Sem Tempo para o Amor
35 Acontecimentos Indesejados
Notas iniciais

SEM TEMPO PARA O AMOR
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CAPÍTULO XXXIV – ACONTECIMENTOS INDESEJADOS
Uma semana se passou desde que retornamos da lua de mel e nunca estivemos tão ocupados. Felizmente, nossa viagem havia sido maravilhosa e depois do problema com os dois babacas que provocaram Shawn, não tivemos mais problemas durante o restante da viagem.
Por outro lado, o retorno havia nos despertado para a realidade, ocupando qualquer tempo livre que poderíamos ter ao nos preparar para as mudanças do nosso futuro.
Assim como Clint havia nos informado, não demorou muito para que a NASA anunciasse que faria um novo processo seletivo. Para não deixar o trabalho no meio da pesquisa, Shawn passou a se dedicar ainda mais aos seus estudos com os colegas de trabalho.
Com a possibilidade de nos mudarmos para Washington DC, nós tivemos que discutir bastante como funcionaria as nossas finanças e como eu faria para receber a transferência da CIA. Ainda precisávamos resolver muitos detalhes, mas eu estava feliz por Shawn finalmente ter a chance de realizar o seu maior sonho.
E meio a nossa rotina corrida, eu ainda precisava me preparar para o casamento da ex-namorada de Shawn e seu ex-mentor que ocorreria em dois dias.
Por causa de um caso da CIA que eu tive que pegar assim que retornei de Miami, eu não consegui ir atrás de algum vestido para usar na festa. Sendo algo semelhante a uma vingança, eu não poderia aparecer de qualquer forma no casamento dos meus atuais inimigos.
Assim, eu havia convocado a melhor equipe para me ajudar a procurar por um vestido pela cidade, ainda que todos parecessem bastante desinteressados em minha causa. Infelizmente, eu precisava arrumar amigos melhores, porque os meus atuais só servem para me irritar e ficar fofocando da minha vida.
— Se você não encontrar esse maldito vestido nessa loja, eu vou embora, Hills. Eu estou falando sério. – Reclama Freddie, suspirando. – Essa deve ser a décima loja que a gente entra só hoje.
— Você deixa de ser exagerado, porque é a sexta loja. Além disso, você está de folga hoje e a Sam te mandou me ajudar, então para de reclamar. – Respondo e ele bufa, murmurando um "tanto faz".
— Por que você não pode simplesmente usar um dos vestidos que você ganhou da Burberry no mês passado? – Questiona Dakota, encolhendo-se em seu casado. Assim como eu, meu parceiro odeia frio e o inverno que fazia nesse momento em Hawkins era congelante.
— Ela experimentou todos, mas nenhum deles serviu nela. – Conta Natasha, mexendo em seu celular. Lanço o meu olhar nada feliz para ela e recebo um olhar entediado de volta. – O quê?
— Nós combinamos de não relembrar sobre o peso que eu ganhei na lua de mel. – Murmuro chateada, enquanto saíamos do carro e seguíamos para a próxima loja de roupas de festa que havíamos escolhido para procurar o meu vestido.
— Você engordou? – Questiona Freddie, encarando-me confuso. – Para mim você continua com o mesmo corpo.
— Isso é porque eu estou usando vários agasalhos. – Bufo, frustrada. – Eu fui na onda de Shawn e acabei relaxando. Comi demais e não fiz qualquer tipo de exercício.
— Eu sei que tipo de comida e exercício você ficou fazendo durante a lua de mel. – Comenta Dakota de maneira maliciosa. Encaro-o da mesma forma e dou de ombros, sem negar sua afirmação. – Não julgo. No seu lugar, tendo um Deus Grego como aquele, também me esbanjaria.
— Felizmente, não posso reclamar do meu marido. Ele me alimenta muito bem. – Lanço uma piscadela para meus amigos, fazendo Dakota e Natasha gargalharem. Freddie faz cara de nojo.
— Eu não precisava saber dessa informação. Acho que a gente deveria começar a colocar um limite em nossa amizade, Hills. – Brinca Freddie, fingindo-se de ofendido.
— Cara de pau. Quem ouve, até pensa que você não me obriga a saber sobre a sua vida sexual com a Sam. – Retruco e ele ri, dando de ombro. – Aliás, todos vocês acham que eu sou alguma terapeuta de casal para ficar dando conselho de relacionamento e ouvindo sobre suas vidas sexual.
