Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.

5 Capítulo cinco - Estou ficando maluco pelo japa?


Notas iniciais
Depois do beijo que o Benjamin e o Yuri trocaram no domingo, o menino de cabelos castanhos começa a buscar explicações para o que aconteceu. Enquanto isso, se veem cada dia mais afastados um do outro. O que eles farão?

Por que vocês brigaram, Ben? Vocês têm uma amizade tão forte e outra, você detesta que nós, seus amigos, ficamos brigados porque isso acaba dividindo o nosso grupo. – Fernanda queria entender o motivo pelo qual já tinha se passado quatro dias sem que o Benjamin e o Yuri se falassem.

Fernanda que estava na mesma turma do Yuri achou estranho o seu amigo faltar duas vezes naquela semana de aulas. Tá certo que ele não pegou recuperação em nenhuma matéria, mas faltou aulas que contavam presença. E qualquer um que conhecesse bem o japa sabia que aquilo não era o seu normal. Ela tentou descobrir por ele o que estava pegando, mas o oriental não abriu o bico. Por isso ela se viu obrigada a faltar uma aula chatíssima que teria naquela tarde de quinta-feira para acompanhar o Benjamin em seu teste no DETRAN.

Benjamin ficou chateado por seu melhor amigo não ter mandado qualquer mensagem em apoio ao teste que faria. Só que também não quis dar o braço a torcer e desejar boa sorte para o japa em sua semana final do primeiro semestre. Agora se perguntava até quando ficariam sem conversar. Porque até onde se lembrava eles não estavam brigados. Só que o inesperado aconteceu em seu quarto. O beijo que trocaram não fazia parte do plano.

– Vocês não vão mesmo me contar o que aconteceu, né? – perguntou, vencida pelo cansaço. – Mas me diga que você vai ir à festa organizada pelos meus veteranos amanhã em comemoração ao final do semestre.

– O final do semestre é de vocês, Fer. Porque eu continuarei no cursinho depois das férias e não tenho motivos para comemorar nada ainda.

– Que dramático, Ben. Você já foi bem divertido, não ligava para os temas das festas, simplesmente aceitava e ia – reclamou a morena com mechas loiras.

Benjamin se levantou assim que chamaram seu nome e quando estava indo atrás do seu instrutor, disse:

– Eu vou à festa com vocês. Não precisa fazer essa cara feia porque pra mim isso é só sinal de fome.

A menina sorriu e mostrou o dedo do meio em resposta.

– Boa sorte, seu puto. Arrasa lá!

Como ele queria ter ouvido aquelas palavras do seu amigo. Se o domingo passado não tivesse existido, sem dúvidas, quem estaria sentado naquela sala e desejando boa sorte seria o Yuri.

Benjamin realizou seu teste prático e o terminou com a certeza que tinha se saído bem. O que foi confirmado ao final do teste – quando o instrutor lhe deu os parabéns e disse para ir à recepção confirmar o endereço e fazer o pagamento da taxa de entrega da sua carta de motorista em casa, o que levaria mais cinco dias úteis.

O seu telefone tocou enquanto estava na fila do guichê da recepção. Olhou na tela de seu telefone: Japa chamando. Por causa disso sentiu seu coração refrear toda a empolgação que sentia por ter sido aprovado naquele teste e, respirou fundo antes de dizer:

– Alô?

– E aí, Ben, como foi no teste? Tô aqui na torcida por ti.

– Valeu, Yuri – sua voz estava mais fria do que queria. Não entendia o motivo para tanto drama. – Eu consegui. Passei no teste de motorista. Em até cinco dias devo estar com a minha carta em mãos.

– Caralho, Ben. Fico muito feliz que tenha dado certo. Sabia que conseguiria. Você é o cara. Vai conseguir passar no vestibular também.

Um teste de motorista é bem diferente de um vestibular pra medicina. Há um grande precipício entre um e outro. Mas valeu por ligar. E aí, empolgado para o fim do semestre?

Ben, nem te falo o quanto. Eu preciso de férias. Por mais que teremos apenas três semanas, quero aproveitar para sair com vocês o máximo que puder. Quem sabe faz calor em alguns dias e dá pra toda galera ir à praia juntos.

A nossa sorte é que Floripa costuma nos reservar dias mais quentes do que o resto de Santa Catarina e a serra gaúcha – seu tom continuava frio. Não queria estar tratando seu amigo daquela forma rude, mas poxa, ele sumiu por tantos dias.

E você, Ben, terá quantos dias de férias? Vai viajar para algum lugar agora?

