Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.
2 Capítulo dois - Você é mesmo um otário
Notas iniciais
– Ben, Ben... BEN! – chamou a doutora Marisa seu filho pela décima vez naquela manhã ensolarada e quente, nem parecia que estavam mergulhados no inverno do sul do país.
– Hãn?!
– Se você não ficar de pé em poucos segundos vai chegar atrasado para o início da competição e sua treinadora vai matá-lo.
– Caralho! Eu me esqueci de que hoje é o dia da competição interna de natação do clube.
– Olha a boca, menino!
– Licença, mãe, eu preciso me vestir – disse aquilo levantando o lençol e encarando sua genitália toda espalhada sobre a perna sem pelos. Ele dormia completamente nu e não queria que sua mãe o visse daquela maneira.
– Você está se esquecendo de que eu já conheço tudo que tem aí embaixo. Pra mim não seria surpresa alguma.
O menino ficou corado no instante seguinte.
– Mas as coisas mudaram aqui por baixo, mãe. – Benjamin exibiu um sorriso convencido.
Marisa se retirou do quarto e depois fechou a porta. O rapaz deu mais uma encarada no seu pênis em frente ao espelho, analisando o tamanho e espessura. Estava convencido de que era um belo pau. Vestiu uma sunga azul escura da Adidas e depois pôs seu calção cinza de pano e uma regata preta. Passou protetor solar ao longo dos seus braços torneados, pescoço e rosto. Ter dois pais médicos lhe obrigou desde muito cedo a levar a saúde muito a sério – só comia bolacha recheada na casa das avós ou quando estava na casa do japa.
E por falar no japonês, ele com certeza já estava chegando ou ao menos na rua indo em direção ao clube que ficava no leste da ilha, na barra da lagoa, próximo do centro. Yuri não tolerava atrasos de ninguém, aí está um motivo muito comum para os dois amigos brigarem como crianças de dez anos.
Só a mãe do garoto estava sentada à mesa, conferindo seus emails no notebook enquanto bebia chá gelado. Marisa era do tipo de mulher que mesmo muito ocupada, não trocava o privilégio de cozinhar para a família, seja no café da manhã ou, seja no jantar da família Belucce Furlanetto. Desde que seu segundo filho nasceu, a mulher largou os plantões para se dedicar a maternidade e assumiu o posto de professora de gineco da UFSC e suas consultas no HU, nas terças, quartas e sextas, e ainda atendia no seu consultório particular no continente, nas segundas e quintas. De resto só atendia as emergências de suas grávidas.
– Cadê o resto dessa família? – perguntou Benjamin, sentando-se de frente para a mãe, que largou o seu computador em seguida.
– O seu pai ainda está no plantão de vinte e quatro horas no HU, já o Miguel posou na casa de um amigo dele.
Sei bem onde ele posou. Não foi na casa de amigo algum, quiridá. Ele deve estar comendo a boceta da sua namorada porque eu sei que a mãe divorciada dela não para em casa no final de semana. Logo, logo, você será vovozinha.
Ele mal pôde se conter com seus pensamentos e começou a rir desesperadamente. Sua mãe não entendeu o motivo e perguntou o porquê daquele escândalo todo.
– Eu me lembrei de uma piada que o Frederico me contou na semana passada. Só isso! – Ele vivia brigando com seu irmão, mas jamais deduraria ele para os pais. Afinal, quantas vezes ele já não mentiu que ia posar na casa do Yuri e acabou posando na casa das suas peguetes de festa?
A rodovia SC 401 em direção ao sul da ilha estava um caos para um sábado às 09h30. Benjamin nem dirigia ainda por causa de que estava terminando o processo da sua carta de motorista, mas o trânsito de Florianópolis já lhe tirava do sério. Queria ver só como seria quando pudesse dirigir um dos carros dos seus pais. Ele era totalmente o oposto de Yuri que já dirigia desde a metade de dezembro do ano passado quando completou dezoito anos antes mesmo de concluir as aulas teóricas da autoescola.
