Sem Tempo para o Amor

14 Surtos e Consequências


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Postei atrasada, mas em compensação, o capítulo está gigante. Sinto muito por isso. Eu até pensei em dividir mais uma vez, só que eu queria desenrolar logo a história, então espero que entendam. Eu quero agradecer demais a bruna22 pelo comentário maravilhoso no capítulo passado. Espero de verdade que vocês se divirtam lendo esse capítulo. Boa leitura...

SEM TEMPO PARA O AMOR

CAPÍTULO XIII — SURTOS E CONSEQUÊCIAS

— Bonito anel. – Comenta Clint, de repente, despertando-me de meus pensamentos.

Desvio o olhar da paisagem para encará-lo confuso, sem entender sobre o que ele estava falando. Minha cabeça ainda estava pesada, ainda que não doesse mais. E essa também era a primeira vez que ele dizia alguma coisa desde que deixamos o hotel em direção ao aeroporto.

— Que anel? – Indago, confusa.

— O que está em seu dedo. – Responde o homem, rindo de minha lerdeza.

— No meu... dedo? – Sussurro, passando a encarar minhas mãos. E me surpreendo ao ver o anel dourado em meu anelar da mão esquerda. Ele possuía algumas cartas de baralho pretas desenhadas e duas linhas em volta também na cor preta. Eu estive com a cabeça tão cheia, que nem mesmo percebi que usava o anel. – Será que eu ganhei alguma aposta no cassino ontem a noite e, por acaso, esse anel foi o prêmio?

— Se você ganhou alguma aposta, eu não tenho certeza, mas eu definitivamente ganhei. Não vejo a hora de chegar em casa e receber o meu prêmio. Natasha e eu teremos uma noite inesquecível. – Clint sorri de maneira maliciosa, enquanto seu olhar parecia distante.

— Credo, Clint. Você e Naty são como meus pais. Não quero saber da vida sexual de vocês. – Brinco, fingindo estar enjoada. – Eu quero receber a sua herança incalculável e não os traumas de filhos. Deixe isso para o Andy.

— Ah, então eu posso saber da sua vida sexual com o meu adorável Shawn, mas você não pode saber da minha com a minha digníssima esposa? – Retruca Clint e eu me encolho, envergonhada.

— Você só sabe disso, porque é um intrometido que adora ficar cuidando da vida dos outros. – Resmungo e Clint ri com diversão.

— Do que adianta ter dinheiro, influência, beleza e inteligência, se eu não puder acompanhar a vida da minha família? – Indaga o homem, dando de ombros. Rio e reviro os olhos. – E eu não posso fazer nada se a vida de vocês é tão interessante.

— Tão humilde. – Ironizo, dando uma risada anasalada. – Aliás, muito obrigada pela ajuda e pela carona. Eu poderia ter vindo de táxi.

— Não foi nada. Além disso, você mesma disse que não queria descobrir o que aconteceu ontem até chegar em casa, então a única forma disso acontecer seria te levando pessoalmente ao aeroporto. – Responde Clint, encarando-me pelo canto olho. – À propósito, se deseja permanecer assim, sugiro que não leia nenhum jornal ou revista nos aeroportos. Também evite televisões.

— Você está começando a me assustar. – Comento preocupada. Clint ri e dá de ombros.

— Não se preocupe. Não foi nada de ilegal e nem se trata de tatuagens, machucar ou de empurrar pessoas importantes em festas. – Conta o homem, rindo. – Mas acho que vai ser divertido ver como você e o Shawn vão reagir quando descobrirem.

Suspiro e massageio minhas têmporas. Eu já havia decidido que não iria ficar sofrendo por antecedência e se eu não tinha feito nada de ilegal, então daria para resolver quando eu chegasse em casa. E pela forma como Clint está lidando com a situação, aposto que não foi nada de tão grandioso assim e a mídia deve ter aumentado a história. No fim, realmente deveria ter a ver com a possibilidade de a imprensa ter descoberto a identidade de Shawn e que era ele quem eu estava beijando em público, passando a divulgar sobre o nosso possível namoro.

Encosto minha cabeça na janela do carro e fecho os olhos, procurando esquecer todos os meus problemas. Finalmente eu voltaria para casa e poderia ter uma noite de sono tranquila. Essa viagem tinha esgotado minhas energias por completo e a minha cota de ressaca e de dores de cabeça de toda a minha vida. Eu arcarei com as consequências de meus atos quando chegasse em Hawkins, então por hora, eu apenas aproveitaria o tempo que me resta de calmaria e ignorância.

— Chegamos. – Anuncia Clint e somente nesse momento noto que eu havia pegado no sono. Ao abrir os olhos, noto que estamos estacionados a uns quinhentos metros da entrada do aeroporto. Encaro o homem em dúvida e ele sorri, pegando uma sacola no banco de trás do carro. – Aqui. Use isso.

— O que está acontecendo? – Questiono, bocejando em seguida. Após um longo suspiro, pego a sacola e abro. Encontro uma peruca, óculos de grau e um aparelho dental removível.

— Acredite em mim, no momento, o melhor a se fazer é usar um disfarce para não ser reconhecida. A cidade está cheia de paparazzis e no momento, não estamos no meu território para que você transite em sem ser abordada. Aqui está a sua passagem aérea. Eu já fiz check-in e poderá levar essa mala na parte de cima do seu assento. Você irá de primeira classe, então ninguém vai te incomodar. Ao chegar em Hawkins, seja a última a sair do avião. Uma amiga minha de longa data, que é comissária de bordo, irá ao seu encontro e vai te orientar para usar a melhor saída para não ser reconhecida pelos paparazzis que estão no aeroporto. Como está sem celular, Dakota já estará te esperando na saída que eu pedi para que fechassem. Então, fique tranquila que você chegará segura em casa e não vai precisar lidar com a imprensa por enquanto. – Conta Clint, surpreendendo-me. Ele me entrega a passagem aérea e sorri.

