Sem ar

1 Sem ar - Capítulo Único


O fel escarlate desce imparcial

O escrutínio do ímpio paira sobre mim

Porque meu único pecado é visível

Despindo-me para o mundo

Rejeitando-me diariamente

Entre grilhões e o açoite comumente

Vida trucidada pela paleta da noite

Impregnada em meu corpo

Estampada como uma anátema social

Par de demônios em sua libré sistêmica

Sem pudor, sem humanidade

Liberam palavras rançosas, demoníacas

Agindo feito porcos na lavagem anêmica

Comendo o restos da sabujice brancossulista

Sinto minha face crestar sobre o asfalto

Sinto arrancar-me minha humanidade

Sinto a não vergonha do homem alto

O vilipêndio dos suínos rosados

Sem ar fico...

Meu único companheiro se esvai

A escuridão em meus olhos

Um cheiro amargo me atrai,

da senhora morte vestida de preto

Preto

Preto...

Preto!

A "maldição" para os porcos

Em minha pele estava

Sem chance, sem saída

Minha vida preta não importava

Olho-me no espelho do preconceito,

que é o asfalto sob meu corpo

A América dos porcos, devorando humanidades

Tratando afros como animais

Os porcos bastardos

Os porcos rosados

Roncando idiossincrasias bestiais

Notas finais
Crítica à violência policial aos negros.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!