Sem Esperanças

2 Capítulo 02


Notas iniciais
Boa Leitura ♥

Semanas se passaram desde aquela reunião e nesse tempo Jasper conseguiu convencer Maria a ficar um pouco em casa, ou saírem apenas os dois, nada que incluísse grandes eventos sociais.

Hoje é mais um dia que Jasper acordou antes de Maria e foi se arrumar para o trabalho.

Como amava sua profissão e tudo que ela lhe trouxe!

Jasper vinha de uma família de médicos, decidiu seguir a carreira de seu pai e avô e avó, eles eram seu maior orgulho.

Terminando de ser arrumar, deu um beijo na testa da esposa que continuou dormindo e logo saiu de casa.

Maria acordou poucos minutos depois, ainda de olhos fechados alisou o espaço de seu lado, já adivinhando que Jasper não estaria ali.

“Ele sempre sai muito cedo” pensou e logo abriu os olhos.

Levantou-se e foi tomar um banho, fez sua higiene e ao voltar para quarto deu uma olhada no céu, pela janela do quarto. O tempo estava ótimo, fresquinho. E assim decidiu colocar um vestidinho leve, com alguns girassóis. Pegou seu celular e viu que já tinha uma mensagem de bom dia do Gabriel. O sorriso em seus lábios dobrou de tamanho.

Respondeu a mensagem e divagou lembrando-se do último encontro deles. Havia dito a Jasper que tinha uma reunião com uma cliente e que por isso não ia conseguir almoçar em casa, era a folga do médico. Claro que mentiu, passou um excelente dia na casa do Gabriel.

E isso a fez se lembrar do primeiro encontro deles, foi dois após o jantar. Gabriel foi a casa de Maria, em um dia que Jasper não ia voltar para casa porque ele tinha ido para a cidade natal logo cedo. Ou seja, ambos teriam o dia inteiro sem interrupções.

Gabriel não se mostrou incomodado em estar na casa do casal, pelo contrário, agiu como se estivesse no próprio lar.

Maria sentiu o coração batendo mais rápido lembrando desse dia, fora a primeira vez deles e ela sentiu algo dentro de si se ligando a ele.

Voltou a realidade e decidiu ligar para ele.

— Sabia que era você. – A voz dele soara do outro lado da linha.

— Mas é claro, meu número está salvo em seu celular.

— Eu atendi sem olhar o visor.

— Então como sabia que era eu? – Perguntou.

— Intuição masculina. – Disse ele, rindo logo em seguida. – E como você esta?

— Bem e você?

— Falando com você, agora eu estou melhor. – Ele disse isso em uma voz maliciosa.

— Queria ver você. – Disse ela, na mesma voz.

— Eu moro perto da sua casa, se quiser, posso ir agora mesmo. – Disse ele.

— Então pode vim, os empregados estão de folga e Jasper não virá almoçar.

— Até daqui a pouco.

— Estou te esperando. – Disse ela.

— Beijos. – E Gabriel desligou.

Com uma velocidade impressionante, Maria deixou todo o quarto em ordem. Arrumou o cabelo e decidiu ficar com o vestidinho, já que fazia parte de seus planos não ficar muito tempo com ele. Ao ouvir o som da campainha, saiu saltitante do quarto e indo o mais rápido possível.

Mal abriu a porta e o homem a pegou no colo, lhe dando um beijo de tirar o folego.

— Você está linda. – Ele disse.

— Devo dizer o mesmo. – Ela disse, por mais que nem tenha prestado atenção da roupa que ele estava usando.

Gabriel subiu as escadas, já conhecia o caminho até o quarto da mulher. Por todo o caminho, foi dando beijos no pescoço de Maria.

— Estava com saudades disso. – Falou assim que entraram no quarto, colocando o corpo da mulher em cima da cama e a beijando ferozmente.

[...]

Jasper cantarolava uma música enquanto dirigia. Estava animado.

Sabia que Maria não tinha clientes e decidiu fazer uma surpresa. Iria buscar a esposa em casa e leva-la para almoçar em seu restaurante favorito.

Chegou em casa e deixou o carro estacionado na entrada mesmo, iria sair rápido, então não compensava guarda-lo na garagem.

Entrou dentro de casa ainda cantarolando. Não se aguentava de felicidade.

Subiu os degraus pulando, sabia que Maria estava no quarto, a esposa gostava de passar o dia no quarto quando tinha uma folga. Se aproximando da porta do quarto, ouviu alguns sussurros.

Parou achando estranho.

Não tinham televisão no quarto e Maria não gostava de ouvir o rádio. Deu de ombros, pensando que ela poderia estar em alguma chamada.

