Notas iniciais
Nesse capítulo a música estará presente. https://www.youtube.com/watch?v=kYhT7oCDoqM&index=23&list=PL-X2rRTuL0TPZvUsopEtg9imR1goM97LX Acho que vocês já conhecem a música, mas não na versão de Jamie Cullum. Aproveitem :) Queria agradecer a TipoEmma, a LadyClaireSalvador, a EvilQueen4Ever, a dude e a Wounded Beast por estarem comentando (e essa última por estar corrigindo os capítulos kk). Meus sinceros agradecimentos, vocês me ajudam a continuar. Boa Leitura.

“If you don't have to go, don't...

This is a private show”

Don’t Stop the Music — Jamie Cullum

Regina Mills ficara sem resposta, mas não seria possível dizer mais qualquer coisa, mesmo se quisesse, pois ambas foram anunciadas e as cortinas se abriram, revelando-as. A plateia as aplaudiu e a maga tomou a palavra:

—Boa tarde, criançada! – Alguns responderam.

—Boa tarde!

Ambas davam passos à frente enquanto a fumaça emitida pelas máquinas emergia e ficava brilhante quando atingidas pelas diversas luzes coloridas que cobriam o local.

—Iii, ta fraquinho. Acho que eles não almoçaram direito, Emma.

—Não, não devem ter almoçado direito. Comeram só Hot Dog, pipoca e batata frita. Não é verdade, crianças?

—Nããão!

—Claro que é. Olha a cara de safados deles, Regina. – Então a morena perguntou:

—Vocês não comeram só batata frita?

—Nããão!

—Então o que vocês comeram? – Uma menina na frente levanta a mão e a maga aponta para ela. – Diga, o que você comeu essa tarde?

—Macarrão.

—Macarrão com o quê?

—Com molho.

—Huuum... Só isso?

—Sim. – A menina disse envergonhada, enquanto abraçava o seu ursinho.

—E você sabe o que acontece se você só come macarrão? – Ela balançou a cabeça de um lado para o outro e suas marias-chiquinhas se agitaram.

—Então vejamos se o aniversariante sabe responder. Chris? Onde está o aniversariante? – O menino se levantou, estava na frente e sentado junto aos amigos. – Venha até aqui, Chris. – O menino magricela subiu as escadas até o palco agarrado a mão de Emma e então ambos se aproximaram de Regina, que tinha um microfone de mão. Tanto a maga quanto a ajudante usavam microfones encaixados na orelha. – Chris, você sabe o que acontece com quem só come macarrão? – O garoto respondeu entusiasmado:

—Sei!

—O que acontece?

—A pessoa fica mole! – Todos riram.

—Acho que pode acontecer isso também. Mas tem uma outra resposta. É a mesma coisa que acontece com que só come batata frita. Sabe o que é? – O garoto pensou um pouco.

—Não.

—E com quem come só pipoca?

—Também não sei. – Respondeu desanimado.

—Bom, quem só come essas coisas não consegue fazer uma das mágicas mais difíceis que existe. Mas eu aposto que você come outras coisas e vai saber fazer a mágica. – O menino sorriu e falou ao microfone.

—Eu como muitas outras coisas.

—Sabia. E o que você come?

—Chocolate! – O garoto dissera sorrindo, arrancando sorrisos de Emma e Regina. A morena olhou para a loira e o cintilar dos olhos verdes da outra que brilhavam divertidos a animou mais.

—Sim, Chris, mas sabe aquelas coisas chatas que pedem pra você comer? Alface, brócolis, beterraba... – Chris fez uma careta.

—Sei. Odeio alface.

—Então, essa comida faz você fazer uma super mágica. Sabe qual é? – Ele balançou a cabeça negativamente. – Chegar até aqui, ó. – A maga colocou sua mão no alto, referindo-se ao tamanho que o menino ficaria quando ficasse adulto. – As crianças olharam a cena e encantaram-se. – Vocês querem chegar nessa altura, crianças? Quer chegar nessa altura, Chris?

—Quero.

