Sem volta

2 Segunda Parte


Notas iniciais
Olá, queridos e queridas! E aí, prontos para saberem o que vem na sequência dos fatos? Tomara que sim. Bom, então, vão lá e descubram se Theo ficará com André ou se tem alguma chance com o loiro. LEIAM SEM MODERAÇÃO E DIVIRTAM-SE! BEIJOS!!! OBS.: Obrigada beta querida, Estrela de Rubi!

André sorri cumprimentando o loiro que somente meneia a cabeça, impondo o seu conhecido ar de indiferença.

− É verdade, ninguém se importa mesmo. – olha de novo para o moreno, esboçando um meio sorriso. – Bom, nos vemos por aí, então.

Liam afasta-se e Melissa o acompanha, sempre quieta. Theo ainda os divisa a uns poucos metros, recostados em um balcão que fica rente à parede e próximo também ao casal de amigos deles, Tiago e Bianca, que tudo o que sabem fazer é ficar aos beijos de instante a instante.

Melissa, por sua vez, depressa se mostra muito voluptuosa, aninhando-se nos braços do loiro como uma gata manhosa e carente, sempre rindo e lhe falando algo baixinho ao pé do ouvido. Contudo, Liam parece agir de modo artificial, distante, com pouco interesse.

− Anda, Theo, vamos dançar! Eu adoro essa música. – André apanha um dos cálices da mão do moreno e o convoca para voltarem a ficar perto de Murilo e Otávio.

Após uns instantes, eles dançam e bebem, procuram regozijar-se com o som eletrônico. Theo igualmente obriga-se a simplesmente curtir a companhia dos amigos sem se preocupar com mais nada.

Contudo, André decide que este é o momento ideal para mostrar o desejo de ser mais que amigo do moreno. Ele começa a dançar na frente de Theo, mantendo contato visual por meio de um olhar fixo, insinuativo, chegando mesmo ao ponto de se esfregar no corpo dele, que fica admirado com as investidas ousadas do outro, mas também não o afasta.

Liam, que a princípio não quis ingerir bebida alcoólica porque de fato não tem este hábito, passa a beber um copo seguido do outro e em questão de minutos já apresenta aspecto de embriagado. Ele agora dá somente uma ínfima atenção à Melissa, que fica amuada, porém, não abandona o posto ao lado dele.

O loiro não consegue mais afastar os olhos da direção em que se encontra o moreno nem do comportamento atrevido de André. Ele vai experimentando a sua capacidade de ficar impassível esvair-se gradativamente. Uma vontade de tomar a atitude que tanto evitou apossa-se dele como uma moléstia que não dá prévios sinais do seu grau de evolução. A verdade é que o limite de ignorar as próprias emoções, neste exato instante, chega ao fim.

− Liam, aonde você vai? – Melissa pergunta ao ver o loiro tomar, de um só gole, toda a bebida de uma taça, colocá-la em cima do balcão atrás deles e dar um passo em frente. E ela mostra logo intenção de acompanhá-lo aonde ele for.

− Fica aí, Mel, não me segue! – emite a ordem e retira a mão da garota do seu braço. − Eu tenho um assunto pra resolver... e tem que ser agora.

Dito isto, ele corta por entre algumas pessoas, sem desviar os olhos do seu alvo, que parece realmente distraído, pois só se dá conta da presença do loiro ante a si, quando escuta sua voz altiva.

− Theo!

− Liam? O que foi? – percebe algo incomum no aspecto de Liam.

− Eu quero conversar com você. – segura o pulso do moreno e começa a puxá-lo.

Mas Theo permanece meio estático, pois foi pego de surpresa e a sua aparente hesitação faz André adquirir energia para mostrar seu aborrecimento.

− Ei, garoto! Deixa ele em paz! Não tá vendo que ele tá acompanhado não? – deposita a mão no braço livre de Theo, repuxando-o para si.

− Eu não tô falando com você, seu metido, idiota! – Liam solta o pulso de Theo apenas para avançar sobre André, querendo agredi-lo. Porém, o moreno coloca-se entre eles, continuando de frente para Liam e impedindo o ato violento.

Murilo e Otávio somente assistem à confusão, receosos e torcendo que não evolua para algo pior.

− Liam! O que há com você? Por que tá fazendo isso?

