Sem Lagarta não há Borboleta.
6 A Festa (Parte 2)
Notas iniciais
—Babe você chegou! — Uma menina loira bem Barbie se jogou aos braços do Júnior se aproximando dos lábios dele, dando-lhe um selinho.
Foi quase involuntário meu sorriso de canto dos lábios enquanto eu bebia mais um gole na garrafa de cerveja. Assim que um garçom se aproximou de mim e da Ju, peguei duas bebidas destilada para nós. Nós nos afastamos dos meninos e começamos a procurar a Suzy, até que a encontramos.
—Meninas, como foi ? Me contem — A Suzy estava com brilho nos olhos.
— Conta pra ela — Eu respondi enquanto dava um gole na minha bebida.
— Eu achei o Ian chato — Juh afirmou.
— O QUE?? — A Suzy fez a mesma expressão que eu havia feito.
— É que... não sei. Ele só falou de números.
— Ele é tímido Juh. Dê uma segunda chance. O Ian é um dos amigos do Troy. Ele é muito incrível. — Suzy respondeu. Quase uma coach amorosa.
— E você? Ninguém interessante? — Suzy me perguntou e eu quase havia me engasgado.
— Eu sabia. — Suzy começou a rir. Eu olhei para a Ju e ela estava confusa. A Suzy tinha uma percepção impressionante.
— Mas ele tem namorada — Eu afirmei.
— Quem? — A Ju estava confusa, pois não havia percebido nada dentro do carro.
— Júnior, JR? Ele é o cara mais descompromissado que eu conheço. A loira é mais uma das meninas que ele fica. Mas ele é muito seu perfil não é? — Suzy sorriu enquanto eu apenas confirmei.
— Sabia que tinha alguma coisa acontecendo. — Ju afirmou e nós três rimos.
— Ele é um cara perfeito para algo casual e não relacional. Entende? — Suzy continuou. Eu havia entendido a mensagem, fazia tanto tempo depois do meu último namoro e eu não havia ficado com ninguém depois do meu ex. Tirando o fato de que recentemente meus amigos estavam no hospital e eu descobri que amava o namorado da minha melhor amiga, meu ex amigo de infância. Existe isso? Ex amigo de infância? Eu não sei... apenas fazia sentido na minha mente.
— Eu não sei... vamos nos divertir — Eu afirmei. Percebi que estava um pouco mais animada, talvez a bebida fosse esse escape. Ela literalmente revelava uma Alice dentro de mim, totalmente sem filtro social.
Aos poucos fui me sentindo mais "corajosa" e caminhei para a pista de dança. Naquele momento eu apenas deixava a batida da música conduzir o meu corpo. Eu senti que havia bebido bastante naquele momento, meu corpo estava um pouco dormente. Eu olhei para o lado e vi a Julia beijando o Ian. Eu comecei a rir que nem uma menina de 13 anos. A Suzy se aproximou de mim e continuamos a rir. Eu olhei para minha frente e vi o JR parado, me encarando com um cigarro nos lábios. Eu caminhei até ele, peguei o cigarro da boca dele e traguei. Ele tinha um olhar marcante e meu corpo respondia a isso. Eu o agradeci pelo cigarro acenando a cabeça e devolvendo para os lábios dele, retornando então para a pista de dança.
—Amo essa música — Eu berrei curtindo as batidas do Seven Nation Army que estava tomando conta do meu corpo. Aos poucos as músicas foram diminuindo a intensidade. Eu não sabia que horas eram naquele momento, mas o suficiente para saber que não havia ninguém em plena consciência.
— A piscina, por qual motivo ninguém entrou? — Eu perguntei pra Suzy.
— Lice... Não tem ninguém entrando. — Ela havia falhado. Quando eu bebia muito, era comum querer me jogar na água. Eu cresci em litoral e não sei explicar qual a ligação que eu tinha com: mar,piscina,rio... Sem perceber eu já estava tirando as minhas botas. Por sorte, eu estava com um short curto por baixo do vestido e havia colocado um sutiã novo.
Olhei a minha volta e não havia ninguém me olhando naquele momento, ainda assim tentava permanecer discreta. Eu tirei meu vestido e comecei a tentar a descer a escadinha da piscina. Assim que entrei, dei um mergulho e meu corpo começou a afundar na piscina até sentir o chão sobre minhas nádegas. Estava bem silencioso embaixo d'água, relaxei meu corpo. Estava tão silencioso naquele momento, que eu podia ouvir meus próprios pensamentos.
A bebida tinha um efeito momentâneo de muita alegria e depois uma tristeza tomava conta. Na minha memória a tristeza já estava ali, ela só foi potencializada. O acidente, meu assunto não resolvido com o John... era uma dor que eu queria abafar. Sem concluir nada, naquele instante eu senti alguém segurar meu corpo me puxando para a superfície. Eu não sabia ao certo quantos minutos eu passei ali embaixo. Mas pude sentir que foi o suficiente para subir a superfície e puxar o ar com toda a minha força.
— Você está bem? — O JR estava me olhando um pouco assustado.
