Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.
33 Capítulo trinta e três - Aqui é o meu lugar e nada do que me diga pode mudar isso
Notas iniciais
— Não! Eu já disse que não, Benjamin Belucce Furlanetto... Quantas vezes terei que dizer isso? – gritava Marisa. Ela, o caçula e o esposo estavam sentados no deck da sua casa e comendo uma sobremesa feita por Manuel. A noite já tinha caído, eles já tinham jantado e o relógio no pulso de Ben marcava vinte e uma horas.
— Quiridá, isto não é uma escolha sua – retrucou Benjamin sem esconder o tom de ironia exacerbada. – A vida é minha... Tu só és a minha mãe... Tens a tua vida pra cuidar...
Ele estava preparado para receber um tabefe daqueles, mas a mulher apenas bufou. A pele da mulher não estava mais com o seu tom natural, um branco levemente rosado, agora, estava mais puxado para a cor vinho intenso. Manuel não se intrometera até o momento.
— Benjamin, seu filho da... – A doutora refletiu no que ia dizer e calou-se.
O menino de olhos verdes desviou a atenção de sua mãe para continuar saboreando aquela sobremesa como se a discussão houvesse acabado ali.
— Olhe pra mim enquanto falo contigo, menino ingrato. Eu e o seu pai nos matamos dia após dia entre os hospitais e as clínicas para dar o que vestir, comer e gastar com suas fantasias e olhe só como reage. Juro que já me cansei das suas atitudes hipócritas e que estou no ponto de virar a cara para você pelo resto da minha vida.
— Nossa, que lindo, doutora. É isso mesmo, jogue na cara do seu filho tudo isso. Brilhante! Mesmo assim eu não voltarei atrás... Já me decidi e acho melhor aceitar ou ignorar a minha decisão.
Manuel fazia caretas enquanto comia, não aguentava mais os surtos de sua família. Se abrisse a boca, talvez, as coisas poderiam piorar ainda mais.
— Não! – berrou Marisa, socando energeticamente a mesa. – Eu já disse que não vai largar a sua faculdade bem agora que começou. Imagine só, voltar para o cursinho. Me recuso a pagar qualquer mensalidade dessa loucura. O seu amigo já melhorou bastante, não há necessidades de tu voltares a morar aqui em Floripa por causa dele. Acho que ele é bem grandinho e sabe se cuidar, além de que se o Yuri precisasse de cuidados especiais, a Nara e o senhor Yuri poderiam pagar muito bem uma enfermeira vinte e quatro horas por dia.
— Mas que caralho! O acidente do Yuri não tem nada haver com a minha escolha. Eu é que nem deveria ter feito aquela merda de matrícula. Só fiz aquela bosta por causa de você, Marisa Belucce Mion – bradou, gesticulando enquanto falava.
— Controle a sua boca, rapaz – intrometeu Manuel, ponderando com os olhos.
— Só pra tu veres o que tenho te dito, Manu... já passou a época em que os filhos respeitavam os pais.
— Talvez, se as mães desses filhos não quisessem
sonhar por eles, muito provavelmente, várias discussões seriam evitadas. Mas não, tu quer mesmo sonhar por mim e me proibir de fazer o que bem desejo.
— Não é isso que estou falando, só não quero tu metido novamente numa sala de cursinho sem nenhuma chance de passar só pra ajudar o seu melhor amigo. Isso é muito estranho, não acha?
— Isso o quê?
— De ser louco de abandonar uma vaga conquistada de medicina para voltar ao cursinho e nem ter a certeza de sucesso.
— Se dependesse das suas palavras de mãe, eu realmente estaria fodido e nem a pau conseguiria ser aprovado. Como já disse não me importo em passar dois ou três anos numa sala de cursinho. Porra, eu só tenho dezoito anos!
— E só por ter dezoito pode perder anos à toa?
— Eu já disse, mãe, eu vou voltar pra Floripa e não adianta a senhora insistir e ser do contra.
Ela olhou para o marido como se exigisse um reforço por parte dele, só que ao invés disso, o homem se levantou e foi terminar sua sobremesa sentado no sofá da sala, alguns metros dos dois.