O que estava surpreendendo o menino de olhos verdes era que o Yuri continuava a insistir na conversa mesmo percebendo o clima estranho.

Eu não vou viajar. Semana que vem é a última do cursinho e pegaremos um recesso até a segunda semana de agosto. Você sabe como é... os professores e os alunos mais dedicados estão podres.

Que maravilha, três semanas também. Só que eu entro amanhã e você na outra sexta. Eu me lembro do quanto é cansativo o cursinho mesmo sabendo hoje que a faculdade é bem mais puxada e estressante. Podemos viajar juntos se quiser para Salvador ou Fortaleza.

Só o Yuri e seus pais sabiam o quanto ele queria fazer uma viagem para essas cidades nas férias. Faltavam apenas duas pessoas na fila para Benjamin ser atendido pela recepcionista.

Pode até ser... vamos convidar os nossos outros amigos para irem conosco. Aí, sim, seria o máximo. Não acha?

O japa demorou um pouco para responder e quando o fez não mostrou tanta excitação quanto ao sugerir a viagem.

Temos que ver se eles estariam a fim de viajar para o nordeste. A gente conversa sobre isso melhor na próxima semana. Agora eu vou desligar, conversamos outra hora, Ben. Abraço.

Tudo bem, Yuri. Abraço.

Ele percebeu que o japa ficou chateado por ele ter colocado mais pessoas dentro do combo da viagem. Os dois haviam combinado um dia após sair o resultado da UFSC, em janeiro, de que iriam viajar sozinhos para lá nas férias. Entretanto as circunstâncias haviam mudado de lá para cá. Preferia evitar ter que ficar a sós com o Yuri depois daquele beijo espontâneo que trocaram.

Quando ele saiu da sala da recepção, Fernanda estava lhe esperando perto do carro dela – um Honda Civic prata. Ela estava fumando um cigarro e mexendo no celular.

– Fer, tu vai ser médica e fica fumando escondida dos teus pais. Tu precisa enfrentá-los e assumir o vício de vez – cutucou ele, se aproximando o suficiente para sentir o cheiro característico do tabaco.

Ela mostrou o dedo do meio e destravou as portas do carro. Jogou o resto do cigarro e entrou no automóvel. Benjamin entrou em seguida no banco do passageiro.

– Eu passei, porra!

– Caralho! Parabéns – disse ela o abraçando por cima do câmbio do carro. – Já ligou pros seus pais?

– Não. Vou deixar para contar a eles quando chegar em casa. Hoje de noite a namorada do meu irmão vai jantar lá e esse será um momento ideal para me achar um pouco perto dos estranhos.

A moça riu enquanto engatava a marcha ré do carro e cruzava o estacionamento saindo na avenida movimentada.

– Eu fui a primeira a saber da sua aprovação?

– Na verdade não, o instrutor foi o primeiro e o segundo foi o Yuri. Ele me ligou não faz nem quinze minutos.

Ela sorriu, aliviada. Benjamin não sabia, mas o seu melhor amigo só ligou após a Fernanda mandar um monte de grosserias para ele no WhatsApp. Ela agia igual ao Ben no quesito impedir que uma amizade fosse desfeita por uma besteira.

– Vou te contar uma coisa e tu precisa guardar secreto, pelo menos até amanhã, ok?

Ele olhou desconfiado para a amiga.

– Quê?

– Tu não conhece, mas uma veterana minha do quarto período está de olho no corpo do nosso amiguinho de olhos puxados. Ela se chama Bruna Santori, é de Criciúma, muito gente boa, posso te garantir.

– E por que isso é segredo? Por que eu contaria ao japa que essa louca está a fim de dar uns pegas nele?

A morena franziu a testa e torceu os lábios para o amigo. Sabia que em alguns momentos o rapaz se comportava como um completo ogro e isso a tirava do sério.

– Tongo, simplesmente porque a menina quer manter segredos até a festa de amanhã. Ela vai chegar nele lá, aproveitando que as suas amigas estarão com seus boys magias e terá mais tempo para conseguir dar o bote – afirmou a Fernanda, rindo maliciosamente. – Caso você contasse ao japa, ele poderia conseguir fugir pela culatra. A Bruna está apaixonada desde a apresentação dos calouros no primeiro dia da nossa aula.

– Nossa então isso é bem sério – disse, enciumado. – O japa vai desencalhar antes de todos nós.

