Sem Palavras

1 Capítulo Único


..Não sei por que acho tão difícil expressar meus sentimentos por você. Mesmo estando separados, posso te ver claramente como se estivesse aqui comigo. Eu disse que sentia saudades e sinto. Como Shakespeare mais habilmente escreveu meu sentimento no Soneto 47.....”

Sara ficou paralisada, olhando para um ponto distante, depois para a porta do quarto.
Uma declaração de amor !
Delicada e profunda, sentiu uma sensação agradável de conforto.
Pensou em quantas vezes se perguntou o que ele realmente sentia por ela, mas talvez nem ele pudesse responder, não com palavras. Imaginou se um dia ouviria, o que de fato, uma mulher gostaria de ouvir do homem que ama.
Se lembrou de quando o chamou para sair, e ele havia negado, se sentiu triste e solitária, mas era passado, havia superado, muita coisa havia acontecido, eles estavam juntos.
E agora aquilo ! Não poderia estar mais surpresa, e até um tanto aliviada, releu cada palavra, memorizando, sentiu vontade de chorar.
Uma felicidade que não precisava de explicações, um sentimento que aquecia o seu, agora calmo, coração.
Procurou – o pelo apartamento com a carta mas mãos, tentando acalmar as batidas do seu coração.
Da porta, olhou para ele, que de cabeça baixa, montava uma maquete, Hank aos seus pés, girava a cabeça, numa pergunta muda.
Caminhou até ele devagar, em silêncio, os pés descalços, ele percebeu sua presença, e endireitou a postura, surpreso.
Sentou de lado em seu colo, levantou a carta para ele e a colocou em cima da mesa, com cuidado tirou seus óculos e, o enlaçou pelo pescoço, ele arqueou suas sobrancelhas num antigo hábito, sem perder o contato olho no olho.
Ela segurou seu rosto, beijou sua testa, a face lisa, acariciou seus cabelos bem cortados e suspirou.
Ele segurava firme sua cintura, ela aproximou seus lábios e o beijou, devagar e profundamente, sentindo cada pedacinho de sua boca macia e o perfume gostoso que vinha dele.
Nada mais importava naquele instante, estavam ligados até a alma, ele a apertou, gemendo dentro de sua boca, ela tinha um gosto doce de sorvete de baunilha, a amava com tanta força que as vezes assustava, estava agradecido por ela estar em sua vida, de entendê – lo em silêncio, de respeitar seu espaço.
Agradecia sua presença e paciência por tê- lo esperado, quando poderia simplesmente sair sem olhar para trás, sua forma tão doce de tratar Hank, que ele tanto gostava. Não sabia de onde vinha essa força que o fazia se perder em seus olhos castanhos, cheios de mistério, em sua boca maravilhosa, viviam simplesmente um dia após o outro, sem cobranças, sem pressa.
Ela estava amando cada instante daquele contato, encostou sua testa na dele, brincando com a ponta de seu nariz, passeando pelo seu rosto, pelos seus olhos, acariciou suas têmporas com a ponta dos dedos, ela sabia que ele adorava aquele toque, viu – o suspirar, voltou a beijá – lo, agarrando – o novamente pelo pescoço.
Será que ele tinha noção do poder que aquelas palavras tinham, que embora fosse um homem diferente, até mesmo estranho, era tudo o que ela mais queria em sua vida?
Ele sabia, por que ele sentia o tamanho do amor que ela tinha, era tão grande que ele estava tentado a mudar por ela, nunca se sentiu tão amado em toda sua vida.
De repente sentiu duas patas em cima deles, reclamando carinho também, sorriu e afagou a cabeça do cão, ouviu – o grunhir de felicidade, adorava aquela carinha de bobo que ele fazia.
Estava onde queria, com quem queria, não precisava de mais nada.
FIM

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!