Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.
36 Capítulo trinta e seis - É tão perfeito o que sentimos aqui
Notas iniciais
— É serio mesmo, abaixe um pouco a minha perna...
— Assim está bem, Ben?
— Sim, porra! Já tava cansado de reclamar de tanta dor – reclamou o de cabelos claros. Estava com uma cara de alívio. – E vá mais devagar, que não sou seu boneco inflável. O meu reto deve ter um limite máximo para suportar a força da sua penetração.
Yuri começou a rir sem parar a penetração. Depois daquilo, decidiu trocar de posição e pôs o menino deitado de lado na cama e dobrou as pernas do de olhos verdes em uma posição fetal enquanto procurava se posicionar novamente para outra penetração.
— Ahh... assim está muito melhor! – agradeceu, Benjamin, mordendo os lábios do namorado assim que o oriental se curvou para frente com seu corpo.
— Eu vou gozar!
— Mas já?
— Acha mesmo que sou um super-herói para aguentar por vários minutos sem gozar?
Ben riu, arranhando o peito desnudo do outro e parou onde sentiu a pequena cicatriz donde foi retirado o sangue que banhou os pulmões do acidentado.
— Quero que seja dentro de mim, O.K?
O menino assentiu mordendo seus lábios com um olhar bem safado. Os segundos seguintes foram de puro êxtase para os dois. Ben sentiu um líquido aquecido inundar a sua região anal, acompanhado por um gemido seu de prazer. Yuri quebrou-se sobre o corpo irresistível do de olhos verdes e sentiu por um breve momento como se tivesse hipotonia muscular ao descansar lentamente sobre o corpo do outro sem tirar o seu pênis de dentro dele. (*hipotonia muscular = um quadro fisiológico onde os músculos perdem sua força e se tornam flácidos).
— Meu caralho, quantas vezes temos que fazer isso para sentir o mesmo prazer? – sibilou Yuri, se jogando para o lado para limpar o seu membro ereto com lenços umedecidos cedidos pelo motel.
A propósito, Yuri adorou a escolha de motel feita pelo seu namorado. Um bem restrito no extremo sul da ilha. O quarto onde ficaram tinha colchão de água, não tão flácido quanto os mais vagabundos seriam. Espelhos circundavam todo o quarto em uma disposição de trezentos e sessenta graus.
— Eu quero te comer dentro da hidro – confessou, Benjamin, se jogando em cima do outro, a poucos centímetros de beijá-lo. – Mas primeiro vou me limpar, O.K, amor?
— Acha mesmo que é preciso? Eu não importo de continuarmos com você todo cheio da minha porra. – Começou a rir, mas logo levou um soco no peito, que lhe fez gritar.
— Eu sempre me esqueço de que você ainda está se recuperando – desculpou-se, todo envergonhado, se pondo de pé.
— Eu achei que ia ganhar um beijinho seu antes de tu ir pra lá – murmurou Yuri, fazendo pico de pato. – #Muito Chateado.
O menino de olhos verdes voltou e deu apenas um selinho, embora quando estava saindo da cama, foi puxado contra o peito do Takashi. O oriental o prendeu com as suas pernas e os seus braços em forma de pinça.
— Eu te amo absurdamente! Eu te amo absurdamente! Esta noite nunca poderia ficar mais perfeita do que já está. Muito obrigado por se permitir ser só meu.
Ben ficou envergonhado e escondeu seu rosto naquele monte de músculos espalhados no peito do Yuri.
— Agora, vá se limpar!
O Furlanetto deu um baita beijo de língua no namorado e saiu. Só que antes, Yuri conseguiu encaixar um tapinha naquelas deliciosas nádegas esbranquiçadas.
Os dois foram acordados na manhã seguinte, às nove e meia da manhã, com o toque chato do celular do Benjamin.
— Desliga esta porra, por favor, meu amor.
— Calma, é a minha mãe! Mas que droga mesmo!
Ben flertou com seu telefone por mais alguns segundos antes de atender.
— Alô, Dra. Marisa, não há nenhuma emergência para ti hoje aqui no hospital. Muito obrigado pelo contato!
