Sem Influência

9 Capítulo 9 – O diário


Notas iniciais
Oi, gente! Tudo bem? Espero que sim! Tenham uma boa leitura!

Sakura e Sasuke resolveram ir juntos colocar Indra e Ashura para dormir depois dos convidados irem embora. Então, os dois leram uma história para os gêmeos, que não demoraram a adormecer. Ambos estavam cansados depois do dia intenso que tiveram. Assim que saiu do quarto, o ex-casal não sabia muito bem como se despedir, por isso a Haruno resolveu quebrar o gelo e chamar Sasuke para tomar um vinho com ela como nos velhos tempos.

— Só uma taça. – Disse Sakura.

— Ok, mas com você eu beberia uma garrafa inteira. – Declarou Sasuke, acompanhando a ex até a sala de estar.

— Você lembra que tomar vinho juntos foi uma das primeiras coisas que fizemos quando trouxemos Sarada para cá pela primeira vez? – Lembrou Sakura, servindo o vinho a Sasuke.

— Nunca me esqueceria. Aliás, se eu pudesse, acho que voltaria no tempo para consertar meus erros com você. – Revelou Sasuke e então bebeu parte do líquido em sua taça.

— Eu não guardo mágoa de você, Sasuke. Quero muito que saiba isso. – Confessou Sakura, bebendo em seguida também.

— Então, por que nosso casamento acabou? – Questionou Sasuke.

— Nós somos opostos, Sasuke. Por muito tempo, eu me recusei a ver isso, mas nós funcionamos melhor separados. Viu como a nossa relação se tornou mais saudável após o divórcio? – Rebateu Sakura.

— Você acha que, se voltar pra mim, vou continuar cometendo os mesmos erros? – Indagou o Uchiha.

— Não sei dizer. Como disse antes, eu preciso de tempo. Eu preciso me restabelecer primeiro, entender quais são as minhas novas necessidades como mulher. Eu sou a mãe dos seus filhos, mas não sou só isso, Sasuke. – Afirmou Sakura.

— Eu entendo. E saiba, Sakura, que você é mesmo muito mais que a mãe dos meus filhos. Você é o amor da minha vida. – Disse Sasuke e Sakura sorriu.

— Sou mesmo? Pensei que fosse Karin. – Respondeu a Haruno.

— Lá vem você falando da minha falecida esposa... – Chateou-se Sasuke.

— Por que ela é um tabu para você? Você deveria tratar sobre esse assunto na sua terapia. – Sugeriu Sakura.

— Ela morreu, Sakura. Acho que é o suficiente para que eu não queira ficar ressuscitando ela na minha vida. – Respondeu Sasuke.

— Vou te dar a minha visão da situação. Você é totalmente apegado à imagem idealizada que tem sobre Karin. Mesmo que qualquer outra pessoa diga que ela não era tão incrível quanto você julgava, você sempre a defende.

— Eu a defendo porque ela não está mais aqui para fazer isso. O que custa preservar a memória dela? Eu sei que ela não era perfeita. Quem é? Nem eu sou perfeito. Muito menos você. Mas Karin ficou ao meu lado, ela sacrificou seu futuro por mim e o mínimo que posso fazer é ser grato a ela. Você não entende?

— Você me escolheria se ela ainda estivesse viva? Sabe, eu tenho me feito muito essa pergunta nos últimos tempos...

— Eu escolheria você. É isso que quer ouvir? Pronto! Já tem sua resposta...

— Você está dizendo por que é o que eu quero ouvir? Ou está dizendo por que é verdade?

— Faz alguma diferença?

— Claro que faz, Sasuke!

— Estou dizendo isso porque é o que tem que ser dito. Você não merece ouvir outra resposta.

— Eu mereço ouvir a verdade. Seria Karin a escolhida, não seria? – Insistiu Sakura.

— Eu amava Karin antes. Eu amo você agora. Hoje, entre você e ela, escolheria você.

