Sem as Linhas

16 XV- A culpa amargurada de Alex Springmann


Notas iniciais
Olá, pessoal tudo bem? Estou mt feliz com esse capítulo, está demaaaaais *-* ADOREI e vcs mal podem esperar pelo próximo hehehehe o/ Bom, não sei se postarei nesse final de semana, mas espero que sim, senão... Vocês já sabem, entre segunda e terça-feira da semana que vem estarei postando e contarei pra vocês como foi o meu primeiro dia na faculdade (Que meddddo '-') Bom, é isso... Vou tentar ao máximo postar no final de semana, ok? Desculpem-me algum erro e me CONTEM O QUE ACHARAM DA NOVA CAPA *---* Gente, eu ameeeeeei... Ainda sou meio leiga nisso, mas tentei ao máximo fazendo uma vídeo-aula no youtube asuasuiashiusha Bom, eu achei uma foto pra capa da Estefani com o cabelo de duas cores (vermelho e azul, sério foi mt dificil encontrar '-' kk ), mas no fim, eu encontrei aquela garota japonesa liiinda e é exatamente como imaginei ela, então ficou assim... E, o Alex, eu até já tinha postado pra vcs uma foto dele num capítulo, então foi fácil... Bom, vou indo...

~POV Alex~

Assim que eu saí da estação de trem, eu estava atordoado. Não acreditava no que eu havia feito, eu estava machucando pessoas.

Mas, ela mereceu.

Minha cabeça girava e minha respiração era curta o suficiente para dizer que estava com falta de ar.

Quando consegui sentir o ar entrando e saído dos meus pulmões normalmente, e vendo o gelo que estavam às ruas de Porto Alegre, meu celular tocou:

–Alex. –Eu disse com precisão.

–Senhor Alex, por favor, poderia ir ao encontro de sua mãe? Ela deseja falar com você. –Reconheci a voz de Gustavo no telefone: Sempre calmo e paciente.

–O que a velha quer? –Perguntei, sentindo minha raiva tentando ultrapassar os meus limites e me desafiando.

–Não sei lhe informar, senhor. –Disse ele com a maior calma do mundo e falando pausadamente — Somente sei que ela quer falar com o senhor. –Disse por fim.

–Tudo bem, estou a caminho. –Eu disse irritando-me com sua calmaria e me perguntando como ele poderia ser assim trabalhando com a minha mãe.

Andei um pouco até a rua de baixo e encontrei o meu carro.

Entrei no mesmo, onde meu motorista me esperava e, sabendo do destino, deu a partida.

Chegamos rápido até a minha casa e logo já estava passando pelos longos e vazios corredores da minha casa.

A casa a qual vivo é bem grande e espaçosa, embora não tenha muitas pessoas, tem diversas peças caras de tapeçaria, porcelanas, cristais e até mesmo um quadro pintado por Vincent Van Gogh, o qual sempre encarava enquanto pensava em minha vida: Noite Estrelada.

Passando pelo corredor principal, o vento atravessava o meu ser e me fez olhar rapidamente para as janelas da sala de jantar, amaldiçoando-as por estarem escancaradas, a ponto de me dar arrepios.

Mas, não sabia ao certo se sentia isso de frio ou de medo.

Mas, também não sabia se tinha medo, pena ou raiva da minha mãe.

Do que adianta ter tanta riqueza e nem sequer conhecer o amor?

É o que rodeava minha cabeça antes de entrar no grande escritório da minha mãe, ao final do grande corredor que dava acesso também à sala de jantar.

Quando toquei na maçaneta e a girei, apressei o meu passo e entrei na sala, fechando a porta atrás de mim.

Ela estava atrás de sua mesa gigante, e sua confortável cadeira preta de couro, à qual estava sentada, de costas para mim.

Senti uma pontada na garganta e me aproximei.

Sem dizer nenhuma palavra, ela sabia que era então se virou bruscamente, buscando os meus olhos constantemente, mas não a deixei desvendar o que estava por trás deles: Culpa, medo, pena e raiva.

