Selene • Spin-of

3 Capítulo 02 - O olhar


Notas iniciais
Atenção! Esse capítulo contém cenas picantes e eu amei escrever kgjghkjgfkj porém peço que se estiver ruim me deem créditos, foi minha primeira vez escrevendo hot >

Depois da torta e do café ela sentia o corpo quente por dentro. O gosto de canela e de morango ainda dançavam por seus lábios e em algum momento no caminho para casa a boca começou a salivar, Selene parou. A chuva ricocheteando o chão e salpicando suas roupas. Talvez fosse uma ótima ideia voltar e comprar mais, quem sabe fazer um estoque no quarto, assim, pensou ela, não precisaria descer e conversar com os pais. Podia curtir a semana do saco cheio da faculdade à vontade com as séries e os livros acumulados.

Quando estava prestes a dar meia volta, uma buzina familiar soou.

Selene revirou os olhos.

— Não precisava ter se incomodado, mãezinha do meu coração — ela desceu da calçada e fechou o guarda-chuva no momento em que bateu a porta do carona. O barulho surdo ecoou pelo espaço fechado.

— Por favor — suplicou — Selene… pare de usar ‘mãezinha’ como um nome horrível. Parece que você está pronunciando a coisa mais abominável do mundo.

— Não quero conversar — Selene deixou que o corpo afundasse no banco de couro do corolla da mãe.

Fernanda a olhou por alguns segundos. O mesmo vinco que Davi possuía quando se zangava ela via no rosto da filha, as bochechas macias e redondas e o nariz arrebitado.

Por instantes teve vontade de tocar a pele da bochecha de Selene, se certificar que aquela coisinha irritante, teimosa e tão linda havia saído de dentro de si. Por instantes desejou que Selene fosse um bebê novamente, sentiu saudades da época que ela precisava de Fernanda para tudo.

Sentiu saudades da época em que era amada pela filha.

Selene estava mais concentrada no próprio celular do que em qualquer coisa e quando o carro estacionou na porta de casa ela desceu para abrir o enorme portão de ferro.

As rodas do portão rangeram quando ela cessou o movimento de empurrar, o portão escancarado dando passagem ao corolla da mãe. O hb20 do pai estava estacionado e coberto pela lona de proteção, Selene deduziu que o pai não sairia de casa nem tão cedo.

Quando entrou em casa Selene deixou os sapatos encharcados na soleira e o guarda-chuva pendurado no gancho. Embaixo um pote coletava a água.

— Querida — Davi a abraçou, o cheiro familiar de camomila do pai era como um dia de sol. Selene sorriu.

— Oi pai — ela retribuiu o abraço.

— Sua mãe estava preocupada — Davi a repreendeu, as mãos segurando firme nos ombros da filha. — Marlon disse que você saiu da faculdade sem ele e que desligou todas as chamadas.

Selene encarou o pai como se não o enxergasse.

— Você ouviu o Marlon?! — indignação pulsava nas veias de Selene.

— Bem, sim, né? — Davi a questionou, o vinco na testa surgindo motivado pela confusão.

— Não! — Selene revirou os olhos e se desvencilhou do aperto do pai, os pés descalços pisando duro na madeira gelada.

Selene caminhava cada passo com mais determinação, precisava urgente se enfiar no quarto e ficar lá até o fim da semana de recesso.

A morena fechou a porta com cuidado, estava se sentindo vigiada, mas não quebraria nada por pura histeria. Ela queria, Deus sabia o quanto. Mas não o fez.

O corpo despencou na cama como um saco de lixo inanimado, mais rápido do que imaginou ela pegou no sono, com roupa molhada da chuva e tudo.

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Quando acordou o rosto estava molhado pela saliva, ela enrugou a testa, odiava as vezes em que babava. Acordava com o rosto todo molhado e com gosto ruim na boca. Selene levantou. A Lua já em seu pico

Uma rápida olhada no celular denunciou que já passava da meia noite.

Ela cambaleou pelo quarto enquanto tirava a roupa desconfortável e substituia por um pijama leve com estampa floral. Havia ganhado o presente de Marlon, no momento parecia pouco apropriado usá-lo, já que ela vinha o ignorando há dias.

Com o celular em mãos ela saiu pelo corredor, algumas mensagens de Marlon lhe chamaram atenção.

Fala comigo, por favor

Selene me atende

Meu Deus, o que eu fiz pra ter esse tratamento?

Selene encarou o celular indignada e o atirou contra o sofá, estava pretendo passar a madrugada assistindo série na sala, mas um grunhido vindo da direção em que atirou o celular a chamou atenção.

— Pai? — Selene caminhou a passos largos até o sofá.

