Sem Você (Eu Sou Um Desastre)
2 Parte dois.
Notas iniciais
Então, né, acho que eu demorei de mais .-. Tem gente esperando ainda? (espero que sim, esse capítulo deu trabalho)Bem, se tiver, só tenho uma coisa a dizer: boa sorte com essa coisa extremamente anorme! Acho que me empolguei demais '-'
Ah, sim, tem uma parte em que aparece uma wild musiquinha ai no meio, então ta aqui o link, se alguém quiser ouvir:
http://www.youtube.com/watch?v=aYtCU0FLejU&feature=fvwrel
P.s: a música é do divoso do Elvis, mas achei melhor colocar a coisa na voz da Janet Devlin, porque acho que fica melhor com o capítulo, sei la)
É isso ai xD
Parte dois.
O dia seguinte foi um dos menos produtivos da minha vida. Metade do dia eu passei dormindo, a outra metade eu passei bocejando.
Tom me deixara um bilhete em cima da mesa com o café da manhã dizendo que foi fazer compras, já que mamãe e Gordon simplesmente pareciam ter esvaziado a dispensa antes de saírem de viagem. O bilhete era mais ou menos assim:
“Bom dia, Bius.
Espero que goste do café da manhã; se não gostar, faça o favor de ir se foder, obrigado.
Eu não quis te acordar porque você estava dormindo feito uma pedrinha, mas se quiséssemos sobreviver ao resto das férias, precisaríamos de comida, então fui fazer umas compras. Não me espere para o almoço, vou comer alguma coisa na rua. O resto da macarronada de ontem está no micro-ondas. COMA!
É isso aí.”
Revirei os olhos com o projeto de bilhete e me deleitei com o café da manhã, que estava muito bom, pra falar a verdade, mas não segui as ordens dele – e isso quer dizer que eu não almocei porra nenhuma.
À tarde, me sentei no parapeito da janela da sala com um caderno e uma caneta na mão e fiquei esperando Tom voltar. Uma xícara de café descansava ao meu lado, mas já estava frio a essa altura. Deixei que a caneta deslizasse pelo papel e não me surpreendi quando o rosto do meu irmão começou a tomar forma ali, em meio a palavras desconexas acrescentadas às bordas. Por fim, escrevi algo mais ou menos assim embaixo de tudo: “Meu coração se quebra em cada batida, eu não consigo explicar o que você faz comigo. Quando você sai, tudo fica errado na minha vida”. Rabisquei a frase e revirei os olhos. Pelo visto, íamos ter muitas coisas para queimar nesse natal!
O barulho da maçaneta me fez derrubar o caderno e, antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, Tom já estava entrando em casa, então apenas chutei-o para debaixo do sofá junto com a caneta e fingi que estava tudo bem, indo recepcioná-lo.
– Quer ajuda? – Perguntei, vendo-o escondido atrás de uma montanha de sacos de supermercado.
– Não, obrigado. – Respondeu Tom, levando tudo para cima do balcão da cozinha.
Lancei um olhar para o relógio que ficava pendurado em cima da porta e estreitei os olhos na direção dele.
– Por acaso você foi a algum supermercado em Los Angeles? Ou em Marte? – Perguntei arqueando uma sobrancelha.
– Err, não. – Disse ele, coçando a nuca. Revirei os olhos e me retirei, sabendo que ele se engraçara com alguma garota no caminho e por isso demorara. – Ei, Bill, não é nada disso que você está pensando, eu só...
– Eu não pensei nada. – Interrompi-o, me jogando no sofá da sala. – Eu disse que pensei alguma coisa? Acho que não. Então não sei por que você está se explicando. A vida é sua, Tom, faça o que bem entender dela, eu sempre digo isso pra você.
Eu sentia o tom estranho que a conversa tomava, na minha mente parecíamos um casal discutindo e para o meu desgosto constatei que eu era a 'mulher' ciumenta da cena. Ri do aperto patético em meu peito, que me dizia que eu realmente gostaria que a situação fosse essa.
– Não. – Murmurou ele, sentando-se ao meu lado. – Dessa vez, eu realmente não estava com ninguém, Bill. Eu não deixaria você sozinho o dia todo pra sair com alguém. Se eu quisesse sair com alguém, eu te diria antes. Você é meu irmão gêmeo, não é como se eu tivesse uma vida particular que você desconheça, eu sempre divido tudo com você!
Imediatamente, minha cabeça viajou para aquela lista que eu escrevera no aeroporto antes de pegar o avião para Berlim. Cinco coisas que Tom não sabia sobre mim; senti-me um pouco culpado por saber tudo sobre a vida dele e não deixar que ele saiba tudo sobre a minha. Mas, de um modo ou de outro, não é como se eu pudesse revelar aqueles segredinhos numa boa, assim, pra ele. Resolvi esquecer.