—Muito bem, então terá que comer coisas verdes que sua mãe te pedir. E legumes e frutas.

—Ah, mas eu não quero.

—Quantos anos você está fazendo, Chris?

— Oito.

—Muito bem, então, se você não comer, não vai cumprir o desafio de fazer essa mágica incrível.

—Desafio?

—Sim. Eu, maga Regina, estou te desafiando a chegar até aqui em cima. Quero ver se você consegue. Mas, você vai ter 8 anos pra aprender a fazer isso.

—Oito? Mas eu já tenho oito. É muuuito tempo.

—Sim, claro que é, essa mágica não é fácil. – Emma tomou a fala.

—É tão difícil que nem a maga Regina conseguiu chegar nessa altura que você vai chegar. – Chris se alegrou e disse para Regina.

—Vou ser um mago melhor que você.

—Tenho certeza que vai. Mas antes preciso mostrar minhas habilidades. Volte lá, vai me ajudar daqui a pouco. – Emma levou o menino de volta.

—Crianças, estão animados?

—Siim!!!

—Então, de novo, mais forte, quanto mais alto gritarem, mais alto vão conseguir chegar. Boa tarde!!!

—BOA TAARDEEEE!!!!

—Agora sim. Vejamos, alguém me empresta uma caneta? Alguém tem uma caneta para me emprestar? – Todas as crianças começaram a olhar de um lado para o outro, procurando alguém que poderia emprestar uma caneta. – Ah, Emma obrigada. Obrigada, pessoal, minha ajudante já conseguiu uma. Vocês estão vendo a caneta, não estão? – Muitos assentiram positivamente com a cabeça. – Ela tem uma tampa. Vamos magnetizar essa caneta e então, opa.

A tampa, supostamente, voltava para a caneta sozinha. Isso se repetiu mais duas vezes e a morena parecia não entender o que acontecia, o que provocou risadas nas crianças.

— A tampa voltou para a caneta sozinha? Mas como pode isso? Eu tiro a tampa e pof, ela volta? Veja, Emma. Está mesmo encantada! – Regina deu a tampa e a caneta nas mãos de Emma, mas nada aconteceu. – Oh, Emma, você é minha ajudante, não pode quebrar meus objetos mágicos. – Todos riram. – Devolva, vou ver se posso concertar. Aqui, está concertada. – A loira esticou as mãos para pegar e a morena ia lhe dar a caneta, mas parou no meio do caminho. – Ah, não, Emma, melhor que a caneta fique comigo. – Colocou o objeto em um bolso da roupa preta e continuou com outra mágica.

—Muito bem, crianças, vamos fazer alguns truques com baralhos. Emma, dê-me meu baralho. Cuidado para não perder ou rasgar nenhuma carta. – Todos riram. – Emma, pegue uma carta, por gentileza, sim? Muito bem, mostre, não, não para mim, para eles. Oras, muito bem, pegue outra carta, mas agora mostre para eles, não me deixe vê-la. Ok, agora corte o baralho e coloque-a no meio. Muito bem, agora eu irei embaralhar todas e então farei sua carta levitar. – Regina esfregou o dedo em cima do baralho, em uma das laterais, e puxou o dedo para cima, fazendo com que a carta levitasse. – Essa é a sua carta?

—Sim, é a minha carta. Olhem, amiguinhos, é a minha carta! – Todos riram e aplaudiram. Regina fez mais algumas mágicas com o baralho pedindo ajuda das crianças.

—Então, agora eu vou pegar essa Haste, e jogá-la para cima e segurá-la de no-. – Todos começaram a rir. Quando Regina foi pegar a haste, ela havia se transformado em um lenço. – Bem, devo dizer que isso não estava nos meus planos, mas vamos continuar. Preciso de um lenço, já tenho esse aqui, mas acho que prefiro escolher a cor. Vou pegar outros, um momento. – A maga começou a puxar panos da sua boca e surgiam vários deles e coloridos. Todos ficaram maravilhados e começaram a bater palmas.

