Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.

29 Capítulo vinte e nove - É como borrões no horizonte


Notas iniciais
Ben se diverte com seus novos amigos de Blumenau, estreitando os laços entre eles. Yuri está empolgado com a sua primeira visita à casa do menino de olhos verdes. Benjamin também está muito ansioso e um pouco nervoso com o encontro. "Olá, meus queridos, devem saber o quanto AMO escrever pra vocês! Por isso toda vez que tenho horários livres na facul, abro o Word e começo a escrever loucamente, rsrs. MAS fico muito triste ao saber que tenho tantos leitores regulares, entretanto mesmo assim são POUCOS que me agraciam com suas palavras; não me importo se com poucas ou muitas - AMO CADA UMA. O feedback de vocês é tão importante para me empolgar a continuar escrevendo a história. Adoro conhecer os antes desconhecidos leitores como a "Imperfect girl" e a "Loneliness". Vamos lá, faça um autor feliz! Por favor, meus fofos, deixem a sua review por mais curta que seja. Não se acanhe e nem seja um leitor fantasma... *---* Agradeço de coração ao tempo devotado por vocês que já escrevem regularmente as suas reviews para mim. Continue aparecendo! ♥ — Prepara o coração (pessoas com quadro de cardiopatias, recomendo pularem este, rsrs, brinks!) Excelente leitura!

A festa tinha como tema: loucos em Miami, foi assim mesmo que Benjamin e os seus quatro amigos se sentiram, só não estavam em Miami. Todos, com exceção da Renata, beberam loucamente e aproveitaram para dançar uns com os outros e alguns deles até conseguiram trocar saliva com outros jovens na festa.

Como a Renata não bebia nada alcoólico, ficou responsável por levar os quatro amigos para a casa em segurança. Benjamin não exagerou como naquela vez que brigou com o Yuri e voltou sozinho para casa no meio da madrugada – até porque desde então prometeu a si mesmo e ao seu pai que não voltaria a ficar naquele estado.

O Gustavo e a Jaqueline foram os que mais beberam na noite. A loira, de olhos verdes, chegou a vomitar na porta do carro da Renata quando o manobrista trouxe o automóvel.

— É melhor vomitar na lataria do carro do que nos meus bancos de couro – afirmou a menina de pele negra, com os olhos arregalados assim que a amiga pôs para fora um monte de líquido.

— Eita, porra! – gritou Tiago ao perceber que a loira tinha vomitado também em seu casaco, que comprimia a sua barriga, ressaltando o seu excesso de peso. – Agora, você fodeu comigo sem camisinha, guria.

Os quatro riram do amigo, só pararam quando perceberam que o Tiago estava nervoso de verdade e queria matar a Jaqueline, que por seu estado, sinceramente, estava se lixando para o ataque de fúria do gorducho.

— Vamos embora deste lugar de uma vez – pediu Gustavo se apoiando no ombro de Benjamin, que se mantinha consciente.

Os quatro entraram no carro assim que a Renata destravou as portas dos passageiros. Tiago jogou o seu casaco vomitado no lixo da rua antes de embarcar. Benjamin foi no banco do carona da frente enquanto os outros três foram atrás.

— Se importam se eu ligar baixinho a minha playlist favorita? Toda vez que dirijo, eu preciso ouvir música para não cair no sono.

— Claro que sim! – respondeu Ben, tentando ver o seu reflexo no retrovisor direito e ajeitar o seu cabelo.

— Só que ela é meio infantil, eu tenho preguiça de atualizá-la. A última vez que fiz isso estava no primeiro ano do ensino médio. Isso há três anos.

— Que tipo de música uma menina de Joinville ouvia na adolescência? – perguntou Gustavo. Ele estava sentado no banco do meio, à sua esquerda estava Tiago, um pouco menos irritado, e do outro, Jaqueline, agora, com a cabeça encostada no seu ombro.

— Hannah Montana, Glee e outros – respondeu em meio a risos, levando Benjamin, Gustavo e Tiago com ela.

— Meu Deus, Glee era a minha vida naquela época – confessou Gustavo, fazendo o Ben rir. – O que foi? Tu não ouvias Glee, Ben? Em que mundo vivias lá em Floripa. Sei que morava numa ilha, mas ela não é tão isolada assim do mundo externo, ou é?

Benjamin não parou de rir, até mesmo a Renata não podia se controlar enquanto dirigia pelas ruas quase vazias do centro de Blumenau. Também pondera, já era passado das três da manhã.

— Eu nunca quis ouvir estas coisas, não. Ouvia muito Black Eye Peas, Negra Li, Capital Inicial e Legião Urbana só para começar.

— Se vestia que nem mano também? – perguntou Tiago.

— Só por que eu ouvia um pouco de Hip hop? Acho um pouco preconceituoso da sua parte, sabia? Nunca quis me drogar e nem porra alguma só por ouvir Negra Li, Detonautas e etc.

Tiago ficou constrangido depois do corte que levou, preferiu se calar e continuar ouvindo a conversa dos amigos.

