Sem Tempo para o Amor
13 Acordando para a Realidade
Notas iniciais

SEM TEMPO PARA O AMOR
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CAPÍTULO XII — ACORDANDO PARA A REALIDADE
Minha cabeça iria explodir pelo que deveria ser a décima vez desde que aceitei a estúpida ideia de vir para Las Vegas para celebrar a despedida de solteira de Sam. E o ronco alto no quarto não ajudava em nada a melhorar a enxaqueca que eu sentia. Respiro fundo, sentindo a fadiga característica da minha ressaca e permaneço de olhos fechados, ciente de que a dor se tornaria ainda mais esmagadora quando eu realmente acordasse.
Espere um pouco.
Ronco? A Sam não ronca desse jeito alto e masculino. E por que minha cama estava se mexendo? De quem era as batidas fortes de coração que eu ouvia? E mais importante do que isso, quem era a pessoa que me abraçava com tanto cuidado e de maneira tão protetora?
Oh, não! Não! Não! Não! Que merda foi que eu fiz agora?
Apavorada, abro meus olhos de uma vez e quase choro ao sentir a claridade me nocautear. Eu estava enjoada e minha garganta tão seca que parecia que eu não bebia água a um século. No entanto, eu tenho algo de muito mais importante para cuidar do que a droga da minha ressaca. Eu estou deitada no peito de um homem que tem um peitoral incrível, mas que nesse momento eu não faço ideia de sua identidade.
Calma, Hills. Você pode lidar com isso. Você só precisa ficar calma. Vai dar tudo certo. Às vezes você só dormiu ao lado desse desconhecido e não fizeram nada demais.
Fecho os olhos de novo, porque estava sendo difícil me concentrar com a claridade do quarto me maltratando. Com cautela para não acordar o homem que continuava a me abraçar, deslizo minha mão para debaixo do lençol que nos cobria e gemo baixo, frustrada e apavorada, ao notar que eu realmente estava sem roupa e sensível o bastante que dormir foi a última coisa que o estranho e eu fizemos naquela cama.
Analiso as minhas opções. Ou pelo menos eu tento, já que a minha cabeça latejava tanto que eu não conseguia nem lembrar meu nome direito naquele momento. Respiro fundo mais uma vez, na esperança de que o mal-estar desse uma trégua. Saber que eu tinha transado com alguém completamente embriagada também não me ajudava em nada a manter a minha calma.
E se esse homem tiver alguma infecção sexualmente transmissíveis? Quer dizer, eu nem sei se usamos camisinha. Demoraria ainda algum tempo até que eu me lembrasse de todos os acontecimentos da noite passada. E mesmo que eu me lembre, qual é a certeza que tenho de que eu não contraí uma candidíase, herpes genital, HPV, sífilis, clamídia, gonorreia, alguma hepatite viral ou, pior ainda, AIDS?
Um frio aterrorizante sobe pela minha espinha ao pensar nessa possibilidade. Engravidar também me apavorava. Era menos ruim do que ter uma doença sexualmente transmissível, mas não tornava a situação menos desesperadora. Eu adoro crianças, mas das outras pessoas. Como eu poderia lidar com uma gravidez, quando eu estou envolvida em diversas campanhas publicitárias e serei mandada para uma missão pela CIA assim que voltar de viagem?
Fica calma, Hillary. As pessoas não engravidam tão fácil assim. As chances de isso acontecer são muito baixas. E talvez, esse rapaz que está ao seu lado seja alguém muito responsável e que tenha usado preservativo. Isso. Você precisa se manter calma e positiva. Pense nas melhores opções para lidar com essa crise.
O homem ainda estava dormindo profundamente, como mostrava pelo seu ronco alto. Isso me dava chance de ao menos pensar no que poderia fazer. Eu poderia usar as minhas habilidades adquiridas com os anos de treinamento pela CIA para fugir de maneira fugaz e com cautela do quarto ou acordar o desconhecido, dar uma surra nele por ter transado comigo bêbada e depois me arrepender ao descobrir o que tinha me levado até aquela cama com ele.