— Obrigada. – Agradeço, colocando o disfarce dado pelo homem. Suspiro e encaro Clint mais uma vez. – De verdade, muito obrigada.

— Não foi nada. Eu estou mostrando como eu sou legal. Mesmo depois da traição de você e Shawn a mim ontem, eu ainda sou um amigo incrível. Apenas não se esqueça de gravar o momento em que você descobrir o que aconteceu na noite anterior. Eu quero assistir a cena. – Responde Clint e eu o encaro desconfiada. Havia um brilho de excitação em seus olhos ao provavelmente imaginar como eu reagiria ao descobrir as loucuras que eu aprontei bêbada.

— Você é mesmo um sádico. – Afirmo, afastando-me ao máximo de Clint. Ele dá uma risada que mais parecia a de um pestinha aprontando. – Eu vou contar para a Naty que você está manipulando a situação de novo só para ver o sofrimento das pessoas.

— Eu apenas dou um empurrãozinho. A culpa do que acontece é de vocês. Eu não tenho culpa se é divertido observar vocês. – Responde Clint, dando de ombros. Bufo e ele ri, encarando o relógio no pulso. – Bom, chegou a hora de você ir. Para evitar que alguém me reconheça e você acabe sendo revelada, vou me aproximar apenas mais um pouco. Assim que eu for embora, você estará por conta própria até chegar em Hawkins, então tenha muito cuidado.

— Pode deixar. – Digo, sentindo-me realmente grata pela ajuda de Clint.

Ele estaciona o carro mais perto e desce para pegar minha mala no porta-malas. Ajeito minha peruca loira cacheada que ia até o ombro e coloco os óculos de grau falsos. Por fim, confiro o aparelho dental e me surpreendo com a minha nova aparência. Desço do carro e recebo minha mala do homem, que me puxa para um abraço apertado.

— Seja forte. E se precisar de ajuda, você sabe que pode contar comigo, certo? – Sussurra Clint ainda no abraço paternal. – Natasha e eu estaremos te esperando em casa, então volte em segurança.

— Obrigada, Clint. – Agradeço, afastando-me. Ele afaga minha peruca e sorri.

— Não se esqueça de gravar. – Pede o bilionário, sorrindo de maneira traquina, enquanto eu me afasto.

— Vai sonhando! – Grito em resposta, acenando para ele.

Como Clint disse, ninguém no aeroporto me reconheceu enquanto eu segui para o meu portão de embarque. Por estar na primeira classe, não tive que pegar fila para entrar no avião e quando eu menos percebi, já estava sentada no meu confortável assento, que mais parecia uma cama, de tão espaçoso que era.

Suspiro aliviada. Relaxo meu corpo e volto a encarar o anel em meu dedo. Era surpreendente que eu não tinha reparado nele até Clint comentar comigo. Ele era tão leve e confortável de usar que eu provavelmente não teria notado até chegar em casa. E com todos os acontecimentos caóticos desde que acordei e a incômoda ressaca, estar usando algum acessório inusitado como esse anel era a última coisa que eu prestaria atenção.

Observo-o por alguns instantes e ele era realmente muito bonito, apesar de não fazer nenhum sentido para mim. Pelas cartas desenhado nele, eu apostaria que eu tinha o conquistado em algum jogo como pôquer. Ou talvez eu tivesse ganhado de presente de Shawn, algo que seria bem possível, levando em consideração sua personalidade doce.

Um sorriso discreto nasce em meus lábios ao me lembrar do rapaz. Enquanto eu não recuperava as minhas memórias, tudo o que me restava era imaginar como deveria ter sido a nossa noite. Pela forma como acordamos, eu tinha a impressão de que tinha sido uma noite bem agradável. E é com esse pensamento que eu acabo pegando no sono de novo, enquanto o avião decolava em direção ao aeroporto de Hawkins.

Quando finalmente pousamos em minha amada cidade, já se passavam das onze horas da noite. Como informado por Clint, assim que todos os passageiros da primeira classe deixam o avião, uma comissária de bordo me conduz por uma rota alternativa e deserta no grandioso aeroporto da cidade até o lado de fora dele.

Estremeço ao sentir a brisa gélida de outono atingir meu corpo assim que coloco os pés para fora do aeroporto. Ao contrário do calor intenso que se fazia em Las Vegas, Hawkins enfrentava as temperaturas baixas da estação que antecedia o inverno rigoroso da cidade. Assim que me despeço da comissária, ando mais algum tempo, completamente encolhida, até encontrar um lindo homem alto, negro, de olhos castanhos intensos, barba desenhada para ter o aspecto de desleixada e cabelos curtos bem cortados.

Sorrio ao reconhecer Dakota encostado no carro com os braços cruzados, enquanto me encarava com seriedade. Ignorando os alertas de perigo presentes em sua expressão, simplesmente porque estava morrendo de saudade de meu agente, corro até ele e o abraço com força, mas não sou correspondida da maneira que eu esperava.

— Dakie? – Chamo pelo apelido, fazendo a minha expressão fofa, que sempre funcionava para acalmar o homem, mas dessa vez, nada disso parecia fazer efeito, porque ele apenas me afasta e pega minha mala, levando-a para guardar no porta-malas, sem dizer uma só palavras. – Ah, não seja assim, Dakie. Eu sei que você sentiu a minha falta.

— Entra no carro, Hillary. – O tom de voz firme e sério usado por Dakota falando o meu nome é o bastante para eu saber que ele estava furioso. E não era apenas um furioso do tipo que resolveria dando um enorme pote de sorvete de morango, o seu favorito. Era furioso ao ponto de ele estar me chamando de Hillary com as veias de sua testa e do pescoço sobressaltando de maneira perigosa. – Agora.

— Dakota...

— Agora, Hillary.

Dakota nem mesmo abre a porta do carro para mim, como sempre fazia questão de fazer. Ele apenas entra no veículo preto, coloca o cinto de segurança e os óculos de sol. Estranho o uso dos óculos de noite, mas não questiono nada ao notar a força com a qual ele apertava o volante. Isso me fazia imaginar que ele naquele momento imaginava que o volante na verdade era o meu pescoço.