A culpa toma conta de todo o meu ser, todo o meu espírito.

Os olhos verdes de Estefani carregados de lágrimas e suas bochechas encharcadas mexeram com a minha cabeça. Mexeram com o meu coração, e desde então a culpa me persegue: Desde algumas poucas horas atrás.

–Pode-me dizer onde estava? –Ela perguntou com arrogância, ainda tentando enxergar os meus olhos suficientemente para saber o que eu estava sentindo.

–Não. Assuntos pessoais. –Eu respondi secamente.

–Você fez o que eu mandei? –Ela perguntou cruzando as pernas debaixo da mesa de vidro gigante.

–A encomenda? –Eu perguntei agora olhando pra ela, aproveitando que ela havia desviado o olhar.

–Sim, Alex Springmann. –Ela respondeu largando os seus papéis e olhou em meus olhos.

–Mas eu pensei que era o Marcos que havia feito a encomenda... –Eu dei de ombros, mas ao mesmo tempo assustado.

Não pensei que ela seria capaz de pedir isso pra mim. Achei que havia sido o Marcos.

–Por isso tem que aprender ainda muita coisa, querido. –Ela disse num tom debochado. –Nos negócios nunca falamos a verdade, apenas o que é do nosso interesse. –Ela falou fitando a armação de seus óculos que estava entre os seus dedos. –Tudo nesse mundo pode ser verdade, você apenas precisa mentir e mentir, até que algum babaca como você, acredite. –Ela disse rindo e jogando sua cabeça para trás.

–Você sabe muito bem que ano que vem eu quero me mandar pra bem longe desse lugar. –Eu disse, com os punhos cerrados de raiva.

–Romênia, certo? –Ela disse, encarando os papéis, mas parou por um momento fitando-me por cima dos óculos que pousavam na ponta de seu nariz pontudo e fino.

–Você sabe que é. –Eu disse com um tom de voz meio alto.

–Então, tem que terminar todo o seu serviço aqui, além de terminar o ensino médio... –Ela disse, encarando-me e eu permiti, desta vez.

–Eu já sei disso. –Eu disse.

–Não pense que simplesmente irá desfrutar do meu dinheiro na Europa sem fazer nada. –Ela disse, apertando as suas mãos uma na outra.

–O que eu terei que fazer? –Eu perguntei ríspido.

–Estudar, que-ri-do. –Ela disse num tom de escárnio e pude ver a malícia no adjetivo.

Velha maldita.

–Tudo bem, como quiser. Mas, trato é trato. –Eu disse, girando os calcanhares para ir até a porta. –Ano que vem estarei lá e sem você. –Eu disse dando ainda uma olhada para trás antes de abrir a porta.

–Você quem sabe, mas não será nada fácil até lá. –Ela disse dando uma piscadela pra mim, até que eu fechei a porta, bloqueando o nosso continuo e assustador contato visual.

Caminhei até o meu quarto, tentando livrar a minha mente de muitos pensamentos insuportáveis e ainda me lembrava da minha mãe.

Quanto tempo não a chamo assim, decerto faz uns dez anos, no mínimo.

Sempre sem tempo para o seu filho, com aquela aparência brava e dominadora.

Dona da riqueza, dona de seu filho e não mãe... Sempre me tratou como um objeto e quando fiquei adolescente, nossa raiva mútua somente cresceu e eu pude demonstrar à ela que tinha nojo de sua vida medíocre e que a riqueza me importava.

Talvez por causa dela, da aparência forte, eu pareça ser assim para outras pessoas, mas sempre busquei ser o oposto dela, pelo menos até agora.

Só que ela pretende me tornar como ela, com suas chantagens, ameaças, etc.

Tem dias que eu acho que me perdi na vida, mas esse pensamento começou a para de me atormentar no dia em que conheci Estefani.

A garota atrapalhada, dos olhos verdes, estressadinha e a qual eu preciso ver constantemente.

