Seis de Janeiro

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Esta é uma fanfic feita por mim, então claro que vai ser slash/yaoi/male relationship. Se você não gosta não leia, simples
assim. Há páginas e páginas internet afora com pares heteros para Sherlock ou histórias mais voltadas para o lado policial/suspense da coisa. Não perca seu tempo lendo para reclamar depois. Johnlock

SEIS DE JANEIRO

Sherlock olhou para o relógio do celular. Quatro da manhã. John dormia a sono solto ao seu lado. Procurou a previsão do tempo: nublado, chuvas fracas no período, máxima seis graus. No momento, dois graus negativos.

“Acho que nem vou me levantar agora. Atrapalharia muito o sono do Watson. – e se ajeitou melhor nos travesseiros – Fora que eu tenho que fingir que estou dormindo para não estragar a surpresa do café da manhã na cama. Eu sei que ele vai retribuir o meu café de Julho... Por que as pessoas ficam tão emotivas nessa data? Hoje é dia de desviar de todas aquelas manifestações melosas dos meus parentes...”

Mas John Watson estava virando o rei do inesperado. Uma meia hora depois ele acordou, ronronando e começou a acariciar Sherlock muito atrevidamente.

-Acordamos dispostos à ação hoje... – riu Holmes.

-Tivemos sonhos e vamos transformá-los em realidade.

Sexo de boa qualidade mais o tempo friozinho fizeram com que Sherlock sentisse sono de verdade. Ele nem precisou fingir. Quando ele acordou de novo, John não estava mais na cama. Tinha um bilhetinho no travesseiro.

Bom dia, Sherry. Feliz aniversário, meu querido. Apesar do meu imenso desejo em ficar na cama com você, recebi uma mensagem que um pequeno paciente meu piorou com o frio que fez essa noite. Saí para ver o que é possível fazer. Tem uma surpresa para você na cozinha.”

Sherlock semi cerrou os olhos. Suspirou. Mas colocou a calça do pijama, o roupão mais grosso por cima e foi conferir a surpresa na cozinha. Um cheiro diferente vinha do forno e havia um novo bilhete na porta da geladeira:

No forno tem pão de queijo, importado do Brasil, e o pó de café é colombiano. Tive boas recomendações, provei e gostei. O café é bem mais forte do que você está acostumado. Mas tem rosquinhas no pote, caso o pão de queijo não te agrade.”

-Hummm... é bem diferente... e... aonde está a minha mãe que não me ligou ainda?

Meia hora e alguns pães de queijo depois, Sherlock andava impaciente pela sala. O telefone tocar foi uma benção:

-Alô, Lestrade? Tem um caso pra mim?

-Hein? Não, liguei pra te desejar um Feliz Aniversário! Quem fica entediado no dia do aniversário?

-Eu fico. É um dia como outro qualquer. Não tem nada mesmo?

-Não, está muito frio para alguém cometer um crime. — o inspetor riu – John saiu?

-Uma criança passando mal.

-Logo, logo, ele volta. Bem, tomara que seu dia seja bom, Sherlock! Parabéns de novo!

-Obrigado. — desligou – Nem para nevar! Até o tempo está tedioso. ARGH!

Mas os deuses estavam a seu favor, porque não demorou muito o telefone tocou de novo:

-John? E seu pequeno paciente?

-Precisou ser internado, infelizmente. Olhe, eu o internei no São Bartolomeu, encontrei o Mike no corredor, ele me convidou para ver uma cirurgia. Perguntei se você poderia me acompanhar e sim, se você quiser, venha assistir uma craniotomia comigo. Eu não vim de carro, então, você nem precisa esperar pelo táxi e ainda me dá uma carona na volta.

-UUUUHHH! Vou por uma roupa mais quente e já estou indo!! ISSO! Agora sim, é um bom dia!! Assistir a uma cirurgia difícil em boa companhia!!

Após a cirurgia, Sherlock se sentia revigorado. John ria baixinho enquanto guiava o namorado pela mão pelos corredores do hospital. Sherlock estava totalmente ausente do mundo no momento, tomando novas notas em seu palácio mental. Somente quando entraram no carro, é que se lembrou de perguntar:

-Aonde vamos agora?