— Eu estou sim. O que aconteceu? — Eu ainda continuava sem entender.
—Você ficou mais tempo lá embaixo do que o normal — Ele afirmou. Haviam poucas pessoas olhando para nós, em seguida subimos pela escadinha da piscina. Ele segurou o meu braço e começou a caminhar comigo para a casa da piscina. Eu ainda estava confusa sem entender muita coisa. Nós entramos na casa, que parecia uma edícula. Havia uma sala pequena, um quarto e um banheiro. Ele me entregou algumas toalhas e um roupão para vestir.
Não havia nada claro na minha mente naquele momento. Eu apenas o observei tirar a blusa toda molhada. O Júnior tinha um corpo atraente, mas meus olhos foram direto sobre uma cicatriz que havia quase imperceptível pela tatuagem enorme que havia em suas costas. Enquanto ele enxugava seus cabelos com uma toalha, involuntariamente meus dedos percorreram pela sua cicatriz. Ele virou seu corpo bem rápido, segurando a minha mão. Como se fosse um protesto para não tocá-lo.
— Deve ter doído muito. Eu lamento pela sua dor — Eu associei muito a cicatriz que pertencia ao John por causa do acidente. O Júnior deveria ter passado por algo semelhante ou pior.
— Quem é você? — Ele estava sem muita expressão. Isso fez com que meus lábios ficassem entreabertos. Foi um minuto de silêncio de nós dois naquele momento. O meu corpo estava bem próximo dele, eu podia sentir a minha respiração e calafrios percorrer pelo meu corpo como se fosse uma espécie de rede elétrica. Quem era você Júnior? Como explicar a reação do meu corpo com um desconhecido?
Sem pensar, involuntariamente eu estiquei meu corpo na ponta dos pés e aproximei meus lábios dos seus. Eu podia sentir o quão quente os lábios dele eram. Aos poucos afastei meu rosto e percebi que nossos lábios ainda estavam próximos. Ele já havia tirado a sua mão do meu punho e abaixado. Eu não conseguia pensar em nada, meu corpo estava respondendo ao dele de uma forma intensa.
Minhas duas mãos foram automaticamente para o seu rosto, fazendo segurar ele pela bochecha e puxando seus lábios para perto dos meus novamente. Aquele foi o momento que eu sabia que ele estava correspondendo. O nosso beijo foi ficando intenso enquanto seus braços envolveram a minha cintura apertando-a, enquanto nossos lábios deslizavam.
— Alice... Alice... — Aquela voz foi ficando mais alta, encerrando meu beijo com JR.
— Vamos ter que ir, a Ju acabou bebendo demais e precisamos levar ela pra casa — Suzy me entregou as minhas roupas e fez um sinal para o JR sair.
— Você está bem? — Ela me perguntou.
— Eu tô sim...o Júnior ele...
— Ele é lindo, gato, mas não presta. Lembra do que eu te disse?
— Sim, senhora — Eu sorri ainda um pouco bêbada. Porém, consciente o suficiente para terminar de me vestir. Nós duas caminhamos para fora do local.
— Essa edícula é conhecida como o matadouro do Júnior. — Suzy continuou
— O que?? — Como eu poderia ter sido tão ingênua assim? Era o que estava pensando. Mas.. eu estava confusa. Eu não queria algo casual? Por que estava me importando de ser só mais uma com o JR? Afinal, ele era assim pra mim também. O meu coração estava cheio demais para chegar algum intruso.
— Ele leva as meninas nas festas para essa casinha. Eu estava te procurando e foi aí que um dos amigos do Troy disse que o JR tinha te levado pra lá. — Suzy continuou
— Que safado — Falei enquanto ria da situação.
— Eu o beijei Suzy — Eu confessei.
— O que?? — Suzy parecia incrédula. Afinal, aquela era a primeira vez que eu tive uma iniciativa com algum cara. Pensando bem... acho que foi o primeiro beijo que roubei de um desconhecido.
— Eu senti muita coisa por ele. Eu não sei explicar. Era como se meu corpo fosse sensível e o conhecesse de alguma maneira. Eu senti calafrios e eletricidade pelo meu corpo. — Tentei racionalizar sem sentido.
— Alice, você está bêbada, nunca mais ficou com nenhum menino depois do seu ex e toda essa história do John é... confusa. É compreensível.
— Você tem razão Suh. O que seria de nós sem você? — Eu sorri enquanto me aproximava dela dando um beijo na sua bochecha.
— Viu? É disso que eu tô falando. Você fica mais melosa e com muito contato físico quando bebe. — Suzy concluiu.
Quando chegamos na festa novamente eu ainda tentei pegar mais uma bebida, mas a Suzy não deixou. A Ju estava ótima sentada junto com o Ian. Praticamente o novo casal formado do rolê. Nós duas caminhamos até um carro desconhecido.
— Eu levo vocês — Uma voz familiar afirmou. A Suzy me olhou e começou a sorrir, eu continuava sem entender nada. Eu olhei para o Júnior, ele estava entrando no banco do motorista do carro.
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