— Vamos imaginar que Karin ressurgisse hoje viva. O que você diria a ela sobre nós? – Perguntou Sakura curiosa.

— Diria para Karin me perdoar por todo mal que fiz a ela, que sinto vergonha da merda de marido que eu fui, que ela merecia muito mais e que hoje eu amo você, Sakura. – Afirmou Sasuke com lágrimas nos olhos, se lembrando da falecida.

— Dói tanto assim se lembrar dela? – Perguntou Sakura, comovida com as lágrimas de Sasuke.

— Se você tivesse convivido com Karin nos seus últimos meses de vida entenderia a minha dor. – Respondeu Sasuke.

— O que aconteceu naquela época? Mikoto me disse que ela não era uma boa mãe para Sarada.

— Karin queria ser uma boa mãe para Sarada. No entanto, ela era inexperiente, cheia de medos, dúvidas, sempre chamava a minha mãe por medo de errar. Um dia, desviou a atenção de Sarada por alguns minutos e foi o suficiente para ela cair da escada de casa. Eu não estava no momento, só minha mãe estava e quando cheguei berrei com ela. Foi a pior briga que tivemos em todos os tempos. A minha filha poderia ter morrido por causa daquela queda. Falei que ela rejeitava Sarada, ela gritou que era mentira, ela me xingou de tudo quanto é nome, bebeu muito e na hora do jantar pegou o carro para dar uma volta. Quando me dei conta já era tarde demais. Ela já tinha levado o carro. Eu fiquei com Sarada e disse para meus pais que não iria atrás de Karin porque ela só queria chamar atenção. Horas depois, recebemos uma ligação. Karin tinha se acidentado e morrido já no hospital. Quando cheguei lá, fiquei desesperado. Ela morreu por minha culpa, Sakura. – Relatou Sasuke.

— Ela morreu num acidente, a culpa não foi sua. – Sakura abraçou Sasuke.

— Se eu não tivesse a culpado pela queda da Sarada, ela ainda estaria aqui. Se eu não tivesse dito naquela briga que não queria ela perto da minha filha nunca mais, ela ainda estaria aqui. – Revelou Sasuke.

— Você só quis proteger Sarada, Sasuke você não tem culpa da reação da Karin. – Afirmou Sakura.

— Ela só tinha a mim e eu falhei com Karin. Por isso, quero honrar a memória dela. Me desculpe se isso incomoda você, Sakura.

— Eu agora entendo, Sasuke. Eu não imaginava que você se culpava pelo acidente. Foi por isso o luto por tantos anos? – Questionou Sakura.

— Jamais tive a intenção de colocar outra mulher na minha vida depois dela. Isso durou até você chegar e mudar tudo...

— Você já falou sobre isso com mais alguém?

— Não, nunca falei.

— Você devia falar isso na terapia. Acho que a sua terapeuta, melhor do eu, pode saber como tirar isso da sua cabeça. Você não tem culpa, Sasuke.

— Eu prometo falar disso na terapia. Agora, acho melhor a gente parar com esse assunto. Vim tomar vinho com você na esperança de te ter de volta e aí isso acaba virando uma sessão de confidências durante a madrugada. – Disse Sasuke pronto para se levantar, mas Sakura o segurou.

— Obrigada por dividir esse peso comigo. – Afirmou a Haruno.

— Cometi com você erros muitos parecidos que também fiz com Karin. Sinto muito Sakura. Não fui bom pra ela nem pra você. – Confessou Sasuke.

— Você não foi o melhor marido do mundo, mas também está longe de ser o pior. Não se martirize tanto. Mesmo que nós dois não voltemos a nos relacionar como homem e mulher, quero muito que possamos conviver bem, Sasuke. Eu te respeito muito e sou grata pela família que temos. – Disse Sakura.