− Não sabe por quê, Theo? Você é burro mesmo ou é tão bom mentiroso quanto eu? – Descontrolado e alcoolizado, volta-se outra vez para o moreno. Em seguida, empurra o tórax dele com força jogando-o em cima de André e sai cambaleando para a lateral da casa, onde acha uma porta aberta e a atravessa.

− Theo, esquece esse garoto problemático, vamos curtir a festa que é melhor. – André ainda tenta ser atendido em seu pedido, mesmo pressentindo que seria inútil.

− Me desculpa, André, mas eu não posso fazer isso. – Sem mais explicações, ele se liberta do rapaz e segue no encalço de Liam.

Ele o encontra fora da residência, em um terraço espaçoso que contém um gramado rasteiro e bem cuidado. O loiro está recostado num muro e tem os braços rendidos ao longo do corpo, a cabeça voltada para cima, mirando o céu estrelado, todavia, sem nada enxergar, ofegando como se tivesse corrido alguns quilômetros, num esforço vão de retomar o equilíbrio.

− Liam! – Theo dá mais uns passos e logo fica ao lado dele, observando sua expressão transtornada.

− Eu tentei, me esforcei, fiz tudo o que pude... – começa a falar com voz raivosa, porém, seus olhos brilham devido às lágrimas que teimam em se formar. − Mas não importa o que eu faça, eu continuo com esses pensamentos, continuo sentindo coisas que eu não quero sentir!

− Fica calmo, Liam, você só tá bêbado e nesse estado é normal confundir um pouco as coisas. – busca tranquilizá-lo.

− Sim, eu tô bêbado, mas... eu sei exatamente do que estou falando. – Liam olha diretamente para Theo. – Antes eu achava que nós éramos amigos, que você era meu amigo!

− Que bobagem é essa? Eu ainda sou seu amigo. – Ele declara, já ficando impaciente.

− Não! Você não é! – assevera categoricamente.

− Se eu não sou seu amigo o que eu sou então? – Theo questiona, sentindo o sangue ferver nas veias.

− Você é a droga que entrou na minha cabeça e que não quer sair! – Liam desvia a rosto enrubescido, por conta da euforia que o assola. – Eu penso em você o tempo todo, não sei mais o que fazer pra parar com isso... Eu não sei lidar com esse sentimento!

− Liam... – Theo age por puro instinto, sem pensar duas vezes, investe sobre o loiro, tentando envolvê-lo em seus braços e prensá-lo contra a parede sólida.

− Não! – Ainda oferece um fraco protesto.

Porém, quando é obrigado a fixar os olhos nos do moreno e experimentar o hálito quente junto à sua boca, a sensatez o abandona completamente. Ele mesmo avança contra o outro e, como se um vulcão dentro de si entrasse em erupção, suga-lhe os lábios com sede desmedida. Theo não age diferente, trata rápido de invadir a boca alheia com a língua saliente, enroscando-se na dele, curiosa para explorar mais. Reza para que esse não seja apenas um entre tantos sonhos que teve com Liam e que se assemelha ao episódio de agora.

Eles ficam, assim, se beijando com sofreguidão, alheios à sua volta, agarrados um ao outro, liberando descargas estimulantes em seus corpos, por incontáveis minutos, só pausando para recuperar o fôlego, sem se darem conta do risco de serem flagrados, o que inevitavelmente acaba acontecendo.

Quando o loiro abre os olhos, ele vê André e Melissa parados a escassos metros observando-os detidamente. Um, desapontado, apenas assiste à cena sentindo-se como um competidor vencido, já a menina tem na face o aspecto de choque e decepção.

− Ah, merda! – O loiro pragueja em voz baixa, fazendo Theo parar de acariciar e beijar seu pescoço, virar o rosto e igualmente notar a presença dos espectadores indesejados.

Todos se olham meio espantados, alvoroçados, letárgicos.

Liam, desgrudando seu o corpo do outro e se direcionando especificamente para a garota, é o primeiro a tomar a fala para tentar justificar-se.

− Mel, deixa eu te explicar o que tá acontecendo... eu ... – trava a língua e não consegue concluir o enunciado.

− Você quer me dar explicações? Agora é um pouco tarde, não acha? – Melissa inquire, chateada. – Você deveria ter feito isso antes de eu me encher de esperanças achando que tinha alguma chance com você. Eu não sou uma pessoa preconceituosa, Liam, tenho amigos e amigas homossexuais, mas o que me deixa realmente furiosa é ser tratada como idiota.