Nele ela encontrou uma visão pouco típica. Davi estava meio enrolado em cobertas e meio enrolado em almofadas, o cabelo estava despenteado e a fina mecha branca que possuía estava mais bagunçada que de costume.

— Tá fazendo o que acordada a essa hora? — Ele piscou os olhos esfregando-os com os punhos.

— Eu faria essa mesma pergunta a você — ela pigarrou.

— Não preciso responder você — ele revirou os olhos azuis intensos. — Eu sou o pai.

— Okay pai, agora volte para o seu quarto — Selene começou a puxar-lhe as cobertas.

Davi protestou, como se fosse novamente o adolescente que dormia na sala ao invés do pai de família de 51 anos. O corpo estava perfeitamente confortável onde estava e Fernanda estava com um humor péssimo, a mulher mesmo o havia expulsado do quarto quando ele tentou a abraçar.

— Sua mãe não me quer no quarto — Davi confessou, os olhos azuis encobertos por uma sombra que Selene não via há algum tempo.

— Eu sinceramente nem quero entender porque vocês ainda estão juntos — Selene revirou os olhos, ainda puxando as cobertas do pai.

— Eu a amo, Lele — ele a chamou pelo apelido. — Há coisas nessas vida que o amor suporta, minha relação com a sua mãe ainda é uma dessas coisas.

Ele sorriu.

Selene o encarou. A sombra no olhar ainda estava lá, ela podia ver que havia alguma coisa acontecendo entre os dois. A prova maior era Davi estar dormindo no sofá da sala em plena sexta-feira.

— Pode dormir no meu quarto — Selene dobrou a coberta felpuda e a entregou para o pai que já estava de pé, o corpo meio cambaleante quando ele deu a volta na mesinha de centro e começou a caminhar.

— Acho que você devia dormir com a sua mãe — Davi sorriu de leve. — A nossa cama king não merece ser ocupada por uma só pessoa.

Selene fez careta.

— Deus me livre dormir no lugar que vocês… — Davi pode jurar que viu o rosto da filha verde. — Credo!

O mais velho riu.

— Durma, okay? Não fique até tarde acordada — ele pediu.

— Como se eu fosse fazer alguma coisa no sábado — Selene revirou os olhos.

— Dormir Selene, dormir!

A voz era autoritária então Selene apenas bateu uma continência forjada e se jogou no sofá macio. O cheiro de camomila do pai estava impregnado nas almofadas e subiu quando ela se jogou. Alguns segundos depois dela mudar de canal e se aninhar — na própria coberta que havia trazido do quarto -, o pai fechou a porta do quarto com um pequeno clic mudo.

Selene se afundou mais no sofá e deixou que todo o corpo relaxasse nas almofadas grandes e previamente aquecidas, o coração parecia acelerado por alguma razão. Ela tinha a sensação de que o mundo parecia levemente fora de órbita. Naquele dia tanto havia acontecido e ao mesmo tempo nada havia acontecido.

Ela se sentia estranha. Presa dentro de uma pele que não parecia ser a sua real.

Era como se houvesse vivido boa parte da vida sob um sistema e de repente ele houvesse falhado.

Selene encarou a foto no ecrã do celular, ela sorria e abraça Marlon pela cintura enquanto ele a olhava. Parecia apaixonado. Pareciam perdidamente apaixonados. O cenário era a antiga chácara da mãe de Marlon que ficava em alguma cidade com nome estranho no interior. Selene vasculhou um pouco mais a foto.

Os detalhes que conseguia captar pareciam ter saído de um livro estranho. Aquela cena por completo parecia digna de filmes, mas ela não sabia em que ponto havia perdido aquilo que via na imagem.

Marlon aparentemente ainda a amava. Ela… ela… ela não sabia mais o que sentia por ele.

O celular começou a vibrar em sua palma, a vibração aparecendo primeiro que a foto e o nome “querido ♥” brilhava forte.

— Alô — Selene foi a primeira a falar.

Ela sabia exatamente quem estava ligando, não estava se fazendo de louca nem nada, mas parecia estupidamente estranho o chamar de ‘amor’ ou ‘querido’ naquele momento. Ele não era nada daquilo para ela.

— Sério Selene? — Marlon soava raivoso, ele nunca a chamava pelo nome, então aquele já era um belo indício de que estava puto com ela.

— Oi Marlon.

Selene devolveu na mesma moeda, mesmo sabendo que não teria o mesmo peso. Ela o chamava pelo nome desde que o conhecia, guardando os apelidos carinhosos para horas mais… íntimas.

Selene quase pode ver o rapaz revirar os olhos quando ela o respondeu.

— Por que foi embora? — o tom de mágoa era palpável.

Selene raspou os dentes na própria língua, se certificando que aquele gosto horrível era apenas coisa da própria cabeça.

