Notas iniciais
Gente, esqueci de dizer que a minha revisora mudou. A Michely ta bastante ocupada, então que está me ajudando agora é a Wounded Beast (Vienna Prince). Ela mudou o apelido recentemente. Já recomendei a fic dela aqui. Bem... Como eu já havia dito, não teremos capítulo essa terça, já que o estou postando hoje. Quase que eu não posto kkk, estava deitadinha na cama. Hoje tem musiquinhaaaa. Está indicado quando começa a tocar. Aqui está o link: http://www.youtube.com/watch?v=MbXWrmQW-OE Bem... Boa leitura, meus amores. PS: Música boa não fica velha, gente.

“Just a castaway, an island lost at sea, oh
Another lonely day, with no one here but me, oh
More loneliness than any man could bear
Rescue me before I fall into despair, oh

I'll send an S.O.S. to the world

...

A year has passed since I wrote my note
But I should have known this right from the start
Only hope can keep me together
Love can mend your life but
But love can break your heart”

Message in a Bottle – The Police

Nos últimos capítulos — Boston:

Havia uma sala em forma de cartola.

–E agora, o que a gente faz? — Perguntou a morena.

–Sei lá, imagina alguma coisa!

***

Regina sorria. Estava flutuando, voando! Emma acreditou e via-se um sorriso em seus lábios também. Abriu os olhos e olhou a morena. Estendeu a mão para ela, que fez a mesma coisa. Não falaram nada, só deram as mãos e começaram a girar.

***

(R)-Você está cansada e eu não quero incomodar.

(E)-Vai me incomodar mais se não entrar.

(R)-Está bem.

***

(R)-Mas você não acabou de falar que depende de como se vê? — As duas se encaram. Regina suspirou e colocou a cabeça no sofá, com o quarto copo de bebida praticamente vazio, o qual colocou em cima da mesa de centro. — No fim... Magia é sobre sentimento, sobre visão... ou então é só sobre acreditar...

(E)-Acreditar... — Emma repetiu pensativa.

(R)-Acreditar sem provas...

(E)-Então... Magia é sobre fé?

***

Às onze da manhã a morena foi a primeira a acordar. Emma ainda dormia tranquilamente. Ao lado da loira, no local onde dormira, deixou um bilhete agradecendo por tudo e deixando seu telefone.

Passam os dias. Todos os dias as duas relembraram os momentos passados naquele restaurante, na exposição e no apartamento de Emma. Elas não se falaram durante toda a semana, mas os flashes eram contínuos.

(R)-Alô.

(E)-Alô, Regina?

(R)-Ah, sim, Emma. O que você quer?

***

(R)-Está me convidando para sair, miss Swan? — Regina interrompeu enquanto fechava as portas do armário e se dirigia a sua mesa.

(E)-É... de certa forma. Precisaremos do dia todo.

***

–Swan, já falei que não vai dar. Meu trabalho e minha rotina não são da sua conta. Agora me dê licença que eu tenho mais o que fazer.

–Regina-

–Tchau Emma. Depois nos falamos.

***

–Estou apenas procurando boa companhia.

A morena ri sarcasticamente, andando a frente de Emma:

–E encontrou em mim? Acho que precisa trocar seu grupos de amigos, Miss Swan.

***

–Alô.

–Olá, Emma. Tudo bem com você? — Disse em tom irônico, para depois mudar para o tom que expressava o seu atual estado de espírito. — Você pode me dizer porque raios os quatro pneus do meu carro estão furados?

***

–Não. Eu vou trabalhar amanhã. E você é quem vai me levar.

–Eu? Mas eu não tenho carro.

–Se vira. Quero você aqui às sete e meia em ponto.

***

–Alô.

–Alô, Tom! Preciso do seu carro.

***

Na manhã seguinte, em pleno sábado, Emma Swan acordava com o maldito som do despertador às seis horas. Ele tocava incessantemente e Emma, na tentativa de parar o som, esticara a mão esquerda e acabou por empurrá-lo de cima da mesa de cabeceira. No chão, o despertador ainda tocava. Emma gemeu frustrada. Aquilo não pararia de emitir som enquanto ela não resolvesse levantar para desligá-lo. Então jogou as cobertas para o lado e em um impulso colocou os dois pés no chão.