— Vocês "vírgula"! – Retruca Dakota, encarando-me com careta. – Eu nem em relacionamento não estou e por isso nunca peço conselhos.
— Não está em um relacionamento, porque você não quer. Se você fosse esperto, já tinha chamado o gatinho do café para ir em um encontro. – Comento, enquanto olho para os lados para atravessar a rua.
— Eu nem sei se ele é gay. – Murmura e eu o encaro com ironia.
— Mentiroso! Você sabe que ele é gay sim. Eu sei que você já investigou a vida dele inteira, assim como eu. – Conto e posso ver Dakota ficar extremamente vermelho, algo nada comum vindo do rapaz desbocado.
— Fofoqueira. Não tem nada melhor para fazer do que ficar investigando a vida dos outros? – Ironiza Dakota e logo Natasha, Freddie e eu passamos a rir, divertindo-nos com o nervosismo do agente.
— O que eu posso fazer? Ser uma excelente investigadora faz parte do meu trabalho. – Respondo, abrindo a porta da loja de vestidos de festa. – E eu amo investigar a vida das pessoas. É maravilhoso descobrir seus segredos.
— Que profissional. – Ironiza Freddie, segurando a porta para que Dakota e Natasha entrassem na loja.
— É por isso que você engordou. Fica cuidando da vida dos outros. – Provoca Dakota e eu dou um soco em seu braço, que o faz se encolher.
— Você está mesmo querendo morrer. – Brinca Natasha, enquanto Dakota choraminga por minha força.
— Boa tarde. Sejam bem-vindos. Meu nome é Veronica. Como posso ajudar vocês hoje? – Pergunta uma das funcionárias da loja, sorrindo simpática.
— Boa tarde. Estou procurando um vestido de festa para ir a um casamento como convidada. – Respondo, desabotoando meu grosso agasalho. – E eu quero que seja algo bastante chamativo e que diga algo como "veja só como eu sou melhor do que você. Seu ex-namorado tem muita sorte de ter se livrado de você e ter se casado comigo".
— Que específico exemplo. – Cantarola Dakota, também passando a retirar o casaco que usava. Felizmente, a loja estava bem aquecida e em uma temperatura agradável.
— Você espera que um simples vestido diga tudo isso? – Pergunta Freddie, enquanto eu estrego meu casaco para ele, enquanto a funcionária da loja dá uma discreta risada.
— É por isso que ele não pode ser simples. – Retruca Natasha, verbalizando o que eu pensava. A ruiva se vira para a mulher que nos atenderia. – Ela irá ao casamento da ex-namorada do marido dela. Precisamos de um vestido ousado e que destaque bem as curvas dela. Mas também precisamos que ele seja elegante.
— Certo. Irei separar alguns modelos que se encaixem nessas descrições. Fiquem à vontade para andar pela loja e verem algum outro modelo que atraiam sua atenção. Se apenas quiserem se sentar e aguardar, naquele canto fica a nossa sala de espera. – Indica Veronica, apontando para a sala onde estava alguns sofás e o que imaginei serem provadores.
— Obrigada, Veronica. – Agradeço e ela assente, seguindo para os fundos da loja.
— Eu vou me sentar, já que eu não entendo nada disso e nem mesmo entendo o motivo de ter sido chamado aqui. – Avisa Freddie, pegando a minha bolsa, que eu estendia para ele.
— Eu já te disse. Você foi chamado para dar a opinião de alguém leigo, que não entende de moda. Esses dois aqui tem algum conhecimento. Eu preciso da sua opinião sincera para saber se é o vestido certo. – Respondo e ele assente, acenando.
Ele não parecia interessado e eu sabia que ele aproveitaria o tempo sentado para trabalhar pelo celular. Mesmo estando de folga e com o pedido de sua esposa para que me ajudasse a escolher um bom vestido, já que ela precisava se reunir com alguns investidores, Freddie ainda parecia determinado a trabalhar no programa que ele está desenvolvendo para a empresa de Sam.
— Eu vou fazer companhia para ele, porque estou cansado de não ser ouvido por você. – Resmunga Dakota, seguindo Freddie.
