Sem intenção

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Olá Pessoal. Essa história está postada igualmente no spirit fanfics, na conta que possuo lá(é o mesmo nome, mas com um 'o' a mais).

Andava pensativa. O que havia acontecido anteriormente havia deixado claro que a sua atitude não poderia ser outra.

Perguntou-se porque não havia tomado tal atitude antes, mas viu que era necessário um fato daquele ocorrer para que se pudesse sair.

Não importava se estaria sem amigos. Não fazendo parte daquele círculo social já era o suficiente para a mesma.

Era assim que Dawn pensava após a situação que havia passado.

O que havia ocorrido ali era de que a garota iria realizar um trabalho acadêmico em dupla com Barry, mas o mesmo chegou a moça e disse que — sem a consultar — havia trocado de dupla. Apenas chegou até ela e efetuou o aviso.

Obviamente que aquilo a indignou. Afinal, isso configurava-se como sacanagem. E se levarmos em conta que o trabalho em questão estava sendo desenvolvido com bastante esforço da mesma, a definição se corrobora ainda mais.

E certamente, a garota indignou-se. E com razão.

Cinco minutos atrás

— Sabe o que eu acho mais legal nisso?! — dava um sorriso irônico — é que no meio do trabalho você do nada vêm e diz que vai trocar, sem nem conversar comigo primeiro. Poxa cara, a gente tava desenvolvendo legal, tendo tanta idéia bacana e aí cê vem e me mete essa. É isso mesmo?!

— Mas entenda, Dawn, eu e o Brendan conseguimos ter melhores idéias do que eu e você — juntava as mãos ao falar — mas olha só, eu-

— E aí eu vou ficar sem grupo, sem dupla, sem nada né?! — questionou, completamente indignada — Mais uma vez vocês me deixam na mão. De que adianta eu falar se vocês estão pouco se fodendo pra mim?! Hein?!

Houve um pequeno silêncio ali. Não havia o que ser dito.

— A única que eu posso falar que é minha amiga ali é a May, porque vocês mesmos são todos uns sacanas. — respirou fundo. Estava muito irritada — E eu tô sempre me esforçando, sempre tentando fazer as coisas, tô toda hora ali tentando ver se vocês me vêem como uma amiga e é isso que eu recebo... — sorria ironicamente, enquanto balançava a cabeça negativamente — Mas é como o Brendan disse mesmo uma vez, que eu só faço me escorar em vocês, que eu não faço nada e que eu só faço atrapalhar.

— Olha Dawn, deixa eu-

— Mas olha, Você tá certo, o Brendan tá certo, tá todo mundo certo. — fazia gesto de positivo com os dois polegares.

Definitivamente, ela não queria mais saber de absolutamente nada. Ali havia sido o pontapé para ela sair daquele grupo.

Coisa que já estava cogitando há um bom tempo.

— A partir de hoje eu não ando mais no grupo de vocês. — dizia, saindo da frente do rapaz.

— Não, Dawn, espera ai. — tentava pegar no braço da garota — não é pra tanto também.

— Sabe por quê? — disse, virando-se para o rapaz — porque é só eu que me ferro. Eu já tô cansada dessas coisas, de sempre estar querendo ficar dentro do grupinho de vocês, sendo que eu sempre sou excluída das coisas, e isso é em tudo. Talvez eu realmente esteja sendo a chata — apontava para si — de ficar toda hora insistindo nisso. Então eu paro por aqui, tá certo?!

— Deixa eu falar Dawn, por favor.

— Eu não quero saber, eu quero que você entenda e respeite isso. — disse, olhando nos olhos do mesmo — Já que você não teve isso quando me trocou sem nem falar comigo, tenha o mínimo de ombridade pra, pelo menos, respeitar isso. Ok?

Falou de forma séria.

Barry não falou mais nada, apenas acenou com a cabeça, confirmando o que havia escutado.

Após isso, Dawn saiu da presença do mesmo.

Agora

Andava em direção ao pátio da instituição acadêmica, onde pretendia ficar sozinha, usando seu aparelho telefônico.

Ao chegar no local, olhou para as medianas mesas de madeira que estavam instaladas ali, onde cada mesa detinha dois bancos de mesmo tamanho, afim de que os estudantes pudessem ficar ali. Haviam de seis a oito mesas, todas pintadas de cores variadas.