Logo após liberar sua reclamação, a moça vai-se pelo rumo de onde surgiu, pisando forte e sem olhar para trás. Liam fica emudecido pelo constrangimento, ao enxergar a verdade nas palavras duras de Melissa.

− Puxa, André, por que você trouxe essa garota até aqui? – Theo dirige-se ao rapaz, pensando que ele havia feito isso com o propósito único de punir Liam.

− Eu não trouxe ninguém, essa menina me seguiu sem que eu a visse. – A voz tranquila e firme de André não deixa dúvidas de que está sendo sincero. – E eu só vim aqui pra te avisar que estou indo embora junto com o Murilo e o Otávio.

Ele se vira a fim de, como Melissa, ir-se para longe num passo indignado. No entanto, Theo é mais rápido, põe a mão em seu ombro e o antepara.

− Desculpa, André, eu fui precipitado no meu julgamento... eu deveria saber que você jamais seria capaz de um ato tão baixo. Você é um cara bom e honesto. – Encabulado, afirma.

− Tudo bem, Theo, deixa isso pra lá. – exibe um sorriso fraco, evidenciando que não está tão aborrecido.

− Ainda somos amigos? – pergunta, com voz mendicante.

− Claro que sim. – André responde, compreensivo.

Na sequência, ele volta a andar e, ao passar por Liam, olha-o de viés, contudo, sem mostrar de fato qualquer sentimento, nem bom nem ruim.

Assim que André se retira, o loiro, apreensivo, ergue o rosto e lança seus olhos sobre Theo, aproximando-se dele novamente.

− Agora como você vai voltar pra sua casa? – Liam supõe que o moreno tenha vindo para a festa como ele, ou seja, de carona com os amigos.

− Ué, vou voltar exatamente como vim, dirigindo o carro do meu pai.

− Ah, tá... – Liam reflete um instante. – Ok, então eu vou voltar com você... porque eu não posso mais olhar pra cara do Tiago, da Bianca e muito menos da Melissa essa noite, simplesmente não dá.

− Por mim tudo bem, eu te levo com prazer, mas você vai ficar legal? – O moreno pergunta, atencioso e preocupado.

− Eu não sei, Theo. – confessa sinceramente. – Mas que se dane! Eu não vou pensar nisso hoje. Não mesmo.

Confirmando sua determinação, ele ergue o braço, põe a mão na nuca de Theo e o puxa para fazê-lo baixar a cabeça, a fim de beijá-lo outra vez.

✻∞✻

Algum tempo depois, o moreno estaciona o veículo na frente da casa de Liam.

− Quer entrar um pouco? – Liam faz o convite, enquanto retira o cinto de segurança, olhando para Theo.

− Liam, são mais de duas horas da manhã, você tá maluco? E os seus pais? – começa a achar que o álcool afetou o cérebro de Liam mais que o previsto.

− Eles não estão aqui, seu bobo, viajaram e só voltam amanhã à noite, inclusive nem sabem ainda que eu não fui pra casa da minha tia, como me pediram que eu fizesse. – abre um sorriso atrevido ao ver a surpresa e o contentamento estampados na face de Theo.

De fato, os pais de Liam são professores universitários que atuam respectiva e coincidentemente na área de economia e, neste momento, estão em outra cidade, para a qual foram convidados a encabeçar um congresso, como palestrantes e organizadores. Ademais, sua irmã, que é mais velha quase dez anos, é casada e há três, mora em outro estado.

No entanto, a considerável embriaguez de Liam fica à mostra quando ele tenta e não consegue abrir a porta, necessitando de auxílio do moreno.

Já no interior da residência, ele segura firme a mão de Theo, enquanto o conduz direto para o quarto e, após adentrar por este, joga-se nos braços do moreno e ataca a sua boca outra vez. Sequioso, afoito, interrompe o beijo apenas para retirar a própria camisa, expondo o peito liso e de pele clara. Torna aos lábios desejados e logo começa a querer despi-lo também, enfia uma mão por dentro da camisa dele e a força para cima, retirando-a apressadamente.