— Em outras palavras, ele está fugindo da conversa sobre o barista. – Comento e Natasha dá uma risada anasalada, concordando.
— Você sabe que apesar de ser bem desbocado, ele é bastante tímido quando se trata de sentimentos. – Relembra minha melhor amiga, passando a olhar os vestidos que estavam nas araras da loja. – Hoje as lojas estão bem cheias.
— Bem, as festas de final de ano já começaram. Na próxima semana já é Natal. É comum que as pessoas passem a procurar por suas roupas. – Comento, pegando um dos vestidos exposto. Depois de encarar e ver que não era o que eu procurava, coloco no lugar. – E como vão as coisas com o Andy? Ele já está pensando na faculdade?
— Estão indo bem. Ele é um bom garoto e a Kayla o influencia muito bem. Ainda é um desafio ser mãe de um adolescente, mas estou feliz com a experiência. Ele está pensando em fazer faculdade por aqui mesmo, então me sinto mais aliviada. – Conta Natasha, dando um sorriso carinhoso ao falar do filho adotivo. – Depois da morte das crianças, pensei que nunca seria capaz de sentir esse poderoso amor materno, mas graças a doçura de Andy, eu estou conseguindo superar o passado. Tenho tendência a ser superprotetora, já que me preocupo que algo semelhante ao passado volte a acontecer, mas felizmente Andy e Clint são compreensíveis e pacientes o bastante para me aturar.
— É bom ver que você realmente está feliz. Nem acredito que já vai fazer um ano que você se casou. Foi no seu casamento que Shawn e eu começamos a ter uma maior interação. Nós até mesmo dissemos um para o outro que nunca iríamos nos casar. – Relembro nostálgico e passo a rir. Natasha também ri divertida.
— É tão interessante como vocês são o completo oposto, mas são tão perfeitos um para o outro. – Comenta minha melhor amiga, mostrando-me um vestido vermelho. Pego-o de sua mão para olhar com mais atenção, mas logo o descarto. – Nem acredito que vão se mudar para Washington DC. Vai ser triste ficar longe de vocês.
— Como se seu marido conseguisse ficar longe de Shawn por muito tempo. Quase todo dia ele aparece lá em casa ou no trabalho dele. – Comento, rindo. – Eu tenho certeza de que ele vai arrastar você e o Andy quase todo fim de semana para nos visitar, ainda mais sendo tão perto. É só usar o jatinho particular de vocês, que em uma hora, vocês chegam lá.
— Gostaria de dizer que você está exagerando, mas eu conheço o Clint e você está certa. De todos os amigos que ele tem, Shawn é o que ele é mais apegado. Ainda mais depois do que aconteceu o ano passado. – Natasha sorri com nostalgia e suspira. – Vamos olhar as outras araras. Acho que nas de trás tem mais opção.
— Tudo bem. Você olha naquela, enquanto eu vou nessa outra. – Oriento e Natasha assente, seguindo para a arara que ficava a nossa direita.
Sigo para a última arara a esquerda, encarando os vestidos pelos quais eu passava, até o momento em que eu acabo esbarrando contra alguém. Por muito pouco, eu acabo não caindo. Os xingamentos suecos me fazem abrir os olhos de imediato e arfar ao reconhecer a mulher com quem havia trombado.
Jasmine Taylor, uma das maiores modelos e mais insuportáveis mulheres com quem já tive o desprazer de trabalhar. Os olhos azuis se fixam em mim com fúria, enquanto ajeita os longos cabelos loiros. Não demora muito para que sua expressão de desdém surja.
— Hillary Leblanc. – O forte sotaque sueco se ressalta, enquanto ela falava meu nome com nojo. Logo um sorriso convencido surge em seu rosto. – Por acaso, ficou cega desde a última vez que nos vemos, sua desajeitada?
— Quanto tempo, Jasmine. Pelo visto você continua tão doce quanto a última vez que nos vimos. – Cumprimento a mulher, fazendo questão de cumprimentá-la em sueco. Isso parece pegá-la de surpresa.
— Você fala sueco? – Indaga a mulher, atordoada.
— Sim. Assim como inglês, francês, alemão e mandarim. — Respondo, forçando o sorriso.
