Seis Lágrimas

4 Depois de Storybrooke


Notas iniciais
Meus queridos, agradeço imensamente ao apoio que estão me dando. Alguns podem estar desapontados por conta de eu não ter postado domingo. No entanto, lembremos que o combinado eram 40 comentários e a fic chegou a 32 (agora está em 33). Estou muito feliz com isso, mas combinado é combinado. Não se aflijam, vou fazer esse tipo de proposta mais vezes, mas não hoje. Hoje eu vou recomendar uma fic que não é Swan Queen, mas eu estou simplesmente AMANDO. Chama-se "Mina". Não é fácil me agradar, mas essa fic está me cativando. A escrita é maravilhosa, o ritmo está bom e mesmo que talvez a história seja, quem sabe... um pouco comum em alguns pontos, a forma da escrita em si já vale a pena. Está no sexto capítulo com 80 comentários, 15 favoritos, uma recomendação e, acreditem, merece mais. Obrigada Vienna Prince por favoritar a fic. Obrigada também àqueles que estão acompanhando, comentando e sempre querendo mais. Estou encantada com vocês. Bom... Hoje o capítulo vai ser em outro ambiente. Vamos ver se vocês sacam o que está acontecendo. Boa leitura.

“Always been told that I've got too much pride
Too independant to have you by my side
But my heart said all of you will see
Just won't live for someone until he'll live for me
Never thought I would find love so sweet
Never thought I would meet someone like you
Well now I've found you and I'll tell you no lie
This love I've got for you
Could take me 'round the world

Now show me love
Show me love, show me life
Baby show me what it's all about
You're the one that I ever needed
Show me love and what it's all about, alright”

Show me love — Robyn

Passaram-se três anos após o aparecimento de Zelena, a irmã de Regina, morta por Rumpelstiltskin. O crime fora descoberto por Bella, mas mais uma vez a moça, mesmo que depois de muito custo, mostrou-se benevolente e perdoou o homem. Contudo, aquela traição deixou marcas que perduraram por mais muitos anos, e o relacionamento, antes pacífico, foi contaminado pela desconfiança e a mágoa. A moça tornara-se mais fria para com o marido, mesmo amando-o profundamente.

Depois de mais algum tempo em Storybrooke e o aparecimento de mais algumas pessoas, tudo se resolvera, como sempre. Regina aprendeu a usar magia de luz, praticando quase todos os dias da semana. Emma, como em um complemento de Yin Yang, percebeu que era necessário conhecer e se aprofundar em magia negra, mesmo que para saber as formas de combatê-la, caso em algum momento a magia de luz não funcionasse.

A maldição se desfez completamente. Todos voltaram à Floresta Encantada, inclusive Emma e Henry que deixaram o “Mundo Real” para trás, afinal, a casa de alguém é onde esse alguém se sentir acolhido, ou seja, com sua família, seja de sangue ou não. O importante é ter alguém com quem possa contar, e isso Emma agora tinha. Seus pais. Seu filho. E até mesmo Regina, que ainda era Rainha por direito e decidiu governar em prol dos outros. Uma tentativa de consertar os erros do passado, ou algo do tipo. E, em determinados momentos, cenas inusitadas, mas agora perfeitamente cabíveis, poderiam ser observadas com certa frequência...

–Emma!!!

–Regina!!!

As duas mulheres encontravam-se em meio à floresta, a luz do dia, longe de qualquer vilarejo. Uma briga, uma luta. Gritos, ataques. Regina, antes escondida nas copas das árvores, vestia roupas práticas de batalhas. Sem vestidos ou saias. Apenas braceletes, que iam do pulso até pouco abaixo do cotovelo. Uma blusa simples de botões e de mangas curtas, com os primeiros dois botões desabotoados, deixando exposta um pouco da linha entre os seios, calça e botas. Todas as peças de couro preto, inclusive os braceletes. Resolvera adotar o cabelo curto de quando era prefeita, deixando-o crescer apenas em algumas raras ocasiões. Havia tirado seu sobretudo de tecido preto com detalhes vermelhos há algum tempo. Emma estava dando mais trabalho do que era suposto dar.