Ao ficar de frente com a porta, os sussurros não eram mais sussurros e ele conseguia entender a conversa.

— Foi uma ótima manha. – Era a voz de Maria.

Jasper engoliu em seco, sentindo as mãos tremerem.

— A minha também. – Agora era uma voz de homem.

O médico sentiu seu coração parar de vez. Um bolo se formou em sua garganta e ele tinha medo de entrar no quarto e ver o que estava acontecendo.

— Poderíamos repetir isso todos os dias.

Engoliu em seco, novamente. Tocou, os dedos trêmulos, o batente da porta e a abriu devagar. Fechou os olhos, algo dentro de si ainda lutava contra as evidências.

Abriu os olhos e se arrependeu.

Maria estava deitada, um homem ao seu lado, e ela estava o beijando. Apaixonadamente.

Os olhos claros de Jasper marejaram, o coração disparado dentro do seu peito. Fechou a porta, a batendo com força e desceu as escadas em direção a sala.

O barulho da porta fechando assustou Maria e Gabriel. A mulher sentiu seu coração bater mais forte. O medo a consumindo.

Levantou da cama rápido e vestiu um roupão e saiu do quarto, sabia que Gabriel estava a seguindo.

No andar de baixo, Jasper andava de um lado para o outro. Estava fazendo uma força gigante para não chorar. Não queria. Não ia aceitar chorar na frente dela.

— Jazz. – Maria o chamou. – Jazz! Para! Eu posso explicar.

— Explicar? – Ele perguntou, retoricamente. – Não tem o que explicar. Eu vi... – sua voz falhou ao lembrar-se da cena que viu em seu próprio quarto. – Eu vi você com aquele homem. Eu vi! Não tem o que explicar.

— Meu amor...

— Não me chame assim!

Jasper esmurrou o sofá. Sentindo a raiva tomando conta do seu corpo.

Maria se assuntou, nunca tinha visto Jasper nervoso daquele jeito. Temia pelo o que ele iria fazer. Precisava acalmá-lo, de alguma forma.

— Meu amor, vamos conversar. – Disse com a voz calma. – Vamos conversar, eu sei que você vai me entender e me perdoar.

Jasper respirou fundo. Outra vez. Até perdeu a conta de quantas havia repetido esse processo. Seu coração estava doendo. Céus, ele nunca havia sentindo aquela dor e não sabia como lidar com ela.

— Saia da minha casa. – Disse, sussurrando.

Por mais que Maria estivesse errada, não iria se permitir gritar com ela. Sua mãe ficaria decepcionada, não havia o criado daquela forma.

— Saia da minha casa! Agora!

Maria piscou, perplexa.

Jasper a estava expulsando?

— Essa casa é minha também. – Disse em um fiapo de voz. Ainda surpresa.

Em sua cabeça, Jasper iria escutá-la e a perdoaria. Ele sempre fazia sua vontade.

— Não! Esta casa é minha, você se mudou para cá. – Ele disse, pausadamente. – Saia daqui agora.

Pelo canto do olho, Maria viu que Gabriel estava saindo da casa.

“Desgraçado” pensou.

— Meu amor, por favor, se acalme. – Pediu à Jasper.

Se aproximou do loiro e tentou tocar em seu braço, acaricia-lo, porém Jasper não deixou que ela encostasse em si.

— Eu disse para você sair da minha casa!

— Meu amor, por favor.

Jasper perdeu a paciência.

Agarrou o braço de Maria e a puxou em direção a porta a deixando no meio da rua. Fechou a porta e a trancou e se afastou desta rapidamente.

O desespero começava a tomar o domínio sobre seu corpo e o médico não reparou quando as lágrimas começaram a escapar de seus olhos, os soluções não demoraram. O corpo tremia. Jasper tentou abafar o som do choro tampando a boca, mas não conseguiu.

Por fim, perdeu a forças das pernas e caiu no chão. Os soluços mais altos.

A cabeça doía.

Em sua mente a cena de sua esposa, o amor da sua vida, beijando outro homem o perturbava.

— Aí. – Reclamou, apertando o peito. – Céus, como dói. – Disse, apertando mais o peito. Queria que aquela dor fosse embora.

Ali, no chão da sala, Jasper se jogou e chorou. Pediu aos céus, implorou, que sua dor parasse e ele pudesse voltar a respirar normalmente.

Não foi o que ocorreu, a falta de ar ficou pior, o ar se assemelhava à um veneno e ele não conseguia se controlar sua respiração. Se entregou aquela dor, de sua mente não saindo as mais recentes memórias.

Notas finais
Confesso que reescrever esse capítulo trouxe os mesmos sentimentos, é dolorido demais causar dor a um de seus personagens favoritos...