Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.

25 Capítulo vinte e cinco - Você me deixa muito bobão... bobão de paixão!


Notas iniciais
Benjamin tenta se adaptar a sua nova rotina, porém está sendo quase impossível deixar de sentir tanta falta do Yuri e dos outros. Yuri também não consegue parar de pensar no seu melhor amigo e no amor que sentem dentro do peito. P.S: Meus melhores leitores! Primeiro, perdão, perdão, perdão! Demorei um mês pra postar algo novo (INACEITÁVEL), eu não quero que isso se repita, sério mesmo! Senti a falta de escrever para vocês, mas meu primeiro mês de aula foi igual a um final de semestre (provas todas as semanas, estresse acumulado). Mas estou aproveitando este feriado para escrever os próximos capítulos, que serão publicados sempre entre terça e quarta de cada semana. Tá bom? Diga aí como se sentiram sem a atualização da fic e o que acharam do novo capítulo.

Meu gatinho, quer dizer então que este terceiro dia de aula foi bem divertido? Eu não consegui me concentrar em nenhuma das minhas aulas de hoje por causa do seu telefonema de ontem à noite. Estava bastante preocupado contigo.

Benjamin, do outro lado da linha, ouvia aquelas palavras, deixando escapar um sorriso no canto dos seus lábios.

— Preocupado? Só porque estava chorando um pouquinho, é?

Tava chorando copiosamente, Ben. Eu quase peguei meu carro no meio da madrugada para ir te ver aí em Blumenau.

— Ai que fofo, meu amor. – Benjamin não acreditou que acabou de pronunciar aquele substantivo de forma tão carinhosa. Ainda não sabia como chamar o oriental depois de ficarem juntos. Não eram namorados, mas sabia que após aquilo não seriam mais simplesmente amigos. – Yuri, enfim, não aceitei ir ao bar com a minha turma e os meus veteranos.

O japa notou através da mudança no tom do amigo que ele ficou sem jeito após dizer “amor”. Ele não ficaria sem explorar aquilo.

Que fofo você me chamando de amor. Eu estou sentindo muita a sua falta, sabe? Eu não consigo parar de pensar em ti. Se estou na aula, lá está o Benjamin, se eu estou dirigindo lá está ele novamente, se estou no meu quarto me lembro do amor que fizemos na minha cama. Cara, eu estou cada dia mais apaixonado por ti.

Benjamin riu sem graça e, em seguida, suspirou encantado. Fez forças novamente para conter aquele sorriso de canto. O menino de olhos verdes estava sentado em uma poltrona na sacada da sua nova sala com vista para uma avenida movimentada. O apartamento era grande, havia dois quartos, dois banheiros, uma cozinha com dois ambientes, uma sala semiconjugada com a cozinha e uma varanda.

— Nossa, japa! Assim tu vais reprovar o semestre e o que a colônia iria achar disso?

Yuri percebeu que Ben estava desconversando.

E tu, não tem sentido a minha falta? Esta seria a hora perfeita e romântica para dizer o quanto lhe faço falta, seu puto.

O menino começou a gargalhar, irritando o amigo do outro lado da linha.

— Não vai me dizer que já arrumou alguém em Blumenau para amar e começou a me esquecer. Ou vai?

— Que besta, você, Yuri Takashi. Tu sabe que está me fazendo a maior falta aqui. Eu te liguei ontem à noite pra dizer que sentia muita a falta de todos vocês. Não estou completamente feliz nesta cidade mesmo cursando aquilo que eu sempre quis.

Ah, Ben, eu aceito isso mesmo esperando ouvir algo mais fofo de sua parte. Mas deixa pra lá!

Benjamin sorriu escancaradamente.

— Tá bom, tu quer ouvir o quanto te amo e o quanto faz falta ter tu ao meu lado aqui? É claro que te amo, meu japonês saradinho. Não vejo a hora de poder vê-lo no próximo final de semana e poder te abraçar, te beijar bastante. Hoje, eu vi um casal lésbicas no laboratório de anatomia e não consegui esconder de mim que pensei em você na hora. E... E eu também penso muito em você, japinha.