— HA, HA, HA! – soltou ela, sarcástica. – Onde o senhor está à uma hora dessas? Até onde eu sei, tu não posaria na rua e, para piorar com tudo, nem um mísero telefonema esta puta da sua mãe merece, não é?
O menino virou os olhos para cima, percebendo que ela estava com raiva.
— Eu disse para o pai que iria posar na casa do Yuri esta noite, mãe. Não há motivos para pânico, O.K, senhora?
— Engraçado, mocinho, que acabei de falar com a Nara ao telefone, já que, primeiramente, seu telefone caiu direto na caixa de mensagens. E o mais engraçado é que ela me disse que nem tu e nem o japa posaram em casa. Ela não ligou para ele também? Me diga agora onde está. Odeio mentiras, Benjamin Belucce! Odeio isso demais!
Em um motel, se quer saber — foi o que quis dizer automaticamente. Mas preferiu repetir o que ouvira:
— Quer dizer que ligou para a Nara agora a pouco para stalkear o meu paradeiro? – Quis evidentemente chamar a atenção do namorado, que, de repente, se sentou na cama com os olhos arregalados.
— É isso mesmo que eu disse, Benjamin. Porque anda mentindo tanto para mim e para o seu pai? Eu quero saber por onde esteve a noite toda?
— Mãe, para de dar crise, por favor, eu não sou obrigado a viver sob tanta pressão vinda de você. – Ele estava enrolando para encontrar alguma desculpa cabível. – O.K, O.K, eu e ele íamos para o apartamento da família dele, só que a gente ficou tão bêbado, que nós preferimos passar a noite num hotel perto do barzinho que fomos com alguns amigos da faculdade do japa.
O Yuri fez uma careta para o menino como se dissesse: nos entregue de uma vez, cara. Benjamin respondeu levantando os ombros como se não tivesse nada melhor para dizer.
— Me desculpe não ter te avisado! Não achei tão urgente o que aconteceu. Só bebemos demais da conta e não quisemos nos sujeitar ao volante. Devia estar orgulhoso do seu caçula, isso, sim!
— E quem mais passou a noite com vocês? A Bárbara? O Arthur? Algum outro amigo em comum?
— Por que isso importa? Eu não sei até aonde quer chegar, mas se quiser perguntar alguma coisa, que o faça de uma vez! Odeio jogos ocultos! Vá direto ao ponto, mãe – cuspiu, sem controle das suas palavras.
— Ué, eu tinha que saber o porquê de nenhum outro amigo de vocês oferecer carona para preferirem passar a noite num hotel — respondeu enérgica. – Eu tinha que saber de alguma coisa que prefere me esconder? Se for o caso, aproveite que não está na minha frente.
— Mas que porra, mãe! Já chega! Daqui a pouco, vou para casa e se quiser mesmo criar uma discussão que façamos isso em casa pelo menos. Os meus amigos não precisam participar involuntariamente dessa palhaçada.
— Que machinho, tu ficou agora! Está querendo me desafiar, é isso mesmo, produção? — replicou ela irônica. – Só venha para a casa agora mesmo!
Ela desligou o telefone na cara dele. O menino já se preparava para treplicar ela.
— Filha da puta! – gritou ele, jogando seu telefone longe da cama, que se partiu em dois na parede.
— Uou, amor, acalma-se, por favor!
— Ah, vá se foder, Yuri! Não venha com essa porra de amor, acalma-se. Eu estou fodido da cara com a minha mãe. Não aguento mais ela de forma alguma! Ela só me enche o saco e fica no meu pé! Preciso passar logo nesta porra de vestibular para enfiar isso na cara daquela...
— Eita, eita, eu estou aqui... Eu estou aqui, viu? – repetiu novamente assim que tentou virar o rosto do namorado e ele empurrou a sua mão com força. – Eu te amo, viu? A gente está junto nessa, se lembra? – Só então Benjamin se permitiu ser abraçado pelo oriental e deitar sua cabeça no ombro dele. – Seja lá o que ela falou para ti, a gente pode dar um jeito. Tudo vai ficar bem! Tudo mesmo! – enfatizou, alisando e beijando, em seguida, a testa do zangado.
— Tenho certeza de que ela desconfia de alguma coisa. Ela foi tão desgraçada ao dizer: tu ficou machinho agora! Aquela mulher não tem coragem de me perguntar se sou gay ou não. Se ela já desconfia, por que não pergunta?