Em outro ponto estava Emma, também escondida por dentre as copas das árvores. Vestia uma blusa verde musgo, de tecido leve, com cordões que se entrelaçavam no peito e, onde antes havia um laço, agora estava desfeito, deixando aquela parte folgada. Uma calça bege, já suja de terra em alguns pontos e com folhinhas grudadas, mais resistente que a blusa, confeccionada em tecido pesado. Sapatos claros, próprios para caminhadas, mas agora meio gastos. Usava duas pulseiras dourados nos pulsos, de três centímetros de largura, com desenhos que traziam partes da história do reino. Eram feitos de ouro puro. O cabelo estava preso em um coque que começava a se desfazer.

As duas respiravam ofegantes, concentradas e atentas. Já estavam lutando há algumas horas. Havia uma clareira onde ocorria o foco da luta. Como em um passe de mágica, elas desceram rapidamente das árvores onde estavam escondidas, usando uma espécie de teletransporte. Usavam a magia livremente para dar base ao corpo e usar ataques físicos de vários tipos de lutas diferentes. Poderiam lutar usando magia, mas treinar luta física E magia tornava as coisas mais difíceis, mais interessantes. No momento que puseram os pés no chão, andaram alguns passos correndo normalmente, inclinadas para frente. Gritaram uma o nome da outra e imediatamente elas desapareceram, restando linhas que se formaram quando usaram a magia para impulsionar seus corpos e atingir velocidades incríveis como a do som, ou então, uma ainda mais rápida, a da luz.

Poderiam novamente ser vistas quando pararam de costas uma para a outra. Os choques de ataques colidiram, mas não foi possível vê-los. Também não surtiram efeitos. Viraram-se uma para a outra com a intenção de atacar novamente. Quando os golpes acertaram seu alvo, foi possível sentir uma onda de vento para todos os lados, o que balançou as folhas das árvores, arrancando algumas folhas verdes. Mais de perto, uma encarava a outra nos olhos.

–Te peguei, miss Swan. Ainda n-

–Não tão rápido, majestade. — interrompeu.

Regina estava com a mão dentro do peito de Emma, tocando seu coração. Não poderia retirá-lo, mas poderia tocá-lo. Mas a loira também tinha a morena nas mãos. Quando Regina olhou, percebeu que a mão da salvadora havia sumido dentro de si, e segurava seu coração, da mesma forma que fazia com o de Emma. Voltou o olhar para a loira, que sorria soberba.

–Muito bem, Swan. Acho que empatamos... — dizia enquanto esboçava um irônico sorriso. Fechou a cara. — Novamente.

–Ah, mais um pouco e esses empates acabam. — dizia Emma enquanto retirava sua mão de dentro de Regina, deixando o coração intacto.

–Não fique tão confiante, Swan. Ainda tem muito chão pra você me superar. — Regina responde enquanto fazia a mesma coisa que Emma. Elas se afastam uma da outra e a rainha deu às costas para a salvadora e foi em direção ao seu sobretudo, que estava jogado em um canto. Emma não saiu do lugar.

–Reconheça, Regina, você está ficando velha!

Regina para de andar por um instante. Olha para trás, mas sem virar o corpo todo e fuzila Emma com os olhos.

–Emma... — A loira sorria com a situação. Regina ainda esperou uns instantes para continuar. — Não vou nem responder.

Regina continuou sua caminhada, pegou a peça de roupa e continuou a andar em direção ao seu castelo que ficava perto dali. Emma correu um pouco para alcançá-la. As duas andavam a passos largos. Quando alcançou a rainha, a loira continuou:

–Não vamos continuar treinando mais um pouco? Ainda sinto que-

–Não. Estou cansada por hoje.

–Ok, então.

