Sem Compromissos
5 Capítulo 04 - A procura da felicidade nunca é fácil
Notas iniciais
Capítulo 04 – A procura da felicidade nunca é fácil
Durante o trabalho, Dean tem a sua breve pausa para o almoço com um de seus amigos, ou melhor amiga, querendo ter uma simples conversa capaz de distraí-lo das imagens da noite passada, pois Benny e Garth, Deus, até mesmo Bobby notaram o quão estúpido ele parecia enquanto sonhava acordado. Ele queria algum espaço, e a melhor pessoa para ajudá-lo era Charlie.
– Você deveria beber durante o trabalho? — a ruiva pergunta após Dean pegar a segunda caneca, aguardando o famoso hambúrguer do Roadhouse: a melhor lanchonete/bar da região.
– Você sabe uma hora melhor para se beber?
Charlie rola os olhos, mas sorri concordando.
– Só espere até Bobby chutar sua linda bunda.
– Você acha minha bunda bonita? – ele pergunta, piscando um olho.
– Nem comece Dean, nós já passamos por isso. – ela ri, bebendo seu refrigerante e vendo Dean engolir a cerveja, sentindo-se desapontada por não pedir algo mais forte.
– Aposto que ninguém no seu trabalho vai perceber. – comenta Dean.
– É melhor não dar a chance a eles. – ela dá outro gole, lambendo os lábios, e fazendo a pergunta que a incomodava desde cedo – Então, me diga. Lisa e você não são mais a dupla dinâmica? Como isso aconteceu?
Dean dá de ombros, terminando a segunda cerveja para conseguir ao menos engajar naquela conversa.
– Só aconteceu Charlie. Nós não estávamos na mesma página.
– Achei que você quisesse uma família.
– Eu quero... – Dean suspira incerto do que ele realmente deseja.
Ele quer uma família desde quando consegue se lembrar, talvez desde que era um garotinho que perdeu a mãe num incêndio, vendo em seguida seu pai definhar na bebida. Já fazia seis meses desde que John saiu da reabilitação, usando o tempo livre para se dedicar ao trabalho como faz tudo num hotel longe do centro da cidade. Dean é quem mais fala com ele, no telefone, claro. Porém Sam ainda mantém distância. Paciência... Tudo vai dar certo, eventualmente.
Dean não se lembra de quando sua cabeça viajou em devaneios até Charlie chamar seu nome inúmeras vezes.
– Dean? Ei, Dean!
– Oi, o que foi?
– Você estava fritando sua cabeça.
– Não diga.- ele ri — Acho que tem muitas coisas na minha mente.
– Quer dividir?
– Uh... Não estou tão bêbado assim.
– Descarregar algo pode te ajudar a pôr o cérebro no lugar.
– Como assim? Eu descarrego.
– Dean, você é a pessoa mais constipada com sentimentos que eu conheço.
– Sou nada!
Charlie apenas arqueia uma sobrancelha ao beber seu refrigerante, sendo o bastante para Dean entender o ponto dela.
– Certo, certo, o que a sua majestade quer ouvir?
– O que você vai fazer sobre a Lisa. Oh, e falando sobre majestade, o jogo de *LARP mudou de hora no domingo. Vai ser às duas da tarde.
– Lisa não gostava que eu fosse nesses jogos...
– Foi por isso que você terminou? Jesus, eu estou honrada que nosso reino signifique tanto à você Dean, mas a Lisa é gostosa!
– Ela realmente é gostosa, mas-ei, não foi por isso que terminamos!
– Então?
– É só... Eu não quero casar.
– Hmm. Você não quer casar agora, mas você quer... Casar algum dia é isso?
Dean esfrega sua face agradecendo o perfeito timing da garçonete ao lhe trazer o almoço. Ele morde um largo pedaço do seu hambúrguer e deixa a carne derreter em sua boca, evitando qualquer tipo de contato visual com Charlie. Não funcionou por muito tempo.
– Qual é Dean! O que há de errado com a Lisa?