Eu ainda não tinha criado coragem para encarar o rosto do rapaz, então nem mesmo sabia se ele era algum conhecido. No entanto, naquele momento, eu sentia que não seria capaz de lidar com todo o caos que seria ter a conversa pós sexo depois de uma noite de bebedeira extrema. Eu ainda estava com vontade de vomitar e com a cabeça um verdadeiro caos, então nesse momento, eu preferia fazer algo que eu sempre fazia quando sentia que não era capaz de lidar com algo: fugir da minha realidade, me fazer de sonsa e fingir que nada aconteceu.
Assim, ignorando o meu lado racional que dizia que eu deveria agir de maneira responsável e como uma adulta, tendo uma conversa civilizada com o homem com o cheiro maravilhoso e peitoral impressionante que eu usava como travesseiro, volto a abrir meus olhos com mais cautela e me movo calmamente para retirar o braço do rapaz de cima de meus ombros.
Suspiro aliviada por conseguir afastar o braço dele sem grandes problemas. No entanto, antes que eu saísse por completo do abraço do rapaz e me levantasse para fugir, o telefone do quarto começa a tocar, fazendo com que eu pulasse de susto e acabasse dando uma cotovelada na virilha do rapaz, que acorda assustado e se encolhe de dor, choramingando.
— Droga! — Ele se vira, escondendo o rosto no travesseiro e passa a xingar, ainda encolhido.
— Ai meu Deus! Sinto muito! — Exclamo, preocupada com o rapaz. Eu ainda não tinha visto o seu rosto, mas sua voz parecia bastante familiar. Infelizmente, a minha dor de cabeça e o barulho irritante do telefone me impedia de reconhecer quem era aquele que chorava de dor depois do meu ataque violento. — Maldito telefone!
Puxo o lençol para cobrir a minha nudez e atendo o telefone, pronta para mandar quem quer que teve a brilhante ideia de ligar para o quarto para o quinto dos infernos. Eu estava tão furiosa, envergonhada e frustrada, que nem mesmo me importei de estar atendendo o telefone de um quarto que não era meu.
— O que foi? — Atendo, não poupando no tom intimidador e ignorante.
— Ah, qual é, Hills? Achei que depois de toda a celebração de ontem, você estaria mais feliz ao acordar. – Surpreendo-me ao reconhecer a voz do outro lado da linha.
— Clint? – Sussurro, completamente perdida. – Como... como sabia que eu estava aqui?
— Como? – Clint ri, parecendo se divertir com a minha reação. – Ah, é claro. A amnésia de ressaca que você tem. Ainda me surpreendo como você sempre se esquece de tudo quando acorda e depois consegue se lembrar de tudo.
— É o Clint? – Questiona o homem ao meu lado com a voz rouca e fraca, provavelmente ainda afetado pelo golpe involuntário que eu dei.
Arregalo os olhos ao me virar e encontrar Shawn com os cabelos completamente bagunçados, rosto amassado e completamente nu. Prendo minha respiração ao encarar o “amiguinho” do cientista e me impressionar com o corpo impressionante dele. Ele parece nem perceber o que estava acontecendo, pois apenas se levanta como se não estivesse completamente pelado e vai para o banheiro como se nada tivesse acontecido.
— Ah, não liga para o Shawn. Ele demora um bom tempo para acordar e a situação piora quando ele está de ressaca. Geralmente demora uma hora até que Shawn seja capaz de responder perguntas que exijam respostas mais complexas do que “sim” e “não”. — Alerta Clint, despertando-me do meu choque. – Ao contrário de você, ele não vai se lembrar direito do que aconteceu, então seja paciente. Mas, o lado positivo é que eu estou esperando vocês para a gente tomar o lanche da tarde.
— Lanche da tarde? – Questiono, ainda atordoada.
— Sim. São quase cinco horas da tarde. — Responde o homem e eu arfo, desesperada. Minha cabeça lateja ainda mais.