Por um instante, Emma pensou que poderia ter irritado a mulher com seu comentário, mas a rainha não era de se irritar por coisas tão fúteis. Talvez alguma coisa a estivesse preocupando. Nas últimas semanas, fora possível observar a morena mais calada do que o normal e, em alguns momentos até se isolava, hábito o qual fora extinto há pouco mais de um ano e meio. Ou deveria ter sido. As coisas ainda eram difíceis para ela. Emma podia perceber. Via Regina perdida em pensamentos quando a encontrava nos estábulos, nos jardins, quando cavalgava, quando lembrava que era uma rainha. Algumas vezes, mais nos primeiros anos, viu lágrimas teimosas que escorriam pelo rosto da ex-vilã. Outras vezes era perceptível o fato de Regina não conter as lágrimas. E Emma, agora princesa, filha de Snow, continuava trilhando seu caminho junto a Rainha enquanto o céu começava a enegrecer.

De volta ao castelo, depois de uma silenciosa caminhada e uma despedida cordial que mencionava um reencontro na hora do jantar, Emma e Regina recolheram-se aos seus respectivos quartos. A loira despia-se enquanto pensava na morena. A quietude de Regina a intrigava. Algum problema com a Magia? Com Henry? Saudades de Robin? O problema seria Daniel, seu primeiro amor? Falaria com ela. Aquela noite mesmo. Não poderia deixá-la sozinha com os próprios pensamentos, torturando-se diariamente. Já havia ficado distante por tanto tempo, observando, dando o espaço que ela precisava para se reajustar. Mas pensou que talvez esse tempo já teria de ter passado. Se ela estivesse pensando que estava sozinha... Não! Ela tinha um lar, tinha uma casa, uma família! Snow, David, Henry, o pequeno Neal... E ela também. Todos a acolheram. Um final feliz tem que ter amor, e, naquela família tinha de sobra.

Olhava-se no espelho, já trocada, pensando, quando a porta abre-se de repente e uma criança de quatro anos passa correndo por detrás dela, escondendo-se atrás da grande saia do vestido azul de Emma. O garotinho tinha os olhos atentos à porta por onde entrara, enquanto a loira o olhava atenta e ponha sua mão esquerda nos cabelos do pequeno.

–Hey, Neal. O que está fazendo aqui, pequeno?

–Fugindo de mim, mãe. — Diz um Henry com a voz grossa de um homem, mas ainda um moleque de dezesseis anos.

–Fugindo de você? Por quê? — Diz olhando para Henry e depois volta o olhar ao menino que estava agarrado à barra de sua saia. Pegou-o no colo enquanto Henry respondia a pergunta.

–Na verdade ele queria brincar de pega a pega. A vó disse para te chamar, já que o jantar já tá quase pronto. Daí eu perguntei se ele queria vir te chamar comigo e ele veio correndo e gritando “Você não me pega, você não me pega!”. — Termina rindo e Emma também ri da imitação do filho.

–Você quer brincar Neal? — Pergunta Emma, enquanto fita os brilhantes olhos verdes do irmão. Porém, diferentemente dela, Neal tinha cabelos pretos, como os de Branca. — Você pode brincar com seu tio Henry, mas só depois da janta. — O menino olha para baixo. — Não fique triste, pelo menos você vai brincar. Agora, vamos. — A princesa coloca o pequeno príncipe no chão e, juntos, os três saem dos aposentos reais em direção ao salão de refeições.

O salão, para Emma, é exageradamente grande. Tem essa opinião desde que o viu pela primeira vez. Os três adentraram ao recinto. Há uma longa mesa de banquete com cinquenta lugares, para as ocasiões de festa. Caso fosse preciso mais lugares, outra mesa poderia ser montada ao lado daquela, mas isso só ocorrera uma vez, quando o pai de Snow White era pequeno. A borda mais afastada da porta de entrada, no outro extremo do salão, era a utilizada pela família todas as noites, pois ficava mais perto das portas da cozinha e facilitava o caminho dos empregados do castelo, que traziam os pratos de comida. Na realidade, nunca era um banquete, mas sim, comidas simples.

O castelo era grandioso e esplendoroso, mas as únicas que realmente desfrutavam do luxo eram Regina e Snow, por conta de terem vivido boa parte da vida dessa forma. Mas, mesmo assim, a simplicidade já se fazia presente. Alguns cômodos muito grandes e de uso cotidiano foram adaptados para parecerem menores e mais aconchegantes. Alguns locais, como os salões de visitas, festas e banquetes não foram modificados, mas, no dia a dia, quando utilizados, eram utilizados de forma simples, como no jantar. Naquela noite seria servido: carne, salada, alguma massa e salada de frutas como sobremesa, o que certamente não agradaria o pequeno Neal.