Engulo em seco e me sento ao seu lado, colocando meu cinto de segurança. Durante longos cinco minutos, tudo o que temos é silêncio, enquanto meu agente continuava a encarar o nada com os óculos de sol. Depois de um suspiro frustrado, Dakota liga o carro e parte para o que imaginei ser a sede da CIA em Hawkins.

— Dakota, eu...

— Por tudo o que é de mais sagrado, cala a boca, Hillary Beaumont Leblanc! Ou eu juro que eu vou me jogar desse carro em movimento e forjarei minha morte. – Dakota retira os óculos de sol e abandona o tom civilizado e assustadoramente calmo. Encolho-me em meu banco, enquanto ele esbraveja. O homem volta a encarar a pista, acelerando o carro e apertando o volante com ainda mais intensidade. – Vai ser fácil, eles disseram. Você só terá que ser o agente e segurança de uma das mais talentosas e obedientes agentes da S.H.I.E.L.D., eles disseram. Vai ser moleza. Ela é doce, responsável e discreta. Rá, rá, rá! Que piada! Eu aposto que eles deveriam estar enxergando um palhaço na minha cara, enquanto eu assinava a porra do contrato, que na verdade se tratava da minha sentença de morte.

— Não acha que está exagerando...?

— Exagerando? Exagerando, Hillary? – Ele questiona, encarando-me com os olhos quase saindo do rosto e uma expressão meio doentia. Eu realmente estava com medo de Dakota naquele momento. Ele ria e me encarava com uma aura assassina, enquanto deslizava o carro em alta velocidade pela pista que felizmente estava vazia. – Ela acha que eu estou exagerando! Era só o que me faltava!

— Dakota, você vai matar a gente! – Alerto o homem, preocupada com a velocidade com a qual ele seguia.

— Não se você me matar primeiro, Hillary! – Grita Dakota, passando a diminuir um pouco mais a velocidade do veículo e a andar de forma mais linear pela pista. Mas sua expressão nunca esteve tão encolerizada quanto naquele momento. – Eu juro que eu vou ter um AVC a qualquer momento... Não! Um infarto! Eu vou infartar aos trinta e cinco anos por sua causa, Hillary. E eu farei questão de voltar para te assombrar pelo resto de sua vida para você se sentir culpada e sempre se lembrar que você foi a causa da minha morte precoce.

— Caramba, Dakota. Quanto drama! – Resmungo e logo me arrependo de ter aberto minha boca.

— Drama?

Dakota atravessa três pistas em alta velocidade e para o carro de maneira brusca no acostamento. Ele tenta jogar o corpo para trás, mas o com o cinto travado, ele apenas parecia estar lutando com o acessório do carro. Mordo meu lábio para não rir daquela situação ridícula e vejo ele tirar o cinto para pegar alguma coisa no banco de trás.

— Sim. Drama! Qual é, Dakie? O que aconteceu? A mídia achando que eu estou namorando com o Shawn? Ah, a gente pode lidar com isso. Já lidamos com situações muito piores do que isso. – Tento soar positiva, enquanto Dakota me encara incrédulo.

— Namoro? – Dakota ri com ironia e joga várias revistas e jornais em minhas pernas. – Namoro, Hillary? Se fosse somente isso, acha que eu estaria a ponto de cometer um homicídio, depois de quase ter um infarto fulminante de tanto estresse?

— O quê? – Sussurro, lendo a capa da última revista que veio parar no meu colo. Arfo ao ler. – “Dos livros de romance e telas de Hollywood para a vida real. A modelo internacional, Hillary Leblanc, se casou em Las Vegas com o cientista que salvou meses atrás de ser atropelado por um caminhão...

Paro de ler ao me dar conta do que aquelas palavras queriam dizer. Passo a ler desesperadamente todas as capas de revistas e jornais em meu colo, onde eu aparecia ao lado de Shawn com aquele vestido horroroso do hotel. E a cada matéria lida, mais meu coração parecia querer sair pela boca.

— Ai meu Deus! Ai meu Deus! Ai meu Deus! – Grito no carro, desesperada. – Eu... eu me casei? Não, não pode ser!

— Eu que deveria estar dizendo isso! – Grita Dakota, batendo a cabeça diversas vezes no volante. – O que eu fiz para merecer isso? Por acaso eu dancei Judas da Lady Gaga na cruz e cuspi nos anjos na minha vida passada? Pior! Eu dancei Stiletto no túmulo de Joana d'Arc? Me fala, Deus? Eu o que foi que eu fiz para merecer tanto estresse? Porque não tem lógica! Eu não ganho o suficiente para isso! O meu salário não é o bastante para ter que lidar com as ações estúpidas de outros bêbados! Já basta eu ter que lidar com os meus próprios problemas. Eu não preciso de mais para me enlouquecer, Hillary! Nenhum dinheiro no mundo será o bastante para compensar o meu infarto!

— Ai meu Deus! Como assim eu me casei? Não! Isso não é possível! – Volto a ler as matérias na esperança de que tudo não passasse de uma pegadinha de Dakota. – Por favor, me diz que isso é apenas uma brincadeira de mal gosto! Eu estou te implorando, Dakota!

— Acha que eu seria capaz de fazer uma merda dessa, Hillary? Acha que eu estaria surtando nesse momento se isso fosse apenas uma pegadinha? – Indaga Dakota, pegando em meus ombros, enquanto me balança desesperado. – Em menos de vinte e quatro horas, você conseguiu bater mais de duzentos milhões de seguidores no Instagram e mais de cem milhões no Twitter! Seu nome foi o mais pesquisado nas últimas doze horas! Pessoas de diversas partes do mundo estão divulgando o quanto você já ajudou e como você salvou as pessoas! Até mesmo Steve virou alvo de investigação, já que ele foi visto com você diversas vezes. Você está entendendo a gravidade da situação, Hillary? A S.H.I.E.L.D. está correndo o risco de ser descoberta por causa desse seu casamento em Las Vegas e todas as declarações que vocês deram a imprensa.

