Notas iniciais
Primeiro, meus agradecimentos: muito obrigada aos leitores Marisa V, bokarosa, Mariana Dobrev, NandaS, Millswan, Sra Poter, glowparrilla, CM, Claudia e SaRuivinha por favoritarem a fic mesmo nesse tempo gigante sem atualização. Música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=o3oahyukU2w&index=20&list=PL-X2rRTuL0TPZvUsopEtg9imR1goM97LX Também agradeço a quem continua aqui, estou muito feliz em continuar essa fic. Atualização: 21/03 -> Esse capítulo está corrigido.

“For what has been done

Cannot be undone

In the evil's heart

In the evil's soul

Seven devils all around me

Seven devils in my house

See they were there when I woke up this morning

I'll be dead before the day is done”

Seven Devils – Florence And The Machine

Nos últimos capítulos — floresta encantada:

Passaram-se três anos após o aparecimento de Zelena, a irmã de Regina, morta por Rumpelstiltskin. O crime fora descoberto por Bella, mas a moça perdoou o homem.

***

(R)-Henry completa minha vida, me faz feliz. Oh, como eu sou grata por ter esse menino na minha vida... Mas, ainda, eu sinto que eu não me encaixo... Entende? — Emma a olhava séria e compreensivamente.

***

—Mas nós só estabelecemos vínculos com aqueles que se abrem para isso de alguma forma, em algum ponto... Regina. Pode passar o tempo que for, laços são feitos em cima de confiança, respeito, carinho... Amor. Esses são os laços de família. Esses são aqueles que devemos preservar... Quando se tornam fortes, não somem mais. Nem com tempo, nem com distância. São para onde sempre poderemos voltar...

***

Regina olhou para a máquina. Nesse momento, tanto Emma quanto Henry beijaram-lhe o rosto. Cada um em um lado da face. Click. Regina estava na foto com uma cara de surpresa e levemente corada.

— Eu sempre disse que traria seu final feliz. Eu vou continuar falando isso até que você esteja feliz. Eu não vou cumprir minha missão, eu não vou ser feliz, não vou ter omeufinal feliz, até que você tenha oseu. Você sabe. E se você quer um lugar ao qual pertença, eu farei esse lugar com as minhas próprias mãos. Se você quer amor, eu trarei amor para a sua vida. Eu ainda sou a salvadora.

***

.-Rumpelstiltskin...

—Sumiu... -A morena ficou em choque. Emma ficou estática por alguns instantes, mas pensou rápido e perguntou ao filho:

—E a adaga?

Henry a olhava com os olhos assustados.

—Roubada...

***

A princesa aproximou-se mais do filho, segurando em seu ombro esquerdo. Olhou de relance para baixo, tentando conter algumas lágrimas, olhou-o fixamente.

—Garoto... Algumas coisas são mais importantes que outras. Algumas coisas são mais importantes que reinos inteiros. E você, para nós, é mais importante que as nossas vidas, e o reino que pertencemos e governamos.

***

—David, tem coisas entre duas pessoas que devem ficar entre duas pessoas. Estou construindo minha relação com ela. E minha relação com ela é a minha relação com ela. Cabe a você construir a sua relação com Emma, sua relação de pai e filha. Assim como a sua relação com o nosso filho.

***

(R)–Eu não sei o que houve. Não sei se teremos alguém em nossas vidas ou o que está reservado para nós agora... Mas imagino que nossos destinos foram redesenhados. Reescritos. Talvez isso tenha ocorrido até mesmo por nossas escolhas. Mas de uma coisa eu sei: se quisermos descobrir, vamos ter que sobreviver.

***

David a abraçou e segredou-lhe no ouvido:

—Amor... Eu te amo. Seja razoável e deixe nossa filha comigo. Eu já lutei com ela em meu colo. Posso fazer melhor agora que ela também pode se defender.

—David! – ele a olhou. Ela segurou as mãos uma na outra. – Proteja Regina também. Ela também é... Da família.

***

Ao aproximarem-se perceberam que se tratava do som de uma gaita.

Conseguiram observar, debaixo de algumas árvores, um garoto forte que aparentava ter por volta de 15 anos. Seus cabelos eram curtos e ruivos.