O perfume intenso de Jasmine estava me incomodando. O aroma adocicado estava me deixando fortemente enjoada, o que era bem estranho, já que eu normalmente faço uso de perfumes fortes e inclusive, o que a Jasmine está usando é um dos meus favoritos.
— Eu vi o seu casamento em Las Vegas. Ridicularmente brega. Combinou com você. – Comenta Jasmine, sorrindo desafiante, enquanto cruza os braços e se aproxima de mim. – Contratou o seu marido para ficar famosa?
Eu geralmente daria uma resposta cheia de sarcasmo, mas a aproximação de Jasmine só faz o embrulho em meu estômago se tornar ainda mais intenso. Eu não entendia o que estava acontecendo. Não havia motivos para eu estar enjoada.
A minha refeição do dia havia sido leve, já que eu estou de dieta para perder os dois quilos que ganhei durante essa viagem. Espera, além da salada e das frutas que eu comi, também tinha almoçado costela de porco ao molho barbecue no Sense's, já que eu estava com uma imensa vontade de experimentar a carne de porco.
Será que a quantidade de costela de porco que eu comi havia feito mal ao meu estômago? Bom, levando em consideração que eu estou de dieta, talvez meu corpo não tivesse se dado bem com algo tão pesado quanto a carne de porco e o molho barbecue.
— O que foi? O gato comeu sua língua? – Provoca Jasmine, dando aquele sorriso irritante.
Levo uma de minhas mãos a minha boca e a outra ao meu estômago, sentindo-o se embrulhar intensamente. Respiro fundo, mas isso só torna tudo ainda pior, pois o cheiro intenso do perfume de Jasmine invade violentamente o meu olfato.
— Está tudo bem aqui? – Questiona Natasha, encarando Jasmine com uma intensidade, que faz com que a garota se encolha um pouco e se afaste.
— E quem é você? – Indaga Jasmine, medindo Natasha de baixo para cima, como se avaliasse seu valor.
— Sou eu quem deveria estar perguntando isso. – Retruca Natasha, cruzando os braços, enquanto se coloca ao meu lado. – Quem é você?
— Você não me conhece? – Questiona a modelo, surpresa com a pergunta de minha melhor amiga, que dar de ombros, como se realmente não fizesse ideia de quem era Jasmine. – Jasmine Taylor. Supermodelo. Considerada dois anos consecutivos como a modelo do ano pela British Fashion Council.
Natasha apenas nega, fingindo não fazer ideia do que Jasmine estava falando. Isso só deixa a loira ainda mais irritada. Jasmine é o tipo de garota mimada, que acredita que é conhecida e admirada por todos. Infelizmente, seu pai é um grande influenciador da moda e conhecia as pessoas certas para transformar sua filha em uma das modelos mais famosas do mundo.
— Não faço ideia do que você está falando e sinceramente, não me interessa. Vai embora e pare de incomodar Hillary Leblanc. – Responde Natasha, virando-se para mim com seu olhar de preocupação. – Você está bem? Está tão pálida. Eu deveria chamar uma atendente para te ajudar?
— Eu estou bem. Obrigada. – Forço um sorriso, enquanto tento me recompor. Apesar da intensa vontade de vomitar, estava realmente feliz pela expressão de desgosto de Jasmine diante da atuação de Natasha.
— Você conhece Hillary Leblanc e não me conhece? – Questiona Jasmine, sentindo-se ofendida por Natasha supostamente não a conhecer.
— Bem, ela é uma modelo famosa. Há alguém no mundo que não a conheça? – Provoca Natasha, sorrindo como se tivesse encontrado alguém que ela idolatra. – Me desculpe, mas poderia me dar um autógrafo? Eu sou uma grande fã.
— Isso só pode ser brincadeira. – Resmunga Jasmine, indignada.
— Você tem certeza de que está bem? – Sussurra Natasha apenas para que eu ouvisse, enquanto Jasmine continuava a praguejar em sueco.
— Estou prestes a vomitar. Se livra da louca. – Sussurro de volta, ficando cada vez pior com o cheiro do perfume da loira a nossa frente.
— Vomitar? Mas... – Balbucia Natasha, encarando-me com preocupação.
— Eu já sei! Isso aqui na verdade se trata de uma pegadinha, certo? Pode sair, pessoal! – Fala Jasmine, rindo. Ela se aproxima mais de mim.