— Então me diga o que acha desta música, Gus – comentou Renata, aumentando o volume do player. Estava tocando Don’t stop believin’, na versão tão popularizada pelo Glee.

— Porra, eu amo esta música. Amo a voz da Lea Michele e do Cory Monteith nesta música sem OR.

— Amava a voz do Cory – afirmou Renata com vontade de chorar. – Foi uma pena que ele tenha morrido tão cedo e de uma forma tão avassaladora.

— Hei, eu conheço esta música, mas a original, tocada pela Journey. Aquilo sim é uma banda do caralho, meu – interrompeu Ben quando a música foi às alturas com o coro.

— A letra desta música é bem a gente mesmo nesta nova cidade, com uma nova aventura e um grande desafio de seis anos pela frente – comentou Gus, um pouco nostálgico.

— Menos para o Tiago que é daqui mesmo – acrescentou Renata, sorridente e tentando levantar o ânimo do loiro.

— Porra se é...! “Just a small town girl... Livin' in a lonely world...” (Apenas uma pequena garota do interior... Vivendo em um mundo solitário...) – cantou Benjamin.

— Caramba, você tem uma voz incrível, olhos verdes – afirmou Gustavo, surpreso. – Não sabia que podia cantar tão bem, porra!

— Que nada! Eu fazia aula de canto e piano com o meu melhor amigo, isso desde a quarta série, mas parei na oitava porque queria ocupar o meu tempo livre com vídeo games e pornografias – revelou o menino de olhos verdes. Não teve como não se lembrar novamente do Yuri, afinal essa foi outra coisa que os meninos fizeram juntos desde cedo além da natação.

— Ah, vai ter que cantar pra gente outro dia para valer. Na casa do Tiago tem um piano da mãe dele, né, amigo?

— É verdade, Rê, a minha mãe toca que é uma beleza também, mas ultimamente por causa das suas sessões de quimioterapia não tem tido tanta vontade de tocar. O meu pai é que tem praticado e alegrado os nossos jantares de família.

— Que barra! Não sabia que tua mãe estava com câncer, me perdoe por isso – desculpou-se Gustavo. Benjamin também não sabia daquilo e ficou chocado.

— Relaxa, ela já vai sair dessa, graças a Deus. Mas vamos combinar em uma tarde de fim de semana para o Ben ir lá em casa e fazer um miniconcerto.

O menino de olhos verdes riu.

— Acho difícil de isso acontecer, mas quem sabe eu ceda algum dia.

— Ah, Benjamin, vamos lá... Queremos lhe ver cantando e tocando piano pra gente – insistiu Gus, chacoalhando o ombro do menino. – A Jaqueline toca flauta e violão, porém está muito bêbada para confirmar isso e a Renata toca guitarra, eu já toco bateria. Podemos montar uma pequena banda e arrasar nas festas da faculdade.

— E o Tiago? – perguntou Benjamin. – Ele deve tocar piano já que seus pais são os Beethovens da atualidade.

— Toco punheta apenas, se isso contar como alguma coisa.

Imediatamente, os quatro riram daquela piada. Como o Gustavo tinha dito: a Jaqueline estava apagada, então ficou de fora da zoeira toda.

Benjamin ficou de fora da conversa seguinte sobre o desenrolar da festa, pegou seu celular para ver se recebera alguma coisa do japa ou de alguma outra pessoa. Ao abrir o WhatsApp, viu que o Yuri deixara quatro mensagens para ele e a sua mãe também.

Mamãe:

Oi, meu amor! Estou morrendo de saudades suas. O pai disse que assim vai ter um infarto antes de completar cinquenta anos, mesmo ele sendo cirurgião cardíaco como sabe ele é beeeem exagerado. (22:47)

Te amo, filhote ♥ (22:49)

Ele respondeu rapidamente a mensagem:

O pai é um lindão mesmo. Diga a ele que a distância de vocês tem sido insuportável... INSUPORTÁVEL!!!

Amo vcs, mamãe!

Em seguida, abriu as mensagens do japonês:

E aew, meu amor!

Pensa em alguém que está morrendo de saudades de vc, já pensou? Então, esse indivíduo sou eu mesmo. (00:02)

Não vejo a hora de poder ficar juntinho do seu corpo quente, ainda mais neste quase início de primavera. Mas quero te ter pra mim não apenas por algumas horas, quero ficar contigo em cada momento. (00:03)

Pra te falar bem a verdade: não consigo parar de pensar em tu. Em qualquer lugar que eu esteja, sempre penso no que estará fazendo e se estará pensando na gente. Sei lá, acho que endoidei de vez! Só acho! (00:05)

Te amo! Não vejo a hora de sexta-feira chegar. Beijos, meu gatão!

— Não acha isso, Benjamin? – perguntou Renata, desviando o foco do menino antes de ele poder responder as mensagens.

— Hãn? Estou por fora do que estavam conversando. Foi mal!

— Desliga a porra do celular, brother. Viva o momento atual com a gente – pediu Gus entre risos.

Renata tirou a sua mão do câmbio do automóvel para apertar à força o botão que apagava a luz da tela do iPhone do menino. Ele foi obrigado a voltar sua atenção para o papo que estavam tendo.