– Tá tudo bem, Tom. – Respondi, sorrindo para enfatizar o que eu dissera. Não posso dizer que ele acreditou no sorriso (nem eu acreditei), mas era o suficiente por enquanto.
– Eu vou guardar a compra.
– Não, deixe que eu guardo, vá tomar um banho, você deve estar cansado. – Falei me levantando de um pulo e indo para a cozinha.
Fiquei uns bons quinze minutos guardando a compra; Tom parecia querer alimentar um batalhão com o tanto de comida que comprara, mas eu conhecia seu lema (melhor sobrar que faltar), então apenas dei de ombros e guardei tudo em seus devidos lugares. Estava terminando de colocar uma bandeja de iogurte na geladeira quando Tom desceu as escadas correndo e me gritou da sala.
– Hey, comida chinesa ou italiana?
– Pizza! – Gritei de volta, fechando a geladeira e seguindo sua voz.
Tom estava sentado no braço do sofá, com o telefone preso à orelha por uma das mãos e a toalha na cabeça. Fez um joinha pra mim com a mão desocupada e sorriu.
Balancei a cabeça em negativa e me sentei ao seu lado para esperar, apoiando o cotovelo em sua perna. Quando terminou de falar, ele escorregou de cima do braço do sofá para cima de mim.
– Desfiz as rastas. – anunciou fazendo uma careta.
– Por quê? – Perguntei, erguendo uma sobrancelha e levando as mãos à toalha, tentando tirá-la.
– Pra lavar. – Respondeu ele, batendo na minha mão para afastá-la. Dei de ombros, emburrado. – Depois do jantar, você pode refazê-las pra mim?
– Você sabe que poderíamos ir a um cabeleireiro amanhã, né?! – Perguntei, ainda de braços cruzado, olhando-o de esguelha e fingindo estar bravo.
– Sim. – Respondeu ele, se endireitando e saindo de cima de mim. – Mas a sua fica mais bonita.
– Ótimo. Tá legal, depois do jantar a gente vê isso. – Respondi.
Ficamos por ali durante um tempo, esperando a pizza. A campainha tocou ao mesmo tempo em que o meu celular fazia um escândalo em algum lugar da casa.
Tom foi atender a porta e eu corri até a cozinha, parando derrapando com as meias e alcançando o celular barulhento em cima do balcão.
–Alô! – Falei em um rompante, arfando.
– Bill! – Gritou a voz do Gustav do outro lado da linha. – Por que demorou tanto?
– É que eu tava longe do...
– Não importa. – Interrompeu-me ele. Bufei, mas ele não me deu tempo de reclamar. – Escuta, o David te ligou e contou sobre o caos que está por aqui?
– Algo sobre alguém ter visto a namorada do Georch? – Perguntei, apoiando os cotovelos no balcão e segurando o celular com o ombro. Tom chegou um segundo depois e se apoiou como eu no balcão à minha frente, o que fazia com que ficasse muito próximo.
– É isso aí. Seguinte, o Georg encontrou mesmo uma namorada.
– Ah, que bom, finalmente vai parar de fingir! – Falei, sorrindo e tentando não prestar atenção nos olhos de Tom à minha frente, observando cada movimento meu.
– Bom é uma ova! – Gritou Gustav, parecendo desesperado. – A garota tem dezesseis anos. DEZESSEIS! Eu realmente não sei onde o Georg está com a cabeça, mas com certeza não no lugar que deveria!
– Hm, eu tenho uma ideia de onde ele pode estar com a cabeça. – Comentei rindo. – Ela é bonita?
– Bill!
– Que é? Só tô perguntando! É bonita ou não?!
– É, é bonita, sim. – Respondeu Gustav, meio que a contragosto. – Mas...
– Mas o que? – Perguntei, estreitando os olhos. Gustav parecia simplesmente arrasado. – A diferença de idade não representa nada. Se os dois se gostarem, isso não quer dizer que ele...
– Você acha que ele gosta mesmo dela? – Perguntou ele e quase pude vê-lo arregalando os olhos e roendo as unhas. – Quero dizer, ele não pode... ele acabou de conhecer a guria! E ela tem só dezesseis anos, você acha que é possível que ele tenha se apaixonado por ela?
– Não só possível como provável. – Respondi – Mas, Gustav, escute o que eu vou dizer e pense nisso: Georg pode ter se apaixonado por essa garota, mas isso não quer dizer que ele a ame. Talvez ele só precise de um motivo pra acreditar que não precisa fingir que a ama só pela banda. Acima de tudo, nós vamos apoiá-los, você e ele, em tudo e qualquer coisa, independente da escolha dele. Converse com o Ge, sim?!
