Aquele dia, o último dia, foi o mais quente de toda Paris. Um dia perfeito para sair nos jardins em busca de uma brisa quase inexistente, mas não para mim, eu nÃo tinha nenhuma vontade de sair do quarto e foi isso que eu fiz, me arrisquei em só sair na hora da escolha que toda França vai ver.

Diferente do que eu faria no quarto eu não costurei, muito menos tive um pingo de criatividade, minha cabeça doía de tanto chorar, meus olhos e nariz estavam vermelhos. Mas felizmente isso não foi algo que Tikki viu, ela parecia muito cansada na noite anterior, então deixei-a dormir o quanto quisesse, mas no primeiro sinal que ela ia acordar já perguntei:

–O que Ladybug não faria? – a fala de Plagg me perseguia para onde eu ia.

–Ela nunca trairia Chat Noir... – disse sonolenta e logo voltando a dormir.

Mas eu não o trai, não estive com Nathaniel... Porém trai sua confiança. Eu era a primeira garota no qual Adrien tinha se apaixonado e anteriormente ele descobriu que eu ainda via meu ex. Se Rose achava Lila mentirosa, talvez ela teria mudado de ideia ao me ver naquele momento.

Já tinha acabado o almoço que deixaram em minha porta e mandei Tikki ir passear, talvez ela voltasse sabendo o que aconteceu na noite passada, mas por mim tudo bem, não queria que ela soubesse por mim. Quando a pequena joaninha saiu não medi esforços para pular da cama e ir tomar um longo banho... Minha mãe sempre me dizia que sentir a água escorrer pela cabeça é o mesmo que ter todos os problemas retirados dela e... E eu concordava quando eu era uma criança e meus únicos problemas era uma prova, mas naquele momento não parecia conseguir tirar a bigorna que eu sentia na minha cabeça.

Terminei o banho e abri meu guarda-roupa, tantos vestido... nenhum realmente me agradava. Peguei um todo preto e outro com rendas vermelhas e tirei-as do vestido para costurar no todo escuro, era realmente um alivio poder costurar, pois isso era algo que me colocava na minha zona de conforto e por alguns instantes eu me preocupava mais em não furar o dedo e passar a linha pela parte certa.

O relógio do criado-mudo marcava quatro da tarde e era realmente estranho ver que Tikki ainda não tinha chegado sendo que a escolha seria ás cinco, vinte minutos ou mais se passaram e ela havia entrado no quarto, não pela porta como de costume, mas pela janela meio aberta e... Ela não parecia bem, um tanto abalada.

–Doí né, quando o passado vem a tona? – ela disse se sentando da escova de cabelos – Quando não se pode fazer nada, apenas ver suas escolhas te destruírem.

Eu estava prestes a pergunta-la o que tinha acontecido, mas ela continuou mais séria que nunca.

–Não estou falando de mim Marinette, há muito tempo parei de preocupar com as consequências das minhas ações. Estou falando de você e você não pode ter um príncipe e um guarda ao mesmo tempo, por que não escolheu um?

–Eu escolhi Tikki, juro que sim. Nathaniel terminou comigo na nossa cidade natal bem antes da Seleção começar, eu não sabia que ele viria para cá, juro que estou apaixonada por Adrien... Por favor, acredite em mim. – choraminguei de joelhos.

–É a primeira vez que quero, mas não consigo acreditar numa Ladybug. Me avise quando estiver pronta. – ela de cima da escova e me sentei na penteadeira.

“Não chore Marientte, não chore. Não agora que vai estragar a maquiagem”, pensei. Com o cabelo solto, apenas passei a escova e enrolei até as quatro e cinquenta, quando tinha que ir para um sala nos fundos do castelo.

No caminho Tikki e eu não conversamos sobre nada e quase não trocamos nenhuma palavra quando fui me sentar na mesa e ela ao lado de Trixx e Plagg. Na mesa eu e Lila estávamos uma na frente da outra, uma em cada ponta. Adrien ainda não tinha chegado, apenas seu kwami, mas todos estavam lá, minha mãe, as ex-selecionadas e até Alya e Nino atrás de uma cortina usando uniformes de criados, eles me acenaram e pareciam felizes por mim, claro que não sabiam do que acontecera noite passada, apenas forcei um sorriso para eles.

Meu sangue gelou quando a música tocou indicando a entrada da família real, Adrien se sentou entre nós e quase nunca nos olhava, sua mãe sentou a frente da mesa, mas o rei não estava lá e Adrien já parecia acostumado a não ver o pai em momentos importantes. Dennis entrou radiante na frente das câmeras que nos cercavam.

