Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.

9 Capítulo nove - Eu com ciúmes do japa? Fala sério!


Notas iniciais
Benjamin está cada vez mais perdido e assustado com seus sentimentos pelo japa. Naquele domingo, ele vai à praia com seus amigos para se divertir, só que acaba partindo para cima do Fred após uma brincadeira sem graça - tumultuando toda a tarde que deveria ser de diversão para o grupo. (Quero muito que vocês se divirtam com o combo de episódios especiais de ano novo).

O sol estava ardendo nas costas de Benjamin naquela tarde de domingo. Ele, Bárbara, Arthur, Frederico e Joshua foram curtir o dia ensolarado de um inverno estranho nas areias da praia dos Ingleses – no norte da ilha. Todos os garotos já tinham percebido que Ben nunca frequentava a praia onde morava. Ele se defendia dizendo que cresceu lá e que por isso não via nenhuma graça no Jurerê Internacional.

Todos eles estavam dentro da água salgada e brincavam uns com os outros, além de gritarem o tempo todo. Bárbara estava com vergonha de seus amigos, já que as pessoas na praia não paravam de encará-los. Frederico mandou todos à merda.

– Tudo um bando de más comidas – disse Frederico.

– Na verdade é um bando de MAL comidas, Fred. O adjetivo conversa com o sujeito, que nesse caso é “um bando” e não comidas – corrigiu Bárbara, abrindo os olhos após cortar uma onda.

– Vai se foder, Báh. Não me diga que tu também é uma das más comidas?

Benjamin e Arthur deram risada da amiga, que irritada jogou água no rosto do Fred.

– Ô Arthur, não tá dando conta do serviço? Se precisar de ajuda é só pedir, eu não me recuso ajudar aos meus amigos.

– Vai tomar bem no seu cú, filho da puta. Como ela até dizer chega, seu puto.

A garota corou e agora jogou água salgada no rosto do namorado, saindo irritada da água. Ele saiu correndo atrás dela.

– Viu só a merda que tu fez, Fred? – cuspiu Arthur enquanto se dirigia à praia.

Os dois amigos zoaram o loiro de espinhas. Fred ignorou o que havia feito e mergulhou por alguns instantes antes de surgir do lado de Benjamin, enrolando suas pernas nas do garoto na tentativa de afundá-lo. Só que o rapaz lhe deu um soco no saco, fazendo Fred recuar a passos largos.

– Tu não sabe mesmo brincar, né, olhos verdes?

– Vai se foder, Fred. Tu só sabe fazer brincadeiras bem infantis.

– Cadê seu namorado mesmo? – brincou Fred, fazendo Joshua rir em seguida. Estava fazendo menção ao japa que não apareceu conforme tinham combinado naquela manhã.

– Tá louco, loiro da porra? Se não calar esta maldita boca, juro por Deus que a calo com teu próprio sangue.

Fred avançou na direção do Benjamin como um torpedo em direção a seu alvo. O menino de cabelos castanhos já se preparava para dar um soco em cheio no outro. Antes da colisão dos dois, Joshua ficou entre eles e empurrou Fred para trás.

– Para, porra! Nós somos amigos, filhos da puta. Que merda!

Benjamin encarou o loiro por alguns segundos e saiu da água. Logo atrás vieram os outros dois. Joshua cochichava algo nos ouvidos de Fred enquanto caminhavam, tentando apaziguar a situação.

– Que aconteceu lá, Ben? – perguntou Bárbara, se levantando e indo de encontro ao amigo. – Aquele filho da puta disse alguma merda de novo?

– Não fica assim não. Ele se acha o mais engraçadão do mundo – acalmou Arthur, pondo um de seus braços ao redor do ombro de Benjamin.

Benzinho, eu só tava zoando com a tua cara – caçoou Fred, se aproximando.