O menino acabou a música, abriu os olhos e sorriu.

—Finalmente. Vocês demoraram.

***

—Quem é você? – Perguntou Regina de forma autoritária, impondo-se, tentando, a todo custo, mostrar-se superior.

—Isso realmente importa para você, majestade? – Respondeu o garoto ruivo, com um sorriso irônico que dançava em seus lábios e um intrigante olhar que resplandecia.

—Obviamente, preciso saber com quem estou lindando... E o que quer.

—Precisa mesmo saber sobre a pessoa que vai lhe dar um fim?

—Não vai dar fim algum em Regina, garoto. – Dessa vez fora Emma quem intercedeu.

—Emma Swan... Sua mãe não te deu educação alguma? É muito feio interromper as pessoas... ou se intrometer onde não é chamada. – O ruivo as olhava penetrantemente, sentado no tronco, com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos unidas abaixo do pescoço. Ah, é mesmo, sua mãe não te educou. Na verdade – Riu uma risada cruel e rápida. – Ela nem viu seu rosto quando era uma criança carente e largada. – A rainha elevou sua voz.

—É o suficiente! — Virou o rosto para observar uma princesa atônita que engolia em seco. Preocupou-se com o emocional da loira e percebeu no quase monólogo do tocador de gaita que ele sabia sobre o passado da filha de Snow White, e, provavelmente, sabia muito mais do que estava demonstrando. –Olha como fala, ou vai desejar ter sua voz para gritar, mas ela não vai estar mais na sua garganta.

—Ameaças vindas da Rainha má, presumo.

—Não sou mais essa pessoa.

—Ah não? Então, Regina, diga-me. – O menino levantou-se e caminhou até o lado direito do senhor das trevas, que parecia adormecido naquela desconfortável posição a qual estava submetido. – Quem você é agora? Regina? Rainha má? Regina Mills? Todas? Nenhuma?

—Não tenho que dizer nada para um idiota e petulante como você. Emma! – A morena tornou a olhar para a loira, que entendera a linguagem e a intensão em menos de um segundo: Regina queria que lutassem, e estavam prestes a fazê-lo.

—Nananinanão, senhora Mills, Regina, Rainha má, seja lá quem ou o que você for. Vocês não vão lutar comigo. – Seus olhos efusivos miraram Rumple. – Senhor das trevas, eu ordeno. – Olhou para ambas as mulheres a sua frente. – Mate-as.

Foi então que os olhos das duas lutadoras se encontraram. Encurraladas e temerosas, teriam de lidar com essa extrema situação após tanto tempo. Nada seria para sempre. Muito menos a calmaria de seu mundo. O senhor das trevas levantou-se, sem sorriso em seu rosto frio. Fechou os olhos em um sinal de dor e estalou os dedos. Uma neblina verde se apoderou de todo o espaço e um raio atingiu Emma pelas costas, fazendo um buraco em seu estômago. A princesa caiu, já com os olhos quase sem brilho. A morena via e não acreditava. Não poderia ser. Não, não e não! Emma. A querida salvadora. Querida por todos. Querida por Regina. A morena caiu de joelhos ao pé da moça ferida, clamando por ajuda sem emitir sons. Gritava por dentro. Ela seria a próxima. O reino estaria perdido e todos morreriam sem nem saber o que os atingiu. Um baque.

—Emma, Emma. Acorde. Fique acordada. Emma! – Batia-lhe no rosto, mas o sangue continuava a jorrar da boca de Emma. A loira olhou a rainha e sorriu.

—Regina...

Regina tinha o coração aos pulos. Ainda aquela névoa pairava e o senhor das trevas estava à espreita. A ex-prefeita de Storybrroke abraçou a amiga que jazia quase sem vida ao chão. Não a protegi. Não pude. Tornei-me fraca.

—Perdão, Swan. Perdão, Emma. Não sou salvadora, esse é seu papel.