— Eu não quero sua gratidão Sakura, desejo o seu amor. – Respondeu o Uchiha, pegando Sakura de surpresa.

— Faça por merecer esse amor. – Exigiu Sakura.

— Estou me esforçando para isso. – Garantiu Sasuke, então beijou o topo da cabeça de Sakura e seguiu até o quarto de hóspedes para dormir.

— Boa noite. – Sussurrou Sakura ao vê-lo longe.

[...]

Itachi estava triste por não ter passado o aniversário de Sasuke com o irmão, mas garantiu de ligar para ele no dia. O Uchiha mais velho sabia que o caçula precisava ir atrás de Sakura para mostrar seu arrependimento. Então, resolveu passar na casa dos pais com um presente assim que o irmão voltara de viagem.

— Como foi com Sakura em Nova York? – Perguntou Itachi ao irmão, após entregá-lo o presente.

— Foi bom. A surpresa deu certo, mas ela não quer retomar o casamento. Obrigada pela camisa. Estava precisando de uma mesmo. – Agradeceu Sasuke pelo presente.

— De nada. Ah, que pena! Seus esforços um dia serão válidos. – Disse Itachi.

— Ela está aberta à possibilidade, mas não será fácil. – Comentou Sasuke.

— Por quê? Ela sempre te amou. – Perguntou Itachi curioso.

— Eu preciso melhorar meus defeitos como marido. Você sabe que não fui bom para Sakura assim como também não fui com Karin. – Apontou Sasuke.

— A terapia não tem ajudado?

— Tem, mas falta muito ainda. Sakura encasquetou que eu tenho que tirar a culpa que sinto pela morte da Karin dos meus ombros.

— Você se culpa pela morte dela? – Perguntou Itachi e Sasuke assentiu – Mas não deveria irmão.

— Eu sei que foi um acidente, que ela tava alcoolizada, mas se a gente não tivesse brigado...

— Você errou com ela sim várias vezes, mas a morte dela não é culpa sua. Foi um acidente. – Afirmou Itachi.

— Até hoje eu me pergunto por que ela saiu escondido com o carro depois de beber. – Revelou Sasuke.

— Talvez, ela só quisesse ficar longe de você naquele momento. – Sugeriu Itachi.

— Pode ser. Aliás, eu me lembro que você chegou naquele dia primeiro no hospital que eu... Como te avisaram primeiro? – Perguntou Sasuke e Itachi hesitou em responder.

— Eu... – Itachi ia responder, mas então Mikoto aparecer.

— Meu filho! Você por aqui! – Disse Mikoto, abraçando Itachi em seguida – Lembrou-se do seu irmão e da sua velha mãe foi?

— Eu sempre me lembro da senhora, só estava ocupado demais no hospital. – Respondeu Itachi.

— Venha mais vezes! Seu pai te vê mais por causa do hospital, mas também sinto saudade e preciso de você por aqui. Agora tenho Sasuke debaixo da minha asa novamente, mas a família fica incompleta sem você. – Disse Mikoto.

— Eu sei mãe. Prometo vir mais vezes e trazer Izumi. – Respondeu Itachi.

— Aliás, como está Izumi? – Questionou Sasuke.

— Ela está bem. Tem se envolvido com o orfanato da cidade, onde adotamos Obito. Ela faz algumas ações por lá semanalmente como voluntária. Também anda bastante ocupada. – Disse Itachi.

— Seu filho também esqueceu que tem avós. Nunca mais apareceu... – Reclamou Mikoto.

— Ele tem trabalhado muito também e Chouchou toma o tempo restante dele. – Revelou Itachi.

— Todos tão ocupados! É uma pena. O que meus filhos estavam falando antes da minha chegada? – Quis Saber Mikoto.

— Sobre o dia do acidente da Karin. A senhora lembra que Itachi já estava lá quando nós chegamos? – Comentou Sasuke.