Agachou ainda sentada e pegou o despertador. Mal enxergava. Tateou o objeto até encontrar o botão de desligar. Não foi muito difícil, seus dedos estavam acostumados com o caminho. Devolveu o relógio ao seu devido lugar. Levou as duas mãos ao rosto, enquanto apoiava os cotovelos nas pernas. As palmas de suas mãos estavam sobre os olhos. Ainda pensava nos sonhos que tivera durante a noite. Coisas malucas que envolviam Regina, uma coroa flutuante, xícaras, um espelho quebrado... Em um segundo lembrou-se da música tema do filme “A bela e a fera”. Ficaria com a música na cabeça pelo resto do dia, com certeza.

Enquanto a loira levantava-se cambaleante e dirigia-se ao chuveiro, há alguns quilômetros de distância, a morena repousava tranquilamente em seu colchão “Queen size”. Poderia ter comprado um maior, tamanho “King size”, mas quis deixar mais espaço para os armários. Veludo. Seda. Os fios de algodão egípcios. A cama de Regina era puro luxo. O resto da casa poderia ser menos luxuoso. Na verdade, estava para uma classe média alta, ou simples classe média, mas a cama, seu local de repouso, devia ser digna de uma rainha. Ou era o que qualquer pessoa que visse aquela cama pensaria. A morena não se importava muito com isso. Ela simplesmente gostava de estar o mais confortável possível.

A juíza começou a espreguiçar-se. Estava acordada, mas mantinha os olhos fechados. Os lábios esboçavam um leve sorriso. Estava ansiosa pelo que viria a seguir. A loira a levaria para o trabalho e também a buscaria. Não havia falado essa segunda parte, mas não havia problema, ela exigiria que o fizesse. Se a senhorita Swan fizesse tudo como Regina quisesse, poderia até pagar pneus novos ela mesma. Afinal a loira não teria tanto dinheiro no momento e só em ter que servir de motorista já estava de bom tamanho. Ainda permaneceu na cama macia, rolando as pernas pra lá e pra cá e abrindo os braços. Levantaria dali alguns minutos.

Emma sentia as gotas d´água percorrendo seu corpo dos cabelos aos dedos dos pés. A janela permitia que um pouco de luz entrasse no banheiro, mas realmente eram poucos os raios de sol pela hora da manhã. O vapor d´água enchia seus poros. Os fios de cabelo grudavam uns nos outros e se tornavam escuros. Seus olhos estavam fechados. Em alguns segundos, leves tonturas se faziam presentes pelo sono que ainda pesava. Ensaboou-se, enxaguou-se, secou-se. Já estava desperta. Passou protetor solar, afinal, sua pele branca exigia certos cuidados. Vestiu-se. Prendeu o cabelo em um alto rabo de cavalo. Separou uma mochila e guardou calcinhas, meias, tênis, blusas, calças e objetos de higiene pessoal. Colocou a mochila nas costas, saiu e trancou a casa. Encontrou Tom na rua, na frente de seu prédio. O rapaz alto e ruivo trazia um olhar curioso e algum tipo de euforia matinal.

–Você vai levar quem mesmo?

–Regina.

–Até agora não entendi quem é essa.

–Aquela da exposição...

–Ahh! A juíza que comete crimes... Lembrei. — Emma estava guardando a mochila no porta-malas do carro enquanto conversavam. Fechou-o e voltou-se para Tom, que tinha um risinho debochado em seu rosto. Ela o olhava com uma cara de poucos amigos.

–Essa mesma... — A loira passou a andar rumo ao banco do motorista, enquanto o moço a seguia.

–Quero só ver no que isso vai dar. Mantenha meu carro intacto, hein?

–Ok... — A monitora já ia entrando no carro quando Tom segurou em um dos seus ombros, fazendo-a virar-se para ele. Manteve suas mãos nos ombros dela.

–Hey, Emma... Espera. — Ele a olhava intensamente.

–O que foi agora?

–É sério, tá? Eu me preocupo com você. De verdade.

–Eu sei, Tom. Eu agradeço.

–Não precisa agradecer... É algo natural. Gosto muito de você, loirinha. — Emma sorriu timidamente e esticou os braços para envolver os fios dos cabelos do rapaz em seus dedos... Acariciava o topo da cabeça e dedicava-lhe um olhar cúmplice. Trouxe o rosto do rapaz para baixo e beijou-lhe a testa. Ficou assim por alguns segundos. Afastou-se.