Após um longo suspiro, a morena percebeu que mais nada aconteceu após o raio. Se o vilão não era burro... Se era tão certeiro e objetivo... Ela teria que estar morta, assim como a loira. A rainha, que mantinha os olhos fechados, os abriu, com os punhos cerrados, gritou. E, com seu grito, espessas linhas vermelhas de magia circundaram seu corpo e a tiraram daquela ilusão. Olhou para o lado direito e viu-se em pé, ao lado da princesa Emma. O coração falhou uma batida e um expansivo sentimento de alívio partiu de seu coração para o resto de seu corpo, seguido de um súbito medo e terror. Ele é pior do que eu esperava.

A loira ainda não havia saído do transe, estava quase lá, mas precisou de uma ajudinha da morena, que a ajudou ao segurar-lhe a mão esquerda. A loira caíra de joelhos, esbaforida, com os olhos grandes e amedrontados.

—O quê? – Swan sussurrava desesperada. – O que foi isso?

—Isso. – O garoto elevou a voz. – Foi um presente. Se sobreviverem ao que vão enfrentar agora, terão que me abater também. Essa foi só uma demonstração.

—O quê? – A rainha perguntou, com os olhos estalados, desacreditada.

—Quando era a Rainha Má você não era tão burra... Ou somente ficou mais lerda? Não consigo saber qual das opções é a correta.

—Maldito.

—Bem... Agora vocês vão mesmo enfrentar o seu querido amigo Rumple... Enquanto eu ficarei aqui sentado, apenas assistindo ao show. E... só pra constar: meu nome é Rufus.

De volta à biblioteca do castelo, Snow, Henry e Bella encontravam-se apreensivos e em busca de respostas. Henry e a avó questionaram-se sobre a barreira que Emma e Regina fizeram juntas durante uma quinzena para proteger a adaga do senhor das trevas. A enteada da rainha veio a divagar sobre a natureza daquela magia em específico. Henry concordou quando ela questionou sobre a defesa mágica ter sido feita com magia de amor. Não magia de luz, nem magia negra. Nem luz, nem trevas. Porém, o sentimento mais puro e forte que se tem conhecimento. E, por acaso, de onde viria tal amor? Amor por Henry, pela família e pelo povo? Fora o que concluíram. No entanto, havia uma pulga atrás da orelha da morena de cabelos curtíssimos. Poderia haver um grande amor também entre as duas usuárias de magia que construíram a barreira? E se sim, poderia ser esse o fator que faz com que o ladrão não pudesse destruir a construção mágica, apenas driblá-la? Mas esse pensamento, tais dúvidas, Snow White não iria expor para ninguém. Eram apenas... questões secretas.

—Henry, veja só esses pergaminhos. – Bella chamara a atenção do garoto, e, por consequência, tirou Snow White de seus devaneios.

—São os mesmos símbolos que estão gravados na abertura das criptas onde a adaga foi constituída.

A afirmação do príncipe fez com que Snow White se aproximasse da dupla, que olhava atentamente os sinais. Henry percebeu o cenho franzido da avó, que estranhará a alegação, e tratou logo de explicar a situação:

—Lembra, vó, que eu, a mãe Emma e a mãe Regina fomos ao lugar onde a adaga foi feita pra tentar livrar o vô Rumple dela?

—Sim, lembro. Se eu não me engano, vocês encontraram uma passagem para as criptas, mas não conseguiram descobrir nada que pudesse ajuda-lo.

—Sim – Bella tomou a palavra – E foi por isso que durante todos esses três anos eu continuei procurando e procurando formas de libertar Rumple da adaga, e do poder que o tenta em todos os momentos. Semana passada chegaram mais livros de Arendelle e de mais locais do mundo, e esses pergaminhos de Camelot. E parece que agora, juntando aos que nós já tínhamos... Está fazendo sentido, Snow!

—Pelo visto, os senhores das trevas fizeram da sua presença algo tão horrível que o mundo não pôde ignorar. – Concluiu a princesa.

—Esses símbolos...-começou Henry- para abrir as criptas a gente usou o olho, a estrela e o sol... Então talvez os outros símbolos...

—Henry – O garoto fitou-a – Cuide desses livros e estude o máximo que você conseguir. Eu vou atrás deles. Isso aqui pode ser a solução. — A bibliotecária começou a correr, mas foi impedida pelo “neto”, que a segurou pelo braço com um livro fechado na outra mão.

—Não, Bella, é muito perigoso. Meu avô gostaria que eu a protegesse.