– Nada, nenhum problema! — ele responde com a boca ainda cheia.
– Então porque ela terminou? Alguma coisa deve ter acontecido para alguém terminar um relacionamento de dois anos, e tem de ser algo maior do que uma briga sobre casamento.
Dean suspira alto, comendo ainda mais rápido, pois aquele tipo de conversa pedia por algum tipo de conforto — e comida sempre foi sua melhor aliada.
– Nós brigamos... Algumas vezes. Não foi a primeira vez que ela falou de casamento.
– Sério?
– É, acho que foi uns oito meses atrás, quando toda essa... Situação começou.
– Me elucide.
Outra mordida e bebericada da cerveja e tudo o que Dean mais quer é não precisar ter essa mesma conversa com seu irmão, porque uma vez já era muito. Suspirado, Dean aperta a ponta do nariz e começa.
– A Lisa, ela... Perguntou se seria legal se nós casássemos, mas... No dia eu não dei uma resposta a ela.
– Okay, você estava confuso, ate então tudo bem...
– Não, não é isso.
– O que então?
– Uh... Eu não respondi nada, porque no momento em que começamos a falar eu recebi uma ligação... Do Cas.
Charlie franze o cenho, esperando seu amigo continuar. E Dean está seriamente pensando em pedir outra cerveja.
– Você se lembre daquele babaca que o Castiel namorava? — Dean indaga.
– Michael, certo?
– Esse mesmo. O filho da mãe tinha acabado de... Dormir com o Cas e terminou com ele uma hora depois.
– Wow. 'Tá falando sério?
Dean aquiesce, não gostando de se lembrar disso. Castiel não chorou nem nada do tipo, ele não é o tipo de cara que chora por qualquer besteira, ainda assim é terrível imaginar que seu amigo passou por um desapontamento desses.
– Cas me ligou apenas para conversar, meio que como estamos fazendo agora, querendo limpar a cabeça, e antes que eu percebesse eu havia deixado a Lisa sozinha em casa sem resposta. Sei lá... Eu só pensei que um amigo estava com problemas e era mais importante do que uma conversa que eu poderia ter depois.
– Hm. Eu entendo seu lado. Mas me parece que a Lisa não viu as coisas desse jeito.
– Ela sentiu como se eu a tivesse ignorado. Que eu ponho outros na frente dela e do Ben. Foi o começo de um número massivo de brigas sobre qualquer coisa.
– Bem, para ser justa com você Dean, eu sei que você teria largado tudo por Bobby, Cas, seu irmão, até por mim se fosse realmente necessário.
– Exato!
– Mas você tentou iniciar a conversa da palavra "C" em algum momento depois?
– Uh... — Ele gagueja.
– Vou considerar isso um “não”. — Charlie ri, comendo uma batata de seu prato.
– Sei lá. Eu nunca achei uma boa hora para falar com ela.
– Qualquer hora teria funcionado, Dean. Acho que você só não queria casar.
– Ainda não quero.
– Daí ela conheceu outra pessoa e te deu um pé na bunda.
– Basicamente.
– Como você tem passado?
–... Melhor do que eu esperava.
– Isso significa que você não a ama.
– O que?
– Você me ouviu, da ultima vez que chequei você tinha orelhas. – Charlie ri.
– Não, digo, eu ouvi, mas o que você quer dizer?
– Não estou dizendo que o casamento é o ponto final para uma relação ser saudável. Mas o fato de que você não quer nem falar no assunto, ou que você não está triste, isso significa que a Lisa não era-
– Se você disser que ela não era a “pessoa certa” eu vou chutar sua bunda.
–... Ela não era a Léia do seu Han-solo?
– Unf, melhor.
Dali em diante eles apenas riram e conversaram sobre filmes, o encontro de domingo, qualquer outra coisa não relacionada à ex-namoradas – para os dois. Isto ajudou Dean a relaxar e esquecer o que aconteceu no apartamento de seu amigo noite passada.