E procurando um banco que estivesse vago, viu um garoto moreno de cabelos volumosos usando uma camisa preta com uma listra em diagonal que vinha do ombro esquerdo do rapaz até o final da camisa, onde na parte do peitoral havia um símbolo que representava uma cruz avermelhada.

Desta feita, resolveu aproximar-se afim de ter uma conversa.

— Oi Ash — colocava sua mochila em cima da mesa, assentando-se em seguida.

Olhava para a menina — Oi Dawn. — Sorria e voltava a sua atenção para o livro.

— Não tinha ninguém sentado aqui não, né?! — questionou, apontando para o local onde estava assentada, recebendo uma negativa com a cabeça — e cadê os seus amigos?

— Estão na aula. Como eu só tenho aulas no outro horário, aproveitei para vir aqui e estudar um pouco. — Falou, fazendo anotações em seu caderno.

Ash e Dawn eram apenas colegas de sala. Já haviam conversado sobre algum assunto em comum, mas nunca evoluíram para quaisquer relações de amizade.

Só eram conhecidos. Não passava disso.

— Eu te vi com os seus amigos quando cheguei aqui na faculdade, porque não está com eles?

— Quer dizer que a minha presença aqui tá incomodando? Eu saio então. — Falou brincando, arrancando sorrisos mútuos — Não, é que na verdade a maioria ali são todos uns otários. É isso.

Ash olhou surpreso para Dawn. Não esperava que a menina falasse aquilo do seu grupo de amigos.

— E porque seriam? — Questionou, curioso.

Agora olhava diretamente para a garota, pronto a ouví-la.

— Sabe o trabalho do Giovanni? — Ash acena positivamente com a cabeça — Eu ia fazer com o Barry, mas de uma hora pra outra ele trocou de dupla e agora vai fazer com o Brendan.

— E ele não ia fazer com a namorada dele?

— Ia, mas a May decidiu fazer com o Drew, e aí o Brendan ficou sem dupla.

— E ele nem falou contigo sobre isso?

— Não. Ele só me avisou que ia trocar e fez isso, sem mais nem menos. — olhava para o chão — Quer dizer, eu sei que eu não fazia tanto, mas porra, eu tava tentando dentro do meu alcance sabe?! Sei lá, achei muita sacanagem.

Ash escutava atentamente a reclamação da garota, palavra por palavra.

Ouvia a mesma falar que ali era se sentia um pouco excluída e que quase ninguém a ajudava.

— Dali, só a May que é uma pessoa nota dez. O resto? — soltava uma risada irônica — todos otários.

— Entendi. Não sabia que o sistema deles era assim. — fechava seu caderno e pegava sua mochila — Quer dizer, pelo menos comigo eles sempre me pareceram muito solícitos né?! — abria a bolsa e guardava seu material.

— Com os outros eles são mesmo, agora comigo que é complicado. — Suspirava pesado. — Mas enfim, cê vai fazer o trabalho com quem?

— Com o Brock. Yellow vai fazer com o Gary e o Ritchie vai fazer com a Giselle. — fechava sua mochila, a colocando em cima da mesa — E você, vai fazer com quem?

— Eu não vou fazer. Não tenho com quem fazer. — balançava a cabeça negativamente — Sei que posso até repetir essa cadeira, mas... eu não ligo. Semestre que vêm eu faço de novo.

Instaurou-se o silêncio no local após a fala da garota. Ao olhar, Ash percebeu os olhos da mesma marejarem, mas foram limpos de imediato pela azulada.

Havia falado aquilo com um ar de frustração e decepção, que foi nitidamente percebido pelo garoto.

Captou a mensagem que a menina queria passar. Que era de querer sua amizade.

Eles já se falavam, mas era um cumprimento esporádico aqui e ali, comentavam sobre a aula, porém nada mais aprofundado do que isso.

Tentaria pegar a amizade da mesma.

Ash levanta-se e coloca sua mochila.

— Vai aonde? — questiona a garota, olhando para o menino.

— Vamo conversar ali nos bancos, acho melhor do que aqui.

Ela concorda e levanta, passando a andar juntamente com o moreno.

No caminho, iam conversando não só sobre o ocorrido, mas sobre outros assuntos.

Descobriram que tinham algumas coisas em comum, como o interesse em esportes por exemplo.