–Você é um anjo, Tom. — O rapaz sorriu alegre. Abriu os braços e a envolveu ternamente. Ela ficou momentaneamente nas pontas dos pés. Desvencilharam-se. Levou o dedo indicador para a ponta do nariz de Emma.

–Ti cuida. — Ela segurou a mão dele e a tirou dali.

–Está bem. — Sentou-se no banco do motorista. Fechou a porta e estava colocando o cinto. A janela estava aberta.

–E não esquece de mandar notícias. — Ela fez um sinal de positivo com a mão e acelerou o carro.

–Do carro também, Emma! — A loira colocou a mão esquerda para fora da janela e mostrou-lhe o dedo do meio. Ele riu e foi embora depois de vê-la afastar-se.

Regina terminava de vestir-se quando o interfone tocou anunciando Emma. Ela avisou que já desceria. No entanto, deixaria a loira esperando-lhe um pouco mais. Precisava maquiar-se. Base, Blush, sombra, rímel. Creme hidratante para as mãos e, finalmente, o famigerado batom vermelho. Saiu com sua pasta e bolsa porta a fora. Passou a chave na fechadura. Entrou no elevador, olhou-se no espelho. Tinha um olhar confiante e satisfeito por trás da maquiagem. Tinha a sensação de ter sua vida sob controle novamente. Sorriu. Tinha a loira em suas mãos. Ela não sairia por aí fazendo o que bem entende. Não mesmo. O elevador parou e ela caminhou rumo ao hall, depois à portaria. Cumprimentou o porteiro, pôs os pés na calçada e avistou alguns carros estacionados pela rua. Observou a monitora saindo do carro para sinalizar que estava ali.

Enquanto Regina caminhava, Emma notou os trajes sociais de trabalho. Uma camisa branca, um tanto quanto justa. Os dois primeiros botões abertos, pelo menos por hora. Uma saia preta que cobria os joelhos da morena. Saltos agulha pretos. A bolsa, também preta, e a pasta marrom. Trazia consigo também um casaco de um azul muito escuro. Aquela mulher parecia ter alguma estranha obsessão pela cor preta. Apesar de que raramente se erra ao vestir roupas muito escuras. Sempre passam a impressão de que a pessoa é elegante e discreta.

Ambas entraram no carro. A juíza é a primeira a falar, enquanto as duas prendiam o cinto de segurança:

– Bom dia, miss Swan. — O tom da morena era mais animado do que o usual.

– Bom dia, Regina. — devolveu, evidenciando seu mau humor.

– Dormiu bem?

Emma encarou Regina por alguns segundos. A virada do rosto fez com que o rabo de cavalo loiro balançasse. As olheiras falavam por si. Virou o rosto para frente e deu a partida. Pisou no acelerador.

–Acho que não está muito pra papo hoje, não? — O silêncio permaneceu e Regina sentiu uma ponta de insegurança.

–Bem... Pelo menos me diga: onde conseguiu esse carro?

A loira continuava focada em seu caminho. Não sabia onde era o escritório da morena, mas com certeza teriam que pegar uma das avenidas principais que ficava nas redondezas. Fitou Regina de soslaio e resolveu responder.

–Um amigo.

–Sei... Um amigo... — A juíza voltou o olhar para suas pernas.

–É. — A loira girou o volante para a direita e depois o voltou à posição anterior. — Do orfanato. Somos amigos de infância, mas ele foi adotado antes que eu saísse de lá. Nos encontramos novamente em pouco mais de um ano e a amizade... Voltou.

–Entendo. Agora você pega a esquerda. Depois a esquerda novamente e a direita. O escritório fica na Brimmer St. Conhece?

–Sim.

–Ok. Melhor.

O silêncio que pairou começou a ser desconfortável para Regina. Depois de alguns minutos ela o quebrou.

–Sabe... Eu estava pensando... Aquele dia... — Emma a olhou mais atentamente. Estavam paradas em um cruzamento. — Quando a gente lembrou do filme do Indi... — A loira fez uma cara de quem não estava compreendendo bem. A morena respondeu sem paciência. — Indiana Jones, miss Swan.

–Sim. O que tem isso? — A monitora voltou a observar a rua e a andar com o carro.

–Bem... Uma coisa ficou na minha cabeça. E se... — Emma deu certo espaço à morena. — E se nós não tivéssemos assistido aos filmes? Como passaríamos?