Meu corpo clama por ela sempre que sinto um vazio dentro de mim e, embora agora tiver feito ela me odiar, eu ainda preciso dela, embora ela ter me ferrado.

Com certeza amanhã Marcos iria me ameaçar ou fazer coisas pra mim desagradáveis, como sempre.

“Você não vale nada, nem a comida que come.” “Ingênuo, idiota, sempre atrapalhando o meu esquema.” – Lembro-me muito bem de sua voz em meus ouvidos e a arma colada em minhas têmporas.

Preparei-me para ir dormir, deitei-me em minha cama aconchegante e quando achei que iria descansar um pouco o meu ser, os pensamentos voltaram a me rondar.

...

Acordei e fiz minha rotina matinal rapidamente, e sem tomar café fui para a escola.

Não queria ir até lá, pois eu previa que algo ruim aconteceria.

Chegando lá, me encaminhei para o portão o qual sempre eu entrava, mas quando o pessoal do colégio me viu, senti um burburinho aumentar.

O diretor então se aproximou de mim e com o olhar reprovador, disse:

–Queira me acompanhar, Springmann. –Ele disse fazendo menção para que eu o acompanhasse.

Chegando a sua sala, o senhor Oliveira, sentou-se à minha frente e começou a falar o motivo de eu estar em sua sala:

–Alex, alguém fez uma denúncia anônima à escola hoje de manhã e disse que ontem à noite você fez tentativa de sequestro, além de manter uma aluna nossa em cárcere, claro, foram apenas algumas horas, mas mesmo assim é considerado um crime. –Ele disse encarando os meus olhos.

Eu não tinha palavras. Apenas fiquei observando-o e imaginando o castigo que ele determinaria pra mim.

–Você tem alguma coisa a dizer? Concordar? Discordar? –Ele perguntou. –Eu estou lhe dando uma oportunidade de dizer que talvez essa pessoa esteja mentindo por ser uma brincadeira de muito mau gosto.

–Não, essa pessoa não está mentindo. –Eu disse, baixando a cabeça, fitando os meus próprios pés.

A vergonha me dominava.

–Então, já que afirma que isso é verdade, terá que ter um castigo justo. –Ele disse inclinando-se para frente na cadeira, tentando me atingir com suas palavras.

–Pode mandar. –Eu disse, olhando para ele, tentando passar uma mensagem mútua que ele não me dava medo algum, de certa forma bem arrogante.

–Você terá suspensão de cinco dias. –Ele disse, por fim.

–O que? –Eu perguntei, exasperado, levantando-me da cadeira e encarando ele ainda sentado e apoiando minhas duas mãos em sua mesa.

–Sim e eu ainda acho pouco. –Ele disse. –Se você não queria isso, deveria ter pensado melhor. Sorte a sua que a vitima não foi até a delegacia.

–Mas eu sou menor. –Eu disse dando um sorriso irônico.

–Isso não diminui a sua culpa. –A frase que saiu do meio de seus lábios teve um poder muito grande sobre mim e, logo em seguida, com os meus olhos marejados, decidi falar com a raiva me dominando:

–Você tem razão, mas essa pessoa teve o que merecia. –Eu disse, cerrando os punhos e saindo pela porta de sua sala, batendo a porta com a força que encontrei.

...

O resto da semana eu passei dentro do meu quarto enchendo a minha cara com vodca e, o torpor tomava conta de minha mente insana.

Passei o resto das horas de sábado deitado na cama, podre, com a barba por fazer, a culpa tomando conta do meu ser.

Como queria ter o meu pai por perto, como queria ter alguém bom em quem me espelhar, queria ter alguém para me entender...

Mas, meus pais sempre acharam que se me empanturrando de presentes caros, eu seria feliz.

Grande erro.

Se eu fosse pobre, garanto que seria muito mais feliz, assim como acho que a Estefani deve ser.

Estefani... Uma dor se instalava no meu peito toda a vez que lembrava aquela cena, de tudo o que causei a ela, e também o ciúme me deixava louco... Afinal quem era aquele cara que ousou chegar lá e bater em mim...