— Cinco horas da tarde? Droga, Clint! Meu voo era as três horas! Onde estão as meninas? Elas devem estar...
— Ei, relaxa. Elas já voltaram para Hawkins. Eu disse para elas que você estava bem e que estava com o Shawn. E depois do que aconteceu ontem, elas decidiram deixar você aproveitar...
— Espera. Como assim elas já voltaram para Hawkins? Como elas tiveram coragem de me abandonar? Que tipo de amigas vai embora sem dizer nada? Traidoras! – Resmungo, revoltada. – Como é que eu vou voltar para Hawkins agora?
— Eu já cuidei disso. Adiei o seu voo para daqui duas horas. E suas coisas estão comigo. Como você está sem celular, eu já avisei para a Natasha o seu novo horário de voo. Aproveitei para informar sua mãe também, que já estava desesperada por não conseguir falar com você desde ontem. – Conta Clint, parecendo estar mexendo em algo. Suspiro aliviada por saber que não teria que ouvir os gritos da minha mãe, exigindo explicações sobre o meu sumiço, já que Clint havia passado por esse tormento. – Mas voltando ao assunto da noite anterior, eu acho que tenho que dar os meus parabéns. Eu sabia que vocês se tornariam próximos, mas jamais imaginei que...
— Para. Eu não quero pensar sobre isso agora. Ainda estou tentando lidar com a minha dor de cabeça e todo o meu desespero ao ver que acordei pelada ao lado de um possível homem desconhecido. – Imploro, impedindo que Clint continuasse a falar sobre ter dormido com o Shawn. – Eu sei que você aprontou com a gente, mas eu ainda não estou pronta para lidar com isso. Quando eu voltar para Hawkins e finalmente tiver me recuperado dessa maldita ressaca com todas as minhas lembranças, então eu vou pensar sobre o fato de ter transado com o Shawn. E provavelmente não vamos nem mesmo voltar a nos ver, sem ser nos eventos que envolvem você e Naty, então apenas esqueça isso.
— Mas, Hills...
— Não, Clint. Sem “mas”. – Interrompo o rapaz mais uma vez e ele suspira, frustrado. – Eu definitivamente não quero saber e nem ouvir nada do que você tem a dizer sobre a minha noite com o Shawn nesse momento.
— Tudo bem. Mas depois não diga que eu não avisei. Você está de prova de que eu tentei te contar e você se negou saber. — Comenta Clint em um tom divertido que me deixa preocupada.
Nesse momento, Shawn retorna para o quarto com uma toalha na cintura e outra era usada para secar seus cabelos. Ele então me encara e arregala os olhos. Acho que somente nesse momento ele havia notado que eu estava com apenas um lençol cobrindo meu corpo.
— Hillary... – Ele sussurra e logo seu rosto se torna tão escarlate que eu riria por achar o cientista adorável se não fosse pelo fato de minha cabeça continuar a latejar e eu estar completamente envergonhada pela situação em que eu me encontrava. – O que você está fazendo aqui? E... por que você... você está... bem..., você... você sabe...
— Pelada? – Indago e Clint ri do outro lado da linha, divertindo-se com a situação. – Você está adorando isso, não é?
— Você nem imagina. – Comenta Clint, rindo ainda mais. – E conhecendo o Shawn, ele deve estar completamente vermelho e gaguejando. Dê um desconto para ele, está bem? Esse garoto tem problemas para lidar com situações complicadas envolvendo garotas, então sempre acaba perdido sem saber o que dizer, porque é tímido demais. Acaba sendo adorável ver como ele se atrapalha ao falar. Então apenas seja paciente.
Encaro Shawn e ele realmente parecia perdido e completamente sem jeito. Ao notar o meu olhar sobre si, o cientista consegue a façanha de ficar ainda mais vermelho. Ele então corre até a mala jogada no canto do quarto e se atrapalha todo ao segurar a toalha e pegar as roupas. Acabo deixando um riso escapar ao ver que ele quase cai ao tropeçar em algo que imaginei ser um vestido e corre para o banheiro.
