Sem Lagarta não há Borboleta.

8 O Silêncio da Biblioteca


Aquele final de semana não teve nada fora do padrão. Eu havia conseguido dar uma desculpa para a noite de jogos com a Laura e o John. Também não vi mais o JR na faculdade e muito menos no ciclo de amizade novamente. Eu na verdade estava exausta de tanto que estava estudando naquela semana, e foi numa quinta-feira enquanto eu estava na biblioteca da universidade fazendo alguma das atividades do professor que ele apareceu.

— Achei que nunca mais ia te encontrar — Uma voz sussurrou na minha orelha. Aquilo me fez arrepios. Foi algo totalmente inesperado. Eu tentei olhar para trás, mas a pessoa foi mais rápida demais sentando do meu lado na biblioteca. Era ele. O JR estava com uma camisa xadrez, uma calça larga preta e um tênis (bem estilo skatista). Pela claridade hoje dava para perceber que seus olhos eram cor de mel. Ele era ainda mais bonito do que eu me recordava.

—Que susto!! — Exclamei com uma respiração mais funda.

—Você estava tão concentrada assim? — Ele foi irônico.

—Não, vim aqui na biblioteca ficar flertando. — Eu sorri bem debochada e ele esboçou um sorriso.

—Foi bem difícil te encontrar. Quem hoje em dia não tem rede social? — Ele pareceu intrigado.

—Está conhecendo uma delas. — Eu sorri.

—A Suzy não quis me dar seu número — Ele continuou

—Vai ver ela sabe que boa coisa não é — Eu o respondi, porém a moça da biblioteca passou no nosso lado.

—Proibido conversar aqui dentro. Vocês sabem as regras. — A Bibliotecária nos alertou.

—Desculpe Sra. Ollie — JR respondeu imediatamente.

Eu tentei voltar a me concentrar no livro e ignorá-lo ali. Talvez ele fosse embora. Até que eu vi um papel amassado em cima dos meus livros. Assim que eu abri, estava escrito:

Jantar hoje? — JR

Eu escrevi imediatamente:

Não posso, tenho que estudar hoje.

Ele respondeu:

Não seja difícil, aquela noite você não foi.

Aquela frase me fez subir uma raiva dentro de mim, agora entendi que o JR era um babaca. Eu me levantei da mesa e fui pegando meus livros. Eu não quis nem olhar para a expressão do rosto dele, caminhei para fora da biblioteca em silêncio. Desci as escadas muito rápido, não havia percebido que já estava final de tarde, realmente passei muito tempo lá dentro.

— ALICE... — Ele segurou meu braço me fazendo parar de caminhar. Sem pensar duas vezes, puxei meu braço e me virei de frente pra ele.

— Você foi um babaca e sabe disso — Eu fui mais ríspida.

— Eu sei. Me desculpa por isso. Eu não quis falar daquela forma — Ele colocou uma das mãos nos cabelos dele.

— Tudo bem, desculpado. — Me virei para frente para continuar andando, porém ele correu e parou de frente pra mim.

—Eu realmente quero sair para jantar com você. Eu quero te conhecer — Ele continuou insistindo.

—Eu sou mais uma que beijou você JR. O que mais você quer de mim? — Eu tentei ser mais o realista possível.

— Eu estou interessado em você e fui sincero sobre isso. Porque está tão fechada Alice?

A pergunta dele fez meu corpo estremecer. Eu sabia do que eu estava me fechando. O JR era perigoso pra mim naquele momento, eu estava sensível, frágil e meus sentimentos ainda eram uma completa bagunça. Eu iria me machucar mais ainda? Ele era uma grande placa de alerta pra mim: NÃO SE ENVOLVA. Era essa frase que meus instintos diziam. Eu não tinha emocional e nem cabeça de criar algo com mais ninguém. Os meus sentimentos pelo John já tinham me ferrado o suficiente.

— Você tem razão. Eu vou ser direta com você. Eu amo alguém e eu nunca ficarei com essa pessoa. Eu não sei se tenho emocional e cabeça pra jantar com alguém. — Eu não sei se aquilo fazia sentido, ao mesmo tempo não queria parecer arrogante.

— Eu só estou te chamando pra jantar e não para casar. Calma aí — Ele sorriu e isso me fez com que esboçasse um sorriso de volta.

— Ok. Um jantar — Eu acenei com a cabeça.

—Hoje você consegue? As 20 horas? — Ele me perguntou e fui checar na minha agenda se eu continuava com o horário livre.

— Eu consigo sim — Afirmei.

— As 20 horas te busco na sua casa tá bom? — Ele respondeu.

— Tudo bem. — Eu confirmei e suspirei aliviada. Talvez aquilo se encerrasse aquela aquele capítulo que eu abri. Nunca mais eu o veria. Era isso que queria acreditar. Ele não passaria de algum babaca, vazio que não me faria se interessar durante um jantar. Era totalmente só físico, desde que não estivéssemos próximos estava tudo bem.

— Pode me dar seu celular por favor? — Ele me perguntou. Sem pensar muito entreguei para ele. Ele digitou o número dele e salvou.

— Pronto. Salvei meu número e já mandei uma mensagem pra mim. Tenho seu número agora. Até as 20 horas — Ele acenou e saiu andando pela universidade.

O que tinha acontecido? Eu ainda não havia processado nada daquilo. Eu olhei para meu celular e já eram 17 horas. Eu precisaria confirmar a história com a Suzy sobre o fato dela não dar meu número para ele. Será que algo tinha acontecido? Eu fui para o meu apartamento. Chegando lá, não vi as meninas em casa. Sem esperar muito mandei uma mensagem pra Suzy falando sobre o JR.

Me encontre na sala em 10 min — Suzy

Após os 10 minutos encontrei a Suzy na sala. Contei todo o ocorrido com o JR na biblioteca e principalmente o fato dela não ter passado meu número pra ele. Será que ela tinha alguma informação? Eu queria ouvir os conselhos dela.

— Eu preciso dizer que o JR está mesmo interessado. Eu só não estou mais preocupada, pois sei que você precisa também superar o John. Mas não escolheria o JR para você superar o John. — Ela foi sincera. Eu amava a Suzy por isso.

—Existe algo do JR que você quer me contar? — Eu tentei buscar mais informações.

— A família dele tem bastante dinheiro. O JR já se meteu em muita confusão no passado. O histórico dele com as mulheres também não são uma das melhores. O Troy e ele são amigos desde o colegial e o Troy me disse que ele foi sempre iludiu as mulheres. — Suzy me respondeu.

— Acha que devo cancelar o jantar com ele? — Eu ainda estava confusa

— É só um jantar não é? Se acontecer alguma coisa você me liga e me manda mensagem que você está bem, tá bom? — A Suzy era uma amiga leal e preocupada. Eu amava isso nela. Eu acenei com a cabeça, afirmando que sim. Só de pensar que daqui algumas horas estaria me encontrando com ele novamente, me fez sentir um embrulho no estômago. Talvez aquela história se encerraria naquela noite ou... talvez não.