Sem Necessidade de Mega Sagas.
2 Capitulo 2: Sem necessidade de demônios adormecidos.
Notas iniciais
No laboratório da maior cientista do Universo, um rapaz e uma menina conversam sobre a doença que contaminaram suas amigas e solução que farão daqui em diante.
— Yugui!? Vocês estão loucas! Como disso pode acontecer? Por que esta doença tem haver com ela?
— Olhe, Tenchi! A imperatriz de Jurai prendeu Yugui num campo de animação suspensa e nós sabemos muito bem o porquê. É claro, o motivo de ela ordenar o envio dessa doença é o mesmo.
— Mas nós tiramos o desejo de destruição dela. Não há razão para isso.
— Nós sabemos disso, Tenchi. Porém, a imperatriz está morta há muitos séculos e nunca iria imaginar que alguém pudesse tirar o desejo de vingança dela. Além do mais, quem iria prever que o poder de Jurai seria capaz de dete-la?
— Precisamos fazer alguma coisa. — diz Tenchi batendo no vidro que o isola do laboratório. Temos avisar aos nano — fungos que Yugui não representa perigo.
— Lembra da má notícia? É ela! O centro de informação dos nano — fungos é oculto aos meus localizadores e também é a diretriz primária dos fungos defende-la a todo custo. É o sistema de segurança.
— O que quer dizer, Washu? — pergunta Tenchi.
— Os fungos vão usar as nossas amigas para defender o centro de informação. Se não der o aviso que a Yugui não oferece perigo, eles continuarão a programação original. Controlar todos que tiveram qualquer tipo de contato ou conhecimento da Yugui.
— Controlar para que? — pergunta Sasami.
— Não é obvio? Para destrui-la. Sei que vocês são amigas, mas para o Império de Jurai Yugui é uma ameaça.
A menina fica com um olhar de preocupação.
— Ela não é uma ameaça! Temos que avisa-la do perigo que está correndo. A minha irmã sabe onde está a Yugui! Eu não quero que ela morra!
Tenchi recorda-se de outra pessoa.
— Sakuya! Temos que salva-la Washu!
A cientista os olha através do vidro que os isola do laboratório e lembra-se dos incidentes ocorridos em Tóquio há alguns meses. Yugui queria dominar o mundo para criá-lo segundo as suas necessidades, mas foi impedida pelo poder de Jurai e pelo amor de Tenchi e Sasami. Sakuya foi uma criação da entidade demoníaca para separar Tenchi do poder de Jurai, mas a criação de Yugui rebelou-se contra a sua criadora. Por isso, Sakuya deixou de existir.
— Vamos fazer o possível. — diz Washu. Afinal sou maior cientista do Universo.
Uma risada ecoa no laboratório. Em seguida, a cientista materializa o seu "Laptop" transparente e digita. Logo, o vidro que separa os heróis desaparece.
— Precisamos despertar Yugui de seu sono. A questão é como?
— Tenchi! Podemos usar os cristais para enfrentar o fungo. — diz Sasami.
— É uma idéia. Mas precisamos lembrar que as outras meninas também têm os cristais.
— O poder de Jurai pode tirar delas e materializar a espada em suas mãos. — diz Sasami. Assim será mais fácil enfrenta-las.
— Você está certa! Vamos lá!
O rapaz começa a concentrar-se e, com as mãos, simula segurar uma espada. Minutos depois, os cristais de todos dali começam a brilhar e depois desaparecem. Uma luz surge nas mãos de Tenchi e ela começa a moldar e ter a forma de uma espada bela e poderosa.
— Você conseguiu, Tenchi! — grita Sasami. Agora temos alguma chance.
O herdeiro de Jurai movimenta a sua espada com desenvoltura.
— Sim! Temos alguma esperança.
De súbito. Um estranho ruído surge no laboratório.
— Que ruído é esse? — pergunta Tenchi.
Washu faz uma cara engraçada e diz:
— É o telefone. Tive que capturar a linha da casa para o laboratório. Sabe como é...
— Atenda logo, Washu! — diz Sasami com impaciência.
A cientista simula com a mão direta como seria atender ao telefone e o surge da mesma forma do seu "Laptop".
Alô? Washu falando.
Como um serviço de viva — voz, a resposta surge em todo laboratório.
— Doutora Washu? Sou eu, Katsuhito Masaki.
— É o senhor, vovô?
A resposta é como um trovão.
