Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.

13 Capítulo treze - Não procure razões


Notas iniciais
Benjamin continua nervoso pela visita do Yuri e da sua irmã. Os dois melhores amigos se sentem desconectados após tudo o que aconteceu. Mas, talvez, uma conversa pode pôr novamente esta velha amizade nos trilhos ou mesmo separá-los de vez. Tudo pode acontecer se depender destes orgulhosos.

Os dois subiram as escadas em silêncio e entraram no quarto do Ben. O menino de olhos verdes abriu o armário sem olhar para o amigo, que começou a desabotoar a camisa manchada junto da cama. Depois que despiu todo seu tórax e costas seguiu para o banheiro do quarto a fim de lavar seu peito na pia.

– Tu prefere uma camiseta ou uma camisa?

– Ben, pode ser qualquer coisa, desde que tudo bem por ti – respondeu Yuri, com a voz tímida. Benjamin achava aquilo estranho, nunca se intimidaram em emprestar as roupas um do outro.

O menino de olhos verdes deixou a porta do seu armário aberta até o japa aparecer novamente.

– Por favor, escolha o que tu quiser emprestado. – Benjamin recuou alguns passos dando espaço ao outro, que se aproximou com a respiração ofegante. O menino de olhos verdes também ficou nervoso com a proximidade, afinal, o japa estava sem camisa.

Yuri escolheu uma camiseta amarela, da Cavalera, por saber que aquela significava muito para ambos, já que foi um presente do próprio japa para o amigo em seu último aniversário. Ben sacou o que ele queria dizer e disfarçou enquanto o outro vestia a peça de roupa.

Benjamin começou a caminhar em direção à porta para não ficarem muito tempo em silêncio e a sós, era melhor se juntar aos demais. Conseguia ouvir a risada escandalosa do pai no andar de baixo. Só que ele foi obrigado a parar perto da porta ao escutar a pergunta feita por Yuri:

– Ben, por favor, me diga o motivo para que esteja bravo comigo? Eu juro que não me toquei ainda. Estou fazendo muita merda e sei disso. Não quero me afastar de ti e nem ignorar que sempre foste o meu melhor amigo de todos. Não tenho medo de me humilhar novamente para evitar esta distância.

O menino teve que engolir em seco. Seus batimentos se descompassaram involuntariamente. Ele se virou para trás, encarando o amigo ainda próximo do armário.

– Yuri... é...

O japa não entendeu o motivo para tanto nervosismo. Pôs suas mãos nos bolsos da calça jeans e continuou a olhar fixamente para o amigo.

– Eu imagino que tenha sido porque eu te deixei sozinho aqui naquela noite e saí com os meus amigos.

– Não foi por causa disso... quero dizer, foi e não foi... – Ben respirou profundamente, passando a língua em seus lábios ressequidos pelo nervosismo. – Tu trocou todos os teus amigos naquele domingo em que havíamos combinado de ir à praia para ficar só com a tua namorada. Podia ter levado ela contigo para lá, seria divertido, afinal, todos poderíamos conhecê-la melhor.

Yuri fechou os olhos, mordendo os lábios, contendo o ódio de si mesmo.

– E bem neste dia, tu precisou demais de mim e não estava lá como um bom amigo.

– Não tem nada haver com isso, não. Eu e o Fred brigamos, mas tu não ia poder fazer nada para evitar isso.

– Talvez este corte na sua testa – sugeriu Yuri, olhando os pequenos pontos.

– Meu, relaxa! Isto não foi nada – mentiu. – Ganhei isso depois de ter dado uma cabeçada no Fred.

– Eu queria poder voltar a ser aquele amigo que sempre fui para ti. Por favor, me perdoe, tu é o meu melhor amigo, cara. Não consigo viver sem te ter por perto. A nossa amizade já se tornou um vício incontrolável pra mim e preciso dela. Eu preciso te ter por perto.

Benjamin começou a chorar. Ele era orgulhoso demais para afirmar aquelas mesmas palavras, mas tudo aquilo era o que queria poder dizer. Queria dizer qualquer coisa, porém os seus lábios permaneceram cadeados por alguma força imaginária. Yuri sabia que não ouviria a mesma honestidade por parte do outro, só queria ouvir: eu te perdoo.