— Eu... eu... Por Deus! Como foi que isso aconteceu, Dakota? – De repente, as lágrimas começam a cair de maneira desenfreada. Abraço meu agente aos prantos e logo ele também estava com os olhos cheios de lágrimas, lutando contra o choro, porque Dakota é a pessoa mais manteiga derretida que eu conheço. – A Natasha vai me matar.

— A Natasha e o Fury vão me matar. Ou pior ainda, vão me demitir! Eu vou perder meu apartamento de luxo, o meu carro e a minha dignidade, Hillary! – Choraminga Dakota, correspondendo ao abraço com intensidade. Ele então se afasta e suspira, frustrado. – Por que você não fez uma tatuagem ou dançou em cima de uma mesa ou empurrou a presidente da empresa ou quebrou o braço de um sultão como das outras vezes? Por que você tinha que ficar tão famosa e se casar com uma história de contas de fadas de fundo para deixar tudo ainda mais atrativo para os paparazzis?

— Eu... eu não fiz por querer! – Choro em desespero, pensando em como todos estariam furiosos comigo. – O que eu vou dizer para a Naty? Eu prometi que pegaria leve na bebida e que não faria nada que colocasse em risco a minha identidade. Agora eu sou famosa e casada! Casada! Ai meu Deus! Por que eu me casei?

— Eu não quero ser demitido! – Choraminga Dakota, balançando as mãos em frente ao rosto, em uma tentativa falha de controlar as lágrimas. – Você sabe o que acontece com quem é demitido da CIA? Ele entra para lista de excluídos, Hillary! E o que acontece com quem faz parte da unidade de comando especial? Ai Deus! Eles vão me torturar! Vão me usar como exemplo para todos que não cumprirem com as obrigações dadas diretamente pelo agente Fury! Pior ainda! O agente Fury vai pessoalmente arrancar as minhas tripas foras! Por que eu fui assinar aquele contrato? Eu devia ter ouvido os meus instintos! O serviço era bom demais para ser verdade. É claro que tinha que ser pegadinha! Apartamento de luxo, carro, salário alto, plano de saúde e todas as despesas de alimentação e roupa pagas para apenas lidar com um modelo internacional que não poderia ficar famosa demais e nem desconhecida demais? É claro que isso era um golpe! Como eu fui tão ingênuo?

— Por que eu me casei, Dakota? Por quê? – Choro e dessa vez sou eu que balanço os ombros do homem.

— E eu que sei? Você que fez a merda, sua louca! Eu falei que era uma péssima ideia você ir para Las Vegas! Mas alguém me escuta? É claro que não! Dakota é só um idiota dramático que pensa demais. Mas agora quem é que vai ter que se virar para explicar essa situação para o mundo e fazer com que as pessoas esqueçam da sua existência? Eu, é claro! – O humor de Dakota variava em desespero e raiva. Em seguida ele chora, porque eu não conseguia parar o meu choro de desespero.

— Minha mãe vai surtar! Eu vou ser deserdada! Ai meu Deus! A Natasha vai arrancar a minha pele! Eu vou ser queimada viva na fogueira! Steve vai comer o meu fígado! Meu Deus! O agente Fury vai me esquartejar! – Levo as mãos a cabeça sem saber o que eu deveria fazer.

Se eu fosse uma pessoa normal ou até mesmo uma modelo comum, nós poderíamos dar um jeito de lidar com essa situação. A repercussão seria até algo positivo para a minha carreira. Mas o que fazer quando as identidades de todos os agentes da empresa são colocadas em risco? Nós trabalhamos como espiões. Nossa principal função é manter a discrição e sermos a carta na manga da agência.

Quando se recebe tanta atenção da mídia, meus passos se tornam limitados e eu jamais poderia sair em missões perigosas como eu geralmente tenho feito. Os criminosos se tornam muito mais cautelosos em me deixar entrar nas festas e é claro que as pessoas que eu salvei passam a se sentir mais inspiradas a compartilhar as histórias e aventuras que viveram ao meu lado.

Isso também faz os criminosos me reconheçam com mais facilidade e passem a procurar pela minha família e todos os meus pontos fracos para usar contra mim. Era por isso que a linha entre ser conhecida e famosa era muito tênue nesse trabalho. Eu precisava conhecer os contatos certos, mas não poderia ser famosa, porque todo o trabalho que eu me dediquei para me torna a melhor agente de informação da S.H.I.E.L.D. teria sido em vão.

Choro ainda mais ao pensar o quanto eu tinha sido estúpida por ter bebido tanto. Como eu poderia realizar o meu trabalho na CIA, agora que eu não conseguiria mais sair nas ruas sem não ser reconhecida pelas pessoas? Era frustrante saber que por causa de erros de principiante, eu tinha destruído a minha carreira como membro da S.H.I.E.L.D.

O celular de Dakota começa a tocar e meu coração gela ao ver o nome de minha melhor amiga e chefe na tela. Dakota respira algumas vezes, faz o sinal da cruz e sussurra várias vezes de que não queria ser demitido, antes de finalmente atender a ligação.

— Oi chefe maravilhosa. – Dakota atende à ligação com as mãos tremendo. Ele escuta tudo o que Natasha tem a dizendo, assentindo como se ela fosse capaz de o ver. Por fim, ele suspira e massageia as têmporas, parecendo derrotado. – Tudo bem. Nós estamos a caminho. Chegamos em no máximo dez minutos. Sim. Ela está ao meu lado. Quer falar com ela? Certo. Tudo bem. Até mais.

— Quão furiosa ela se encontra? – Questiono, assim que Dakota encerra a ligação. O homem me encara pelo canto do olho e suspira, voltando a dirigir com uma expressão indescritível.

— Marcaram uma reunião com todos os membros da S.H.I.E.L.D. – Conta Dakota com a voz séria. Nem parecia que instantes atrás estava surtando e querendo chorar por causa do emprego em perigo. – O agente Fury tem um anúncio importante a fazer e aparentemente tem a ver com o futuro da unidade. É melhor estarmos preparados para o pior.