— Eu estava dizendo que o Gustavo foi um idiota por dar um fora naquela garota com um vestidinho cavado, você não acha?

— Caramba, ela era bem gostosa mesmo – afirmou Ben, guardando o seu celular no bolso da blusa. – Por que deu um fora nela mesmo?

— Ah, não sei... Meio que não estava a fim de ficar com nenhuma guria hoje à noite. Tô bem de boas quanto a ficar com alguém, quero aproveitar a minha recém-solteirice.

— Porra, é verdade! Tu me disse que terminou um namoro de dois anos mês passado antes de vir pra cá – concordou Benjamin. Estava com a cabeça virada para trás.

— Sim, ela era muito amada e tal, porém não queria ter um relacionamento à distância. Eles são muito desgastados pelo tempo e pela perda de sintonia dos casais.

— Sei lá, eu acredito em relacionamento à distância – disse Benjamin.

— Eu também acredito. O meu namorado continua morando em Joinville, o vejo a cada duas semanas, sem dizer dos vídeos no Skype. Rola altos nudes via chat, o que esquenta e muito a nossa relação.

Os dois fizeram uma careta engraçada, já que nenhum dos dois ou mesmo o Tiago poderiam julgar que aquela cdf, que usava óculos garrafais para assistir às aulas, tinha tanta ousadia.

— Chegamos, Gus, você será o primeiro a dormir – comentou a motorista ao estacionar junto ao condomínio do gaúcho. – Eu sei onde a Jaque e o Tiago moram, só precisarei que você, Ben, me ensine o caminho para a sua.

— Ele vai dormir comigo nesta noite – comentou Gus, sem malícia.

— Hmm! – provocaram Renata e Tiago ao mesmo tempo.

— É que o meu carro ficou aqui e bebi um pouco na festa – se defendeu Benjamin, um pouco envergonhado.

— Beleza, então, garotos!

— O que eu faço com essa menina aqui? – indagou Gus, tentando colocar cuidadosamente a cabeça da amiga loira, apagada, sobre o banco que estava vagando.

Benjamin colou a cabeça no vidro de trás para tentar ver a cena cômica. Ele foi o primeiro a descer do carro e já começava a passar frio lá fora.

— Pode sair que eu ajeito ela aqui atrás – afirmou Tiago, apertando a mão do Gus em um cumprimento.

— Beleza! Obrigado pela carona, Rezinha. Boa noite!

— Boa noite! – respondeu ela. – Boa noite, Benjamin! – gritou ela, acenando para o menino que estava parado perto do portão do condomínio.

— Boa noite, Rê. Valeu pela carona! Se cuide!

Assim que o Gustavo desceu do automóvel, a menina se afastou, virando na próxima esquina à direita. O gaúcho abriu os braços para abraçar o menino de olhos verdes, que não teve como fugir do gesto de carinho.

— Cara, nunca podia imaginar que conheceria pessoas tão loucas e ao mesmo tempo tão especiais para mim quanto você e os outros. É muito massa isso, sabe? Jurava que ficaria um bom tempo no forever alone.

Benjamin riu, tentando pegar a chave do portão do condomínio no bolso da calça do amigo.

— Acho que é muito perigoso ficarmos muito tempo parado aqui a essas horas da madrugada – disse o manezinho da ilha, sem encontrar as chaves no bolso apertado do amigo.

— Porra, você está certo, cara. – Ele abriu o portão e depois a porta do bloco, mergulhados no profundo silêncio. Já no elevador, ele voltou a falar: – Foi muito massa esta festa, não achou, olhos verdes?

— Caralho e foi muito! Não bebia tanto desde a festa dos veteranos de uns amigos.

— Sério? Eu não bebia dessa forma desde a semana passada, na festa que meus pais deram de despedida para mim – concluiu, rindo em seguida.

Ao entrarem na sala do apartamento do gaúcho mergulhado na escuridão, o guri foi diretamente aos interruptores para acender as luzes. Não havia nenhum sinal da avó do menino naquele lugar. Tinha o seu apartamento novamente só para ele.

— Gus, a sua avó foi embora de ônibus?

— Não, a velha dirige e muito melhor do que nós dois juntos – respondeu, tirando o casaco e a camiseta como se estivesse calor.

Ao fazer aquilo, revelou o seu tanquinho perfeitamente esculpido e seus enormes bíceps e tríceps. Depois, tirou o sapato e a calça, permanecendo apenas de samba canção. Benjamin a principio levou um susto daqueles, afinal não estava esperando por aquilo.

— Velho, tu podes ficar totalmente à vontade aqui, eu não me importo. Sinta-se em casa.

— Não, não... A noite está bem fria – rejeitou o menino de olhos verdes.

— Eu vou ligar o ar-condicionado – disse ele, fazendo o que tinha dito. Ligou o ar e elevou a temperatura da sala até vinte e poucos graus, o que fez a total diferença.