– Yuri, tu é o meu melhor amigo, cara – finalmente conseguiu dizer. – Tu é o meu melhor amigo – repetiu entre soluços.

O japa quebrou aquela distância e abraçou Benjamin muito forte. Um abraço que quebraria as costelas de uma pessoa raquítica. Yuri também começou a chorar. As suas lágrimas caíam sobre os ombros do Ben e as dele caíam sobre os do outro. Caso eles pudessem se assistir naquele momento, realmente achariam que o abraço tinha sido planejado por um script de Hollywood, tamanha perfeição.

– Benjamin, me perdoe, mas preciso fazer isso.

Yuri deu um beijo no rosto do Ben e depois fez os seus lábios finos entrarem em contato com os rosados e carnudos do amigo. Em seguida, aprofundou aquele beijo – as suas línguas começaram a se mover dentro da boca alheia. Ouviam as outras pessoas na casa conversando lá embaixo e as suas próprias respirações nervosas.

Benjamin se afastou repentinamente, o que fez o japa franzir a testa, achando que ele fugiria novamente.

– Por favor, não me deixe sozinho aqui – implorou Yuri, quando viu o menino de olhos verdes se aproximando da porta.

Para a surpresa de Yuri, ele só fez aquilo para encostar a porta aberta. Logo voltou, pressionando o tronco do outro contra a parede gelada e beijando-o ainda mais gostoso do que antes. As mãos de Benjamin apertavam o pescoço e a nuca do outro. As mãos de Yuri seguravam e pressionavam a cintura do amigo contra a sua própria.

Os pelos de todo o corpo deles estavam enrijecidos, tamanho tesão que sentiam. Benjamin não acreditava no que estava fazendo a poucos passos da sua família. Ficaram alguns segundos com as bochechas coladas, respirando ofegantemente no ouvido um do outro. Os dois mantinham suas mãos apertando fortemente o pescoço e o tronco um do outro contra si.

Yuri sorriu sem perder o contato de seus olhos. Ver os olhos verdes do amigo tão de perto encheu-lhe de alegria. Queria poder eternizar aquele momento para que ninguém acabasse com aquilo. Os seus pênis eretos se pressionavam, mesmo cada um estando contido dentro da sua própria cueca. O momento não era sexual, era simplesmente o contato de dois corações contritos.

– Não tem noção do quanto esperei por isso desde o nosso último contato – confessou Yuri, repousando sua cabeça no ombro do outro. As unhas do Benjamin roçavam a pele do japa por debaixo da camiseta.

A verdade era que os dois não entendiam de fato o que estavam fazendo e o porquê de estarem se sentindo tão bem. Antes de retornarem à sala, os dois trocaram um beijo de língua ainda mais demorado e caloroso. Isto enquanto continuavam sem dizer qualquer palavra ou sem atribuírem qualquer julgamento àquilo.

– Aee...! Acho que os dois fizeram as pazes – comentou Manuel, quando seu filho e o amigo desciam as escadas.

– É verdade, vocês tiveram tempo suficiente para conversarem. Não me diga que ainda estão brigados, porque se tiverem, eu vou trancá-los naquele quarto até que estejam de bem – brincou Marisa, sorrindo para os dois. Yumi também estava empolgada pela reconciliação dos dois amigos.

Eles coraram quase que juntos. Ben olhou para o amigo e sorriu todo bobo.

– Estamos de boas agora – afirmou o menino de olhos verdes, pondo uma mão sobre o ombro do japa.

Eles se sentaram em torno da mesinha de centro da sala de sofás para comer fondue de chocolate com morango. Yuri de volta e meia punha os olhos sobre o amigo, que sorria constrangido toda vez que isso acontecia.

– Tudo está maravilhoso por aqui, mas precisamos ir para casa – comunicou Yumi, com os braços sobre Benjamin. – Está ficando muito tarde e vocês também precisam descansar.

– Vocês não podem ir. Vocês beberam vinho no jantar – afirmou Marisa.

– Eu bebi apenas duas taças, consigo dirigir – disse Yumi, com seu lindo sorriso à mostra.

