Victor jogou o celular do outro lado do quarto no momento em que o alarme disparou. Ele não pretendia ir ao colégio nessa segunda feira de manhã por três motivos simples:

1. Está cansado de forçar amizades com colegas de classe insuportáveis apenas por convívio social.

2. São duas aulas de matemática seguidas.

3. Sua namorada terminou um relacionamento de dois anos ontem, por mensagem.

Aparentemente, não havia nenhuma necessidade de levantar da cama e a melhor opção seria continuar dormindo. Seria, se não escutasse a voz de um certo alguém.

— Ah, ele está lá em cima? — Conseguiu ouvir seu melhor amigo falar com sua mãe na cozinha.

Levantou de uma só vez e ignorou a dor de cabeça. Se trancou no banheiro para tomar banho, escovar os dentes e tentar não mostrar para Arthur sua vontade de morrer.

É claro que ele contaria ao amigo sobre o término de seu namoro, mas não no dia em que o mesmo vai pegar uma garota gostosa. Se contar, o Arthur provavelmente vai desistir de beijar a mina apenas para ficar consolando o melhor amigo e conversando sobre o quanto mulheres não têm coração.

Como esperando, meia hora depois, Victor escutou batidas na porta.

— Ô, minha putinha! — Arthur gritou. — Para de bater punheta, faz mal.

— Eu sei. — Vic abriu a porta e o quarto encheu de vapor. Ele já tinha colocado o uniforme da escola e seu cabelo estava todo encharcado, por não sentir vontade alguma de fazer uma simples tarefa, como secar o próprio cabelo. — E aí!

— Tá cheiroso, hein? Passou metade do shampoo no cabelo, não foi? — Arthur tomou a toalha da mão do outro e, sem vergonha nenhuma, passou pelos seus fios molhados. Ele era como um irmão mais velho para o Victor e ambos já estavam acostumados com tais ações. Chegou mais perto para secar atrás e, com isso, Victor pôde sentir seu perfume. Talvez pelas mãos do melhor amigo em seu cabelo ou pelo calor local, ele fechou os olhos involuntariamente.

— O-olha quem fala. — Sorriu, meio nervoso. — Tomou um banho de perfume só porque finalmente conseguiu um "sim" da Mari.

— Sabe como é. — Piscou. — E você, vai ver sua mina hoje?

"Fodeu", foi a primeira coisa que o loirinho pensou.

— Hã... bem, não.

— Por que? — Me devolveu a toalha e eu estendi. Voltei.

— Por nada...

— Tem certeza? — Puxou o menor pela camiseta e o encarou.

— Sim!

— Ah, é? Então por que recebi uma mensagem da sua namorada dizendo "fique longe do Victor"? — Mostrou o celular.

— A-ah... — Ficou sem graça. — Tudo bem, mano, nós terminamos. Mas eu tô de boa! Sério.

— Não está não. — Se jogou na cama e ligou o vídeo game. Era como se soubesse tudo sobre o amigo e pouco se importava se o outro se incomodava com isso a ponto de mentir. — Eu disse para sua mãe que não tínhamos aula hoje e eu passaria a tarde aqui.

— Arthur! Não precisa, mano. Eu já disse que estou bem. — As palavras que saíram de sua boca não eram sinceras. Recebeu um olhar do tipo "para de mentir e senta aí" e resolveu sentar ao lado dele, pegando um dos controles. — Você vai perder a chance de ficar com aquela gostosa por minha causa. Qual seu problema? Você é viado?

— Viado? O que eu peguei de mulher, você não bebeu de água, brother. — Sorriu. — Abre minha mochila, eu trouxe bebida.

Eles continuaram jogando, conversando e bebendo por um bom tempo.

~

Apesar de ser Victor quem está sofrendo, Arthur bebeu o dobro do melhor amigo. Sua visão já estava ficando embaçada.

— Eu não queria perguntar, mas já que estou aqui... qual foi o motivo? — Arthur pausou o jogo e encarou o menor.

— Eu não sei. — Respondeu. — Ela só disse que eu não a amava de verdade.

— E você a amava de verdade?

— Acho que sim. Quer dizer... você já amou uma mina, Thur?

— Não. — A resposta foi imediata. Ambos sorriram.

— Ah, que pergunta. Você só quer saber de pegar... — Vic revirou os olhos. — Não há uma semana da sua vida que você passe sem beijar alguém.

— Para mim, amor não existe. — Deu de ombros. — Ela terminou porque você fode mal.

— Ah. — Deu risada. — O sexo era bom... eu acho.

Arthur sentiu algo estranho ao ouvir tais palavras, uma vontade dada pela bebida, talvez?

— Vic. — Se aproximou cada vez mais, até chegar perto do ouvido do outro e sussurrar, sem qualquer vergonha. — Você me excita.

— H-hã?! — As bochechas de Victor ficaram imediatamente vermelhas e sentiu várias regiões esquentaram, incluindo partes que definitivamente não deveriam. — Você está bêbado.

— Não tanto. Estou sendo sincero. — Confessou, sem ligar. A sinceridade do melhor amigo o assustava. — Você sabe que sou 100% hétero, não é? Mas não sei se pela bebida ou porque não pude pegar a Mari hoje, eu estou com muito tesão.

— E o que eu tenho a ver?!

— Quantas vezes quer que eu diga? — Sorriu.

— Eu ainda não entendi o ponto que você quer chegar!

— Eu quero beijar você, mano. — Sua voz saiu rouca e cheia de desejo, deixando o melhor amigo completamente envergonhado.— Sem viadagem.

— E-eu...

— Vem cá. — Arthur diminuiu qualquer distância entre seus corpos ao puxar o outro pela gola do uniforme. As mãos de Victor estavam trêmulas e seu coração nunca havia batido de forma tão descompassada antes. O corpo de ambos esquentou ainda mais do que antes e a vontade de ter o outro para si era tão grande que estava difícil até parar para respirar.

— H-hm... ah... — Afastou o outro.

Foi mais saboroso do que qualquer outro beijo dado apenas "por beijar".

— Finalmente terminou com aquela garota, já estava cansado de esperar. — Arthur voltou ao seu lugar.

— Nós terminamos por sua culpa. — Victor admitiu. — Babaca.

— O que eu fiz?

— Eu... falei seu nome quando não deveria falar. Completamente sem querer!

— Você gemeu meu nome?! — Deu risada. — Ah, mas isso é injusto. Por que para ela e não para mim?

— Porque você não quer.

— Ah. — Respondeu com um sorriso sacana, puxando o melhor amigo novamente para si.

Sem viadagem, claro.

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