Aquilo foi o máximo que Benjamin pôde suportar, se virou e deu uma voadora em cheio no estômago do loiro, que cambaleou e caiu para trás. Os outros banhistas se assustaram com a briga e alguns correrão na direção dos guardas salva-vidas.

Ben já ia dar outro soco na cara do seu oponente quando recebeu um chute na bacia e um soco mal dado, que acertou sua orelha – queimando-a como fogo.

– Separem eles, seus otários – gritava Bárbara, olhando para o namorado e para o amigo, que só assistiam à briga, imóveis.

Quando Benjamin se recuperou, conseguiu dar uma cotovelada nas costelas de Fred e depois lhe deu uma cabeçada, que cortou os supercílios do loiro e a sua própria testa. O covarde do Frederico jogou baixo, agarrou um pouco de areia e jogou nos olhos do amigo (que gritou de dor igual a um louco). Junto a isso, deu um soco de esquerda no rosto de Benjamin.

Só que quando isso aconteceu, Arthur e Joshua interferiram no combate. Logo chegaram dois salva-vidas bem fortões, que ajudaram a apartá-los. Barbara correu com sua garrafinha de água para lavar os olhos do amigo.

– Seu filho da puta, covarde da porra – ofendeu Bárbara, querendo matar o Frederico. – Não sabe apanhar como um homem, seu maldito.

– Ele começou tudo – acusou Fred, tentando se defender.

– Não quero saber quem começou ou quem apanhou. Quero todos vocês fora da minha praia em cinco minutos, caso contrário chamarei a polícia para levá-los daqui – ameaçou um dos salva-vidas bombados.

Joshua saiu com o Frederico na frente enquanto os outros dois continuaram a socorrer Benjamin.

– Ben, por favor, me responda se está bem. Quer que te levamos para um hospital? – perguntou a amiga solidária.

– Não, não... os meus olhos só estão ardendo um pouco e a minha testa não está sangrando muito. Vou ficar bem – respondeu tentando abrir mais os olhos, mas ainda ardia bastante. – Eu vou matar aquele loiro da porra.

– Não vai não. Tu vai me ajudar a lavar seus olhos e sua testa, Ben. – Bárbara esta em desespero. – Arthuuurr... pegue a pooorra da outra garrafinha.

A ruiva não sabia se estava com mais ódio do namorado ou do loiro sem graça. Na sombra das dúvidas, descontaria sua raiva em ambos.

– Valeu, Báh! Vamos sair daqui, o povo todo está me olhando.

– E com razão, né, Benjamin Belucce Furlanetto? Com razão – protestou ela, lavando outra vez os olhos do amigo enquanto Arthur olhava apavorado. – Pare de olhar com esta cara de otário e lave a testa do seu amigo.

Arthur usou a última garrafinha de água para ajudar a escorrer aquele sangue todo da testa de Benjamin. Pelo jeito o menino levaria pelo menos três pontos para fechar o corte.

– Já passou os cinco minutos que lhes dei – acelerou o salva-vidas, voltando para onde os três estavam acampados.

– Cara, será que não tá vendo que ele tá machucado? Chame a porra da polícia se quiser, mas deixe-me ajudá-lo – berrou Bárbara em prantos. O fortão se afastou sem dizer nada.

– Vamos sair daqui, eu já disse – pediu Benjamin, sem abrir os olhos. Conseguia sentir os minúsculos grãos de areia arranhando sua esclerótica e pálpebras.

– Furlanetto, abra a porra dos teus olhos – ordenou ela, ignorando-o.

Depois de cinco minutos, onde ela continuou soprando e lavando os olhos já irritados do amigo, os três saíram da areia. Arthur teve que carregar as duas cadeiras de praia, o guarda-sol, o cooler e as mochilas dos três. Benjamin praticamente foi guiado pela ruiva até seu carro, estacionado próximo da saída principal.

– Arthur, tu vai sozinho no teu carro e eu dirigindo pro Ben. Vá para casa dos olhos verdes direto daqui e me encontre lá.