Emma sorriu. Não imaginava que essa seria a pergunta daquela morena enfezada. Aparentemente ela estava mais próxima à mulher que conhecera naquele dia.

–Verdade. Esse é um ponto. Se realmente quer saber... Eu dei uma olhada nas caixas daquela exposição, pouco antes de levarem tudo. Tinha um guiazinho para cada um e, aparentemente, as pessoas eram acompanhadas de monitores que resolveriam o problema, caso ninguém pensasse em nada.

Regina deixou escapar um risinho.

– E será que alguém lembrou?

–Bom... Aí eu já não sei dizer.

Depois de certo tempo, nenhuma das duas abria a boca para nada. Cada uma prestando atenção em certo ponto das ruas. A morena estava absorta em seus pensamentos e divagações e acabou cochilando no banco. Aquele horário realmente era muito cedo. Para Emma, bom... Ela não poderia ter tido mais sorte. O problema foi quando a juíza despertou. Emma ficou tensa. Regina olhou, ainda tonta, para os lados. Mato. Verde. Mato. Árvores. Pavimento. Mato.

–Mas o que- O que- O que é isso, miss Swan?

–Uma estrada.

–Como assim uma estrada? — A morena soltou, já em tom raivoso.

–Uma estrada.

–Onde estamos? E o meu- O meu escritório, miss Swan! Pra onde estamos indo?

–Estamos indo para aquele lugar que eu queria levar você.

–Oi? — Emma a olhou rapidamente.

–Já disse, você está muito estressada.

–Miss Swan, volte agora com esse carro!

–Não.

–Miss Swan!

–Não vou voltar.

–Emma. Agora. — A loira a ignorou. — Emma. Emma!

–Regina, o que tá fazen- Regina!

Aquela era a gota d´água. Entra em seu carro do nada, fura seus quatro pneus, desliga a câmera de segurança e agora a sequestra? Regina tinha mais motivos do que precisaria para prender Emma, mas não pensou nisso naquela hora. Apenas se impulsionou em direção ao volante, segurou-o como pôde e virou completamente a direita, fazendo com que o carro desse um “cavalo de pau”. O automóvel quase colidira com outros carros na pista. Buzinas e sons de freio ecoaram por todo aquele trecho da estrada. Por sorte ele parou em cima da grama, no acostamento. As duas ficaram espantadas com o que sentiram. Aquele medo súbito. Regina não teve tempo de pensar no que fizera. Apenas sentia o coração bater acelerada e desesperadamente, assim como o de Emma. As duas de olhos arregalados. A adrenalina percorria-lhes o corpo todo. A morena ajeitou-se novamente em seu banco. O silêncio se fez, mas não foi um incômodo. Era necessário. A respiração precisava voltar ao normal. Emma foi a primeira a se pronunciar:

–Você... É... Louca. — Dizia pausadamente. Ainda estavam ofegantes.

–Não mais... Que... Você...

–Nunca... Nunca mais faça isso...

–Nuca mais me sequestre...

Ambas continuam respirando pesadamente durante alguns minutos. Quando seus corpos se acalmaram, a morena abaixou a cabeça e colocou as palmas da mão em seus olhos. Voltou a se pronunciar.

–Miss Swan... Podemos voltar agora? Eu ainda tenho trabalho a fazer.

–Você não da o braço a torcer mesmo, hein? — Regina a observa pesadamente.

–Não é do meu feitio.

–Bom... Dê uma olhada no outro lado da pista. Até acharmos um retorno vai ser difícil. Aqui está livre, mas quanto mais nos aproximarmos do centro de Boston, mais congestionado vai ficar. Não é grande coisa, mas o suficiente pra não te deixar trabalhar por muito tempo. Seu trabalho não vai render nada hoje. São quase nove e meia da manhã.

–Nove e meia? — O tom de indignação foi bastante perceptível. — Eu dormi uma hora?

–Quase uma hora e meia. O suficiente para nos afastarmos consideravelmente da cidade.

A juíza ponderou durante alguns minutos sobre suas opções. Teimar em voltar para a cidade e, quem sabe, prestar queixa da loira em alguma delegacia, ou aceitar o convite e ir para seja lá onde que Emma queria levá-la. Lembrou-se de quando se arriscou com ela na exposição. Não era seu costume sair com estranhos, falar com desconhecidos, fazer escolhas que não eram seguras, a menos que tivesse um forte motivo para tanto. E, principalmente, ela era uma mulher extremamente orgulhosa. Aceitar ser “sequestrada” ia contra absolutamente todos os seus princípios. Todos.