Em segundos, mesmo um tanto desajeitado, Liam já está esfregando-se com gosto no corpo de Theo, mordiscando o abdômen malhado, passeando com as mãos por toda a região, parecendo ter perdido a noção de tudo ao redor.

− Liam, espera! Não faz assim ou eu vou perder o controle também. – Theo alerta, tentando inutilmente não ficar rijo.

− Uau! Você tá excitado de verdade. – Ao observar o volume grande e pontudo na calça de Theo, o loiro constata.

− A culpa é sua, você me deixou desse jeito. – Theo alega, com voz ofegante.

− Tudo bem, Theo, vamos só deixar rolar... Me mostra o que acontece. – Liam busca outra vez os lábios do outro para sugá-los.

Enquanto corresponde ao gesto íntimo e com gosto de entrega puramente espontânea, Theo entende que não irá mesmo conseguir conter-se.

− Ah, que se dane! Liam, eu não sou de ferro. – declara, rendido pelo desejo.

Deste modo, não conseguindo mais manter a prudência, Theo apresenta seu lado dominante. Sem deixar de beijar o loiro, empurra-o contra a cama e se deita sobre ele. Afasta-se o suficiente para abrir e baixar a sua calça e a dele, depois gruda os quadris para começar um atrito excitante dos membros, por cima das cuecas mesmo. Não satisfeito, desce estas últimas peças e expõe os falos eretos, promovendo uma dupla masturbação, enquanto marca o pescoço do loiro, entorpecendo-se com seu cheiro delicioso, dando chupões e pequenas mordidas.

Liam retribui como pode e parece extasiado, transportado para outra dimensão, já que, na maior parte do tempo, só consegue gemer, arquejar e se entregar à experiência única e diferente que está vivendo agora.

Por causa de toda a movimentação convulsa, da fricção dos membros unidos pela mão hábil de Theo, os dois terminam gozando. Mas, apesar de sentirem escorrer o líquido esbranquiçado e pastoso por seus ventres, não se importam, continuam com os beijos afetuosos, as carícias lentas, buscando recompor a respiração, que agora está muito falha, ao passo que se conectam com olhares fixos, maravilhados.

Ao fim de certo tempo, entretanto, justo por permanecerem com tais beijos e carícias, eles voltam a se excitar e, desta vez, o moreno apanha sua calça do piso, mexe no bolso, pega sua carteira compacta, amarronzada e, de dentro dela, tira o preservativo, pondo-o na mesinha ao lado da cama. Volta a explorar mais o corpo de Liam. Enquanto, rouba-lhe novos beijos quentes, molhados, desliza as mãos pela sua epiderme, que tem agora os poros eriçados, usa o resto do sêmen que ainda não secou, umedece os dedos e, atrevido, chega às nádegas firmes, seguindo por elas e encontrando a sua entrada virgem. Com audácia e de modo gentil, passa a forçar um dedo até que ele entre e deixe o visco úmido ajudar a introduzir outro.

Liam não impede que o moreno o apalpe dessa forma inusitada, apenas solta um pequeno brado, que na verdade é uma óbvia demonstração de queixa. Contudo, aguenta firme, sobretudo porque Theo é habilidoso, enquanto move os dedos intrusos, indo e voltando por vários segundos, beija-o de modo afável e busca transmitir confiança de que sabe exatamente o que está fazendo. Ele pega o preservativo e rasga o cantinho da embalagem com os dentes.

Ao ver Theo em pé, nu, vestindo seu membro totalmente hirto com a camisinha, Liam é tomado de repente por um enorme frisson, mesclado a certo nervosismo e fascínio, mas ele apenas se vira na cama, coloca uma almofada abaixo de si, ficando de bruços e com as nádegas empinadas, disposto a suportar o que vier.

− Assim não... Vem cá. – O moreno fala com voz grave e sensual, fazendo-o desvirar-se e ficar de frente para si. Ele segura e ergue as pernas de Liam, postando-se entre elas, amoldando-se ao corpo dele e lhe olhando fixamente. Logo, vai forçando o membro enrijecido pela entrada, sentindo o aperto tornar-se maior a cada centímetro conquistado.

Liam já produz suores por todo o corpo, ele chega a tremer e lacrimejar por conta do esforço e da dor. Em sua face a sensação de tortura é notória.

− Ai! Theo... – coloca a mão sobre o tórax também suado do moreno.