Enquanto todos já estavam sentados e comendo, Snow falava sobre seu dia, sobre a casa de passarinhos que estava construindo (outra, já que tinha uma coleção), enquanto David ouvia com atenção. Em alguns momentos, Snow parava de falar para ajudar Neal com a comida, ou lembrá-lo de comer antes que a comida esfriasse. Henry comentava algo e Emma parecia atenta. Parecia. Na verdade ela tinha o pensamento fixo na morena que estava quieta do outro lado da mesa, ao lado direito de Henry, que estava a sua frente. Ao lado esquerdo de Emma estava Branca e na ponta estava David. Em um pequeno espaço entre o casal encantado estava Neal, aparentemente sem fome.

–Não é Emma? Emma? — dizia Snow olhando para a filha, tentando despertá-la de seus devaneios.

–Oi? Sim, sim. — A loira respondeu constrangida após desviar o olhar de Regina, que antes se entretinha com o próprio prato, mas agora também estava olhando para Emma, como todos na mesa. Olharam-na por um instante. — Ah... Não?

–Emma, eu não fiz pergunta alguma. Foi só pra te acordar mesmo, filha. — Dizia Snow com um sorriso divertido nos lábios.

–Ah, perdão. Eu já terminei de comer... Eu acho que eu vou me deitar. Com licença.

–Mas filha, ainda são 20h! — Foi David quem tomou a palavra.

–Ah, a culpa é da Regina, pai.

–Minha? — Pela segunda vez no jantar Regina disse algo. A primeira foi um cordial “Boa Noite” para as pessoas da mesa.

–Claro. Me deu tanto trabalho no treino de hoje que agora eu já to podre. — Regina ia retrucar algo, mas foi David quem falou.

–Está bem, Emma, vá dormir. Na próxima será você a dar uma canseira na Regina.- Disse sorrindo com as mãos entrelaçadas na altura da boca, com os cotovelos apoiados à mesa e o prato afastado de si, que já deveria ter sido recolhido. Olhou para Regina, risonho. A morena olhou-o como quem quisesse confirmar se ele estaria falando sério ou não. Um “vai sonhando” veio à mente da morena.

–Estou indo, então. Boa noite.

Depois de beijar o topo da cabeça dos dois garotos e o rosto dos pais, Emma parou ao lado de Regina, que continuava olhando para frente. Virou o rosto para o lado e para cima e seu olhar encontrou-se com o da princesa. Voltou a olhar para Snow enquanto soltava um “Poupe-me”. Mal terminara de falar e Emma já havia inclinado-se rapidamente e beijado o lado direito da testa da rainha. Um beijo estalado que demorou alguns instantes enquanto a apertava em um abraço forte e brincalhão e a morena reclamava um pouco. Emma a solta e começa a andar em direção a porta, enquanto Regina a observava.

–Não adianta reclamar Regina, eu sei que você gosta de um carinho! — Disse a loira, ainda de costas e levantando a mão direita.

Regina não disse nada. Apenas enrubesceu levemente, o que foi notado apenas por Snow. Momentos após Emma ter passado pela porta, Regina ainda continuava com o olhar fixo na mesma direção, até que volta a atenção para Snow, que encontrava-se à sua frente, rindo da cara dela.

–O que foi? — A morena perguntou. Depois fitou Henry, que também a observava. De repente, ela virara o centro de atenções de todos, até do pequeno Neal. — O que? Tão olhando o que?

–Nada, mãe. É só que...

–É só que o que, Henry?

–Você realmente gosta de carinho. — Respondeu e começou a rir. Regina, constrangida, levantou-se.

–Ai, pra mim já deu. Boa noite pra vocês. — A morena, enfezada, saiu do salão pisando firme, enquanto seus saltos faziam barulho ao encontrar-se com o piso.

