Sem medo, flutuando

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Nooooossa, última hora (como sempre) fazendo isso aqui, que adrenalina x'D k Desculpem-me possíveis erros k

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ele despertou em um mar negro. Desfamiliar a tudo aquilo, Sora poderia ter gritado. Mas aquele infamiliar não lhe causava um espanto de perigo então só piscou poucas e poucas vezes, os olhos, tentando se ajustar ao inajustável. Naquele espaço e tempo obscuro, uma repentina luz, aparecendo abaixo dele, não demorou a cegá-lo brevemente.

Aquele garoto tão insólito quanto aquele lugar, ao surgir enquanto Sora flutuava — ainda que caísse devagar e devagar — era mais recordativo, mesmo que parecesse que se manifestava para trazer ainda mais confusão para sua cabeça já em desconcerto.

— Você pode levar... mais esse pedaço de coração. — Roxas disse, enquanto Sora o observava espantado, quando esse mesmo garoto estendeu aquele fragmento escarlate que tinha nas mãos em sua direção, e aquele brilho se aproximava cada vez mais dele, à medida que caía, para (por fim) se desfazer em seu próprio corpo.

Sora acordou com agitação, o lençol caiu ainda mais no piso de seu quarto.

Balançando a cabeça, mas sem poder evitar de examinar seu corpo com algum cuidado para ver se encontrava alguma divergência em si do dia anterior, acabou por suspirar. Bagunçou o cabelo. Nada diferente, e, afinal, não era novidade ter algum sonho estranho de vez em quando, certo?

Contudo, era diferente para ele que estivesse se sentindo “mais leve” depois desse em particular. Provavelmente, presumiu, teria sido por causa daquele garoto, mesmo que não tivesse entendido metade do que tinha dito.

Bem, mesmo que não chegassem a uma conclusão (ou sim, a teimosia de Roxas conseguia levar ele bem longe em respostas quando queria), adoraria saber qual seria a reação que presenciaria quando o garoto soubesse que estava sonhando com ele mais uma vez.

{♡♥♡♥♡}

Foi uma reação um pouco mais exaltada do que tinha imaginado. Roxas terminantemente se recusou a avaliar com ele com mais profundidade o que aquele sonho poderia significar. Não que necessariamente estivesse interessado no que seria aquela verdade oculta (Roxas se desculpou ainda assim).

Aquele rosto corado fazia o coração de Sora

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, como se estivesse de paraquedas no céu, sem o frio na barriga. Isso seria para um momento um pouco mais futuro. Quando pudesse segurar aquela mão com a confiança de que estavam em uma perfeita sincronia. Nem desconfiava de nada.

Nem desconfiava, claro.

Mas não era como se quisesse apressar algo em demasiado, mais do que já tinham pelo menos.

Cair lentamente em certa realização talvez fosse o melhor caminho para quem queria sonhar mais um pouco além do dia que terminava. Era o que seu coração dizia. Quase insuportável, quase não realizável.

Todavia, até que seu sorriso cedesse, ele ainda não diria nada. Roxas era como um presente que nem mesmo o Papai Noel seria capaz de lhe trazer, ainda que tivesse sido um bom garoto (como pode) por todos aqueles anos.

Entretanto, ele incrivelmente estava ali, e interagiam como bons amigos. E Sora temia, sim. Um medo pequeno que podia se estender até a ponta de seus dedos — friamente. E isso o fazia hesitar ainda que por um mero segundo, segundo importante para que pudesse respondê-lo sem qualquer constrangimento.

Seu coração se aquecia, seu corpo se esfriava. Mas ele entendia bem que, no fundo, no fundo, o tempo que tinha estava acabando, embora que quisesse que se estendesse com a maior vagarosidade do mundo.

“Você sabe que o Roxas só vai ficar por aqui até o fim do verão, não é?” Pence havia dito a ele, olhando com alguma preocupação para o amigo, aproveitando que Olette e Hayner distraíam Roxas com algumas piadas de humor duvidoso.

Sora tinha piscado os olhos algumas vezes, lentamente, processando, quase deixando o sanduíche que tinha nas mãos cair.

Claro, claro, faria alguma coisa sobre isso. Só que, o tempo passava mais e mais, minuto a minuto, e não encontrava um momento interessante. A agitação contida aquele tempo todo que tinha “percebido” o travava, como que congelando...

— Roxas, eu... — Sora começou a dizer, já com algum aborrecimento (consigo mesmo) contido na voz, até que Roxas colocou o dedo indicador sobre os lábios dele, sem olhá-lo nos olhos.

— Você ficou agitado o dia todo, achava que não sabia o motivo? — Roxas disse, cedendo uma olhadela ao outro, delatando um rosto embaraçado. — Mas hum, eu sei que tenho culpa quanto a isso também... obrigado por me esperar...

Sora não aguentou mais, e se jogou sobre o outro, o abraçando apertado.

— Sora... — Roxas disse, mas foi a vez de Sora interrompê-lo.

— Roxas! Eu...

Ele não conseguiu continuar com as próprias palavras. Sua garganta trancou, lágrimas começaram a sair de seus olhos, obrigando-o a ter de limpá-las com as mãos.

“Que bagunça!” Sora pensou, quase sentindo vontade de rir da própria situação. Até que Roxas, agradecendo internamente que eles estavam sozinhos naquele momento (era mesmo refrescante deitar no chão da floresta de Twilight Town, eles poderiam fazer isso mais vezes), o abraçou de volta com um sorriso pequeno, afetado por aquele emocionamento de Sora, mas sem deixar lágrimas caírem.

Aquilo só pareceu ter afetado mais Sora, Roxas sentiu sua roupa mais molhada, e era quase como se estivesse consolando o garoto de uma rejeição do que o que tinha de fato acontecido.

Era indescritível como se sentia ainda mais despedaçado do que antes. Mas Roxas não tinha qualquer problema quanto a isso quando quem estava do outro lado, recebendo aqueles pequenos fragmentos de coração, era simplesmente a pessoa que bem sentia que cuidaria deles como se fossem os seus próprios.

E flutuando, flutuando, mais um dia de verão terminou. E a noite, aqueles dois, de mão dadas, embaraçadamente, mas certamente, estavam voltando para casa.

Notas finais
Até!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!