Sem querer
11 Passado
Notas iniciais
Eu estava com a respiração acelerada, não só eu como Sasuke e Naruto. Olho para o quadro e vejo minha obra, estava Naruto cantando, mas o que saia de sua boca era um fogo azul e Sasuke ao seu lado com uma máscara metade triste e metade feliz, seu corpo emanava uma aura azul repassando a música do Naruto. Também tinha Kakashi que rodeava os dois, mas sua cabeça era uma câmera e ele transmitia uma aura branca, neutra e indiferente.
Ao redor deles três havia um círculo vermelho que tentava inutilmente entrar na área deles, porém uma grande barreira rosa impedia isso.
— acho devemos ir para casa e tomar um banho quente — rir com que Kakashi disse, mas concordo. Pegamos nossas coisas e voltamos para casa de praia sorrindo.
— Naruto que música é essa? Nunca ouvi — eu pergunto tentando lembrar a música.
— eu criei ela agora — arregalo os olhos com a sua declaração.
— nossa, não é que o idiota tem talento? — Naruto revira os olhos para o comentário de Sasuke e eu rir de leve.
Chegamos em casa e quase que eu esqueço de tirar os sapatos, mesmo fazendo isso de rotina ainda não me acostumei. Eu tomo meu banho, tiro toda aquela tinta e suor do meu corpo.
Saio do meu quarto e vejo Naruto andando distraído pelo corredor. Um sorriso maligno aparece em meus lábios.
— cuidado para não ficar muito distraído — chuto atrás do seu joelho e ele cai desequilibrado.
— porra Sakura!! Isso dói demônio — rio dele no chão.
— já anotou a música? — pulo nele que ainda estava caído, o mesmo solta um urro de dor.
— j-já...S-só falta p-pequen-nos ajustes — responde e eu continuo sentada em cima dele.
— vocês estão atrapalhando o caminho — olhamos para trás e Sasuke tinha um olhar meio ameaçador, direcionado para Naruto.
— foi mal~ — saio de cima do Naruto e vou até a sala, Kakashi-sensei lia seu livro no sofá.
— ei que tal jogarmos algum jogo? — Naruto sugere, mas eu acho que estava muito cansada para sair do sofá.
— Poker? — ele sorrir e pega o baralho da própria casa, dividimos as cartas e jogávamos sem grande interesse.
— ei Sakura você não é Japonesa né? — Naruto pergunta do nada, mas não me incomodei.
— tenho origens japonesas por parte de mãe, mas meu pai é americano — respondo tirando uma carta do baralho.
— hum... Você morava na América? — ele pergunta e eu afirmo com a cabeça.
— full house — sorrio e eles largam as cartas derrotados — bom garotos foi uma bela disputa, mas estou acabada. Boa noite — subo as escadas e vou para meu quarto, me despido e coloco um pijama qualquer, porém confortável. Me jogo na cama e olho o meu pulso, a tatuagem de um coração batendo ocultava aquela cicatriz. Da qual nunca poderei me esquecer e nem devo esquecer.
" — mãe... — sussurro ao vê minha mãe, ela apenas me observava e minha respiração ia faltando. Ela olhava para baixo em certa vergonha, mas nada fazia.
— Jack pare! Os vizinhos vão chamar a polícia, isso vai ser ruim para seus negócios — finalmente o aperto em minha garganta é afrouxado. O loiro sai da sala acompanhado da pessoa que deveria me amar e eu fiquei sozinha naquele chão frio e na sala escura e bagunçada. "
— Bem... Você finalmente se livrou de mim Jack — sorrio mordaz. Duas batidas na porta chama minha atenção, de modo preguiçoso abro a porta — Uh! Sasuke, quer uma segunda rodada? — sorrio para ele e como sempre ele me da seu sorriso de canto.
— com sua sorte? Não obrigado, é perigoso jogar Poker com você — rio dele e dou passagem para entrar — queria vê a pintura que fez. Posso? — aceno sorrindo e pego o quadro para ele observar e ele faz de maneira atenta, quase um crítico e de certa forma eu fiquei nervosa.
— então...? — ele pareceu voltar a realidade com meu chamado.
— profundo, eu senti exatamente o que estava sentindo naquele momento. O modo que você nos representou é incrível — sorrio extremamente feliz.
— sério? Nossa eu fui capaz de arrancar muitas palavras de você com meu desenho, acho que é algo que devo me orgulhar. Haruno Sakura faz Uchiha Sasuke falar — brinco e ele rir de leve.
— mas então...por quanto tempo morou no E.U.A? — ele pergunta olhando meu quarto sem muito interesse. Foi um assunto repentino.
— hum...Sei lá — rio de mim mesma e Sasuke me observava — até meus 4 anos eu morava no Japão, mas meus pais se separaram naquela época, ou algo do tipo — uma risada sarcástica escapa — Papai sumiu e mamãe....Ela desenvolveu um problema por jogos e com esses jogos vieram as dívidas, ela se envolveu com alguns agiotas e...Fugimos!! Fomos para o E.U.A recomeçar — sorrio para ele e aperto minha mão de leve — ou deveria ser isso... — a última parte eu sussurro para mim mesma.