Eles chegaram ao clube depois das 10h30 e o campeonato começaria às dez horas da manhã. Benjamin aproveitava-se da situação de sua treinadora ser a mãe de sua amiga de infância, a Bárbara. E por isso ela pegava mais leve com o garoto, mesmo soltando uns esporos de vez em quando durante seus treinos. Já o Yuri, seu outro atleta era mais aplicado e responsável.
– Júlia, minha quiridá, eu peço desculpas pelo atraso do Ben, dessa vez o trânsito do norte da ilha estava um inferno e perdemos uma hora vindo para cá – protegeu Marisa a sua cria, assim que a mãe da Bárbara se preparava para reprimi-lo.
– Eu sei bem como é o trânsito caótico dessa ilha. – Ela sorriu para Benjamin e a mãe. – Agora vá ao vestiário para se trocar e se junte à Bárbara e ao Yuri nos aquecimentos na piscina quatro. A competição irá começar daqui a meia hora.
Benjamin teve que lidar com as provocações dos seus dois amigos que já estavam terminando seu aquecimento na pequena piscina. Na arquibancada, seus outros melhores amigos já começavam a se reunir e a fazer a maior algazarra, lá estava Frederico, Arthur, Fernanda e o Joshua. Ambos gostavam de participar dos campeonatos internos e externos de natação dos três amigos.
– Não acredito que a Fernanda largou seus livros de medicina para assistir-nos hoje – comentou Bárbara, sorrindo e acenando para a amiga na arquibancada.
– Isso é uma vitória, galera – afirmou Benjamin, mandando beijos para seus amigos na arquibancada. Frederico se levantou para “agarrar” os beijos lançados pelo menino de olhos verdes no ar como se fosse para evitar que os outros os recebessem, apenas ele.
Todos eles riram da brincadeira. A mãe da Bárbara se aproximou dos seus três atletas e começou a explicar o que esperava deles e como deveriam atuar naquela manhã. Bárbara competiria no melhor dos 50 metros de nado de costas, enquanto Yuri nos 100 metros de nado de crawl e Benjamin nos 150 metros de nado medley.
O primeiro a competir seria a menina. Apenas mulheres competiriam nesta modalidade, a ruiva já estava se alongando na beira da piscina enquanto seus amigos na arquibancada vibravam enlouquecidos e o juiz falava várias regras e recomendações que Yuri e Benjamin estavam ignorando.
– Você vai à festa da automação hoje à noite, Ben? Se quiser pode ir comigo e com mais uns amigos da faculdade e depois posar lá em casa porque a festa deve rolar até de madruga.
O menino de olhos verdes fez uma cara de dúvida para seu amigo, que apertou seus ombros e o chacoalhou.
– Depois eu sou o cdf da porra aqui. Vamos lá, interagir com seus futuros veteranos.
– Vá se foder, japa. Eu não disse que não ia, só fiquei na dúvida de ter que ver aquelas suas colegas que eu peguei na festa da matrícula. Só isso mesmo.
Yuri deu um largo sorriso e apertou o mamilo direito do seu amigo. Benjamin sentiu uma excitação percorrer todo seu corpo e se depositar no seu pênis, ele ficou meia bomba com o ato.
– Filho da puta, olha só o que você fez comigo. Porra! – falou o garoto olhando sua meia excitação, que podia ser visto por alguém mais perto dele como era o caso do Yuri.
– Uiii, delícia! Agora já está meia bomba para encontrar a Michelle e a Eduarda. – O japa fez menção as duas meninas que o amigo pegou na festa da matrícula.
– Vá se foder, japa do caralho! – E deu um empurrão no amigo perto da arquibancada.
Chegou a vez de o japonês cair na piscina. A Bárbara ficou entre as seis melhores de dez e passou para a segunda etapa da competição. Yuri se preparava para pular na piscina quando viu Benjamin de papo com uma menina loira e sentiu um pouco de ciúmes.
... 2... 1!