Então, a morena retornou a falar:

—Vamos então escolher uma cor de lenço, crianças. Primeiro, para facilitar, minha ajudante escolherá duas cores. Emma? – A loira parecia pensar por um momento, levando os dedos ao queixo, e então apontou para dois lenços.

—Emma escolheu o lenço vermelho e o verde escuro. Vou levantar cada lenço e vocês vão gritar para a cor que vocês querem. Prontos?

—SIIIIM!

Então a maga levantou o lenço verde, e muitos gritaram, e então levantou o vermelho, e ouviu mais gritos ainda. Pegou então o tecido vermelho e fez outra mágica com cartas que estava faltando, fazendo uma carta que uma das crianças escolheu, e que a maga, supostamente, não sabia qual era, passar pelo pano.

—Muito bem, agora vou precisar de um de vocês. Vou utilizar essa moeda em minha mão. Essa moeda tem história, a mãe da minha mãe deu a ela e ela me deu. – Enquanto contava a história da moeda, Regina mudava a moeda de mãos de forma que o objeto parecia flutuar. Quando uma menina subiu ao palco trazida pela ajudante, a maga fez a moeda desaparecer e reaparecer atrás da orelha da garota. Achou uma segunda moeda na outra orelha e deu a segunda para a menina.

Depois de algumas outras mágicas envolvendo crianças pintando desenhos com lenços que ela tirou de sua cartola, velas desaparecendo após serem encobertas por panos, livros de desenho que em um passe de mágica ganham linhas e depois ilustrações, a maga passou a fazer truques mais complexos. As crianças ficaram perplexas quando a morena colocou bebida em um copo e enquanto ela o enchia, o objeto pairava no ar.

Então Regina fez a última mágica na qual não precisava tanto da ajuda da loira, uma magia que envolvia uma pomba branca. A morena colocou o animalzinho em uma caixa pequena com grade, de forma que o público podia ver a ave dentro da caixa preta. Então, com algumas palavras de Regina e alguns movimentos de sua varinha, a pomba virara um lenço branco diante dos olhos de todos e então, com uma pequena ajuda de Emma, o lenço, que é retirado da caixa, vira novamente uma pomba após o tecido começar a soltar faíscas. O animal é levado embora dentro da caixa e elas seguem para mais um truque.

—Emma, precisarei de sua ajuda para executar todas as mágicas daqui em diante. Está pronta?

—Com certeza.

—Muito bem. – A maga tirou a cartola da cabeça e mostrou o seu interior vazio para o público e para Emma. – Esqueci um amigo em casa e acho que ele queria vir para a festa do Chris. Será que eu consigo trazer meu amigo pra cá? O que vocês acham?

—SIIIM!

—OK, vou tentar, mas vou precisar da ajuda de todos vocês. Transportar alguém de uma distância tão grande precisa de muita magia. Isso pode ser um pouco perigoso, vocês podem se sentir muito cansados e com muito sono depois dessa magia. Querem tentar mesmo assim?

—SIIIM!

—Ok. Vou usar a minha cartola para trazê-lo. Vamos, Emma. Pegue a cartola e esfregue aquele pó mágico nela, ele está ali na maleta. Isso, nessa, abra-a. – A loira rapidamente colocou a cartola atrás da maleta aberta, onde ninguém poderia vê-la. Durou poucos segundos e então devolveu-a para Regina. – Colocou pó o suficiente, Emma?

—Sim, senhora.

—Muito bem. – A maga esfregou mais um pouco na parte de dentro e na parte de fora. – Vejam, ela continua vazia. – E mostrou para todos uma segunda vez. Apontou a varinha para a cartola. – Repitam comigo, sim salabim!

—Sim Salabim!

—Abra Cadabra!

—Abra Cadabra!

—Valar Morghulis! – Algumas pessoas riram.

—Valar Morghulis!

—Valar dohaeris!

Então Regina usou sua varinha e jogou toda a sua magia na cartola, porém, quando colocou a mão dentro dela, nada havia ali.