— Ben... isso não quer dizer que ela sabe de alguma coisa. Isso só significa que ela ficou com raiva pela forma como respondeu ao telefone. Não se estressa com isso. Não agora pelo menos!
— Cara, tu não se lembra do que eu te disse que a Báh ouviu do meu pai lá no hospital enquanto te visitava?
— Sim, algo do tipo de negarmos o que sentimos um pelo outro e algo sobre as nossas brigas. Mesmo assim isso não garante que o doutor Manoel saiba de nós. Se ele soubesse, tenho certeza de que ficaria todo enfurecido e partiria para cima da gente com um monte de perguntas.
— Yuri, tu não conhece mesmo os meus pais. Se eles souberem de algo, estão evitando perguntar para ter o verdadeiro desapontamento. Os dois prefeririam se enganar até onde desse.
— Só que a tua mãe, me desculpe dizer, é louca como a minha. Tenho absoluta certeza de que quando souber fará o mais escândalo e vai acionar todas as sirenes das ambulâncias contra mim, e pagará um vingador do futuro para me executar lá no passado.
Benjamin riu mesmo contra vontade.
— Pode dizer mesmo... Ela é muito louca! Não sei como alguma mulher pode sujeitar seu parto a ela.
— Hei, uma coisa não tem nada haver com a outra, gato. O fato dela ser uma mãe superprotetora não diminui a sua idoneidade como médica. Quem fala agora não sou eu, mas a minha mãe que é paciente dela há vários anos e os meus veteranos que têm aulas com ela, no HU, de ginecologia, na sexta fase.
Ben arqueou as sobrancelhas, se sentindo contrariado e acabou mostrando um dedo do meio para o namorado.
— Estou sem vontade alguma de ir para casa depois de um telefonema igual ao que recebi dela agora.
— Então vamos passar o dia juntos. A gente pode ir lá para casa, pegar duas sungas e coisas de praia, pegar a Yumi, ligar para o Arthur e a Bárbara e cair na estrada em direção alguma praia de Floripa.
O outro pareceu pensar por uma eternidade antes de responder:
— É claro! Isso seria perfeito, não seria? Então pega o telefone e liga para eles, afinal acho que o meu celular não vai voltar a funcionar mais. – Terminou aquilo franzindo a testa e rindo baixo.
Yuri jogou os ombros do namorado em direção à cama e virou-se para beijá-lo bastante.
— Yumi, tu não tem nada de fato para fazer hoje à tarde. Trate logo de colocar algum biquíni, pegar a sua tanga favorita e separar as cadeiras para a gente usar na praia.
— É isso mesmo, mocinha, nada de decepcionar o seu novo cunhado! – gritou Benjamin enquanto permanecia ao volante e prestando atenção na estrada.
— O Ben disse...
— Eu escutei claramente o que o Furlanetto disse a plenos pulmões aí no carro. Coloque o telefone no viva-voz porque tenho que dizer algo para ele.
— O telefone já está há mil horas no viva-voz, Yu-Yu – informou o menino de cabelo claro.
— Seus filhos da puta! E eu achando que não! Me senti ridícula agora perto do Ben, já que estava me fazendo para não ir junto com os dois filhos da puta à praia.
Os meninos riram bem alto.
— Agora, o que ia me dizer, Yuuuuuuuuuuuuumi?
— Quer saber? Vão à merda, meus amores. Perdi a vontade de falar o que iria dizer.
— Ah, não! Não faça isso comigo, japinha mais do que perfeita – insistiu Ben.
— Nada mais a proferir! Estou esperando por vocês aqui. E fique tranquilo, Yuri, a nossa mãe não disse nada sobre terem mentido para a Dra. Marisa. Inclusive, ela já saiu para almoçar com suas velhas amigas da faculdade.
— Se forem mesmo as da faculdade, ponha velhas nisso, Yumi!
E eles gargalharam, ignorando o fato daquilo ser tão grosso.
Yuri, Ben e Yumi se encontraram com a Bárbara e o Arthur após as duas e meia na praia de Canasvieiras – uma praia do norte bem frequentada em dias ensolarados como o daquele. Os dois novos namorados aproveitaram para comer a macarronada preparada pela Yumi para ela um pouco antes de ser convidada, melhor, intimada a ir à praia com eles.
