou até o porão.

— Eu não esperava por isso. – Ele começou.

— Você sabe que ela está certa. Isso pode acontecer. Todos eles são acima da média.

— A ideia foi sua, Jen.

— Você concordou em um piscar de olhos. – Ela retrucou.

— Tem que ser uma semana?

— Não. Podem sair antes. Basta ter um caso. Você tem algum caso?

— Não. Andei passando todos para as demais equipes. Mas posso pegar de volta.

— Então faça.

— Ninguém vai tocar na minha equipe!

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O quarto dia de treinamento tinha terminado. E tinha gente pensando em desistir.

Ellie, Tim, Reid e Tara estavam parados na frente do sino da redenção.

A ideia era simples, todos aqueles que tocassem o sino, estavam fora do treinamento. Acontece que para cada um que caía fora, o treinamento da equipe que fica é duplamente mais complicado.

— Nós não podemos fazer isso com eles! – Ellie disse entre o desespero e o remorso.

— Mas nós não aguentamos mais! – Reid respondeu.

— Não vai matar ninguém se a gente tocar. Faltam mais três dias! Só três! – Tara tentou ponderar, mesmo assim não conseguia se convencer.

— Eu acho que podemos conversar sobre isso. É mesmo a melhor opção? – Tim perguntou.

E os quatro olharam uns para os outros. Eles estavam cansados, descabelados, tinham bolhas nos pés, calos nas mãos, estavam queimados de sol, com dor nas costas por serem obrigados a carregar a pesada mochila e por terem que correr por dez quilômetros de gatinho, estavam com fome e privados de sono. A pior parte, eles sabiam que no próximo dia viria as técnicas avançadas de interrogatórios, em que eles seriam as cobaias que passariam por interrogatórios nada convencionais, sendo forçados a sobreviverem sem abrir a boca a toda forma de tortura psicológica e mental.

Não, eles não aguentariam mais isso.

— Quem vai tocar então? – Ellie perguntou olhando para os próprios pés?

— Creio que o Reid é a melhor opção, até Elena pensa que é você quem vai desistir antes do resto. – Tara deu um tapinha nas costas do garoto gênio em solidariedade.

— Eu?! Não. O McGee. Ele está fora de forma. – Reid se defendeu.

— Todos nós estamos fora de forma, Spencer. – McGee retrucou.

E os quatro ficaram parados na frente do sino. Queriam se ver livre do treinamento, mas não tinham a coragem de prejudicar os demais.

— E se os quatro tocassem? – Spencer deu a opção.

— Acho válido! – Ellie respondeu.

— Também. – Tim concordou.

— Por mim tanto faz, só quero sair desse buraco! – Tara disse.

Os quatro deram o passo que faltava para chegar até a cordinha e se prepararam para bater o sino quando quatro pessoas surgiram do nada e os derrubaram.

— Vocês estão loucos?! – A voz de Ziva foi a mais alta.

— Estamos cansados! – Tim respondeu esfregando a cabeça.

— Querem nos matar? Já não basta a carga de treinamento que estamos tendo, e vocês querem aumentá-la? – Tony xingou.

— Fala sério, Tony! Temos o direito de sair! – Ellie protestou.

— Regra 15 – Sempre trabalhe em equipe. – Ziva e Tony responderam.

— Eles não pensaram nisso quando nos mandaram para cá. – Tara retrucou.

— Isso é verdade, mas vocês querem nos ferrar? – Derek falou pela primeira vez.

— Queremos ir embora! – Reid protestou.

— Só mais três dias. Temos que aguentar. – JJ tentou apaziguar as coisas.

Nesse momento a luz do alojamento que fica em frente ao sino se acendeu.

— Todo mundo corre! – Ziva ordenou.

Não deu tempo, Comandante Clark saiu furioso. E assim que pôs os olhos nos oito parados no gramado, seu olhar ficou ainda pior.

— O que estão fazendo aqui?

Os oito se entreolharam.

