Sem as Linhas

7 VI- A Lei de Murphy me acompanha


Notas iniciais
Hey! tudo bem? Amores, hoje estou aqui trazendo mais um capítulo fresquinho pra vocês. Espero que gostem! Beijos

No dia seguinte, acordei com a cabeça doendo e ainda parecia um sonho toda a conversa minha e do Fredi.

Desci as escadas de casa e fui para a cozinha comer alguma coisa. Meu estomago protestava de fome.

–Oi mãe. – Eu disse com desânimo.

–Oi, filha. –Ela disse me olhando de cima a baixo, mas o seus olhos pairavam sobre o topo da minha cabeça.

–Que houve? –Olhei-a incrédula.

–É... Hoje eu queria que você comprasse o seu uniforme da nova escola. Darei-te o dinheiro. –Ela disse, dando um longo gole de seu café que estava na mesa.

Ela estava sentada à beira da mesa, terminando de organizar a sua bolsa para ir ao trabalho.

–Tudo bem. Eu só preciso saber o nome da escola... –Falei dando de ombros e devorando uma torrada que eu acabara de fazer.

–O nome da escola é St. Hexágono Royal. –Disse ela me fitando.

–O quê? – Eu disse arregalando os olhos e me engasgando com a minha bebida quente.

–O que foi menina? –Ela disse olhando as horas no relógio. Ainda eram 07h00min.

–Nada... Só achei estranho esse nome. –Eu disse limpando as migalhas de pão que estavam no meu colo.

–Tá, olha só... Eu preciso ir trabalhar, tome o dinheiro — Disse ela dando-me um rápido beijo e me entregando duzentos reais. –Compre algum material escolar se lhe falta e as suas passagens de ônibus estão aí. –Ela já estava saindo pela porta, quando eu disse:

–Tchau, mãe. Te amo. –Dei um berro.

–Eu também. –Deu um aceno com a mão e uma porta de madeira bloqueou o nosso continuo contato visual.

Logo depois do horário de almoço, resolvi tomar um banho e me arrumar para comprar o uniforme.

Escolhi uma calça jeans azul, uma blusa preta que eu não prestei muito a atenção na estampa, um tênis preto com roxo. Decidi cobrir os meus cílios com rímel e passei um batom muito claro e opaco. Meus cabelos vermelhos revoltosos molhados, eu deixei-os soltos.

Quando eu saí de casa, já era cerca de uma da tarde. O vento que soprava não ajudava muito o meu cabelo a se comportar, mas eu não me importei, afinal estava muito feliz com o frio que estava fazendo e o céu nublado que estava sob minha cabeça.

Fui caminhando e ouvindo música até a parada de ônibus, dessa vez a voz de Morrissey explodia em meus ouvidos.

Esperei cerca de quarenta minutos pelo ônibus da linha 1225 que me levava até a avenida mais movimentada da cidade e, onde, certamente encontraria o uniforme do Hexágono.

Sentada no ônibus eu deixava meu pensamento voar, mas fui atrapalhada quando meu telefone começou a tocar. Revirei os olhos, nunca conseguia ficar em paz.

Mas que diabos? Número privado... Que maravilha! – Franzi a testa.

–Alô? –Comecei com a voz irritadiça.

–Oi, Téfi, tudo bem, menina? –Disse ele com a voz determinada e doce ao mesmo tempo no telefone.

–O-oi, Rui, tudo bem e com você? –Eu disse com a voz trêmula, sentindo-me uma idiota.

–Tudo sim... Mas, e aí... Não fala mais comigo, então? –Ele disse. A ligação cortava um pouco e o barulho dentro do ônibus era estridente.

–Ah, eu ando com muitos problemas na minha casa, e eu entrei esses dias na internet e você não estava. Eu meio que desisti. –Falei num tom brincalhão para não deixar o clima tenso entre nós.

–Hum, é que eu fiquei meio preocupado no dia que a gente se falou... No fim, eu acabei não saindo com os meus amigos no shopping. –Ele disse esperando por uma resposta.

Mas, eu não sabia o que responder.