− Me desculpa, Liam... não quero te machucar, mas você sabe que é preciso passar por isso... que vai ficar melhor daqui a pouco. – Theo explica, ofegando e tentando não se mover por uns instantes, esperando o loiro se acostumar à invasão, o que, para seu alívio, não demora tanto para acontecer.

Com persistência e o máximo de calma, Theo consegue penetrá-lo por completo. Outra vez, aguarda por uns segundos. Então, retira-se e volta a entrar nele com um pouco mais de força. Liam solta novo gemido, mas a dor não é mais tão intensa, pouco a pouco, ele vai relaxando e se entregando às investidas de Theo, que, prendendo-o forte e sem cessar os movimentos, encurva-se e o beija nos lábios, no pescoço e por onde a boca alcança, tratando de marcá-lo por um impulso instintivo.

Permanecem nesta movimentação excitante por muitos minutos, tempo em que experimentam um prazer extraordinário, intenso e revelador. E quando Liam sente o ápice querer chegar para si, ele agarra Theo pela nuca e o puxa para colar os lábios entreabertos, ávidos. Desliza a outra mão por entre os corpos e massageia bombeando o próprio membro a fim de se ajudar a alcançar o clímax.

Theo aumenta a fricção, dá sacolejos enérgicos no corpo do loiro, indicando que também já está atingindo o seu prazer máximo. Seu membro muito ereto lateja, comprime-se na cavidade estreita de Liam. Então ele solta uma espécie de urro, num estouro de múltiplas sensações vibrantes, ao passo que, enfim, recheia o preservativo com o líquido seminal. Num instante depois, retira-se de Liam, porém, continua acomodado ao corpo dele, igualmente buscando recuperar o fôlego, relaxando e dando lugar ao previsível cansaço pós-gozo.

Quando Theo decide erguer a vista e olhar para Liam, no entanto, este se encontra com os olhos fechados, a boca entreaberta, ressonando baixinho.

Liam, de fato, agora dorme profundamente.

Theo levanta-se da cama, vai até à suíte, volta depois de um instante, sem o preservativo. Olha mais uma vez para Liam, pensa em acordá-lo, mas reflete melhor, resolve deixá-lo repousar alguns minutos mais e só depois acordá-lo para ir-se embora. Assim, ele se deita novamente ao lado dele na cama e o trás para si, ajustando-o ao seu corpo de modo a ficar confortável e poder apreciar um bocadinho mais esta agradável ocasião. Com olhos semicerrados, ele observa o rosto bem-feito do loiro e, enquanto repousa a cabeça na almofada, aproxima o nariz ao seu pescoço e lhe absorve o aroma. Sorri satisfeito, pensando que não teria problemas em tirar apenas um rápido cochilo.

✻∞✻

Liam remexe-se na cama, abre os olhos, pisca algumas vezes para espantar a sonolência e constata que já é manhã clara. Olha para o lado e toma um pequeno susto ao ver o moreno nu, sem nada a lhe cobrir as partes íntimas, dormindo tranquilamente. Respira fundo e busca organizar o pensamento, ao passo que se ergue da cama, sentindo a cabeça rodar, pesar bastante.

Ele anda até o banheiro, no caminho apaga a luz que passou a noite acesa, vai à pia, molha o rosto e fica analisando a própria imagem com expressão misteriosa. Ao ver as marcas dos chupões e das mordidas feitas em seu corpo por Theo, relembra gradualmente tudo o que aconteceu durante a noite passada, cada segundo, cada emoção.

De repente, ele escuta som de água escorrendo e, quando olha para trás, vê o moreno urinando.

− Bom dia. – Ele o saúda, com voz baixa, grave e ensonada.

− Bom dia. – O loiro responde, nervoso.

A seguir, Theo gira o corpo, fica de frente para Liam e pigarreia um pouco, limpando a garganta antes de se pronunciar.

− Eu imagino que você esteja se perguntando o que eu ainda estou fazendo aqui, né? A verdade é que você dormiu, eu pensei em cochilar só um pouco e depois te chamar, mas acabei dormindo pra valer. – justifica resumidamente.

− Ok, tá tudo bem, Theo. – articula, enquanto fica de frente para ele, porém, desviando o olhar diversas vezes e pondo instintivamente as mãos diante do seu membro exposto.