O Arthur tentou ignorar o momento em que sua namorada encheu os seus dois amigos de perguntas de como foi o pedido de namoro e do jantar. O menino ainda não conseguia assimilar muito bem a ideia de que dois dos seus melhores amigos eram gays e de que esses dois estivessem mantendo uma relação mais íntima.
O namorado da Bárbara achava aquele tão estranho, uma vez de que até um ano atrás os três na companhia do Pedro, do Josh e do Fred, tão incipientes em baladas após completarem seus dezoito anos, vasculhavam cada uma delas atrás de um mesmo objetivo: garotas solteiras ou desacompanhadas que pudessem transar com eles.
— Eu e a Bárbara estamos pensando em fazer um camping em final de semana antes da competição intraestadual de vocês de natação, em novembro, em algum lugar maneiro do Rio Grande do Sul – informou Arthur, na tentativa desesperada de mudar daquele assunto em que o grupo já estava há mais de uma hora.
— Porra, isso é verdade, meninos. E queremos chamar vocês para fazerem isso com a gente. Só os casais! A Yumi pode ver se o Camilo vem pra cá, não pode, japinha?
— Claro que posso, mas se ele não vier, vocês vão sem mim.
— Aí não tem graça, gata – afirmou a ruiva, abraçando a japonesa, que sorriu com os olhos.
— Mas por que escolheu o Rio Grande, Báh? – perguntou Yuri.
— Foi só uma opção, mas podemos ir para a serra catarinense também. Isso é mais um detalhe mesmo.
— O feriadão do dia das crianças seria uma boa, não acha? – sugeriu Benjamin. – Assim acho que até facilitaria para o seu namorado, Yu, porque ele não precisaria perder aulas.
A menina assentiu com a cabeça, ainda abraçada à ruiva.
— Se formos no feriadão, podíamos fazer um camping pelo Chile. Tipo, iríamos de avião até lá e de lá, andaríamos pela Cordilheira dos Andes por três dias, sempre dormindo sob o céu aberto – comentou Arthur, recebendo um selinho da sua namorada.
— Por que eu digo que amo tanto o meu carioca mesmo?
— Caramba, pior que é uma baita ideia, não é?
— Sim, Yuri – respondeu a irmã dele. – Tenho certeza que o Camilo jamais recusaria a um convite tão legal desse.
— Combinado, it’s gonna be awesome! (vai ser incrível!) – disse Benjamin, apertando uma perna do japa. – Deixa eu destravar o meu inglês para a viagem, então.
— Cê não sabia que a América Latina fala majoritariamente espanhol, meu burrinho? – brincou Báh, abrindo um largo sorriso enquanto prendia seus longos cabelos num rabo de cavalo.
— Déér! Saber eu saibo, mas como não manjo do espanhol, mas no inglês mesmo.
— E por que será? – zou Yuri, se referindo ao erro proposital do namorado.
— A gente veio aqui para papear mesmo? Porra, olha só que incrível está o mar hoje. Bora, cairmos todos no mar!
Todos olharam para o estraga prazeres do Ben antes de começarem a simular alguns chutes e pontapés fracos contra o menino de olhos verdes, que começou a gargalhar sozinho.
— Mas e as nossas coisas? – perguntou Bárbara quando todos se dirigiam à água.
— Relaxe, todos a nossa volta estão fazendo o mesmo. Aliás, não temos muitas coisas para serem roubadas, não é mesmo? – respondeu Arthur, puxando a namorada pelos braços, o que fez os dois tropeçarem e caírem sobre a areia.
— Eiiiiiilaiá! – gritou Benjamin, correndo na frente do namorado e se adiantando ao dar o primeiro mergulho. – Porra, isso está muito frio! Friooooooo!
— Mas que viadinho – brincou Yuri, com um sorriso.
— Venha cá que mostrarei quem é o viadinho, seu viadinho— provocou o Belucce, se jogando em cima do outro.
Os dois caíram na água e mergulharam em seguida. Ben pôde sentir uma mão do namorado se fechar com força em torno dos seus glúteos contidos na sunga. A tarde de praia se estendeu além do pôr do sol e acabou na sorveteria.