No entanto, após o almoço com o retorno de Dean ao trabalho ele não conseguiu pensar em mais nada além da noite passada.
Ele bateu a cabeça no capô de um carro, deixou algumas ferramentas caírem no chão quase acertando o pé de Benny. Bobby gritou com ele para ser mais atencioso mais de cinco vezes, e ele precisou chegar o óleo de um veículo duas vezes andes de ter certeza de tê-lo trocado e ainda assim nenhum desses pequenos acidente foi o bastante para impedir o fluxo de pensamentos.
É claro que Dean estava bêbado; claro que ele estava “usando” Cas para aliviar o estresse, mas a questão é que Dean gostou.
Ele já se envolveu com caras antes, okay, mas nunca admitiu a ninguém e nem foi nada além de algumas mãos bobas após ele ter tomado uma boa quantidade de cerveja ou whisky. E com Cas; Deus! Mesmo zonzo ele se lembrava muito bem o que fizeram – as posições, os gemidos, o suor escorrendo, o quente jorro de ambos. Merda, se ele continuasse a pensar nisso ele ia ficar excitado.
Okay, seguindo em frente. O que Cas disse também era verdade. Os dois são amigos há muito tempo. Duas pessoas sensatas, muito certas das suas ações. Ele não pode perder uma amizade de tantos anos por causa de um erro duma noite.
Mas foi mesmo um erro? Talvez ele devesse encarar as coisas como um adulto e compreender que ás vezes “sexo entre amigos” acontece, e ele não precisa ser um babaca nem ignorar Castiel. Afinal, seu amigo estava agindo muito bem sobre isso tudo.
O mais esquisito de tudo é que, uma vez que ele se lembrou do corpo desnudo de Castiel ele simplesmente não mais pode esquecer. Sendo honesto consigo mesmo, ele sabe que Cas é gostoso. Okay, Dean podia admitir que alguns homens podiam ser... Interessantes – até porque ele não podia negar o quanto adorava o personagem principal do seriado de Dr. Sexy. Mas Castiel era um nível muito maior. Não apenas seu corpo e bem definidos músculos, mas seu rosto, seus olhos – Deus, os olhos putamente azuis dele – e a barba mal feita... Dean gostava de ter a pele áspera roçando na sua enquanto se beijavam; tudo em Castiel era incrivelmente sexy!
E o sexo! Jesus... Dean sempre se perguntou se transar com um cara seria bom. Ele ficou com mulheres o bastante para experimentar todos os tipos de interação, mas ele ponderava se seria capaz de ‘levantar' com um corpo masculino.
Oh, e como ele conseguiu. Rijo feito pedra, batendo contra as perfeitas bandas carnudas de Castiel, balançando juntos, grunhindo, sentindo a força quente o puxando para dentro, com Cas envolvendo Dean completamente. É, foi um sexo foda ‘pra cacete. E com um cara!
Dean olhou para alguns caras antes, mas ele nunca fez nada sobre isso, especialmente porque ele não tinha ideia de como se comportaria. Mulheres são fáceis, não é difícil falar com elas, começar uma conversa e flertar, pois isso já era o esperado. O que um cara pode querer com outro? Sobre o que poderiam falar se quisessem, bem... Não apenas conversar?! Dean certamente não gostaria de ser tratado com flores e chocolates, algo que ele tem certeza Castiel igualmente não aprecia.
Pensando sobre isso, Dean nunca olhou Castiel dessa forma. Com certeza, em algum nível, Dean gosta de caras, mas Cas é seu amigo – merda, seu melhor amigo!
Com uma perfeita e redonda bunda.
Okay, esta linha de pensamento está o levando a lugares negros e pervertidos em sua mente. Ele precisa se focar no trabalho, não num sonho acordado de lábios carnudos o beijando, mãos fortes abraçando seus braços e pernas; Deus! Aquele par de pernas com músculos o bastante para apertá-lo entre a carne quente das coxas.