− E eu posso tomar um banho antes de ir? – questiona, sorrindo de lado e desconsiderando o clima constrangedor.

− Ah... claro. – continua mostrando-se acanhado, sem ação.

Contudo, após abrir e atravessar a abertura do box, Theo volta-se novamente para o loiro.

− Vem, Liam. Eu sei que você tá precisando de um bom banho também, até mais do que eu, pra amenizar a ressaca que deve estar sentindo agora. – O convite é lançado em tom de quem não espera recusa.

Um momento de silêncio instala-se entre eles, até que Liam respira fundo e vence a timidez.

− Tem razão. – é tudo o que diz para unir-se a Theo, que regula a torneira, fazendo um leve jato de água cair, traz o loiro a si, coloca-o de costas, dá início a uma massagem pressionando os dedos desde a base da nuca até os ombros, percebendo-o tenso, reflexivo.

− O que está feito, está feito, Liam, não tem como voltar. Então não adianta agora ficar enchendo a cabeça com preocupações. – súbito, porém, ele para a massagem, pois uma dúvida lhe toma. – Você tá arrependido do que houve entre nós?

Liam olha para outro canto, ao passo que as lembranças do sexo que fizeram lhe vêm à mente com maior vivacidade, deixando-o imediatamente corado.

− Não. – meneia a cabeça e responde, lacônico, num quase sussurro.

− Tá preocupado porque aquela garota nos viu juntos na festa e pode contar pra mais pessoas? Se for esse o problema eu posso tentar resolver, posso dizer que na verdade fui eu que te ataquei, que você não queria, mas tava fraco, bêbado e eu me aproveitei disso. – Theo vai expondo suas ideias, sem demonstrar qualquer hesitação.

Liam, então, vira-se e o olha de frente, com expressão admirada.

− Theo, você tá mesmo disposto a manchar ainda mais a sua imagem só pra me proteger?

− Por mim, tudo bem. Na verdade, eu não tô mais afim de me torturar por causa da opinião dos outros. E pra te ajudar eu digo e faço o que for preciso.

− Caramba! – Liam sorri e olha para ele como quem o avalia com apuro dobrado. – Você é incrível, sabia? Conseguiu mesmo se transformar num garoto forte... decidido.

− Bom, eu não me vejo assim... e até me considero um tremendo covarde às vezes.

− Não entendi... Por quê?

Theo lança sobre Liam um olhar firme, penetrante.

− Porque só agora eu consigo dizer que eu sou completamente apaixonado por você, Liam... há muito tempo.

− Theo... – abre a boca em nova demonstração de pasmo.

− Não precisa falar nada, eu que não aguentava mais ficar com isso preso dentro de mim. Tudo vai ficar bem, Liam, não quero que se sinta pressionado a me corresponder. Nós seremos o que você quiser. Se achar que, mesmo depois do que houve entre nós, devemos continuar como simples amigos, eu aceito. Eu aceito tudo, menos que você se afaste de mim. – desanda a falar e termina expondo seu receio de que Liam volte a querer ignorá-lo, sobretudo, depois de ter-lhe confessado a paixão que mantinha em segredo há anos.

− Eu não vou me afastar de você, Theo, não depois do que aconteceu ontem, não depois de perceber que não adianta fugir de quem eu sou e do que eu sinto porque... – Os olhos de Liam desviam-se e se mostram longínquos. – Antes eu acreditei que conseguiria abafar os meus sentimentos, que isso era o certo a fazer, o melhor pra mim, pra minha família e pra todos. Assim, eu me conformei com a ideia de sermos sempre só amigos... mas, naquele dia, quando você se confessou gay, bagunçou a minha cabeça, destruiu a minha autoconfiança, eu fiquei apavorado, sem saber o que fazer, o que dizer... fiquei perdido.

− Por isso saiu correndo daquele jeito. – Theo constata o óbvio e vê Liam acenar positivamente. − Bom... e agora, Liam, você continua se sentindo perdido? O que quer que eu faça... me diz, porque eu faço qualquer coisa pra te ajudar, eu já disse. – parece realmente ansioso, pois receia que Liam esteja agora mais assustado do que antes, sem saber o que fazer da vida a partir do que houve à noite passada.

No entanto, o loiro ergue o rosto e fixa em Theo seus belos olhos verdes, que apresentam uma nova postura.