– Meia taça já pode ser responsável por um acidente catastrófico, imagine só o que duas não podem fazer? – ponderou Manuel. – Se eu também não tivesse bebido, podia me oferecer a levá-los para casa.

– Passem a noite aqui. O Miguel está viajando, então, o Yuri pode dormir no quarto dele e você, Yu, pode dormir no quarto de hóspedes. Assim se divertem mais um pouco enquanto este velho e sua dama vão para a cama – brincou Marisa, apontando na direção do esposo.

– Não iríamos incomodar? – indagou Yuri.

– Ah, claro que irão. Não gostamos de nenhum de vocês, essa foi a verdadeira razão para que tivéssemos convidado vocês dois, não é mesmo, Ben? – caçoou Miguel, não se controlando e rindo.

Yuri e a irmã adoravam o senso de humor do casal. Seus pais pelo contrário eram muito reservados e poucas vezes sorriam para os próprios filhos, e quem dirá para os outros? Yuri não conseguia controlar a própria alegria de ter feito as pazes com seu melhor amigo e, por isso, ter um tempo a mais com ele não seria nada ruim.

– Então, Sr. e Sra. Belucce, nós ficaremos aqui – respondeu Yumi, olhando para o irmão.

Como a própria mãe do Ben prometera: ela e o esposo foram se deitar a fim de dar aos três jovens mais espaço para conversarem. Porém, antes disso, ela levou a Yumi para ver o quarto de hóspedes. Marisa estava preocupada de que o quarto estivesse muito gelado, por esta razão, precisou mostrá-lo de antemão à garota.

Benjamin ficou a sós com Yuri, o primeiro estava tenso e intimidado.

– Está tudo bem? – perguntou o japa, sentindo uma leve tensão.

– Hãn...? Claro! Não está?

Yuri avançou os centímetros que lhes separavam e beijou o amigo, que sequer refutou o ato. As mãos do Ben alisaram os cabelos e a nuca do amigo enquanto o outro pusera suas mãos por debaixo da camisa dele, apertando as suas costas aquecidas. O beijo foi cortado ao ouvirem Marisa dar boa noite para Yumi e que não demorou a surgir no topo das escadas.

– Benjamin, achei lindo o teu quarto. Acho que a última vez estive lá, tu ainda tinha aquele guarda-roupa de futebol e recortes de quadrinhos do Superman e do Batman nas paredes e no teto.

– Yu, então já faz uns dez anos que não pisa aqui em casa.

– Em compensação o japa nunca saiu daqui, né?

Eles riram. Ben olhou para Yuri e teve que concordar com ela; os dois sempre estiveram juntos em tudo.

– Fazer o que se o meu melhor amigo é irresistível – brincou Yuri. Benjamin não acreditou que ele tinha dito aquilo na cara da irmã. Mataria seu amigo quando estivessem a sós.

– Teu irmão é mesmo um palhaço – disfarçou ele, enquanto Yumi ria.

– E, é eu que não sei?

Ben sorriu para os dois enquanto ligava a máquina de fondue. O telefone do japa começou a tocar. O rapaz se levantou e foi até ao píer para atender a ligação. Ele já sabia quem estava ligando e soltou um som exausto antes de dizer: alô.

– Está muito nervoso com os vestibulares, Ben? – indagou Yumi, sem dar importância ao fato de seu irmão ter saído às pressas. O menino de olhos verdes, por outro lado, se incomodou com aquela saída abrupta.

– O engraçado é que este ano não estou tão pilhado quanto no anterior – respondeu, tentando escutar a conversa do seu amigo.

(...) mas hoje não posso. Estou na casa do meu melhor amigo e com a minha irmã. Vamos passar a noite aqui. (pausa) Bruna, tu precisa entender que hoje não posso. (pausa prolongada)

(...) Benjamin continuava a conversar com a amiga, mas sem tirar os olhos do vulto de Yuri, que estava submerso na penumbra lá atrás.

– Mas como tu pode ter tanta certeza que não vai conseguir passar na ACAFE?

– Eu não acredito ter feito uma boa prova, sei lá, Yumi. – Ele viu que o amigo parecia agitado.