Também detinham um desejo mútuo, mas que eram em áreas diferentes dentro do mundo pokémon.

— E tu pretende terminar esse curso aqui, Dawn? — perguntou, olhando para a menina.

— Na verdade eu nem queria estar aqui. — revelou, olhando para o rapaz — Eu sei que esse curso de biologia pokémon é importante, mas eu queria ser coordenadora. Meio que é meu sonho, sabe...

— E o meu é ser treinador. — disse o garoto — Mas porque cê não segue seu sonho?

— Não sei, eu meio que desisti porque achei que não ia conseguir... — suspirou, frustrada — pra mim era uma coisa distante, e aí eu deixei pra lá. E também a minha irmã me chamou pra morar com ela, e eu acabei vindo e aproveitei pra estudar aqui. — Olhava para cima.

— Mas o fato de tu ter desistido, tem a ver com comentários de pessoas? — questionava, sem tirar o olhar da garota.

— Também tem isso. Sabe como é né?! As pessoas falam coisas e isso te desanima muito... — Suspirava forte — Mas e você, porque não segue o seu? — Perguntou, voltando seu olhar para ele

— Quando eu terminar essa faculdade, vou começar uma jornada por aqui por Kanto. — Falava, enquanto era encarado pela azulada — Eu só não comecei antes porque eu tinha esse mesmo pensamento que não ia conseguir, que não ia dar certo, e aí eu larguei.

— E como você fez pra sonhar de novo?

— Eu passei a me automotivar, entende?! Tipo assim, eu vi que se eu não tentasse, nunca ia saber se ia conseguir realizar ou não, então eu disse a mim mesmo que iria fazer o que eu queria fazer. — Os olhos do rapaz brilhavam a medida que falava — Claro que a minha mãe e meus amigos tiveram um pouco de influência, mas eu quis também.

— Eu gostaria de ser assim... — Olhava para o vazio — É sério, eu queria começar uma jornada, ter certeza que eu vou conseguir chegar onde eu sonho, ter esse brilho nos olhos que você tem, mas... — Suspirava — logo eu desisto. É difícil sabe?! Eu quero muito querer, mas meio que eu lembro das palavras, das coisas e aí eu deixo de lado, fico achando que é perca de tempo e tal...

Ash ouvia atentamente, sem perder nenhum detalhe. Era como se ela estivesse falando tudo que já queria ter dito anteriormente, mas que não havia tido oportunidade ainda.

— ... Aí vem gente falando que eu não vou conseguir, que é muita coisa pra mim, entre outras coisas. Aí acabo que dando ouvidos pra isso sabe... — Ficou em silêncio por poucos segundos — Mas enfim, isso é besteira, não liga muito pra isso não.

— Bom, não acho que seja algum tipo de besteira. — Falava, enquanto encara a menina — Porque veja só, quem tá vivendo a sua vida é você mesmo, certo?!

— É.

— Então, porque cê vai ligar pra comentários de outras pessoas que não vivem a sua vida? — abriu os braços e as mãos após soltar o questionamento — porque se tu deixar que os outros tomem o caminho da tua vida por você, de que adianta viver?

Dawn pensou sobre o que havia acabado de escutar. Ela não havia parado para ver por aquele lado.

— E outra, geralmente quem desmotiva os outros é totalmente negativo das coisas, pode prestar atenção que...

E ficou falando sobre, possuíndo a total atenção da menina.

No fim das contas, Dawn via que o menino seria uma boa amizade para ela.

Já Ash detinha o mesmo pensamento, e tentaria de todas as formas reacender o sonho da garota.

Seria o início de uma boa amizade.

-x-

As luzes artificiais encontravam-se apagadas. Apenas a iluminação externa adentrava ao recinto.

No relógio constavam três e quarenta da manhã. Apenas o som dos pokémons selvagens que ecoavam naquela madrugada. A cidade estava em repouso absoluto.

Diante desse cenário, seus olhos encontravam-se não cerrados. Estavam abertos, encarando o teto frente a frente consigo.

Totalmente sem qualquer tipo de vestimenta, apenas um cobertor cobria sua nudez.

De relance, olhou para o lado e bateu seu olhar com o tradicional acessório vestimental que sempre usara em suas andanças — especialmente na faculdade.

Havia acordado há vinte minutos. Estava a refletir acerca do que faria nos dias seguintes. O que antes era uma certeza, virou um dilema.