–Olá para toda França. Eu sou Dennis, seu apresentador e agora lhes apresento o que todo país esperava... A Escolha! – todos bateram palmas – Príncipe, tem algo a dizer?

Adrien sorriu sem graça para as câmeras.

–No começo tinha dez damas incríveis e foi muito difícil reduzi-las para duas, mas aqui estou eu e... – ele começou a rir, pois não tinha mais nada para falar – Desculpem-me, mas estou louco para sair daqui. – todos riram.

Lila mordeu o lábio e parecia apertar a própria mão, Adrien parecia num conflito interno, mas eu correspondia seu sentimento, só queria sair dali. Adrien levantou a cabeça, mas antes que pudesse falar, algo oval que apitava radicalmente foi jogado a um metro da mesa, uma bomba.

–Abaixem-se! – gritou um guarda que logo depois soltou um grito de dor – Lamina Negra, Lamina Negra! – o mesmo guarda disse.

Lila correu para o lado junto dos guardas, olhei para o outro lado e vi que dois guardas se transformavam em cavalheiros como o outro, um akuma estava causando tudo aquilo. Fui para baixo da mesa e puxei Adrien comigo, fiz sinal de silêncio tentando ouvir algo no silêncio que se expandiu no salão, sem mais gritos ou bombas. Mas aí, nossos olhos foram juntos a mais uma bomba que rolou até onde estávamos, no desespero não conseguimos fugir e fomos jogados até a parede, olhei para os dois lados e não tinha ninguém lá, nenhum guarda e nenhum cavaleiro. Mais uma vez puxei Adrien para trás de uma grossa cortina, eu não tinha me machucado tanto com a mini explosão, mas o rosto do loiro sangrava, mas não corria risco de vida.

–Vamos Adrien diga alguma coisa. – disse desesperada balançando o corpo desacordado do príncipe – Vai idiota, não faça isso comigo, não vê que eu te amo?... Juro que se você viver vou deixar você me chamar de my lady. Apenas volte para mim, me dê seu coração assim como eu te dou o meu.

Ele finalmente acordou, lentamente seus olhos se abriram e, com dificuldade, disse:

–My... my lady. Você pode machucar me... meu coração quantas vez... vezes você quiser, ele sempre foi seu para fazer o que quiser!

Ri com a idiotice dele, estávamos no meio de uma invasão e resolveu me perdoar quando estávamos correndo perigo. Nos beijamos.

–Não posso te deixar aqui! Você corre perigo, Hawk Moth e... – ele pôs o dedo na minha boca pedindo silêncio.

–Vá, transforme-se em Ladybug, confie em você como eu confio. – concordei com a cabeça – Tikki, transformar.

Meu vestido ficou vermelho com pintas pretas, uma fita vermelha surgiu no meu cabelo junto da mascara no meu olho.

–Volto logo. – ele sorriu ainda deitado no chão.

Não foi fácil passar pelos cavaleiro, tive de prender muitos nas dispensas do castelo com ajuda do meu ioiô, mas finalmente eu cheguei ao covil de Hawk Moth, a porta ainda quebrada. Lá estava ele, o causador de todos os akumas, Hawk Moth.

–Ora, ora. Olha quem está aqui, Lamina Negra. – ele disse olhando para mim e depois ao cavaleiro vermelho ao seu lado –Venha brincar joaninha.

O cavaleiro apontou sua espada a mim e cinco cavaleiros verdes surgiram marchando em minha direção, num pulo todos subiram em cima de mim e só consegui sair quando balancei meu ioiô no alto, eu já estava machucada e começando a achar que não sairia viva.

O normal seria correr até Hawk Moth, mas não daria certo com ele sendo protegido por Lamina Negra, então tive que separa-los, lancei meu ioiô na cintura do cavaleiro e puxei para mim, quando ele estava perto o bastante arranquei a espada e quebrei-a no chão.

–Tchau, tchau borboletinha. Agora você Hawk Moth.

Corri para ele e, surpreendentemente, ele não correu; Na verdade ele ria feliz e achou que ia me parar quando pegou uma das bombinhas que atiraram no salão, com o ioiô peguei a granada da mão dele e a joguei para longe, seu sorriso foi diminuindo cada vez mais.

Estávamos a menos de um metro, num surto de raiva o ataquei e coloquei a mão no miraculous em forma de mariposa em seu peito e ele torceu minha orelha, ambos ameaçando tirar o miraculous do outro, mas eu fui mais rápida e enquanto ele voltava para forma civil, me impulsionei para trás tirando sua mão dos meus brincos.