— Sim, eu me lembro. Seu irmão chegou primeiro porque o nome dele era o contato de emergência de Karin no celular. – Relatou Mikoto.

— Por que será que ela colocou o seu número lá e não o meu? – Questionou Sasuke.

— Não sei. – Mentiu Itachi.

— Pra que falar disso agora Sasuke? Já faz tanto tempo... – Indagou Mikoto.

— Por nada... Só curiosidade mesmo. – Respondeu o caçula.

— Gente, eu preciso ir – Itachi olha o relógio – Não posso me atrasar para o trabalho.

— Vai lá irmão... Outra hora conversamos mais. – Incentivou Sasuke.

— Tenha um bom dia de trabalho, filho. – Disse Mikoto, abraçando o filho antes de vê-lo sair.

— Até mais! – Despediu-se Itachi.

[...]

Itachi saiu da casa dos pais um pouco nervoso. Não entendia a curiosidade de Sasuke pelo dia em que Karin morreu. Não batava seus pesadelos terem voltado e a irmã de Karin estar próxima, ele ainda tinha que ouvir falar da falecida o tempo inteiro? Assim que pisou no hospital, para completar, ele ainda esbarrou sem querer em Karine.

— Oh, desculpe senhor Uchiha! – Disse Karine, ajudando Itachi a apanhar sua pasta.

— Tudo bem, Karine. Obrigado. – Respondeu o Uchiha, se levantando do chão e pegando a pasta das mãos da ruiva.

— O senhor parece preocupado. – Observou Karine.

— Impressão sua. – Disse Itachi.

— Ok. Ah, podemos almoçar hoje juntos? Tenho umas perguntas para o senhor sobre o diário da minha irmã. – Disse Karine.

— Não sei se vou ter tempo... – Respondeu Itachi.

— Eu posso esperar para almoçar na hora que o senhor puder. – Afirmou Karine, então Itachi percebeu que ela não desistiria.

— Ok. Passo por aqui na hora que for almoçar. – Falou Itachi e arrancou um sorrido de Karine.

— Obrigada, senhor. – Disse a ruiva.

[...]

Na hora do almoço, Itachi foi com Karin até a cantina do hospital para que comessem juntos. A ruiva tinha muitas dúvidas sobre o diário da irmã e, sabendo da ligação que ela tinha com o Uchiha mais velho, decidiu pressioná-lo.

— Espero que possa te ajudar com o que sei. – Disse Itachi enquanto almoçava.

— Eu também espero que possa, senhor. O diário de Karin é como um quebra cabeça pra mim. Tem muitas lacunas. Então, eu fico quebrando a minha cabeça pra entender como era a vida dela antes da morte. – Começou Karine.

— E o que você não entendeu? – Questionou Itachi.

— Eu sei que casar com Sasuke era o que Karin mais queria. Também entendi que depois de se casar, ela viu que o marido não correspondia às suas expectativas. Para piorar, ser mãe de Sarada era outra dificuldade da relação. Por mais que ela tentasse ser boa para a menina, algo a impedia. Então, as anotações do diário vão ficando cada vez mais distantes uma da outra e num dos últimos trechos que tenho – pois faltam outros que não sei quantos são – ela escreveu algo que dá a entender que o casamento tava chegando ao fim. Mas não sei se estou certa sobre isso... Ela queria se separar do Sasuke nos últimos meses de vida, Itachi?

— O que ela escreveu? – Perguntou Itachi, então Karine tirou o papel da bolsa e leu.

— Ela escreveu: “Não dá mais pra mim. Esta casa, essa família, coisas, obrigações... Tudo me sufoca. Ah, Sasuke, lamento tanto por nós. Não existimos mais. Eu desisti de você. Por que não me liberta dessa prisão?

— Ela estava muito triste nos últimos meses de vida. Ela pensava em se separar, sim, mas não acho que faria. Ela só tinha o Sasuke. Desistir dele significava ficar só. – Contou Itachi.