— Acha... acha que ele vai desfazer a unidade por minha causa? – Pergunto voltando a chorar copiosamente.

Pior do que destruir a minha carreira, era destruir a carreira das pessoas que eu tenho como a minha família. Eu jamais me perdoaria e nem seria capaz de olhar nos olhos das pessoas com quem convivo quase que diariamente desde os meus quinze anos, se por minha causa, a unidade de comando especial da CIA fosse desfeita.

— Claro que não, Hills. – Dakota suspira e parece muito mais calmo. Ele coloca a mão sobre o meu ombro e o aperta em conforto. – A S.H.I.E.L.D. é importante demais para que o agente Fury desfizesse apenas por causa do seu casamento clandestino e brega. Isso sim deveria ser considerado um crime. Se fosse para se casar, que usasse pelo menos um vestido decente.

— Para. – Acabo deixando uma risada chorosa escapar.

— Ah, fala sério, Hills. O seu maior pecado foi aquele vestido. Eu posso suportar o fato de você ter se casado em uma igreja em Las Vegas com um cover de Elvis Presley como celebrante, mas aquele vestido... Não dá, amiga. Nem na sua pior fase de senso de estilo você vestiu algo tão feio quanto aquela bomba da moda. A sua sorte é que você é linda e fica bem até vestida em sacos de lixo, porque sinceramente, aquilo não era bonito nem na época em que babados estavam na moda. – Continua Dakota, encarando-me com seriedade e é inevitável não rir. Ele bufa. – Eu estou falando sério.

— Eu sei. E é por isso que eu estou rindo. Aquele vestido era realmente terrível. – Comento rindo, enquanto ainda chorava. Era difícil explicar o caos que eu estava naquele momento.

— Ao menos o noivo era realmente bonito. – Fala Dakota, lançando um olhar malicioso. – E vocês formam um belo casal. Se eu não te conhecesse, até mesmo diria que vocês estavam apaixonados há anos.

— O quê?! Enlouqueceu, Dakie? – Indago, finalmente parando de chorar. Respiro fundo e passo a observar a paisagem pela janela do carro. – Shawn e eu somos apenas amigos. Nenhum dos dois está apaixonado. Pelo menos, não um pelo o outro.

Dakota ri com ironia, mas não diz nada. Encaro o lindo rapaz e encontro a expressão que dizia claramente que ele não acreditava em mim. Não respondo. Suspiro e ergo a minha mão esquerda, analisando mais uma vez naquele dia o anel em meu dedo anelar, mas com sentimentos totalmente diferentes do que senti quando o observei mais cedo.

— Você nem mesmo desconfiava que havia se casado? – Questiona Dakota e eu nego, balança a cabeça calmamente, sem desviar o olhar do anel. – Suas memórias ainda não voltaram?

— Não. – Suspiro e encosto minha cabeça na janela, fechando os olhos para tentar me acalmar. – Tudo o que eu me lembro por enquanto é de concordar com o pedido de Clint para que eu cuidasse de Shawn, que estava bem embriagada, enquanto ele ia ao cartório. Nós começamos a conversar e percebi que eu não era a única que estava tendo um dia péssimo. Nós decidimos ligar o foda-se e passamos a beber. Estávamos frustrados e naquele momento, parecia muito mais fácil lidar com nossos problemas estando bêbados.

— Grande ideia. – Comenta Dakota e eu dou uma risada amargurada, voltando a encará-lo.

— Acordamos hoje as cinco horas da tarde com uma ligação de Clint. Quer dizer, eu acordei antes da ligação de Clint, mas infelizmente, enquanto eu tentava fugir sem saber que tinha dormido com o Shawn, que o telefone tocou e eu acabei dando uma cotovelada no... você sabe. No amigo íntimo dele. – Conto e Dakota começa a rir.

— E como é o material? – Indaga Dakota com malícia.

— O quê? – Pergunto, envergonhada. Dakota ainda sorri e me lança aquele olhar insistente para que eu respondesse. – Dakota! Eu não vou te contar sobre esse tipo de coisa.

— Então é satisfatório. Interessante. – Comenta o meu agente e eu não consigo evitar a vermelhidão em meu rosto ao lembrar do corpo desnudo de Shawn pela manhã. Dakota gargalha e me empurra com diversão. – Safada! Você ganhou na loteria! Apesar da breguice, você se casou com um homem lindo, que gosta de você e que tem um material bem satisfatório. Você realmente não vai descrever? Vai me deixar na curiosidade?

— Cala a boca! – Resmungo, sem jeito. Dakota ri e eu acabo rindo, sem acreditar no que estávamos conversando, sendo que até poucos minutos atrás eu estava chorando feito uma louca por ter me casado. – Só você mesmo para me fazer rir nessa situação trágica. Obrigada.

— Eu ainda quero te esganar e estou realmente sentindo que em algum momento eu vou acabar tendo uma morte precoce por causa das suas loucuras. – Responde o homem, dando de ombros, mas não demora a dá uma risada anasalada. – Mas de nada. Agora se prepare para enfrentar a sua mãe biológica e a de adoção.

— Eu não sei quem vai surtar mais. Minha mãe ou a Naty. – Murmuro, estremecendo só de imaginar os puxões de orelha que levaria das duas mulheres. Suspiro e noto que estamos na rua do prédio sede da CIA. – E parece que não vai demorar muito para descobrir a modalidade que Natasha vai escolher para me matar.

— Nos matar. – Corrige Dakota, gemendo em frustração, enquanto entra no estacionamento do prédio. – Porque eu tenho certeza de que vai acabar sobrando para mim, como sempre acontece.

Estralo a língua e encaro as revistas e jornais em meu colo, além do anel em minha mão, torcendo para que toda essa loucura não passasse de apenas um sonho realista demais ou que tudo não passasse de uma brincadeira insana que estavam fazendo comigo, mas é claro que eu estava pedindo demais. E então Dakota estaciona o carro e eu me vejo seguindo para a sala restrita da sede, reservada para as reuniões da S.H.I.E.L.D.