− Sim, eu quero que você me ajude, Theo... – passa os braços ao redor do pescoço dele, cola-se ao seu corpo, fazendo com que Theo depressa o envolva também, mesmo sem compreender tal atitude sinuosa. – Quero que me ajude a mandar o meu medo pro inferno, a ser forte, corajoso como você, a não mentir mais pra mim mesmo e a não me importar tanto com o que possam falar de ruim sobre as minhas escolhas, sobre a minha vida.

É a vez de Theo ficar estupefato, emudecido, deslumbrado.

Liam continua:

− E, além disso, você mesmo disse que o que aconteceu não tem volta. Sendo assim, só me resta seguir em busca da minha felicidade, mesmo que eu tenha que enfrentar muitos obstáculos de agora em diante. – Ele abre um bonito sorriso diante da expressão maravilhada de Theo.

− Isso quer dizer que nós podemos ficar juntos, como um casal? Como o Otávio e o Murilo? – pergunta, louco para atacar a boca de Liam.

− Não, não mesmo... porque, ao contrário deles, nós não vamos nos importar se descobrirem que somos mais que amigos, aliás, nesse momento eu tô pouco ligando se isso vai acontecer ou não. Quero que se danem, que se mordam.... Eu quero ser feliz!

Dominado pelo êxtase que tais palavras lhe provocam, Theo avança nos lábios desejados e os suga com gosto, fazendo o loiro ir para trás e topar com as costas na parede ladrilhada, num beijo apaixonado, possessivo, mas liberto de todo e qualquer pudor.

Assim, enquanto se beijam, Theo e Liam não pensam em nada além de jamais voltarem a permitir que os seus temores os tornem cativos submissos que se obrigam a agir, pensar exclusivamente para satisfazer à visão anódina de parte, ainda predominante, da sociedade homofóbica, preconceituosa, que persiste em julgar como doença, anormalidade ou deturpação mental, moral ou religiosa, forçando muitos de seus indivíduos a esconderem de si ou de outrem a sua verdadeira orientação existencial.

Eles têm consciência de que irão sentir-se numa constante batalha pela aceitação, pelo respeito e pela compreensão alheia e que o caminho para a sua felicidade é cheio de percalços e está apenas começando.

✻∞✻ Fim ✻∞✻

Notas finais
OBÁ!!! PRONTO! Amigos, agora acredito que alguns de vocês, meus queridos leitores, devem estar-se perguntando como o Liam pode declarar-se e entregar-se tão repentinamente a Theo. Então, é melhor que repensemos sobre isto juntos, está certo? Ok, vamos lá. Primeiro, é preciso observar que tal atitude evidencia que o loiro já nutria dentro de si desejos ocultos, certamente mantendo-os sob controle há anos, o que na verdade pode suscitar o chamado "efeito rebote" ou "panela de pressão", uma vez que, quando atinge o máximo de sua capacidade retentora, pode provocar uma verdadeira "explosão", uma liberação descontrolada, um extravasamento do que estava preso, no caso dele, o desejo sexual reprimido, a atração além da amizade. Depois, o pobre loiro estava bêbado e é sabido que o álcool é um composto que altera as sensações de prazer, humor e ansiedade, deixando o sujeito desinibido e eufórico. A pessoa, portanto, tende a perder não apenas a perfeita coordenação motora, mas também o autocontrole. Deste modo, Liam deixou-se levar pelo momento e se permitiu viver sem entrave algum a sua primeira experiência sexual com o moreno. Ademais, a seguir fica mais claro entendermos que os dois rapazes, sem dúvida, sentem-se igualmente envolvidos e apaixonados um pelo outro. Só estavam desencontrados em suas posturas. Um assumiu-se logo, enquanto o loiro ainda relutou consigo mesmo o quanto lhe foi possível até ceder de vez. Bom, é isso aí. Espero ter-lhes ajudado a compreender um pouquinho mais. Ah, e continuo pedindo que me favoreçam com algum comentário. Façam isso, especialmente se gostaram, pois eu posso vir a me animar para escrever outro enredo do tipo Yaoi ... quem sabe... Um grande beijo para quem dedicou uma parte do seu tempo para ler minha narrativa, obrigada! BEIJOS E ATÉ QUALQUER HORA!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!