Papéis voavam pelo chão limpo. O banheiro feminino se encontrava vazio. Encostada na parede com as mãos caídas pelo colo, ela dormia profundamente. Logo depois do ataque contínuo, a dor seguiu alastrando, e não aguentando desmaiou. Agora tudo parecia em plena paz.

Naturalmente abrira os olhos. Demorou para racionalizar a situação presente. Ainda se encontrava no banheiro. Levantou, caminhando para fora da área de sanitários e uma mulher com um bebê no colo passara correndo ao seu lado, esbarrando-na. Estranhara a movimentação. As áreas de vendas de passagens continha suas janelas abaixadas, assim como as lojas da praça de alimentação. Vira então que suas malas continuavam no mesmo lugar daonde saíra, quando não estava bem. Vivian correu até elas, apanhando-as.

Deu uma olhada ao redor. Diversas pessoas se encontravam desesperadas e uma fila de bombeiros entravam e saíam pela porta rotatória, a entrada de acesso às aeronaves. Vira também que um dos aviões se encontrava tombado, em chamas. Com a adrenalina já lhe subindo as veias, Vivian correu desajeitada em direção a porta, porém uma mão masculina a impedira.

- Não é seguro. Para trás, por favor.

O segurança do aeroporto lhe empurrava para o lado oposto. Irritada, gritou com o mesmo.

- Eu apenas quero saber o que houve!

- Um acidente com uma aeronave acontecera a 30 minutos. Seus olhos arregalaram-se.

-E qual era o voo?!

- 170, acho.

Não podia ser. Vivian desabou. O voo que ela pegaria.

- É grave? — Ela dizia, tentando não deixar o desespero tomar conta de si.

- Olha, eu não sei de nada. Estou aqui para impedir a entrada de pessoas, portanto, para trás.

Ela saíra, seu olhar estava sem rumo. Seria o avião em que embarcaria. Por pouco e ela talvez estaria morta agora. Havia sido demais. Uma multidão se formou atrás das entradas principais do aeroporto. Desviando-se das pessoas em desespero, chamara um táxi.

Por sua alegria, desorientou-a de seu destino. Por culpa disto, demoraria ainda mais a ver sua amada. Mas pelo bem dela, seria capaz de tudo. Ainda não lhe havia chegado a hora, não poderia partir daquele jeito. Ele estava grato pelo aviso antecipado. Muito obrigado, pai.


No sofá, ainda não havia racionalizado direito o que tinha acontecido no aeroporto. Vivian estaria morta agora, se não tivesse aquele tinir agudo denovo. Estava grata, mas ainda sim pensava nos possíveis passageiros que estariam mortos agora. E Gregori? Ele pegaria o mesmo avião. Ah, meu Deus. Encolheu o rosto nas mãos trêmulas. A televisão a sua frente exibia uma programação de culinária, que fora interrompida com o plantão do canal. Uma mulher começara a falar rapidamente, como se estivesse com pouco tempo para isto. Vivian imediatamente fitou os olhos na TV.

Acabamos de receber uma nova informação do acidente no aeroporto internacional de San Francisco! Foram confirmadas 72 mortes. Outros 60 saíram com alguns ferimentos, mas passam bem. Na decolagem, foi detectada uma pane nos painéis principais, e por estar já no ar o avião não conseguira aterrisar. Caiu na pista, tombando. Mesmo com as rodas de pouso acionadas, o avião não teria pista o suficiente e bateria em um prédio residencial próximo. Mais informações em breve!

Seus olhos se encheram. 72 mortes? Impossível. Abaixou o rosto, fechando os olhos que deixaram escapar caminhos de lágrimas pelo rosto. Ela começara uma oração silenciosa, em agradecimento ao Livramento que recebera e as vidas perdidas. Será que passaria o noticiário em Nova Iorque? É melhor ligar para Bárbara.

Esticou os braços e apanhou um telefone sem fio, em cima da mesa de centro da sala. Discou um número e um toque era audível.

- Alô?

- Bárbara, sou eu, Vivian — sua voz saíra rouca e não aguentando, chorou intensamente. Soluços eram perceptíveis do outro lado da linha.