Já estavam nessa relação há quase cinco meses, e uma nuvem de incertezas pairavam sobre sua mente.

— Quero ir, mas não quero deixá-lo. — era o dilema de Dawn.

Havia dito que iria realizar seu sonho de ser rainha e ser performer profissional, mas paralelamente a isso, surgiu o desejo de que o homem na qual estava se relacionando estivesse junto a ela.

Iria no final daquele ano. Já havia deixado claro isso a todos. Logicamente, recebeu um maciço apoio das pessoas que estavam ao seu redor — Como sua mãe, irmã, amigos e logicamente de Ash.

Desde aquele período até aqui, Ash havia de fato reacendido o sonho da menina que estava guardado, fazendo com que a mesma retomasse seu entusiasmo de o realiza — coisa que nem ela achou que ele seria capaz de fazer.

Ficaram muito próximos, e essa relação transformou-se num envolvimento mais profundo — em todos os sentidos que você possa associar.

Em suma, a menina não queria desapegar-se do mesmo.

Perguntava-se a si mesmo se , em quase cinco meses desde que começaram a ser amigos de fato até ali, um sentimento forte poderia brotar em alguém. Era o que havia florescido e criado uma espécie de comunidade dentro de si. Um sentimento que não tinha há anos.

O amor.

Não havia a certeza de que o rapaz poderia sentir a mesma coisa. Afinal, combinaram entre si que seria um breve momento passageiro.

Mas, quando a semente da paixão é plantada, suas raízes são indestrutíveis. E isso é algo que não podemos ter pleno controle.

Digamos que a garota permitiu o florescimento do sentimento, e invariavelmente ela contribuiu para isso — mesmo não possuindo a certeza de que o mesmo a correspondia.

Virou-se de lado, e encarou as costas e o volumoso cabelo do rapaz, uma vez que o garoto dormia de costas a ela.

Colocou sua mão esquerda na cabeleira do menino, e fazia carinhos em sua cabeça. Sabia que ele possuía um sono deveras pesado, portanto não preocupou-se se ele iria despertar naquela hora.

Enquanto realizava a ação, pensava se durante aquele tempo, alguma coisa no tocante a sentimento havia surgido nele — assim como surgiu nela.

Se alguém a perguntasse qual sua opinião a respeito de seu pensamento, ela diria que sim, mas sem ter certeza disso. Afinal, ninguém é tão insensível a ponto de não sentir nada durante quase meio ano, não é verdade?

Sorria ao pensar na possibilidade positiva para ela, e iria guardar para si a partir daquele momento.

— Amanhã de manhã, vou falar com ele sobre isso. — Pensava, enquanto acariciava seus cabelos.

Após isso, aproximou-se e o beijou na bochecha, seguido de um abraço por detrás do mesmo, fechando os olhos.

[...]

O sol estava dando suas primeiras aparições. O relógio marcava que eram pouco mais de sete horas daquela manhã de sábado.

Pidgeys e Butterfries voavam, e o som de ambos ecoavam. Alinhado a isso, o cantar dos Dodrios propagava-se no ar.

Dentre as poucas pessoas que, até aquela hora estavam acordadas, uma em específico havia levantado momentos antes.

Havia levantado, tomando um banho e trocado de roupa. Logo após, dirigiu-se a padaria que era perto de onde residia, onde comprou os pães.

Ao chegar, tratou logo de pôr a comida de seus pokémons que já haviam despertado.

Encontrava-se ali no fogão, preparando o alimento matinal. Ao mesmo tempo que realizava a tarefa, pensava na noite anterior.

Ash não queria postergar nada no que se dizia respeito aquela relação que mantinha com Dawn, muito por conta que tinha em mente — e haviam deixado claro — que seria apenas por um tempo rápido, sem ter compromisso após.

Pois bem, esse tempo rapido já estava durando em torno de quase cinco meses. Até mesmo nas férias acadêmicas, não pararam de se encontrar.

Já havia aceitado que o sentimento havia nascido e que tinha criado forma dentro de si, e isso era algo que não pôde controlar. Quando percebeu o que estava surgindo, não quis lutar contra.

Mas isso era o de menos, em sua opinião. Estava preocupado e pensando no que iria fazer.

— Se por acaso a Dawn quiser, eu vou pra Sinnoh com ela. Depois volto e disputo a liga de Kanto — Pensava, possuindo certeza em seu pensamento.

