Sem Lagarta não há Borboleta.

20 A Metamorfose completa (THE END)


Notas iniciais
Olá amores tudo bem? Eu queria agradecer para quem continuou a acompanhar, comentar e a ler essa estória. Queria deixar meu agradecimento especial para MaryDuda que continuou lendo e comentando até o final ^^ Obrigadaa de verdade!

—Eu e o John terminamos.

—Eu e Laura terminamos.

Eu ainda estava processando essa informação nos último mês. Ainda continuava saindo com o JR e continuava existindo um certo medo de começar a namorar ele. Apesar das inúmeras tentativas dele, eu ainda continuava resistente e sempre dava um jeito de mudar de assunto. Como flashback eu me lembrei em uma das vezes em que quase eu acabei cedendo e dizendo sim:

— Alice, eu gosto de você e não escondo isso. Eu quero esperar até você ter a certeza de que quer ficar comigo — JR me disse enquanto nossos rostos estavam próximos um do outro. Podia sentir borboletas pelo meu estômago e a cada palavra doce me fez arrancar mais beijos nele.

— Alice, eu nunca achei que te diria isso, mas acho que você deveria dar uma chance para o JR.

Não só a Suzy havia me dito essa frase, como quase todos meus amigos praticamente. Até que foi em uma noite quente no terraço do meu prédio que eu estava bebendo com o John. Eu fiquei literalmente no meio dessa separação. Sabe quando alguém fica no meio de duas pessoas? Eu me senti daquela forma. Era uma área onde tinha vista da cidade, era um lugar que as vezes eu e as meninas levávamos alguns amigos para ali. Eu estava sentada em um puff grande ao lado do John, nós estávamos bebendo. Na verdade, ele havia passado um pouco do limite. Aquela separação dele e da Laura não estava sendo fácil.

— Eu deveria ter ficado com você — John falou bêbado. Aquilo me assustou e apenas protestei.

—Claro que não John, somos amigos e...

Antes terminar a frase, ele se aproximou bêbado e me beijou. Eu fui totalmente surpreendida naquele momento. Era algo que sempre quis fazer na minha vida. Eu quero dizer, era algo que sempre estava em minhas fantasias adolescentes, era o John. Era os lábios dele tocando nos meus pela primeira vez e... nada. Eu não conseguia sentir nada. Ele não beijava ruim, mas eu não sentia faíscas, não sentia absolutamente nada. Assim que me afastei dele eu comecei a rir e isso o deixou confuso.

— Me desculpa John. Eu não te vejo dessa maneira, não mais. Eu gosto muito de você como amigo e achei que te amava de uma forma romântica e... hoje eu percebo que não existe nenhum sentimento por você. — Eu estava aliviada. Era estranho me sentir daquela forma.

—Você gosta dele não é? — John sorriu com o canto dos lábios e bebeu mais um gole de cerveja.

— Sim. Eu gosto muito dele e... eu preciso valorizar mais — Eu sorri.

—Vamos embora daqui? — Eu literalmente estava ajudando o John a caminhar. Ele estava sem condições de voltar sozinho e depois de hoje, sinceramente sem condições de ficar no meu apartamento. Principalmente pelas meninas. Enquanto descíamos o elevador eu tentava mandar uma mensagem para o amigo do John vim buscá-lo. Assim que entrei no apê as meninas estavam com os olhos arregalados.

— O que aconteceu? — Eu fiquei sem compreender. Ajudei o John a sentar no sofá.

— O JR não falou com você? -Suzy ainda continuava tentando entender.

— Como assim o JR falou comigo? — Eu estava processando.

—Ele perguntou onde você estava e falamos que você estava no terraço, mas não sabíamos que o John estava lá — Jú continuou.

— Ela não gostou do meu beijo e gosta dele — John estava rindo e as meninas ficaram em choque, era essa a palavra ideal para descrever aquele momento.

—Agora faz todo sentido, porque ele saiu daqui muito bravo — Jú continuou.

—DROGA! — Eu quase gritei. Eu contei para elas o que havia acontecido e um leve gelo dentro de mim aconteceu. Onde ele poderia estar? Eu comecei a ligar para ele, mas ele não me atendia.

— Alice, vamos procurar ele e você explica ok? — Suzy me disse. Era o mais sensato a se fazer naquele momento. Ficamos esperando alguns minutos enquanto o amigo do John veio o buscar. Em seguida saímos desesperadas quase que em uma novela romântica atrás do JR. Eu teria que achá-lo.

— Nossa, ninguém sabe onde ele está — Suzy exclamou enquanto a Ju dirigia. Eu ainda tentava ligar, mas estava caindo na caixa postal.

— O Troy falou que o JR tem a mania de beber muito quando algo ruim acontece, vamos procurar nas baladas. Vou fazer uma lista e tu entra tá? — A Suzy e a Ju estavam focadas enquanto eu descia do carro e entrava nas baladas e também observávamos alguns bares.