– Pra minha casa? Tu tá louca, Báh? Meus pais estão lá, vão me matar.

– O problema é teu, ou te levo para casa ou te levo para a policlínica das Canavieiras. Tu escolhe qual vai ser o melhor? Só que sabe que levará alguns pontos nesta testa da mesma maneira.

– Dirija com cuidado o meu carro, hein – disse Benjamin, vencido pela amiga, ao entrar no seu Pajero.

– Coloque os meus óculos escuros para proteger esses lindos olhos – ordenou ela, dando a ré e pegando a pequena rua atrás do estacionamento. – Nunca vi tanta gente em uma praia no inverno, porra.

Benjamin colocou os óculos rosa da amiga, ao invés da armação ser redonda como os tradicionais aqueles tinham um formato de dois corações.

– Tu ficou fashion com os meus óculos, hein, Ben. – provocou ela.

O carro do Arthur ultrapassou os dois em alta velocidade e ao passar por eles, buzinou duas vezes.

– Este meu namorado é mesmo uma comédia, hein?

Sorriu apaixonada. Benjamin apenas assentiu com a cabeça, continuava com os olhos fechados.

– Se o Yuri estivesse lá na praia, tenho certeza que ele não deixaria o puto do Frederico jogar tão baixo. Naquela hora o japa cairia matando com alguns golpes de caratê igual ao Daniel San no final do Karatê Kid

Ben estava com raiva do japa, mas não conseguiu segurar a risada.

– Só que eu acho que ele não sabe porra nenhuma de caratê, Báh.

– Ué, vocês não faziam uma luta juntos?

– Sim, mas era judô. Ninguém usa judô na vida real.

Ela desviou os olhos rapidamente do volante para o amigo e torceu os lábios.

– Mas vou te dizer uma coisa, tu bateu bonito nele. Juro que já tava na hora de alguém fazer isso. Tenho certeza que se não tivesse jogado areia nos seus olhos, tu teria acabado com ele.

Benjamin riu, abrindo um pouco os olhos. Só que ainda sentia a areia incomodá-los.

– E por falar no Yuri, qual foi a desculpa dele para não ir à praia com a gente?

– Disse que estava na casa da BRU — NA. – Benjamin separou de propósito o nome da menina. – Com certeza deve ter comido a veterana dele e decidido passar a noite como marido e mulher. E olha que me disse ontem que tinha que almoçar com a família hoje por causa de uma tia dele.

– Vocês, guris, não refreiam a boca para falar sobre sexo e meninas. Acho que só posso ter perdido a minha feminilidade para escutar todos vocês sem batê-los.

– Báh, tu já é quase um menino usando vestidos.

– Então o Arthur é gay e sou a passiva dele – brincou ela, sem nenhum pudor.

– Viu o que quis dizer?

Começaram a rir.

– Me diga mais uma coisa: por que tu bateu nele? O que aquele fdp falou para te irritar tanto?

– Perguntou o motivo pelo qual meu namorado não veio.

– Ele estava fazendo referência ao Yuri?

– E quem mais tu acha?

Bárbara cerrou os olhos e pegou em uma das coxas do amigo, que estava próxima do câmbio do automóvel.

– Não creio que tu brigou com ele só por causa dessa brincadeira?

– E tu acha pouco? Porra, Báh! O Frederico já zoou eu e o japa antes sobre isso, tenho certeza que só porque somos muito amigos ou pelo menos éramos, sei lá.

– Ele é um babaca mesmo. Nem ligue! Não viu o Fred zoando a mim e ao Arthur? – Ela voltou a se concentrar no trânsito, que estava calmo. – E o que tu acha da nova namorada do japa?

Por que ela está me perguntando isso? O que eu tenho a ver com a vida sentimental daquele puto?

– O que tu acha da nova namorada do japa? – Bárbara repetiu a pergunta.

– Nada! Nem conheço a guria e nem a vi direito ainda.