—Sim, mas seu avô está em perigo e eu talvez possa ajudá-lo.

—Talvez não é certeza.

—Talvez é melhor que nada.

—Temos alguma coisa, minhas mães-

—Suas mães podem mata-lo. Quer a morte do seu avô, Henry?

—Não quero a morte de ninguém!

—Parem os dois. – Snow White declarou firmemente. Direcionou o olhar para a morena de cabelos longos. – Tem certeza de que pode ajudar? Não prefere que um guerreiro vá em seu lugar?

—Não. Não temos tempo, Snow, demorará para eu explicar todo o processo e tudo o que eu estudei. Temos de ser rápidos!

—Processo? — A morena de cabelos curtíssimos franziu novamente o cenho, mostrando-se confusa uma vez mais. Bella fechou os olhos e girou levemente a cabeça, entoando outra frase quase ao mesmo tempo em que abriu os olhos novamente.

—Esquece isso. Snow, eu só preciso ir lá. Preciso salvar Rumple. – As duas trocaram olhares fortes, e com a voz embargada, a bibliotecária continuou. – Preciso salvar o amor da minha vida.

Um instante preenchido por empatia e compreensão se instalou, e, por um instante, Bella chorou. Snow abaixou a cabeça.

—Henry, solte-a.

—Mas, vó-

—Solte-a agora, não temos tempo.

Quando o garoto o fez, Bella correu o mais rápido que pôde.

—Ela pode morrer, vó.

—E se ela não tentar, a chance de todos nós morrermos é maior.

—Todos?

—Preciso pensar no reino.

—No reino? Mas são Rumple e Bella! Meu avô e uma amiga!

—São duas vidas contra outras milhares.

—Não estou reconhecendo você.

—Henry... – Ela tentou tocá-lo no rosto, mas ele recuou. – Sempre tentamos dar um jeito, salvar todos, e muitas vezes conseguimos. E vamos tentar salvá-los também. Mas temos que estabelecer prioridades... Seu pai se foi, assim como Cruella sem que tivéssemos a chance de tentar mudá-la, as pessoas que me protegeram da Regina morreram aos montes, e Marian, a mãe daquele garotinho que ainda te considera um irmão... Nem sempre podemos salvar todos.

O menino desviou os olhos, dando o assunto por encerrado, concentrando-se nos livros.

—Perdoe-me, Henry. – Snow tentou, mas não obteve resposta.

No meio da mata, Regina e Emma depararam-se com um grande impasse: derrotar Rumple sem matá-lo. Não poderiam, jamais. Ou pelo menos não Emma, mas Regina era dada a fazer o que era necessário. Tinha essa força dentro de si.

Em um segundo, Rumplestilskin sumira e aparecera atrás de Regina, com um punhal, e quando o objeto estava há milímetros das costas dela, Emma segurara o pulso do senhor das trevas e direcionara todo o braço do homem para baixo, olhando-o séria e tristemente nos olhos.

—Faça o que for necessário, Swan. – Pediu o homem amargurado.

—Farei, Rumplestilskin. Pela minha honra.

Depois desse breve diálogo, iniciou-se uma perseguição de teletransportes, sem fumaça, porém. E, um pouco depois, Emma e Regina optaram por darem as mãos, já que fora a troca de energias que tirou Emma do transe. Sem isso, poderiam cair de novo na ilusão criada por Rufus, e seria extremamente difícil saírem sozinhas sem passar por uma emoção extremamente forte. Teriam que lutar de mãos dadas. Criaram, então, uma algema, que serviria como condutor de energia, de uma para a outra em alta quantidade. Não era garantia, mas em alguns momentos é preciso viver de apostas e de apostas para viver.

—Não vou brincar de pega-pega, queridinhas. – Apesar da situação, Rumple não perdera seu humor negro.