Mesmo assim, Ben só tirou o casaco. A sua camiseta era bem solta, não deixava nada marcado no tecido. Gustavo se aproximou do amigo rapidamente, ficando a poucos passos dele. Antes que o de olhos verdes pudesse se afastar, o gaúcho pôs uma de suas mãos sobre a cintura do outro e disse:

— Benjamin, desde que eu pus meus olhos sobre os seus tão verdes, senti uma vontade louca de beijar estes lábios tão carnudos. Me perdoe, porém eu preciso fazer isso.

— Espera aí!

Tarde demais, os lábios carnudos do Gustavo encontraram-se com os de Ben. Lentamente, o menino de olhos verdes teve a sua boca invadida pela língua do moreno – algo tão delicioso que fez alguns pelos da nuca do menino se arrepiarem instantaneamente. Passado os primeiros segundos, Benjamin empurrou o peito do amigo para alguns centímetros dele. Visualizou a situação: o seu coração estava acelerado, suas pupilas dilatadas, as mãos do Gus sobre sua cintura e costas e seus lábios umedecidos pelo outro.

Dessa vez, Ben se aproximou do amigo e lhe beijou, aprofundando ainda mais as suas línguas. As suas mãos apertaram o volume traseiro da samba canção do gaúcho – as suas nádegas eram demais, com a musculatura bem trabalhada, o que parecia e muito com as do japa.

Gustavo lentamente começou a tirar a camiseta do Benjamin, beijando seu abdômen e peitoral em seguida – o menino de olhos verdes não era tão definido assim como o Yuri e o Gustavo.

O menino de olhos escuros se sentou no sofá, trazendo contra seu rosto a cintura do outro. Em seguida, abriu o cinto e a braguilha da calça jeans do outro, deixando-a na altura dos joelhos do Benjamin.

O Gus começou a mordiscar a cabeça do pênis ereto do amigo preso e que dilatava o tecido da cueca azul de box do menino. Ben sentiu arrepios se propagarem por todo o seu corpo. O que só piorou quando o amigo deixou seu pênis livre no ar.

Quando Gustavo se preparava psicologicamente para pôr aquele volume todo na sua boca quente, Benjamin protestou:

— Por favor, pare! Eu fui muito longe... – Ele começou a sentir um peso na consciência. – Porra, eu sou muito filho da puta mesmo, tenho uma pessoa a minha espera lá em Floripa. Não posso fazer isso contra ela, não posso magoá-la ainda mais do que já magoei.

— Sério? Eu não sabia, me desculpa. Eu sou o único responsável por isso – disse ele, erguendo a cueca do menino de olhos verdes, que terminou o serviço e, depois, levantou a sua calça.

— Eu sabia disso, eu... – Benjamin sentiu um descontrole emocional tão forte que quase começou a chorar. – Preciso ir ao banheiro agora, me diga onde fica?

— Entre naquele corredor ali e siga até a porta no final dele – instruiu Gustavo, se sentindo frustrado ao ver seu crush se afastar.

O menino de olhos verdes assim que trancou a porta do banheiro começou a chorar. Ficou diante da sua própria imagem no espelho. Odiava-se mais do que tudo por trair a confiança do japonês que tanto lhe amava.

Procurou seu celular para ver as mensagens esquecidas do Yuri, mas se lembrou de que ele ficou no bolso do seu casaco. Benjamin se sentou no vaso com a tampa fechada para chorar sobre suas pernas.

Como eu pude ser tão imbecil? Me diga, Benjamin... Como? Como pude beijar outro garoto sabendo que estou ficando com o Yuri? Ele vai ficar muito aborrecido comigo e com toda a razão. Estou brincando com os sentimentos dele e com os meus ao mesmo tempo. Novamente, serei o culpado por afastá-lo de mim. E agora, ainda terei um problema a mais, como encarar o Gustavo depois de quase transarmos?

Depois de uns minutos no banheiro, ele voltou para sala. O Gustavo estava pondo em uma mesa, que ficava no canto da sala, a bandeja com a torta de frango preparada pela sua avó e uns copos.

— Eu estou sem fome agora, me desculpe. Quero dormir, onde vai querer que eu fique esta noite?

— Tem um quarto vazio aqui. A cama está até com as cobertas usadas pela minha avó. Deixa eu te levar lá.

O menino de cabelos negros percebeu que o amigo tinha ficado chateado e antes de deixá-lo à vontade no quarto para se deitar, disse:

— Eu quero te pedir desculpas. Não sabia que estava com alguém, se soubesse eu não teria tentado te beijar. – Ele sabia que teria sim, já que desde que conhecera o menino teve vontade de fazer aquilo. – Eu só tinha ficado com um menino na minha vida toda e isso quando tinha treze para catorze anos lá em Erechim.

— Gustavo, eu que te peço desculpas. Não posso lhe retribuir algo a mais do que só a minha amizade. Se quiser ainda poderemos ser apenas grandes amigos. – Ele enfatizou aquela palavra dentre todas.

O moreno concordou mesmo a contragosto:

— Tudo bem! Sei lá o que eu estava esperando, mas certamente não queria namorar contigo, pode ficar tranquilo. Vamos dormir e pôr uma borracha nesta noite. Ninguém precisa saber o que aconteceu aqui, O.K?