Jesus... Dean precisa correr para o banheiro e se livrar do volume crescendo nas calças ou ele vai ficar incapaz de terminar o serviço hoje.
Mas que diabos ele estava imaginando? Castiel é seu amigo! Ponto final! O que eles tiveram foi coisa de uma noite só. Certo?
Estranho como isso faz Dean sentir-se insignificante do nada.
(…)
Os planos para esta noite são simples. Como Dean tinha previsto, Lisa e Ben deixaram a casa a tempo do final do seu turno, dando Dean algum espaço para olhar ao redor da casa à procura das suas coisas. Ele coloca algumas roupas e outros itens majoritários em um saco em menos de vinte minutos, e também a recolhe suas fitas – Lisa o fez guardá-las em uma caixa dentro do guarda-roupa desde que ela não gostava da música — e algumas ferramentas da garagem que ele gosta de limpar.
O banco de trás do impala é preenchido com os dois sacos quando ele chega ao apartamento de Cas. Seu irmão o ligou duas vezes já, e ele simplesmente mandou uma mensagem dizendo que estava bem, que ia ficar com Cas por alguns dias até que descobrisse o que vai fazer.
Esta resolução, no entanto, é algo que Dean não tem nenhuma pista de onde começar a procurar. Lisa o ligou rapidamente mais cedo parecendo confusa e na necessidade de pensar antes que ela possa falar com Dean sobre a sua situação. Para todos os efeitos, ele e Lisa terminaram naquela noite, de acordo com ela, no momento em que Dean a deixou. Ele bufou na linha. Foi a escolha dele de forçar uma decisão sobre Dean, não o contrário. Se ela quer ficar com aquele outro cara, bom para ela. Dean não é quem vai ficar em seu caminho, não é assim que ele funciona. Se alguém não o queria, então tudo bem. Ele está acostumado a ficar sozinho, é na verdade até mais fácil.
Às cinco e meia, Dean pega a chave reserva que ele tem do apartamento de Cas e joga suas malas perto do sofá, a cama improvisada que ele não usou ontem à noite porque, bem... Ele acabou na cama de Castiel
Uma inundação de sangue corre para seu rosto conforme ele se lembrava. Caminhar para a cozinha para beber um copo de água também não ajuda, já que as imagens de ele e Cas naquela parede à esquerda da ilha da cozinha, onde ele prendeu e atacou Cas com beijos, lambidas, e droga! Ele nunca vai ser capaz de esquecer isso.
Frustrado, Dean suspira profundamente, tomando um banho rápido e se vestindo com um jeans e uma camisa preta, começando a preparar o jantar. Os tomates são colocados em uma panela enquanto ele começa a fazer o molho, em seguida, picar a cebola e o alho. Massas, no geral, sempre foi uma boa escolha para dois homens solteiros.
A ideia de ter um jantar com seu amigo depois de ontem parece tão estúpido. Será que eles vão falar sobre isso novamente enquanto comem? Dean deve tocar no assunto?
Estava claro para Castiel que eles são dois adultos que passaram algum... Tempo agradável juntos. Não há razão para novas discussões. No entanto, Dean tem certeza de que ele não será capaz de olhar nos olhos de Cas por um tempo. Uma mistura de culpa, timidez e excitação queimam inexplicavelmente dentro do seu estômago.
Tão perdido em devaneios, Dean ouve a água borbulhando segundos tarde demais, xingando, pois ela começa a se derramar sobre o fogão.
– Merda!
– Tendo um argumento com a cozinha?
Dean salta no lugar quase tropeçando com a panela, o que faz com que ele xingue novamente enquanto Castiel está rindo.
– Certo, vá em frente e ria da minha miséria. – Dean falar sarcástico.
– É apenas água, não se preocupe.
– Sei... E da onde você veio?
– A não ser que eu tenha descoberto uma maneira de atravessar paredes, eu usei a porta, é claro.
– Não seja um espertinho.
– Não estou sendo um “espertinho”.
