Sinceramente eu não sei se vale a pena ficar gastando lágrimas com o Soluço enquanto ele estiver nessa ''situação''.

Estava em meu passeio noturno com Tempestade, apenas faço isso quando estou de cabeça quente. Prefiro os passeios matutinos.

Cogitei a ideia de ir jantar no Grande Salão, afinal faz tempo que não falo com a galera. Desde a reunião, se eu não me engano. Até que tinha bastante gente lá.

Fui em direção aos cavaleiros e sentei-me ao lado do Perna-de-Peixe. Eles conversavam aleatoriamente, diversos assuntos foram mencionados, dentro deles, o principal foi minhas brigas mais recentes com o chefe. Suspirei pesadamente. Mas depois até que fui me entrosando e consegui deixar de lado os pensamentos que me cercavam.

A porta do Grande Salão abriu-se, revelando uma figura acabada, cabelos bagunçados, orbes com olheiras e pele suada. Reviro os olhos e finjo que não percebo sua presença.

Ele se senta ao lado de Melequento, ficando frente à mim.

— Desculpem pelo atraso. Tive muito...

— Trabalho. — o interrompo. Não dá, não consigo deixar para lá.

— É. — ele concorda. — Imagino que simplesmente voou por aí. — o mesmo sorriu, em provocação.

O que tem de errado nisso? Os pilotos apenas observavam, até então ninguém ousou abrir a boca para falar um simples ''ai''.

— Existe algum problema nisso? Pelo menos arranjo tempo na minha agenda para as pessoas importantes na minha vida. — falei, aumentando o tom.

— Escute aqui, eu também tenho tempo para as pessoas importantes na minha vida, ou seja, Banguela. — ele respondeu no mesmo tom.

— Não acha que está tendo tempo demais? Banguela esta exausto! Agradeço aos deuses por saber cuidar de meu dragão e não ser igual a você. — já estou farta!

— Banguela está bem! — Soluço está com ódio, dava para ver em seu olhar.

— Cara, o Banguela está exausto! — Melequento se manifestou. — Olha a cara dele.

— Cale a boca! Não estou falando com você! — Soluço gritou. Puf! Que rude.

Os vikings encolheram-se nos bancos, com medo obviamente, do idiota descontrolado aqui.

— NÃO ME DESAFIE ASTRID, SOU O LÍDER DE BERK. FILHO DE STOICO O IMENSO! NÃO OUSE FAZER TAMANHA IDIOTICE! — ele se pôs de pé.

— NÃO? OLHE PARA VOCÊ. VEJA O QUE SE TORNOU! NÃO CHEGA NEM PERTO DO SOLUÇO QUE CONHECI. — já estava de pé, o encarando.

— EU ME TORNEI UMA PESSOA CIVILIZADA E RESPONSÁVEL!

Que desculpa mais esfarrapada, quem diabos diz isso pra se livrar de algo?

— PENSE NO QUE SEU P...

— MEU PAI MORREU. — ele fez uma pausa. — E ponto final, — diminuiu o tom. — morreu e não irá mais voltar. SE ME DESAFIAR, IRÁ SE ARREPENDER.

Senti o pequeno Fúria da Noite abaixar a cabeça. Parece que Banguela ainda se culpa pelo que fez.

— JÁ ESTOU TE DESAFIANDO, PEQUENO HADDOCK MUDADO, FOI DE MAL À PIOR.

— EU POSSO TER MUDADO, MAS VOCÊ NÃO IRÁ ME MUDAR! VOCÊ É INÚTIL E SEMPRE FOI, EU NUNCA TIVE CORAGEM DE DIZER MAIS AGORA EU DIGO: VOCÊ NEM DEVERIA SER UMA HOFFERSON, É UMA VERGONHA PARA A PRÓPRIA FAMÍLIA!

COMO É QUE É?

Pulo para cima da mesa já com meu machado nas mãos, Soluço dá um passo para trás quando coloco a lâmina em seu pescoço.

— Quem é o fraco, Haddock? — solto um sorriso maléfico, eu estava mesmo disposta a matá-lo. Ali mesmo, de tanto ódio.

Vejo ele fazer um movimento disfarçado tentando pegar a espada. Olho de relance para o lado e vejo uma figura se aproximar.

— PAREM COM ISSO! AGORA MESMO! ENLOUQUECERAM?! — era Valka.