Self-Love
1 Único.
Notas iniciais
Desta vez, uma one Bermuda x Tsuna (B27).
E vocês já devem ter percebido como gosto de fazer casais peculiares não?
Pois é... é a vida.
Boa leitura.
Self-Love
“O castigo do egoísta é morrer sem afetos.”
Fitou, com olhos vítreos, o recipiente redondo onde uma tremeluzente chama índigo laranja-dourado. Estava cercado por sete daqueles recipientes, cada um contendo e protegendo uma das sete chamas do Céu; mas, dentre elas, apenas uma lhe chamava a atenção. A chama que um dia dominou e a mesma que alguém de alta importância para si dominava com precisão.
Sentado sob o chão frio, o homem não movia-se um milímetro e sequer chegava a piscar; podia-se facilmente ser comparada a uma estatua de cera cercada de escuridão e trajando roupas que mal o destacavam nas sombras. Ao seu lado, sob o chão, uma cartola se fazia presente, intocada, e sob a mesma um par de luvas de veludo branco.
Piscou, demonstrando algum simples sinal de vida além do brilho estonteante de seus olhos cor de carvão, mas mesmo isso fizera alguma diferença no silencioso cômodo escuro.
Desistindo de apenas observar, o homem esticou a mão em direção ao recipiente arredondado e não demorou muito para que o som de correntes arrastando-se no chão ecoasse, enquanto o mesmo recipiente onde a chama índigo dançava, se aproximava da figura sombria.
Quando o recipiente já encontrava-se próximo o suficiente, o homem de cabelos negros quase tremia, num misto de nervosismo e angustia. Era tão quente e, ao mesmo tempo, frio; um frio consistente que fazia com que o moreno se arrependesse amargamente do que fizera. Mas mesmo que o arrependimento e a aversão por suas ações fossem grandes o suficiente para destroçá-lo por dentro, ele, ainda sim, queria continuar com todos aqueles – merecidos – sentimentos. Por que eles eram a única coisa que lhe davam um certo gosto de humanidade.
Fechou os olhos, acenando para que as correntes levassem novamente o recipiente a seu devido lugar, e no mesmo movimento pegou a cartola e as luvas ao seu lado. Depositou, numa ação lenta demais para si, a cartola sobre a cabeça e logo ergueu-se vestindo as luvas com uma precisão minuciosa e desnecessária.
Deu as costas e num tilintar de correntes as sombras o engoliram. O silencio era cruel dentro da eternidade escura e vazia, e quando sentiu o chão sob os pés mais uma vez o homem encontrava-se no corredor; extenso, sombrio e mal iluminado. Não tardou para começar a caminhar tendo um rumo que, para si, possuía uma familiaridade que não deveria existir.
Em pouco mais de quinze minutos alcançara a singularidade de uma entrada cuja porta já não existia, a única prova de que tal cômodo chegou a possuir uma eram as marcas grotescas que haviam sido deixadas no nas laterais da entrada e também as dobradiças curvadas que ainda se encontravam incrustados no cimento. Ignorando a aterradora escuridão que embebia o cômodo, afinal já se acostumara a mesma, o homem continuou seu percurso; vez ou outra uma pequena claridade mostrava-se em um dos lados, esta que pertencia aos tanques cheio de água onde corpos humanos envoltos por panos e correntes – isso junto a cabelos intermináveis que cuidava de manter cada um vivo – se encontravam sobre a fraca luz.
Depois de ultrapassar, em media, cinco ou seis tanques, chegara a um extremamente familiar e apreciado. Apenas o vidro grosso e as águas turvas frias separavam o homem de cabelos escuros da figura magra, acorrentada e fragilizada no interior da grande prisão aquática.
Em nenhum momento desviou o olhar da pele pálida, ou dos fios castanhos, longos devido ao tempo extenso que se encontrava preso, que dançavam no liquido transparente. Uma mascara de oxigênio o permitia respirar enquanto tubos ligados a seus braços e costas, permitiam que seu corpo ainda se mantivesse vivo.