Assim que chegamos à sala, respiro fundo e troco olhares com Dakota, que assente e dá três batidas na porta. Após a autorização de Natasha para que entrássemos, Dakota abre a porta e dá espaço para que eu entrasse também. Como era de se esperar, todos os outros membros da S.H.I.E.L.D. se encontravam na sala, sentados na imponente mesa de vidro redonda. Com os olhos intensos de todos sobre nós, Dakota e eu nos sentamos encolhidos em nossos lugares.

— Agora que Dakota e Hillary chegaram, podemos iniciar a nossa reunião. – Anuncia Natasha, passando a andar para a frente da mesa. Ela aperta faz sinal para que Sam Wilson começasse a passar algo na tela principal e suspira. – Como todos sabem, passamos por acontecimentos caóticos nos últimos dois dias, que colocaram a identidade de Hillary em perigo.

— Natasha, eu...

— Quieta, Hillary. – A ruiva me interrompe, lançando um olhar fulminante. Encolho-me no meu lugar e não demora muito para que o agente Fury, o chefe de Natasha, aparecesse na tela. Naquele momento eu soube que não poderia abrir a boca até ser solicitado pelo homem. – O agente Fury deseja passar algumas informações a vocês. Agente Fury.

Obrigado, agente Romanoff. Nesse momento eu me encontro em uma missão importante em Washington, mas devido os últimos acontecimentos, a CIA não pôde ignorar as consequências do casamento repentino da agente Leblanc. Como todos já estão cientes, a agente Leblanc está afastada das missões da S.H.I.E.L.D. desde o seu ato de heroísmo ao salvar o cientista Shawn Kennedy. Odeio admitir isso, mas graças aos esforços de Clint, conseguimos amenizar a situação e abafar o caso da mídia em pouco tempo, ainda que tivéssemos tantas testemunhas no local. No entanto, dois dias atrás, a agente Leblanc voltou a ser alvo da imprensa com o vazamento de fotos de paparazzis no hotel em que ela estava hospedada em Las Vegas. Novamente, tivemos a intervenção do marido da agente Romanoff para impedir que mais informações fossem vazadas, então foi possível esconder a identidade do acompanhante. — Conta o diretor da CIA e eu prendo minha respiração ao imaginar o quanto Fury deveria estar furioso.

Ele sempre teve implicância com Clint. Aparentemente, Fury nunca aceitou muito bem que o marido de Natasha tivesse resolvido um caso complexo em cinco minutos no primeiro encontro deles há mais de vinte anos. Para a frustração de Nick Fury, não era poucas as vezes em que ele acabava dependendo da influência e as habilidades de detetive de Clint para resolver casos complexos da CIA.

Agente Wilson, mostre os vídeos. — Pede Fury com a sua expressão intimidante de sempre.

— Sim, senhor. – Responde Sam, apertando em vários locais até abrir o primeiro vídeo, onde eu aparecia ao lado de Shawn, enquanto eu fazia poses e sorria animada para as fotos. O cientista parecia confuso, mas era nítido que ele estava completamente fora de si.

Hillary, quem é esse homem que está acompanhando você? – Questiona o paparazzi, aproximando sua câmera de nós.

— Esse é Shawn Kennedy, meu marido. Quer dizer, a gente vai se casar daqui a pouco...vamos nos casar. – Minha fala sai completamente confusa e embolada. De repente, beijo a bochecha de Shawn e o abraço, encostando meu rosto em seu ombro.

Shawn Kennedy não foi o homem que você salvou no acidente de alguns meses atrás? – É possível ouvir a voz de outro paparazzi, chamando a nossa atenção. Por algum motivo, eu realmente parecia estar me divertindo com a situação.

Sim. Ela salvou a minha vida e me deu uma nova chance de viver. – Shawn responde com doçura, enquanto e afasta e pega em minhas mãos. Um sorriso encantado aparece em meus lábios naquele momento. E por algum motivo, meu coração também passa a bater eufórico ao observar a forma como Shawn me encarava. Era como se eu fosse uma joia preciosa. – E é por isso que eu usarei essa nova vida que ela me deu para me dedicar por completo a fazê-la feliz.

— Ele é tão fofo. – Sussurra Sara e eu podia ver que ela se segurava para não sorri animada. Engulo em seco, completamente atordoada com o vídeo.

Ah, Shawn. Você é tão amável. – Respondo emocionada e do nada, eu pulo sobre o rapaz, puxando-o para um beijo intenso, onde ele apertava minha cintura de forma possessiva e eu puxava seus cabelos sem qualquer pudor. Meu rosto fica extremamente vermelho ao notar os olhares maliciosos de meus colegas de trabalho.

Encolho-me ainda mais e a imagem de Nick Fury volta a aparecer na tela. Ele não parecia nenhum pouco feliz. Por debaixo da mesa, aperto a mão de Sara e de Dakota que estavam ao meu lado, buscando algum tipo de apoio emocional.

Agente Wilson, agora mostre o segundo vídeo que está circulando pela internet. – Pede o agente Fury, ajeitando sua postura na cadeira em que estava sentado.

— Um instante, senhor. – Responde Samuel, novamente clicando em vários lugares em seu computador até que um novo vídeo apareça na tela.

Dessa vez, Shawn e eu estávamos no altar da capela com o cover de Elvis Presley como celebrante. Eu usava o vestido horrível e Shawn não poderia estar mais bonito com o smoking azul marinho e blusa social branca. Ele sorria com tanta sinceridade ao me encarar que meu coração mais uma vez se descontrola ao assistir a cena.