– Por que tu ficou tão esquentadinho por causa da minha pergunta, Benjamin? Foi só uma pergunta inocente.

– Tu insistiu demais, só por isso me irritei. Vamos esperar ele nos apresentar ela oficialmente e daí eu posso fazer julgamentos.

– Ben, tu tá certo.

Os dois não trocaram mais nenhuma palavra até o carro do rapaz estar estacionado dentro da garagem de sua casa, próximo dos carros dos seus familiares.

– Quando não preciso, meu irmão, mãe, pai e cachorrinho estão em casa. Que merda!

– Não sabia que tu tinha um cachorrinho agora.

– E nem tenho, Báh. Tu não entende mesmo um sarcasmo.

Arthur desceu de seu carro e veio ao encontro dos dois. Bárbara ajudou o Ben a descer do carro e a subir os pequenos degraus até a porta da entrada. Quando Arthur empurrou a porta, Marisa berrou, assustando ao marido, de calção na área da piscina, ao filho mais velho e a sua namorada, que estavam dentro da água.

– O que aconteceu com o meu filho? – Ela se atropelou toda na direção dos três jovens e tirou os óculos do rapaz quando pôde.

– Meu Deus! Benjamin... – berrou o pai, quebrando um copo com cerveja ao se levantar em desespero.

– Calma, eu estou bem – disse Benjamin, abrindo um pouco dos olhos.

– Que corte horrível é esse? Não me diga que caiu em alguma pedra por aí?

– Não, ele se meteu em uma briga na praia – revelou a garota antes que Benjamin mentisse.

– Que droga, Báh – disse Arthur no ouvido da namorada, que o ignorou.

Benjamin sentiu uma raiva crescente da amiga irromper em seu peito. Seu pai apertava sua testa e emitia sons estranhos. Logo apareceu Miguel vestindo um roupão e depois sua namorada, vestindo outro.

Perfeito! Todos juntos e contra mim.

– O que aconteceu com os olhos dele? – perguntou Marisa como se o filho não estivesse presente.

– O Fred jogou um pouco de areia dentro dos olhos dele.

– Um pouco nada, jogou bastante areia que eu vi – dedurou Arthur.

– Mas me diga que o Ben bateu pelo menos naquele loiro do caralho – pediu Miguel, abraçado a namorada.

– Sim, sim. Ben deu uma surra nele antes do cara jogar tão baixo – Arthur confessou, vendo a empolgação do irmão mais velho.

Os pais do garoto encaram mais um pouco os três antes de sentarem o Benjamin em uma cadeira lá no píer da casa.

– Fica calmo, meu filho, seu pai foi pegar a bolsa de primeiros socorros dele.

– Estou calmo, não precisava de todo esse escândalo, pô – reclamou o menino, sem abrir os olhos.

– Miguel faça um favor pra sua mãe e traga o soro fisiológico que está dentro daquele armarinho e uma faca também.

Benjamin ficou agitado, pensou que agora sua mãe iria querer operá-lo com materiais não esterilizados.

– Abra os olhos, meu filho – ordenou a mãe. Em seguida, lavou um olho seu de cada vez e com a ajuda de gazes limpou toda a sujeira.

Os olhos do Ben estavam muito vermelhos. Em seguida, seu pai deu dois pontos no corte da sua testa e lhe garantiu que não ficaria com nenhuma cicatriz depois de algumas semanas. Aquilo doeu para burro. O doutor Manuel como já era de se esperar não se mostrou piedoso aos gritos do filho. Benjamin conseguiu ver o rosto dos seus amigos. A Bárbara parecia aflita igual à Paula e o Arthur interessado.

– Está doendo um pouco menos, Ben? – indagou Marisa, beijando as bochechas avermelhadas do garoto. – Quer que a mamãe lhe faça alguma coisa bem gostosa para comer?

– Não agrade ele. A partir de agora, tu está de castigo, Benjamin Belucce. Não quero vê-lo dentro daquele carro pra nada. Não quero que fique no cursinho depois de acabarem suas aulas. Nada de passeios noturnos. Nada de cartão de crédito. Tudo isso por uma semana. Está entendido?