— Sinto pena da minha irmã. Se eu soubesse da existência dela antes, talvez, eu pudesse ter ajudado. Se ela me conhecesse, não ficaria só. – Respondeu Karine.

— Por favor, não se culpe pelo o que aconteceu com ela. – Pediu Itachi e colocou sua mão sobre a de Karine, que agora estava com lágrimas nos olhos.

— Por que você não a ajudou? Ela confiava em você, Itachi. – Disse Karine e Itachi ficou sem palavras.

— Eu não podia ajudá-la, não do jeito que ela queria. – Revelou Itachi.

— Por quê? – Questionou Karine ainda segurando a mão de Itachi.

— Ajudar Karin era trair minha família. Entre ela e eles, eu fiquei com os Uchiha. – Confessou Itachi, visivelmente abalado pelas lembranças.

— Acho que acabei de me decepcionar com você. – Karine então soltou a mão de Itachi.

— Como assim?

— Karin não escreveu muito sobre você no diário, mas o pouco que disse me fez entender que ela sentia muito carinho por você, que ela confiava em você. Por isso, me aproximei mais de você do que Sasuke. De verdade, acreditei que você pudesse me ajudar a desvendar os mistérios da minha irmã, mas agora vejo que você mentiria pra mim e esconderia tudo pra proteger sua família.

— O que você acha que a minha família fez com Karin?

— Ninguém lá gostava dela. Sasuke dizia que a amava, mas não agia como tal. Sua família fez minha irmã sofrer e eu só quero entender o que aconteceu.

— É dinheiro que você quer dos Uchiha?

— Dinheiro nenhum paga o mal que Sasuke fez a Karin.

— Karin também fez mal a Sasuke.

— Que não era um relacionamento saudável nós já sabemos.

— Karine, eu peço perdão em nome de minha família por toda dor que os Uchiha causaram à Karin. Sua irmã merecia muito mais do que foi dado a ela em vida. Eu quero que me deixe ajudá-la a desvendar os mistérios da sua irmã. Eu vou esclarecer tudo pra você.

— Mesmo que isso magoe a sua família?

— Mesmo assim. Eu só te peço um tempo. Pode ser?

— Pra que?

— É uma história difícil pra mim também. Não falo de Karin dessa forma desde que ela faleceu. Primeiro, preciso pensar mais a respeito. Você me dá esse tempo?

— Quanto tempo?

— Não sei. Quando eu estiver pronto, procuro você e falo tudo o que sei.

— Tudo bem. Tenho todo o tempo do mundo, não estou indo para lugar algum. Me mudei para Konoha para ficar aqui pra sempre.

— Ok. Obrigado pela compreensão. Agora, preciso voltar ao trabalho. Depois nos falamos – Itachi terminou de comer e saiu, deixando Karine sozinha.

— O que você esconde, Itachi? – Perguntou Karine em tom baixo para si mesma ao ver o Uchiha mais velho sair.

[...]

Como Sakura havia recomendado, Sasuke resolveu falar sobre Karin em sua sessão de terapia. Ele precisava trazer a memória da ex-esposa à tona para tirar a culpa que sentia dentro de si.

— Por que resolveu falar de Karin? Você disse que era um assunto resolvido. – Pontuou Tayuya.

— Minha ex-mulher quer que eu fale sobre ela porque me sinto culpado pela morte de Karin. – revelou Sasuke.

— Você nunca comentou que se sentia culpado. – Disse a terapeuta.

— Porque eu não gosto de ficar me lembrando da culpa que sinto. Tem dias que esqueço que essa culpa existe, mas em outros ela volta e me atormenta.

— Você disse que Karin foi alguém que você amou, que respeita a memória dela, que é grato a tudo que ela fez por você. Não é o suficiente para tirar essa culpa de você?

— Acho que não. Ela só pegou aquele carro porque nós brigamos naquele dia.