— Eu vou conversar com o japa para que ele enfie na sua cabeça um pouco de juízo. O meu filho só pode ter ficado louco em abandonar uma vaga tão concorrida.
— Vá se foder! Não ponha o Yuri ou qualquer outro amigo meu no meio da conversa. Eles não têm nada haver com a minha decisão.
Foi só o tempo de Manuel se preparar para gritar... E BUM! Benjamin levou um soco no meio da cara. Marisa nem se deu ao trabalho de abrir a mão para esbofeteá-lo. A mulher quis causar mais dor. Ele sentiu os músculos do seu rosto vibrarem em ressonância com aquele estímulo voraz.
— Tu vais aprender a me respeitar, seja na dor, ou seja, por livre espontânea vontade. Enquanto morar na minha casa, você vai seguir as minhas decisões e pronto!
— Benjamin! Isso já foi longe demais, uma coisa é ser grosso e outra bem diferente é mandar a sua mãe se foder, cara. Peça desculpas a ela imediatamente.
— Não vou pedir porra alguma, ela me levou a isso. Eu já estou cansado da doutora Marisa se metendo na minha vida e na do meu irmão. Cansei, quer me expulsar de casa, me expulse. Tenho certeza que não ficarei na rua por muito tempo, há pessoas lá fora que me amam muito mais do que ela.
A mulher começou a chorar com os nervos à flor da pele.
— Eu ficarei em Florianópolis, sim, senhora...
— Já chega disso! Vocês dois já foram longe demais. Marisa, outra hora a gente conversa sobre isso.
— Não, meu pai, este assunto já está acabado aqui. Eu não vou estudar medicina naquela faculdade. Quero ficar aqui e peço que respeitem a minha decisão. Vou me matricular novamente no cursinho semana que vem.
Manuel chacoalhou a cabeça em desapontamento.
— Vá para o seu quarto, Benjamin. Não quero vê-lo aqui embaixo pelo resto da noite. Faça o que estou mandando agora, por favor.
— Sem problemas, pai – concordou, deixando a mesa. Logo, começou a massagear sua bochecha vermelha.
Pelo resto da noite, Benjamin permaneceu em seu quarto, ouvindo músicas no Youtube e esperando a visita do seu pai. Ele tinha certeza de que Manuel viria dar uma lição de moral pela forma como tratou sua mãe, só que para a sua surpresa, o homem não veio.
No dia seguinte, uma quarta-feira chuvosa, o menino foi totalmente ignorado pela sua mãe na mesa do café, a começar de que ela nem pôs as louças para ele, só para ela e o filho mais velho. Por falar no irmão, ele já soubera pela mãe sobre a discussão da noite passada.
— Quer dizer então que vai voltar pra essa casa, Ben? – cutucou Miguel. Marisa se retirou da mesa no mesmo segundo, levando consigo sua xícara e pedaço de bolo caseiro.
Benjamin nem deu importância, pegou uma xícara de um armário que ficava no deck e se sentou à mesa com o irmão.
— O negócio aqui deve ter sido mesmo horrível, hein. Afinal, para ela chegar nesse ponto de excluí-lo do café e se retirar...
— Miguel, eu só estava cansado de ter ela se metendo em tudo que queremos fazer. A gente tem só uma vida para viver, cara. Se ela fez as escolhas erradas na dela, não podemos pagar por isso.
— Tu realmente tens razão! Eu já tenho que dar no pé porque estou atrasado para a minha prova de cálculo estequiométrico que será às dez.
— Vá mesmo porque já são nove horas, e até o centro é uma boa pernada – concordou Ben, conferindo seu relógio de pulso.
— Fique aí com a sua mãezinha quiridá. Falou! – debochou, rindo e saindo pela porta da sala que dava acesso ao andar inferior, onde ficava a garagem e os equipamentos de academia da casa.
