Voltamos a Berk pouco tempo depois do acontecido particularmente desagradável. Soltei um breve suspiro. O que estou dizendo? Aquilo foi uma droga, e graças ao meu egoísmo Soluço quer arrancar minha cabeça fora!

— Talvez eu devesse mesmo dar o meu machado para ele fazer isso com gosto. Me sinto péssima, garota. — pus as mãos sobre o rosto. Notei que Tempestade se aproximava de mim lentamente, de repente ela pediu carinho. Até que isso é bom.

Sentei-me no primeiro degrau de escadas do Grande Salão e abracei os joelhos, pondo a cabeça entre eles rapidamente. Eu sinceramente me perdi em todos os meus pensamentos inúteis e nem percebi que um dragão incomum havia acabado de pousar atrás de mim. A figura que o montava aproximou-se cuidadosamente e pôs uma das mãos sobre o meu ombro e deu um sorriso singelo. Era Heather.

— Sentiu saudades? — ela perguntou, me fazendo olhar para trás rapidamente.

— Você duvida? — respondi, levantando para dar-lhe um grande abraço, fazia tempo que não nos víamos.

— Então, como vão as coisas? Melhor... E você e o Soluço? — perguntou maliciosa.

Eu não sabia se contava a ela a verdade ou simplesmente escondia.

— Astrid? — ela me chamou, fechando o sorriso. Mas ignorei.

Ela iria descobrir de uma forma ou outra.

— Astrid, acorda! Falei algo errado?! — perguntou, me balançando. Viajei.

— É que... Nós... Ah pra falar a verdade eu não sei o que está havendo entre eu e Soluço no momento mas... Ele pediu um tempo, e to em dúvida se esse tempo é literalmente um tempo ou um término de namoro. — confessei tristemente, até ela notou — pelo jeito que me olhou -, realmente precisa de alguém para desabafar. Me direcionei até Tesoura-de-Vento e acariciei-a.

— Bom, se ele quer um tempo, deixe. Talvez assim ele resolva os problemas dele e depois venha pedir desculpas ou para voltar. E enquanto isso... Que tal uma corrida em?!

Ah Heather, você e seus assuntos novos. Assenti e montei em Tempestade, ordenando que ela voasse imediatamente. Heather fez o mesmo com Tesoura-de-Vento. Fomos até a montanha mais alta de Berk e paramos na enseada. Acabei ganhando.

— Prontinho! E agora? — sorri em determinação. — Quer outra para perder de novo?!

— Boa, eu gostei. Mas será que consegue nos achar? — ela voou até o céu novamente, fui atrás dela logo em seguida.

Assim que adentramos as nuvens, perdemos elas de vista. Boa estratégia, aliás, muito boa. Então eu também terei que pensar em outra.

— Se não podemos vê-las, vamos ouvi-las. — falei para Tempestade. — Fique atenta em!

De repente algo tocou meu elmo. Olhei para cima e Heather apareceu de ponta cabeça. Ótimo.

— Gostei. Parece que perdi essa.

— Se gostou então siga-nos! — ambas executaram a manobra que gostamos de chamar de "mergulho nas nuvens" ou simplesmente "mergulho". Fizemos a mesma coisa e voamos em sincronia até a aldeia novamente.

Vi algo passar ao meu lado rapidamente como borrões, mas acabei ignorando, já que não se fez presente.

— Aquilo. Foi. Incrível! — falei pausadamente, recuperando o fôlego de todos os gritos que dei no meio das manobras.

— É, coisinhas básicas que aprendi. Em fim, faz muito que não venho para Berk. Precisa me contar as novid...

— Heather?! — Soluço e Banguela pousaram ao nosso lado. Agora sei quem eram os borrões.

— Ahn... Oi! — ela virou-se para trás, certamente reconheceu a voz.

Soluço a puxou para um abraço — já estavam a segundos, parecia que não iam se soltar -, aquele ódio pequenino bateu.

— Então, decidiu se mudar para Berk? — ele perguntou.

— Na verdade só vim fazer uma visita mesmo. — ela respondeu.

— Ahn que pena! Mas avise-me da próxima vez que vier. Daremos uma festa no Grande Salão em sua homenagem! — exagerou, eu mesma falaria isso, mas prefiro não...

As vezes ele parece o Stoico falando.

— Não é necessário... — Heather respondeu meio tímida.

— Claro que é! — praticamente gritou. Isso é pra provocar ciúmes? Na boa, a última coisa que sou na vida é ciumenta.

— Hum. Você tá legal Soluço? — perguntei.

Ele desvia as orbes verdes até mim. Havia algo de errado em seu olhar.

— Ótimo. — ele respondeu friamente.

Congelei, hipoteticamente.

— Tá bravo? — perguntei, mas negou com a cabeça. — Não queria te mago...

— EU NÃO ESTOU BRAVO! — arregalei os olhos. — Desculpe... Eu... Só estou meio cansado.

— Ah, porque não perde ajuda pra...

— NÃO! — novamente?! Eu é que deveria estar brava. — E-ela já está ocupada...

Bom eu claramente irei escolher a opção "ficar quieta", porquê não duvido nada que ele vá explodir a qualquer segundo na minha presença.