O senhor das trevas invocou dezenas de monstros para cerca-las. Pararam de se teletransportar em cima de um galho de uma das grandes árvores da floresta, e, sendo forçada a desviar de uma das criaturas, Emma se desequilibrou e caiu, levando consigo a rainha. Os reflexos dos treinamentos diários se fizeram presentes, ela agarrou outro galho e impulsionou o corpo para frente, segurando a corrente da algema com a mão presa e puxando-a para cima, junto ao seu movimento de balanço e, consequentemente, elevou Regina, que, por sua vez, ficou de cabeça para baixo, acertando em cheio a barriga de um dos monstros humanoides com um chute. Passado o susto, usou sua magia para levar ambas para o chão, dessa vez em meio a uma fumaça roxa. Ela não usaria níveis de teletransporte mais elevados para algo tão simples.

—Emma... Você precisa deixar de cair de árvores. – Ressaltou a morena enquanto se levantava do chão e batia as mãos nas vestes de couro para tirar possíveis partículas de poeira.

—Se sobrevivermos, prometo que colho todas as maçãs das redondezas do castelo pra você.

O diálogo não continuou, Rumplestilskin moveu seus dedos e então elas perceberam que todos aqueles monstros eram, na verdade, marionetes. Alguns traziam espadas nas mãos e então atacaram. Emma rapidamente puxou sua espada que repousava em suas costas e iniciou uma série de defesas e contra-ataques, enquanto a rainha usava magia para afastar as criaturas. Uma ou outra vez, a loira esticava o braço para defender a morena, porém, elas recuavam e conforme os segundos passavam, o cerco se fechava em torno das duas. Em dado momento, o sol saiu detrás das nuvens e seus raios atacaram as íris verdes e concentradas da princesa. Quando se livrou do ápice da cegueira, enxergava em manchas escuras, viu a porta de uma espada aproximando-se da cabeça da rainha.

—Regina!

Quando a morena se virou, viu a ponta da espada perto dos seus olhos, e a mão da espada de Emma ensanguentada. O sangue pingava dos cortes profundos que se originaram quando a loira segurara a lâmina da espada com a própria mão. A princesa sorria nervosamente.

—Isso dói.

Outra lâmina estava em ação e se dirigia à loira, quando aço se chocou com aço.

—Minha filha, lembra que eu disse que precisa treinar mais? – David afirmou para Emma após tê-la salvado. E então ela o notou.

—Sim, e não precisa repetir. – Ele sorriu de canto. A morena tomou a palavra.

—Emma, porque não paralisou a marionete com magia?

A princesa impulsionou com magia a lâmina para longe, junto à marionete que a empunhava e agachou para pegar a sua própria.

—Tentei, não podemos paralisá-los. Estão enfeitiçados contra a nossa magia, receio que poderemos fazer pouca coisa com ela.

— Exatamente. — O menino ruivo saiu de trás de uma das árvores. – O que vão fazer, encantados?

— Quem é esse? – David perguntou para as duas. – E porque estamos enfrentando marionetes?

— O nome dele é Rufus. Ele tem o controle sobre Rumple e quer nos destruir. Não sabemos nada além disso. – A filha resumiu. Regina tinha a paciência esgotada.

—Hey, garoto maldito! – Todos olharam para a rainha. Ela havia tirado magia do corpo da loira e juntado à sua. – Não sou nenhuma encantada! – E lançou uma bola de fogo no jovem, e quando ela dispersou, percebeu que tinha atingido duas marionetes no lugar dele.

—Pra mim, bolas de fogo são encantamentos, vossa majestade. – Rufus estava falando de outro lugar naquele momento, todos olharam para ele, menos Emma.

—Regina. – A rainha fitou a princesa. – Olhe.

Quando a morena observou as marionetes, elas estavam chamuscadas e pegando fogo, e ele começava a consumir duas linhas mágicas que ligavam as criaturas ao criador. Emma segurou com firmeza a mão de Regina e elas não estavam mais ligadas apenas pelas algemas.

Ao mesmo tempo em que o trio estava concentrado em como lidar com as marionetes de Rumple, Snow White estava junto ao neto, colocando elementos mágicos em um caldeirão que soltava fumaça.

—Eu achei o pote de anis solar que minha mãe guarda no quarto dela. Está aqui. Não sabia que você podia usar magia, vó.

-Não posso, querido. Estou seguindo um dos livros que Regina me deu para momentos como esse. São magias que pessoas que não usam magia podem usar. Obviamente o resultado não é tão bom quanto seria se eu pudesse usar magia, mas talvez ajude.