Sutilmente ergueu uma das mãos e tocou no vidro que o distanciava de seu precioso prisioneiro. Mesmo tendo a proteção aveludada de sua luva, o presidiário podia sentir a frieza do liquido que jazia parado ali dentro do tanque, e chegou a questionar-se como o rapaz ali dentro suportava; mas a realidade vinha a si quando percebia que o castanho não sentia por que estava inconsciente, num sono induzido que o homem prezaria e manteria eternamente; como a relíquia que o rapaz era para si.
Aproximou-se mais, encostando sua testa no vidro enquanto – diante de tal ação – sua cartola desabava num baque surdo contra o chão. Mas mesmo isso provocara alguma mudança no ambiente a seu redor. Era o mesmo, era sempre o mesmo até antes do adolescente, ou melhor, do homem de cabelos castanhos chegar.
Fazia quanto tempo? Um ano? Dois? E então o Vindice piscou mais uma vez, erguendo o olhar para a face serena e jovial, cuja não parecia ser afetada pelo tempo; como um boneco bem preservado. Então os lábios do homem se abriram numa compreensão muda e numa saudade mal contida.
Fazia doze anos. Há doze anos não via as belas, calmantes e doces orbes castanho-douradas daquele que tinha – e ainda tem – o dom e o potencial para ser o mais poderoso chefe que a Vongola jamais terá.
E amargurado, Bermuda riu. Era tão pateticamente ridículo aquilo, mas ele não se arrependia por que Tsunayoshi agora era seu, somente seu.
Seu precioso tesouro.
Seu querido anjo.
Ele o quis desde que o vira pela primeira vez, o quis como nunca quisera algo antes. Era obvio que o desgosto por si próprio, a impotência, seu ódio e muitos outros foram fatores que o fizeram manter distancia do Sawada inicialmente; mas quando Tsunayoshi lutou consigo, quando ele o venceu de forma tão formidável e atraente, Bermuda Von Vichtenstein viu-se incapaz de se conter por muito tempo.
A cerimônia de herança se aproximavam logo o adolescente se tornaria um Chefe e não teria tempo para nada, nem um relacionamento – não que o homem de cabelos negros nutrisse alguma esperança de que Tsunayoshi iria lhe dar uma chance, ele era realista, sabia que o jovem o temia mais que qualquer outra coisa. e fora a impulsividade e o egoísmo de querer aquela figura tão pequena, tão frágil e ao mesmo tempo tão perfeita e imponente; que o líder Vindice caçara todas as formas de fazer com que o seu precioso tesouro não aderisse ao cargo de Décimo, e eis de que sua chance surgiu quando ele havia descoberto que um dos legítimos filhos do Nono estava vivo, perdido, mas vivo; e isso fora o suficiente.
Frederico havia retornado e ao ver de Bermuda, Tsunayoshi não seria mais necessário a Vongola; por mais que ele tenha lutado e treinado, por maiores que tenham sido suas vitorias, ele ainda não era o filho original do Nono, o que fazia dele apenas uma peça para que a Vongola não fosse extinta.
Claro que na Vongola não se pensava assim, Tsunayoshi Sawada seria o Décimo, isto – é claro – se o Vindice major não houvesse o levado consigo e o posto num dos tanques de isolamento onde apenas ele e seus subordinados tivessem acesso. Obvio que nenhum Vindice fora contra a decisão de seu chefe. Bermuda é Bermuda, e suas escolhas são regra e lei.
E assim se faz o desfecho de um amor unilateral onde nunca poderá se obter carinho ou qualquer outra emoção. Eternamente Bermuda era apreciá-lo, e eternamente Tsunayoshi ficara preso na terra dos sonhos, imutável e isento de sua liberdade. Talvez estivesse a sonhar com algo bom, mas isso não era importante para o homem que agora abaixava-se para pegar sua cartola. Tudo o que importava para o Vichtenstein era que seu amado tesouro ainda estivesse ali para ele, para sempre.
Fim.
Notas finais
E, eu acho, não tenho certeza, que a Soph vai vir gritar comigo mais tarde por não ter avisado a ela que eu ia postar essa one.... haha.
Byee ~♥.
PS: qualquer erro corrigirei mais tarde quando eu acordar.
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