— Sim! Sou eu, Tenchi! Senti que você invocou o poder de Jurai e queria saber como está.
— Estamos bem, na medida do possível. Onde o senhor está?
— Estou num hotel, há uns quilômetros do templo Masaki e estou com o seu pai.
— Papai está ai com o senhor? Deixe-me falar com ele.
Momentos depois, outra voz surge no laboratório.
— Tenchi, meu filho! Como está? O seu avô me disse que o templo Masaki está contaminado por uma doença muito perigosa e eu estou preocupado.
— Oh, pai! Eu, Sasami e Washu estamos bem. Já as outras...
— Mas que azar! O que podemos fazer?
— Deixe-me falar com o seu avô, Tenchi. — diz Washu.
— Pai, deixe a Washu falar com o meu avô.
— Está bem! Vou passar para ele, mas tome muito cuidado meu filho!
— Está certo, pai! Obrigado!
Em seguida, a voz do avô de Tenchi corta o recinto.
— Pronto.
A cientista começa a falar.
— Preste bastante atenção. Como soube que o templo Masaki foi contaminado por esta doença?
— Quando estava subindo as escadarias que levam ao local da reza encontrei uma estatua negra, um busto do Deus da peste de Jurai. Geralmente é onde guarda as armas biológicas.
Washu sorri de orelha a orelha.
— Esta é a melhor noticia que poderia me dar, senhor Masaki. Graças ao senhor sabemos onde está o centro de informações dos nano — fungos.
De repente, outra voz corta o local.
— Sabiam, agora não saberão mais!
— Kiyone, não! — grita Tenchi.
— Além do mais, agora sabemos onde o seu avô está amigo de demônio.
E linha cai. Deixando todos nervosos.
— Como eles pegaram a linha de volta? — diz Washu intrigada. Eu o isolei.
— A questão não é essa! — diz Tenchi. Temos que libertar a Yugui antes que o fungo a ache.
Washu coça a cabeça e diz:
— Eu desenvolvi umas roupas especiais para isolá-los do fungo. Assim poderemos lutar sem que sejamos contaminados.
— Ótimo! — diz Tenchi. Vamos sair logo daqui e acabar com toda essa confusão.
— Apoiado! — grita Sasami. Vamos vencer.
A cientista entrega uma bolinha negra a cada um de nossos heróis.
— O que é isto, Washu? — pergunta Tenchi.
— A roupa que vai protegê-los do fungo. Mas tenho que avisa-los que a roupa tem uma resistência limitada. Ela protege do fungo, mas não de raios de energia.
Neste momento, uma mancha envolve os corpos dos três e substitui as roupas, que usavam, por macacões negros parecidos com borracha com mascaras contra gases.
— Quer dizer que se a Ryoko nos atingir com os seus raios estas roupas já eram? — pergunta Tenchi com voz abafada.
— Até as pistolas da polícia galáctica dão dano na roupa, apesar da roupa absorver o dano, mas se por acaso alguém tocar no local descoberto...
— Entendi, Washu. — diz Tenchi. Temos que ser rápidos. Para onde vamos?
— Essa altura elas já mudaram o local da fonte informação... Devemos ir onde está repousando a Yugui. Aí teremos alguma chance. Ah! Nos pulsos há raios de concussão para afastar um eventual contato.
— Legal. — diz Sasami com desanimo. Pelo menos, teremos um meio de afastá-las sem ferir.
— Agora, vamos lá! — diz a cientista.
Os três saem na porta debaixo da escada. Um silêncio impera em toda a casa. O único ruído que eles escutam é da respiração deles mesmos. O coração dos três está acelerado. Atenção total e a posição de combate que todos faziam lembravam um típico comando de elite da polícia ou algo parecido
O caminhar até a cozinha foi muito tenso, causa em todo um mal estar e gera uma duvida: "Será que seria capaz de enfrentar as minhas amigas?" Logo, os três saíram da casa e Washu diz:
— Saímos da casa, agora todo cuidado é pouco.
— Parece que elas estão armando alguma coisa. — disse Sasami com o suor escorrendo o seu rosto.
— O dia está tão bonito. — diz Tenchi. Espero isto acabe logo.
— Claro que vai, querido! — diz uma voz que surge do nada.
Todos olham na direção da voz e vêem Ryoko com um bastão de madeira.
— Ryoko!!! — todos gritam.
— Olá, para todos! — responde. Vejo que vocês estão protegidos...
