Sem Compromisso
32 Perdão
Notas iniciais
Dia 1º de agosto, segunda-feira, às 09h00
No hospital...
— É verdade que o louco do Sasori vai ter altar hoje? – Perguntou Ino ao invadir a sala de Sakura.
— Sim. No final do dia vão dar alta a ele. Já falei com o médico para saber como será o resto do tratamento dele.
— Ele vai ficar onde?
— Hoje ele vai dormir no meu apartamento, mas amanhã ele vai para a casa dele mesmo e a minha tia vai ficar de olho. Inclusive, instalamos um sistema de monitoramento com câmeras.
— E ele não contestou? – Ino estranhou.
— Bem, inicialmente, ele não iria ficar na casa dele. Eu era contra esta ideia, mas ele é bastante persuasivo. Ele mesmo sugeriu as câmeras pra me provar que vai se comportar e que eu posso confiar nele.
— E por que ele vai dormir hoje na sua casa?
— Porque vamos sair tarde daqui e eu não acho bom que ele já fique sozinho na primeira noite.
— Sakura, o Sasori é um cara esperto. Toma cuidado, por favor!
— Eu sei me cuidar!
— Assim espero... – Falou desconfiada.
[...]
Dia 1º de agosto, segunda-feira, às 10h08
Todo mundo no hospital sabia que o ex-namorado da Drª Haruno estava internado no hospital porque tinha tentado se suicidar. Sakura odiava, mas todos comentavam sobre a situação de Sasori nos corredores. Naruto não era excessão. O Dr. Uzumaki conversava com Hinata – sua nova namorada por sinal – sobre o assunto quando Neji chegou com as novidades.
— Já souberam da última? Sakura vai levar o ex para a própria casa. – Falou Neji na cantina para a prima e Naruto.
— Deixe-me advinhar... foi Tenten que contou? – Perguntou Hinata e Neji assentiu. Nos últimos dias o médico tinha dado mais atenção a enfermeira e, por isso, estava sabendo de todas as novidades naquele hospital.
— Ela é bem informada. – Disse Neji, sentando-se ao lado do amigo e da prima.
— Eu temo pela segurança da Sakura. Aquele cara já bateu nela, agora tentou se matar. Ele não pode fazer algo pior? – Só a ideia do ruivo próximo da médica já deixava o doutor Uzumaki aflito.
— Meu amor, Sakura deve saber o que está fazendo. Ela conhece Sasori muito melhor do que nós. – Tentou ponderar Hinata.
— Minha prima tem razão, Naruto! O ex da Sakura não é confiável, mas ela certamente sabe como lidar com ele. – Completou Neji.
— Espero que os dois estejam certos. – Disse Naruto.
Naruto gostava muito de Sakura. Depois de se entender com Hinata e pedí-la em namoro, passara a ver a Haruno como uma boa amiga. Quando conversavam, sabia que a médica nutria uma grande admiração por ele também, mas ela nunca conseguia se abrir por completo. Toda vez que Naruto perguntava sobre Sasori ela só dizia: “Tenho tudo sob controle. Não se preocupe”. O loiro tinha lá suas dúvidas quanto a isto. Talvez, Sasori estivesse usando Sakura. Levar o ex-namorado para sua própria casa era algo que o loiro jamais imaginara que Sakura fosse capaz de fazer. Não depois de tudo que ele aprontara para ela.
[...]
Dia 1º de agosto, segunda-feira, às 13h27
Na hora do almoço, Naruto esbarrou com Sakura pelos corredores do hospital.
— Olá, Drª Haruno. Tudo bem?
— Na medida do possível, sim. E você?
— Comigo tá tudo bem. Sakura, Neji me contou que o seu ex vai ter alta hoje e que você vai levá-lo para a sua casa. Você acha isso correto?
— Ah, Naruto, as fofocas voam na velocidade da luz nesse hospital. Olha, correto não é, mas ele não tem mais ninguém nesse momento.
— Estou preocupado com você. Sei que não existe mais nada entre nós, mas eu realmente me importo com você.
— Além de um ótimo chefe, você é um um ótimo amigo doutor! Todavia eu não acho que você precise se preocupar com Sasori. Pelo menos, não por enquanto.
— Esse cara já te bateu. Não tem como eu não me preocupar.
— Olha, Sasori está fraco no momento. Ele nem conseguiria fazer nada comigo agora. Meu problema é que me sinto responsável por ele. Sei que não devia, mas me sinto.
— Se precisar de ajuda, pode me chamar. Pode ser a qualquer hora!
— Eu agradeço! Ah, tinha até esquecido de te parabenizar pelo namoro com a Hinata. Finalmente, você a viu!
— Tive uma ajudinha sua pra isso né? Enfim, nós estamos bem. Ela é uma ótima mulher.
— Fico feliz por você.
— Eu queria muito poder dizer o mesmo pra você e o Sasuke, mas as coisas não andam bem né?
— Não. Estou começando a perder as esperanças dele voltar.
Dia 1º de agosto, segunda-feira, às 20h11
No apartamento de Sakura...