— O.K. Boa noite, Gus!

Os dois deram um aperto de mão e o menino de olhos verdes ficou finalmente sozinho no quarto. Estendeu o cobertor e o edredom sobre a cama, apagou a luz e se deitou. Queria apagar a besteira que fizera para sempre da sua memória, mas isso não seria tão simples, ainda mais quando encarasse o Yuri nos olhos.

E por falar no japa, ele se lembrou de que tinha visualizado as mensagens do Yuri, mas não respondido, então pegou o telefone para fazer isso agora. De tudo que releu, o que mais mexeu com ele foi a frase: Em qualquer lugar que eu esteja, sempre penso no que estará fazendo e se estará pensando na gente.

O menino voltou a chorar, não se conformava em corresponder toda aquela expectativa com uma traição. Não sabia o que escrever para o oriental, mas sabia que não podia deixar de responder.

Então deixou os dedos deslizarem sobre o teclado digital do celular:

Oi!

Uou, às vezes acho que não mereço o seu amor, tu me ama de uma forma tão doce, que tenho medo de não corresponder à altura. O meu coração te deseja assim como o meu corpo, nunca pensei em te ver com outros olhos: meu, tu está do meu lado desde os nossos sete anos. Quando eu podia imaginar que o cupido flecharia os nossos corações? Agradeço de verdade a ele, acho que essa é a minha possibilidade de conhecer o verdadeiro amor ♥

Saudades, meu japinha do coração.

Te amo, amor! ♥

Benjamin foi embora da casa do amigo assim que acordou ao meio-dia. O Gustavo pediu para que o menino ficasse para provar a torta de frango, porém ele não tinha cara para encarar o gaúcho. Obviamente isso ficou bem claro quando o Ben recusou o convite.

O Gus fez um pedido antes de o menino se retirar da garagem, de que eles pudessem ser amigos independentemente do que havia acontecido na madrugada. O de olhos verdes prometeu que nada mudaria entre eles.

No resto da tarde, Benjamin aproveitou para lavar as suas roupas na máquina e ligar para a diarista que sua mãe havia contratado para limpar o apartamento e lavar as roupas do menino duas vezes por semana. Ele queria pedir para que a senhora não viesse no dia seguinte, sexta-feira, já que queria aproveitar o dia para curtir o Yuri.

O de olhos verdes estava ansioso para ver qual seria a reação do japonês ao ler a sua mensagem da madrugada, até agora, o menino não tinha visualizado a mensagem ou sequer entrado no WhatsApp.

Quando Benjamin acordou na manhã seguinte, percebeu que seu telefone estava vibrando sem tocar a música de chamada.Visualizou na tela antes de atender a ligação: Yuri chamando.

— Uou, tu me ligando... Desta vez, foi tu que ignorou as minhas mensagens no WhatsApp, que perfeito! – vociferou Benjamin com aquela voz rouca matinal. – Que aconteceu?

Caramba, que saudação calorosa, amor. O aplicativo não está rodando mais no meu iPhone e sabe lá Deus o porquê. Eu não tinha como te avisar caso me enviasse uma mensagem, por isso estou ligando hoje cedo.

— Boa! Mas não sei se tu sabes, agora, existe o WhatsApp no computador, não precisa mais mexer pelo celular, inclusive deve ser melhor para digitar.

Vou dar uma olhada nisso mais tarde, valeu pela dica. — E riu. – Então, Benzinho, estou te ligando pra avisar que lá pelas dez e meia da manhã vou sair daqui da ilha para te visitar aí em Blumenau. Acho que a viagem deve levar de uma hora e meia a duas, certo?

— Ah, depende do fluxo na BR 101, contudo geralmente levo de uma hora a uma hora e meia para fazer a distância entre as nossas cidades. Nem vou pra faculdade então, quero estar aqui para te receber, aliás, como vai fazer para chegar aqui se não conhece onde eu moro?

Pensei em você me enviar por Whats as coordenadas, pode ser? Daí sincronizo com o GPS do meu carro e vou bem de boa até aí.

— Ok! Só que tu estás sem Whats, se lembra, japinha?

Eita, porra! Agora, tu deu um de loiro que quase é. Eu vou poder entrar pelo PC.

— Quase loiro? Tu és daltônico ou és cego mesmo? Meu cabelo é castanho claro, há uma GRANDE diferença.

Há porra alguma, teu cabelo é muito claro, parece mais loiro do que castanho e os teus olhos são lindos. Melhor, tu é o meu lindinho.

— Cara, não venha puxar o meu saco – provocou ele, rindo em seguida.

Vá se foder! Vocês ocidentais também consideram todos os orientais como sendo japoneses, mas há uma diferença entre a gente. Mas não, pra vocês todos nós somos japoneses.

— O que tu tá falando, tu é japonês – terminou, gargalhando em seguida. – Tu, a Yu, teus pais, teus avôs e teus tios.

É por isso que eu te amo, Benzinho, sempre tão detalhista — caçoou ele.