— Lustrando o sino! – Tony soltou. Os demais o encararam e ele apenas deu de ombros.

— Juntem suas coisas. – Clark disse sem emoção. – Vocês estão voltando para D.C., suas equipes foram solicitadas em casos de grande importância.

Se não fosse desrespeitoso com a farda que eles tiveram que usar, os oito teriam gritado, pulado e se abraçado de felicidade, mas, ao invés, apenas assentiram e disseram Sim, Senhor.

Quando ficaram a uma boa distância do alojamento os oito começaram a pular e saírem dançando! Era uma notícia boa demais que eles não seriam mortos nos afogamentos simulados que estavam programados para os próximos dias.

— Só uma pergunta... – Reid interrompeu a comemoração – Mas o que fez os quatro mudarem de ideia?

— Eu não sei! Só sei que nunca fui tão grata por ter de resolver um caso complicado na vida! – Ellie falou feliz.

E, tamanha era a felicidade dos oito que eles não se importaram em entrar gritando no alojamento, acordando os outros três que dormiam profundamente.

— Acorda para cuspir! Deus ajuda quem cedo madruga! Vamos botar o bloco na rua!!! – Tony gritou fazendo uma perfeita imitação da voz do Mushu, personagem do desenho Mulan e, de quebra, batendo na porta doa armários como se fosse um gongo.

— Posso saber sobre o que se trata tudo isso? – Matt, com um olho aberto e outro fechado, perguntou, depois que acompanhou a queda de Torres do beliche, tudo por causa do susto que o agente tomou quando Tony entrou gritando.

— Estamos voltando para casa. Precisam de nós em D.C. – Tara falou já jogando suas coisas na mala, sem se preocupar se estava arrumado ou não.

— Sério?! – Luke não acreditava.

— Sim. – Ziva respondeu.

— Mas eles disseram que caso era esse? – Torres, já refeito do tombo, questionou.

— Não. E não perguntamos. Vamos embora logo antes que mudem de ideia. – JJ disse, já colocando a bolsa no ombro.

E assim eles fizeram e, em menos de quinze minutos, já tinham tudo arrumado e estavam embarcando no jato que levaria a todos de volta para casa.

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— Aaron, acorda. – Emily chamou o marido.

— Algum problema? – Ele não se mexeu.

— Sim. Algo que Elena disse.

— Elena sempre diz um monte de coisas, Em, sobre o que é dessa vez? – Hotch não estava muito interessado no que a filha havia dito.

— Sobre a equipe. Ter que montar uma nova equipe, para ser mais exata. – Emily já estava sentada na cama e acendia o abajur.

Hotch suspirou fundo.

— Ela só quer te apavorar.

— Conseguiu, então. Porque eu não paro de pensar que vão querer transferir um por um da BAU para que eles treinem as demais equipes ou agências.

Agora Aaron estava prestando atenção.

— Isso pode acontecer.

— E você como Diretor tem que impedir! – Prentiss foi firme. — Tem como trazê-los sem completar o treinamento?

— Você tem algum caso de alta prioridade?

— Posso transformar qualquer caso em um caso de alta prioridade, Aaron. Basta que você assine o pedido.

Os dois se encararam.

— Eu não quero ter que montar um time novo. Eles são nossa família. São loucos, superprotetores e, às vezes, inconvenientes, mas eu não consigo pensar em ir para o FBI e não tê-los como parte da minha equipe! – Emily continuou.

— Agradeça ao fuso-horário. – Hotch disse, se levantando.

— Vai fazer o que?

— Trazê-los de volta. – Hotch falou e rumou para o escritório.

Mal sabia ele que, escondida no final do corredor, Elena tinha ouvido tudo e, com um sorriso no rosto, saiu saltitando para o quarto. Já com a porta fechada, mandou a seguinte mensagem.

Bem q vc falou q daria certo. Minha mãe acordou meu pai no meio da madrugada falando sobre isso. Minha família volta ainda hj!!!