Porra, Benjamin, agora me deu um tiro de canhão bem no meio do peito. Caralho, por que toda esta merda distância entre a gente, hein? Eu preciso pra já do seu contato.

— Calma, gato. Eu já tô quase chegando aí...

Benzinho, eu já volto meu pai está me chamando lá embaixo.

— Ah que saudades de ter o meu também me chamando na sala também – comentou ele com a voz chateada.

Ai que dó! Eu tenho certeza que sente a falta da sua família assim como eles também sentem a sua. Já volto!

O menino de olhos verdes começou a chorar silenciosamente, mas sentindo o seu peito queimar em brasas. Vivia brigando com sua mãe, porém sentia até a sua falta.

Voltei, meu gatinho. Ainda está aí?

— Opa, estou aqui, sim. Precisa desligar?

Ainda não. O meu pai só queria perguntar um negócio sobre o sistema da TV a cabo. Tu tá bem? A sua voz parece um pouco chateadinha.

— É só saudade mesmo, deixa pra lá. Hei, mais cedo a Báh me ligou e a gente conversou de boa, acho que o Arthur ainda não comentou nada com ela ou pelo menos foi discreta demais já que me perguntou até se o meu coração tinha se balançada com alguma menina da minha turma.

Então... Acho que ele não falou nada. Tipo assim, o Arthur me procurou outro dia pra me pedir desculpas pela reação dele naquele dia no seu quarto. Ele disse que nunca imaginaria que a gente estivesse ficando e que ficou péssimo depois do que viu lá.

— Que otário!

Não acho que ele seja um otário só porque nunca imaginou que dois dos seus melhores amigos fossem bissexuais. A gente mesmo até alguns meses atrás nunca acreditaria que um dia fôssemos nos amar dessa maneira.

— Não estou chamando ele de otário, e sim você. Cara, como pôde ter uma conversa com o Arthur sobre esse assunto e nem me falar nada? Sabe o quanto estou cagado de medo de que a Bárbara e os outros descubram sobre o nosso beijo do sábado?

Mas, Ben... eu conversei com ele ontem, só que não lhe disse nada porque estava chorando e muito triste por causa da saudades de todos, então preferi te privar disso, só que é claro que contaria a você.

— Tá, tá... mas conte com mais detalhes como foi a conversa? Ele te ligou ou vocês se encontraram em algum lugar?

O Frederico convidou a gente pra um happy hour ali na Trindade. Fui eu, a Fernanda, a Giselle, o namorado dela, o Arthur e um primo dele.

— E a Bárbara por que não foi?

Ela tinha um jantar com a família dela e por isso não foi. Eu e ele sentamos perto um do outro, daí o Thur puxou uma conversa sobre aquilo. Ninguém escutou o que estávamos conversando porque tinha karaokê no bar e já estavam bastante entretidos com a brincadeira.

— Entendi, só que como foi a conversa?

Arthur mantinha a atenção sobre o japonês, aguardando que ele respondesse a sua pergunta. Yuri não sabia como responder: “vocês dois são gays?”. Ele bebeu um pouco da sua cerveja antes de puxar fôlego suficiente para dizer:

— Não. A gente não se considera gay... Na real, é a primeira vez que a gente ficou com um homem na vida. Estamos mais para bi, por mais que há teorias contrárias a esse termo. Mas o que isso importa? Isso muda o fato de eu ou ele estarmos apaixonados um pelo outro? Não sei como aconteceu, Arthur, mas aconteceu, e eu e o Ben queremos ver até aonde vai dar isso.

— Porra, japa. Isso é muito complexo mesmo. Eu só fiquei muito mal de pegá-los de surpresa enquanto se beijavam. Não é fácil pra eu descobrir que dois exemplos de pegadores de mulheres, de repente, estão se beijando como um casal de namorados. Entende?