E pulou na água já dando suas braçadas espaçadas. Benjamin voltou sua atenção para o amigo na piscina e começou a gritar seu nome inúmeras vezes enquanto aplaudia. A loira não saiu de perto do rapaz e também não parava de olhar o corpo esculpido do descendente de italiano, repousando seus olhos sobre o volume dele sob a sunga de borracha.
– Ele é muito bom, hein – comentou a loira perto do ouvido do Benjamin. Fazendo um trocadilho com o fato de o Yuri chegar em terceiro lugar e o seu volume dentro da sunga. O garoto sorriu com um sorriso meio envergonhado e saiu para abraçar o japa.
– Cara, tu foi muito bom – afirmou ao amigo enquanto colava seu corpo desnudo ao de Yuri ainda encharcado. Depois foi a vez de a Bárbara fazer o mesmo. Benjamin sentiu algo estranho ao colar seu abdômen sarado no de seu amigo também em excelente forma. Talvez isso era pelo fato do trocadilho feito pela garota loira segundos atrás.
A treinadora dos três se aproximou e abraçou seu atleta, entregando uma toalha felpuda.
– Tu foi classificado em uma excelente colocação – garantiu Júlia, sem tirar os olhos de cima do japa.
Quando voltaram para perto de onde estavam sentados próximos da arquibancada, os seus amigos que assistiam a tudo gritaram parabéns e outras besteiras para o Yuri. A menina loira havia se afastado da equipe após ser ignorada pelo Benjamin.
– Quem é aquela loirinha, mané? – perguntou Yuri, cutucando o bíceps do amigo. – Já arrumou uma transa para esta noite? Só não vai furar a nossa festada da automação.
– Ela é nova aqui, eu acho. Nunca tinha a visto competir no clube antes. Acho que é da equipe do Fontes. Não me diga que está com ciúmes do seu amigo gatinho aqui. – Depois agarrou o japa pelos ombros e começou a chacoalhá-lo.
– Sai fora! Só não quero que me deixe na mão nesta festa da noite. Já me basta o Frederico com toda enrolarão característica dele.
A Bárbara voltou do banheiro com um sorriso escancarado no rosto. Ela tinha motivos suficientes para estar alegre.
– Encontrou um boy magia no banheiro, Báh? – questionou Yuri. Benjamin por reflexo olhou para a arquibancada e viu o Arthur voltando para lá. Já tinha ligado os fatos instantaneamente.
O locutor anunciou a próxima modalidade, desta vez era Benjamin que competiria. Ao se levantar, recebeu um tapinha no seu glúteo modelado e ao se virar pôde ver o sorriso de safado do japa e os dentes à mostra de Bárbara. Por algum motivo estranho ele gostara do tapa carinhoso e sentiu seu pênis começar a se levantar.
Pare com isso, meu cacete. Não está vendo que tenho que ficar na frente de todas estas centenas de pessoas, porra! É normal ficarmos com tesão quando somos estimulados em regiões sensíveis, seu bobão. Agora se concentre na porra da prova. Tenho que mostrar ao japa que sou mais rápido do que ele.
3, 2 e 1!!
E se lançou na piscina e começou a sentir a adrenalina tomando conta de seu corpo já tomado pela excitação e começou a nadar o mais rápido que pôde. Ele não preferia competir na modalidade medley, preferia o crawl ou o costas livre. Ele conseguia ouvir as gritarias das pessoas toda vez que seus ouvidos emergiam a superfície. Os seus amigos eram os que mais berravam naquele lugar, se continuassem com toda aquela algazarra, Benjamin não duvidava que logo seriam convidados a se retirar do complexo aquático.
Quando chegou à margem oposta da piscina, foi puxado para fora dela por um puxão e seguido por um abraço de sua treinadora. Ele havia conseguido. Ficou em primeiro lugar naquela modalidade. E esta seria a única a não ser definida em dois tempos. Logo Yuri e Bárbara irromperam, gritando uma série de palavrões e o agarrando no colo.
Os seus amigos e sua mãe, que estavam assistindo a competição da arquibancada começaram a berrar seu nome.