(...) chega, Bruna! Eu não estou deixando de te priorizar porra nenhuma. A minha irmã está passando seus poucos dias livres aqui comigo e não vou perder isso para ir numa balada com vocês. (pausa longa) Não, ela não vai querer e já disse que meu amigo também não está a fim disso.

(...) Yumi tentava ignorar o que estava ouvindo ao fundo da sua conversa com Benjamin. Ela continuou a incentivá-lo a confiar nos seus futuros resultados.

– Quando será divulgado o listão com os aprovados?

– Boa pergunta, eu – ele viu seu amigo desligar o celular e voltar à sala dos sofás – não procurei saber ainda. Creio que saia até a metade do mês.

– Sobre o que vocês estão falando? – perguntou Yuri, tentando se inteirar do assunto dos dois. Ele estava com uma voz embaraçada, como se em um conflito particular.

– Da ACAFE – respondeu Ben, sem encará-lo diretamente.

– E tu, japa, o que tem a me dizer sobre a tua namorada? Não me diga que era ela ao telefone te pentelhando? Que saco, isso! Tu precisa manter uma vida aliada à companhia de outras pessoas. Quem vê pensa que só existe a Bruna Santori neste mundo agora.

Benjamin quis abraçar a irmã do amigo por ter dito tudo o que queria ter coragem de dizer.

– Yu, ela queria que eu fosse à Fields. Daí, eu expliquei que não dava porque estávamos aqui na casa do Benjamin e também que vocês não estavam a fim de cair na noite com ela e seus amigos. Claro que a Bruna ficou puta da vida, mas deixa pra lá.

– Porra, Yuri, não precisa se prender por minha causa – mentiu Ben, repetindo a mesma cena de duas semanas atrás. – Acho que nem a Yumi se importaria caso queira sair com eles.

– Ah, eu me importaria. Pode ter certeza que me importaria, sim, senhor.

O japa olhou irritado para ele, por um minuto quis xingá-lo, afinal, sabia que da última vez que acreditou no amigo, os dois passaram todo aquele tempo sem se falarem.

Vá se foder, Benjamin Belucce. Quer que eu repita a mesma porra de novo para que tu tenha motivo para me odiar por mais alguns dias? Ainda mais depois dos beijos que trocamos esta noite? Desta vez não, meu amigo, desta vez, não.

– Vou ficar aqui com vocês dois. Vá saber quando teremos outra oportunidade igual a essa.

Ben suprimiu um sorriso, colocando para dentro da boca o seu fondue. Yuri se achegou mais, tirando os tênis e abraçando a irmã. Entretanto, sem perder o contato visual com o menino de olhos verdes, que tentava acertar a temperatura ideal na lareira elétrica – próxima do rack com a TV.

– Como eu senti falta disto lá em Curitiba. Eu odeio o frio daquela cidade.

– A família do meu ex-namorado é de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, e lá, sim, posso te garantir que faz frio de verdade no inverno.

– Não sei se tu se importa em me responder, mas por que vocês terminaram? – questionou Benjamin.

A moça se ajeitou nos braços do irmão e tentou ser simpática, sorrindo para Benjamin.

– Simplesmente porque nos distanciamos bastante após eu pegá-lo me traindo com a menina que eu considerava a minha melhor amiga desde o Hexag (curso preparatório para vestibulares em SP). Obviamente eu fiquei arrasada e isso atrapalhou bastante o meu desempenho final no último semestre. O engraçado é que tentei perdoá-lo por aquilo, me dei outra chance de tentar ser feliz ao lado dele, só que a vergonha foi grande demais e ele começou a me evitar, assim terminamos... Sem ouvir um “não te amo mais ou simplesmente acabamos”.

Benjamin se lançou para frente a fim de abraçá-la, depois que os olhos da moça se estreitaram ainda mais para chorar. Não era a intenção de o rapaz fazer Yumi chorar. O menino de olhos verdes pôde sentir os braços de Yuri se fecharem em suas costas, cerrando os dois em um abraço forte.

– Eu lamento muitíssimo por fazer esta pergunta. Me perdoe, Yumi. Eu imploro.