Gustav ficou em silencio durante alguns segundos, nos quais imaginei que ele estivesse arquivando a informação. Fiquei encarando Tom, que observava tudo com uma expressão vazia, mas de repente, Gustav suspirou e eu soube que ele decidira o que fazer.
– Eu vou falar com ele, obrigado Bill.
– Disponha. – Respondi, desligando o telefone.
Tom me olhou com cara de dúvida. Dei de ombros.
– Era o Gustav. – falei, indo para a sala, onde Tom deixara a pizza – Parece que Georg está namorando uma garota de dezesseis anos.
– Vixe! – disse Tom, pulando no sofá e abrindo a caixa da pizza. – E como o Gustav está?
– Bem irado, se quer saber. – Respondi, pegando um pedaço de pizza e enfiando quase metade na boca. Estava simplesmente morrendo de fome!
– Esses dois! – Comentou Tom, balançando a cabeça em negativa. Concordei em silêncio, mastigando.
______
Subimos até o quarto depois do jantar e Tom se sentou na beirada da cama, desfazendo o nó da toalha presa à cabeça. Seu cabelo caiu às suas costas, comprido, negro, liso e macio, enquanto ele fechava os olhos e ruborizava. Perdi-me em suas feições por um momento, tentando ignorar o modo como ficávamos assustadoramente parecidos daquele jeito, mas balancei a cabeça para afastar esses pensamentos e me ajoelhei atrás dele, enterrando meus dedos em meio aos fios. Afastei-os para o lado e beijei sua nuca, sentindo o cheiro do cabelo dele me embriagando.
Ver Tom daquela forma era uma experiência tão rara que tentei prolongá-la o máximo possível, passando a mão em seu cabelo, enterrando o nariz no meio dele, enrolando-o em meus dedos. Tom apenas esperava pacientemente enquanto eu me divertia como uma criança que acabara de ganhar um presente novinho em folha que estivera querendo durante todo o verão.
– Só de vê-lo assim já faz valer a pena ter desfeito as rastas. – Comentou Tom, quando finalmente comecei a trançar seu cabelo. – Você parecia um gatinho.
Sorri envergonhado e depositei um beijo no topo da cabeça dele, como que me desculpando por ter agido como um idiota.
– Bill, sabe que eu te amo, não é?! – Continuou ele, virando-se para mim. Assenti em silêncio. – Nunca se esqueça disso, tá bem?! Você é a minha vida e nada nem ninguém vai nos separar, nunca!
– Eu não te trocaria por nada. – Respondi, colocando as mãos em seus ombros. Só eu sabia o quanto aquelas palavras eram verdade! – Eu também te amo, Tom, embora não seja muito bom em deixar isso claro como você faz. Você é meu irmão e eu nunca vou deixar de amar você, nem que eu queira.
E eu já quis.
Tom apenas sorriu e me abraçou, escondendo o rosto no meu ombro.
Terminei de trançar o cabelo dele e nos ajeitamos para dormir, suas palavras ainda voando incomodamente ao meu redor. Eu odiava quando tínhamos esses momentos íntimos de irmão, porque me faziam sentir ainda pior. Tom me amava por sermos gêmeos, enquanto eu o desejava e queria que ele me amasse de outro jeito. Eu era um grande idiota, mesmo.
Suspirei e me joguei na cama ao lado dele, desejando — ainda mais forte — que meu quarto não estivesse ocupado.
– Vem aqui. – Disse Tom, na penumbra, me puxando para mais perto. Permiti-me deitar em seus braços e apoiar a cabeça em seu peito.
Eu podia ouvir seu coração batendo rapidamente, sua respiração na minha nuca, as mãos em meus cabelos. Como eu queria poder dizer a ele que o amava! Enterrei meu rosto na curva do seu pescoço e reprimi uma lágrima com um pequeno soluço quando ele me abraçou mais forte. Eu tinha medo que ele ouvisse meu coração bater como louco no meu peito ou sentisse meu corpo todo se arrepiar, mas não estava em condições de fingir que estava tudo bem naquele momento, eu só queria continuar ali e me perder em seus braços, mesmo que não do modo como eu queria, então fechei meus olhos e me deixei vagar na escuridão.
______
Acordei na manhã seguinte abraçado a um travesseiro, praticamente babando. Eu não fazia ideia de onde Tom estava, mas agradeci mentalmente que ele não estivesse no quarto quando cai da cama, ou seria zoado por isso até o fim da minha vida. Levantei-me de um pulo, me recompondo e indo fazer minha higiene matinal.
Quando finalmente desci as escadas, Tom estava esparramado no sofá da sala, rodando uma caneta na mão e com o violão no colo.
– Gutten tag. – Falei, coçando os olhos e me sentando ao seu lado.
– Bom dia. – Respondeu ele, colocando o violão de lado e sorrindo. – Estava aqui me perguntando o que é isso. – Continuou, pegando um caderno e me entregando. – Encontrei debaixo do sofá.