—Oh, não, acho que não foi magia o suficiente. – O público fez um sonoro “Aaah” de tristeza.

—Não se preocupem, tenho uma ideia. Minha ajudante vai segurar meu ombro enquanto faço a mágica e vai me ajudar a usar a varinha. Venha, Emma.

A loira trazia a surpresa no olhar, deveras, aquilo não estava programado. Andou até a maga, ainda que hesitantemente e fez o que Regina havia mandado. Repetiram novamente todas as palavras mágicas e então a ajudante segurou a varinha junto com a maga e, juntas, lançaram o feitiço na cartola. Instantes depois, Regina colocou a mão dentro do objeto e, de lá, retirou um coelho branco de olhos amendoados. Todos aplaudiram e as crianças ficaram ensandecidas com o animal fofo.

—Crianças, esse é meu amigo Robert. Depois da apresentação vocês poderão segura-lo um pouco. Por enquanto ele ficará me assistindo dos bastidores. Por favor, Emma, leve-o. E também traga a caixa mágica.

A loira pegou o animal delicadamente das mãos da maga e levou-o à sua gaiola. Ao mesmo tempo em que andava, revivia os instantes que passara tocando a mão da morena enquanto lançavam a magia, o cheiro doce de shampoo que advinha dos fios negros de Regina, e o quanto estar tão próxima a ela era bom. Um lampejo sobre seus atuais problemas lhe atingiu a mente, mas foi rapidamente dispensado. Teria muito tempo para remoê-los depois. Voltou com a caixa mágica da maga e a colocou no centro do palco. As máquinas de fumaça se agitaram novamente e um clima de mistério se instalava no salão.

—Minha bela ajudante, Emma Swan, vai se arriscar muito agora. Algo de muito, muito ruim pode acontecer a ela. — A morena dizia enquanto gesticulava inclinada para frente, com as mãos abertas e olhando de um lado para o outro para observar todo o público. – Para que nada de ruim aconteça, vou precisar pegar emprestado a mágica de vocês. Vocês podem me emprestar suas magias?

—Siim!

Uma garotinha levantou um braço e Regina apontou para ela. – Sim? – A menina levantou do chão e ficou em pé para responder.

— Eu não posso emprestar. – Maga e ajudante entreolharam-se e Emma questionou:

—Por quê?

—Porque eu acho que eu não tenho magia – Ela olhou para baixo. Estava envergonhada. – E se eu tiver, não sei como emprestar...

A loira a olhou com ternura e respondeu-lhe algo que deixou até mesmo Regina desconcertada.

—Não se preocupe, eu também achava que não tinha mágica. Na verdade, eu não ligava mais depois de um tempo, achava que era pra pessoas muito especiais.

—E não é?

—Não. Todas as pessoas são especiais de alguma forma, mas não tem a ver com ser ou não especial. Tem a ver com o que você tem aqui. – Emma apontou para o próprio coração. Você só precisa acreditar com o coração e então fará coisas incríveis. – A menina sorriu lindamente. – Você vai acreditar?

—Vou.

—Então sente aí de novo e nos ajude. Apenas acredite que vai dar certo, acredite com o coração.

Regina não poderia estar com um sorriso mais bobo e emocionado do que com o qual estava. Os olhos castanhos brilhavam com as palavras pronunciadas por sua ajudante e quando os olhos das duas mulheres se entrecruzaram, o brilho verde e o brilho castanho chegaram perto de ser apenas um para formar uma brilhante, bela e misteriosa floresta com todos os seus cantos a serem descobertos. No entanto, esse contato durou apenas alguns instantes, pois a maga voltou à sua apresentação.

—Muito bem, crianças, vocês ouviram minha ajudante, para me emprestar suas magias estendam as suas mãos e acreditem com o coração. Essa é a caixa mágica e Emma entrará nela agora.