Neste momento, ela começa a girar o bastão e faz alguns malabarismos.
— Sei que você não é a Ryoko, por isso, poupe o seu discurso de tentar nos convencer que não está contaminada. — diz Washu com aspereza.
— Eu não preciso desse tipo de coisa, garota. — diz Ryoko com desprezo. Sou uma pirata e vou agir como tal. Além disso, eu não te amo mais, Tenchi. O seu amor é tão pequeno e insignificante que na tentativa de me agarrar a ele, quando o fungo me possuiu, que sucumbi mais rapidamente. O fungo me alertou de muitas coisas e principalmente das mentiras que você possa dizer, garoto.
— Ryoko... — diz Tenchi. Eu...
— O que foi? — diz a pirata parando de manejar o bastão. Não tem coragem, não é? Bem que ele me disse. Você é um covarde! Nem para mentir é capaz. Eu te amava e muito, Tenchi! O que você fez por isto? Nada!
— Pare com isso, Ryoko! — grita Sasami. Ele nunca pediu para que você o ame. O fungo está distorcendo o seu modo de pensar, lute contra isso!
— Lutar? O que mais fiz nessa vida, se não isto? E o seu caso com a Sakuya? Mesmo sendo uma ilusão, a preferiu do que a mim.
— Tenchi... — diz Washu. Ela não é a Ryoko, acredite e o fungo usando a mente dela para justificar a nossa contaminação.
— Mas ela está dizendo a verdade.
— Às vezes, o diabo diz a verdade para que possamos vender as nossas almas com desconto.
— Que tipo de monstro é esse que usa as mentes dessa maneira? — diz Tenchi.
— Para lutar contra o poder ilusório da Yugui, o nano — fungo usa este artifício, a Realidade. — responde Washu.
De repente, um grito de criança interrompe o dialogo. Tenchi e Washu olham para Sasami e vêem as policiais galácticas apontando as suas armas para os três.
— Acho que vocês estão presos. — diz Kiyone com ironia.
— Graças ao fungo, eu não sou mais desastrada. — diz Mihoshi. Garanto que eu não erro nesta distância.
— Droga! — reclama Washu. Acho que tenho que apelar...
— Não tente nada! Se não... — ameaça Kiyone.
Antes que as policiais pudessem fazer alguma coisa, uma luz violeta ilumina o local e congela todos ali, exceto os nossos heróis.
— Deu certo! — vangloria Washu. Eu sou um gênio! Fiz este campo atemporal para este tipo de coisa. Vamos logo, pessoal! Elas ficarão congeladas por meia hora.
O rosto de assombro surge nos dois e a seguem em direção do local onde dorme a Yugui.
Minutos depois, eles chegam ao objetivo. Sasami comenta:
— Foi fácil demais... Onde está a minha irmã?
— Estou bem atrás de você, traidora!
Quando todos se viram. Vêem a princesa Ayeka de braços cruzados flutuando no ar e ao lado dela algo parecido com dois troncos de madeira com inscrições estranhas.
— Asaka! Kamidake! — grita Sasami.
— Estamos aqui para servir a verdadeira herdeira de Jurai. — diz Asaka.
— Se preciso for matar, para proteger a única herdeira do império de Jurai, nós o faremos. — diz Kamidake.
A pequena princesa fica estarrecida, pelo o que os seus guardiões disseram.
— Eu não acredito no que estou ouvindo! Fungo maldito! Devolva a minha irmã!
— O que foi? — diz Ayeka com ironia. Por que a surpresa? Acha mesmo que iria deixar vocês despertarem a Yugui de sua hibernação?
— O que!? — exclama Washu. Você sabia que Yugui estava hibernando, mas sua programação não era dete-la?
Ayeka dá um sorriso no canto da boca.
— Sabia. Só que a nossa programação mudou. Originalmente, era para deter a Yugui, mas como vocês a detiveram as minhas funções ficaram inoperantes. Porém, um membro da corte de Jurai nos deu uma nova função e estamos executando conforme programado.
— Qual é a nova ordem? — pergunta Washu.
— Dominar este planeta e seus defensores para a chegada do legitimo imperador de Jurai. Lorde Kagato.
Todos ficam aterrorizados. O maior inimigo do império de Jurai programou os nano — fungos para dominar a Terra.
— Mas por que Kagato quer dominar este planeta isolado? — pergunta Sasami.
— Eu não sou programado para questionar, mas para executar.
