Sem Excessões
2 Capítulo 2
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Com o passar dos dias a dor de me sentir sozinho no mundo se multiplicava. Comecei a tomar remédios, procurar encontrar outra vez a pessoa que eu era. Mas não adiantava, eu não era e nunca mais seria a mesma pessoa. Estava só, sem ninguém, sem esperança, sem objetivos. Eu não podia passar em frente dia uma janela, olhar para ema faca, passar em frente de uma tesoura, que me perguntava: "se eu fazer isso, onde irei parar? Terei uma vida melhor? Um destino melhor?Eu mereço continuar a sofrer ou devo acabar logo com isso?" . Esse pensamento me atordoou durante 1 ano.
rnQuando tive 15 anos, conheci uma pessoa. Ela assentava na minha frente na aula de Português. Seu aroma floral me despertava desejo, seus olhos azuis e angelicais me faziam viajar, sua boa tinha os traços avermelhados perfeitos, os cabelos pretos modelavam seu rosto maravilhosamente, o corpo me cegava com sua beleza e cada vez que ela falava, parecia estar cantando uma melodia. Sempre quando eu a via, me sentia diferente, sentia que eu realmente podia mudar, que nada era impossível para mim, que eu conseguiria voltar a ser quem era. O nome dela era Fernanda. Ela era decidida, animada e extrovertida, mas não o bastante para se tornar irritante. As vezes ela tentava conversar comigo, com um tom de curiosidade. Mas eu era tolo o bastante para cortar o assunto. Não sabia o que falar, o que fazer. Aos poucos, fui me soltando e conversando mais com ela. Não sei se eu podia nos chamar de amigos, mas eu estava gostando assim. Ela não era só maravilhosa por fora, mas por dentro também. Isso fazia com que eu sentisse algo forte, que me alegrava toda vez que estava perto dela, esquecia de tudo que passei, de todos problemas que vivi. Mas, não era forte o bastante para se chamar de amor.
rnResolvi mudar. Talvez conseguiria ser quem era, talvez conseguiria recuperar tudo que perdi e talvez, conseguiria conquistar Fernanda.
rnPassaram-se dois meses e eu podia me sentir alegre novamente. Não precisava mais remédios.
rnDespois de seis messes, Fernanda se mudou. Me senti ameaçado de sentir toda aquela emoção terrível, mas eu tinha forças o bastante para não passar por tudo aquilo denovo. Não levaria em nada lamentar, isso não a traria de volta. Segui em frente e resolvi visitar os corpos de meus pais que manteram conservados, como eu fazia quase todos os domingos desde que morreram. Eu conversava com eles como se estivessem vivos, só que como se fossem compreensivos — o que não eram.
rnNo mesmo dia, comecei a voltar no assunto de suas mortes. Aquilo não fazia sentido. Meu pai que viajava todo dia, o melhor motorista que já vi, ia bater o carro em um posto de gasolina por falta de atenção? Duvidava. Não sei bem o porque, mas comecei a analisar o corpo dos dois. Alguma coisa estava errada e meus estudos teriam de valer a pena. Analisei cada parte do corpo deles, afim de encontrar algo diferente. Pois eu já vi cadáveres várias vezes, mas eles estavam diferentes, tinham os olhos estranhos, os dentes tortos e estragados, as unhas totalmente amarelas, os ossos distorcidos, artérias estouradas pelo corpo e o pior era que, relembrando o que eu vira a um ano atrás, isso estavam assim logo depois da morte, sem nenhuma queimadura da explosão com o posto de gasolina.
rnrnContinua =)
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