Arregalei os olhos e pude sentir-me começando a tremer. Olhei para o caderno e vi que estava aberto naquela mesma folha em que eu o desenhara no dia anterior. Meus dedos ficaram gelados.
– Eu o vi na janela ontem. – Disse Tom, levantando-se e indo até o piano, no canto oposto da sala. – Eu tenho algumas coisas pra dizer a você, mas acho que vou pegar emprestadas as palavras de alguém.
Aproximei-me do piano e então, ele começou a dedilhar as teclas e cantar baixinho.
Homens sábios dizem que só os tolos se apaixonam
Mas eu não consigo evitar me apaixonar por você
Eu deveria resistir? Seria um pecado,
Se eu não consigo evitar que me apaixone por você
Como um rio que corre para o mar
Isso segue como as coisas têm que ser
Tome minha mão, tome minha vida inteira também,
Por eu não consigo evitar que me apaixone por você
Minha cabeça girou por um momento, tentando absorver a música. Era tão simples, tão bonita, que por um momento duvidei que fosse pra mim. Olhei ao redor, tentando procurar a pegadinha ou uma garota bonita que ele poderia estar querendo impressionar, mas não havia nada. Mais uma vez, éramos apenas nós dois e mais ninguém.
– Tom...? – Falei, confuso, vendo-o dar a volta no piano e parar na minha frente.
– Seria possível... Quero dizer, faria sentido me apaixonar pelo meu irmão? – Disse ele, segurando minha mão entre as suas, brincando levemente com meus dedos, a cabeça abaixada. Eu teria dito que ele estava tremendo se não soubesse que o que o estava fazendo tremer era o movimento brusco das minhas próprias mãos entre as suas. – Você acha que isso faz sentido?
– Não soa narcisista? – Perguntei, mas quase não conseguia ouvir minha voz por causa do barulho que meu coração fazia ao bombear o sangue que, aparentemente, estava mandando todo para minhas bochechas.
– Sim. – Respondeu ele, rindo de leve e levantando a cabeça – Mas quem se importa?
– O que está querendo me dizer?
Meu peito doeu diante da expectativa, mas Tom não respondeu, apenas inclinou a cabeça para o lado, dando-me um beijo na bochecha.
– Eu não sou muito bom com as palavras. – Disse ele, colocando uma mão no meu rosto e me olhando nos olhos, contornando minha boca sutilmente com a ponta dos dedos. – Mas sinto como se meu peito fosse explodir a qualquer momento e não quero mais ter que guardar isso em mim. Devo dividir isso com você?
Assenti timidamente, sem dizer nada, enquanto ele se aproximava ainda mais. Nossos lábios se tocaram levemente e nossa respiração se misturou. Todo o meu corpo parecia formigar e o ponto crítico estava na minha boca, seus lábios juntos dos meus num encaixe perfeito, meu coração tão apertado que poderia jurar que nem o tinha, embora o sentisse bater tão forte que meu peito parecia querer rasgar. Segurei a respiração, com medo de que fosse apenas mais um sonho. Tom se afastou minimamente, os olhos procurando os meus, tão próximos que eu mal sabia se eram os meus ou os dele; éramos tão ridiculamente parecidos que eu ficava arrepiado, sua mão ainda tocava meu rosto e sua voz parecia presa aos meus ouvidos, a imagem de seu rosto colado na minha retina.
E então, fiz algo que nunca imaginei que fosse fazer: saí correndo.
Corri o máximo que pude porta afora, agarrando um casaco pendurado na saída, as sensações me sufocando, tudo ao meu redor parecia querer se fechar sobre mim. De repente, me sentia indigno de tudo o que tinha. Sentia-me sufocado. Havia tantas pessoas ao redor do mundo que gostavam e se importavam comigo, tantas pessoas que se magoariam por causa dos meus erros!
Porque, querendo ou não, ficar com meu irmão era o mesmo que dizer abertamente que não me importava com ninguém além de mim mesmo. Era tudo sobre mim, sobre como eu me sentia, sobre como eu gostaria de poder segurá-lo para sempre e nunca deixá-lo ir, pra que nunca se machucasse, pra que nunca sofresse, pra que nunca chorasse... Era sobre como eu o amava! Era sobre como eu o queria bem, sobre como ele era importante pra mim.
Talvez não fosse apenas sobre mim... Existia uma chance mínima de que ele talvez sentisse o mesmo por mim. E eu enfrentaria o que fosse por ele, eu trairia quantas pessoas fosse preciso por ele. Sentia-me um hipócrita egoísta por isso, mas eu não podia evitar... Eu não podia evitar amá-lo.
– BILL!