De repente, um monte de pequenos bastões cerca os três e os atingem com vários raios elétricos que rasgam as roupas de proteção.
— Contaminação em andamento. — diz Ayeka.
— Estamos expostos! — grita Washu. Use a espada Tenchi!
Quando Tenchi iria usar a espada, Asaka e Kamidake chocam-se com Tenchi no meio como num sanduíche. Por causa do golpe, Tenchi desmaia e é levado para a princesa Ayeka.
— Certamente, a princesa não teria coragem de fazer isto, mas a necessidade é a mãe de invenção.
Rapidamente, Ayeka tira a mascara e beija o garoto.
— Não! Tenchi! — grita Sasami.
— Maldição! — pragueja Washu. Eu não fui rápida o bastante, mas posso fazer alguma coisa!
Neste instante, a cientista dispara inúmeros raios de concussão na princesa Ayeka. Inútil, pois ela gera um campo de força e os raios não a atingem. Em seguida, um grupo de pequenos bastões cerca Washu e disparam uma descarga elétrica que destrói o resto do equipamento e a mascara. Por causa dos raios, a cientista cai no chão quase desacordada e neste momento surge uma velha amiga.
— Ryo-ohki! — diz a cientista. Agora temos alguma chance!
A pequena criatura chega bem perto no rosto da Washu e assopra um pó amarelo.
— Não! Deus! Fui contaminada! — e perde a consciência.
Ayeka dá a sua famosa risada e fica abraçada com o seu amado Tenchi.
— Você não tem como lutar comigo, Sasami. Renda-se!
As lágrimas, Sasami pega a espada de Tenchi e diz:
— Nunca! Eu não vou me render! Toma seu fungo maldito!
Então, a pequena princesa de Jurai dispara um raio energético saído da ponta da espada e atinge em cheio a sua irmã mais velha. Que voa longe e cai em algum lugar distante dali juntamente com Tenchi. Os dois guardiões vão em direção da princesa.
Um conjunto de ruídos de animal bastante conhecido de Sasami, aproxima da princesa.
— Ryo-ohki! Como vai, garota? — Sasami abre os braços deixando a espada de lado.
O animal salta em direção da menina, um raio o atinge e o deixa desacordado.
— Você devia ter mais cuidado em confiar-nos outros, Sasami. — diz uma voz infantil e pausada.
A pequena princesa de Jurai vê uma garota loira, com uma espécie de cartola que sai vários cachos de cabelos no topo, onde o seu rosto é pintado de modo exagerado e um casaco imenso que a envolve deixando flutuar no seu interior.
— Yugui!?!
— Olá, Sasami.
— Como você despertou, se eu não entrei na caverna?
— Quando você usou a espada, o poder de Jurai me tirou da minha hibernação. Estou feliz em vê-la, amiga.
A pequena princesa de Jurai olha para Ryo-ohki desacordada e pergunta:
— Por que fez isto, Yugui?
— Porque eu evitei que você fosse contaminada, Sasami. Fui Ryo-ohki que contaminou Kiyone. E ela os outros.
— Obrigada! — e sorri.
— Afinal nós somos amigas, Sasami.
— E agora? O que vou fazer? Os todos os meus amigos foram contaminados.
— Eu posso ajudá-la, mas preciso de um favor seu.
— Qual?
— Gostaria que você montasse a minha nova casa em minha mente e passar uns tempos comigo.
— Yugui... Eu...
— Sasami, por favor! Eu me sinto muito sozinha.
A princesa estava agoniada e pressionada. Os seus amigos dependiam dela para escapar da influência dos nano — fungos e salvar a Terra, para variar.
— Eu aceito! Depois vamos combinar melhor, tá?
— Obrigada, Sasami! — e sorri. Acho que sei onde está o tal centro de informações. Vamos lá!
Então, a garota pega a mão da princesa e ela pega a espada de Tenchi. Em seguida, uma luz envolve as duas e desaparecem.
Em seguida, as duas crianças aparecem no telhado da residência do clã Masaki, enquanto Sasami senta-se apoiada na espada mística, Yugui flutua ao seu lado e de cabeça baixa diz a sua pequena amiga.
— Eu não consigo achar o tal centro de informações. Deve estar protegido por um escudo místico. Preciso de ajuda...
— De quem, Yugui? Os únicos que restaram foram o pai e o avô do Tenchi.
A menina loira sorri e diz:
— O tipo de ajuda que preciso é outra, querida.