-Almoçar. Temos uma reserva no restaurante japonês.

-Ah! Humm... pode me emprestar seu celular?

-Posso saber o porquê?

-Para eu dar uma checada no whats da família.

John riu, passando o aparelho para o namorado.

-Nenhuma novidade?

-Não. Nada... demais.

Depois do almoço Molly ligou. Ela estava de férias do hospital, mas se lembrou... Eles se enroscaram no sofá pra ver um filme de terror, acabaram cochilando e no começo da noite, John convidou Sherlock para jantarem no Ângelo’s.

-Mas a gente saiu para almoçar fora, hoje.

-Sherlock, as pessoas costumam almoçar E JANTAR.

-Só porque está frio, não justifica comer em dobro.

-Por favor? Podemos dividir um prato...

-Oh, está bem!!

Ângelo estava efusivo como sempre, um pouco mais por conta do aniversário do amigo. Colocou a vela vermelha – para ficar mais romântico – e ainda perguntou aos dois, piscando:

-Já que vocês vão dividir o prato, que tal spaghetti con albondigas?

-E o que seria?

-Macarrão com molho e almôndegas.

John caiu na gargalhada, Sherlock ficou olhando pra ele com cara de perdido.

-Não, Ângelo, muito obrigado. Vê, ele nem pegou a referência. Traz uma lasanha caprichada no queijo mesmo.

-Qual a referência?

-Um desenho da Disney. Depois te mostro.

-Sherlock carino, um vinho quente com especiarias, pra aquecer sua noite.

Holmes aspirou com prazer o perfume que emanava da xícara. Bebericando o vinho quente, olhando o movimento da rua de mãos dadas com John, ele se pôs a analisar o dia e achou que estava sendo atípico, mas muito bom. Ele até estava sentindo a falta da tagarelice materna. E aquele irmão mala que não tinha ligado nem mandado entregar nada em casa?

-John?

-Sim?

-Qual foi o acordo que vocês fizeram por whatsapp? Que tipo de surpresa eu vou ter no meu aniversário?

-A surpresa de ninguém te incomodar no dia porque você não fica à vontade? Não, não é essa... Já está quase pronta, estou esperando o sinal verde para te mostrar.

-É por isso que você me tirou de casa o dia todo?

-Não é um presente físico, só te tirei de casa pra te distrair e você não ficar online, mexendo nos canais de integração da família. — John sorriu. — OPA! Pronto, podemos voltar.

Sherlock até esperava abrir a porta e dar com aquelas festas surpresas chatas, chapeuzinhos ridículos, gritaria e tal, mas não. Enquanto ele tirava o sobretudo e o cachecol, John abria o note.

-Conversando com os cônjuges, nós planejamos diferente este ano. Você fica desconfortável com o excesso de pieguice, muito lambe-lambe, gente em volta sendo gentil forçadamente. Então o primeiro ponto foi evitar o contato direto. Se você quiser, é só acessar o whatsapp que cada um mandou a sua mensagem em separado. Mas, e o que demorou esse tempo todo, editamos as mensagens de aniversário em flashes. Nada que um japonês num estúdio fantástico não conseguisse. — John virou o netbook para Sherlock – De todos nós para você: FELIZ ANIVERSÁRIO!!

Sherlock sorriu, balançando a cabeça. Mas sem reclamar, passou a próxima hora vendo cada membro da família lhe desejando parabéns à sua maneira, em vídeos de celular. Não faltaram os vídeos da Violet, do Mycroft e até da senhora Hudson, que o próprio John gravou.

-Mycroft então não me mandou nenhum presente inútil?

-Você gostou do pão de queijo com café colombiano?

-Não acredito!! — Sherlock começou a rir. — Céus! Eu comi com tanto gosto aquilo...

Levantando-se, abriu a caixa do violino e começou a tocar, dessa vez nada melancólico, mas uma ária alegre, meio cigana, que expressasse a sua própria leveza. John, que já conhecia as maneiras de Sherlock expor suas emoções ficou feliz. Missão cumprida a contento. Tinha sido um dia cheio, mas muito bom.

Notas finais
N/A: Nhaa, nada demais. Algo fluffy, alegre, para marcar o nosso primeiro 06 de Janeiro juntos. 06 e 07/01/15.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!