A resposta veio logo em seguida.

Por aqui a mesma coisa. Meu pai faltou pouco dar a tela azul da morte quando eu mencionei que Tony e Tim já deveriam ter a própria equipe há anos! Conseguimos mais uma!!

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Pelos lados do NCIS não foi muito diferente. Depois que Lizzy plantou a ideia de a equipe ser desmanchada, Gibbs ligou para Vance e exigiu que todos fossem trazidos de volta e inteiros.

— Mas Gibbs, foi você quem pediu que os mandasse para esse treinamento. – O diretor do NCIS ficou sem entender.

— Temos um caso, e somente essa equipe poderá resolvê-lo. Preciso deles amanhã, às sete da manhã. – Gibbs falou e desligou o telefone.

Lizzy, que tinha ouvido toda a conversa, apenas deu meia volta e rumou para o seu quarto, conversando com a amiga pelo celular. Mas como tudo o que ela faz tem que ser noticiado, mandou a seguinte mensagem no grupo “Hospício”

Me agradeçam depois! Vejo vocês no aeroporto!! Bjim

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No meio da madrugada um jato aterrissou em Dover. Dele saíram os onze agentes, com cara de sono, exaustos, porém ainda curiosos com o motivo de terem sido trazidos de volta.

Assim que desceram, deram de cara com os quatro mandantes da “Semana Tortura”.

— Emily, Hotch, sobreviveram à última aula de pilates? – Derek perguntou com um sorriso. Lógico que ele não perderia a oportunidade de zoar com os amigos.

— Derek, vejo que sobreviveu! – Foi o que Prentiss disse.

— Sobrevivemos. – Tara passou por eles, colocou a mala no porta-malas e perguntou – Afinal, vinho depois do pilates é bom pra que?

Emily queria, mais uma vez, estrangular a própria filha.

— Só uma perguntinha – Começou JJ – não que eu não esteja feliz de estar de volta e poder ficar com os meus bebês, porém tem algo que não encaixa... Por que agora? Por que nos trazer antes da hora?

— Emily ficou falando no meu ouvido. – Hotch respondeu sério.

Todos olharam para a Chefe de Unidade.

— A mamãe urso desistiu da vingança? – Luke perguntou e na mesma hora se arrependeu.

— Vamos dizer, SSA Alvez, que a mamãe urso aqui ouviu demais a cria dela.

E foi nessa hora que Elena, ainda com cara de sono, desceu do carro.

— Então foi você a mentora da nossa volta, Little Princess? – Derek veio para perto da sobrinha e bagunçou ainda mais os já bagunçados cabelos da garota.

— Quem mais vocês acham que faria isso? Ou melhor, quem melhor do que EU para dobrar esses dois? – Ela se vangloriou.

Hotch e Emily olharam para a filha.

— É por isso que eu escolhi te proteger de todo o mal! – Tara falou para a garota.

— Ih Tia Tara, não esquece de uma coisa, eu sou o Anjo da Guarda da BAU!

— MAS NÃO É MESMO!! – Todos responderam de uma única vez.

— Credo! — Ela levou a mão ao coração. — Nunca mais ajudo vocês. Seus ingratos! Eu coloquei meus lindos neurônios pra trabalhar a semana inteira, bolando um plano infalível para trazer esse bando de volta e é assim que me agradecem. Deveria ter me concentrado em outra coisa! – Elena, só para variar, fez drama.

— Uma escola de atuação é a pedida para essa aqui! – Matt passou falando. – E muito obrigado, Elena. Fico te devendo essa!

— Matt não diga isso. Eu posso cobrar um dia! – A garota brincou.

— E então, temos ou não um caso? – JJ perguntou já pensando na cama quentinha e confortável que a aguardava.

— O caso que temos aqui é um só. – Emily disse. – Domem essa ferinha. Porque eu não dou mais conta!