Em sua concepção, a matemática era perfeita e sem chances de erro: Começaria sua carreira de treinador em Sinnoh, juntamente com a dela de performer.

A chance de não dar certo era quase nula. Iria conversar com ela sobre isso durante o dia.

Ouviu passos, e ao olhar para trás, avistou Dawn escorada na parede com todo o antebraço e o olhando diretamente.

— Bom dia. — Dizia ela, o olhando com uma expressão de alegria.

— Bom dia. — Respondeu da mesma maneira.

Dawn se encaminha até a mesa e, puxando a cadeira, se assentou. Pegou o pão que havia na sacola, o abriu com uma faca e puxou para si a manteiga que havia em cima da mesa.

Paralelo a isso, Ash terminava de fritar os ovos, colocando num prato e deixando-o em cima da mesa, e após colocar a frigideira dentro da pia, sentava-se para comer.

Comiam em silêncio. Aparentemente não haviam assuntos em comum para que pudessem dialogar ali. Até tinham, mas não queriam falar naquele momento.

Entretanto, a necessidade de se conversar sobre aquilo era extremamente necessária.

— Dawn, eu queria conversar sobre uma coisa contigo. — Falou, levando sua xícara de café a boca logo em seguida.

— Eu também tenho uma coisa pra conversar com você, olha que coincidência. — sorria em seguida.

Ash sorria igualmente — Sério mesmo? — recebia um aceno positivo da garota que o fazia com o crânio — Mas eu não queria conversar agora, nesse momento. Talvez mais tarde eu acho que seja melhor.

— Também acho. — terminava de comer seu pão — Quer dizer, não sei se é a mesma coisa que você quer falar comigo, mas o que eu quero falar contigo é longo, entende?!

— Sim. Então cê quer sair hoje a noite pra gente poder conversar sobre esses assuntos? — fazia o convite, olhando diretamente a ela.

— Pode ser então. E vamos pra onde? — questionou, levando a garrafa de café até sua xícara.

— Quer ir no parque? É bom que a gente se diverte e tudo mais. Depois a gente pode ir comer alguma coisa no Juc Los'baldos. Que você me diz?

— Tá aí, gostei. — apontava o dedo na direção dele num gesto de aprovação, rindo em seguida — Então vamos sair umas seis horas né?!

— Pode ser então, tá combinado gatinha. — ambos sorriam.

O momento estava propício, e âmbos iriam fazer acontecer aquilo que queriam.

-x-

Se encaminhava a pé até a residência da azulada. Não andava rápido, pois ainda estava dentro do horário.

Ash usava uma bermuda jeans azul-escuro e uma camisa branca com uma listra vermelha horizontal no peito. Calçava um sapato azul.

Chegava no local onde a menina residia. Tocou a campainha e aguardou poucos segundos.

A porta era aberta pela mesma, que apresentava-se vestindo um croped tomara que caia de cor preta com mangas curtas, acompanhado de um short jeans de coloração clareada. Calçava um sapato branco.

Ao vê-la, a puxava para um abraço e um selinho.

— Ô mulher cheirosa. — a elogiava, fazendo a mesma sorrir.

— Obrigada. Sei que você gosta do meu cheiro. — segurava no braço do rapaz, saindo com o mesmo logo em seguida.

— Gosto mesmo, melhor é quando ele fica impregnado em mim, na minha cama...

Corou de leve ao ouvir, mas não deixou de rir levemente.

No caminho, iam conversando sobre assuntos aleatórios, mas não sobre o que era para ser conversando. Pelo menos, não por aquela hora.

Chegaram ao parque que estava instalado em Celadon. Como ainda não haviam adquirido seus respectivos ingressos, trataram de se dirigir a bilheteria.

Com os ingressos nas mãos, adentraram ao parque.

Se divertiam bastante ali. Conseguiram ir em quase todos os brinquedos disponíveis para âmbos.

Em um determinado momento, o cansaço e a fome falaram mais alto, indicando que era a hora de irem embora.

Se dirigiram até o restaurante Juc Los'baldos. O recinto dispunha de música ao vivo nos fins de semana, uma vez que os clientes poderiam pedir suas músicas aos cantores que cantavam no palco. Ou então, se fosse o desejo do cliente, poderia subir ao palco para poder cantar a música de sua vontade.