Sua voz ecoou pelo silencio. Eu estava no meio da rua, meu corpo todo tremia de frio e parecia que o menor vento poderia me levar. Eu quis que ele me levasse, mas Tom me manteve com os pés no chão, correndo até mim com apenas uma camiseta, as calças do pijama e os pés descalços. Deixei-me cair no chão, percebendo que me encontrava naquela pracinha, vendo os primeiros flocos de neve flutuar sobre nós.
Ele parou por um momento, me encarando, e depois cobriu a distância que nos separava em apenas alguns passos, ajoelhando-se ao meu lado.
– Nunca mais faça isso. – Gritou ele, me segurando pelos ombros. – Nunca mais! Se for chorar, chore na minha frente, pra que eu possa secar suas lágrimas, se quiser gritar, grite, eu não vou tapar meus ouvidos, mas se quiser ficar longe de mim... Não queira. Por favor, não queira! Eu não aguento um dia longe de você! – Sua voz foi morrendo, enquanto ele me abraçava e deixava que uma lágrima escorresse por seus olhos, escondendo o rosto no meu ombro. – Não fuja de mim, Bill, não fuja, por favor...
Envolvi-o pelo pescoço, sentindo meu rosto esquentar e as lágrimas querendo vir. Mas eu não choraria.
– Eu não vou fugir. – Respondi baixinho, fazendo-o erguer os olhos pra mim. – Seria o mesmo que tentar fugir de mim mesmo, Tom, eu simplesmente não posso. Eu amo você e não iria embora, nem que você pedisse.
– Eu nunca vou pedir isso! – Disse ele, parecendo desesperado. Abracei-o apertado, fazendo-o se levantar.
– Você está congelando. – Falei, me alarmando e começando a puxá-lo em direção à casa, que nos esperava com as portas abertas, esquecidas. – Vamos voltar para dentro, agora!
Subimos as escadas rapidamente em direção ao quarto, onde o coloquei debaixo do grosso cobertor que usávamos para dormir, pegando meias na gaveta e enfiando nos pés dele, com medo de que Tom ficasse doente. Aquela lágrima que eu estivera contendo finalmente escorreu pelos meus olhos.
– Bill, quer, p-por favor, se deitar aqui comigo e me ajudar a me esq-quentar? – Disse Tom com o queixo tremendo. Arranquei os sapatos, me enfiei debaixo do cobertor e o abracei, sentindo meu coração finalmente se acalmar. Dali, podíamos ver a neve caindo calmamente pela janela, alheia a tudo e qualquer coisa, o céu se turvando, as árvores ficando brancas.
– Gostaria de poder, de fato, ler seus pensamentos. – Sussurrou Tom, parando finalmente de tremer, como se elevar a voz pudesse quebrar o encanto e nos levar a uma realidade que eu não conseguia julgar verdadeira ou não.
– É só perguntar o que estou pensando e eu lhe direi. – Respondi no mesmo tom de voz, nossos olhos conectados como ímãs.
– No que está pensando? – Perguntou ele, receoso, passando um braço ao meu redor e puxando minha cintura para si.
– Em como isso parece ser um sonho. – Respondi simplesmente, apoiando a cabeça em seu ombro, abraçando-o apertado, temendo que ele fugisse a qualquer momento.
– Bill. – Chamou ele, segurando meu queixo e me forçando a olhar para ele. – O que você diria se eu dissesse que quero muito te beijar de novo?
– Eu provavelmente deveria dizer que você está ficando louco. – Respondi, tentando ser racional. – E eu provavelmente deveria pará-lo... Mas eu, com certeza, diria que também quero.
Inclinei-me em sua direção, o peso do cobertor nos mantendo juntos, e deixei que nossos lábios se unissem mais uma vez, contornando os seus com a língua, sentindo nossos corações martelarem em um único ritmo, colados.
Senti seus lábios fazendo pressão nos meus, sua língua sobre a minha, suas mãos na minha cintura e desejei com todas as minhas forças que não fosse apenas um sonho. E, embora eu ainda não tivesse certeza do que estávamos fazendo, eu sabia que não conseguiria parar; mesmo com todos os medos, mesmo com toda a insegurança, de um modo ou de outro, Tom era tudo o que eu quisera durante tanto tempo que eu simplesmente sabia que mesmo que ele me desse tudo, eu ainda acharia pouco. Aquele beijo pareceu durar eternamente e, quando se aproximou do fim, percebi como o fator “pra sempre” era relativo. Ali, de frente para a face daquele que tantas vezes eu chamara de irmão, sentia que poderia parar o tempo e, mesmo assim, seria pouco; eu poderia passar o resto da minha vida ao lado dele e não seria suficiente. Eu queria que ele ficasse pra sempre, mas sabia que, mais cedo ou mais tarde, aquilo acabaria. Era de acordo com a minha própria definição de paixão: experiência própria. Naquele momento, no entanto, eu não estava preocupado com isso. Olhar para ele era como me olhar no espelho, era quando eu podia ser eu mesmo e, finalmente, eu podia ser completamente verdadeiro. Era como se um grande fardo de repente saísse do meu peito e estava me sentindo tão aliviado com isso que me senti sorrir por entre seus lábios, fazendo-o rir comigo, esquecendo-nos de quem éramos e do peso do que estávamos fazendo. Eu me sentia incrível.