– Fale isso de si próprio, otário – cuspiu ela, virando a esquina no sentido da SC 401. – Ainda bem que ganhará o seu carro, eu já não aguento mais te dar caronas, Ben.

– Primeiro que não pedi sua carona e muito menos para que fosse comigo no DETRAN. Tu veio porque quis e outra, nunca peguei caronas contigo. Pode encostar ali no ponto que sei me virar sozinho.

– Assim que você me agradece, seu ingrato?

– Sei que foi me acompanhar no teste só pra matar a sua curiosidade em saber o motivo pelo qual eu e o Yuri ficamos sem nos falar.

Ela não escondeu seu sorriso malicioso de sempre e confirmou com a cabeça que ele estava correto. Mas continuou dirigindo em direção ao norte da ilha para levá-lo em casa.

Era muito comum os dois se estranharem. Até porque o Ben achava a amiga muito exibida e periguete. Não sabia de fato como ela conseguiu ser aprovada em medicina em sua primeira tentativa e, ainda por cima, em duas faculdades já que despertara para os estudos só no ano passado.

– E tu, Fer, não vai ficar com ciúmes de vê-lo com outra menina por toda a UFSC?

– Vai se foder, Ben. Eu e o japa só ficamos algumas vezes como na festa da automação. Nunca tive sentimentos mais fortes por ele, só atração física mesmo assim como já pensei em ficar contigo muitas vezes até hoje. Só que você é mais difícil do que ele.

Benjamin olhou de canto para a motorista, desejando não ter ouvido aquela cantada. Sabia que a Bárbara sempre teve uma queda por ele, agora, a Fernanda nunca passara por sua cabeça.

– E tu acha que ele vai querer ficar com esta veterana de vocês? Digo, ele tem alguma amizade com a guria?

A Fernanda esperou conseguir fazer a sua ultrapassagem em um caminhão de leite para responder.

– Eles já paqueram há algumas semanas. Só que você conhece seu amigo, sabe o quanto ele é mosca morta. Tem muita beleza física, mas se comporta como um Jeca tatu em várias situações.

– Para de falar isso dele, Fernanda. Tu tá louca? Já pegou ele e agora fica esnobando o que já usou. Para que isso tá ficando muito feio.

Ela voltou a rir maliciosamente e desviou por um instante seu olhar do trânsito para Benjamin, que acabava de se zangar com o que ouviu.

– Todos vocês (homens) defendem um ao outro. Eu acho impressionante, a gente (mulheres) não defende nem o penteado de uma amiga. A gente vive em competição de beleza e notas.

– Orra, não tem nada haver com isso. Só que tu está falando mal do meu melhor amigo, porra! – Ele parou para ver o quanto estava sendo ridículo de tratá-lo mal por causa de um erro de moleque. Não podiam fazer nada se naquele momento os dois estavam muito carentes e bem próximos.

A menina tirou as mãos do volante e aplaudiu o gesto de amizade.

– Enfim, o que eu quis dizer com toda essa merda é que ele está na dela, porém não teve peito suficiente de pegá-la ainda. E a Bruna é menos oferecida do que eu, te garanto.

Benjamin concordou com a autoavaliação da amiga. Sem dúvidas, ela era uma oferecida mesmo. De todos eles, foi a primeira a perder a virgindade, ainda quando tinha doze para treze anos.

Passado algum tempo desde que chegara em casa, Benjamin venceu sua resistência e pegou no telefone para ligar no celular do japa. Chamou várias vezes, porém caiu na caixa de mensagem em seguida. Ele viu que seu amigo tinha ficado online no whats pela última vez ao meio-dia e agora já era seis da tarde. Não ia adiantar enviar uma mensagem.

Ficou deitado na cama de olhos para o teto até adormecer. Em seu sonho, estava ele, a Bárbara, o Fred, o Arthur em uma praia estranha. Dentro do mar estava o Yuri agarrado na cintura de uma menina morena, com belos contornos e um rosto muito lindo. Eles se beijavam tão intensamente que nem as ondas cortavam o embalo do momento. O seus amigos começaram a gritar para o japa dali da praia: O Benjamin está com ciúmes de vocês. Venha pegá-lo também. Não deixe o nosso amigo babando aqui.

De repente o japa largou a menina sozinha dentro da água e correu só de sunga preta em direção a eles. Quando finalmente os alcançou deu um beijo de língua muito gostoso em Benjamin. Depois as mãos do Yuri escorregaram sobre as costas do amigo e invadiram seu calção largo, apertando intensamente os seus glúteos enquanto ele gemia de prazer e medo.