— Ele não tá aqui — Eu falei ofegante pelo menos 2 vezes. Assim que entramos no carro a Suzy quase berrou.

—Troy acabou de me mandar a localização de onde o JR está.

O que eu falaria? Como explicar tudo que aconteceu? Como dizer com tanta clareza algo que foi confuso para mim esse tempo todo? Não existe nenhum script na vida real e por mais que você faça um ensaio mental, nada é como esperamos ou desejamos. Meu único desejo naquele momento era estar com ele mais uma vez. Um aperto do meu peito ficou mais evidente enquanto estávamos em direção a balada.

***

As luzes estavam piscando com uma intensidade muito forte. Na pista de dança era possível ver algumas pessoas se movimentando com as batidas da música. Eu ainda continuava em pé, novamente paralisada. A última vez em que não conseguia me mover, foi quando descobri meus sentimentos pelo John. Só que essa vez, houve uma pontada forte dentro de mim. Era uma mistura de decepção, tristeza e dor. Tudo resumido em um choro contido, como um nó na garganta. Estava ele, com os braços envolta de uma mulher, ambos em um intenso beijo recíproco. Será que tudo estava perdido? Era isso? O meu ciúmes foi tão forte naquele momento, que quando percebi eu estava tão próxima deles dois que meu instinto foi jogar a bebida no rosto dele.

— ALICE — Ele berrou furioso. Sério que eu fiz isso? Eu não conseguia dizer uma só palavra. Não satisfeita eu dei um tapa no rosto dele. Eu me virei e quis sair o mais rápido possível dali, enquanto todos a nossa volta observava a cena lamentável. Eu não consegui ouvir o que minhas amigas falaram, eu estava em uma espécie de modo automático. Ninguém veio atrás de mim, eu percebi que eu estava quase correndo daquele lugar. Eu não sei como, parei na lateral da balada. Estava frio o suficiente pra sentir meu rosto molhado de lágrimas. Quando elas foram para alí?

— ALICE. — Aquela voz continuou ofegante e furiosa.

— Você está louca? Você beija outro cara e vem aqui fazer cena? — Ele continuou me olhando confuso, frustrado e perdido. Eu estava da mesma maneira. Como eu poderia odiá-lo?

— Eu gosto de você — Eu quase berrei no meio da rua. E continuei:

— Eu vim aqui pra te dizer isso e... — Gesticulei e ainda o ar continuava aprisionado dentro de mim.

—Para de brincar comigo Alice. Você beijou ele, o amor da sua vida. Final feliz — Ele estava furioso novamente.

— Final feliz? Como eu ainda me sinto vazia JR? Eu não senti nada por ele. — Eu quase berrei novamente, isso o fez ficar surpreso pela minha afirmação e certamente continuei tentando organizar meus pensamentos.

—Ele me beijou, eu retribui. Eu achava que o amava, mas ele era um ideal da minha cabeça Júnior. Eu nunca senti algo com a intensidade e a realidade que é com você. Você é a minha tempestade e a minha brisa suave. Eu quero arriscar JR. Eu... quero namorar você e dane-se o John eu...

Antes que eu terminasse de falar ele segurou a lateral do meu rosto e me beijou. Eu ainda podia sentir o gosto da bebida que havia jogado no rosto dele. Nossos lábios deslizaram enquanto minhas duas mãos estavam envolta do pescoço dele. Nosso corpo estava próximo numa intensidade e uma frequência que fazia total sentido. Era aquele encaixe perfeito que eu senti com ele. Finalmente eu senti borboletas reais e recíprocas no meu corpo.

Eu havia entendido que na minha vida existiam fases e processos em que eu era lagarta e tudo tinha um tempo para algumas coisas acontecerem. A minha área relacional nesse momento havia se transformado em uma borboleta e eu entendi isso. Seria constante? Seria duradouro? Essas são perguntas que não existiam respostas para aquele instante. A paixão é um ato vulnerável e o amor é algo construído, assim como o ciclo de uma lagarta se transformando em uma borboleta. Naquele momento nos braços dele, era algo que eu estava disposta a aproveitar e viver naquele momento.

BÔNUS — MUITO TEMPO DEPOIS...

—Então... eu não sei o que eu sinto por ele. Kylie ou Ryan? Estou confusa. -Minha paciente suspirou.

Eu segurei o meu sorriso ao lembrar do quanto talvez a minha terapeuta tenha se identificado comigo em muitos aspectos e simplesmente ela não podia me falar. Eu olhei para a minha parede e havia agora moldurado meu diploma, pós graduação e alguns cursos. Na minha mesa estavam fotos do meu casamento e dos meus dois filhos com JR. Eu já tinha 36 anos e parece que foi ontem tudo que havíamos vivido. O casamento e a maternidade foram novos lagartos até se transformarem em borboletas. Eu descobri que a metamorfose na vida é constante, cíclica e momentânea. Existe algo belo, simples e profundo o tempo todo para descobrir.

A verdade era que:

Sem Lagarta não Há Borboleta.