E com a risada de Elena soando alto, todos se ajeitaram nos SUV’s. Se foi por conta de Elena que eles foram mandados para a Costa Oeste, foi por conta dela que voltaram.

E a equipe sabia, e que não era só pela garota, mas por todos os herdeiros da BAU, eles iriam a qualquer lugar.

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DiNozzo e cia desceram do jato e viram que tinha dois carros à espera. O Chefe e Jenny tinham tido a boa vontade de ir buscá-los no aeroporto.

— Aonde é o caso, Chefe? – McGee perguntou.

— Não tem caso. – Gibbs respondeu de mau-humor.

— Como não tinha quando nos mandou para Coronado? – Tony parou e esperou por uma resposta.

— É. – Foi o que Jethro respondeu sem detalhe nenhum.

— Então... você mentiu para a Marinha. – Ziva perguntou.

— Omiti um dado. Não menti.

— Mas, então, por que estamos de volta? – Ellie estava curiosa.

— Por conta dela! – Jenny apontou para a filha que estava sentada no capô de um dos sedãs com um sorriso vitorioso no rosto.

— Vejo que alguém não parou de falar na cabeça dos pais! – Tony deu abraço na ruiva e brincou com ela.

— Muito pelo contrário. Ela fez greve de silêncio. – Gibbs respondeu, se dirigindo para um dos carros.

— Greve de silêncio?! – Os cinco perguntaram.

— Isso é para vocês verem o tanto que eu gosto de vocês!! – Lizzy respondeu séria. – Além do mais, a única pessoa que pode fazê-los passar pelo purgatório na terra, sou eu, e mais ninguém!! Agora vamos, tenho certeza de que papai vai fazer um excelente café da manhã para todo mundo.

— Elizabeth, não abuse da sorte! – Gibbs alertou a filha.

— Como é mesmo aquela história... quem iria para onde? – Ela fingiu pensar no que havia falado mais cedo.

— Tá bom... eu faço o café! – Gibbs se rendeu e arremessou a chave do outro carro para Tony. Tudo o que ele não precisava nesse momento era a filha e o falante agente italiano no mesmo carro que ele.

— Pestinha. Eu fico te devendo essa! – Tony disse.

— E pode ter certeza, Agente Muito Especial Anthony DiNozzo Junior, eu vou cobrar!! – Lizzy falou entrando no carro onde o pai e a mãe já a esperava.

— E eu não duvido que será na pior das situações! – Ziva disse com um sorriso tentando roubar a chave da mão do namorado.

— Eu sou o Agente Sênior, Ziva! Eu dirijo! – Tony tentava se desvencilhar das investidas.

McGee olhou para a bagunça e só perguntou:

— Chefe, cabe mais um no carro?

Gibbs olhou para a esposa pedindo por ajuda, e Jenny deu de ombros e disse:

— Você montou essa equipe, Jethro, pediu que eles voltassem, agora aguente as crianças!!

Gibbs deu uma boa olhada na bagunça que todos estavam fazendo no aeroporto, tudo para saber quem dirigiria o segundo carro e, logo em seguida olhou para a filha.

— E isso aqui, mocinha, é o tanto que eu gosto de você!

Lizzy andou até o pai, o abraçou e, brincando, disse:

— É, eu sei, mas admita papai, o senhor sentiu falta disso durante a semana!

Gibbs não respondeu nada à filha, apenas assobiou e ordenou que a equipe entrasse nos carros, se eles quisessem café da manhã.

Em dez segundos todos estavam indo para a casa do Chefe para o café da manhã. E todo aquele silêncio dos últimos dias ia pro espaço, porém, pergunta se alguém ligava?

É claro que não. Família é isso, afinal de contas!!

Notas finais
E aqui acaba!! Espero que tenham gostado. Essas duas encrenqueiras vão voltar. Eu já tenho a próxima história delas planejada. Só não sei quando vou poder escrever!! Muito obrigada a lê, acompanha e comenta!! Volto a qualquer momento! xoxo
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!