Sem Lagarta não há Borboleta.
3 Inacreditável
Notas iniciais
— O que aconteceu? — Eu perguntei novamente
— Laura e John sofreram um acidente de carro – Julia falou.
— Como assim? – Meus olhos arregalaram e meu coração disparou. Eu não conseguia entender e nem imaginar uma cena dessas. Eu só queria que elas me falassem que era uma brincadeira sem graça. Mas pela expressão no rosto delas, era verdade.
—Até onde sabemos a Lah está bem, teve algumas fraturas e está se recuperando. – Julia continuou.
— E o John? – Eu realmente senti minha boca seca nesse momento e meu coração apertar.
— O John está em cirurgia agora. A Hellen me pediu pra te levar no hospital assim que você chegasse em casa. – Suzy continuou.
Eu não pensei direito e fui com elas para o hospital. Eu não acredito como tudo aquilo poderia ter acontecido. A horas atrás eu estava conversando com a Lah no café e agora... essa tragédia. Acidentes são difíceis, não existe uma preparação na vida para você lidar. A notícia simplesmente aparece de surpresa no seu dia normal e comum. A gente nunca imagina que algo assim pode acontecer próximo de nós.
— Eu tenho certeza que o John vai sair dessa – Suzy falou no carro.
— Eles te contaram o que aconteceu exatamente? – Eu perguntei enquanto ainda minha mente tentava processar.
— Me falaram que ele perdeu o controle e bateu no poste. Foi essa a história que ouvi. E foi mais no lado do John. Ele estava com sérios ferimentos e entrou em cirurgia . – Suzy concluiu.
—Não consigo nem imaginar como os pais deles estão agora – Julia suspirou.
Os pais do John eram melhores amigos dos meus pais quando eles eram mais jovens.Assim que chegamos no hospital, lembro de ter visto a tia Kelly e tio Rubem sentados na cadeira abraçados e tensos. Pela expressão deles dois, ambos haviam chorado muito. Eu ainda estava paralisada, em choque. E foi aí que vi uma mulher me abraçar forte. Eu tive certeza que era a minha mãe.
— Muito obrigada por trazer ela meninas. Onde você estava? – Minha mãe também estava com o rosto em lágrimas. Do lado dela, estava meu pai que ainda estava com a reação parecida com a minha.
— Meu celular, a bateria acabou ... Eu estava fazendo tarefa – Eu não conseguia concluir direito a frase. Mas acredito que a minha mãe tinha entendido.
— E a Laura? – Eu perguntei pra minha mãe.
— Ela está bem. Eu encontrei a mãe dela.
— E o John? — Eu não esperei minha mãe terminar a frase.
— Os médicos disseram que o caso dele é bem delicado. Teve algumas fraturas, mas o que mais preocupa eles é o ferimento na cabeça.
—Se ele sair dessa vai ser algo bem dolorido – Meu pai concluiu. Meu pai era médico, então ele sabia do que estava por vir no melhor cenário.
— Ela vai sair Ryan – Minha mãe olhou para ele bem séria.
— Querida, acho melhor você falar com os Rupert’s. – Minha mãe falou assim que eu terminei de dar um abraço no meu pai. Enquanto eu caminhava em direção aos pais do John, meu rosto começou a ficar mais quente e senti que minhas emoções borbulhavam dentro de mim.
— Alice querida... – A Tia Kelly ficou em pé e me abraçou. Nesse momento, eu senti algumas lágrimas escorrerem no meu rosto. Ela era sempre tão calorosa e realmente passou um filme na minha cabeça da minha infância. Da nossa família reunida em todo verão e festas.
—Como... ele... está? – Eu quase não conseguia falar. Ela gentilmente colocou a mão no meu rosto e limpou minhas lágrimas.
— Ele está em cirurgia agora. O médico não deu previsão pra terminar. Essas cirurgias são longas. – Eu olhei para o lado e estava o tio Rupert, que também era muito querido e caloroso. Eu o abracei e realmente me segurei novamente para não chorar.
— Eu sei que o John é forte e ele vai sair dessa. Já já ele vai roubar meus doces novamente – Ambos sorriram da lembrança de infância que tínhamos. O John e eu sempre brigávamos pelo doce que ele roubava toda vez que me via. Em especial, era o pirulito. Eu já havia perdido as contas de quantas vezes isso aconteceu.
Dentre esse cenário, após passar 1 hora, ainda sem notícias da cirurgia do John. A Suzy e a Julia foram embora para casa. Meu pai, eventualmente teve um chamado do trabalho e precisou ir embora. Depois de tentar me recompor um pouco, tentei pensar se eu aguentaria e conseguiria ver a Lana.
— E a Laura? – Eu perguntei para minha mãe, enquanto estávamos sentadas, uma do lado da outra.
— Ela está bem. Eu conversei com a mãe dela, ela só teve um braço quebrado e leves machucados no corpo.
— Que alívio – Eu suspirei.
— Você vai vê-la? Ela está no 4° andar no 407 – Minha mãe afirmou.
— Eu quero vê-la sim. Mas... não sei se consigo mentir para ela sobre o John.
— Ah querida, ela sabe. Ela já sabe que o John está em cirurgia. – Quando minha mãe falou isso, senti um alívio por não ter que passar por aquela situação.
— Eu vou lá, mãe. Você não quer dormir lá em casa?
— Você sabe que eu não consigo deixar os Rupert’s. – Minha mãe deu um leve sorriso.
A amizade deles era algo que eu realmente invejava na vida. Eles passaram por tanta coisa juntos. A minha mãe e tia Kelly estudaram juntas na faculdade. A tia Kelly conheceu o Rubem, que apresentou meu pai para minha mãe. Então ambos, literalmente fundaram nossa família. Eles haviam passado por tantas coisas juntos. Que eu considerava eles como meus tios biológicos.
— Eu vou lá. Quer algum café? – Perguntei.
— Sim, traz 3 para nós. – Ela sorriu gentilmente.
Eu caminhei até o quarto andar para procurar o quarto da Lah. Até que finalmente conseguir achar e encontrar. Eu suspirei fundo, imaginando que eu estaria bem emocionada vendo ela.
— Lah – Eu entrei e percebi que ela estava sozinha.
— Lih – Ela assim que me viu começou a chorar. Eu caminhei até a ela e dei um abraço leve, com medo de machucar. Mas isso só fez ela me abraçar ainda mais forte.
— Como você está? – Eu a perguntei.
— Eu estou bem. Alguma notícia do John? –Ela parecia um pouco ansiosa.
— Ainda não. Estou lá em baixo, ainda sem notícias.- Conclui.
— Eu... estou feliz de te ver e... obrigada por vim aqui – Ela pareceu mais calma e me abraçou de novo.
— E a sua mãe?
— Ela foi pegar um café e já volta.
Conversei mais alguns minutos com a Laura, não perguntei nada do acidente e pela primeira vez ela não contou nada com detalhes. Eu imagino que essas memórias sejam dolorosas para serem acessadas. Assim que terminei de falar com ela, caminhei até o hospital em busca de alguma máquina, lanchonete... qualquer coisa que vendesse algum café. Enquanto eu caminhava com 3 cafés em direção aos pais do John e minha mãe, só vinha um pensamento:
“ Fica bem John, por favor.”
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