— Eu serei. Não se preocupe. Mas preciso da minha mala. Eu não estou vendo minha roupa e estou com medo de que eu tenha vestido algo medonho de feio que o Shawn tropeçou agora a pouco. Eu me recuso a vestir algo que tenha babados e flores estranhas dos anos oitenta. – Comento e Clint ri mais uma vez.
— A sua mala está do lado de fora do quarto junto com a bolsa. E tem também um carrinho com um café da manhã para vocês e aspirinas para lidarem com a ressaca. Vocês têm uma hora para terminarem de se arrumar e seguir para o aeroporto. Estarei esperando vocês no bar ao lado dos elevadores. – Informa o marido de minha melhor amiga e eu sentia que ele queria dizer mais alguma coisa, mas acaba desistindo.
— Fala. – Suspiro, ouvindo os resmungos de Shawn vindo do banheiro, parecendo ter dificuldades para vestir a roupa.
— Estou apenas pensando se foi mesmo uma boa ideia colocar vocês em voos separados. – Comenta Clint e eu bufo. – Acho que vou colocar vocês dois juntos.
— Faça isso e eu digo para a Natasha que você estava cercado de mulheres bonitas no cassino do hotel. – Ameaço e o homem apenas ri, parecendo não se importar com as minhas palavras. – É sério!
— Na verdade, acho mesmo que você deveria dizer isso. Minha esposa fica linda com ciúmes. — Responde o bilionário e eu quase tenho vontade de esganar Clint por isso. Infelizmente, nada do que eu diria surtiria realmente de ameaça para esse monstro excêntrico. – Mas não se preocupe. Quando você chegar em Hawkins vai descobrir o motivo de não estarem no mesmo voo. Para a sorte de vocês, eu realmente me preocupo com o bem-estar e com a reputação de vocês. Portanto, de nada.
— Cala a boca. – Resmungo, ouvindo a risada de Clint do outro lado da linha. Eu realmente queria saber sobre o que ele estava falando, mas eu sabia que não estava com emocional para lidar com o que quer que eu tenha aprontado na noite anterior. – Eu tenho que desligar. Como você disse, precisamos nos apressar e eu estou com medo de Shawn ter caído no banheiro enquanto se veste.
— Claro. Estarei esperando vocês. — Avisa Clint, encerrando a minha ligação em seguida.
Suspiro e continuo a ouvir Shawn se chamar de burro, enquanto me aproximava da porta com o corpo enrolado no lençol da cama. Passo pelo vestido horrível no chão, estremecendo ao ver como ele era feio. Eu realmente deveria estar muito bêbada por vestir algo que deveria ser considerado um crime da moda.
Ao ver que não havia ninguém do lado de fora, puxo o carrinho que Clint havia informado pelo telefone junto com a minha mala, minha bolsa e a roupa que eu usei no dia anterior. Sorrio por ver que ele havia tido o cuidado de mandar lavar e passar. Suspiro, incomodada com a enxaqueca e bebo duas aspirinas de uma vez com um copo de suco de laranja.
Procuro por alguma roupa confortável dentro da mala e por lingeries novas. Assim que termino de me vestir, pego o vestido no chão e suspiro ao ver o quão terrível ele é. Jogo a roupa sobre a poltrona do quarto e suspiro, passando a arrumar a bagunça que estava aquele quarto. Eu realmente tenho problemas com desordem e sujeira.
Quando a minha cabeça já está um pouco melhor e me sinto mais aliviada com o quarto, decido que é hora de puxar Shawn para fora do banheiro. Eu precisava escovar os deites e tínhamos que retornar para Hawkins. Não dava para ele passar o dia todo preso naquele lugar. Além disso, eu já me sentia muito mais calma por ter dormido transado com ele.
Certo que ainda estava muito envergonhada e temia pelo que eu tinha aprontado com ele na noite anterior, mas pelo pouco que eu me lembrava do dia anterior, Shawn já estava bêbado quando eu o encontrei e ele ao menos é alguém que eu duvido muito que tenha alguma doença sexualmente transmissível.