— Eu não quero acabar com o clima de diversão do nosso fim de semana, Benjamin, porém, acho melhor tu ir agora para casa – disse Yuri a sós num canto do lugar. Ele parecia preocupado.
— Poxa, está querendo me ver bem longe de você.
— Claro que não! Por mim passaríamos todos os minutos juntos, tu sabes bem disso, só que já são quase sete horas da noite. Nem sei como seus pais não ligaram para ti ainda.
— Se esqueceu de eu quebrei meu celular mais cedo? – lembrou o menino enquanto ria e engolia um pedaço da bola do seu sorvete.
— Só estou preocupado mesmo!
— Não se preocupe, meu amor. Eles vão comer o meu cu de qualquer maneira, tenha eu ido embora aquela hora que me ligou, ou agora, ou ainda mais tarde. Eu não tenho nada para temer. Se até o meu pai me encher, vou mandar ele a merda.
— Caralho, está louco? Seu pai mesmo que te chame a atenção ou te deixe de castigo sem o carro novamente vai ter o seu respeito. Tu estás me entendendo, Ben?
O menino desconversou indo para outra direção.
— Ben, eu estou falando muito sério, hein... Muito sério mesmo! – retornou a dizer o japonês, puxando para perto de si o corpo do namorado. – Tu vais me prometer isso, não vai, meu amor?
O Ben fez uma careta, segurando entre os dentes a pazinha do sorvete.
— Estou falando muito sério, hein!
— Gatinhos, eu e o Arthur já vamos indo, temos que passar na casa da avó dele para desejar feliz aniversário para ela.
— Hei, acho que podemos dar uma carona para os japas, afinal vamos passar pela Beira Mar para a casa da minha nona.
— Magina, eu trouxe eles, posso levá-los lá primeiro e voltar para casa.
— Meu amigo, a tua casa fica há dez minutos daqui. Seria totalmente contrário ter que ir ao centro da cidade e voltar para cá no norte – afirmou Bárbara, abraçando a cintura do Benjamin.
— Ela tem razão, Ben – concordou Yumi. – Se eles já vão para lá de qualquer maneira, acho melhor.
— O.K, O.K. Mas cuide muito bem do meu namorado, vocês estão me entendo – disse ele, se soltando da amiga e abraçando a cintura do japonês, que corou na mesma hora. Arthur se sentiu um pouco desconfortado ao ouvir e ver aquilo.
Os dois namorados foram, na frente, em direção aos carros estacionados em frente à sorveteria. Ben deu um selinho rápido no amigo, não se exporia daquela forma.
Mas quando os dois deram a volta no carro para o Benjamin entrar no seu carro, Yuri empurrou-lhe contra a lataria da porta do motorista e começou a alisar os cabelos castanhos claros do outro.
— Eu te amo do fundo do coração, Benzinho. Espero mesmo que tenha uma excelente semana, não deixe de me ligar e me contar o que seus pais disseram sobre tudo isso. Qualquer coisa, pode me chamar, que eu saio de casa a qualquer momento da noite ou da madrugada para estar lá junto contigo.
Ben apenas beijou aqueles lábios finos e quentes. Inconscientemente, talvez algo já mecanizado, levou uma mão na altura do quadril do oriental enquanto com a outra apalpava aqueles glúteos tão suculentos.
— Epa, não vá por aqui – informou a Yumi assim que deu a volta do carro para se despedir do cunhado seguido do outro casal de amigos.
— Eita, uma noite no motel já não foi o suficiente – estragou Bárbara, se aproximando dos dois e levantando as mãos do melhor amigo. – Olha só estas mãozinhas, jovem.
Eles riram e deram outro beijo.
— Tchau, meu bebê – se despediu Báh. – Não vá chegar atrasado amanhã de novo no cursinho, hein.
— O.K, mãezinha! Te amo, porra louca!
A menina deu um tapinha no rosto do garoto antes de puxar Yuri. Depois, o menino de olhos verdes se despediu dos outros dois.
— Adeus, meu amor! Levem o meu japinha em segurança até em casa, O.K?
