Sem palavras...
1 Capítulo único
Notas iniciais
Ela colocou as chaves na estante e jogou-se no sofá. Que dia foi aquele? De tantos casos complicados em Vegas e dores de cabeça, o que lhe restou foi um corpo cansado e a mente em turbulência. Um banho acalmaria seus ânimos...
Encheu a banheira, preparou todo o banho e não esperou mais nenhum segundo: aquele lugar estava uma delícia para esvaziar seu corpo do cansaço. Uma música ao fundo, mesmo sem conhecer, a fazia sentir o que há muito tempo não sentia: paz!
O telefone tocava na cama, mas ela não queria saber. Hoje não. Não mais. O mundo desmoronava e ela não estava disposta a sofrer por isso: queria a paz que seu coração precisava! Não queria trabalhar, não queria se doar, não queria ver o cara que sempre quis e ser pra ele uma "subordinada" apenas. Ah, aquele velho carrancudo não podia mais tomar conta de seus pensamentos.
Mas...
Ele fazia aquilo. Era dono de sua mente, de seus sonhos, de seus pesadelos e noites mal dormidas. Mas ele não sabia cuidar de sua "propriedade". O coração dela o pertencia e ele não se dava conta da grande herança em suas mãos. "Ah, Grissom, como você é maçante..."
E o telefone não parava de tocar.
E Sara, um poço de paciência que é (quanta ironia!), já estava a ponto de tacar o telefone na parede. Levantou-se rapidamente da banheira e enrolou-se no roupão.
"8 chamadas perdidas: Gilbert Grissom."
Mas o que ele queria? Trabalho essa hora?
– Pois não? – Retornou formalmente.
– Sara... – Disse Grissom. – Está em casa?
– Griss, por favor, não me dê mais trabalho. Por hoje estou farta! Você quer que eu tenha uma vida, mas não me deixa ter uma e... – Ele a interrompe.
– Posso terminar de falar? – Ela poderia jurar que nesse momento ele sorria de lado e tinha os olhos dilatados (ou eram brilhantes?).
– Prossiga...
– Posso entrar? Trouxe vinho. Você vai gostar.
– Ah... Claro. Um minuto.
Sim, ela disse que abriria a porta para o cara da sua vida, que a esnoba sempre que ela se declara, que vive a olhando, mas não admite e a manda ter uma vida, mas não com ele, assim, sem mais nem menos? Sim, ela não tem jeito. A droga do coração fala mais alto. Vestiu a primeira roupa que viu pela frente e foi recebê-lo. E pra sua surpresa, ele estava um pedaço do céu. Além dos olhos azuis, a camisa branca dava um tom angelical. Sem falar no perfume que ela pedia aos céus para ser o aroma de lá. Se forem falar de paraíso, ela só pensaria nesse homem!
– Griss, entre... – Ele entrou e imediatamente sentou-se. – Eu estou surpresa com sua visita. – Ela confessou, ainda de pé. Confessou também que estava nervosa, suas mãos se mexendo e seu jeito de morder os lábios a denunciou.
– Sara, eu... – Ele se levantou. Não parecia calmo também. – Sara, não sou bom com palavras e principalmente na sua frente. – Ela estremeceu.
– Aonde você quer chegar com isso?
Ele se aproximou e tocou seu rosto alvo, desceu a mão pelo braço até chegar em sua mão, a segurando firme. Queria dizê-la que ela era linda, em primeiro lugar. E também que ela nunca deixasse de sorrir pra ele, de pronunciar seu nome, de trabalhar ao seu lado, de se preocupar com suas enxaquecas, de chamá-lo pra sair. Queria dizer que ultimamente ela era o motivo de sua insônia, de suas perdas de concentração e o motivo no qual estava ali, na sua frente, tão tarde da noite, reunindo todas as suas forças para lhe dar um beijo... Ele queria dizer tanta coisa, mas sua personalidade não era tão óbvia, ele era um homem misterioso, calado, pelo qual essa moça linda e espontânea, jovem e determinada, teve a ousadia de se apaixonar. E apaixoná-lo também! Um dia derramaria no papel todos esses “dizeres” guardados em seu coração, mas nesse instante, tudo o que poderia dizer se resumiria a uma ação que tem consumido seus pensamentos há dias!
Sem mais nada a dizer, ele a beijou.
Tão tímido, tão nervoso.
Ela, ao sentir o toque dos lábios, não tinha o que fazer. Mandar em seu coração era inútil, toda mágoa que sentia dele foi sendo desmanchada a cada beijo, a cada segundo ali. O corpo denunciava o sentimento vindo com força, com tesão, e saberia onde os dois terminariam no fim da noite.
A cama foi testemunha.
Nenhuma palavra precisou ser dita, apenas os corpos falavam entre si. Bocas, mãos, sussurros, gemidos... Um sexo diferente de todos os outros, um ato no qual poucos tem o prazer de viver: amor. Era sexo, amor, tesão, sentimento bom! A safadeza de uma estocada ia de encontro com a doçura do palpitar do coração... O apertar forte no glúteo dela era tão delicioso quanto o toque de suas mãos no rosto dela, beijando com urgência e caprichando nas declarações de afeto ali, na sua boca.
Palavras eram desnecessárias quando os olhos poetizavam! O olhar de Grissom a desejando era tão forte que ela ficou feliz por saber disso. Mesmo sem ele contar. Eles encaixavam tão perfeitamente que, se fosse possível, moraria ali dentro dele, no quentinho, no aconchego, no seu abraço...
O fim foi definitivamente o início de tudo.
Ele gozou de prazer e da felicidade de estar ao seu lado. Ela suou pelo momento ofegante e pela luta por conquistar esse coração misterioso. No fim daquele ato descomunal, estavam na cama dois corpos que poetizaram sem palavras, só com suas vidas, seus gestos e sentimentos. Ali estavam dois carrancudos que, por mais difícil que fosse, não viviam um sem um outro. Ele sabia, mesmo sem querer confessar, que ali naquele colo, no meio daqueles cabelos castanhos e olhos chocolate, era o seu lugar, o seu lar.
– Posso dormir aqui hoje? – Disse Grissom, no seu ouvido.
Sara virou-se pra ele, beijou seus lábios e aconchegou-se num abraço, com a cabeça em seu peito. Sentiu as batidas do coração dele aceleradas e recebeu um beijo na testa, delicado. Novamente as respostas foram dadas sem quaisquer palavra dita.
Ela permitiu que ele dormisse com ela. O jeito que ela se aninhou a ele o fez entender. Ele deixou ser guiado por seu coração, que ao acelerar, a fez entender que não era só por hoje. Aquelas batidas denunciaram que ele não quer mais ir embora dali.
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