— Jasmine, por favor, se afaste. Eu não estou muito bem. – Peço, sentindo meu estômago se embrulhar cada vez mais.
— Vocês acham mesmo que me enganam, pessoal? Eu já entendi que tudo não passa de uma pegadinha. – Fala Jasmine em voz alta, enquanto me abraça de lateral.
E aquilo foi demais para que meu estômago suportasse. O perfume de Jasmine se torna tão insuportável que quando eu me dou conta, já estou vomitando todo o meu almoço em cima da supermodelo, que passa a gritar desesperada.
Dakota, Freddie, alguns clientes e funcionários se aproximam, tentando entender o que estava acontecendo. Natasha me encarava assustada e dava tapinhas em minhas costas, enquanto eu continuava a vomitar. Quando finalmente consigo parar de vomitar, preciso me apoiar em minha melhor amiga, completamente enjoada e fraca.
— Você vai pagar caro por destruir a minha nova coleção, Hillary! – Grita Jasmine aos prantos, correndo para o banheiro da loja. Uma das funcionárias corre para ajudar a garota.
— Hills! O que aconteceu? Você sempre foi tão ruim para vomitar. Está passando mal? – Pergunta Freddie, aproximando-se preocupado.
Balanço a cabeça em negação com os olhos fechados. Eu não estava me sentindo bem e pressentia que poderia voltar a vomitar se abrisse a boca para falar qualquer coisa.
— É melhor sentá-la no sofá e dar um pouco de água. Eu acho que a pressão dela abaixou. Ela está tremendo e está muito pálida. – Orienta Natasha com a voz carregada de preocupação.
— Eu vou pegá-la no colo. – Avisa Freddie e não demora muito para que eu sinta meu corpo ser erguido.
Freddie me carrega até o sofá e me coloca nele com cuidado. Ele falava alguma coisa, mas eu estava tão esgotada que tudo que faço é murmurar em concordância. Dakota logo aparece com lenços umedecidos para limpar a sujeira que eu havia feito em mim mesma e me entrega um copo de água, que me ajuda a melhorar um pouco do enjoo.
— Eu vou lugar para o Shawn. – Avisa Freddie e nesse mesmo instante, eu abro meus olhos e agarro o pulso de meu melhor amigo.
— Nem pense nisso. – Digo, parando o rapaz. – Não quero que o Shawn saiba o que aconteceu aqui.
— O quê? – Balbucia Freddie, surpreso.
— Por que não quer que o Shawn saiba? – Indaga Dakota com repreensão.
— Hills, Shawn é o seu marido. Precisa saber que você passou mal. – Orienta Natasha com seu tom maternal.
— Shawn é muito exagerado. Se souber que eu vomitei e que minha pressão abaixou, eu tenho certeza de que ele nem mesmo vai me deixar sair de casa direito. Outro dia, eu apenas tive uma crise de espirro por causa do excesso de pólen e ele me fez ir ao hospital, porque estava com medo de que eu tivesse uma alergia mortal a flores. Então, por favor, não digam nada a ele. – Peço em súplica. Os três me encaram contrariados. – Eu já estou bem. Acho que a costelinha de porco não me caiu bem e minha pressão abaixou. Mas agora eu já estou bem. Depois de vomitar o almoço, eu estou me sentindo muito melhor. Eu juro.
— Você é tão teimosa. – Resmunga Natasha, suspirando. – Tudo bem. Não vamos falar nada, mas se você sentir mais alguma coisa, precisa nos contar, entendeu? Se você estava se sentindo mal, devia ter nos contado antes. Eu teria te dado um remédio para o estômago.
— Desculpa. Prometo que se eu sentir mais alguma coisa, eu aviso. – Digo, preferindo omitir que eu não estava sentindo nada antes. Natasha é bastante protetora, então só causaria dores de cabeça se ela pensasse que a ânsia de vômito apareceu do nada.
Quando me sinto completamente recuperada, peço para Veronica me mostrar os vestidos que havia separado para mim. Felizmente, Jasmine não voltou a aparecer e a prova de roupas ocorreu de maneira tranquila. Para o meu alívio, nós finalmente encontramos o vestido que eu tanto desejava e decido retornar para casa. O dia havia sido cansativo demais.
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