– Não precisa pedir desculpas, Ben. Tu não é o culpado pelo Camilo ser um babaca e filho da puta, não é mesmo? – Antes de se afastarem, Yuri afagou os cabelos na nuca do amigo. – O pior de tudo é que eu enfrentei a minha própria mãe por um ano e meio para poder ficar com ele. Ela o odiava só porque ele era negro e vinha de uma família mais humilde, que venceu na vida depois de tanto trabalho.

Agora, Ben podia entender o que seu amigo quis dizer a sua mãe semanas atrás sobre a irmã estar brigada e sem conversar com a Nara. Aquilo fez com que ele se sentisse muito egoísta e tolo, seu amigo e a irmã deviam estar passando o inferno dentro da sua própria casa, e sequer foi capaz de perguntá-lo se tudo estava bem nestes últimos meses.

Ele não podia imaginar que a mãe de Yuri era tão preconceituosa e muito menos que ela podia ser racista. Só que ele já tinha lido em algum lugar que os japoneses mais tradicionalistas evitam se relacionar com pessoas que não sejam descendentes do próprio país – e que a maioria, não todos, era racista.

O menino de olhos verdes mudou de assunto assim que teve a oportunidade, contando aos dois sobre o encontro com a mexicana no dia anterior e de como foi constrangedor ser ignorado por ela na frente do Pedro e do seu possível namorado mesmo depois de meses sem se encontrarem por aí.

Yumi pediu o celular do irmão para procurar na internet alguma informação sobre o resultado do vestibular da ACAFE. Demorou a conseguir acessar a página da instituição, tudo porque o 3G do Yuri estava falhando e depois, porque Benjamin se esqueceu da senha do próprio Wifi, o que lhe obrigou a ir ao escritório do pai para fuçar na caixa do modem.

– Meu Deus, Ben, o resultado sairá nesta quarta. Que bom que ainda estarei aqui para parabenizá-lo por tua aprovação.

– Aguenta coração!

– Pessoal, vocês podem refrear seus pensamentos positivos. Eu tenho certeza absoluta que bombei naquela prova, contudo vou me esforçar ainda mais neste segundo semestre para conseguir, ou a UFSC ou a UFRGS ou quem sabe a própria UP?

– Não, não, tu vai conseguir na UFSC e ficará perto de mim. Vou mandar repassarem pra ti os meus resumos todos e vamos poder estudar algumas coisas juntos durante a faculdade – disse Yuri, quase em uma súplica.

Benjamin ficou sem jeito e desviou seus olhos para o teto. Quando menos esperava sentiu a mão do japa repousar sobre sua coxa esquerda, o que disparou uma onda de excitação, culminando em uma ereção indesejada. Em um reflexo, afastou a mão do outro discretamente.

– Isto é o que veremos – comentou Benjamin, fazendo menção a ficar em Floripa.

Eles ficaram conversando até três e meia da manhã quando Yumi avisou que estava caindo de sono e que precisava dormir. Só que antes, eles combinaram de ir à praia naquele domingo.

– Eu e o Yuri vamos para casa no carro dele e daí, tu, Ben, vai logo atrás da gente para depois nos dar carona até a Praia Mole – repassou ela. – É isto, certo?

– É isso mesmo.

– Agora, sério, eu preciso dormir. Sugiro que não fiquem muito tempo acordados, caso contrário, amanhã os dois estarão um lixo e não vão aproveitar a praia.

– Vamos torcer para que esteja calor amanhã – confessou Yuri, dando um beijo no rosto da irmã.

– Tomara, tomara! – disse ela, dando um beijo em Benjamin. – Boa noite, ou melhor, bom dia para vocês.

Os dois viram a Yumi subir as escadas e depois dobrar o corredor em direção ao quarto de hóspedes. Benjamin se perguntava o motivo para que não tenha aderido à jovem e ido dormir. Seu coração começou a palpitar aceleradamente e seus músculos a contraírem ao menor movimento do amigo.

– Pelo menos amanhã ninguém brigará na praia – caçoou Yuri, engatinhando em direção ao Benjamin, que olhou assustado, no entanto sem se mover.

– É, né? Toma... – Benjamin foi interrompido por dois selinhos rápidos, que evoluíram para um beijo de língua.