— Ah, não, não mesmo. É só que não sou cego e conheço a origem da tua família, gato – cutucou ele, rindo ainda mais.

Tá certo, então! — disse rindo. – Nos vemos mais tarde, não vai se esquecer de me enviar o endereço por Whats. Te amo! Beijundas!

— Também te amo, japonês.

Assim que desligou o telefone, o menino de olhos verdes pegou o seu celular e buscou seu endereço no Google Maps, por fim, enviou por mensagem de texto para o outro. Não quis arriscar de o amigo não conseguir abrir o aplicativo pela Web.

O seu telefone tocou alguns minutos depois. Acabava de receber um SMS de volta do japa:

Caramba, eu nem me lembrava mais como enviava um SMS. Isso é tão arcaico, kkkk. Mesmo assim deu certo, consegui conectar meu celular ao GPS do carro. Tava pensando, vou passar em algum mercado para comprar um bom vinho, um bom queijo e levar a minha máquina de Fondue, não existe nada melhor do que beijar na boca com ela queimada, kkkk. Vou levar mais algumas paradas para cozinhar para tu hoje à noite saudades de fazer isso! Beijos ♥

Ben se pegou rindo enquanto mexia no álbum de fotos do seu celular algumas horas mais tarde. Ali havia fotos bem constrangedoras suas, da Bárbara, do Yuri, da Fernanda, do Arthur e do Pedro. Ver aquelas do seu amigo morto fez o rapaz sentir um nó dentro da garganta, sabe aquele que te faz querer soluçar de calafrios e te fazer chorar, entretanto as lágrimas parecem sólidas demais para escorrer, fazendo você ficar deprimido? Confuso, não? Pois bem, foi assim mesmo que o menino acabou se sentindo.

Um filme rápido passou pela sua cabeça ao ver a foto de todo o grupo no campus da UFSC, lá em Floripa, no dia em que todos eles estavam prestando vestibular para a instituição no final do seu terceirão, no ano anterior.

Ele podia sentir novamente o cheiro daquela grama ressecada pelo calor de quase quarenta graus e podia sentir novamente em seu tato a textura daquela bola que o grupo de amigos de infância estavam jogando enquanto aguardavam o horário indicado nos seus comprovantes de inscrição. Podia sentir toda aquela excitação dominando o nervosismo de um dia tão importante. Podia sentir a vibe de toda a sua turma reunida – isso fez que o Ben começasse a chorar. Sentia falta do Pedro mais do que tudo, sentia a falta de estar junto com todos os seus amigos. O menino estava quase tomando uma grande decisão que lhe atormentava desde a noite da festa com seus novos amigos. Ele considerava a hipótese de voltar para Florianópolis e se esforçar pelo resto do ano para ser aprovado por lá. Logicamente, estava esperando o Yuri lhe ajudar a raciocinar sobre o assunto.

E por falar naquele lindo japonês, a sua campainha tocou e advinha quem tinha acabado de chegar ao prédio? Isso mesmo, Yuri Takashi Neto. No momento em que os dois se encontraram no corredor do andar do Benjamin, foi uma explosão de alegria. Não refrearam o impulso de trocar um beijo bem especial aliado a um forte abraço, com direito a um rápido cafuné nos lindos cabelos lisos do oriental.

— Como tu tá tão lindo, japinha – elogiou Benjamin ao ver o novo corte de cabelo do amigo. O cabelo estava mais arrepiado do que de costume. Antes de levar o oriental para dentro do apartamento, ele deu outro beijo de língua no Yuri.

— Uou, meu amor, tu sentiu a minha falta pelo jeito.

— É que percebi nesta semana o quanto te amo de verdade. Estava sendo um pouco idiota contigo mesmo sendo tão bem tratado por ti.

— Pare de falar besteira e me convide para entrar. Sou que nem um vampiro, só posso entrar numa nova casa quando sou convidado pelo dono dela – brincou, fazendo o de olhos verdes rir.

— Yuri Takashi Neto, por favor, entre no nosso novo ninho de amor.

— Caralho, que apartamento top é este? – O japonês adorou aquela sala com uma sacada enorme. Depois foi conhecer o resto do apartamento, primeiro, Ben levou-lhe para ver o seu quarto, uma suíte com uma enorme cama de casal, um closet espelhado e ali havia outra sacada. – Banheira? É sério mesmo isso?

— Quer estreia-la comigo hoje à noite? – convidou Ben, piscando de relance. – Ainda não tomei banho aí, prefiro o chuveiro do banheiro principal.

— Mas nem precisa me chamar duas vezes, já quero até tirar toda a minha roupa aqui. – Depois, o japa conheceu os outros dois quartos e, por fim, a cozinha e a pequena lavanderia. A primeira peça tinha todos os móveis com tampo de granito embutidos nas paredes. – Adorei ver onde cozinharei um salmão para gente na janta de hoje.

— Yuri, quer se casar comigo?

— Só se for pra já. Deixa eu ir ligando o carro para te levar ao cartório mais próximo. Podemos passar a lua de mel em Londres e, mais tarde, dar uma passadinha em Roma.