– Não disse que sou mais rápido do que você, japa – sussurrou no ouvido do amigo assim que o colocou no chão novamente.
– Eu sabia que tu era, só que ainda terá que me ver competir na final depois dessas próximas modalidades.
Marisa invadiu o ginásio e abraçou seu filho gelado e pouco molhado. Ela começou a beijar-lhe as bochechas, que logo ficaram rosadas. Todo mundo estava vendo aquele gesto de amor. Seus amigos como não podiam ser diferentes começaram a caçoar: “ai que fofo, cuticuti da mamãezinha”.
Benjamin agarrou a sua mala dentro da sunga escura e começou a oferecê-la aos amigos na arquibancada. A doutora Marisa puxou a mão do seu filho, considerando aquele gesto de extrema grosseria com as outras pessoas daquele lugar. Ela deu um último beijo no filho e se despediu, não poderia continuar ali porque havia marcado um almoço na praia Mole com suas duas amigas paulistas e já podia se considerar atrasada.
Benjamin subiu nas costas do seu amigo enquanto voltavam para o local onde sua equipe estava. Por esta razão mais uma vez seus amigos na arquibancada começaram a gritar e assoviar.
– Estes putos vão ser expulsos daqui antes de vocês dois terminarem de competir, pode escrever o que estou dizendo – disse Benjamin ainda nas costas do amigo.
Depois de tanta espera, começou a rodada final das modalidades. Benjamin que havia vencido em primeiro lugar teria que esperar todas as modalidades acabar para poder subir no pódio e pegar sua medalha. Novamente chegou a vez de a Bárbara voltar à cena. Os dois ficaram sozinhos novamente ali.
– E já desistiu da loirinha lá?
– Nem me interessei por ela. O rabo da garota parece uma tábua prefiro uma bunda mais como a sua, japa.
– Que viadice, porra!
E os dois começaram a rir daquilo. Os olhos puxados do Yuri tentaram localizar alguma bunda gostosa daquelas meninas na largada.
– Mas eu sei que tenho uma bunda do caralho, doido. A minha ex não a largava durante o sexo, pensava que o verdadeiro crush dela era a minha bunda e não meu rostinho lindo – confirmou Yuri, sorrindo de canto. Olhando de lado a saliência de músculos da bunda do amigo sentado ali. – A sua também faz o meu tipo, Ben.
– Vamos parar com esta viadice, japa. – E novamente os dois começaram a se matar de rir. Só que desta vez exageraram na altura e foram reprimidos pelo juiz técnico que acompanhava ao longo da beirada da piscina a competição das meninas finalistas.
A garota terminou em último. Saiu frustrada da piscina. Yuri e Benjamin tentaram a animar, comemorando sua posição, afinal, Bárbara havia passado para a final. E isso não era para qualquer competidor, levando em conta o nível das meninas que treinavam naquele clube.
Depois foi a vez de Yuri dar o seu melhor, o rapaz terminou em segundo. Isso porque teve uma cãibra no final da competição. Mas pelo menos subiria ao pódio também. Mesmo com o resultado, a Júlia estava contente com sua equipe.
– Filha, nada de ficar de deprê logo agora. Nós todos vamos treinar bastante a partir de agosto para o campeonato intra-estadual lá em Joinville em novembro. Não vão se folgar até começar os nossos treinos focados, hein. Quero vê-los aqui no clube pelo menos uma vez por semana nas férias.
Yuri não via a hora de poder viajar para Joinville e competir com os outros nadadores do estado. No penúltimo ano, ele ficou em primeiro em todas as modalidades que competiu. Ganhando inclusive do seu melhor amigo.
Quando acabaram todas as modalidades, começou a entrega das medalhas. Os amigos dos três que assistiram a competição invadiram o ginásio com todas as outras pessoas que foram cumprimentar os competidores e vitoriosos. Depois de tirarem fotos dos dois no pódio, começaram a tirar as fotos de zoeira. Arthur, Frederico e Benjamin suspenderam o japa no ar e começaram a puxá-los em direções opostas, como se quisessem repartir o garoto enquanto as meninas simulavam lamber suas axilas.