Olhei de volta para ele e arregalei os olhos:

–Rei Gabriel?! Por que?

–Marinette, que falta de educação essa sua, mas não posso esperar nada falando com uma Seis. Eu iria acabar com as selecionadas, meu filho não se casaria e seria fácil manipula-lo, mas o que importa agora? Não vão me pegar vivo! – ele tirou do bolso uma bomba maior que uma granada e jogou-a no chão.

A bomba explodiu quase instantaneamente, mas consegui me jogar num canto para me afastar da explosão. Não senti nada. Abri os olhos vagarosamente e quando vi tinha um escudo meio lilás em minha volta, me levantei com dificuldade e olhei em volta. Tudo acabado, cinzas no chão, janela toda quebrada, eu devastada. Desmaiei.

–Não! – levantei num pulo da cama, mas a dor invadiu meu corpo e me obrigou a voltar pra cama da infermaria.

–My lady! Fiquei tão preocupado. – Adrien apareceu, sua cabeça estava enfaixada – Está tudo bem agora.

–Não, o rei! Adrien... desculpe-me, eu sinto muito. – as lágrimas caiam dos meus olhos sem vacilar.

–Não é culpa sua Mari. – seus olhos estavam vermelhos, ele havia chorado – Todos estão bem, quer dizer, nem todos... Eu sou o rei da França.

Demorei para entender... A família real não estava mais lá, apenas ele.

–Não, não. Rainha Alicia, onde ela... Adrien. – me levantei com dificuldade e mesmo cambaleando o abracei.

–Você é a princesa da França. – ele sussurrou.

–Para mim está ótimo ser só sua princesa.

Cabelo solto com uma coroa e o véu, o vestido que eu mesma fiz, meu pai podia não estar lá para me levar no altar, mas sentia ele lá. Era o casamento dos meus sonhos.

–Vamos Marinette? Sua mãe e Adrien já entraram, assim como as madrinhas. – perguntou o moreno ajeitando a gravata verde.

–Vamos sim, Nino. – dei o braço a ele e Natalie puxou as cortinas.

O salão estava melhor do que eu podia imaginar, arranjos de rosas com joaninhas, cortinas vermelhas e verdes, Adrien me esperando no altar. Nino me deixou em sua frente, sorri para o loiro que beijou a palma da minha mão e olhei ao redor, vi minha mãe radiante, Chloé que fez uma cara de desdém, mas depois piscou para mim, Rose com príncipe Ali e a outras selecionadas menos Lila e Alya que assim como Odete era minha madrinha.

–Podemos começar? – perguntou um idoso baixinho com a gravata florida de trás da mesa – Estamos reunidos aqui para celebrar a união de nosso rei Adrien Agreste e nossa futura rainha Marinette Dupain-Cheng. Você, Adrien, aceita ela, Marinette, como sua legitima esposa?

–Sim, sim!

–E você, Marinette, aceita ele, Adrien, como seu legitimo esposo? – mordi o lábio e encarei seus olhos verdes.

–Seria um sonho se tornando realidade.

–Então pelo poder investido em mim, eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.

Joguei o buque antes de avançar para nosso beijo, nosso felizes para sempre. Mas não, era muito mais que isso.

–Peguei o buque! – gritou Chloé.

Epílogo

Eu e Adrien acenávamos da sacada do nosso quarto para o povo, que mais uma vez se reuniu nos portões do castelo para celebrar nosso primeiro ano de casados. A vida foi maravilhosa desde então, começamos a anular as castas uma por vez e ouvir mais o que o povo tem a dizer. Diziam que nós éramos um exemplo de casal para todos e tenho que concordar, não brigávamos muito ou quase nunca, era normal os criados verem silhuetas de um casal dançando no telhado, pois era Ladybug e Chat Noir.

–Adrien, vamos entrando. Tenho algo a te dizer, kitten.

–Claro my lady!

Saímos da sacada e sentei na poltrona mais próxima.

–Está passando mal? – ele se ajoelhou – Posso chamar o médico agora.

–Não, não é isto é que... – peguei sua mão e coloquei em cima da minha barriga – Quero te apresentar seus herdeiros, Emma e Hugo.

Ele ficou sem palavras e logo seu rosto foi ocupado por um grande sorriso, ele me beijou e disse quase sem folego.

–Incrível, inacreditável. My lady, isto é perfeito, simplesmente perfeito.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.