–Missa Swan, estou em trajes sociais e com material de trabalho. Não creio que estou adequada para ir em um passeio.

–Não tem problema, eu trouxe roupas limpas para mim. Estão no porta-malas. Trouxe extras pra você também.

–Como assim, roupas? Pra onde quer me levar? E quando pretende voltar?

–O lugar eu não posso dizer. Mas pretendo voltar amanhã à noite.

–Como é? Ia me arrastar para um fim de semana fora e não diz absolutamente nada? Em vez disso me sequestra? Nem pensar.

A morena saiu do carro, irritada. Emma abriu a porta, mas não a seguiu.

–Onde pensa que vai, Sra.Mills?

–Pra casa.

–A pé? De roupa social?

–Exatamente.

–Pretende andar quantos quilômetros de salto agulha.

–Quantos forem necessários.

A loira estava indignada. Entrou novamente no carro, virou-o e andou pelo acostamento na contramão, abrindo a janela e acompanhando a juíza.

–Regina, seja razoável. Não vai a lugar algum assim.

–Espera pra ver.

–Regina...

–Poupe-me. — Emma bufou.

–Parque Florestal Nobre Cisne. — a morena parou de andar. Emma pisou no freio. — É pra lá que pretendia te levar. Conhece? — A morena a fitou.

–Parque florestal?

–Sim. Igual àquele do Zé Colmeia.

–Eu sei o que é um parque florestal, Miss Swan. Só não pensei que fosse algo desse tipo.

–Bem... Agora que você sabe o nome do lugar, pode pegar o endereço e...

–Eu sei onde é.

–Melhor. Olha, chegando lá você avisa quem tiver que avisar. Família, amigos colegas de trabalho... Mas eu insisto que você vá comigo. — Regina suspirou.

–Eu não sei...

–Olha, eu sei que parece loucura, mas... Vai ser gostoso. Vai ser interessante, como foi a exposição. Eu também preciso arejar a cabeça. Estou sempre preocupada, cada hora é um problema. — A morena ainda ponderou. Olhou para a estrada, a floresta, o céu, as nuvens e voltou a observar Emma.

–Como faço com a roupa íntima e pijamas?

–Lá tem algumas lojas com tudo o que você pode imaginar. Não vai ser problema. — A juíza ainda estava receosa. — Hey, eu compro pra você. Afinal, a ideia de ir pra lá foi minha mesmo...

–Está bem. Vamos. — A morena entrou novamente no carro e apertou o cinto, enquanto a loira dava meia volta, voltando ao rumo inicial. — Mas se acontecer alguma coisa, se eu perceber algo estranho, Swan, você vai desejar não ter nascido.

–Está bem... Sra. Mills... Está bem...

E novamente um período de silêncio após algumas poucas palavras trocadas pelo caminho. Regina pode notar os trajes da loira, agora com mais calma. Uma bermuda jeans, uma camiseta onde estava escrito “Orlando” junto com um colete Jeans sem mangas. Os tênis, agora ocultos, evidenciavam as intenções da loira. Saíra vestida para algo esportivo. Trajes desnecessários para uma carona. Emma movimentou seu braço e seus dedos e ligou o rádio. Algumas músicas tocaram e preencheram o ambiente. Entre os momentos silenciosos e musicais passou-se uma hora. Foi quando determina música começou a tocar no rádio, e Emma começou a cantar junto, mesmo que baixinho. “Massage in a Bottle”, da banda “The Police”. A situação não passou despercebida pela morena, que também gostava da música. Gostava muito. Ela apenas observava.

Just a castaway, an island lost at sea, oh

Apenas um náufrago, uma ilha perdida no mar, oh


Another lonely day, with no one here but me, oh
Outro dia solitário, com ninguém aqui exceto eu, oh

More loneliness than any man could bear
Mais solidão que qualquer homem poderia suportar

Rescue me before I fall into despair, oh

Resgate-me antes que eu caia em desespero, oh

Depois de, disfarçadamente, Emma cantar esse trecho, Regina, que de certa forma identificava-se com a música, também começou a cantar. Porém, o fato de se identificar com a música era algo que a morena não contava nem para si mesma. Ambas começaram a cantar e a empolgação foi se sobressaindo. Uma banda que as duas curtiam. Tinham memórias.