— Vá se foder! – zoou Arthur, mostrando um sorriso e pondo uma mão sobre a bunda do Yuri enquanto caminhavam em direção ao carro. – Delícia, Arthur, eu adoro uma salada mista de casais... Que tu acha sobre isso, Bárbara?
— Eu vou adorar matar o seu namorado, é isso, sim. Olhe só as gracinhas, mocinhos... a mamãe Bárbara odiaria ter que cortar seus pintos com a navalha que corto a minha barba diária.
Todos riram e o Yuri abraçou a ruiva com força, e disse no ouvido da garota:
— Acho seu namorado muito bonito, mas o único homem que me interesso é o meu gatinho de olhos verdes.
Ela beliscou a bunda do garoto.
— Também quem resiste a essa abundância toda?
Quando Benjamin viu o portão do seu condomínio se abrir, ele foi tomado por um medo crescente, mas foi adiante. Ao estacionar na garagem da sua casa, ficou ali por uns cinco minutos, respirando com os olhos fechados. Sabia que teria uma discussão daquelas com a família, mas não ia baixar a cabeça.
Ficou surpreso que não havia ninguém na sala, cozinha ou mezanino da casa, embora todas as luzes estivessem acessas. Quando estava na metade da escada, sua mãe surgiu sozinha do corredor de quartos.
— Desça novamente, Benjamin. Eu quero falar com você lá embaixo.
Ele revirou os olhos e a mulher não gostou nem um pouco.
— Mas que porra, garoto! Como pude criar um filho tão mal criado quanto você? O Miguel tem lá os seus defeitos, mas sabe ouvir a mim e ao seu pai calado.
— E eu falei alguma coisa, Marisa?
— Olha só como me trata, garoto. Cadê aquele menino lindo de olhos verdes que eu pari e que me obedecia, me ouvia, me procurava quando tinha seus pesadelos no meio da noite?
Perfeito. A discussão se iniciou ali mesmo no meio da escadaria de mármore, ao lado do monte de retratos da família pendurados artisticamente na parede.
— Ele deve ter se perdido no meio de tanta cobrança sem motivo. Tu está brava comigo desde que me mostrei contrário a ir para a FURB. Isso me cansa, mãe! Se me desse o espaço que um cara de dezoito anos precisa, tenho pra mim que muita discussão seria evitada aqui em casa.
— Mais espaço do que dar dinheiro para sustentar a todos os caprichos do meu caçula, sem perguntar onde tem enfiado o dinheiro que damos a ele? Você sai todo fim de semana com seus amigos e nunca me contrapus a isso. A única coisa que eu peço é um pouquinho mais de respeito e de que me informe apenas a verdade.
— Que verdade, caralho?
— Olhe essa boca, seu... – A mulher respirou profundamente antes de seguir. – A verdade como “mãe, não vou posar na casa do japa. Eu e ele passaremos a noite num hotel. Não se preocupe comigo ao ligar cedo para a casa do meu amigo e descobrir que não estaremos lá e que alguém pode ter nos sequestrado, roubado o meu carro e nos obrigado a sacar dinheiro nos caixas eletrônicos da cidade antes de nos matar e nos jogar num morro de Florianópolis”.
— Que dramática, doutora.
— Aliás, desaparece o dia inteiro mesmo eu dizendo que era para vir para casa naquela mesma hora.
— Me desculpa, mas tive que agir como um imaturo só para mostrar à senhora que o mundo não deve obedecê-la.
— Não quero que a porra do mundo me obedeça, só que meu filho que mal completou a maioridade penal, sim, eu quero. Isso é pedir demais, Benjamin? Se for, me perdoe por ser uma mãe tão presente ao contrário da idiota da Nara.
— Olha só! Olha só como precisa atacar as outras pessoas para se defender. Porra, mãe, larga do meu pé, pelo amor de Deus. Eu nunca te pedi nada além de um pouco de privacidade e de espaço para cometer os meus próprios erros.
A mulher estava aos prantos. Ela se sentia profundamente magoada. Havia discutido com seu esposo durante a tarde por causa do caçula. Se sentia sozinha dentro da sua própria casa.