Num conjunto de gestos, pequenos cristais surgem ao redor da misteriosa criança e orbitam próxima ao seu corpo. Uma luz sai dos olhos de Yugui, atinge três cristais específicos e eles começam a sofrer uma estranha transformação. Os cristais começam a ficar maiores e tomar uma forma humana cada uma. Segundos depois, um homem e duas mulheres surgem e reverenciam a sua criadora.
O homem é alto, loiro, com um coque que prende o longo cabelo e escorre entre as orelhas e nuca. O seu longo kimono branco e vermelho cobre grande parte do seu corpo e o que não se pode dizer sobre os óculos que deixam transparecer os olhos pequenos e misteriosos.
— Como vai, Hotsuma? — pergunta Yugui.
— Existo para servi-la, senhora!
A garota olha para uma das mulheres que sorri de uma forma amável. Ela tem cabelos curtos e castanhos que chegam a cobrir parcialmente um dos olhos. Vestida com uma camisa de mangas compridas e desalinhadas que faz uma das mãos de fora e a outra encoberta com folga. E ainda usa uma calça apertada de náilon, com mocassim marrom que dá um ar colegial.
— Como vai, Tsugaru? — pergunta Yugui.
— Existo para servi-la, senhora!
A última mulher, que fica de braços cruzados, dá um sorriso discreto e tem uma estranha pintura que parece pequenos traços em seu rosto. Usando um vestido apertado e curto, tipo tubinho, que dá um destaque maior em suas formas e além de um par de meias três quartos escuros acompanhado por uma botinha salto alto preto. Os cabelos crespos e encaracolados dão ar felino aos seus olhos puxados.
— Como vai, Mattori? — pergunta Yugui.
— Existo para servi-la, senhora!
A garota loira aponta o dedo em direção de um cristal que flutua. Um raio sai de seu dedo e transforma o cristal num busto feio e mal encarado.
— Tenho uma missão para vocês. Eu criei uma replica daquilo que vocês irão procurar. Conto com suas habilidades e talentos.
Os três olham com curiosidade ao objeto.
— Que coisa mais feia! — comenta Mattori. Que faremos se encontra-lo?
— Avisa-me! Eu cuidarei do resto, mas cuidado. Quando encontrar, este busto pode estar protegido, então não façam nada até nós todos chegarmos. Entenderam?
O trio acena em aprovação.
— Vão! — ordena Yugui.
Depois que eles partem, a menina loira comenta para Sasami.
— Eles são eficientes! Enquanto procuram, que tal brincarmos?
A pequena princesa de Jurai fica surpresa, mas aceita a sugestão.
Horas mais tarde, o trio surge diante a sua mestra e dão as noticias.
— Achamos! Está dentro de um templo e está protegido pelas duas agentes da policia galáctica. — diz Hotsuma.
A garota loira levanta, em meio de um mar de bonecas, e diz:
— O tempo de brincar acabou. Vamos à luta!
O templo Masaki é, normalmente, usado para orações e pedidos, mas hoje será usado como campo de batalha para decidir o destino do planeta Terra. A ironia está no fato que o demônio que queria dominar o mundo agora quer salva-lo.
As policiais de primeira classe, Kiyone e Mihoshi, vigiam o templo e de armas em punho. Mihoshi pergunta a sua parceira:
— Kiyone, será que tem biscoitos lá dentro? Eu estou com fome!
— Puxa, Mihoshi! Mesmo possuída, continua a chata de sempre.
— Não dá para controlar! — diz chorosa. O estômago está roncando...
— Vai logo! — diz a sua parceira. Tem um sanduíche lá dentro. Eu tomo conta de tudo.
— Obrigada, Kiyone! — e entra no templo.
— Não mudou nada. — comenta com um discreto sorriso.
Perto dali, Sasami, Yugui e seus servos observam o movimento das policiais.
— Parece que elas são as mesmas.
— As aparências enganam, Sasami. O nano — fungo age de forma latente e domina o corpo conforme as suas necessidades. Eu sou especialista nisto.
— Como vamos atacá-las?
— Vai ser da seguinte forma...
Logo, a policial de cabelos negros vê um homem loiro de camisa florida, de bermuda, tênis e com um mapa aberto. A policial Kiyone aponta a arma para o sujeito e grita:
— Parado aí!
O loiro de coque levanta o olhar que estava atento ao mapa e diz a policial.