— Eu sei, Arthur... Não tô questionando isso e nem te obrigando a aceitar o que viu e está acontecendo, mas é algo que nunca me arrependerei. Eu quero ficar com o Benjamin, não importa se tiver que perder todos os meus amigos, a minha família. O que importa é que ele me ama e eu amo ele. Pronto, acabou!

Arthur sentiu uma cólera ao ouvir a ironia impressa na voz do amigo. Não queria soar como um preconceituoso ou machista. Mas tinha certeza que foi assim que Yuri havia traduzido o seu discurso.

— Mano, eu... eu não quero que fique com raiva de mim, por favor! Vocês são grandes amigos meus e há muito tempo, né?

— Arthur, fique tranquilo, velho. Se eu estivesse no seu lugar, talvez me comportaria assim. Só peço que não espalhe isso pras pessoas, afinal, eu e o Ben precisamos de um tempo para nos acertarmos melhor e termos certeza sobre o que faremos.

— Cara, tu tem a minha palavra de que ninguém vai saber disso por mim. Vocês são como irmãos para mim e é isso que importa. Tenho certeza de que pelo os dois poderei aceitar numa boa. Se eu tivesse me apaixonado por um menino com certeza ia querer o apoio dos meus melhores amigos.

Yuri sorriu para o outro e projetou sua mão para um aperto de mão amistoso, mas Arthur foi além e deu um abraço no oriental.

Benjamin não soube como reagir ao que ouviu. Ele ficou envergonhado por um lado e com medo por outro, já que se continuassem juntos, todos os seus melhores amigos e suas famílias precisariam saber da relação.

O menino de olhos verdes imaginou como se sentiria se fosse rejeitado pela maioria deles, ainda mais como ficaria se fosse rejeitado pelos seus pais. Não podia garantir que seu pai por mais aberto que fosse ao mundo que lhes rodeia, lhe aceitaria numa boa e muito menos se continuaria a tratá-lo como um homem.

Por que tu ficaste tão em silêncio, gatinho?

— Não sei, Yuri. Novamente voltei a ficar com medo do nosso amor. Eu sei que tinha dito a você naquele dia que não me importava com o que os outros fossem pensar, mas a verdade não era bem aquela. Não vou conseguir lidar com a rejeição do meu pai e da minha mãe. Imagina pra eles a decepção de ter um filho que gosta de homens?

Não pensa assim, Benjamin. Tu precisa pensar mais nos seus sentimentos. O que importa na vida é a felicidade e o amor, não o preconceito ou a perseguição das pessoas. A gente já sofreu bastante tentando voltar atrás neste sentimento. Eu já tentei te esquecer, mas foi em vão. Tu também já tentou me esquecer e veja só como acabamos. Um nos braços dos outro.

— Eu sei, eu sei, amor. Eu te amo e o que importa é somente isso. Não quero saber se vão me abandonar desde que tu continue do meu lado. Eu preciso demais do seu amor e é por isso que estou péssimo aqui nesta cidade.

Se continuar tão mal, juro que abandono todas as minhas aulas aqui da quinta e sexta-feira só pra ir aí ficar juntinho contigo.

— Ah, tu me deixa muito bobão. Sabe... bobão de paixão. Isso não vale, tu é mais inteligente do que eu e sabe usar muito bem as palavras.

Yuri riu com doçura, se derretendo todo ao ouvir aquilo.

Mas juro que cada palavra é totalmente verdadeira. É que estou louco por você e dizer estas coisas me ajuda a não explodir — terminou ele, rindo novamente.

— Então, japa, tu estava me dizendo no começo da ligação que o Precoce começou a namorar uma colega da sala dele? É isso mesmo? Em duas semanas, o cara já se apaixonou pela menina? – perguntou Ben, caindo na gargalhada.

E o pior não é isso... O pior é que ele está se comportando como uma criança de cinco anos. Faz birra com todo mundo por coisas nada haver.

— Sério? Ah, o Josh está sensível, ué... ele ainda não tem nem dezoito anos e esta menina deve ser a terceira ou segunda namorada dele.