— Você sabe pra onde ela estava indo?

— Não, não tenho ideia. Eu disse pra ela que não a queria perto da minha filha nunca mais. Talvez, Karin estivesse tentando fugir quando bateu o carro.

— Numa das nossas sessões, você mencionou o diário de Karin. Ele não pode ajudá-lo e tirar essa culpa de você?

— O diário só reforça o monstro que eu fui com ela. Ali Karin escreveu todas as vezes que errei com ela. Acho que nunca o joguei fora por isso...

— Acho que vai ser doloroso, mas você pode me contar exatamente tudo o que aconteceu no dia da morte dela? Quem sabe analisando tudo a gente ache a chave que vai libertá-lo dessa culpa...

— Ok. Era uma sexta-feira. Eu fui trabalhar normalmente, mas acabei faltando minha aula na faculdade porque a minha mãe ligou dizendo que Sarada tinha caído da escada. Voei pra casa, gritei com Karin por não ter tomado conta da filha direito e corri para o hospital com Sarada. Por sorte, ela só quebrou o braço, engessamos e ficou bem. Quando voltei pra casa, tive a pior briga do mundo com Karin.

— Você a culpou pela queda da criança?

— Sim, ela era culpada. Minha mãe estava na cozinha e Sarada no quarto com Karin. Ela se distraiu e a menina caiu. Poderia ter morrido! Foi irresponsável como mãe...

— Ela se magoou com o que o senhor disse e fugiu em seguida?

— Não. Depois da briga, ela se trancou no quarto com bebida alcoólica e ficou lá o resto do dia. Um pouco antes do jantar, eu estava com a minha mãe e Sarada na cozinha quando ouvimos o barulho de um carro saindo da garagem. Era Karin. Ela saiu bêbada e resolvi não ir atrás porque pensava que ela só queria chamar a atenção.

— Você pensou que era só mais um ato de infantilidade dela e aí se culpa por não ter dado a devida importância?

— Sim, talvez, se eu tivesse sido mais compreensivo ela ainda estivesse viva.

— Mas você não pode se culpar pelas decisões que ela tomou. Você não tinha como prever o acidente...

— Sim, não podia evitar o acidente diretamente. Mas, se eu tivesse me esforçado para conversar com ela, insistido para ela não beber, sei lá... Eu poderia ter agido de outra forma.

— Você precisa se perdoar Sasuke. Sakura tem razão nisso.

— É fácil falar, mas não parar de pensar dessa forma é difícil.

— Por que você não faz uma visita ao túmulo de Karin e pede perdão a ela?

— Eu faço isso todo mês quando vou visitar o túmulo.

— Entendi. Não surte efeito. Por que você não fala com a irmã gêmea dela? Talvez, se ela o perdoar, você também se perdoe.

— Procurar Karine pode ser uma boa ideia. Vou tentar.

[...]

Karine se surpreendeu ao ver que Sasuke estava ligando pra ela. Assim que atendeu, o Uchiha foi sucinto e apenas informou que gostaria de vê-la em sua casa após o expediente dela no hospital. Então, pela primeira vez, a ruiva foi visitar o lugar onde sua irmã passou os últimos meses de sua vida: o casarão da família Uchiha.

— Oi, Karine. – Disse Sasuke ao atender à porta.

— Oi, Sasuke. Fiquei surpresa com a sua ligação. – Respondeu a ruiva.

— Eu preciso conversar com você. Além disso, acho que você morria de curiosidade de conhecer o lugar onde Karin morou antes de falecer. – Falou o Uchiha, dando espaço para Karine entrar.

— É uma bela casa. – Observou a gêmea de Karin ao andar pelo jardim e reparar o tamanho da propriedade.

— Meus pais tem essa casa desde que se casaram. Eu e meu irmão fomos criados aqui, assim como Sarada. Só Indra e Ashura cresceram na casa que construí com Sakura, que fica próxima daqui. – Informou Sasuke.