— Queria pensar um pouco, respirar ar puro — respondeu indiferente.

Não fazia diferença de qualquer forma. Marlon não conseguia entender as palavras que ela dizia.

— Respirar? Porra Selene — Marlon parecia estar correndo, a respiração estava mais acelerada. — Que desculpa de merda!

Selene revirou os olhos, afundou o rosto na almofada e desligou a chamada.

Ela sabia o que ele estava prestes a fazer. Sabia como conhecia a própria curva das bochechas que ele havia colocado aquele maldito tênis azul de corrida, tirado a camiseta e começado uma corrida frenética até a casa dela. Sabia que ele chegaria em meia hora e sabia que tentaria lhe agarrar.

Ela encarou a tela da televisão, um noticiário qualquer dando um notícia sobre corrupção qualquer. Ela piscou forte, várias e várias vezes. Algumas lágrimas estavam quase rolando pelo rosto, mas a técnica a ajudou. Elas secaram e o coração parecia ter parado no tempo.

Selene encarou a tela do celular, nenhuma mensagem de Marlon. E aquilo comprovava exatamente o que ele estava a fazer. Desde o dia que Davi contou sobre a carta que escreveu para uma paixonite do ensino médio, Marlon fazia aquilo. Em algum momento havia dito a Selene que era uma forma de eles sempre resolverem as coisas, de nunca dormirem brigados.

E Selene sempre caia no papo, sempre era levada pela emoção do gesto. Ela encarou o pulso fino e os dedos esguios. O anel de namoro que Marlon havia dado estava lá, a pulseira que ele a deu no primeiro ano de namoro deles também estava.

Ela encarou os objetos, os dedos passearam receosos pelos metais trançados. Um suspiro escapou do peito quando ela percebeu que não tinha forças para tirar aqueles símbolos. Ela rodou o anel fino da cor de opala no dedo. Nostalgia a dominou.

Antes que as memórias viessem ela as espantou, levantou do burraco em que havia se enfiado e caminhou até a cozinha atrás de qualquer coisa que fosse capaz de calar aquela revolta que seu estômago fazia. Ela sabia que era a gastrite atacada, a ansiedade a corroendo literalmente de dentro para fora. Selene umedeceu o rosto na pia da cozinha antes de voltar para o sofá com uma porção de mousse e um copo de água.

Os minutos que passou apreciando o sabor azedo do mousse não duraram muito. Em pouco tempo Marlon estava no portão, tocando a campainha, mesmo que fossem quase duas da manhã. Selene o viu pela janela, o corpo extremamente malhado e suado.

Ela suspirou.

— Vai princesa — Marlon suplicou —, tô congelando aqui fora!

— Você podia estar usando camiseta — Selene caminhou até o portão de ferro, desviando dos carros dos pais e descalça.

Marlon tinha razão, o clima do lado de fora da casa era frio e o vento gelado parecia uma espada cortando as articulações fracas da morena.

Selene abriu o portão e no instante que os olhos azuis encontraram os castanhos de Marlon ela esqueceu como falar, esqueceu de brigar com ele e de lhe chamar de idiota por estar na porta dela às duas e sem camisa.

O olhar… Aquele olhar conseguia arrancar tudo de Selene e foi o que o olhar fez.

Marlon avançou, como um predador faminto em direção à Selene. As mãos já conheciam cada centímetro do corpo da namorada, mas aquilo não o impediu. Com dedos calejados e ásperos ele passeou as mãos pelas costas de Selene, pelo pescoço e pela cintura.

Selene não teve tempo de ser consciente, aqueles dedos e aquele olhar a conheciam melhor que qualquer um no mundo. Um suspiro exasperado lhe escapou dos lábios e o corpo se rendeu.

Quando deu por si já procurava desesperadamente a boca de Marlon, os lábios passeando pelo pescoço suado e indo em direção a linha do maxilar marcada. Cada beijo que depositava incendiava seu corpo como se estivesse dentro de um vulcão.

Marlon riu, a risada quase como um ronronar reverberando nos lábios vermelhos de Selene.

— Sabia que tudo aquilo era só saudade — ele sorriu e roubou os lábios vermelhos para os próprios lábios.

Não aguentava mais esperar nem um segundo sequer.

Selene já havia esquecido do frio e do pai no próprio quarto quando arrastou Marlon porta à dentro e o atirou no sofá. Desejo brilhava nos olhos do rapaz e o volume nas calças indicava a Selene que ele estava pronto para aquilo que ela queria. Com passos rápidos ela trancou a porta atrás de si e fechou as cortinas, logo se lançando ao rapaz que a pegou pela cintura.

Marlon lhe chupou de leve a curva na clavícula exposta e com as mãos na cintura a virou, prensando suas costas no sofá que estava levemente quente e úmido pelo suor dele.