Foi isso que âmbos fizeram.

Ao todo, Ash e Dawn cantaram três músicas. Logo após terminarem, foram ovacionados pelo público ali presente.

Sentaram-se a mesa, fizeram seus respectivos pedidos e aguardaram a comida chegar em sua mesa.

Estavam exaustos, mas felizes, pois aquela noite estava sendo melhor do que as expectativas que haviam criado.

Só faltava a parte principal dela, mas o melhor de tudo é sempre deixado para o final.

[...]

Sábado a noite era sempre movimentado nas avenidas. Carros faziam percursos de ida e de volta pelos asfaltos que compunham as estradas. As luzes dos veículos — alinhadas com a iluminação artificial dos postes — deixavam as ruas iluminadas ao extremo.

Naquele cenário, Ash e Dawn andavam pela parte lateral de um viaduto, onde era comum o fluxo de pessoas e veículos por aquele local.

A noite ventava pouco, fazendo um clima ameno. Era o ambiente perfeito para âmbos. O relógio indicava que estava perto das onze e quarenta.

Chegaram a um certo ponto do viaduto, onde escoraram-se de frente a barricada, uma vez que contemplavam o fluxo de veículos que se locomoviam na pista de duplo sentido, abaixo de onde estavam.

Ash suspira — Eu tô cansado... — Ria em seguida — Mas tô gostando muito. Uma pena que tá acabando né..

— Também tô exausta, mas por mim eu continuaria... Tá melhor do que eu imaginei.

— Pra mim também tá sendo assim, e eu fico muito feliz. Até cantar a gente cantou — os dois riam — Até a mulher lá do restaurante te chamou pra ir mais vezes lá né?!

— Foi, e se der certo eu tô lá de novo, qualquer dia desse. Tu vai comigo né?!

— Claro, sempre quero mostrar minha voz potente.

Riam, e depois ficaram em silêncio.

Entendiam que ali era o momento na qual o objetivo da saída havia chegado. O melhor que sempre vêm no final.

Era a oportunidade. E não ia desperdiçar.

— Então... Cê disse que queria conversar alguma coisa comigo, hoje... — disse a azulada, olhando o que havia em sua frente

— Te trouxe pra cá foi pra isso mesmo, e eu não vou enrolar muito não. — falou, olhando para o mesmo ponto que a menina.

Ele não pretendia fazer muitas cerimônias. Obviamente que não iria falar muito diretamente, mas iria dar um contexto antes de falar.

— Então pode falar, estou te ouvindo. — Olhava para ele de forma a se atentar a cada palavra que fosse ouvir.

Por um momento, achou que poderia ser algo parecido com o que ela iria falar para ele, mas não quis ter certeza disso. Apenas queria saber do que se tratava.

Embora torcesse para que fosse isso.

— Cê lembra que, quando a gente começou a ficar, combinamos que seria só por um tempo curto. Certo?! — Olhou para a garota, que acenou positivamente com a cabeça. — Então, a gente tá há cinco meses nesse tempinho. — ambos sorriem depois desta fala.

— Isso é verdade. Meio que a gente não quis largar, de tão bom que tá. — Disse Dawn, com um sorrisinho.

— Aí o que acontece, Dawn... — olhava fixo para os carros — Acho que depois de dois ou três meses, não lembro direito, eu acabei que gostando mesmo de você. Eu não queria sabe, porque a gente deixou claro que-

— Que não era pra se apegar né?! Que era só um momento ali e depois cada um seguia e tal. — falou, virando-se para o rapaz — Que nem eu e nem você poderíamos ter sentimento sério.

— Exatamente... — ficou com um semblante neutro após falar. — Mas aí eu acabei não conseguindo não criar nada. A gente tá bem dizer quase meio ano se envolvendo. Só se eu fosse um psicopata pra não sentir nada né — Sorria, acompanhado da menina.

— Bom... — olhava para o chão — Eu também sinto a mesma coisa por você.

Ash olhou para a menina, virando-se logo em seguida.

Ele não era burro, sabia que a menina poderia sentir algo, então resolveu ouvir tudo aquilo que ela teria para falar a ele.

— Pode falar o que você quiser. — Ash falou, dando a brecha para que a azulada falasse tudo aquilo que queria falar.