— Vou acomodá-lo no quarto de hóspedes. – Disse Sakura, enquanto caminhava com Sasori até seu quarto por aquela noite.
— Eu agradeço pelo cuidado, Sakura. – Disse Sasori, após sentar-se na cama.
— Agradeça à minha tia. Ela que me convenceu disso.
— Ela também sente pena de mim. – Sasori disse com um sorriso e aquilo incomodou Sakura.
— Quando você começou a acreditar de que é digno de pena, Sasori? Por que olha... o cara pelo qual eu me apaixonei anos trás era um homem forte, decidido e que não tinha medo de amar.
— Você sabe que boa parte da minha desgraça é por causa do Gaara, um primo invejoso que cobiçava você da mesma forma como ele cobiçava minha herença antes. Ele sempre quis tomar tudo de mim. Quando pensei que ele tivesse conseguido você, eu enlouqueci. Perdi a razão e consequentemente o seu amor. Desde que a medida protetiva entrou em vigor eu fiquei desnorteado, Sakura. A única coisa que eu queria era poder te ver de novo. Aí quando a medida acabou eu queria poder conversar com você. No entanto, você sempre impôs barreiras, sempre ressaltou que não havia me perdoado.
— E foi aí que você cortou os pulsos? – Perguntou tentando entendê-lo.
— Eu precisava saber se você se importava... – Falou tranquilamente, mas os olhos estavam marejados. Sakura sentiu pena dele naquele momento. Então, o abraçou.
— Que droga, Sasori! É claro que eu me importo, seu imbecil! – Ela dizia ao pé do ouvido dele, enquanto o abraçava com força. Sasori se sentiu protegido e retribuiu o abraço.
— Até dos seus xingamentos eu sentia falta. – Afirmou soltando algumas lágrimas, que logo foram secadas por Sakura quando terminou o abraço.
— Se eu te der o meu perdão, você promete me deixar em paz?
— Perdão não se barganha, Sakura. Quando seu coração puder me perdoar, eu ficarei feliz. Até lá vou ficar atrás das migalhas da sua atenção.
— Sasori, você sabe o quanto eu te amei? – Ela perguntou e ele fez o sinal negativo com a cabeça.
— Não, mas gostaria de saber.
— No dia que você se mudou para a casa ao lado da que pertence à minha tia, eu me apaixonei por você. Você deu uma super festa com aqueles músicos famosos com quem você trabalha e tava fazendo um barulho muito alto. Eu lembro que eu tava lá visitando a minha a tia e o barulho me fez ir até lá reclamar com você. Quando você abriu a porta, eu pensei ter visto um anjo. Você soltou um charme, abaixou o som e depois me convenceu a ficar na festa por um tempo. Em poucas horas, nós estávamos transando no seu quarto. No dia seguinte, você bateu na casa da minha tia atrás de mim. Nós trocamos telefones. Depois nós saímos e em duas semanas nós estávamos namorando.
— Bons tempos... – Ele disse pensativo.
— Sim, foram bons tempos. O tempo foi passando. Você viajava muito por causa do seu trabalho, eu sempre tava ocupada com o hospital também. Foi aí que com oito meses de namoro tivemos a primeira crise. Discutimos, ficamos sem nos falar por um tempo e aí o que você fez?
— Te convidei para viajar comigo e forcei que tirasse vinte dias de férias.
— A viagem foi mágica. Voltamos mais apaixonados do que nunca. E foi aí que o Gaara surgiu. No início, você tentou me esconder dele, mas ele nos viu e sabia o quanto nossa relação era preciosa para você e então ele se decidiu que nos destruiria. Tentou e não conseguiu. Aí tinha chegado a época do meu aniversário e você me surpreendeu. Quando fecho os olhos, eu ainda posso lembrar daquela festa e você falando “Sakura Haruno, aceita se casar comigo?”
— Eu ainda sonho com aquele momento em que você gritava “SIM SIM SIM”.
— Eu não me arrependo de ter dito sim naquela época. Foi bom enquanto durou. Mas aí o Gaara voltou e conseguiu te envenar contra mim. Você sempre foi meio ciumento, mas desde o meu aniversário suas reações se intensificaram. A volta do Gaara te deixou nervoso e então o fátido dia do nosso fim chegou. Eu senti medo. O que você seria capaz de fazer comigo? Você apertou o meu pescoço com tanta força. Mas quando você foi embora a pior dor foi de ver a minha cama vazia. Eu não achava mais graça em nada. Eu só me dediquei ao hospital e a me manter longe de você porque eu sabia Sasori que se te encontrasse eu fraquejaria. Bastaria você sorrir e eu estaria aos seus pés. Eu te amava tanto. Não sabia o que era mais enlouquecedor: aguentar seu ciúme ou viver sem você? Por muitas noites eu me fiz essa pergunta. Então, um ano novo nasceu. Minhas amigas só falavam “Se dê uma chance, Sakura.” O Carnaval chegou e a Konan conseguiu me arrastar para um bloco de rua. Pela primeira vez depois do nosso fim eu tava tentando alguma coisa. Muitos idiotas pediram para ficar comigo naquele dia e, a cada toco que eu dava, eu lembrava do seu sorriso.