Os dois estavam à luz fraca proveniente da lareira elétrica. Logo os seus corpos repousaram sobre o tapete felpudo de Marisa; Yuri, por cima, e o outro, por baixo. Benjamin podia sentir sua ereção roçar o joelho do amigo enquanto o japa chupava os lóbulos da sua orelha e descia para seu pescoço.

Quando Yuri achou que estava indo longe demais, voltou a beijar o menino de olhos verdes. Este arranhava as costas do primeiro por debaixo da camiseta. Eles nunca tinham sentido tanto medo e, ao mesmo tempo, gostado de alguma coisa na vida.

O menino de cabelos castanhos não entendia o porquê de estarem se beijando como um casal de apaixonados, porém, não se permitiria fugir. Os dois ficaram ali, abraçados, um sobre o outro, até que seus pênis voltaram ao estado convencional. Sentiam seus peitos se comprimindo, um em contato com o outro, suas respirações nervosas desacelerando e uma enxurrada de pensamentos invadindo suas mentes.

– Yuri, o que isto significa? – perguntou Ben, estragando o momento por não entender a situação.

O japa suspirou alto e repousou sua cabeça sobre o ombro do amigo, como se pudesse se afogar naquele plexo de músculos. Não sabia como explicar aquilo tudo e nem sabia se queria buscar alguma teoria tangível.

– Benjamin... sinceramente, não tenho palavras. Apenas quero curtir o momento sem pensar em como será amanhã ou depois.

O dono da casa girou seus corpos sobre o tapete, batendo seu quadril na quina da mesinha de centro, ignorando a dor. Agora, ele se encontrava sentado sobre as coxas do Yuri, um pouco abaixo da sua pelve, pressionando, com suas mãos, os antebraços do garoto contra o tapete.

– A partir deste momento, eu, é quem mando – avisou, beijando mais uma vez o japonês.

Novamente sentiu seu pau crescer dentro da cueca. O que ele mais tinha medo aconteceu, as mãos do japa se fecharam em torno dos seus glúteos, apertando-os com prazer. E quem disse que ele parou de tocá-los? Neste momento, Benjamin segurava, com as duas mãos, a nuca do outro a fim de aprofundar ainda mais sua língua dentro daquela boca sedutora.

Quando Yuri novamente estava indo longe demais – estava prestes a invadir a cueca do amigo com suas mãos –, parou, e apenas sentiu o prazer corroendo as suas entranhas e vísceras enquanto Benjamin chupava a sua orelha e o seu pescoço. Aquilo fez com que ele ejaculasse dentro da cueca. Não se lembrava de uma vez sequer que conseguira ejacular apenas com um beijo e toques tão quentes.

– A gente precisa ir dormir, já são passados das quatro e quinze – comentou Benjamin, levantando-se completamente envergonhado.

– Tens razão. Amanhã, estaremos podres assim como a Yu nos garantiu que ficaríamos – disse, tentando afastar a cueca molhada do seu corpo.

Sem dizer sequer outra palavra, Ben e Yuri seguiram para o andar de cima e depois se despediram com um aperto de mão, e se fecharam dentro dos quartos. Benjamin se culpava por ter levado aquilo tudo a um nível sem voltas. Estava confuso e totalmente com medo. Yuri também não acreditava no que tinham feito e aquilo lhe pareceu errado, ainda mais porque estava em um namoro sério com a Bruna.

O que aconteceu podia significar qualquer coisa, contudo, uma, ele tinha certeza, havia traído sua namorada com um menino, ainda por cima, seu melhor amigo de infância. Entretanto, os dois sabiam que já queriam ter feito aquilo muito tempo atrás, e Yuri ficara na cidade apenas para se entender com Benjamin – o que cria com todas as forças ter realmente conseguido depois daquela noite.

Notas finais
Olá, meus queridos (as) leitores (as)! Como vocês são fofos por estarem acompanhando a história complicada (confessemos: de amor e ódio) do menino de olhos verdes e do japa. Então, as coisas parecem estar tomando um rumo legal - tomara que nem o Ben e muito menos, o Yuri acabem com esse momento especial. Se você já chegou a este nível da história, que tal deixar sua review sobre o que está achando e o que espera desta relação? Você torce para que os dois se acertem e fiquem juntos ou para que se separem (cada um indo seguindo um caminho)? Beijos!!