Enterrei meu rosto em seu peito e sorvi o máximo que pude de seu perfume, sentindo espasmos de riso ao nosso redor.
– Você não tem medo? – Perguntei levantando a cabeça e olhando-o nos olhos.
– Medo de que? – Disse ele, afagando meus cabelos, ainda com um sorriso no rosto.
– Medo do que podem dizer; medo de...
– Não. – Respondeu Tom, antes que eu pudesse concluir o que estava dizendo, espalmando as mãos na minha cintura por baixo do casaco que eu colocara ao sair correndo dele. Suas mãos continuavam geladas demais, mas não fora isso que me fizera arrepiar. – Não temos por que ter medo, Bill. Nada pode nos separar, acredite em mim. Eu iria até o fim do mundo por você. – Acrescentou, beijando meu pescoço.
– Papo furado! – Falei, dando um tapa no ombro dele. Tom riu e subiu em cima de mim.
– Não duvide de mim. – Disse ele, continuando a me beijar, de um modo que eu não conseguia me concentrar em absolutamente nada. – Ou as consequências serão severas.
– Ah, serão? – Perguntei, sentindo que as coisas estavam totalmente saindo do meu controle.
Tom não respondeu, apenas se enfiou inteiro sob o cobertor e levantou minha camiseta, beijando toda a extensão do meu corpo, fazendo-me me contorcer. Era agora que toda a minha sanidade ia pro brejo!
– Toooom! – Falei, puxando-o de volta para cima pelas rastas.
– Ai, ai, ai! – Gritou ele, mordendo-me.
– Hey! – Falei, jogando o cobertor para fora da cama, para finalmente observá-lo.
Tom me olhava com um sorriso simplesmente incrível e eu não me contive em selar seus lábios por um momento.
– Droga, Bill. – Disse ele, me apertando pela cintura.
– O que foi? – Perguntei, rindo da reação dele.
– Eu estou...
Ele não conseguiu terminar a frase, mas não precisou. Estreitei os olhos na direção dele e levei minhas mãos até sua calça, numa atitude que eu mesmo não esperava de mim.
– Tom. – Comecei, baixinho, sussurrando em seu ouvido. – Eu acho que estamos com problemas...
– Ai, meu Deus, me desculpe, Bill – Disse ele, me soltando de repente, sentando-se nos calcanhares e me olhando preocupado. – Eu simplesmente não pude me conter, eu...
– Eu acho que estamos com o mesmo tipo de problema. – Interrompi-o, pousando minhas mãos em seus ombros, olhando-o sugestivamente, com uma das sobrancelhas levantadas. Às vezes, Tom era um pouco lerdo.
Empurrei-o para que se deitasse e me sentei em seu quadril, me mexendo sutilmente. Seus olhos se arregalaram, mas ele finalmente pareceu entender a indireta. Na verdade, de indireta não tinha nada, só faltou pegá-lo pelos ombros e gritar “eu quero transar com você!”. Eu estivera guardando esse desejo todo há pelo menos seis anos e agora que tinha a oportunidade, não deixaria passar nem que estivéssemos sob ameaça de terremoto, não mesmo.
Isso pareceu bastar para que ele mandasse a precaução e o receio pra puta que os pariu e me puxasse para baixo, literalmente me atacando.
Começou distribuindo beijos por todo meu pescoço enquanto eu tentava me livrar do casaco que usava sem me desgrudar dele. Um momento depois, eu estava praticamente nu e não conseguia desgrudar meus lábios dos dele, nem mesmo enquanto ele deslizava a calça do pijama pelas pernas e trocava de lugar comigo, se jogando em cima de mim. Confortavelmente esmagador e bom demais pra ser verdade!
– Ah, Bius... – Disse ele, se separando de mim e se apoiando nos braços para me encarar, seus olhos percorrendo meu corpo como se nunca tivesse me visto antes. – Você é tão bonito!
Ri com a piadinha, dando outro tapa no braço dele e agarrando-o pelo pescoço.
– Quais são as consequências? – Perguntei, retomando o assunto anterior, uma das minhas mãos deslizando sutilmente até sua samba-canção.
Tom não respondeu, tomado por um gemido particularmente sufocado quando me atrevi a enfiar a mão pelo elástico da cueca dele.