Ben terminou de se arrumar, pegou uma mochila com roupas – tinha combinado de passar a noite na casa da Bárbara após sair do hospital naquele dia. Fez tudo isso assim que terminou seu café. Até o momento em que saiu de casa, ele não deu mais nenhuma vez de cara com sua mãe.
Sabia bem que a mulher conseguia ser um verdadeiro pé no saco toda vez que queria. Benjamin estranhou o fato de seu pai não se envolver naquela discussão, normalmente, ele apanharia por ter mandado sua mãe para aquele lugar. Só que já estava realmente cansado de deixá-la conduzir a sua vida.
Quando entrou na sala de espera reservada para a família Takashi no hospital em que Yuri estava, o menino de olhos verdes deu de cara com o senhor Yuri saindo com uma cara de poucos amigos. O empresário deixou sua filha em prantos no lugar.
— Bom dia, senhor – cumprimentou por educação, sendo ignorado pelo japonês trajado num dos seus melhores blazeres.
O garoto queimou em cólera.
— Oi, Benjamin... que bom vê-lo, meu amigo – disse a menina, enxugando os olhos com o dorso da mão.
— O que aconteceu aqui, Yumi? – preocupou-se ele.
— Relaxa, só mais uma das mesmas discussões com o Sr. dono da razão. Eu realmente prefiro não falar sobre isso agora, me desculpe.
Ele apenas sorriu com os lábios cerrados.
— Não sabe da melhor...
— Quê? – Benjamin tinha adorado a entonação da japonesa ao começar aquilo. – Vamos lá, Yumi, me diga logo.
— O Yuri saiu dos aparelhos de respiração nesta madrugada, mas ainda não consegue falar por causa das microlesões daquele cano horrível que estava na sua traqueia desde sábado. Assim que ela desinchar, voltaremos a ouvir aquela voz maravilhosa, Ben. Estou tão feliz!
Um largo sorriso tomou conta da expressão facial dos dois. Ele abraçou a irmã do seu amigo bem forte, mal contento as lágrimas de excitação.
— Ele continuará na UTI ainda assim?
— O doutor me disse que se ele continuar se recuperando dessa forma, amanhã mesmo, será transferido para um quarto na ala semi-intensiva. O que eles ainda estão cuidando bem de perto é a oxigenação nos tecidos fundamentais do Yuri, por isso nos disseram que dali ele vai pro semi.
Ben assentiu com a cabeça como se tivesse entendido tudo. Ele concluiu que o japa estava fora de risco ao mesmo tempo em que não estava.
— E deixa eu te contar, a doutora deu uma dica para gente se comunicar com ele: deixar ele escrever num bloco de notas o que queria dizer para gente enquanto falamos com ele. E já deu certo, eu fiquei uns dez minutos lá dentro conversando com ele dessa forma.
— Nossa que coisa maravilhosa! Eu queria tentar isso com ele, mas estou com um pouco de medo de como ele pode me tratar.
Ela riu.
— Acho que pode ficar bem tranquilo em relação a isso, a primeira coisa que me escreveu foi: Yu, cadê o Benjamin? Ele já voltou para Blumenau ou ainda está na ilha? Eu estou morrendo de saudades do abraço dele. Aquele outro dia, nem pude deixar de ver o quanto ele me ama.
— Caralho! Ele disse realmente isso?
— Cada palavra. Daqui a pouco, às onze da manhã, ele pode receber uma visita de dez minutos. Quero que vá lá dentro e aproveite o máximo que puderem para conversarem.
— E sua mãe?
— Ela posou aqui esta noite, então foi pra casa antes das oito. Acho que só vai voltar pelo fim da tarde.
Benjamin deu outro abraço na amiga. Tinha a certeza do quanto a Yumi apoiava a sua relação com o irmão dela, embora tivesse para si que era mais por conta do Yuri do que por ele.
Era dez para às dez quando a menina disse aquilo para ele. Imagine só como o Furlanetto ficou daquele momento até o horário permitido para visita. Ben estava todo afobado e um pouco nervoso, parecia até que seria a primeira vez que conversaria com o Yuri.