Realmente pode ser, porém tu conhece a Fernanda, né? Ela não deixa provocar o guri na frente de todos.

— E por falar nela. Acredita que me ligou na segunda-feira de tardezinha e hoje, no almoço?

Uou, por quê? O que ela queria contigo?

— Então, desde que o Pedro morreu, ela prometeu pra mim que sempre estarei mais perto, sabe? Confesso que é estranho por partir dela, só que confesso que é legal voltar a ter uma amizade verdadeira com a Fer depois de tanto tempo afastada.

Venha estudar com ela na minha sala e mudará de ideia na segunda hora/aula da turma. Consigo entender agora porque ela grudou que nem um carrapato em mim.

— Japa, não minta pra mim. Tu sabe que a Fernanda sempre foi grudada em você, ainda mais depois de passarem juntos para a mesma turma de medicina aí na UFSC. A guria até arrumou uma namoradinha bem queridinha pra ti, meu.

Yuri sentiu um ciúme por parte de Benjamin ao lembrá-lo da Bruna.

Eu sei disso, contudo ela grudou ainda mais em mim. Todos os trabalhos da faculdade, ela se oferece pra fazer comigo e até pra almoçarmos juntos, ela oferece.

— Epa, acho que ela se apaixonou por você também, hein? – provocou ele, rindo da própria brincadeira.

Vá se foder, Benjamin! A gente sabe que a Fernanda é uma periguete daquelas superperiguetes. Por sorte, o namoro dela com o Matheus continua firme e forte. Eu e a Giselle estamos assustados com isso. Ela nunca fica com um cara por mais do que dois meses e com ele já está uns quatro.

Benjamin riu enquanto abria a geladeira para pegar o peito de peru e maionese, que passaria no seu pão fatiado.

E não sabe quem perguntou de você pra mim hoje.

— O seu coraçãozinho?

Com certeza esse sempre pergunta de você— disse em meio a risos –, só que foi uma pessoa que tu menos esperaria.

— A Bruna Santori?

Quê? — bradou Yuri.

— Calma, estou brincando – disse, rindo. – Não tenho a mínima ideia de quem possa ser.

A Giselle. Ela me perguntou sobre você, queria saber se estava se sentindo bem morando sozinho e se estava adorando a faculdade e a nova cidade.

— Porra! Realmente eu nunca acertaria esta. A mexicana, que me odeia bastante desde o ano passado e que me ignorou tanto no aeroporto quanto na festa da Báh, perguntando sobre como estou me sentindo aqui? Uou! Isso é novo pra mim.

Os dois riram, fazendo outras zoeiras a respeito daquele fato que para Ben era muito curioso.

— E o que tu respondeu a ela?

Ué, que tu estava bastante chateado com o fato de estar morando longe, mas que estava curtindo a faculdade e o curso.

— Seu mentiroso! Sabe muito bem que não estou curtindo a faculdade, eu queria estar estudando na UFSC e em Floripa. E odeio esta cidade, ela é muito abafada.

Não daria esse gostinho a ela, né? Como ia falar que o meu mozão não estava feliz estudando aquilo que ele sempre desejou desde o ensino médio?

Ben riu.

— Tu tem razão, mozão. Hei, eu preciso desligar agora, tenho que tomar banho e passar os olhos rapidamente no relatório de anatomia porque teremos aula prática amanhã sobre os ossos e articulações.

Ah... ah... ah, não! Fala comigo mais um pouquinho e não dá nada chegar lá sem saber o nome todos aqueles acidentes ósseos e articulações— brincou Yuri.

— Tá de zoação com a minha cara, né? Só pode. Imagina o Yuri Takashi Neto recomendando a vagabundice a alguém. A única certeza que tenho na vida é que isso nunca aconteceria. Tu és nerd demais pra isso! Boa noite, japinha.

Tu realmente me conhece... Ok, ok! Mas antes eu quero que saiba que o meu coração é todinho seu. Te amo muito, mozão. Beijos.

— Também te amo, meu bombadinho. Até mais!

Té!