– Esta vai direto pro Instagram – disse o precoce.
– Eitá, precoce, espera um minuto na sua vida, garoto – bradou os amigos.
Depois de zoaram bastante ainda no ginásio, o Yuri e a Bárbara foram tomar uma ducha para poderem ir embora enquanto seus amigos prometeram esperar junto aos seus carros no estacionamento. Mas antes do Arthur seguir a Fernanda e o Frederico, ele foi interceptado pelo Benjamin.
– Cara, tu está fazendo uma grande merda.
– Do que você está falando, Ben?
– De estar catando a nossa amiga. Depois vai magoá-la e nosso grupo vai se dividir. Não acho legal da sua parte enganar a Báh. Ela já sofreu muito por amor não correspondido a mim, não quero que ela se machuque novamente, brother.
– Não estou zoando com ela. Eu e ela estamos ficando por enquanto, já discutimos sobre isso ontem e decidimos levar até aonde for este lance. Sem neura. Sem medo.
Benjamin teve que respirar fundo para não mandar seu amigo ir se foder. Não queria ver nenhum dos seus amigos distantes por causa de uma besteira como aquela.
– Acho bom mesmo não zoar com os sentimentos dela porque se não vai perder a minha amizade também.
– Relaxa, Benjamin. Ela não está a fim de um lance sério também.
– Ok! Vou tomar uma ducha. A gente se encontra lá fora. – E deu meia volta indo em direção às duchas, quando chegou ao vestiário, a porta foi aberta e uns três homens saíram de lá.
Ué, não vi o japa sair da ducha, será que desmaiou aí dentro? Ele só pode estar neste box, afinal os outros estão desligados. – Benjamin tomou partida e empurrou a porta do box de madeira e levou um susto danado. O seu amigo estava se masturbando ali dentro e demorou a notar que alguém empurrou aquela portinha.
– Porra, tu não bate mesmo na porta, caralho! – gritou o Yuri, ficando vermelho. Benjamin conseguiu ver a cabeça rosada do pau do amigo antes de ele escondê-lo com a mão.
Ele ficou sem reação e envergonhado. Havia ido longe demais até mesmo para dois amigos que nunca tiveram nenhum pudor um com o outro. Benjamin sem dizer nada fechou a porta do box e entrou no do lado.
Quando Benjamin saiu do vestiário viu seu amigo sentado em um banco no corredor da saída. Yuri estava constrangido e segurava sua mala cheia de roupas com as mãos suspensas no ar.
– Japa, foi mal ter aberto a porta do box. Eu pensei que tinha desmaiado porque já estava demorando.
– Porra, Ben, você tem que aprender a bater na porta antes de entrar. Se entrar no quarto dos seus pais enquanto eles estão transando e ver o pau do seu pai entrando e saindo da sua mãe, o que você iria fazer?
– Morrer de vergonha! Sei lá. Que isso nunca aconteça pelo um amor.
– Por isso precisa bater nas portas antes de simplesmente entrar – confirmou o japa, se levantando.
– Mas bater uma punheta aqui no clube já é foda – caçoou Benjamin, pondo sua mochila nas costas.
– Ah... e você não bate umazinha por aí?
– Não em um vestiário público. Eu bato em casa, no banheiro da casa dos meus avós e só. Você é um doido, japa. Agora sei que teu pau é mesmo um cavalo gigantesco. Como fica o boato de que todos os orientais têm o pau pequeno?
– Vai se foder! Isto é racismo! Como podem afirmar uma parada dessas? Mediram todos os pênis dos nascidos?
– Eu que vou saber japa. Isso é só um boato pelo que vi lá dentro. Inclusive agora terei pesadelos até morrer com o seu caralho.