Castiel move os dedos em forma de aspas no ar e depois passa a remove seu terno e gravata, caminhando em direção ao seu quarto. Cas tirando a roupa tão livremente na frente de Dean fez a resposta pronta na língua dele se perder. Algo seco estava em sua boca como se ele de repente sentisse sede.
Voltando a preparar o jantar Dean balança a cabeça a fim de abandonar estas ideias se formando, ouvindo sons de gavetas vindas do quarto.
– Eu esqueci que você tem pés leves, Cas. – ele grita da cozinha, mexendo o molho de tomate.
– Meus pés são perfeitamente normais. Suas orelhas que são defeituosas.
– Cara, eu posso ouvir o motor de um carro e saber na hora o que há de errado com ele.
– Então estou perplexo que você possa trabalhar com máquinas delicadas com tamanha atenção, mas é incapaz de me ouvir entrando na minha própria casa.
– É sério Cas, você podia ser um assassino, ou algo do tipo.
– Talvez eu seja.
Dean escuta a voz próxima dele agora. Ele vira sua cabeça e vê Cas na cozinha usando uma blusa azul confortável e um par de calças cinza conforme se aproxima de Dean, invadindo seu espaço pessoal.
– Posso ajudar com algo?
– Uh... Não, ‘tá tudo pronto.
– Certo, então irei arrumar a mesa.
– Claro, claro.
– Vejo que há algumas sacolas no sofá. – Castiel comenta aponta à elas.
– Ah, é. Eu passei na casa da Lisa e peguei minhas coisas. Bom, a maior parte.
– Você se encontrou com ela?
– Nah. Nem com Bem. Mas ela me ligou; disse que precisava de espaço para pensar, que quando eu saí ontem nós dois havíamos terminado por ali.
– Entendo. – Castiel apanhou dois pratos do armário e os pôs sobre uma toalha sobre a mesa. Ele parecia bastante entusiasmado nessa tarefa em particular, o bastante para Dean saber que seu amigo estava debatendo alguns pensamentos dentro da cabeça.
– Divida com a classe o que está pensando, Cas.
Um pouco surpreso, Castiel deixou os pratos e encarou Dean com sua usual face inexpressiva.
– Eu estava refletindo. Você está visivelmente perturbado com a maneira abrupta que as coisas acabaram entre você e Lisa. Não seria sensato ter uma conversa adequada?
– Não.
– Porque?
– Eu não quero, simples.
– Não quer ou está evitando?
– Não importa, Cas.
– Importa se este término está te incomodando.
–... Não incomoda.
– Se o problema não é ela, então qual é?
– Cas, só cala a boca.
– Dean, você pode me contar.
– Droga Cas! – Dean joga a faca na pia, olhando transtornado para seu amigo – Se eu quisesse ter essa conversa eu podia ter ido ficar com o Sam!
– Você tem certeza que negar é a melhor resposta?
– Eu não estou negando droga nenhuma! Eu só não quero falar da Lisa!
– Me diga o por que.
– Porque eu sinto falta, okay?! E eu não quero mais falar nessa merda, entenda isso seu idiota metido a esperto!
Dean estoura, passando por Cas e deixando a cozinha. Seu cabelo está todo espetado agora, conforme ele esfrega as mãos tentando respirar sem que raiva saia das suas narinas.
Castiel nada mais diz, mas anda ao redor da ilha da cozinha para terminar de preparar o jantar, enquanto Dean ter seus cinco minutos de ar fresco na varanda.
Olhando para a rua e as luzes do dia desvanecendo, Dean não consegue parar de pensar por um momento que ele não esta sendo sincero consigo mesmo. Ou com Cas que, por sinal, está sendo nada mais do que bom a ele. Mesmo depois de ontem à noite ele ainda tenta ser um bom amigo para Dean, recebendo sua fúria e maneiras estúpidas em troca. Que pessoa egoísta estamos sendo, não é mesmo Winchester?
– A vista daqui de cima sempre me fascinou.
Novamente, Castiel se aproximou sem que Dean percebesse. Apoiando os braços na grade ao seu lado e olhando para o horizonte. Sem fitar Dean.