— Já tem uns três meses que eu aceitei que eu gosto de você. Eu não quis lutar contra isso, porque é algo que não tem como arrancar sabe, então eu permiti que isso nascesse em mim. — A cada palavra dita, o sorriso aumentava — E eu queria te falar isso, que eu te amo. Como você disse, só se eu fosse uma psicopata pra não sentir nada durante esses quase seis meses — falou sorrindo, o olhando no fundo de suas orbes — E pra sentir amor, tem que ser algo bem profundo, e é isso que eu sinto por você. Eu nunca tive essa sensação com ninguém, você é o primeiro.

Ao ouvir aquilo, Ash puxou a garota para si e lhe beijou. Aquela atitude prontamente foi correspondida pela garota.

Foi demorado, mas necessário.

— Eu tenho quase certeza que eu te amo também, Dawn. — Ambos sorriam após tal declaração.

Entretanto, a alegria que tomava conta da menina, foi dissipada quase pela metade. Realmente esse detalhe não sobreveio a sua memória naquela hora.

Todavia, lembrou que conversaria sobre isso naquela noite. Como âmbos já havia externado o que sentiam um pelo outro, viu a oportunidade para matar sua curiosidade.

— Mas você tá lembrando que no fim do ano eu vou voltar pra Sinnoh? — mudou o semblante, olhando-o diretamente.

— Lembro sim. E eu vou com você. — falou, sorrindo para ela.

Dawn não sabia o que sentir naquela hora, após tal afirmação do garoto.

— É sério?! — Ash confirma com a cabeça — Mas e a faculdade? Cê também disse que queria começar uma carreira de treinador aqui, não disse?!

— Sim, eu ainda quero ser treinador, e é por isso que eu vou começar em Sinnoh, fazendo uma jornada com você. Sobre a faculdade eu posso fazer depois, isso não me preocupa muito. — dizia, olhando para as orbes azuladas da menina. — Mas eu só vou se voce quiser que eu vá com você, eu não gost-

— Eu quero! — exclamou, com muita convicção — Eu quero muito...

Ash sorri — Eu vou pra onde você for. Eu não quero... — segurou a cintura da menina, aproximando-a para si — Não quero te deixar...

— E nem eu quero partir sem você... — o abraçava, repousando sua cabeça em seu peito.

Em seguida, os olhos da menina marejavam, fazendo com que gotículas de água caíssem de suas córneas.

O moreno percebeu. Ao olhar para ela, a viu daquela maneira.

Ash se desvencilha do abraço — Que foi?

— Não, é que... — limpava o rosto com as costas da mão esquerda — eu acho que encontrei meu esposo. E eu nem tava procurando sabe, ele só apareceu de repente mesmo. — Sorria, enquanto emocionava-se mais — Sabe como é né?! casar, ter família e essas coisas.

— É uma coisa que tu sempre quis? — questionou enquanto a puxava pela cintura novamente para um abraço.

— Olha... — Retribuía o abraço — Só digo que com você eu quero. E você? — Olhava para ele.

Ash devolvia o olhar — Bom... não me vejo fazendo família com outra mulher que não seja você. — beijava a testa dela em seguida.

Logo após, deram outro beijo, esse mais demorado.

Agora âmbos tinham a certeza de que não existia a possibilidade de deixar um ao outro.

Caminhariam juntos para sempre.

-x-

— Atenção senhores passageiros do vôo 5632, que tem por destino a cidade de Alamos, em Sinnoh, aqui quem vos fala é o comandante deste vôo. Antes de iniciarmos esta viagem, gostaria de passar algumas recomendações. — falava o piloto da aeronave.

Ash e Dawn faziam parte do corpo de passageiros daquele avião. Estavam rumando até a região natal da garota, afim de realizarem seus respectivos sonhos.

Em meio ao falatório do comandante-mor da viagem que seria realizada, o casal escutava atentamente a tudo o que lhes eram repassados.

Ao final do que estava sendo repassado, seguiram as recomendações citadas. Após um tempo, a aeronave dava início a sua partida, saindo da pista e tomando os ares kantonianos.

Dawn, que estava no lado da janela, estava pensativa.

Contudo, resolveu quebrar o silêncio ali mesmo.

— Ash... — chamou pelo moreno, o olhando.

— Que foi? — questionou, devolvendo o olhar.

— Eu acho que... A minha menstruação atrasou.


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!