O garoto olhou confuso para todos os ingredientes espalhados pela biblioteca, os livros bagunçados ao seu redor e a avó com uma grande colher misturando de forma extremamente atrapalhada os ingredientes no gigante caldeirão que preenchia parte do centro da biblioteca.

—E qual magia você está fazendo?

—Estou preparando uma barreira para proteger os cidadãos do reino. Se acontecer algo de muito ruim, pode salvar muitas vidas.

—E você acha que algo muito ruim vai acontecer? – Quando ela o fitou, ele trazia um olhar marejado, com receio e medos a transparecer.

—Não sei, querido, mas estou com um mal pressentimento...

—Eu... Eu vou procurar mais informações nos livros.

—Faça isso, meu amor. Eu terminarei essa poção logo, logo.

O príncipe dirigiu-se para o meio das estantes, com seus passos sem destino exato por meio de alguns livros espalhados pelo chão. Aqueles livros largados eram culpa da luta de mais cedo, no entanto a responsabilidade também poderia ser atribuída pela pressa da família em obter alguma resposta para o momento de desespero. Ele colocou alguns livros na estante e segurava outros, procurando, folheando, observando e estudando. Os olhos rápidos passavam pelas linhas, lendo na diagonal, em partes, aos picados, tentando, assim, achar alguma informação relevante. Quanto mais se demorasse em informações irrelevantes, mais perdia o tempo que poderia usar para achar alguma solução ou alguma pista, e, assim, salvar sua família.

Guardou na mente aquilo que leu e que lhe parecia relevante para um ou outro proposto. Sentia-se impotente. Olhou para o anel o qual suas mães lhe deram. Ir lá fora seria arriscá-las, mas mesmo assim... e se pudesse salvá-las em algum momento? E se fosse mais útil com uma espada na mão do que abrindo e desvendando livros? Colocou alguns livros novamente na estante poeirenta, sempre olhando de relance a pedra roxa em seu dedo. Voltou para perto e viu a avó concentrada.

—Estou quase acabando, Henry!

A morena de cabelos curtos terminou a poção e chamou os guardas. Pediu para que cada um deles derramasse um frasco pequeno do líquido em direção a cada ponto cardeal, em todas as direções, nos locais mais distantes das aldeias do reino, de forma que cercasse todo ele. Pelo menos naquela parte perto do castelo, que era a zona de maior perigo. Com o passar dos dias ela aumentaria o alcance da barreira, se sobrevivessem. Então lembrou-se de não ter mais visto sinal do neto. Procurou-o, mas não o encontrou. Perguntou aos guardas e um deles disse ter visto o rapaz saindo do castelo. Como não tinham ordens para não o deixar sair, não fizeram nada. Snow sentiu-se culpada, isso era erro do comandante, que naquele momento era ela. A quem poderia recorrer? Todos foram atrás de Rumple. Não poderia errar mais. Caso acontecesse algo, tinha que estar no castelo para dar ordens aos guardas. Mandou seis homens atrás de Henry e decidiu que alertaria as autoridades do reino. Algo tão grave não poderia mais ficar escondido.

Emma segurava firmemente a mão de Regina. A morena a fitou. A loira ergueu sua espada e sua magia branca saiu de sua mão ensanguentada para enrolar-se na arma, deixando-a completamente branca. A princesa também fez surgir no braço da rainha um escudo, no qual a morena depositou sua magia vermelha, tornando-o completamente vermelho. Utilizaram o mais próximo de magia de amor que tinham.

— O que pretende que façamos, Emma?

— Pretendo que lutemos com a nossa maior força, a única que pode surtir efeito contra esse garoto. — A loira mantinha os olhos nos inimigos. – Temos que ser uma, Regina. Uma mente e um coração em prol do amor. Nem magia de luz, nem de trevas, mas sim, magia de amor. Juntas poderemos chegar perto do que poderia ser uma magia de amor ideal. – A morena voltou o olhar para Rufus.

—E qual o plano?

—Precisa mesmo perguntar? – A rainha sorriu.

—Não.

