Sem Resquícios.
3 Terceira Morte, A Bêbada
Notas iniciais
Terceira Morte, A Bêbada.
O toque do celular desperta Cole de seus devaneios, trazendo-o de volta para realidade, uma mensagem. Cole soube que não poderia lê-la. O sinal no qual estava imóvel abrira;
Seria hipocrisia, não? Um homem da lei, desobedecer à mesma; Não era ele, para prender quem a desobedecesse? Seria ela, pago para se prender?
Cole ficou inundado pelos novos devaneios. E logo, chegou a ele uma ligação. O toque de telefone suave, um toque especial, seu chefe. Assim, o carro de Cole estacionou, ele tirou devagar as mãos do volante. As colocou em seu bolso, e, retirou de lá, seu celular.
“— Bom dia, Cole” – do outro lado da linha a voz era fria e sem vida. Como sempre – “nem venha para cá” – isso assustou, consideravelmente, Cole.
— Por que senhor? – indagou.
“—Temos um corpo” – anunciou o policial-chefe.
— Foi “ele” novamente?
“—Ela, é ela.” – Sua voz determina – “Mr. Frallyn”.
—Outro assassino?- pergunta irritado.
“— Depois lhe explicarei” – fala – “Venha até a Avenida Del’ a Pissa, entendido?”.
—Estou a caminho.
A ligação é encerrada, o carro começa a fazer uma manobra para deixar o local. O mais rápido que pode. Após alguns minutos, Cole não se encontrava no local. Seu carro dirigia-se rapidamente até a avenida.
Chegando ao lugar em um piscar de olhos. A avenida estava interditada. Cole, apenas, entrou por ser policial. Havia uma viatura ao longe. Ao lado da mesma, estava a figura rígida de um homem sentado, observando algo ao chão.
Um cadáver.
Sua aparência era dolorida, sem mãos, sem pés, sem sangue. O corpo, ou o que restou dele, havia sofrido. E muito. Em seu tronco estava escrito.
“Uncontrollable é um nome feio, chamem-me de Mr. Frallyn”.
Não era outro, era “ela”.
— É uma mulher? – indagou Cole ao policial-chefe.
— A chance é enorme. – foi lhe respondido.
—... Mr. Frallyn... – sussurro para o vento.
— Venha – chamou –, vamos para o laboratório. Precisamos contatar a mãe do jovem.
* * *
O clima no cômodo era pesado. A mulher chorava apenas com a expectativa de que era seu filho. Ali, deitado em uma maca, com algo cobrindo seu rosto gélido.
As mãos do chefe do chefe de Cole retiraram o que cobria o rosto do jovem. Causando em ambos uma crise de choro.
— É ele – declarou o pai – É o Ethan.
Suas palavras fizeram com que a mulher berrasse e esperneasse. Era Ethan, seu filho lá. Na maca com a face morta. Não apenas a face, ele estava morto.
— Peguem... – disse a moça entre soluços – peguem ele... Peguem o assassino!
— É uma mulher – disse Cole, como se fizesse diferença.
— Se não pegarem, eu pego – diz o homem, segurando-se para não chorar.
* * *
Suas doces mãos estavam agarradas ao balanço. Mr. Frallyn balançava-se, para frente e para trás. O corpo menor se mexia, dando aquela noite um ranger assustador.
Um corpo maior foi andando em direção à Mr. Frallyn. Uma mulher. Seu corpo estava balançando. Estava bêbada.
— Hey, moçinha, o que uma garotinha faz aqui, há está hora? – perguntou, se estabanando em uma arvore. – é perigoso! – afirmou.
— E você? Não tem medo da Mr. Frallyn? – indagou.
— Mr... O que? Não conheço... – levantou-se.
— Uncontrollable...?
— Huh, ele? O serial killer... Tem razão. Devíamos nos esconder em sua casa. – propôs sorrindo.
— Isso, minha casa é aqui perto! Vamos estar... “seguras” – decretou pulando do balanço.
Ambos os corpo caminharam, adentrando a floresta. Chegaram, após uma longa caminhada, em um sobrado vermelho. A chaminé do mesmo sobrado estava acessa. Uma pequena fumaça saia dali.