– Cas, eu vou te dar um sino para pendurar no seu pescoço.
– Eu posso anunciar minha chegada da próxima vez.
Dean ri fracamente, retornando seu olhar para o céu alaranjado. É bom que não exista tantos prédios assim na frente da varanda, o que os faz realmente apreciar o pôr do sol.
– Desculpe por ter gritado. – ele diz após ter se acalmado.
– Não se preocupe, Dean. Você sente falta da Lisa, é compreensível.
– É… — respirando o ar não tão fresco da fumaça de carros, Dean deixa seus ombros afundarem num movimento derrotado ao suspirar. Aquele é Cas. Ele pode confiar no amigo – A coisa é que... Eu não sinto falta... Dela.
Franzindo o cenho, Castiel gira a cabeça na direção de Dean.
– Não sente?
– Bem, não dela exatamente. Mais como, da atmosfera doméstica. Nós parecíamos uma família e era... Legal.
– Dean, você não pode basear um relacionamento em cima de um desejo seu. Você tem de se sentir confortável e querer estar junto para que ele funcione.
– Eu sei, eu realmente sei Cas, é só... – Dean pensa que ele nunca respirou tanto ar antes em sua vida – Ela quer casar, mas quando eu penso em casamento eu me lembro de como as coisas eram com meus pais antes da minha mãe falecer, ou como meu irmão é com a noiva dele, a Jess, o quão felizes eles estão, e é como... Eu quero esse tipo de casamento, não uma obrigação. E, merda... Como eu digo isso à Lisa? Como eu começo a explicar isso? Deus, eu nem entendo a mim mesmo! Eu sou um idiota. A Lisa é perfeita, e eu não quero casar com ela... Isso é loucura!
Castiel põe a mão no ombro de Dean num gesto acolhedor. O toque o surpreende por um segundo antes dele desistir e permitir que a mão de Cas apazigue seus pensamentos. Olhos azuis continuam encarando seus orbes verdes com tranquilidade, calmo e acolhedor. Dean por um segundo se esquece do que é estar triste.
– Querer ser feliz não é loucura. Fingir que se está para agradar os outros sim.
A mão agora esfrega gentilmente seu cotovelo, apertando de leve. Isto acalma Dean assim como as palavras de Castiel que parecem compreensivas quanto as suas duvidas. Quando alguém concorda com você tudo parece melhor. Cas continua a falar com um meio sorriso no canto da boca.
– Você tende a agir desta maneira, Dean, pondo as necessidades de outros na frente das suas. Seja egoísta uma vez na vida, você pode.
O comentário faz Dean rir.
– Acho que ontem eu alcancei meu limite de egoísmo, Cas.
Dean não sabe por que ele sentiu a necessidade de tocar no assunto, mas assim que o faz Castiel cora um pouco, e mesmo com a cor laranja do céu Dean consegue ver como as maçãs de seu rosto esquentam com a memória trazida à tona por suas impensadas palavras.
– Certo… — Castiel murmura, removendo sua mão do braço de Dean e a apoiando na grade da varanda – Esse é um bom exemplo.
Engolindo seco, Dean para qualquer outra sentença que se forma em sua língua e endireita o corpo.
– Então, jantar. Acho que está pronto; vamos comer Cas.
– Sim.
A caminhada de volta para a sala de estar é silenciosa. Na cozinha piora, uma vez que eles têm de coordenar seus movimentos para não tropeçar no fogão para preparar seus pratos. Sentados à mesa é ainda mais estranho. Os garfos brincam com a comida que se torna um pouco fria, os copos com o suco de laranja são esvaziados rapidamente para evitar que as bocas tenham liberdade para uma conversa. E Dean não pode evitar se sentir como um grande idiota.
Continua
*LARP — Live Action Role Playing: é o RPG onde as pessoas se vestem do seu personagem e o interpetram ao vivo. Sim, a Charlie e o Dean jogam!
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