Arthur se sentia pressionado pela namorada. Aquele passeio, para tomar um sorvete na orla da Beira Mar Norte da ilha – não muito longe donde ficava o apartamento de Yuri –, após o final de mais um dia cansativo de estudos no cursinho deveria ser divertido – assim achava ele pelo menos. Sua namorada vinha percebendo um comportamento estranho por parte dele desde o jantar de despedida do seu melhor amigo no último sábado.

Toda vez que ela perguntava sobre o motivo para isso, ele desconversava e fugia pela culatra. E todos sabem que Bárbara Ronsoni detesta ser feita de palhaça por qualquer pessoa, imagina só por seu namorado?

— Arthur, chega de ignorar a minha pergunta. Eu sei que deve ter acontecido alguma coisa para se comportar tão diferente nesta semana e não adianta mais mentir que é só por causa da separação dos seus tios.

— Que coisa chata, Báh. Eu não quero falar sobre isso, é sério mesmo. Não vale a pena que saiba agora o que é. Tenho certeza que cedo ou mais tarde, tu vai descobrir de qualquer maneira.

A ruiva jogou seu sorvete com a casquinha na calçada e agarrou o punho direito do namorado. Ele foi obrigado a desviar o seu olhar da vista da ponte Hercílio Luz (o principal cartão postal de Florianópolis), que estava exuberantemente iluminada como sempre, para a namorada enraivecida.

Ainda havia grande movimentação de pessoas no calçadão onde estavam sentados em um banco de madeira.

— Sabia que estava me escondendo alguma coisa. Tu está apaixonado por outra menina, não está?

O menino começou a rir da cara da namorada, que revidou com um tapa no ombro do rapaz.

— Não tire sarro da minha cara, Thur. Tu sabes que sou muito louca quando quero ser.

— Não tem nada haver com isso, amor. Pare de se comportar como uma lunática. Não confia em mim, não?

— Veja que mesmo eu confiando tanto, consegue esconder algo que lhe perturba tanto de mim. Isso não está certo. Eu sou a sua namorada, tu precisa confiar em mim também e desabafar de vez em quando.

— Tu não desconfia de alguma coisa? Não percebeu desde quando estou assim?

— Sim, eu percebi que desde o final de semana, mas não sei o motivo. Se soubesse não exigiria saber, né?

O garoto olhou para o céu repleto de nuvens e com o brilho do luar. Tinha feito uma promessa ao Yuri, porém como poderia esconder aquilo da sua namorada? Ele não conseguia fingir na frente dela que algo de estranho não estava acontecendo.

— Olha, o que vou te contar, me fará descumprir uma promessa com um grande amigo e que afetará ele e mais outra pessoa.

A ruiva arregalou os olhos.

— Entre namorados não pode existir segredos. Este seu amigo tem que entender isso.

— Bárbara, isso tem haver com o seu melhor amigo e confidente.

Ela sentiu um incomodo irromper no seu peito quando ouviu-lhe dizer melhor amigo e confidente.

— O que tem o Benjamin? Diga agora mesmo o que está me escondendo sobre o Ben. – O tom de voz da garota se esfriou de repente, fazendo parecer outra pessoa.

Arthur sentiu um frio na barriga, engolindo em seco.

— Então, o que prometi àquele amigo meu, afeta diretamente ele e o Benjamin.

— Como assim? Quem é este amigo que tu está falando, guri?

— É o Yuri. Quem mais poderia ser, ruiva?

Ela franziu a testa, tentando imaginar o motivo para que o japa tenha pedido segredo sobre algo que envolvesse o menino de olhos verdes.

— Desembucha logo, Arthur Guetter!

— Eu peguei os dois se beijando no quarto do Ben aquele dia fomos ao jantar de despedida dele. Se lembra de que eu entrei primeiro quarto e logo sai, tentando afastá-la de lá?

— Sim – respondeu ela, ainda não conseguindo raciocinar direito.

— Foi por isso. Foi porque peguei os dois agarrados no meio do quarto e se beijando de língua. Eles são um casal agora.