–Ah, me desculpe por aquilo. –Eu disse sinceramente, sentindo meu rosto ficar vermelho pensando na última vez em que nos falamos. Como fui infantil e ciumenta.

–Eu te entendo, você está cheia de problemas. Mas, que tal nos falarmos hoje à noite? Eu estou livre, por incrível que pareça. –Ele disse rindo.

–Tudo bem. Mas, agora eu preciso desligar, eu estou na rua. De noite a gente se fala. –Eu falei percebendo que a minha vez de descer do ônibus chegou.

–Tá bom. Pode ser à 20h00min?

–Pode, sim. –Eu disse levantando-me e caminhando até a porta.

–Ok, garota. Beijos, até mais tarde. –Ele disse.

–Beijos, Rui. –Eu me senti totalmente boba e apaixonada de novo.

Desliguei o telefone e fui para fora do ônibus. Eu estava tão alegre que nem me importava com a leve garoa que caía e que fazia arrepiar-me toda.

Chegando à avenida, logo avistei uma loja de uniformes. Caminhei até lá e entrei na loja.

Tinha muitas pessoas lá, o que era muito estranho, afinal é metade do ano, praticamente... Mas o quê? As pessoas trocavam tanto assim de escola? – Fiquei meio embasbacada com a possibilidade.

Como estava cheia a loja, não tinha ninguém para me atender. Resolvi escolher na prateleira da minha escola o meu uniforme. Mas, como eu iria alcançar o uniforme? Eu era baixa e a prateleira tinha cerca de quase dois metros de altura, o que não ajudava e o meu uniforme estava lá quase no topo.

A loja tinha vários balcões e prateleiras. Tinha uma prateleira do hexágono de camisetas e do lado oposto dessa prateleira, tinha só calças de diversos modelos e tipos.

Tinha um menino do outro lado que estava quase dando à volta para olhar as camisetas e eu fiquei na minha, apesar de ele ser alto e com certeza alcançar a camiseta que eu desesperadamente tentava colocando os meus pés nas pontas dos dedos.

Foi quando ele estava do meu lado e eu meio sem perceber o que fazia direito, puxei com a força que encontrei, trazendo junto pra baixo toda a pilha de camisetas, o que por sinal, eram muitas.

Quando senti o que havia feito, o menino do meu lado estava no chão com muitas camisetas ao seu redor e eu estava caída do lado dele, com o rosto pegando fogo.

–Meu Deus! Me desculpe, e-eu não sei o que eu fiz. Sério, me desculpe. –Eu falei meio sem fôlego e tentando desesperadamente me desculpar. –Eu sinto muito. –Falei levantando-me e oferecendo a mão pra ele se levantar.

–Sério mesmo que você sente? Não acho que seja muito convincente essa sua desculpa. –Ele disse em tom irônico e vi um sorriso em seus lábios.

Ao invés de responder, recolhi a minha mão que oferecia ajuda e ofereci em troca um dedo do meio, o qual esfreguei por toda a extensão de seu nariz. Saí daquela confusão de roupas, reparando tristemente que todos estavam observando aquele barraco.

Fiquei vermelha de tanta vergonha, mas logo uma moça simpática veio me atender e ela que se desculpou por não ter ninguém para me atender.

Logo depois de quase todas as roupas estarem no lugar, disse os meus números pra ela e fiz a compra.

Mas, quando estava prestes a sair da loja, o tempo estava feio. Uma chuva intensa escorria pelas vidraças da loja e eu imaginei aquelas gotas congelantes em minha pele.

Foi quando vi o garoto que eu fiz toda a confusão. Ainda me sentia envergonhada, mas ele também estava saindo da loja e ele, ao contrário de mim, tinha um guarda-chuva.

–Ei! –Chamei meio baixo.

Ele não ouviu, ou fingiu que não ouviu.

–HEY! –gritei. – Então, ele se virou pra mim com os olhos arregalados.

–O que você quer, agora? –Ele disse olhando nos meus olhos.

–É... Hum...Você poderia me dar uma carona? –Falei apontando para o seu guarda chuva que ele segurava e em seguida encarei os meus próprios pés.