Hillary, Bernhard Riemann teorizou que a função zeta preveria a distribuição de número primos. Depois disso matemáticos do mundo todo passaram cento e cinquenta anos tentando comprar essa ideia. Mesmo algo como ondas gravitacionais, que começaram como uma hipótese de Einstein, foram observadas cem anos depois. Alguns dos princípios mais científicos do mundo são apenas comprovados depois de um instinto de alguém. Comparado a você, talvez eu não saiba nada sobre relacionamentos ou interações sociais, afinal, eu sou um completo nerd que se isola do mundo por medo de se machucar, mas pretendo passar a vida inteira para provar que esse amor que sinto por você é real. Você não casa porque o amor é provado. Você se casa para provar o amor. E é isso que eu quero ao seu lado, Hillary. Provar do amor e o motivo de todos parecerem tão felizes com a ideia de casamento.

Então, a partir de agora, tudo o que me deixar feliz, você será a primeira a saber. Se algo triste te acontecer, eu carregarei isso com você. Vamos compartilhar, dar apoio um ao outro. Eu espero que a gente seja o tipo de casal que é capaz de superar as dificuldades juntos, sendo melhores amigos, companheiros e eternos namorados. Prometo que não irá se arrepender por ter me escolhido. Que farei você ter orgulho de se casar comigo e que nunca vai se cansar de mim.

Você é a minha estrela brilhante, Hillary. A mais bela de todas e a que eu nunca me cansarei de observar e cuidar. Na saúde ou na doença, prometo te amar e te respeitar. Afinal, a partir de agora, para todo e sempre, nós seremos marido e mulher. Eu prometo que farei o meu melhor para te fazer a mulher mais feliz do mundo.”

Assim como no vídeo, eu sinto meus olhos se encherem de lágrimas, enquanto eu não conseguia explicar a loucura que se passava dentro de mim. Sara e Dakota apertam com maior intensidade as minhas mãos, enquanto me encaram em um misto de curiosidade e malícia.

Que romântico. Hillary, gostaria de recitar seus votos ao seu futuro marido assim como ele fez ou prefere que eu dite os votos tradicionais e você os repita? – Questiona o Elvis, parecendo realmente encantado com os votos de Shawn.

Eu quero fazer os meus votos. – A minha resposta é dada com determinação, enquanto enxugo minhas lágrimas. — Shawn, você é tão inteligente que eu tenho medo de parecer estúpida ao abrir a boca perto de você. Seu cabelo é macio e muito bom de acariciar. E eu adoro a forma como seus olhos brilham ao falar sobre coisas do espaço. Eles são tão bonitos e doces, assim como você. Desde a primeira vez que nos encontramos, eu disse a mim mesma que não me aproximaria de você de novo. Que nunca seriamos nem mesmo seríamos capazes de sermos amigos com tamanha diferença de humor e personalidade.

E então tivemos Clint e Naty. O casal mais estranho, excêntrico e incomum que eu conheço. Eles nos fizeram conviver praticamente todos os dias por um mês. Ainda assim, sempre parecia ter uma barreira entre nós, então voltamos a nos separar após a festa de ano novo e casamento deles. Mesmo que o marido de minha melhor amiga fosse o seu melhor amigo, nós raramente nos encontrávamos e quando ocorria, no máximo que acontecia era a troca de cumprimento.

Achei que permaneceríamos assim para sempre. Mas tudo mudou depois do acidente. Você foi tão gentil e seu sorriso era tão bonito quando veio falar comigo no hospital. E coincidentemente, voltamos a nos encontrar aqui em Las Vegas. Novamente, fui surpreendida ao me dar conta de que você era completamente diferente do que eu pensava.

Você é tão incrível e doce e fofo e lindo e perfeito para mim. E é por isso que eu devo me casar com você. Então seguindo os seus votos, eu prometo ser fiel, te amar e te respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida. Eu te amo, Shawn Kennedy.

Meus votos também são ditos com tanta intensidade que eu nem mesmo conseguia acreditar que eu havia dito aquelas palavras. E eu chorava, completamente emocionada. Shawn sorri e limpa meu rosto com carinho. A troca de alianças acontece e eu solto a mão de Sara e volto a encarar a aliança que se encontrava em meu dedo.

Então, diante do poder que foi concedido a mim, eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva. – Dita o celebrante Elvis e não demora muito para que o beijo eufórico acontecesse.

O vídeo se encerra e novamente temos o rosto de Fury na tela. Eu lutava contra as lágrimas e eu nem mesmo entendia o motivo de estar tão emocionada com aquele casamento maluco. Aqueles votos haviam sido trocados quando estávamos sob efeito de álcool. Nenhuma daquelas palavras deveria ser verdadeira. Ainda assim, eu me sentia completamente atordoada e encantada.

O que você tem a dizer sobre esse casamento repentino, agente Leblanc? — Indaga o agente Fury de uma forma que mais parecia que ele apenas estava tentando se controlar e não que esperasse realmente uma resposta minha. – Essa cerimônia foi proposital?

— De... de forma alguma, senhor. – Digo com a voz embargada. Respiro fundo e o encaro com seriedade. – Nós estávamos embriagados, agente Fury. Eu jamais permitiria que algo assim acontecesse se eu estivesse sóbria. Eu juro.

— De qualquer forma, esses dois vídeos estão circulando pela internet e é tarde demais para conseguirmos conter. – Informa Natasha, suspirando.

— Eu sinto muito. Em momento algum eu tive a intenção de prejudicar a agência. Eu realmente estou disposta a fazer o que for necessário para arcar com as consequências de minhas atitudes. – Garanto com sinceridade. Viro-me para Steve e ele me encarava com um sorriso compreensível. – Eu sinto muito, Steve. Soube que você acabou se prejudicando por minha causa também.

— Não se preocupe comigo, Hillary. – Sussurra Steve, sorrindo despreocupado.

Fury suspira e balança a cabeça em negação. Na verdade, eu me sentia surpresa por ele ser o único que realmente parecia furioso naquele momento. Até mesmo Natasha, que eu pensei que me esquartejaria assim que eu colocasse meus pés na sala, estava muito mais calma do que eu imaginei que ela estaria. Encaro Dakota e ele também parecia desconfiado com a calmaria do ambiente.

