Sem pé, nem cabeça
1 Uma conversa bem incomum
Notas iniciais
- Eu já disse que você é irritante? – perguntou o coelho.
- Já te perguntei o que um relógio tem em comum com uma panela? – perguntou o chapeleiro.
Quando ele fez a pergunta, o coelho ficou quieto e pensou que aquela pergunta poderia ser uma dica para chegar ao destino, que a rainha havia lhe pedido.
— Não... – respondeu o coelho.
— E sabe qual é? – perguntou animado.
— Não! – respondeu o coelho impaciente.
— Tenta adivinhar! – dizia manhoso o chapeleiro ficando atrás do coelho brincando com suas orelhas.
— É um tipo de charada?
— E! – assentiu com a cabeça.
O coelho então parou, colocou a mão no queixo e pensou. “cabo? Corpo, metal, tempo...?
— O tempo e a panela? – perguntou ele na dúvida.
— De onde tirou isso? – perguntou o chapeleiro.
— Não sei, estou pensando que nem louco, acertei? – perguntou esperançoso.
— Não! – disse ele incrédulo. – nem chegou perto!
— Uhn... – ele então pensou mais. – O metal? – e mais uma vez ouviu um não do chapeleiro. – A cor? Tamanho? Cheiro? – a cada resposta, por mais ridícula que fosse, ou mais bizarra, que era a cara do chapeleiro, ele só escutava um não bem grande.
— Vamos! Pense mais! – incentivada o chapeleiro.
— Não, desisto se esgotaram minhas idéias! Qual é a coisa em comum?
— Não sei, perguntei pra ver se você sabia!
— Ta me tirando, né? – falou o coelho frustrado.
— Não, você continua no mesmo lugar! Nem te toquei!
— Não foi isso que eu quis dizer! – falou impaciente o coelho.
— Então o que?
— O que? – perguntou o coelho.
— O que? O que?
— Você disse “o que”, e eu perguntei o que! – explicou o coelho.
— Quem perguntou o que?
— Você! – respondia irritado.
— Mas você que perguntou o que, Ok?
— O que? – perguntou o coelho confuso.
— O que não, O. K.
— Ok o que? – perguntou o coelho totalmente confuso.
— Ok, o que, o que?
— Ah! Desisto!
— Do que? – perguntou o chapeleiro.
— Ah! Calado! Perdi a paciência!
De repente o chapeleiro começou a andar, olhando de baixo de pedras, folhas, atrás de árvores.
— O que está fazendo? – perguntou o coelho curioso.
— Procurando! Não vê?
— Procurando o que? E não vejo o que?
— Ué? Sua paciência, não está vendo?
— Sim eu vejo, mas não é isso... – disse frustrando-se mais uma vez.
— Ah, então você a está vendo! Então por que disse que perdeu? Me fez procurar a toa!
-Ah meus bigodes! Quando eu digo que perdi não quero dizer literalmente, quero dizer que se esgotou!
- Ah, entendi, mas já pensou em comprar um estoque? Assim não se esgota tão fácil.
— NÃO DÁ! – disse irritado.
— Não vendem mais?
— Não é isso! – rosnava, puxando as orelhas para baixo.
— Ah já sei! Perdeu a loja onde compra!
— Eu não posso... COMPRAR PACIENCIA!
— Ah, ta sem dinheiro... Sei como é...
- Você deve amar tirar uma da minha cara, só pode ser! – falava o coelho conformado com a situação.
— Nem te toquei! Para de insistir nisso de que tirei uma da sua cara!
— Eu não disse isso!
— Então o que?- perguntou o chapeleiro bravo.
— O que? O que?
— Que? – perguntou o chapeleiro agora distraidamente.
— Ah! – o coelho foi embora quase arrancando seus pequenos e brancos bigodes.
— Credo, ele precisa tomar um chá de camomila, está tão estressado...
Fim
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