Quando voltou para a realidade, percebeu um inchaço dentro da sua cueca e que ela estava grudenta. Havia gozado enquanto sonhava com seu melhor amigo. Ele deu um pulo no escuro e conferiu o sêmen que tinha banhado toda a sua virilha.

Porra, que merda foi essa? Nunca tive um sonho erótico e quando tenho é justamente com o japa? Eu devo estar ficando mesmo maluco. Acho que preciso conversar com um psiquiatra sobre meu tesão inesperado pelo meu amigo. Urgh! Que nojo! Urgh! Estou sentindo atração por homens agora? Que pesadelo é esse?

Ele se jogou dentro do box com o chuveiro ligado, vestindo ainda as suas roupas. Depois tirou o calção e a cueca. O seu pau estava à meia bomba, o que continuava a ser constrangedor para ele. Quando cedeu ao impulso do momento, começou a se masturbar ali dentro. Sem pensar em nenhum rosto ou corpo. Apenas queria liberar toda aquela energia aprisionada.

Que delícia! Ele nunca tinha sentido tanto prazer por bater umazinha. A água quente. A excitação sobre seu corpo. O medo. Tudo se combinava de uma forma tão mágica e linda. Só faltava uma penetração para que tudo fosse perfeito.

– Filho, o que você está fazendo? – perguntou seu pai assim que entrou pela porta do banheiro aberta. Ele estava vendo o que o garoto estava fazendo muito bem mesmo assim ousou perguntar.

Benjamin engoliu sua saliva e escondeu seu pênis atrás da palma de suas mãos. Ficando de frente para o pai, estava com todo o seu corpo contraído embaixo da água que continuava em seu fluxo natural. Não sabia o que responderia ao seu pai. Tinha certeza que se fosse o japa na frente do pai dele, aproveitaria a situação para se zoar e depois agiria como se nada tivesse acontecido. Só que Benjamin não era o seu amigo e aquele ali em sua frente era o seu pai.

Ele se sentiu um tolo por não trancar a porta do quarto. Tinha que aprender a fazer isso de uma vez por todas.

– Eu... eu... sei lá! Estava só... só...

– Filho, relaxa! Eu sou um médico, já tive conversas tão intimas com meus vários pacientes antes e outra coisa, isso é tão natural da sua idade. Não precisa morrer de vergonha do seu pai. Somos todos homens e sentimos o mesmo desejo quando estamos com tesão.

O que, eu não estou ouvindo meu pai me dar uma aula de saúde sexual. Só posso estar mergulhado naquele mesmo pesado de antes. Que raiva de mim.

Ele continuou debaixo do chuveiro com seu a porta do box aberta e encarando Manuel. O seu pênis já voltara a sua posição relaxada.

– Ainda bem que fui eu que vim aqui saber se estava tudo bem. Sua mãe não ia aguentar outro choque igual a esse. Há dois anos, ela pegou seu irmão se masturbando em frente ao meu computador no escritório. O que sabemos que é normal.

– Pai, agradeço o que está tentando fazer, mas, por favor, pare – suplicou, com as bochechas vermelhas. Ele desligou o chuveiro com uma mão sem descobrir seu pau.

O homem riu e abaixou a cabeça.

– Tu já perdeu a virgindade, filho? Não precisa ficar com vergonha de mim. Já devia ter te perguntado isso antes.

– Quê? Não acha que vou te contar sobre a minha vida sexual, né? Eu sou seu filho e não seu paciente. – O pai já entendeu tudo, seu filho não se sentia à vontade para revelar aquilo. Embora o seu outro filho já tenha desabafado sobre o assunto, o mais novo ainda não estava preparado.

– Quero que saiba que estarei sempre aqui para aconselhá-lo em tudo que você precisar. Em tudo mesmo. Não estou falando isso de boca para fora – os olhos verdes do médico transmitiram confiança ao jovem. – Agora vou deixá-lo se aprontar porque a namorada do seu irmão já chegou e está lá embaixo com sua mãe e o Miguel.

Quando estava se vestindo, ficou pensando sobre as palavras do seu pai. Será que seria uma boa conversar com ele sobre tudo que estava acontecendo entre ele e o japa? Será que seu pai poderia receitar algum remédio para diminuir essa sensação estranha em relação a todo este tesão inesperado?

Antes de descer para o jantar com a família e sua futura cunhada, ele passou os olhos no celular para ver se o japa havia retornado a ligação ou deixado alguma mensagem pelo whats. Só que ficou frustrado ao ver que não. Certamente magoou o amigo quando foi tão estúpido pelo telefone mais cedo.