Depois de conversar com o conselho da CIA, nós chegamos ao consenso de que você irá realizar o divórcio e vai realizar uma coletiva de imprensa com o sr. Kennedy, explicando que tudo não passou de um equívoco. Você ficará suspensa da S.H.I.E.L.D. por seis meses, que é o tempo que esperamos que levará até que essa história seja esquecida. Iremos desativar suas redes sociais após a coletiva de imprensa e você também ficará afastada das campanhas publicitárias. — Informa Fury e eu mordo o lábio inferior, querendo chorar pela situação. Seis meses afastada dos meus dois empregos? – Amanhã de manhã você deverá ir até a casa de seu marido conversar com ele e explicar sobre o divórcio. Estamos entendidos, agente Leblanc?

— Sim, senhor. – Respondo, controlando a minha frustração pela situação.

Muito bem. Deixarei todos os detalhes das punições da agente Leblanc em suas mãos, agente Romanoff. E agente Pierce, eu quero o relatório completo da situação até às onze horas da noite de amanhã. — Continua o diretor da CIA e posso ver que meu agente se controla para não soltar um gemido frustrado.

— Sim, senhor. – Fala Dakota, forçando um sorriso.

— Entrarei em contato com o senhor em breve, agente Fury. – Avisa Natasha e Fury assente, antes de encerrar a chamada de vídeo.

Por alguns instantes, o silêncio toma conta do lugar. Eu ainda me encontrava em estado de choque por todos os acontecimentos. Eu estava surpresa por não ter sido demitida, mas ao mesmo tempo, ainda estava tentando lidar com as lembranças que começavam a retornar para a minha mente como uma enchente de informações dolorosas e surpreendentes.

— Pode passar para cá as minhas vinte pratas, Wilson! – Anuncia Steve, abrindo um largo sorriso. – Eu disse que dessa vez não seria uma tatuagem.

— Droga, Hills! Por que você não fez uma tatuagem? – Resmunga Sam, pegando a carteira para pagar Steve.

— Ah, eu não fui demitido! – Comemora Dakota, suspirando aliviado.

— O casamento de vocês foi tão adorável! – Afirma Sara, abraçando-me com intensidade. – Eu quero todos os detalhes!

— Que detalhes de casamento o quê, garota! Eu quero detalhes é da noite de núpcias. Se quiser do casamento, é só ver os vídeos que estão sendo espalhados pela internet. – Fala Dakota, rindo animado. Nesse momento, Sara, Steve, Sam, Dakota e até mesmo Natasha se viram para mim, ansiosos pela minha resposta. – Conta tudo, Hills! Ele é todo chato e tímido na cama ou por detrás da carinha de nerd bobão tem na verdade uma fera capaz de te levar as alturas?

— Dakota! – Exclamo, surpresa.

— Confesso que eu também estou curioso. – Conta Steve e eu lanço um olhar repreendedor para o rapaz, que rir e ergue os braços em sinal de redenção.

— Todo mundo está. Abre o bico, Hills! – Fala Sam, encarando-me como o grande fofoqueiro que ele é.

— Eu não tenho que dizer nada para vocês. – Resmungo, envergonhada. – Minha vida sexual não diz respeito a nenhum de vocês, fofoqueiros. Eu aqui toda preocupada com o fato de acabar sendo responsável pelo fim da S.H.I.E.L.D. e vocês aí querendo saber sobre assuntos irrelevantes.

— Então ele é ruim de cama? – Indaga Sara, parecendo decepcionada.

— Eu não disse isso. – Retruco, sentindo meu rosto esquentar.

— Então ele é bom? – Questiona Natasha e eu a encaro surpresa. Todos encaram a chefe, tão impactados com a pergunta de Natasha e ela bufa, dando-se por vencida. – O quê? Eu já perdi a aposta para Clint mesmo. O mínimo que eu mereço é saber como foi a noite de núpcias deles.

— Que aposta que você fez com o tio Clint, tia Tasha? – Indaga Sara com curiosidade.

Eu não sabia o que me impressionava mais: o fato de ninguém parecer se importar com o meu casamento maluco e repentino em Las Vegas ou que eles haviam feito apostas. Até mesmo Dakota que havia surtado quando eu cheguei em Hawkins parecia não ter mais nenhuma preocupação sobre a situação caótica em que eu me encontrava.

— Não te interessa. – Resmunga Natasha, parecendo envergonhada. Ela então se vira para mim. – E então, Hills? Como foi?

— Foi... foi... – Gaguejo, relembrando as cenas da noite anterior e um arrepio sobe pela minha espinha ao me recordar de todas as sensações insanas e intensas que Shawn foi capaz de me fazer experimentar. Engulo em seco e me remexo na cadeira. Os olhares curiosos continuavam sobre mim e eu me sentia intimidada. – Foi incrível.

— Eu sabia! – Grita Dakota, animado. Ele e Sara batem as mãos, sorrindo com euforia. – Pode passa o dinheiro para cá, Sam e Steve!

— Droga! – Resmunga Samuel, frustrado. – De novo?

Sam, Steve, Dakota e Sara passam a discutir sobre as apostas, enquanto eu permanecia em estado de choque, sem saber como eu deveria reagir diante das memórias que retornavam a minha mente. Natasha se aproxima e coloca a mão em meu ombro, sorrindo solidária ao ver quão abalada eu me encontrava. Suspiro e coloco as duas mãos sobre o meu rosto. Ao amanhecer, eu teria que ir à casa de Shawn e sendo sincera, eu não sei se estou pronta para encarar seu rosto, quando meu corpo e meu coração pareciam tão ansiosos para senti-lo mais uma vez.

Notas finais
Anel de casamento: https://cdn.shopify.com/s/files/1/0069/6483/8461/products/13448-anel-em-ouro-18k-anel-pocker-exclusivo-comprar-online-joiasbylg.jpg?v=1569273505 Dakota: https://i.pinimg.com/564x/b7/76/fb/b776fbe74ff3c68d71c14d345071023a.jpg oOo Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara