Sem Tempo para o Amor

40 Mudança de Planos


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! E aqui estou eu postando o penúltimo capítulo da história. Obrigada AndreaNeves pelo maravilho comentário no capítulo passado. Espero de verdade que gostem. Obrigada por todo o apoio e carinho. Boa leitura...

SEM TEMPO PARA O AMOR

CAPÍTULO XXXIX – MUDANÇA DE PLANOS

— Por que você veio mesmo? Você não deveria estar organizando a festa de Natal? – Questiono a Clint, enquanto deixamos o elevador, que havia chegado em meu andar.

Eu estava tão ansioso para encontrar minha esposa, que nem mesmo rejeitei a oferta de Clint vir comigo até minha casa, assim que recebi a mensagem de Hills, informando que ela havia chegado. Mas eu sabia que as ações de meu melhor amigo nunca era apenas uma coincidência e ele definitivamente tinha alguma intenção me acompanhando.

— Já está tudo pronto. O restante está por conta das equipes que contratei. Não vai adiantar nada eu ficar em cima deles cobrando algo que já está sendo feito. Yuval também está responsável por organizar os preparativos finais junto com o Andy. Posso tirar um pouco do meu tempo para acompanhar meu melhor amigo em casa. – Responde o homem, encarando-me com aquele sorriso descarado.

— Você só veio porque é um grande fofoqueiro e está curioso para ver com os próprios olhos se Hills está realmente grávida. – Suponho e recebo o riso irônico de meu melhor amigo, que nem mesmo se dá ao trabalho de negar. Suspiro, sem me surpreender.

Enquanto seguíamos pelo corredor do apartamento, relembro de meu almoço com a minha família e a de Hills. Eu sei muito bem que não posso continuar adiando essa conversa com minha esposa, mas o que fazer quando precisava dar atenção a nossas famílias por ser véspera de Natal. Eu nem mesmo tenho certeza se conseguiremos chegar a tempo.

— Eu não sei como serão as coisas quando nos encontrar, mas poderia cuidar das nossas famílias enquanto não chegamos na festa? – Peço, abrindo a porta do apartamento.

— Claro. Não se preocupe com isso. Eu cuido disso. – Garante Clint, dando tapinhas em meu ombro.

— Hills? – Questiono, entrando no apartamento. Clint vem logo atrás de mim, fechando a porta em seguida. Viro-me para meu melhor amigo. – Ela deve estar no quarto.

— Pelo visto, Naty também está aqui. – Comenta Clint, apontando para o casaco preto de sua esposa que estava sobre o sofá.

Assinto e faço sinal para que seguíssemos para o quarto, onde nossas esposas deveriam estar. Conforme nos aproximávamos, mais alto o som da voz das mulheres se tornavam, confirmando nossas suspeitas. Ansioso para reencontrar minha esposa, apresso meus passos.

No entanto, surpreendendo-me, assim que Clint e eu chegamos ao quarto, encontro Hills sendo abraçada por Natasha. Sua expressão de assustada e a palidez em meu rosto me preocupa.

— Hills? O que aconteceu? Você está bem? – Questiono, entrando no quarto. Natasha se separa de minha esposa, que parecia continuar em estado de choque. Corro até a mulher e me ajoelho diante dela, tentando entender o que havia acontecido para ela estar tão atordoada. – Hills? Meu amor? Você está bem? O que houve?

Hills continua sem esboçar qualquer reação. Era como se ela estivesse paralisada e fosse incapaz de expressar o que se passava em sua mente e em seu coração.

Pelo canto do olho, posso ver Natasha ser recepcionada com um abraço caloroso e um beijo doce pelo marido, que assim como eu, parecia ansiar pelo seu retorno. Ao ver que eles haviam matado um pouco da saudade, viro-me para a melhor amiga de minha esposa, esperando alguma explicação para o comportamento atípico de Hills.

— O que aconteceu para ela estar assim? – Questiono, apreensivo.

— Por que não conta ao seu marido, Hills? Acho que esse é o melhor momento. – Recomenda Natasha, encarando a amiga com os olhos brilhando em animação.

Volto a minha atenção para a minha esposa. Ela mordia os lábios com intensidade e seus olhos pareciam carregar um medo que eu nunca tinha visto antes na mulher mais corajosa que eu já conheci. Remexo-me em busca de uma posição mais confortável para meus joelhos e encontro quatro fitas sobre a cama.

— O que é isso? – Questiono, pegando as fitas que haviam chamado a minha atenção. Não demoro a reconhecer como testes de gravidez.

— Shawn! Eu posso explicar! – Exclama Hillary, apavorada, enquanto puxa minha mão para impedir que eu visse os resultados. – Eu... não foi de propósito. Eu juro. Eu sei que estávamos planejando que ocorresse mais para frente, mas...

— Hills, fica calma. Respira fundo e fala devagar. Eu já não consigo entender o que você está dizendo. – Oriento, tentando transmitir um pouco de calma a minha esposa, ainda que eu mesmo estivesse enfrentando um tsunami de emoções dentro de mim.

Eu não era idiota para não saber o motivo do desespero de minha esposa, depois de ver os quatro testes de gravidez. Mesmo que eu não tivesse visto com clareza, pela sua reação, eu sabia que todos eles haviam dado positivo e que em breve seríamos pais.

Ao mesmo tempo que havia uma alegria indescritível pulsando sem controle em meu peito, eu também me sentia apavorado, ainda que já desconfiasse dessa possibilidade.

Ter o resultado positivo diante de nós tornava mais real o fato de que a partir de agora não seríamos apenas nós dois e que todas as nossas escolhas afetarão diretamente a vida de um ser inocente que receberá todo o nosso amor.

Eu nunca fugi de um desafio e foi exatamente por isso que me tornei pesquisador. Desvendar as incógnitas dos mistérios do espaço ou até mesmo dos criminosos que tentavam destruir a vida de Clint eram coisas que me davam energia e me davam a certeza de que seria capaz de solucionar. No entanto, a responsabilidade de ser pai e criar uma criança era algo que eu não tinha certeza se seria capaz de fazer com maestria.

Ainda assim, eu estava tão feliz. Era um sentimento contraditório e insano. Eu vou ser pai da criança que minha esposa e a mulher que eu mais amo nesse mundo está carregando. Era aterrorizante e alucinante.

— Eu... estou grávida. – Sussurra Hillary com lágrimas descendo pelo seu belo rosto. Ela ainda parecia em choque, levando as mãos a barriga. – Eu... eu não sei como aconteceu. Achei que estivesse me cuidando, mas... Shawn, por favor, não fique com raiva. Eu não...

— Como eu poderia ficar com raiva, Hills? – Questiono, abraçando minha esposa, que mais parecia uma criança naquele momento. Ela arfa e parece surpresa com a minha reação. – Eu estou feliz. E assustado, sentindo que estou prestes a enlouquecer, mas estou feliz.

— Você está? – Questiona Hillary, afastando-me para conferir se eu dizia a verdade. Rio e assinto, enquanto limpo as lágrimas que haviam manchado seu rosto. – Então não está decepcionado comigo por eu ter engravidado, mesmo quando combinamos que isso só deveria começar a pensar sobre isso em três anos?

— Você jamais me decepcionaria. – Garanto, colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha de Hills. – E é normal que as coisas não saiam exatamente como nós planejamos, mas isso não significa que isso é algo ruim. Está bem que esse momento é um pouco caótico para termos um filho. Além de que estamos no meio de grandes mudanças em nossas vidas. Mas, nós podemos enfrentar esse novo desafio juntos. E já que nós já estávamos em fase de planejamento, podemos apenas fazer algumas mudanças em nossos planos.

— Uma mudança de planos? – Questiona minha esposa, parecendo um pouco mais calma.

— Isso. Podemos começar colocando um pouco de responsabilidade nos ombros de Clint e Natasha. O que acha? – Brinco e ela encara nosso casal de amigos, que estavam abraçados e nos encaravam com sorrisos doces em seus lábios. – Eu sei que fui apressado e que deveria ter conversado com você antes, mas eu já convidei Clint para ser o padrinho do bebê junto com a Natasha. Acho que seria ótimo termos padrinhos milionários.

— Parece ótimo para mim. – Comenta Hillary, rindo. Ela suspira e encara nossos amigos mais uma vez. – Vocês nos dariam a honra de serem padrinhos do bebê?

— Mas é claro que sim, Hills. Mesmo que você não tivesse dito nada, temos intimidade o suficiente para que eu obrigue você e o Shawn a me deixar ser madrinha dessa criança linda que estar a caminho. – Garante Natasha, dando um amplo sorriso.

— Obrigado. – Agradeço, sentando-me ao lado de Hillary. Entrelaço nossos dedos e encaro sua barriga com fascínio, ainda que não tivesse mostrando nada no momento.

— E o que eu quero saber realmente é: desde quando vocês dois sabem que a Hills está grávida? – Questiona Natasha, afastando-se do marido para o encarar com os olhos cheios de desconfiança.

— Por que acha que eu sabia que ela estava grávida? – Indaga Clint, sorrindo em desafio para a esposa.

— Porque você e Shawn são como unha e carne. Não há nada que você não conte para ele e vice-versa. O que realmente me leva a pensar quem descobriu primeiro sobre a gravidez. Se foi você que descobriu e compartilhou com o Shawn ou se Shawn foi observador o bastante dessa vez para perceber que a Hills estava grávida. – Retruca a ruiva, fazendo Clint rir e me encarar de maneira cúmplice.

— Para a sua surpresa, Shawn foi quem descobriu primeiro. – Revela Clint, fazendo com que a atenção das duas mulheres fosse direcionada para mim. – Ele foi quem me contou sobre suas suspeitas.

— Você já sabia? Desde quando desconfiava que eu estava grávida e como concluiu isso? – Pergunta minha esposa com interesse.

— Você é minha esposa. Posso ser desligado para algumas coisas, mas eu ainda sou capaz de perceber as mudanças no seu corpo e em seu comportamento. – Relembro, surpreendendo Hillary. – Você passou a enjoar dos perfumes das pessoas e até a implicar com o meu. Sem contar o aumento da fome e do sono. Você também frequentemente vomitava pela manhã e eu percebi que seu quadril ficou um pouco mais largo, além dos seios mais inchados.

— Você percebeu isso e não me falou nada? – Questiona Hillary, embasbacada. – É por isso que você todo dia me falava para ir ao médico? Por que nunca me disse que desconfiava que eu estava grávida?

— Eu não tinha total certeza até o dia em que você viajou e eu observei você trocando de roupa. Sua barriga parecia um pouco redonda, mas não como se tivesse simplesmente engordado. Nos outros dias, como você insistia em dizer que era uma reação comum da troca de remédio e que estava comendo muito mal por causa da rotina, fiquei incerto se você estava mesmo grávida. – Conto com os olhos fixos aos de minha esposa. – E eu também fui levado a crer que se você poderia ter algum instinto e que se tivesse grávida, alguma coisa faria você perceber, então acreditei que estava ficando paranoico.

— Você realmente não desconfiava que estava grávida, Hills? – Indaga Clint com curiosidade.

— Bom, eu sabia que havia algo de incomum acontecendo comigo, mas como estava tomando remédio, não achei que estivesse realmente grávida. Como eu estava tomando o mesmo anticoncepcional há muitos anos, meu médico havia me orientado a trocar. Achei que os sintomas fosse efeito colateral da mudança, porque passei por quase a mesma coisa quando comecei a tomar o meu remédio anterior. – Explica Hillary, dando de ombros. – Eu realmente tentei todas as formas de negar, porque temia a reação de Shawn, mas no fim, Natasha me venceu com a teimosia irritante dela.

— Eu apenas queria que você aceitasse a realidade de uma vez por todas. E você deveria confiar mais no seu marido. Ele é o mesmo homem que te chama de olhos de galáxia, dá flores raras que lembram os seus olhos e que apoia todas as suas loucuras. Até mesmo um cego consegue ver o quanto Shawn é completamente louco e apaixonado por você. – Retruca Natasha, cruzando os braços.

— Isso é verdade. – Garante Clint, apoiando a esposa. – Você não imagina o quanto ele ficou agitado durante essa semana que esteve fora. Eu tive que aplicar um golpe na nuca dele para que ele desmaiasse e finalmente descansasse. Ele não dormia, não comia direito e bebia cerca de dez copos de café por dia. E o humor dele? Era insuportável.

— O quê? Shawn! Você me prometeu que iria se cuidar enquanto eu estivesse fora. Por que ficou sem comer e sem dormir? E você disse que iria diminuir o café. Dez copos de café por dia é diminuir? – Hillary me repreende, encarando-me com seriedade. Encolho-me diante de seu olhar semelhante ao de uma fera furiosa.

— Clint, eu juro que um dia eu ainda vou cortar a sua língua para você parar de ser fofoqueiro e querer contar as coisas só para me ferrar. – Resmungo, enquanto meu melhor amigo rir, divertindo-se. Noto que ainda era alvo do olhar nada satisfeito de minha esposa. Suspiro e pego em sua mão com cautela, sabendo que qualquer movimento brusco e eu poderia ter a cabeça cortada. – Amor, eu estava preocupado. Passei seis dias sem notícias suas, pensando na possibilidade de você estar grávida mesmo e correndo risco de vida no meio de uma missão perigosa. Para não enlouquecer de preocupação e fazer uma besteira indo atrás de você, eu precisei me focar nos estudos.

— Você precisa cuidar mais da sua saúde. O que eu vou fazer se você ficar doente? – Questiona minha esposa com frustração, enquanto me abraça. Suspiro e correspondo ao gesto, beijando o topo de sua cabeça. – Eu te amo. Por favor, cuide mais da sua saúde.

— Eu também te amo. E eu prometo que vou tomar mais cuidado. – Afirmo, afastando-me de minha esposa. Acaricio seu rosto e sorrio. – E quando você vai me dar um beijo de boas-vindas? Eu estava com saudades, sabia?

Hillary ainda me encara com repreensão, mas logo sorri e me puxa para um beijo repleto de saudade, amor e alívio. Era como se um peso tivesse sido tirado de seus ombros. Aperto-a em um forte abraço, matando um pouco da saudade que eu havia sentido.

— Tão adoráveis. Nem parece que eles queriam se matar quando se conheceram. – Comenta Clint, enquanto Hillary e eu continuávamos abraçados. – Quem diria que em um ano eles se casariam em Las Vegas e ainda engravidariam?

— As pessoas dizem que somos imprevisíveis, mas isso é porque eles não conhecem Shawn e Hills. – Complementa Natasha e eu acabo me separando de minha esposa para encará-los.

— Vocês são tão irritantes. – Resmunga Hills, apoiando sua cabeça em meu ombro. Passo meu braço por cima de seus ombros para acolhê-la e suspiro, relembrando que eu ainda precisava decidir alguns pontos com Hillary, Natasha e Clint.

— Por que não vamos para a sala de estar? Agora que temos a confirmação que Hills está grávida, eu tenho alguns pedidos para fazer. E acredito que seria melhor continuarmos nossa conversa em um ambiente mais confortável. – Sugiro com seriedade e logo os outros três assumem uma postura mais séria.

Seguindo a minha sugestão, todos seguem para a sala de estar do apartamento. Clint se oferece para preparar um chá e panquecas para que conversássemos de barriga cheia. Durante esse tempo em que meu melhor amigo preparava nosso lanche, Natasha e Hillary conta sobre a perigosa missão da S.H.I.E.L.D que fez todos ficarem sem comunicação por seis dias.

Para dar um fim a uma perigosa organização que comandava o tráfico humano na Turquia nos últimos dez anos, todos os membros da unidade especial da CIA precisaram embarcar em um navio. Em alto mar, eles observaram todos os envolvidos no crime, recolheram provas e lutaram contra quase todos os criminosos da organização maligna.

Enquanto comemos, tento organizar meus pensamentos. Eu nem mesmo sabia se todos concordariam com as decisões que eu havia tomado após conversar com Clint sobre as minhas inseguranças.

— E então, Shawn? Vai nos contar o que se passa nessa sua cabeça que está fazendo você ficar tão distante? – A voz de Clint me desperta de meus pensamentos, trazendo-me de volta a realidade.

Nesse momento, percebo que era alvo dos olhares atenciosos de Natasha, Clint e Hillary. Suspiro e bebo um pouco mais de chá, que apesar de não ser muito fã, era obrigado a tomar pela minha esposa e melhor amigo.

— Eu não vou participar do processo seletivo da NASA. – Revelo, surpreendendo a todos, inclusive Clint, que raramente é pego de surpresa.

— O quê? Como assim você não vai participar do processo seletivo da NASA? – Questiona Hillary, encarando-me apavorada. – Por quê? Esse sempre foi o seu sonho e essa é a chance de você entrar de maneira justa na NASA.

— Esse sempre foi o meu maior sonho antes de te conhecer, Hills. – Afirmo, sorrindo. Pego na mão de minha esposa, que estava sentada diante de mim e a encaro com seriedade. – É verdade que eu ainda tinha o desejo de entrar para a NASA depois que nos casamos, mas agora, isso não é mais a minha prioridade.

— Então, o que planeja fazer? – Pergunta Clint, antes que minha esposa começasse seu discurso sobre a loucura de desistir de um sonho.

— Quando conversei com o diretor Giuseppe sobre a minha saída da UPCTAH, ele me fez uma oferta para desistir da ideia e continuar na universidade. No momento, eu não me interessei, porque Hills já havia me dito que não importava o que ele dissesse, eu deveria sair para ir atrás do meu sonho. Mas agora, eu acredito que é melhor escolha que eu poderia fazer. – Respondo, relembrando minha conversa com o meu chefe.

— O que ele te ofereceu? – Questiona Natasha com curiosidade.

— Ele quer que eu cuide do Decanato de Pesquisa e Inovação da UPCTAH. – Respondo e minha esposa me encara confusa.

— E o que seria esse Decanato de Pesquisa e Inovação? – Pergunta Hillary com cautela. Parecia receosa pela minha decisão, mas havia decidido me escutar primeiro, antes de dar sua opinião.

— Eu basicamente ficaria responsável por liderar todas as pesquisas da universidade. Nenhuma pesquisa será aprovada se não tiver o meu aval. – Resumo o cargo complexo que eu poderia ocupar. – Eu vou diminuir a quantidade de aulas que dou e cuidarei de perto de toda as pesquisas desenvolvidas. O salário é bem mais alto e acredito que terei mais flexibilidade para ajudar com o bebê, já que poderei trabalhar de casa, quando for necessário.

— Eu me lembro de Giuseppe comentar comigo que queria mesmo que você ficasse com essa vaga, já que você se mostrou ser extremamente talentoso com as pesquisas. Essa é mesmo uma ótima oportunidade. – Comenta Clint, parecendo animado com a ideia.

— Você já conversou com o Giuseppe sobre a possibilidade dele te aceitar de volta? – Questiona Hillary e eu assinto.

— Eu perguntei hoje de manhã se a proposta dele ainda estava valendo e ele disse que sim. – Conto, encarando minhas próprias mãos. – Ele me sugeriu que conversássemos hoje durante a festa de Natal para me dar mais detalhes do cargo e saber se eu vou aceitar o cargo ou não.

— Tem certeza de que quer desistir da NASA? – Pergunta minha esposa com preocupação. – Eu não gosto da ideia de você deixar um sonho apenas porque eu estou grávida. Ai, ainda é tão estranho pensar nisso.

— Normal. Logo depois você começa com a mania de ficar acariciando a barriga. – Comenta Natasha, rindo. Hillary suspira e dá um sorriso nervoso. – Mas é realmente importante saber se você quer mesmo deixar passar a oportunidade de entrar na NASA, Shawn. Você sempre sonhou tanto com esse emprego.

— Eu apenas não acho que seja o momento. Pode ser que no futuro eu acabe participando novamente do processo seletivo. De qualquer forma, a cada dois anos eles realizam uma nova seleção. Não é como se essa fosse a minha última oportunidade. – Relembro e Clint assente, dando apoio. – Eu sei que vocês estão preocupados, mas eu realmente estou bem com isso.

— Se você tem certeza dessa decisão, você tem todo o nosso apoio, Shawn. – Garante Clint, sorrindo.

Sorrio em agradecimento e volto a minha atenção para minha esposa, que ainda parecia incerta. Suspiro e aperto sua mão mais uma vez, fazendo com que seus lindos olhos de galáxia se voltassem para mim.

— Quando penso em nós criando nossos filhos, eu nos imagino aqui em Hawkins, ao lado de nossos amigos. Com você grávida, eu me sinto muito mais seguro com você trabalhando com Natasha do que com um desconhecido com a equipe de Washington DC. Seus pais até mesmo estavam comentando sobre a possibilidade de se mudar para a sua casa aqui, já que os gêmeos parecem planejar estudar na UPCTAH. Minha mãe também está pensando em se casar e se mudar para Hawkins. Não acha que é muito mais confortável e melhor para nosso bebê ser criado próximo a essas pessoas que são tão importantes para nós? – Indago com confiança.

Hillary parece analisar meus argumentos. Eu não sabia o que se passava em sua cabeça, mas eu estava pronto para fazer o que fosse possível para convencer minha esposa a continuarmos em Hawkins, em nosso confortável apartamento e com nossa louca e grande família.

— Você está certo. – Concorda Hillary, sorrindo. – Eu também me sinto mais segura estando com Naty e toda a equipe da S.H.I.E.L.D. enquanto trabalho para a CIA. E bem, esse bebê será afilhado de Clint Barton e Natasha Romanoff. É quase certo que seus inimigos tentarão de tudo para atingir o bebê. Ficarei mais tranquila sabendo que estamos perto de vocês para proteger nosso filho.

— Eu prometo que não deixarei que nada e nem ninguém machuque o bebê. – Garante Clint com seriedade. – Ele será como meu filho, assim como Andy e Ben. Farei tudo o que for necessário para que ele se mantenha seguro.

— E o ensinaremos a como sobreviver nesse mundo e o faremos membro da terceira geração da família Barton. – Completa Natasha, sorrindo com confiança.

— Eu estou ansiosa para ver do que essa geração será capaz de fazer. – Comenta Hillary, sorrindo sonhadora.

— Pelo visto vocês todos estão de acordo com nossa mudança de planos. – Suponho e os três assentem em concordância.

Por mais complexo e assustador que seja pensar em uma vida dependendo de mim, a euforia ainda era muito presente em meu peito. Inconscientemente, troco sorrisos com minha esposa, imaginando como será o nosso futuro ao lado desse bebê que Hillary carrega em seu ventre.

E a única coisa que consigo pensar é que não importa o que o futuro nos reserva, eu não hesitarei em proteger minha família e farei o que for preciso para me tornar alguém que minha esposa e filho terão orgulho de falar.

Notas finais
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