Foi conduzido até o quarto por uma enfermeira bem gentil, que perguntou sobre a amizade, ela supôs que aquela deveria se tratar de uma de longa data, já que não teve como não notar naquela semana o quanto a presença do menino de olhos verdes foi constante no hospital.
Quando ele entrou no quarto particular do japonês, encontrou o amigo dormindo, pensou em deixar sua visita para lá, mas não queria perder a oportunidade de ficar um tempinho a sós com o Yuri. Foi se aproximando bem devagar para não acordar o outro de repente.
Conseguiu ver que os lábios do amigo estavam rachados, o que acreditava ser culpa da pequena máscara do aparelho de ar que permaneceu ali por tantos dias. A única coisa boa era que o rosto do Yuri já começava a voltar ao seu aspecto normal, graças à redução dos hematomas.
Benjamin começou a afagar os cabelos soltos do amigo carinhosamente enquanto alisava a pele do braço não engessado. Sentiu calafrios quando Yuri despertou e abriu os seus olhos puxados e esboçou um sorriso não tão largo quanto costumava fazer.
— Olá, meu amor, como tu estás nesta manhã? Eu fiquei muito feliz por saber que consegue respirar por conta própria.
Os batimentos cardíacos do menino começaram a aumentar freneticamente e foram denunciados naquela pequena tela de LED, que monitorava a frequência respiratória, a oxigenação sanguínea, o nível da taxa metabólica (indicando as funções do seu organismo) e a pressão sanguínea.
O japa apertou um pequeno botão de um controle preso no seu punho, que alternava a posição da cama entre deitado e sentado. Quando conseguiu ficar na posição de sentado, indicou para o Ben o bloco de notas logo atrás, na escrivaninha, ao lado da poltrona de descanso para visitantes.
— Errr.... – Ele tentou falar algo, mas a dor e falta de força dos seus músculos na garganta impediram a formação de qualquer palavra.
— Hei, japa, pare agora com esta porra de querer forçar suas pregas vocais, sabe muito bem que deve ficar quietinho para se recuperar bem – vociferou Ben, entregando o bloco de notas.
Vai se foder — foi a primeira coisa que ele escreveu na folha, mesmo na forma mais garranchosa que pôde.
— Sério?
Benjamin começou a gargalhar, tentando modular o som que produzia a fim de não incomodar os outros leitos.
Tu pode repetir tudo aquilo que me falou aquele dia aqui mesmo?
— Não, não posso – brincou o menino de olhos verdes, conseguindo uma cara de desaprovação do outro. – Eu pedi desculpas sinceras e declarei todo o meu amor por ti. Yuri, eu realmente não poderia viver sem ter o seu amor. Eu quero ficar contigo e somente contigo para sempre mesmo... – Ben começou a ficar emocionado. – Porra, olhe só o que estás fazendo comigo...
Benjamin esperou um tempo para ler o que o Yuri estava escrevendo com tanta pressa naquela folha.
Eu quase morri, não é verdade? Mas juro que preferia ter morrido naquele acidente do que te ver com outra pessoa. Tu sabe que não tenho medo de expressar o que sinto e o que penso sobre você. Eu te amo demais, não sei bem o porquê te amo profundamente, mas amo e isso basta para mim. Eu não pude responder aquilo que estava me dizendo noutro dia, mas vou cobrar o jantar e aquele pedido lá. =D
— Seu besta, é isso mesmo que tu és... o besta mais lindo da minha vida – disse aquilo sem controlar as lágrimas. Yuri segurou na sua mão e começou a sorrir, imaginando que aquele era o momento mais perfeito que já tiveram juntos. – Trate logo de dar o fora daqui, porra, até parece que quer trabalhar num hospital.
Os dois riram, mas o japonês sentiu aquele mesmo desconforto no seus músculos da garganta. Yuri soltou da mão do amigo e escreveu:
Me beija?
Ben nem respondeu, aproximou logo os seus lábios, tentando ser o mais delicado possível. Ele não aprofundou o beijo para um de língua por medo de forçar a musculatura fragilizada do outro. Tiveram que se contentar com um longo e saboroso selinho e com suas mãos passando pelos fios do cabelo um do outro.