— Eu te assustei?
— Sim! E como! – Sakura riu — Todos os caras que pediam para ficar comigo ganhavam seu rosto. Era perturbador. Mas então o Naruto apareceu... Você lembra dele?
— O loirinho que é seu chefe no hospital?
— Esse mesmo. Acho que por que eu já o conhecia ele não ganhou o seu rosto quando tentou se aproximar de mim. Ele foi o primeiro cara que eu beijei depois de você. Foi estranho, confesso. Eu tava tão nervosa e tinha bebido tanto que eu nem lembro como ele foi parar na minha cama. No entanto, na manhã seguinte me deparei com ele lá. Fiquei apavorada. Como eu podia ter sido besta o suficiente para ficar com o meu próprio chefe?
— Carência. – Respondeu Sasori, porque conhecia Sakura bem o suficiente para afirmar que essa era a sua razão.
— Está certo. E como eu explicaria pra ele que tinha o usado para esquecer o meu ex-namorado que tinha me batido? Eu me senti tão envergonhada quando contei a história do nosso fim. Eu sabia que não tava pronta para um relacionamento, mas nem mesmo a minha negativa fez Naruto desistir. Até que eu fui cruel e disse na cara dele que não o amava.
— Você me amava ainda. – Sussurou Sasori sem querer interromper a história. Ele estava precisando que ela se abrisse com ele dessa forma.
— Quando afastei o Naruto, eu tinha acabado de conhecer o Sasuke. Ele me deixou intrigada. Era muito desafiador. Aos poucos, ele foi me curando. Quando eu menos percebi, estava apaixonada por ele. Só que você ainda era um tormento. Eu pensava que nunca estaria pronta para viver um novo relacionamento. Tinha medo de me machucar de novo.
— Mas ele conseguiu se tornar o seu namorado...
— Conseguiu, mas depois de muito persistir. E eu consegui ser feliz de novo, Sasori. Foi por pouco tempo, mas eu consegui! Mesmo depois de você me quebrar em milhões de pedacinhos, eu consegui. Por isso, eu acho que você é capaz de conseguir também. Vai demorar. Vai doer. Entretanto, um dia as coisas vão voltar a fazer sentido.
Sakura terminou de falar aos prantos. Ela chorava silenciosamente. Sasori chorou junto. Eles compartilhavam a dor de um amor. Emocionado, o ruivo abraçou a médica com força e em seguida beijou todo o rosto dela até chegar na boca. Ele selou seus lábios ao dela num gesto gentil e ela não o recusou. Sabe se lá porque, mas Sakura o retribuiu. Talvez Sakura tivesse começado a ver que Sasori tinha sido tão vítima daquela situação toda quando ela. Quando o beijo acabou, Sasori se deitou na cama e colocou a cabeça no colo de Sakura, que começou a fazer cafuné nele.
— Eu te amo, Sakura. – Ele falou tranquilamente, sem esperar um “eu também” de volta.
— Antes de me amar, gostaria que você se amasse. Cortar os pulsos não resolve nada.
— Eu sei. Eu só queria o seu perdão. – As lágrimas ainda escorriam por sua face.
— Eu te perdoo, Sasori. Acho que finalmente consegui ver seu verdadeiro eu. – Disse após beijar a testa dele.
— E quem sou eu?
— Um homem desesperado por amor.
— Então, me ame! – Sasori se levantou e encarou Sakura.
— Ah, Sasori... – Ele a puxou e aprendeu contra o seu corpo. Em seguida, a deitou na cama e ficou por cima dela.
— Eu posso fazer você me amar de novo.
— Eu também não duvido... – Sakura confessou já de olhos fechados. Sasori a beijou de novo, mas Sakura conseguiu sair dos braços dele. – Mas não vai ser dessa vez...
— Ah, Sakura!
— Você precisa se tratar, Sasori! Eu acabei de sair de um relacionamento e nossa história é complicada. Vamos deixar rolar, está bem?
— Então eu tenho chances?
— De ser meu amigo talvez, de voltarmos a namorar quem sabe em outra vida? – Piscou e saiu do quarto. No entanto, Sasori a seguiu até o quarto da médica.
— Não tem nenhum meio termo entre o amigo e o namorado?
— O que você tá sugerindo? – Ela arqueou uma sobrancelha.
— Sexo casual. – Falou como quem não quer nada e Sakura riu.
— Não é porque eu te trouxe pra minha casa que estou te dando essas liberdades, entendido?
— Sempre durona – Bufou — Não custava nada você me dar mais um pouquinho de atenção!
— Vá dormir, Sasori! Eu to sendo paciente, porém se soltar mais um gracejo eu te jogo pela janela e aí você não vai ter mais chance nenhuma de nada. Entendido?
— Tudo bem! Você que manda! – Saiu de fininho e Sakura se trancou no quarto, por precaução. Conhecendo Sasori, sabia que ele poderia muito bem se jogar na sua cama no meio da madrugada. E, mesmo ainda apaixonada por Sasuke, aquele ruivo ainda era uma bela tentação. Ainda mais depois de tê-lo perdoado.
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