A year has passed since I wrote my note

Um ano se passou desde que escrevi meu bilhete

But I should have known this right from the start

Mas eu deveria saber disso desde o início

Only hope can keep me together

Apenas a esperança pode me manter são

Love can mend your life but

O amor pode reconstruir sua vida

But love can break your heart
Mas o amor pode partir seu coração

I'll send an S.O.S. to the world

Vou enviar um S.O.S. ao mundo

I'll send an S.O.S. to the world

Vou enviar um S.O.S. ao mundo

I hope that someone gets my

Espero que alguém encontre minha

Elas realmente se empolgaram. Continuaram cantando alto até o fim da música. Desafinavam algumas vezes, como qualquer pessoa normal. Não comentaram nada durante a música. Foi simplesmente um momento divertido, descontraído, daqueles que a vergonha vai para o espaço. Fora o suficiente para Regina. Fora o suficiente para Emma. Após a música, outras foram ouvidas, como algumas de Tina Turner, Cindy Lauper, Queen e U2. Algumas elas cantavam, outras serviam música de fundo para algumas tímidas conversas, algum debate e, por vezes, um silêncio acolhedor.

Finalmente chegaram ao destino final. Pararam perto da cabine do porteiro do parque.

–Olá! Bem vindo à reserva florestal Nobre Cisne. Possuem reserva?

–Sim, temos sim. — Regina olhou para Emma sem entender.

–Em nome de quem?

–Swan. Emma Swan.

–Swan... Swan... Emma Swan... Sim, aqui está. Chalé para duas pessoas.

–Exato.

–Deixe-me ver... Ah, mil perdões, Miss Swan. Um trailer quebrou hoje de manhã e tivemos que realocar dois amigos que vieram acampar. Só tem um chalé vago com uma cama de casal. Tem muito problema?

Regina ia dizer algo, mas Emma foi mais rápida.

–Não! Nenhum problema.

–Ah, que bom. Está nos poupando de um trabalhão. Aqui estão as chaves. Fica na área sete dos chalés. Siga as placas e chegará lá sem grandes problemas.

–Muito obrigada.

–Não tem de quê. Peço desculpas novamente. Aproveitem a estadia.

–Sem problemas.

Emma seguiu em frente após abrirem a cancela e prestava atenção nas placas.

–Como assim não tem problema, miss Swan? E desde quando você tem uma reserva para esse fim de semana?

–Eu apostei que você viria. E já está tarde, se não formos logo não vamos aproveitar nada. O tempo que perderíamos chiando com as camas, podemos passar relaxando.

–Apostou? Era bem capaz de eu me recusar. E nós não somos exatamente melhores amigas, Swan.

–Regina, é o que da pra fazer agora.

–O que da pra fazer agora? Conhecemo-nos semana passada.

–Ali! Acho que a área sete é ali. — Regina suspirou. — Acalme-se, é só uma noite. Eu não sou nenhuma psicopata.

–Tem horas que eu duvido disso. — Emma sorriu de canto.

–Não, não sou. E se você não viesse, eu viria da mesma forma. E talvez viesse com o Tom.

–E por que insistiu em vir comigo?

Emma estacionou o carro, tirou o cinto e olhou para a morena.

–Um desafio é sempre mais interessante.

A loira deixou o banco do motorista e Regina sorriu, gostando do termo “desafio”. Aquela loira também era um desafio. Algo instigante. Uma aventura. Mais uma vez uma aventura. A partir daquele momento, a juíza teve certeza de que sua vida iria mudar. Era como ver algo grande vindo.

Notas finais
Aiii, espero que tenham gostado. Preciso de pique pra escrever, to meio sem vontade esses dias... :( Vamo lá, neh? kkk E lembram daquela fic que eu indiquei? "Mina"? Então, gente.... TA MUITO BOAAAA. Já faz um mês e 3 dias que eu postei essa fic e ela está com 67 comentários! O nyah! está marcando 105 pessoas acompanhando! Não sei o quanto ele está certo, mas é um número assustadoramente grande hehe, to mto feliz com isso. Comentem, palpitem, quero saber o que acharam de mais esse capítulo ^^ Bjão, até dia 28!