— Fiquei com tanto medo de não poder fazer isso de novo, Yuri. Não sabe o quanto a sua situação delicada me deixou aqui nestes dias. Hoje, é o dia mais feliz para mim e só por saber que está respirando sozinho.
Benjamin não sabia as regiões do corpo do outro por onde podia deslizar a mão, já que o tórax e o abdômen do amigo foram abertos e operados recentemente. Yuri se sentia um impotente por não poder responder à altura as palavras do seu amigo.
— Nem te falei que eu vou ficar em Floripa. Não quero mais voltar para Blumenau, o que acho que será ótimo para a gente e para a nossa relação. O que acha da notícia?
O oriental afastou a sua única móvel para pegar outra vez o bloco de notas. Ben, que estava sentado na ponta da cama, ajudou o outro e ficou aguardando a sua resposta.
— Não posso crer que está falando sério...
— Só não estou como até já falei com meus pais e vou voltar pro Energia segunda-feira – interrompeu sua própria leitura para comentar.
— Se estiver, eu não tenho como te agradecer. Porra! Seria incrível para a gente estar juntos realmente, tanto presencialmente quanto emocionalmente. Embora queria isso, não posso tolerar vê-lo desistindo do seu sonho. Só concordaria com isso se me permitir ajudá-lo nos estudos...
— E a quem mais tu acha que eu pediria ajuda? Ao Frederico? Nem ouse me abandonar, Yuri Takashi.
Yuri sorriu com o canto dos lábios e continuou a olhar o menino de olhos verdes com o coração cheio de emoção.
— Tenho certeza que seus pais não devem ter concordado com isso, mas se é isso mesmo que quer pra a gente, eu aceito numa boa.
Benjamin terminou de ler e se aproximou para dar um selinho no japa. Ao fazer isso, foi surpreendido com a língua invasora do amigo, então não conseguiu resistir e retribuiu a invasão. Yuri ignorou o pouco de desconforto que sentia, estava nem aí para ela.
Quando seus lábios se distanciaram, a mesma enfermeira que conduziu o menino até ali veio anunciar o fim da visita.
— Lamento, mas são as regras da Unidade Intensiva— disse após ver os dois olhando com uma cara de pedinte.
— Nós dê mais um tempinho a sós – pediu o menino de cabelos castanhos, mordendo os lábios.
Ela assentiu com a cabeça e se retirou.
Yuri olhava para Ben como se dissesse: não me deixa sozinho aqui, não. Por favor, me leve contigo.
— Bem... eu acho que o nosso tempinho juntos acabou outra vez. – Torceu os lábios, desapontado. – Por favor, Yuri, saia daqui logo e vá para a casa. Não teremos ninguém lá que possa nos proibir de ficar um pouco mais juntos.
— Eu farei de tudo para me recuperar de uma vez por todas só para tê-lo novamente sobre o meu corpo nu e poder tocar cada parte do seu — escreveu muito rapidamente.
Yuri piscou para ele e recebeu um sorriso todo safado em resposta.
— Eu te amo – afirmou Ben, dando um selinho e afagando muito rapidamente os cabelos já bagunçados do oriental.
Foi muito difícil sair daquele quarto mais uma vez, porém a enfermeira voltou para apressá-los. A mulher não concordava com os protocolos do hospital e não assegurar mais do que quinze minutos de visita aos quartos da UTI, só que regras eram regras e deviam ser cumpridas.
Yumi começou a rir quando viu o menino entrar na sala de descanso com um rosto todo alegre e com aquele sorriso gigantesco, que parecia capaz de devorar a lua. Ela sabia que aquilo significava que os dois meninos tinham tido um encontro rápido, mas muito excitante. E quando ela pensou em excitante, estava pensando em algo tanto sentimental quanto carnal mesmo.
Depois, os dois saíram do hospital para irem almoçar. Benjamin estava decidido a tirar da japonesa alguma confissão sobre o que presenciou ao chegar no hospital naquela manhã.
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