Eu conheço Clint o bastante para saber que ele jamais estaria tão calmo como estava se soubesse que Shawn era algum perigo para mim. E se Clint estiver certo – o que acontece em praticamente todas as vezes, para a minha infelicidade –, o cientista nem mesmo se lembrava do que aconteceu, então o melhor a se fazer é agirmos como adultos e esquecer essa situação embaraçosa.
— Shawn. – Chamo o rapaz, batendo na porta. Ele resmunga, parecendo uma criança arrependida. – Escuta, eu preciso usar o banheiro e nós temos que pegar um voo em menos de uma hora.
Ouço Shawn suspirar e depois do que pareceu ser uma eternidade, ele finalmente abre a porta. O rapaz deixa o banheiro sem olhar em meus olhos e eu corro para dentro. Eu não sabia até aquele momento o quanto eu estava com vontade de me aliviar. Tomo um rápido banho, lavando os meus cabelos, e uso uma escova de dente nova que havia no armário do banheiro para escovar meus dentes.
Assim que deixo o banheiro, sinto-me muito melhor e mais conformada com a situação. Quer dizer, no mínimo, a mídia havia me visto aos beijos com Shawn mais uma vez e deveria ter o reconhecido como o rapaz que eu salvei alguns meses atrás. Então agora deveria estar um grande alvoroço sobre eu possivelmente estar namorando com ele.
Acho que nada que uma mensagem rápida nas redes sociais, falando que o que aconteceu foi apenas uma noite de bebedeira em excesso e pronto. Eu posso lidar com isso. Não seria a primeira vez que alguma celebridade seria vista aos beijos com alguém em Las Vegas. E o Shawn... bem, o Shawn é basicamente um dos melhores amigos do marido da minha melhor amiga.
É inevitável que a gente acabe se encontrando em algum momento, mas não somos tão próximos assim para que isso aconteça com frequência. E ele é um homem gentil e compreensível. Eu sei que ele vai entender a minha decisão de não mantermos contato depois do que aconteceu. E eu podia ver na maneira como ele evitava me encarar naquele momento, enquanto estava sentado na cama que ele também se sentiria mais confortável assim.
— Shawn... – Chamo e ele me encara brevemente, antes de voltar a observar as mãos que se mexiam intensamente. Suspiro e me aproximo, sentando-me ao seu lado. – Eu sei que essa situação é bem... complexa, mas...
— Eu juro que eu não me lembro como fomos parar aqui, Hillary. Eu... eu espero não ter forçado você a nada. Mas eu juro que em momento algum eu quis me aproveitar da sua vulnerabilidade e...
— Shawn, eu sei disso. – Interrompo o rapaz, sorrindo com sinceridade. Ele me encarava com tanta preocupação, que chegava a ser adorável. Suspiro e coloco minha mão em seu ombro. – Eu não estou brava com você e garanto que em momento algum eu pensei que você tivesse se aproveitado de mim. Quer dizer, não depois que eu descobri que o homem com quem eu havia dormido era você.
— Mesmo? – Indaga e eu podia ver a insegurança presente em seus olhos. Sorrio mais uma vez e assinto, concordando. – Você não está com raiva ou nojo de mim?
— Nojo? É claro que não, Shawn! Eu não conheço você há tanto tempo assim, mas eu sei que você jamais faria alguma coisa para me machucar. Você e eu estávamos bêbados ontem. Nenhum de nós dois estava muito consciente do que estávamos fazendo. Nós não somos os primeiros nem os últimos a beber demais e acabar transando. Além disso, se você fosse alguém que quisesse se aproveitar de mim, poderia ter feito isso na noite em que você cuidou de mim. Então apenas vamos seguir em frente. – Respondo com suavidade.
Ele ainda parecia preocupado. Sorrio e deixo um beijo demorado em sua bochecha. Shawn me encara surpreso, enquanto eu acariciava seu rosto. Suspiro, realmente aliviada por acordar ao lado de Shawn e não de nenhum outro babaca, que se vangloriaria da situação.