A namorada do seu irmão não desgrudou dele durante todo o jantar. A sua mãe preparou vários pratos com frutos do mar, os favoritos do marido e do caçula. Nesta noite ela abriu uma exceção e comprou refrigerante para os meninos enquanto ela e seu esposo curtiram um vinho tinto.

Quando Benjamin quis beber uma taça de vinho foi repreendido pela Marisa. Ela sabia que seus dois filhos já enchiam a cara, mas não queria que fizessem isso dentro de casa e ainda mais na sua frente. Depois do jantar, seu pai serviu uma torta de chocolate mergulhada em calda de cereja que ele mesmo preparou durante aquela tarde.

O doutor Manuel tinha feito algumas aulas de culinária na França durante sua terceira lua de mel com a esposa no ano passado. Por isso cozinhava várias coisas para a família quando não tinha que realizar seus plantões no HU ou na clínica particular que atendia.

– Então você está gostando do curso de direito, Paula? – perguntou Marisa quando todos estavam sentados nos sofás em torno da lareira na sala perto das escadas.

– Eu estou entre o amor e o ódio. Amor por fazer aquilo que mais gosto na vida e ódio dos meus muitos professores grossos. Estou no quarto período ainda, mas já não me vejo fazendo outra coisa. – Ao terminar de falar, o seu namorado lhe deu beijos apaixonados na nuca, sem se importar com seus pais e irmão presentes.

– Quando eu conheci a Marisa, ela estava pendendo entre medicina e direito. Acho que consegui a convencer de fazer o mesmo curso do que eu. Não sei ela se arrepende de ter me ouvido.

– Vocês se conheceram no cursinho? – perguntou a menina com olhos escuros.

Marisa sorriu para seu esposo. Benjamin adorava ver a troca de olhares apaixonados dos seus pais.

– Na verdade, nos conhecemos no primário, Paula. A minha mãe era superamiga da dele, por este motivo crescemos juntos. Só que nunca tivemos nada até chegarmos à faculdade. Ele sentia muitos ciúmes de mim e das minhas paqueras. Demorei a perceber que toda aquela implicância com os meus namorados era amor. No dia do aniversário da minha irmã, eu e ele se declaramos no quintal da casa de meus pais lá em Joinville. Escondemos a nossa relação por alguns anos até que fiquei grávida desse seu lindo namorado e daí, eu e o pai dele nos casamos no ano da nossa formatura, antes que meu barrigão aparecesse.

– Own, que lindo! Que história mais cute, né, Mi? Vocês são muito lindos, sabia?

Benjamin virou o rosto quando seus pais trocaram um beijo demorado e seu irmão e a Paula aproveitaram para fazer o mesmo. O menino de olhos verdes odiava servir como candelabro de vela.

– Só faltou o Ben aqui com a sua namorada – comentou o Miguel, sorrindo e piscando para o irmão.

O menino mostrou o dedo do meio para o mais velho e chutou sua panturrilha.

– O meu Benjamin está esperando a menina certa. Ele está focado no vestibular e está de parabéns por isso. Uma namorada nessa época só serve para atrapalhar os estudos – defendeu Marisa, abraçando de lado o filho.

– Mas pegar umas periguetes nas festas pode, né, Ben? – provocou o irmão.

– Vai se foder, Miguel.

– Pare já vocês dois. O Benjamin vai conhecer alguém que possa amá-lo com todo o coração e enquanto isso não acontece, deixa teu irmão em paz, Miguel – ordenou o pai, empurrando a perna do seu filho mais velho de cima da sua coxa.

A Marisa concordou com a cabeça e olhou para seu caçula, que ficou vermelho.

Na manhã seguinte, o doutor Manuel acordou o seu caçula. Ele estava vestido com roupas casuais, o que Benjamin considerou estranho. O homem não controlava os seus lábios, um sorriso esbranquiçado ofuscava a visão turva matinal do menino.

– Se arrume porque hoje você não vai ao cursinho. Eu e a sua mãe vamos te levar a um lugar bem melhor. Tenho certeza que tu vai adorar, filho. Dou a você dez minutos para estar lá embaixo, caso contrário te deixaremos aqui.

Notas finais
Como você pôde ver o clima entre estes dois amigos está cada vez mais complicado. Até quando a amizade que construíram suportará tanta distância entre eles? O meu muito obrigado a você que está aqui de novo para conferir outro capítulo desse romance "quase uma tragédia", rs.