E a loira a adentrou, sorridente e fazendo algumas poses clássicas de ajudantes. Apenas a cabeça e duas mãos, que jaziam encaixadas em buracos na porta, estavam visíveis. A caixa era retangular, com duas hastes grudadas no lado esquerdo da mesma, alinhadas a duas linhas que dividiam a caixa em três partes iguais. Regina, então, chamou um pai e uma mãe que estavam assistindo para que eles testemunhassem que as lâminas que segurava eram reais, eram imensas e, após os adultos confirmarem que era verdadeira e voltarem a se sentar, ela as enfiou nas divisórias. Quando o fez com a primeira, as crianças deram um pulo com um pouco de medo, mas logo foram acalentadas pela morena:

—Não temam, apenas continuem me ajudando com a mágica de vocês.

Então, a maga fez a mesma coisa com a segunda divisão e Emma parecia muito bem.

—Agora, veremos se a mágica deu certo. – E então a morena empurrou a parte do meio da caixa para fora, como uma gaveta. A loira não tinha mais o meio do corpo. Todos ficaram impressionados.

—Você está bem, Emma?

—Estou ótima, Regina.

Impressionados, todos aplaudiram. A morena girou a caixa para que todos a vissem por todos os ângulos e a impressão que tinham era exatamente a mesma: a loira não tinha mais a parte do meio do corpo, mas estava viva. E sorrindo. A maga recolocou a gaveta no lugar, retirou as lâminas e Emma Swan saiu ilesa. Todos aplaudiram mais.

A caixa mágica fora trocada pela caixa geométrica, retangular igual a outra, porém, com um buraco circular no topo, um triangular no meio e outro retangular embaixo, na altura dos pés. A ajudante adentrou a caixa, sorrindo. A maga subiu sua mão enquanto estava posicionada em frente ao equipamento e fogo saiu dela. Quando todos perceberam, a loira, que antes poderia ser vista, havia sumido. Então, a morena utilizou formas metálicas e geométricas que se encaixavam perfeitamente naqueles buracos, como naqueles jogos infantis que a criança deve encaixar o cubo no quadrado, o prisma no triângulo e o cilindro no círculo. Então, quando acabou, enfiou lâminas nas laterais e, após todo o processo de retirada, abriu novamente a caixa e todos viram a ajudante inteira e sorrindo. E então ouviram, uma vez mais, os aplausos das crianças e dos adultos que às assistiam.

Como última mágica, a caixa dos suplícios. A mais complicada a se fazer, pois precisou da ajuda de dois homens, funcionários da empresa de onde Regina alugara a caixa dos suplícios, vestidos de terno que esperaram desde o começo atrás das cortinas, apenas para auxiliar nesse truque. Emma fora colocada de joelhos com a cabeça dentro de uma caixa, seu rosto podia ser visto até que a maga fechou as portas frontais do objeto metálico. A ajudante envolveu seus braços em volta do cano que sustentava a caixa, distanciando-a do chão, e então teve suas mãos algemadas enquanto os dois homens se encontravam ao lado direito e esquerdo de Emma e, sem que ninguém visse, mexiam na caixa. Foram-se e retornaram com punhais e espadas verdadeiras, as quais a maga, com maestria, afundava no objeto metálico que continha a cabeça de Emma Swan. Quando terminou, abriu as portas frontais da caixa dos suplícios e a cabeça da loira havia sumido. Todos ficaram afoitos e aplaudiram. Regina fechou a caixa, retirou as lâminas com a ajuda dos homens, e então reabriu, e novamente a cabeça da ajudante estava lá, sorridente.

A apresentação fora um extremo sucesso, os truques partiram de coisas básicas e findaram-se em magias complexas. A morena e a loira, de mãos dadas, inclinaram os corpos e saudaram o público, formado majoritariamente por pessoas pequenas e encantadas, em forma de agradecimento. Como fora prometido, cada criança que quisesse poderia segurar um pouco o coelho da mágica da cartola e, em cada criança que segurava o coelho no colo, a ajudante via a fé e o encantamento nos olhos delas. Sentiu-se grata, com a missão cumprida, especialmente com a menina insegura que então apresentava um olhar mais confiante e mágico, ainda que tímido. Swan sorriu, sorriso que fora acompanhado momentaneamente pelo sorriso de Mills, entretanto, sem que a ajudante notasse, a felicidade da maga minguou, pois vira no sorriso de Emma o apreço por crianças e a vontade de ter filhos. Lembrou-se das complicações e dos problemas, então resolveu afastar-se naquele momento para que a investigadora não notasse e o momento de felicidade não terminasse. A juíza encarregou-se de organizar o que ainda faltava e a loira a viu ir para outro lugar.