– Bill... – Chamou-me, receoso, mas eu fechei meus ouvidos para qualquer ruído minimamente negativo da parte dele. Ele fechou os olhos, mordeu meu ombro de leve e então se livrou da samba-canção, dando-me tempo de fazer o mesmo com minha boxer.
Por um momento, nos entreolhamos. Aquilo estava mesmo acontecendo?
Era tão absurdamente errado! Mas quer saber? Foda-se, eu não estava nem aí pra qualquer coisa que estivesse fora daquele quarto. Tudo o que eu queria e tudo com que eu me importava estava ali agora. Meu mundo todo se resumia a Tom.
Ele se deitou sobre mim, levando uma das mãos até meu pênis enquanto deslizava a língua pelo meu mamilo, brincando com meu piercing. Arqueei as costas mediante o toque sutil e ao mesmo tempo ousado demais, embora estivesse morrendo de vontade de retribuir.
Minha respiração estava falha, mas nada se comparava ao momento em que ele deixou uma trilha quente de saliva pelo meu peito e se abaixou em direção ao meu falo dolorosamente desperto.
– Lamento não ser muito experiente. – Disse Tom, rindo. Por um momento, me perguntei o que ele ia fazer, mas paralisei ao vê-lo abaixar a cabeça e tocar meu pênis de leve com a língua.
A sensação era tão boa que por um momento eu não consegui pensar em mais nada, sentindo seu hálito contra minha pele e sua boca tão quente ao redor de mim. Contive um grito, me limitando a gemer, meu quadril se movimentando involuntariamente enquanto Tom aumentava a velocidade dos movimentos.
Daquele jeito, eu tinha eu visão privilegiada dele; podia observar enquanto seu rosto subia e descia com os olhos cerrados e as bochechas rosadas. Eu poderia gozar só com aquilo e não me surpreendi nem um pouco quando percebi que já não podia aguentar muito mais.
– Tomeh – murmurei, empurrando o quadril pra cima naquele mesmo movimento involuntário. – Eu...
Não consegui falar muito mais, já que chamar seu nome pareceu fazer com que Tom se empenhasse ainda mais no que estava fazendo. Me desmanchei em seus lábios um segundo depois, sem conseguir raciocinar direito, tomado por algo próximo do “melhor orgasmo da minha vida”. Minha respiração ainda estava falha quando Tom levantou a cabeça, engolindo meu sêmen. A imagem era tão absurdamente linda que eu duvidei que fosse verdade, tive que fechar os olhos e respirar fundo, ou morreria sem ar.
– Você é muito gostoso – disse Tom, colando os lábios no meu ouvido e acariciando minha cintura. Não pude conter um gemido rouco.
– Tom – falei com dificuldade, agarrando-o pelo pescoço – Eu quero você. Agora.
Tom abriu um sorriso espetacular na minha direção, voltando a beijar meu pescoço, lambendo meu piercing no mamilo.
Sua mão foi de encontro ao meu pênis, mas não se demorou lá, seguindo seu caminho até minha entrada.
– Acho que não posso esperar que tenha lubrificante, não é?! – comentou ele, beijando meu tórax e movimentando os dedos levemente lá em baixo.
– Eu diria que não – respondi, feliz em constatar que conseguíamos ser nós mesmos até em um momento crítico como aquele.
Tom assentiu, levando os dedos até os lábios e lambendo-os. Quase tive um infarto com a cena, mas nada se comparava a sensação de vê-lo levar os dedos de volta até mim, forçando passagem de uma maneira que eu pensava que só fosse acontecer em meus sonhos. A dor física, no entanto, mesmo que pouco evidente, me deixava claro que aquilo não era menos do que a pura realidade.
Tom movimentou os dedos em mim, acrescentando um depois do outro, de modo a preparar-me para o que viria. Eu sabia que provavelmente ia doer, levando em consideração o fato de Tom ser muito bem dotado, mas vê-lo daquela forma, ali, me fazia esquecer de tudo. Eu só ficava mais e mais excitado, meu membro ficando cada vez mais pulsante outra vez. Imaginava o quão torturante aquilo deveria ser para Tom.
– Você está pronto? – perguntou Tom, tirando os dedos de dentro de mim, se abaixando para me beijar. Hesitei um momento, abraçando-o, e Tom pareceu notar meu medo. – Vai ficar tudo bem. Eu só...
E não terminou a frase, pegando-me de surpresa, forçando sua glande contra minha entrada. Arqueei as costas e não pude impedir que um grito surpreso escapasse da minha boca.
Tom colou seus lábios nos meus e começou uma masturbação lenta em mim, o que me distraiu o bastante para que ele conseguisse se impulsionar para frente.