Benjamin sorriu e empurrou o outro contra um dos armários da cozinha, apertando sua nuca com força, mordiscando os lábios do oriental, que foi pego de surpresa. De repente, partiu para o pescoço da vítima, tascando logo um chupão.

— Porra, assim tu me mata! – sussurrou Yuri pausadamente. As mãos do tarado estavam sobre seus glúteos malhados.

O menino de cabelo castanho começou a rir.

— Eu estou apenas lhe excitando, mas não vamos transar agora. Tá na hora de tu e eu assistirmos àquele filminho que tu tavas tão a fim de ver comigo.

— Qual? O Simplesmente acontece?

— Sim, gato. Li a sinopse e confesso que tem muito a ver com a gente; um menino e uma menina, que são amigos inseparáveis desde a infância. Têm seus encontros e desencontros de amor enquanto os anos vão passando. E ainda por cima, ele precisa se mudar de país para estudar medicina, se afastando dela.

— Exatamente! Ele acabou de chegar ao Netflix.

Benjamin passou a mão pelo corpo do amigo desde o umbigo até as coxas dele quando, de repente, abriu as pernas do oriental o máximo que pôde apenas para ter acesso à porta do armário atrás do seu corpo.

— Que cara de safadinho foi esta, hein, mocinho? – questionou Ben, puxando do armário um pacote de pipoca de micro-ondas.

— Eu é que sou o safadinho aqui? – Yuri deu um abraço nas costas do amigo, andando com ele até o eletrodoméstico, beijando seu pescoço enquanto Benjamin programava o preparo da pipoca. – Manteiga? É sério isso?

Os dois se ajeitaram no sofá para assistir ao filme na TV smart do garoto – o Yuri se deitou atrás do Benjamin em conchinha. É claro que para ficarem confortáveis, as almofadas tiveram que ser retiradas. Eles não trocaram sequer uma palavra durante todo o filme, prestaram totalmente atenção ao romance, ou quase... Uns beijinhos no pescoço e na orelha do de olhos verdes acabou rolando nas cenas mais doces do longa.

Passaram o resto da tarde, deitados, trocando beijos e mais beijos – até o momento em que rolou um sexo oral, alternado entre os dois, só que por hora não passou disso.

Yuri decidiu começar a preparar o jantar lá pelas sete e meia, sabia que o peixe demoraria um bom tempo para ficar no ponto perfeito para o consumo. Enquanto o japa foi para a cozinha, o de cabelo castanho saiu para comprar o vinho, que o amigo se esquecera de comprar na ida para lá.

No momento que Benjamin voltou, o japa terminava de arrumar os pratos e as taças para a bebida na mesa. Tinha se dado ao trabalho de organizar tudo como se estivessem em um fino restaurante.

— Olha só o que eu trouxe para tornar o nosso jantar perfeito.

— Caralho, velas? Tu és perfeito demais, Benzinho.

Logo, o cozinheiro da noite trouxe à mesa o que tinha levado duas horas para preparar. O salmão estava marinado em molho de mostarda com barbecue caseiro. O queijo que trouxera estava servido junto com o vinho caríssimo que o dono do apartamento acabou de comprar.

— Isto aqui é por nós, afinal de contas, merecemos curtir momentos tão apaixonantes iguais a este. Eu te amo muito mesmo, Benjamin Belucce Furlanetto.

O menino de olhos verdes quis chorar, novamente sentiu remorsos do beijo que trocara com o Gustavo e do que quase aconteceu entre eles. Ele queria poder contar a verdade para o japonês, porém tinha medo de como reagiria.

— Eu também te amo, japa. Quero me desculpar novamente pela forma como te tratei aquele dia que disse que vinha me visitar, sei lá o que eu pensei, talvez levei um susto, não sei. Estou muito feliz que tenha vindo hoje pra cá e ainda mais contente pelo lindo e creio delicioso jantar que nos preparou.

Durante o jantar à velas, eles conversaram sobre inúmeros assuntos. Falaram sobre a Bárbara e o Arthur, do quanto eles estavam sendo resistentes para conseguirem ficar afastados na sala do cursinho. Falaram sobre o fim do namoro da Fernanda com o Matheus e do namoro do Precoce com a colega da sua sala.

Quando Yuri perguntou sobre os novos amigos do Benjamin, o menino ficou com um nó na garganta tamanho nervosismo. Tratou, em questão de minutos, de mudar o assunto, perguntando sobre a Yumi.

Depois do jantar, eles se sentaram na varanda da sala para conversarem mais um pouquinho enquanto terminavam de beber aquela garrafa de vinho. A vista do lugar era magnífica, dava para ver boa parte dos comércios do bairro e uma pracinha com uma igreja colonial bem característica da cidade.

— Yuri, eu tenho algo para te dizer e que provavelmente não vai gostar de saber, mas peço para que não me odeio e nem me julgue. Eu não posso esconder de ti, afinal de contas, estamos ficando juntos agora.