Emma estava terminando de encostar a última caixa em uma das paredes do velho teatro, quando percebeu Regina sentada no palco de madeira com uma caneta em mãos fazendo a mesma mágica que fizera na apresentação. Sentou ao lado da maga e suspirou.

—Não sabia que a maga misses M fazia mágicas tão simplórias quanto essa. — A morena riu.

—Foi minha mãe que me ensinou esse truque.... Foi a primeira mágica que aprendi.

—Mesmo? – Ambas se entreolharam e a juíza sorriu.

—Mesmo, Miss Swan. – Um tempo em silêncio e um suspiro da morena foram seguidos de um a explanação. – Quando eu era criança, essa foi a primeira mágica que minha mãe me mostrou, então procuro sempre que essa seja a primeira mágica que mostro para as pessoas. É bem simples. Veja, você apenas segura a tampa próxima à caneta e aperta a ponta, a pressão faz com que a tampa escape e pare na caneta novamente. Da a impressão que a tampa foi puxada. Veja, tente você.

A ajudante tentou, mas a tampa escapuliu e caiu no chão. A juíza riu, e depois de um tempo encarando a maga, a investigadora riu também.

—Enquanto você tenta, eu vou ligar o rádio que eu trouxe pra cá hoje e pegar aquele vinho que o avô do aniversariante nos deu de presente.

—Ele nos deu uma garrafa de vinho?

—Sim, com duas taças simples de vidro em uma maletinha simples e bonita. Ganhou de algum parente, mas não estava com vontade de beber, disse que raramente bebe e as garrafas ficam na casa dele por anos. Gostou tanto da apresentação que resolveu nos dar.

A morena voltara com a garrafa em mãos, duas taças de vidro e um saca-rolhas, os quais colocou em cima do palco, ao lado de Emma que continuava aperfeiçoando a mágica da caneta.

—Abra essa garrafa, por favor. Já volto.

—O que vai fazer?

—Quero te mostrar uma coisa.

A loira sorriu, deixou a caneta com a tampa de lado e abriu a garrafa de vinho, que era de uma qualidade razoável. A morena voltou com uma caixinha nova, com objetos mágicos dentro. Mostrou para a sua ajudante alguns novos truques que faria dali em diante e ambas esqueceram, momentaneamente, os problemas e também o vinho. A ajudante sorria e seus olhos brilhavam. Depois, as duas mulheres encontravam-se sentadas em cima do placo, com suas taças de vinho na mão e ouvindo a música que vinha do rádio. Regina havia tomado duas taças e meia, e Emma, uma taça a menos. Já eram quase 9 p.m, mas elas não pareciam se importar. A investigadora quebrou o silêncio enquanto olhava para frente:

— Eu entendi porque gosta tanto de crianças, Regina. Elas têm a mais pura fé, vi isso em seus olhos hoje. Acreditam de verdade. Ou, pelo menos, algumas delas. Outras apenas se permitem encantar. – Olhou para a sua taça de vinho e depois para a juíza que a fitava intensamente. — A magia está muito mais nelas do que em nós, não é?

A morena sorriu abertamente.

—Exatamente.

O som do rádio se expandia e uma música incomum começava, “Don’t stop the music”, cantada por Jamie Cullum, em uma versão em Jazz. A loira levantou-se e a bebida lhe subira um pouco, então ela se apoiou no palco.

—Emma, está tudo bem? – A investigadora começara a rir. – Emma? – E então ela ria mais. – Emma, isso não tem graça! – A morena falara, mas começava a rir junto com Swan.