Emma ergueu sua espada e a movimentou em círculos acima da cabeça, então fez surgir uma névoa espessa e branca, que logo atingiu um raio de 500 metros. Ela, o pai e Regina podiam ver através da fumaça. Enquanto David lutava com as marionetes, elas se teletransportavam para trás de todas elas. Como lasers elas enxergavam as linhas que ligavam os monstros a Rumple e enquanto a rainha defendia a princesa de muitos golpes de espada, a loira usava sua espada encantada com magia de amor para cortar os fios, inutilizando as marionetes. Terminaram com todas com alguns ferimentos, mas quando foram atacar o senhor das trevas, as coisas não ocorreram bem. Com um movimento de mão, as mandou para longe e dispersou toda a névoa.

—Não podemos mata-lo, Regina.

—Talvez tenhamos que fazê-lo. – Dizia a rainha enquanto erguia-se novamente. – Mas primeiro precisamos nos aproximar dele.

—Talvez não.

A princesa então utilizou junto a espada outro nível de magia que tinha consigo, cortou o ar e fez rajadas de vento em direção a Rumplestilskin, a ventania o atingiu em cheio. Quando ele ergueu a mão para parar os ventos, recebeu um profundo corte na palma da mão direita. Em seguida todo o corpo foi sofrendo cortes. Ele sumia e aparecia em outro lugar, mas a princesa continuava firme em cortar o ar. Logo o poder havia aumentado em demasia e Rumple teve que agir.

—Sinto muito, eu realmente não quero fazer isso. – A tristeza era nítida no semblante do homem.

Dois muros de pedra ergueram-se do chão ao redor das duas mulheres e andaram em direção a elas, com o intuito de esmaga-las.

David estava muito longe para fazer algo. Regina viu apenas o que vinha em direção a Emma e em um rápido ato abraçou a loira, colocando o escudo nas costas dela para tentar protege-la. Os muros pararam. O escudo da rainha segurava um e o outro era segurado pela espada da princesa que tinha os braços envoltos no corpo de Regina e ambas as mãos seguravam a base da espada que, horizontalmente, impedia a união dos muros. Os equipamentos das duas brilhavam vermelho e branco naqueles instantes.

—Regina...

—Eu nunca poderia deixar algo acontecer contigo, Emma. Eu jamais me perdoaria.

—Obrigada.

—Não agradeça, estou sendo egoísta e fazendo isso por mim. O que eu poderia ser sem você?

Nenhum pensamento sobre aquela declaração sequer ocorreu nas mentes das duas guerreiras. Cipós brotados magicamente do chão as levaram do meio dos muros para baterem com as costas com força em duas árvores enquanto apertavam-lhes os pescoços afim de enforcá-las. As árvores pareciam estar furiosas. O local parecia o inferno, um furacão parecia ter devastado aquele canto da floresta. A noite já caía, a lua começava a brilhar, os últimos raios de sol iam indo embora. Começava a serenar, o dia terminava também par as duas mulheres, princesa e rainha que já não conseguiam respirar, o corpo pesava e nem mais uma palavra conseguia ser dita, nem sobre o que tinham certeza e nem sobre as coisas que não tinham. Os segredos de seus corações morreriam sufocados com elas. A escuridão ia enchendo o espaço e seus corpos, o ar pesado da noite ficava mais pesado e elas iam preenchendo-se de morte.

—MÃE! MÃE!

A voz do garoto as despertou por um instante, o suficiente para ver o garoto ruivo aproximar-se do príncipe com a adaga em mãos, sangue pingando no chão de barro enegrecido pela noite que pairava pesada e gigante por cima do chão preenchido por orvalho. A luz do dia havia se esvaído. Som de passos e a voz de David fora ouvida ao longe, mas poderia ter sido confundida com um breve sonho.

Notas finais
Se alguém estiver por fora, volto a lembrar que sempre dou notícias sobre a fic no grupo da fic no face: https://www.facebook.com/groups/311012249084392/ Beijos, minha gente. O próximo capítulo ocorrerá em Boston. Atualização 21/03/2016 - > Queria dizer que o próximo capítulo já está escrito e será postado dia 29/03/2016. Esperei até que o capítulo estivesse completamente escrito para corrigir esse e poder falar com certeza quando sairá o próximo. Muito obrigada a quem ainda está aqui.