O oriental se assustou. Seus pequenos olhos puxados se dilataram ao máximo para focalizar o rosto do menino.

— Meu, desembucha logo! Não me deixe ter um infarto aqui – dramatizou o japa, segurando a mão do amigo depois de ele demorar demais para continuar.

— É... – O menino engoliu a saliva, preocupado. – É que eu fiz uma coisa que só não foi ainda pior porque eu voltei a mim a tempo. – Postergou a notícia por mais algumas pausas enquanto dizia aquilo. – Depois daquela festa que eu fui com meus amigos, passei a noite na casa do Gustavo já que tinha bebido muito. Quando chegamos lá – o ar que entrava em seus pulmões parecia congelá-lo ao invés do contrário –, nós nos beijamos por alguns minutos e ele quase fez sexo oral em mim, mas eu não consegui prosseguir porque me lembrei de ti e não queria magoá-lo.

Yuri instantaneamente soltou da mão do Benjamin e empurrou sua cadeira para trás, tentando se afastar. Em um pulo ficou de pé, repousando a taça sobre o banco que estava sentado.

— Me magoar? Estava com medo de me magoar? Tem certeza do que está falando, seu desgraçado? E quando começou a beijá-lo, não? Tu é o mais otário que eu já tive o desprazer de conhecer na vida, cara.

— Yuri, por favor, me ouça... eu não fiz nada demais com ele. Estava bêbado, ele estava sem camisa, e tudo isso mexeu com meu cérebro. Mas quando me dei conta da burrada que estava fazendo, eu parei imediatamente e me afastei dele.

O japonês começou a rir sarcasticamente enquanto Ben tentava uma aproximação lenta.

— Benjamin, o que fez em muitos lugares, inclusive aqui já é considerado uma traição. Se não queria me magoar, saiba que foi muito além disso e ainda acabou com minha semana. Cadê este tal de Gustavo? Por que não o trouxe aqui esta noite, hãn? Ah, vai ver que é por isso que não queria a princípio que eu viesse para Blumenau.

O de olhos verdes tentou segurar um braço do japa, mas ele lhe empurrou contra o parapeito da sacada, foi por um pouco que o Ben não recebeu um soco no seu rosto.

— Não fale isso. Eu juro que não é verdade, eu não menti quando te disse mais cedo que te amo muito.

— Ama porra nenhuma! Quem ama não traí o amado ou a amada. Sabe quantas investidas eu recebo diariamente na faculdade ou na academia? Mesmo assim nunca sequer cogitei em te trair. Eu levo um relacionamento muito a sério, Benjamin. Te digo para fazer o mesmo, caso contrário ficará sozinho.

— Que traição? A gente não está oficialmente namorando ou estamos e eu nem sabia disso?

— Ah, Benjamin, vá se foder! – gritou se afastando, indo até o quarto e pegando a sua mochila com roupas.

— Aonde pensa que vai?

— Vou para a puta que pariu! Qualquer lugar onde eu tenha alguém que me respeite e retribua o meu amor.

Ben correu atrás dele assim que o viu destrancar a porta, apertando seu braço fortemente.

— Acabou de beber vinho, não pode sair daqui assim. Precisamos conversar, me perdoa, meu amor.

— Nunca mais me chame de amor, Benjamin. Tu precisas crescer muito para ter alguém como eu ao teu lado. Quero que morra!

Yuri saiu pelo corredor, não podendo mais segurar o seu choro. Benjamin também estava em lágrimas, parado na porta, enquanto via o japonês entrando no elevador.

— Por favor, Yuri, passe a noite aqui e, amanhã, tu podes ir embora quando eu for a Floripa.

— Vá pra puta que te pariu, Belucce. Nunca mais na sua vida medíocre me procure, se não, eu não responderei por mim.

A porta do elevador se fechou, separando os dois. O coração do Benjamin ficou em cacos enquanto o de Yuri, além de magoado, ficou carregado de ódio. A sua vontade era partir para cima do amigo e surrá-lo até quebrar algum osso dele.

O celular do Yuri começou a tocar assim que tirou o carro do estacionamento do prédio, era uma chamada vinda do de olhos verdes. Movido pela raiva, abriu a janela do seu carro e atirou o celular contra o asfalto, estando ele em alta velocidade.

As lágrimas do japonês faziam com que as luzes dos faróis dos outros carros e dos sinaleiros se parecessem com borrões brilhantes e dispersos no nada absoluto.

Notas finais
Como viram o capítulo foi um tanto longo por conta dos vários fatos, esta é a minha forma de deixá-los saciados do "Sem mais desculpas. Sem arrependimentos." - afinal, estou no final do semestre (um mês pro fim das aulas), então posso não ter tanto tempo para atualizar a fic. Enquanto tiver suas reviews, não desistirei da história dos dois. Estes dias entrei no meu perfil do Facebook e me ALEGREI DE VERDADE por ver inúmeras recomendações da história naquelas páginas de fics! =)) Morro assim! — Me diga qual foi a primeira emoção envolvida no capítulo para você? Té em breve, com a continuação! Amo e amo vcs! ~ Pety Braith