A ruiva estava com os olhos arregalados quando se dobrou sobre suas pernas para esconder seu rosto. Arthur colocou sua mão livre sobre a nuca da namorada, massageando-a carinhosamente.

— Bárbara, olhe para mim... Por favor...

Ela continuou debruçada sobre suas coxas, depois de alguns segundos levantou seu tronco, ajeitando suas madeixas avermelhadas.

— Eu sei que para tu também é uma surpresa.

— Quer saber a verdade? Eu não sou boba, já tinha as minhas desconfianças desde que eles começaram a brigar demais, querendo ficar afastados. Não se esqueça de que eu treino com eles semanalmente, eu já tinha visto o jeito que um olha para o outro, não era um olhar de melhores amigos apenas.

— Porra, então, por que eu fiquei tão mal por esconder de ti?

— Eu tinha minhas desconfianças, não tinha uma certeza absoluta. Agora, eu entendo perfeitamente o que vinha acontecendo. Por isso, os dois fugiram da minha festa.

— Por que nunca disse nada ao Ben?

— Ele é meu melhor amigo, porém não podia pressioná-lo. Eu esperava que ele se abrisse comigo. Mas tu conversou com eles sobre isso? Quando?

— Só conversei com o japa naquele happy hour que não pôde ir. Ele me disse que estão descobrindo juntos esse sentimento e que não se importavam com o que as pessoas iriam achar. Só que ele me pediu um tempo para tomarem coragem.

— Que fofo esse Yuri. Ai meu coração... Eles são lindos demais! Sempre quis que os dois encontrassem alguém superespecial para eles e o destino fez os dois ficarem juntos – confessou ela com uma voz doce.

— Caralho, Báh! Eu jurei que iria ficar chocada assim como eu fiquei, porra. Acha normal que dois caras que só pegavam as meninas mais gostosas do colégio e balada agora estejam dando a bunda um para o outro?

Bárbara deu um tapa na cara do namorado, se irritando e se levantando num impulso frenético.

— Que preconceito filho da puta é esse? Não quero do meu lado um homem preconceituoso assim como aquele Bolsonário. Porque se tu pensa dessa maneira, imagina só como não pensa sobre o papel da mulher na sociedade.

— O que você está falando, Báh? Está louca? Tu me deu um tapa na cara aqui na frente de tantos desconhecidos. Não consigo acreditar nisso, não consigo mesmo!

— Vá se foder! Eu lhe dei aquele tapa por causa da maneira que se referiu a duas pessoas que amo.

— Tá, tá, me perdoe! Eu não fiz por mal, eu não sou preconceituoso. Eu amo aqueles também, mas precisa entender que pra mim é difícil aceitar essa ideia.

— E quem disse que tu precisa aceitar algo? Só precisa respeitar. Agora, se tu não quer mais ser amigos deles só porque estão apaixonados, tu é um escroto e eu não quero namorar um escroto.

— Quê? Tu tá terminando comigo?

— Estou, Arthur. Me deixe em paz!

Ela foi até o carro do menino, pegou sua bolsa, e começou a caminhar em direção ao ponto de táxi.

— Bárbara, me espere! Bárbara! – gritou ele, correndo atrás dela. Imediatamente, atraiu todos os olhares para si. A garota entrou no táxi e ignorou o namorado, que ficou sem reação frente a toda aquela situação.

Bárbara pegou o celular prestes a ligar para o melhor amigo, mas desistiu ao ver que já passava das onze e meia da noite. O menino de olhos verdes deveria estar dormindo à uma hora daquelas.

Notas finais
Bem, meus queridos! Como puderam ver, os dois estão cada vez mais apaixonados um pelo outro. Vamos ver como farão para lidar com o sentimento e com a distância. E agora, o que será do casal: "Báhthur"? Eu sofri muito por me afastar tanto tempo da fic, mas isso não voltará a acontecer. Prometo!!! Continuem comigo! — Espero a sua review pra me dar um feedback, ok? Vamos lá, nem leva cinco minutos. Beijão ♥