— foi difícil aprender a língua? — penso um pouco, relembrando a infância.
— até que foi, mas a New York tinha tantos turistas e imigrantes que não foi difícil encontrar alguns garotos japoneses — lembro de alguns amigos, foi uma boa época...Ao menos uma pequena parte — era maneiro, eu ia para colégio, as vezes jogava basquete com os garotos negros que na época foi uma surpresa para mim. Já que na Ásia não tem tantos e por eu ser criança também — Sasuke escutava atentamente cada palavra.
— cansou da vida da cidade que não dorme? — me jogo na cama e Sasuke senta ao meu lado.
— algo assim...Os amigos foram crescendo, mudando, andando com quem não deviam e fazendo coisas que não deviam... Quando notei, estava sozinha — observo minha tatuagem de tesoura, além de cortar um destino...Ela cortava os lanços dos quais eu perdi e nunca mais posso ter de volta. — sabe...Uma vida em Nova York não é como você pensa... É a cidade a que não dorme e você sempre pode conseguir algo dela, seja bom ou ruim. Os ricos esbanjam luxuria, os turistas vêem apenas a beleza da cidade e os pobres...Eles são os que sofrem, para ter ao menos algo que comer... Fazendo diversas coisas — meu olhar escurece e alguns rostos aparecem na minha mente.
— quando você começou a ter a paixão por pintura? No meio dessa cidade — um riso nasal escapa.
— sempre soube desenhar, fazia de passatempo na escola. Um dia comecei a fazer retratos de pessoas na rua, ganhando um dinheiro e foi quando Nagato apareceu... Não sabia quem ele era, apenas fiz seu retrato como de costume e o entreguei, ele olhou para o desenho com profundidade e a parti daí ele vinha todo dia no local que eu fazia os desenhos. Até ele me convidar para uma exposição de arte, eu fui e me encantei — sorrio com essa pequena lembrança.
— e então ele te convidou para vim para o Japão... — conclui, mas de modo errado.
— quase assim, minha casa estava pensando por problemas e eu...Fugi de casa e vim para cá — sorrio para os olhos arregalados de Sasuke.
— f-fugiu? — gagueja surpreso e eu apenas rio.
— Yup! Fugi! corri até Nagato no seu último dia em Nova York e implorei para me trazer ao Japão, ele trouxe e me deixou com seu irmão mais novo...Pain, e lá conheci todos da Akatsuki, principalmente Sasori...Meu primeiro namorado — falo de maneira vaga, relembrando nossos momentos juntos...
— você teve uma grande aventura para alguém de 17 anos — rio com seu comentário, mas concordo.
— é...Uma aventura... — respondo vaga e sinto a mão de Sasuke tocar a minha, olho para ele porém ele estava desviando o olhar. Me fazendo rir de leve — e saber que até mesmo você tem seu lado fofo — rio dele e no impulso dou um beijo em sua bochecha, vejo seu rosto ficar vermelho e reprimo um riso.
— Eu...Vou resolver coisas com Naruto eerr... Música, isso! Música — ele estava totalmente abobalhado e sai rápido do quarto, me deixando sozinha e levemente risonha. Levanto e vou até a varanda, sinto o vento frio dá noite e o barulho do mar.
— aqui eu consigo ver as estrelas... — olho para céu lotado de estrelas bonitas e radiantes, elas complementavam a beleza a lua — ...I’m just trying to seize the moment
Trying to love the little things, even if they’re hard to love... — fecho os olhos murmurando uma música muito conhecida por mim.
"It feels good to be running from the devil... "
— ah...Como será que ela está? — — me apoio na varanda suspirando cansada — Happy Birthday mama...Espero que esteja bem... — rezo em meu coração para minha mãe está bem, segura...Mesmo sendo algo egoísta de se fazer, pois abandonei ela sem pensar no seu bem... Porém mesmo assim rezo por ela e seu bem estar — kami-sama...Por favor, cuide dela —
.
.
.
— NÃO ME TOCA!!! — grito ao sentir as firmes mãos agarrarem meu braços.
— VOCÊ ME RESPEITA VADIA, SE NÃO FOSSE POR MIM VOCÊ NEM TERIA COMO SE ALIMENTAR — sinto um forte tapa e caio no chão com o impacto, ficando desnorteada e seguro as lágrimas.
— p-por sua culpa...Minha filha foi embora...EU TE ODEIO!! — grito e ele chuta minha barriga, fazendo eu urra devido a dor.
— sua filha foi embora porque não aguentava uma mãe vagabunda. Se eu fosse ela também fugiria, quem ia querer uma miserável como mãe — cospe em meu rosto e escuto seus passos se afastando, o barulho da porta abrindo e em seguida fechando. Levanto cautelosa e com um olhar de fúria vou até meu quarto e pego a mochila de minha filha, pego todos os meus poucos pertences e enfio na mochila.
— eu cansei... Sakura, me espere que estou indo até aí!! Ou não me chamo Mebuki Haruno — saio da miserável casa decidida.
Fale com o autor