—Sua cara de preocupada é engraçada. – E a ajudante continuava rindo um riso gostoso. Então estendeu a mão com a palma virada para cima, em um convite, esperando que Regina a segurasse. A morena a olhou incrédula.

—O que pretende, Miss Swan?

—Venha.

—Você não ta conseguindo nem parar em pé direito. – Emma riu mais.

—Vamos lá, a gente consegue.

A contragosto a juíza pegou na mão da investigadora e desceu do palco, porém com mais estabilidade para ficar em pé. A loira, já mais equilibrada, levou a morena mais para o meio do salão. As luzes que iluminavam o recinto eram fracas e amarelas, diretas, criando uma imagem dramática no rosto de ambas. Uma fina garoa começava lá fora. A desajeitada moça bêbada voltou a falar:

—Sabe dançar, Mills? – A morena surpreendeu-se com a pergunta.

—Talvez. Um pouco.

—Ótimo. Fiz um curso básico de jazz, venha.

Então, Emma Swan começara a conduzir Regina, o impacto da bebida já havia passado e os movimentos não foram tão afetados. A música estava em um ponto mais calmo, então os movimentos eram mais lentos. Swan estava atrás de Mills, segurou sua barriga com a mão esquerda e, com a direita, segurou a mão da juíza, as duas com os braços direito esticados. A investigadora conduziu a juíza em um movimento circular e então soltou sua mão do ventre de Regina, segurando a mão que já segurava e girando a mulher, até que ficassem frente a frente novamente. A música começava a se agitar pela primeira vez e então os passos se tornaram mais rápidos, rodopios, o braço de Emma passando por cima da cabeça de Regina, os corpos se juntaram e depois se separaram, ficando ligados por dois braços esticados, o direito de Emma e o esquerdo da juíza. Regina voltou ao centro rodopiando e Emma segurou com a outra mão o outro braço da morena, que terminou de rodopiar quando já estava com o braço direito esticado, com a mão direita segurando a mão esquerda de Emma.

A loira a trouxe para perto de si e segurou suas costas na altura da cintura, fazendo-a inclinar-se para trás enquanto Emma se inclinava para frente, ficando com o rosto perto do pescoço de Mills e, consequentemente, sentindo seu cheiro inebriante.

A música voltou a se agitar e eram giros seguido de giros, movimentos rápidos de improviso e elas acabaram por se aproximar demais de onde estavam as caixas, inclusive a caixa mágica, que, por algum motivo, estava com a porta aberta. As duas mulheres estavam altas e os sentimentos, nesses momentos, ficam difíceis de segurar. Numa atitude impulsiva, Regina empurrou Emma para dentro da caixa, não a dando forma de escapar, e roubou-lhe um beijo. Um beijo quente e caloroso, ignorando a música que ia chegando ao fim. A investigadora relutou por alguns instantes, mas acabou por ceder, agarrando-se a juíza. As mãos de Regina passearam pela cintura e parte das costas de Emma, onde era possível tocar. O beijo, urgente. As línguas se procuravam, assim como as mãos da loira também procuravam pelo corpo da morena.

Emma afastou um pouco Regina de si.

—Regina, a gente não sabe.... Eu não sei...

—De novo não, Emma. Minha terapeuta disse que era pra eu apenas sentir. Vamos apenas sentir, Emma.

—Mas eu-

—Você não estará mais sozinha.

— Sinta, Emma. – A morena depositou um selinho na loira. – Sinta. – Outro selinho, mais demorado. – Sinta. – E então retornaram para o acalorado beijo.

Notas finais
O que acharam? A conclusão desse capítulo foi bem diferente, hein? Gostaram do show da Regina? Ficou cansativo? Ficou fofo? O próximo capítulo então está marcado para o dia 10/05/2016. Como eu fui viajar esses dias ele ainda não está completamente escrito. Ainda sobre o próximo capítulo... Vejam esse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=a1xi6lEdqGk&index=24&list=PL-X2rRTuL0TPZvUsopEtg9imR1goM97LX Até o próximo, amigos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.