— Sabe de uma coisa, Benjamin? Eu vou desistir de você, do seu pai, do Miguel e dessa maldita família que eu constituí. Sou a pessoa que está sobrando aqui. Sou eu a intrusa, a médica louca, que tem o ódio do seu esposo e dos seus dois filhos. Juro por Deus que só quis ser uma mãe de verdade. Uma mãe que não deixa os seus filhos perecer como fazem as mães tartarugas.
Ele sentiu um impulso de abraçá-la e pedir desculpas, antes disso, ouviu seu pai dizer com a voz firme:
— Ben, deixe ela falando essas merdas do caralho e vá para o seu quarto, porque eu vou conversar contigo. A sua mãe endoidou de vez, até separação me pediu hoje à tarde.
Isso só piorou ainda mais o remorso do garoto. De repente, ele podia ser o motivo da separação dos seus pais. Quer dizer, seus pais, não! Não, eles não podiam de forma alguma se separar como os pais dos orientais estavam fazendo. Se fosse preciso, poderia mudar totalmente e cortar seus passeios quase rotineiros com o Yuri.
— Que história é essa? Vocês se amam e sabem muito bem disso!
— Vá para o seu quarto de uma vez como mandou o seu querido pai – gritou ela, esmurrando a fotografia da família na Disney, por um pouco o retrato não caiu no chão. – Que eu sou a única a não ser respeitada. Que eu sou a odiada pelos três homens da minha vida. Que nunca vou deixar meus garotos criarem culhões. Que mais tu tacou na minha cara mesmo, Manoel Furlanetto? Ah, o melhor de todos, que ficarei sozinha algum dia por causa das minhas crises tendenciosas.
— Chega, Ma-ri-as! Chega! Mas quanta ladainha, mulher. Que ódio de você, eu não aguento mais. Se for pra ser assim, realmente eu assino o papel do divórcio. É só mandar seu advogado procurar o meu e pomos um fim nesta tortura semanal. Seus filhos são homens, HOMENS! Os dois querem sair pelo mundo fodendo todo mundo e não se preocupando com sua mãe psicótica.
— Parem, vocês dois, agora! – gritou Miguel, abrindo a porta do seu quarto e entrando na discussão. – Mãe, a gente te ama, meu! O papai está falando um monte de merda porque está puto assim como esse filho da puta aí.
— Vá tomar no seu cú – berrou Ben, subindo dois degraus, evidentemente queria intimidar o irmão, o que não aconteceu. – Você é a pessoa mais errada daqui, engravidou aquela idiota da Paula e nem vai poder comprar a mamadeira do seu primeiro filho. Quanta independência, não?
— Basta! Ben vá para o seu quarto e tu, Mig, volte para o seu – cuspiu Manoel, respirando fundo após sentir seu peito palpitar acelerado pela descarga de adrenalina.
— O.K, O.K!
Quando estava passando pelo lado da sua mãe, que, agora, mais controlada, ajeitava o retrato que quase partira em dois. Ela estava arrependida de ter chegado naquele nível de estresse e lastima.
— Eu te amo, mãe! Desculpe-me se tenho te tratado mal, mas preciso de um pouco de espaço. Prometo não decepcionar a sua confiança. Eu juro que estarei sempre sendo o seu caçula – terminou, beijando a testa de sua mãe. Ela não expressou nenhum sentimento.
Benjamin passou ao lado do pai com a cabeça baixa.
— Tu ainda vai querer conversar comigo, pai?
— Hoje, não. A gente conversa outra hora, O.K?
— O.K!
Ao fechar a porta do seu quarto, ouviu seu pai dizer em um tom de remissão:
— Está mais calma, Marisa?
— Não quero mais papo com você, Manoel. E vá para o quarto de hóspedes se quiser dormir esta noite em uma cama quentinha.
— Perfeito, eu acabei mesmo com o casamento dos meus pais. Que grande filho da puta eu fui... – disse Benjamin para si mesmo ao se sentar na cama. Pensou em escrever para o namorado contando tudo, mas estava sem celular para aquilo.
Ele reposou sua cabeça no colchão, tentando apagar aquilo tudo que aconteceu há poucos minutos. Mentalizou apenas o incrível fim de semana que teve ao lado seu, agora, namorado. Que por mais clichê que soasse foi o mais perfeito das suas vidas.
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