Benjamin nunca mais viu seu pai tão fora de controle quanto agora, a última vez que o pusera de castigo ele tinha doze para treze anos e após quebrar a janela da casa de uma das suas vizinhas enquanto jogava bola com alguns amigos.

– Manuel, o nosso filho não é mais criança. Ele tem quase dezenove anos.

– Não quero que encha aos meus ouvidos com esta ladainha, Marisa. Está decido e tu entendeu, né, Benjamin?

– Totalmente, pai. – Depois olhou para seus amigos, que estavam constrangidos por terem participado daquilo.

– Então já vamos para casa, dona Marisa – anunciou Bárbara, vermelha como um pimentão.

– Não, não expulsei vocês dois. Foram uns queridos por terem trazido o nosso Benjamin para casa em segurança – afirmou Manuel, dando tapinhas nas costas de Arthur. – Tomem café com a gente, por favor.

Bárbara concordou mesmo não estando certa daquilo. Mais tarde, tocaram novamente no assunto da briga. Estavam todos sentados à mesa no jardim da casa. Benjamin e seus amigos já tinham tomado banho para se livrarem da água salgada.

– Bárbara, eu sei que tu é muito sincera e responsável, por isso quero que nos diga o motivo para que o Ben e o Fred tenham brigado na praia como dois cachorros vira-latas.

– Obrigada, dona Marisa. O Fred provocou a todos nós a tarde toda, fez um monte de brincadeiras sem graça e que nem valem a pena serem mencionadas aqui. Ben estourou depois de tanta provação do loiro, eu mesma quase dei uns tabefes na fuça daquele moleque.

Benjamin sorriu com os lábios, mas logo perdeu a excitação. Seu pai continuava a encará-lo friamente. Miguel não se conteve e começou a rir, porém a Paula apertou seu pau para que parasse.

– E cadê o japa? Por que ele não veio com vocês para cá? – questionou Marisa. Benjamin mordeu os lábios irritados, se perguntava por que todos esperavam que os dois sempre estivem juntos em tudo. Porra! Eles eram apenas amigos.

– Ele não foi à praia com a gente hoje – revelou Bárbara, colocando para dentro da boca um pedaço de torta de maracujá.

– Já brigou com ele de novo?

O rapaz olhou para o rosto da sua mãe após fazer aquela pergunta idiota.

– Vocês todos acham que eu e o Yuri somos gêmeos siameses, não é? Onde um está o outro obrigatoriamente tem que estar também?

– Ué, vocês nunca desgrudaram na vida. Por que está tão irritado, garoto mal criado? – despejou a mãe.

– Não brigamos, mãe. Ele só não quis ir com a gente.

– O Ben está com ciúmes do amigo porque o japa está namorando a prima da Paula – cutucou Miguel.

Benjamin apenas mostrou o dedo do meio ao irmão antes de ser repreendido por sua mãe.

– Pare com este sinal feio na minha mesa, Ben. Tu precisa arrumar uma namorada, meu filho, assim poderão todos sair em casaizinhos por Floripa e quem sabe viajar para algum lugar romântico? Não é mesmo, Báh?

– Que droga, mãe... Eu namoro quando eu quiser... Que droga! Vocês ficam me pressionando para arrumar uma namorada, mas já perguntarem se estou a fim no momento? Vai que me apaixono pela pessoa errada e vocês não aprovam. Daí ficarão lamentando pelos cantos depois.

– Tu está certo, me desculpa, meu amor. – Marisa estava arrependida. – E vocês, Báh e Arthur, estão muito felizes? Sei que estão namorando.

Arthur corou no mesmo instante.

– Estamos sim, dona Marisa. Já vai fazer três semanas que estamos juntos. O Arthur é um fofo mesmo agindo como todos os outros garotos.