Eles riram e foram para fora do clube. No estacionamento, onde estava o carro do Yuri e o do Frederico e o do Arthur – eles já estavam impacientes e xingando um monte os dois nadadores pela demora. Até a Bárbara já tivera tempo de tomar uma ducha e se vestir. O calor lá fora era insuportável, os raios do sol ardiam na pele de qualquer um ao passar pelos vidros dos carros. Por isso, decidiram esperar do lado de fora.
– Vocês dois estavam trepando um com o outro no banheiro? – zoou Frederico, fazendo que todos rissem da brincadeirinha. Só que isso tirou os dois amigos do sério.
– Com certeza, você não viu a sua mãe sair de lá um pouco antes da gente? – desafiou Benjamin enquanto os seus amigos gritaram zoando o loiro, que corou no instante seguinte.
Ele quis avançar para cima do seu amigo, mas foi impedido pelo Arthur, que disse:
– Lembre-se da terceira lei de Newton: a toda força aplicada se obtém um reflexo de mesma intensidade e com sentidos opostos. Você mexeu com os caras primeiro, não queria que ficasse do mesmo jeito, né, seu puto?
– O quê? O Frederico está querendo bater no Ben? – provocou Yuri, torcendo para que o rapaz avançasse e ele defendesse seu melhor amigo.
– Já chega seus putos! Que porra é essa? Estamos todos em uma irmandade, não estamos? – disse Joshua, tentando apaziguar os ânimos ali fora.
– Isso mesmo, chega suas cadelas. Vamos logo almoçar que eu estou morrendo de fome – anunciou Fernanda.
Benjamin demorou mais alguns minutos para se acalmar e não quebrar a cara do seu amigo. Yuri nem se fala, ele já estava cansado das brincadeiras retardadas do loiro.
– Nós vamos comer onde? Aqui mesmo na Barra da Lagoa ou podemos ir ao Campeche? – perguntou Bárbara, ainda tristonha pela derrota.
– Podemos pegar uma praiazinha no final da tarde, boys and ladies. Que me dizem? – sugestionou Arthur, louco para poder cair no mar naquela tarde atípica de inverno da ilha.
– Pode ser – concordou quase todos.
– Não posso, hoje vou à festa da automação e ela vai começar a partir das 20 horas lá perto do hotel Slaviero – comentou Yuri, jogando sua mochila nos bancos dos passageiros. Ele tinha uma Toyota Hilux prateada – que podia transportar mais cinco pessoas facilmente além do motorista, este era o sonho de consumo de Benjamin. Mesmo sem o menino de olhos verdes concluir sua autoescola, o japa permitia que ele dirigisse sua máquina, logicamente escondido da Marisa que mataria os dois por isso.
– É open bar? – perguntou a Bárbara.
– É sim. Eu também vou ir, mas topo uma praiazinha antes para me refrescar. Vocês estavam em contato com a água desde cedo, a gente tá aqui se ferrando para aguentar este calor da porra. – Arthur e Frederico concordaram com a Fernanda.
– Vamos todos pra praia agora a tarde e mais tarde todos iremos com você, japa, para a open bar da automação. Ninguém precisa chegar lá tão cedo – falou Bárbara.
– Não sei não, eu mesmo moro no norte da ilha, vou ter que ir para casa me trocar para a festa – comentou Benjamin. – É muito empenho! Eu vou pra casa depois do almoço.
– Que isso, Ben, vamos interagir com seus amiguinhos – disse Fernanda. – Nós vamos à praia e está decidido, se não vou te lançar uma praga de veterana e nunca vai conseguir entrar na UFSC e em nenhuma porra de particular do país.
Eles começaram a dar risada.
– Depois eu te dou uma carona pra casa, já que eu também moro no norte da ilha – disse Frederico. Benjamin não confirmou nada, ele ainda estava de cara com seu amigo, mas até quando ficaria assim?
– E você, Yuri? Vai ir à praia com seus velhos e bons amigos aqui, certo? – perguntou Joshua.
Ele confirmou com a cabeça e cada um entrou em um carro. Benjamin foi junto com Arthur em seu carro enquanto a Fernanda e o Joshua foram com o Yuri, já no carro de Frederico foi a Bárbara.
Fale com o autor