— Minha casa – Mr. Frallyn abriu a porta, permitindo a entrada da bêbada;
— No meio da floresta... Não tem medo? – indagou.
— Eu tenho muito medo. Estou sempre sozinha... Fica comigo, moça? – Mr. Frallyn fez biquinho e afinou a voz, tornando-a mais feminina.
— Eu fico... – a bêbada tentou roubar um beijo da garotinha, que acabou cedendo a maior – Mas, você tem que ser uma boa menina.
Mr. Frallyn assentiu, e, se dirigiu à cozinha em busca de algo para beber. A moça a seguiu. Mr. Frallyn pegou dois copos e levou a geladeira.
O copo encheu-se de um liquido vermelho, sangue. A bêbada nem reparou. Estava animada. Afinal, tinha uma garotinha de cardápio.
— Ei, qual seu nome?
— [...] – a garota nada falou.
— Hey, garotinha! – chamou-a.
— Sim...? – indagou, como se nada tivesse sido perguntado a ela.
— Qual seu nome? – perguntou com impaciência.
— Meu nome...? – a menina estendeu o copo a bêbada. Que se assustou pela vermelhidão do liquido. – me chame de... – sorriu maliciosamente – Mr. Frallyn.
* * *
Das caixinhas de som, não saia musica clássica. Saia um rock alternativo, o solo da bateria emanara o local. Ecoando pelas paredes. Finalmente chegando aos ouvidos da bêbada.
— Ei, que lugar é esse? – questionou sem conseguir pensar direito. – Quero sair daqui!
Mr. Frallyn fez um gesto com o dedo, indicando o silencio que não receberia. Irritada, deu na bêbada um tapa. Sua face avermelhada finalmente percebeu o que estava acontecendo. Um assassinato. E, ela seria a vitima.
— Eu não quero morrer! – gritou, remexendo-se na cadeira, onde não escaparia. Nunca. A cadeira que seria seu túmulo.
Novamente o sinal de silencio. Mr. Frallyn queria ouvir a música. Nãom queria sentir as más vibrações. Com os berros, seria impossível.
— Por favor... – implorou.
Como o silencio não era lhe concedido, afastou-se em busca e uma faca... Subiu tão lentamente quanto desceu. A diferença era a faca em suas mãos.
— Es ist die zeit des todes ( é a hora da morte.) – seu sotaque era bem transparente em sua fala.
Suas mãos agarraram o rosto da moça prendendo-a com as mãos. Puxou a língua dela com os dedos, murmurando um palavrão em alemão. Algo sobre a língua pegajosa se sua presa. Enfiou a faca o mais longe que conseguia na garganta da moça.
Enfiou mais fundo e cortou fora a língua dela. A moça de nome, Joanna, chorava e sangrava pela boca. Observando sua língua jogada no chão imundo.
Chorava, mesmo sem sua língua fazia barulho. Mr. Frallyn bufou e lavou a faca ensanguentada. Já limpa, usou para arrancar os olhos de Joanna. Seu berro estridente enche os ouvidos de Mr. Frallyn. Que a cada vez ficava mais irritada.
Com força, com dor.
O sangue que saia pelos olhos da moça, era capaz de causar uma hemorragia. Joanna rangia os dentes, tentando ignorar a dor, tentando, porque conseguir é mais difícil.
— Por... – um berro. Sua mão havia sido decepada pelo machado de Mr. Frallyn. – Ah! – Gritou.
Os olhos de Joanna sangravam, junto à sua mão. Logo a mesma morreria de hemorragia. Mr. Frallyn. Joanna sabia que a “garotinha” não mexeria um músculo para ajudá-la. Ou melhor, apenas um. Para sorrir vitoriosamente.
Sem mão, sem olhos, sem língua...
Que bela situação, não? Acredito que a bebida não a livrou dessa. Beber para esquecer, não? Mr. Frallyn usou uma faca para provocar a, já anêmica, vitima. Passava pelo corpo da presa. Subindo e descendo com o objeto.
Sem deixar marcas, sem nem mesmo fazer força.
A vítima não resistiu chegou a falecer, faleceu sabendo que a garotinha “brincaria” com seu corpo. E assim acontecera.