— Olá! Gostaria de uma informação. Deixei o meu carro lá embaixo e estou perdido. Estive no Japão há muitos anos e não conheço muito as estradas deste maravilhoso país.
— Problema seu! Vá embora!
Demonstrando simpatia, o homem diz cordialmente:
— Que coisa feia que se diz para um turista. Eu pensei que os templos Xintoístas fossem mais receptivos?
A mulher aponta a sua arma na cabeça do homem.
— Infelizmente, este não é. — e atira.
Como um relâmpago, o homem dá um soco no rosto de Kiyone e cai desacordada.
— Sou mais rápido que imagina, querida!
Em seguida, Yugui e Sasami saem dos arbustos.
— Muito bem, Hotsuma! — diz Yugui. Foi ótimo.
— Fico feliz, senhora!
Súbito.
— Vocês aí! Todos de mãos para cima! Aqui é a policial Mihoshi da policia galáctica, rendam-se! — diz com arma em punho e a coragem típica das heroínas da TV.
Fazendo pouco caso da policial, Yugui responde:
— Idiota! A sua colega era muito mais perigosa que você, mas vejo que precisa de uma lição.
Num gesto, a menina loira, faz que a policial durma profundamente.
— Puxa, Yugui! Você é boa mesmo! — diz Sasami.
— Não se aproxime. O fungo pode contaminá-la, mesmo nesta distância.
— Você tem razão. Acho que devemos entrar logo no templo e neutralizar o tal centro de informação.
— Há sabedoria em suas palavras, Sasami. Hotsuma, Tsugaru e Mattori!
O trio fica diante de sua mestra.
— Quero que fiquem vigiando a entrada do templo, enquanto eu e Sasami estaremos mudando a programação dos nano — fungos. Entendido?
O trio concorda e reverencia a sua criadora.
— Agora, Sasami... Vamos entrar!
— É assim que se fala! Vamos lá!
As duas entram no templo de mãos dadas. No interior, a dupla vê o busto do Deus da peste de Jurai e vão a sua direção. A pequena princesa resolve tocar no busto, apesar da relutância de sua amiga, mas a menina descobre algo terrível.
— É um holograma! Deus! É uma armadilha!
No lado de fora, Washu e suas amigas, acompanhadas pelo Tenchi, riem da ingenuidade da dupla.
— Acha mesmo que iria deixar um objeto tão importante nas mãos de duas idiotas? — diz Washu. Afinal, eu sou um gênio!
— Ei! Não precisa nos humilhar dessa forma! — reclama Kiyone.
— Fizemos tudo direito. — concorda Mihoshi.
— Não é mais que sua obrigação. — diz Ayeka. A nossa função é servir lorde Kagato e mesmo à custa de nossas vidas.
— Ora, Ayeka? Onde está aquele amor que tinha pelo "Lorde Tenchi"?
— Hunf, Ryoko! Sabe muito bem que não há lugar para os sentimentos amorosos no império de Kagato! Talvez, quando ele me ver, queria casar comigo, pois tenho sangue real e sou bela e jovem.
— Talvez ele quisesse uma bela amante que comande os seus piratas para saquear o império de Jurai e não uma guria insossa como você, Ayeka.
— O que você disse? Olha só quem fala! Tenha certeza que ele vai usá-la com um bichinho de estimação e coloca-la numa jaula que é o seu lugar.
— Ah é! Espere quando me tornar esposa dele, rainha das baratas!
— Duvido, sua lacraia.
Quando raios de energia começam a sair dos corpos das duas mulheres.
— Meninas... — diz Tenchi. Não briguem! Mestre Kagato será amante de todas e eu serei o seu discípulo mais fiel! Eu quero ser o senhor do poder Anti-Jurai.
Todos riem. Dentro do templo, as duas meninas olham e ouvem o que eles dizem.
— Isto é horrível! Todos foram corrompidos pela influência dos nano — fungos e estamos presas neste lugar. Onde está os seus servos, Yugui?
— Tudo ao seu tempo, Sasami. Lembra que fui derrotada pelo poder de Jurai e pelo seu amor?
— Sim, e daí?
— Daí que estou com os dois. — sorri.
De repente, raios de energia atacam o grupo de servos de Kagato. Porém, o escudo de energia de Ayeka protege a todos.
— Que diabos está acontecendo? — pergunta a princesa.
— Não é óbvio, sua idiota! — grita Ryoko. São os servos daquele demônio chamado Yugui.