Paula, Marisa e Bárbara começaram a rir. Os homens discordaram categoricamente.

Quando já se passava das 21h, os dois amigos de Benjamin decidiram voltar para casa. No outro dia cedo começava a última semana de aulas do primeiro semestre, por esta razão queriam chegar cedo em casa. Novamente Marisa agradeceu aos dois pela ajuda que deram mais cedo. Benjamin também agradeceu.

Antes de Benjamin se trancar no quarto, seu pai lhe disse que estava autorizado a ir apenas ao cursinho de carro. Se lhe desobedecesse, perderia o automóvel e caso se metesse em outra briga na rua, também sofreria as consequências.

Quando Ben se preparava para cair na cama, seu telefone tocou, notificando uma nova mensagem no WhatsApp. Quando viu que era do japa quase jogou o celular contra a parede. Depois que ignorou a mensagem, recebeu mais três notificações. Não aguentou a curiosidade e abriu-as.

Yuri:

Que história é essa de brigar na praia justamente quando não estou lá para lhe ajudar?

Tu está bem, Benjamin? A Báh me contou que tu arrebentou a testa quando bateu no filho da puta do Fred.

E também me contou a merda que ele fez.

Estou preocupado, me responda quando ver as minhas mensagens. Abraço.

Fechou as mensagens sem respondê-las e programou o despertador para tocar bem cedo na manhã seguinte.

Sempre a Báh. Por que tu adora ferrar com a minha vida, garota? Porra...! Eu estou agindo de novo dessa maneira? Benjamin, o que tu tem? Estou com ciúmes do japa? Ah, fala sério. Enquanto fico perdendo meu tempo pensando naquele oriental da porra, ele está lá de boas e comendo a sua nova namoradinha. O pior é que a garota é muito gostosa mesmo. Preciso pegar alguma menina correndo, mas logo agora estou de castigo. Magina, castigo? Tenho dezoito para dezenove anos e o meu pai continua me tratando como uma criança. Tudo por causa daquele desgraçado do Frederico. Vou matar ele quando vê-lo no cursinho. Vou quebrar a cara dele, quero ver o que ele faz quando está longe da areia da praia.

Seus pensamentos foram interrompidos por outra notificação do seu iPhone. Novamente a mensagem era do japa. Abriu.

Yuri:

Que porra, Benjamin, vai visualizar a minha mensagem e me ignorar? Vai querer tudo de volta? Brother, tô cansado de correr atrás de ti. Vou ficar de boas aqui, se quiser me excluir da lista dos seus amigos... O.K!

Não posso fazer mais nada

Yuri está escrevendo...

Yuri:

Sinceramente, pelo menos, mereço saber o porquê te estar me ignorando. Já te pedi desculpas por tudo que aconteceu entre nós naquele dia na sua casa. Até quando tenho que implorar, porra? Tudo aquilo foi um erro e assumo toda a culpa para mim. Já prometi que aquilo nunca mais vai acontecer. Então peço que pare com essa porra toda.

Yuri está escrevendo...

Yuri:

Responda, caralho!!! Quer dizer que está assentindo com a minha decisão? Não vai tentar me fazer mudar de ideia. É assim que a nossa amizade deve acabar?

Benjamin releu novamente as mesmas mensagens e desviou os olhos para o teto. O que responderia ao japa? Não tinha um motivo suficiente para estar agindo daquela forma.

No entanto preferiu se virar e dormir.

Notas finais
Feliz ano novo, meus queridos! Fico muito, mais muito feliz mesmo em ver tantas novas pessoas se juntando aqui para acompanhar a história destes dois amigos (apavorados, diga-se de passagem). Hoje vai o meu especial agradecimento aos fofos tão queridos Boob Chi, AnnySerrao e Agridoce - amo vocês demais mesmo sem conhecê-los pessoalmente e SOU APAIXONADO pelos seus reviews mais sensacionais. Isto me inspira a escrever cada vez mais.