— Hoje você vai ser minha como nunca…

Marlon sorriu e puxou alguns fios de cabelo castanhos de Selene, o ato arrancando gemidos altos da morena e então ele desceu.

As mãos fortes e firmes logo puxaram para baixo o short florido do pijama e a calcinha fina e preta, Selene sentiu quando a respiração ofegante de Marlon lhe tocou a pele flamejante da coxa. Ela impulsionou o quadril para cima para que Marlon entendesse logo o recado e ele havia entendido.

Com a destreza que só Marlon conseguia, ele chupava e lambia seu clitóris como se fosse seu esporte favorito. Selene não conseguiu conter o movimento involuntário das mãos e logo os dedos macios se abriam e fechavam nos cabelos castanhos do homem que lhe tomava como nunca.

Ela gemeu porque sentia todo o corpo eletrizado e quando Marlon estocou dois dedos dentro de sua vagina ela sentiu todos os músculos contraírem.

Marlon a deixou à beira do primeiro orgasmos quando subiu e a beijou, os lábios molhados e a respiração ofegante dele a excitava como nunca haviam feito e ela não resistiu e lambeu o maxilar forte dele.

Ele sorriu enquanto tirava o pênis para fora das calças de moletom que usava, Selene notou a facilidade com a qual o membro ereto pulou para fora e notou que ele estava sem cuecas, ela sentiu o corpo estremecer e soube que havia ficado ainda mais molhada.

— Não me torture Marlon — ela grunhiu puxando-o para perto pelas costas.

As unhas cravadas na pele dele quando ele emitiu um gemido perto do ouvido dela. Selene gemeu em resposta, o corpo obedecendo a comandos invisíveis de Marlon.

— Só se você me pedir, docinho — Marlon sugou o lóbulo da orelha de Selene e deu um suave beijo na maçã do rosto da castanha.

— Não vou implorar nada — ela brincou, o sorriso nos lábios travessos quando empurrou Marlon no sofá e subiu sobre ele.

Selene não deu tempo para que Marlon pensasse, ela apenas o montou. Estava acostumada a ele, conhecia seu corpo de olhos fechados e quando o pênis a penetrou até o fundo ambos gemeram juntos. Selene deu as primeiras galopadas tímidas, sempre ficava acanhada quando ia por cima, mas o desejo e a vontade faziam sua boceta latejar e ela precisa imenso dele.

O movimento do quadril foi aumentando no ritmo em que o coração de Selene batia e o pau de Marlon latejava, ela o sentiu contrair o quadril. Aquele pequeno sinal de que ele estava próximo e ela diminui a velocidade, os movimentos a levavam até o limite da extensão de Marlon e em um movimento rápido e meio desajeitado ele puxou a blusa fina do pijama a jogando em algum lugar da sala.

Selene freou os movimentos e Marlon mordiscou o lábio enquanto passava a mão pelo corpo escultural de Selene.

— Por favor não para — suplicou — amo ver os seus peitos pulando enquanto você me cavalga.

Selene sentiu as bochechas coraram, mas não deixou que a vergonha lhe tomasse. O corpo todo tremia e ela sentia a própria vagina se contraindo e apertando o pau de Marlon.

Ela aumentou o ritmo já sentindo o joelho fisgar, Marlon a pressionava com as mãos no quadril para baixo e o corpo começava a ceder. Ela sentia que ele estava por vir e que ela também estava, o cansaço e o prazer começavam a nublar a mente de Selene e ela não se deixou parar. O quadril se movia cada vez mais rápido até que Marlon começou a forçá-la para baixo, numa tentativa de fazê-la parar.

Mas Selene não estava satisfeita, ainda não havia gozado e ela ansiava por aquilo.

Marlon percebeu o olhar de puro prazer no rosto de Selene, ela havia fechado os olhos com força e mordia o lábio inferior. Sua missão havia ficado clara, ele levou o polegar até o clitóris de Selene e iniciou os movimentos circulares rápidos e leves.

Selene gemeu alto, a vagina se contraindo e prendendo o pênis de Marlon que ainda se mantinha ereto depois do gozo. Ele sorriu, porque amava ver o quanto ela era linda prestes a gozar e quando Selene lhe apertou o ombro e se jogou em cima dele, ele soube que estavam quites.

Selene ainda sentia a vagina latejar quando saiu de cima do pau de Marlon e se deitou no colo dele. Ela o encarou, os olhos escuros e brilhantes como sempre e sorriu, porque não se lembrava mais o porquê de estar com raiva dele.

Notas finais
O que eu seria sem meus leitores? Eai? O que acham de Selene e Marlon? São time Marlon ou time rapazinho da cafeteria? Opsss, acho que falei muito!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.