— Já a vencemos antes. — diz Tenchi. Não vai ser diferente agora.
— Tem certeza, Tenchi?
Os tiros cessam e depois que a poeira abaixa, revela a imagem da criança loira.
— Antes, eu era a vilã e você tinha o poder de Jurai. Agora, sou a heroína e tenho o poder de Jurai. — e aponta para Sasami. Afinal, as coisas mudam.
— Como saiu da minha cela atemporal do subespaço? — pergunta intrigada Washu.
Yugui dá um sorriso e responde:
— Você não maior cientista do Universo? Descubra!
Tenchi olha com desprezo à cientista e diz:
— O inconsciente da idiota deve ter te induzido ao erro. Procure concentrar-se e prepare para lutar. Isto vale para todas! — grita.
Todas respondem afirmativamente.
— Sasami, temos uma boa briga pela frente. Preparada? — pergunta Yugui.
A pequena princesa de Jurai acena positivamente e põe a espada mística em punho.
— Estou! — diz com convicção.
A menina loira pergunta aos seus servos se estão preparados e respondem que sim. Um clima tenso surge no ar e os dois grupos preparam-se para o combate. Momento que a luta iria começar, o tal busto do Deus da peste de Jurai aparece no ar e com uma energia negra o envolve. Para a surpresa de todos, a energia toma uma forma humana e que revela o ser que teve a idéia de conquistar a Terra. O seu nome é...
— Kagato! — dizem todos.
Com o seu olhar arrogante e sorriso debochado, o maior inimigo de Jurai diz a todos os presentes:
— Súditos! É uma pena que não estou fisicamente neste planeta, mas vejo que o meu plano está em completo desenvolvimento. Fico feliz por isto. Por isso, darei a todos uma, não, duas pequenas ajudas.
O lorde maléfico faz um gesto e todos os contaminados pelo fungo recebem a energia de Anti-Jurai. Em seguida, o homem faz outro gesto e a espada, que Sasami impunha, some.
— Espero que, com a minha ajuda, vocês possam acabar com estes pequenos incômodos. Em breve, estarei pessoalmente para administrar este mundo e ser a base para conquistar todo o Universo. — ao dizer isto ele gargalha e desaparece.
O busto negro pousa suavemente num campo aberto e bem próximo de nossos heróis.
— Ele nos provoca, Sasami.
— Mas sem a espada não teremos chance, Yugui.
— Escute. Eu tentarei distraí-los e você procura a espada. Creio que não esteja longe, pois, devido a distância, Kagato não tem poder suficiente para eliminar ou enviar a espada num local muito distante. Acredite em você e na força que tem para encontrá-la!
— Está bem! Vou fazer o possível.
— Muito bem, vou te dar cobertura.
Súbito, Tenchi grita.
— Já terminaram de planejar? Queremos lutar! Quero tirar este casaco ridículo dessa garota!
Todos os asseclas do lorde negro riem e agitam as suas áureas negras. Porém, Yugui comanda o ataque inicial e os seus servos disparam vários raios nos contaminados, que conseguem fugir. A luta começa violenta e não poupa raios para todos os lados. Aproveitando a poeira levantada, Sasami sai do local do combate e parte para a procura da espada.
A luta entre os servos de Yugui, como ela própria, e os contaminados é emocionante. Entretanto, o grupo da mutante juraiana começa a sofrer pesadas baixas, pois eram de menor número.
Mattori cai pesadamente no chão, depois do ataque combinado de Ryoko e Ayeka. Hotsuma é derrotado pela super — ciência de Washu e Tsugaru é novamente atingida por uma rajada de raios da pistola de Mihoshi e é presa por Kiyone. Resta apenas Yugui que utiliza várias criações para deter Tenchi e todas em vão, pois o poder Anti — Jurai é intenso nele.
O rosto da criança loira começa a sentir o mesmo terror que sentiu ao enfrentá-lo há alguns meses, quando foi derrotada por Tenchi. E ao chegar bem perto da menina, o possuído ergue a sua espada negra para matar a mutante.
— Peça perdão aos seus Deuses, demônio! — grita o jovem.
— Nãããããããooo!!! — berra a criança e fecha os olhos.
"Perdoe-me, Sasami. Eu falhei!" Pensa Yugui que sente a aproximação da espada negra, quando sente um vento passar por ela e impediu a chegada da lâmina em seu corpo. Neste momento, ela abre os olhos e vê um milagre.