— Karin gostava dessa casa? – Perguntou Karine.

— Na época do namoro, ela adorava. Quando viemos morar aqui após o casamento, não foi por querer, mas por necessidade. – Revelou Sasuke.

— Ela não falava muito sobre isso no diário. – Comentou Karine já na sala de estar.

— Eu sei. Bem, vamos conversar no escritório. É mais reservado. Minha mãe está arrumando os quartos, mas pode chegar a qualquer momento e nos atrapalhar. – Pontuou Sasuke.

— Ok. – Concordou Karine, seguindo Sasuke até o escritório.

— Sente-se. – Pediu Sasuke, apontando o sofá dentro do escritório.

— Tem uma foto de Karin aqui. – Disse Karine boquiaberta, apontando para o porta-retrato.

— É a foto do aniversário de dois anos de Sarada. – Disse Sasuke, pegando a foto e entregando para Karine – Estamos eu, Sarada, Karine, Itachi, e meus pais.

— Ela parecia feliz aqui. – Comentou Karine.

— Lendo o diário a gente tem a impressão que Karin foi mais triste do que feliz, mas não é verdade. Ela foi muito feliz aqui por um tempo.

— Nos últimos meses de vida, ela não parecia feliz.

— Sim, ela estava triste naquela época. Eu sinto muito. Aliás, é por isso que te chamei.

— Pra que?

— Quero pedir perdão a você pelo mal que fiz a Karin. Eu me sinto culpado pela morte dela. – Disse Sasuke se ajoelhando perante Karine.

— Levante-se, Sasuke. Até onde eu sei foi um acidente de carro. É claro que ela estava triste e decepcionada com você, mas você não é culpado por ela ter batido o carro.

— Que bom que pense assim. Mas quero que me perdoe pelos meus erros em nome de Karin. – Sasuke continuou ajoelhado.

— Eu te perdoo. Sasuke, eu só quero entender o que aconteceu com a minha irmã. Tem uma peça que não se encaixa.

— Que peça? – Sasuke finalmente se levanta.

— Eu não sei. Tem uma parte faltando do diário. Você não sabe mesmo o que aconteceu? Talvez, a parte que falta seja o que esclarece a tristeza da Karin, por que ela pegou um carro após beber, algo que nos mostre por que ela estava fugindo.

— A minha briga com ela parece motivo suficiente. – Respondeu Sasuke.

— Não estou convencida disso. – Afirmou Karine.

[...]

Itachi estava em casa olhando uma pasta cheia de papéis quando foi surpreendido por Izumi.

— O que está fazendo, querido? – Perguntou Izumi.

— Estou lendo partes do diário de Karin, os textos sobre mim. – Revelou Itachi.

— Primeiro os sonhos, agora isso. Aconteceu algo que eu deva saber? – Questionou Izumi preocupada com o marido.

— Karine está me pressionando para saber o que aconteceu com Karine nos últimos meses de vida. Eu prometi contar quando estiver pronto, mas acho que não estou. Vai ser doloroso tanto pra mim quanto pro Sasuke. – Relatou Itachi.

— Sasuke seguiu em frente, Itachi. Acho que passou da hora dele saber o que de fato aconteceu. Será melhor para todo mundo. Menos um segredo.

— E se o meu irmão me odiar por ter escondido a verdade por todo esse tempo?

— Ele vai entender que você só quis protegê-lo. – Afirmou Izumi.

— Não quero manchar a memória que Sasuke tem de Karin.

— Eu entendo, mas você precisa falar. Quem sabe não te ajuda a parar com os pesadelos também?

— Vou pensar sobre isso. Obrigado por ficar sempre ao meu lado.

— Eu te amo, Itachi. – Respondeu Izumi, então beijou o marido levemente nos lábios.

[...]