Após a morte da presa, Frallyn manifestou-se, toca nos pés descalços do cadáver. Acaricia-os e começa a tortura. O cadáver teve unha por unha arrancados. Os dedos sem unhas também. E logo sem dedos do pé, teve seu pé arrancado. Aconteceu o mesmo com o seu outro pé, primeiro as unhas, depois os dedos e assim o pé.
As mãos receberam um tratamento “especial”, foi retirada a pele de Joanna. Deixando a mostra seus flácidos músculos, suas velhas veias, suas artérias entupidas.
— Drogada. – sussurrou.
Mr. Frallyn acalmou-se, e, suspirou ao ouvir a música. A caixinha tocava uma valsa feita ao piano. Um piano de cordas antigas.
A garota levantou o cadáver e com desdém dançou com ela. Balançou-se, um, dois, três. Para lá e para cá. Remexia-se levando o cadáver no ritmo da melodia. Ao fim, Mr. Frallyn estava totalmente suja de sangue.
O sangue de sua vitima morta.
Mas, a garotinha estava consideravelmente mais calma que antes. Seu corpo relaxou. Seu semblante também. Tornando-a menos assustadora. Talvez, ela estivesse se parecendo mais com uma garotinha.
Aquelas que encontramos nas ruas. Com outras, brincando.
Pode parecer estranho, mas, Mr. Frallyn pegou seu machado. E com um sorriso no rosto começou a “brincar” com o corpo de Joanna; A, já morta, Joanna.
Posso estar enganada, porém, a música que tocava o momento era um pop. Daqueles bem populares, e incrivelmente, Mr. Frallyn o dançava. Remexendo a cintura.
Brincando sozinha.
Brincando com seu próprio corpo.
As palavras que podiam defini-la no momento eram, normal, adolescente. Ela não parecia uma assassina. Nem mesmo um serial killer. E imaginar que a doce garotinha que dançava a música já havia matado muita, muita gente;
Vocês podem acreditar? Ela cansou-se da música, aparentemente muito rápido. Mr. Frallyn queria um brinquedo novo. Um brinquedo morto. Joanna.
Subiu um tanto quanto rápido, e desceu, um tanto quanto devagar. Em suas mãos havia uma caixa. Uma grande e pesada caixa. Tão pesada e grande que a pequena teve dificuldades.
Apoio-a em uma mesa. Uma mesa que ficava ao lado do corpo de Joanna. Aparentemente ela não se importa, pensou a garotinha. Abriu-a animada.
Dentro da caixa havia três objetos. Um serrote, um tubo e uma serra elétrica. Para vocês terem um conhecimento de quão grande era a caixa. Ela pegou ainda mais animada o serrote.
Dirigiu-se lentamente ao corpo e continuo sua tortura. Mr. Frallyn serrou de maneira rápida o pescoço da moça. A mesma podia ser um serial killer, porém ela gostava de inovar.
Começar coisas novas. Experimentar o que imagina. Claro, no corpo de alguém. Uma batida na porta fez a garotinha estremecer. O som da chave, e o dos passos fizeram-na gritar.
— Schwester? (irmã?) – a voz era masculina. Não que a voz era masculina, vinha de um menino. Estou enrolada pelo motivo da voz ser fina, como a de uma mulher.
— Sofie, warum bist du hier unten? Sie sollen sich dort zu sein. Denken Sie daran, was ich dir erzählt habe unterbrach seine Schwester? Sie bekommt kein Geld, kein Geld wird uns trennen. (Sofie, por que está aqui embaixo? Era para você estar lá em cima. Lembra o que eu te disse sobre interromper sua irmã? Ela não consegue dinheiro, sem dinheiro vão nos separar.) – Ela afirma, limpando o rosto sujo de sangue.
— Aber, ich wollte dir helfen. (mas, eu queria ajudar você) – o garotinho diz descendo o ultimo degrau.
— Hilf mir, als ruhig zu beobachten. Oh, verlor ich das Interesse, ich werde es in die Stadt zu nehmen. Wollen Sie kommen? (Me ajudará ficando quieto observando. Ah, perdi o interesse, vou levá-la para a cidade. Quer vir?) – A mesma diz, bufando.
— Ja Von! (sim!) – diz ele sorrindo.
Assim ambos o fazem. Levando-a para bem longe daquele sobrado.
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