— Você era mais gentil, Tenchi! Principalmente com as crianças.
Com os olhos envoltos por uma névoa negra, o jovem diz em uma voz cavernosa:
— Yosho!
— Eu prefiro Katsuhiro Masaki, mas como prefere me chamar assim...
A menina vê a cena, o avô de Tenchi deteve o golpe da espada negra com a espada mística de Jurai e raios elétricos envolve as lâminas.
— Vejo que não tem nenhuma roupa de proteção. Será que não tem medo de ser contaminado? — diz Tenchi com uma voz sinistra.
O velho monge diz, com sua calma característica.
— O fungo foi contaminado pelo poder Anti — Jurai e aí me tornei imune. Além do mais, tenho a espada. O que mais posso querer?
— Sim, a morte! — e o garoto avança.
Então começa a luta de espadas, da famosa técnica dos cavaleiros de Jurai. Yugui sai do local, rapidamente, e tenta aproximar do busto negro para desativá-lo. Entretanto, Washu usa o seu "laptop" e prende a criança loira.
— Precisa ser mais esperta, querida! — diz em tom de deboche.
— Não é preciso ser esperta para te derrotar.
Mesmo envolta por tentáculos de energia, Yugui consegue libertar-se e parte em direção da cientista. Começa uma luta feroz.
Neste momento, Sasami corre em direção do busto, mas é detida pela sua irmã, que a segura. Durante a luta contra Washu, Yugui liberta os seus servos e recomeça o caos.
De repente, uma voz corta o campo de batalha e que é uma pergunta:
— Ei pessoal! Qual é o botão que devo apertar?
Todos param o combate e vêem alguém perto do busto, a qual estava com uma espécie de tampa aberta e seus componentes expostos. Surge uma gota a lado das cabeças de todos e uma sensação que o tempo parou.
Sasami quebra o gelo e grita:
— É o botão azul, Nobuyuki!
Os contaminados vão em direção do arquiteto para dete-lo, mas ele executa a ordem de Sasami. Logo, todos os possuídos param e uma voz feminina e gélida diz aos presentes:
— Programa original apagada. Esperando nova programação...
Dois dias depois, todos os membros do clã Masaki comemoram a coragem do pai de Tenchi. Até mesmo Ryoko dá um beijo no "tarado". Sasami prepara a melhor refeição que podia fazer e a felicidade está estampado nos rostos de todos.
— Puxa, Kiyone! O que uma gripe fez na gente. Na próxima vez, você deve tomar um Antigripal! — diz a "brilhante" Mihoshi.
— Claro! Eu vou tomar uma Anti — Mihoshi! — responde a azarada policial.
— Esse remédio eu não conheço. — diz mais uma "pérola".
— Esse, infelizmente, também não! — diz Kiyone com um olhar desanimado e as mãos apoiando o queixo.
Na sala principal, Yugui bebe um refrigerante acompanhada por Tenchi, Ayeka, Ryoko e Sasami. A conversa é um pouco tensa, devido o fato do ciúme da pirata e da princesa.
— Que bom que esteja conosco, Yugui. — diz Tenchi sorrindo. Sua participação foi muito importante.
— Obrigada. — diz a mutante, flutuando. Mas tenho que resolver um acordo com a Sasami.
— Que acordo? — pergunta Ayeka.
— Ela prometeu que iria me ajudar a construir a minha residência no meu plano de existência.
— Isto é verdade, Ayeka. — diz Sasami. Porém, não combinamos quanto tempo ficaria lá.
— Eu pensei em uns duzentos anos. — diz Yugui sorrindo.
Todos exclamam um sonoro "o que!?!". Sasami tenta contornar a situação.
— Yugui, eu não posso ficar tanto tempo lá, tenho obrigações como princesa de Jurai e sou responsável pela alimentação de minha irmã.
A criança loira fica séria e fala:
— Você prometeu, Sasami.
— Mas, Yugui... Eu sou feliz aqui e por mais que goste de você não posso abandonar tudo para ir viver em seu mundo.
Em seguida, um olhar sinistro surge no delicado rosto de boneca da mutante de Jurai.
— A vingança é uma característica de minha personalidade, Sasami. Principalmente, naqueles que me usam segundo suas necessidades.
— O que você quer dizer com isso, Yugui? — pergunta Tenchi.
Um sorriso é a sua resposta.
Fim do segundo capítulo.
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