As suas lágrimas que riscaram o seu rosto naquele dia ficaram presas em mim como uma foto.

Eu estava de fato ficando louco.

Meu celular vibrou no meu bolso. Revirei os olhos.

Mas que INFERNO! Não se pode nem encher mais a cara em paz! –Resmunguei antes de tirar o celular do bolso e atender, meio sonolento e tonto devido o efeito do álcool.

–Oi, cara, de boa? –Disse Felipe ao telefone.

–Oi, não to de boa não. –Eu respondi com a língua meio enrolada.

–O que tá pegando? –Ele perguntou. –E, você sumiu da escola... Nem sabe os boatos que está rolando.

–Eu estava enchendo a minha cara aqui, mas nem você me deixa em paz, não é? E, mais, que se EXPLODA os boatos! –Eu falei meio tonto e enrolado, mas com a voz alterada.

–Mas cara, estão dizendo que você sequestrou uma garota do Hexágono! –Ele disse, suplicando para que eu o escutasse com seriedade.

–E é verdade, meu querido amigo. Há há há... –Eu disse rindo, na verdade nem sabia do que estava rindo, mas queria rir.

O álcool tomando conta do meu ser, impiedosamente.

–Olha só, eu te liguei pra ver se você quer ir numa festa no clube que vai ter... –Ele falou.

Não pensei duas vezes: Uma boa chance de encher a cara e afogar as mágoas mais um pouco.

–Tudo bem, que horas vai ser? –Eu perguntei.

–Ah, por volta das onze horas começa... Mas eu acho que vou umas dez e meia pra lá... –Ele disse. –Se quiser uma carona, posso te dar... –Ele disse.

–Mas é claro! –Eu disse, rindo.

–De boa, quando eu tiver aí na frente da sua casa, te ligo. –Ele disse e desligou.

Então, levantei da cama e parecia que eu tinha duzentos quilos em cada perna.

Vou anotar mentalmente para usar algo menos forte da próxima vez, tipo cerveja.

Peguei uma calça preta, um cinto de rebite, um sapato preto e uma camisa branca social, no meu guarda roupa nada pequeno e me dirigi até o banheiro em busca de socorro de baixo de uma água morna para aliviar a tontura da bebedeira.

Liguei a água quente e deixei que a mesma castigasse a minha pele, para que eu sentisse ao menos um pouco da dor que eu havia causado em Estefani...

Ah, ela vai me enlouquecer!

Comecei a lembrar dela mais um pouco e comecei lentamente a chorar...

Não chorei exatamente por ela, mas eu sempre quis ter alguém que se importasse comigo, desde a minha infância e, como em troca eu só recebia abraços frios e dinheiro e não o afeto em si, lembrava-me do que ela havia falado pra mim chorando naquela noite:

*Flashback On*

–E-e-eu quero te ajudar, Alex. – Disse ela sussurrando. — Acredite, eu não fiz nada. –E as lágrimas que eu temi tanto riscaram o seu precioso rosto. — Eu só quero ser bem aceita naquela escola, só queria que você entendesse, por favor. –E, nessa hora eu quase disse que entendia ela, porque tudo o que sempre quis e busquei em minha vida era ser bem aceito pelos meus próprios pais.

E, naquele momento eu quase fraquejei, deixando algumas lágrimas escaparem, mas ao invés disso, eu pisei ainda mais no seu coração.

*Flashback Off*

Vesti-me lentamente, me permitindo sofrer mais um pouco e quando me olhei no espelho, encarei-me com nojo, me lembrando das palavras de Estefani...

“Você quer colocar medo em mim com as suas ameaças, mas não consegue convencer a si mesmo de que é um fraco.”

Eu ri sem humor pra mim mesmo me encarando... E, não é que ela tinha razão.

Notas finais
Até o próximo meus queridos leitores! Espero que tenham gostado! Espero reviews, beiijos liindos