— Você é realmente um homem maravilhoso e íntegro, Shawn. – Comento e seus olhos se arregalam ainda mais. Rio e me levanto. – Infelizmente, eu imagino que a mídia tenha nos reconhecido ontem a noite e devemos estar nas capas de jornais e revistas por causa do acidente. Então, para evitar que a gente acabe passando uma ideia errada às pessoas que me acompanham, eu acho melhor a gente ficar afastado por enquanto. Espero que não fique com raiva de mim por causa disso.
— Eu entendo. – Responde, dando um fraco sorriso. Seus olhos exibem um brilho melancólico que faz meu coração se apertar. – Sinto muito por ter causado problemas a você, Hillary. Eu realmente nunca quis te prejudicar.
— E você não me prejudicou. – Garanto e me aproximo de Shawn mais uma vez, sorrindo. Deixo um beijo em sua testa e me afasto, encarando-o com intensidade. – Obrigada pelas noites incríveis em Las Vegas. Conhecer mais sobre você fez essa viagem maluca valer a pena.
— Digo o mesmo. – Responde o rapaz, levantando-se da cama. Ele respira fundo e estende a mão. Posso ver seu nervosismo pela forma como seus olhos recaiam sobre mim. – Amigos?
— Amigos. – Afirmo, puxando-o para um forte abraço.
Sorrio ao ouvir as batidas fortes de seu coração. Ele batia tão rápido e de maneira tão reconfortante. Fecho os olhos, apreciando o aroma de seu perfume e o calor de seus braços ao corresponder ao meu braço. Shawn me passava uma segurança que eu nunca seria capaz de explicar em palavras. Era confortável abraçá-lo. Seu corpo transmite uma afabilidade que eu nunca havia sentido em qualquer outra pessoa. Nem mesmo com Freddie.
Abro meus olhos, assustada ao perceber que Shawn também tinha a incrível habilidade de me fazer esquecer até mesmo da pessoa que eu tenho amado por tantos anos. Afasto-me de uma vez do cientista e ele me encara surpreso.
— Desculpa. É melhor eu ir. Para evitar que as pessoas comentem ainda mais sobre nós dois, é melhor nós irmos embora separados. – Explico, pegando minha mala e a minha bolsa. Shawn continuava a me encarar atordoado, enquanto eu seguia para a porta do quarto. – Tchau, Shawn.
— Tchau... – Sussurra o rapaz, parecendo confuso.
Não dou chances para que ele diga mais nada e nem para que meu coração acabe interpretando errado essa situação. Ando a passos apressados até os elevadores do hotel. Aperto diversas vezes os botões para solicitar o elevador e me movimento, inquieta. Suspiro aliviada quando as portas de metal finalmente se abrem.
Entro e aperto o andar que desejo ir. Respiro fundo ao me ver sozinha e tento esvaziar a minha mente. Eu precisava estar calma para enfrentar o caos que se tornaria a minha vida assim que eu pousasse no aeroporto de Hawkins. Assim, decido guardar bem no fundo do meu coração, em uma parte onde eu esperava não voltar tão cedo a ter acesso, as lembranças de seu sorriso encantador de Shawn, o aroma de seu perfume masculino envolvente, do olhar doce e preocupado, do calor de seu corpo e, principalmente, de como ele foi capaz de fazer meu coração se atrapalhar ao ponto de ao menos cogitar pensar de que ele poderia ser alguém que eu seria capaz de amar com uma intensidade ainda maior do que um dia já amei Freddie ou qualquer outro homem.
— Acorde para a realidade, Hillary. Você está apenas sensível por causa da ressaca. – Digo para mim mesma, enquanto encaro meu reflexo no espelho do elevador. – Pare de exibir essa expressão decepcionada. Você e Shawn não voltarão a se encontrar de novo tão cedo. Quando você voltar para Hawkins e para a sua rotina maluca, você vai perceber que tudo não passou de um sonho.
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