Por um momento, ele ficou parado com o rosto escondido entre o meu cabelo. Sua respiração saía em golfadas e ele parecia estar se contendo. Movimentei o quadril levemente de modo a deixar claro para ele que podia se mover livremente. Eu não estava sentindo dor, mas se estivesse, eu não diria a ele. Queria que ele se sentisse tão bem comigo como eu me sentia com ele.
Tom pareceu se convencer, deslizando para fora de mim e voltando, devagar, como se precisasse decorar a sensação. Pra mim, a cada segundo, era como ir ao paraíso e voltar, não poderia estar mais feliz.
– Porra, Bius – gritou ele, começando a se movimentar com maior regularidade. Eu já não conseguia conter os gemidos, mas não me preocupava mais com eles, de qualquer forma.
Sentir o pênis de Tom dentro de mim, seu rosto tão próximo ao meu e vê-lo ali fazia com que meu peito se inflamasse. Eu sentia com toda a força o modo como meu amor por ele se intensificava a cada movimento, a cada estocada, a cada gemido.
Eu me perguntava se tinha como ser mais perfeito.
– Eu acho que vou ter um orgasmo – disse Tom baixinho, abaixando a cabeça mais uma vez, como se sentisse vergonha. Abracei-o pelo pescoço e aumentei os movimentos que fazia com o quadril, ouvindo-o gemer próximo ao meu ouvido e sentindo sua respiração bater contra meu pescoço.
Tom dirigiu sua mão até meu pênis, voltando a masturba-lo. Era como se quisesse que fizéssemos aquilo juntos, então apenas esvaziei minha mente e me concentrei no que estava sentindo naquele momento, deixando que nos deleitássemos com as ondas de prazer nem um segundo depois.
Um grito escapou dos meus lábios enquanto era preenchido uma última vez por Tom, sentindo-o tremer sobre mim e logo após desabar com a respiração tão falha que duvidei que estivesse conseguindo respirar. Comigo, era como se todo o ar da atmosfera tivesse sido sugado para longe, me sufocando. Estranhamente, eu sentia isso de um jeito bom, o peso de Tom sobre mim era uma certeza de que aquilo realmente acontecera, de que eu não estava sonhando, não mesmo.
Um momento depois, Tom deslizou para fora e se deitou ao meu lado em sua cama. Sorvi todo o ar que pude de uma vez só, sentindo-me vazio de repente.
– Vem aqui – disse Tom, puxando-me para seus braços e nos cobrindo com o cobertor que jazia no chão ao lado da cama. Depositou um beijo na minha testa e me abraçou como se eu fosse fugir de novo.
Durante algum tempo, permanecemos assim. Eu sentia Tom por todos os lados, seu cheiro, o som de sua respiração, sua presença, enquanto os flocos de neve caiam livremente janela afora, fazendo daquele um momento que eu gostaria de guardar para sempre na minha mente, para sempre que me sentisse sozinho, voltasse a ele e me sentisse tão feliz como eu me sentia naquele momento.
Deixei que uma lágrima escorresse pelo meu.
– O que foi? – perguntou Tom, levantando meu rosto para constatar se eu estava mesmo chorando – Billy, o que aconteceu? Eu fiz algo errado? Eu...
Várias outras lágrimas escorreram depois daquela, principalmente à menção do meu antigo apelido, mas tive de interrompê-lo.
– Você foi perfeito – respondi, secando as lágrimas furiosamente – É só que...
– É só que? – perguntou Tom, olhando-me desesperado. Toquei seu rosto de leve, mas logo recolhi a mão.
– E se essa paixão acabar? – completei, sorrindo amargurado. Eu estava muito feliz por estarmos daquele jeito agora e não queria estragar aquele momento pensando em algo desse tipo, mas não podia evitar.
– Bem, ela vai acabar e isso é fato – respondeu Tom, olhando-me nos olhos. – Mas, quando ela acabar, eu ainda vou estar aqui. Eu ainda vou te amar, Bill. Quando essa paixão acabar, eu vou olhar nos seus olhos e me apaixonar de novo. Porque eu amo você, independente de qualquer outra coisa. Eu vou estar com você pra sempre, não importa o que. Eu te amo, Bill.
Deixei que meus olhos externassem o que meu coração sentia uma última vez enquanto o abraçava. Aquela era minha própria definição da vida, no fim das contas.
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Cinco coisas que eu não sabia sobre Tom (mas agora eu sei):
1 – Ele prefere meu macarrão a qualquer outra comida no mundo.
2 – Eu sou a única pessoa por quem ele se livraria das rastas ou dos dreads.
3 – Ele nunca gostou de Camila Hussain, só ficou com ela na terceira série pra me fazer ciúmes.
4 – Ele sempre achou que Gustav e Georg deveriam ficar juntos, e eu concordo.
5 – Ele me ama.
Notas finais
E então, eu sei, decepcionei todo mundo, né?! D: Eu também odiei, pode falar que ta uma merda, eu aguento!
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