Sakura estava trabalhando muito, mas sempre tirada um tempo do dia para brincar com os filhos e ajudá-los com as tarefas da escola no fim do dia. Foi nesse período que ela notou que Indra estava murcho, então colocou a mão na testa do filho e notou que ele estava muito quente e sem apetite. Pegou o termômetro e ficou assustada ao ver que marcava 38 graus de febre. Como era muito tarde, ela preferiu ligar para o pediatra dos gêmeos para perguntar se ele estava na emergência a fim de levá-lo para uma consulta. Neji então a informou que já estava em casa, mas que passaria na residência de Sakura para ver os pacientes.

— Muito obrigada por vir, Neji. – Disse Sakura assim que o médico chegou a sua casa.

— Vou ver o que Indra tem e medicá-lo. Ele vai ficar bem – Garantiu Neji para acalmar Sakura.

Assim que viu Indra, Neji conseguiu diagnosticar o que o menino tinha.

— Nosso meninão aqui tem uma virose, Sakura. Como a virose é geralmente benigna, o tratamento consiste no controle dos sintomas: antitérmicos ou banhos, quando há febre, repouso em vez de maior esforço físico, hidratação adequada e alimentação leve. Fazendo isso, Indra ficará bom dentro de uma semana. – Avisou Neji.

— Viu filho? Você vai melhorar rápido. – Disse Sakura.

— Mas eu ainda me sinto mal, mamãe. – Reclamou Indra.

— Tome esse antitérmico – Neji então entregou o comprimido nas mãos de Indra e Sakura logo surgiu com um copo d’água.

— Obrigado. – Agracedeu Indra.

— Sempre que precisar, eu estarei aqui. – Prometeu Neji a Indra.

— Você é meu herói. Quero ser médico como senhor. – Disse Indra.

— Oh, que notícia boa! Agora que você já tomou o remédio, é melhor descansar. Qualquer coisa, peça pra mamãe me ligar. Ok? – Disse Neji e Indra assentiu.

— Ok! – Respondeu o menino.

— Bom, agora eu já vou. – Disse Neji pronto para sair do quarto de Indra.

— Muito obrigada por ter vindo mesmo sendo tão tarde. – Agradeceu Sakura.

— Eu adoro seus filhos. Não foi incomodo nenhum. E Ashura como está?

— Ele está dormindo, Neji. Se soubesse que você viria, ele teria ficado acordado.

— Também sou uma espécie de herói pra ele? – Perguntou o médico.

— Os dois te adoram. Certamente, você é um herói pra eles. – Respondeu Sakura.

— Indra falou sobre ser médico. Você já sabe o que Ashura quer ser? – Questionou Neji.

— Ashura está dividido. Parte dele quer ser como o pai, então ele pensa em ser professor na faculdade de Engenharia. Outra parte dele é mais artística. Ele desenha bem, quem sabe se interesse pela La Haruno futuro? Ainda tenho fé que um dos meus filhos queira seguir à frente da marca.

— Seus filhos terão sucesso no caminho que escolherem. Você faz um bom trabalho como mãe deles, Sakura. – Elogiou Neji.

— Obrigada. – Sakura e Neji então ouviram os sons dos trovões. – Está chovendo tanto lá fora.

— Sorte que vim de carro. – Comentou Neji, então barulho da televisão chamou atenção dos dois ao ouvirem o jornal noticiar sobre uma árvore cair e interditar a rua de Sakura.

— Você ouviu isso, Neji? Você não tem como sair daqui agora. – Disse Sakura.

— Pior que como está tarde, só vão retirar essa árvore amanhã cedo. – Comentou Neji nervoso.

— Sim, agora ninguém vai tirar essa árvore de lá. Você pode dormir no quarto de hóspedes. – Ofereceu Sakura.

— Obrigado. Eu não queria incomodar, mas acho que é minha única saída. – Agradeceu Neji.

Notas finais
E aí? Gostaram do capítulo? O que esperam para o próximo? :)