Depois que Regina saiu do salão, Snow chamou uma empregada e pediu que fizesse banana caramelada, torta de maçã com canela e panquecas para o café da manhã do dia seguinte. Pensou que, dessa forma, poderia agradar tanto a filha quanto a madrasta. Nunca faltavam frutas de manhã, especialmente maçãs, então ela nem citou. Os pratos foram recolhidos e todos foram para seus quartos.

Regina caminhava pelos corredores até seus aposentos reais, olhando para os quadros da parede. Também observava as velas acesas pelos corredores e pensou que já deveriam ter inventado energia elétrica naquele reino, mesmo que as velas deem ao ambiente um ar peculiarmente charmoso. Parou em frente à porta de seu quarto por um momento. Respirou, girou a maçaneta e entrou. Usou magia para ascender às luzes, que no seu quarto funcionavam como se fossem a base de eletricidade, mas na verdade era à base de magia.

Caminhou até sua cama que era toda trabalhada em madeira, com detalhes e ornamentos. Havia pilares nos quatro cantos, que sustentavam uma cobertura de seda que se dobrava delicadamente para baixo, acima de onde dormia a rainha. A madeira era escura, a seda e o conjunto de roupa de cama, verde-claros. Em cima do colchão, repousava uma camisola comprida e delicada de seda vinho, a qual Regina usaria para dormir. Havia retirado seu vestido quando ouviu um gemido e um som de um baque. Levou um susto e só depois reconheceu Emma que acabara de cair do parapeito de sua janela para o chão de seu quarto.

– Emma?

–Iaí, Regina? Beleza? – Dizia a loira enquanto se levantava e se ajeitava. Quando percebeu que a morena estava vestia apenas roupas íntimas, virou-se imediatamente de costas para ela.

–Bom, eu estaria melhor se você não tivesse me dado um susto. – Dizia, enquanto retirava o sutiã e colocava a camisola. – E porque está de costas?

–Porque você está se trocando.

– Tudo bem, então. – Regina não entendeu exatamente aquela reação. Ambas eram mulheres, mas era preferível que Emma não a observasse. Quando terminou, voltou a falar. – Já pode virar. Mas o que está fazendo aqui uma hora dessas? E porque entrou pela janela? E você já está de pijama!

– É, bem... – A princesa virou-se começou a falar, enquanto era observada por Regina de cima a baixo. – Eu vim porque precisava falar com você, é...

– E porque não entrou pela porta como uma pessoa normal?

–Eu achei que você não me receberia.

–É, provavelmente você tem razão. Mas já que está aqui, diga logo que eu não tenho a noite toda. Hoje foi um dia cheio e amanhã também vai ser. – Dizia a rainha enquanto arrumava a roupa de cama tirando o pano que ficava o dia todo ali. Ajeitava o travesseiro e já ia deitar-se.

– Bem... Eu também queria ver a vista da sua janela. – A morena a fitou, pouco acreditando no que a loira dissera. Mas os olhos pareciam confirmar que aquilo também era verdade. Voltou a ajeitar a cama.

Emma aproximou-se, ficando frente a frente com Regina, com a cama separando-as e a luz do luar adentrando a janela, espalhando-se pelos lençóis e atingindo as duas mulheres.

– Regina, eu... Eu tenho notado que você não está bem. – Disse firme a ultima parte. A morena continuou ouvindo-a, mas agora, deitando-se. – Regina, o que está acontecendo? Qual o problema? – Regina não a olhava. – Regina? – Emma sentou-se na cama ao lado da mulher que já estava de baixo das cobertas. Segurou o rosto dela e virou-o para olhá-la nos olhos.

– Não há problema, Swan.

– Há sim. – soltou o rosto da morena, que voltou seu olhar para a mesa de cabeceira e apagar o abajur.

– Não há. E ponto.

– Eu sei quando você está mentindo, Regina. Lembra-se? – A rainha parou por um momento e não a olhou. – E dessa vez, majestade, a senhora está mentindo.

– Que que é, hein, Swan? – Virou o rosto para a loira que agora recuava o rosto, um pouco assustada. – Porque só dessa vez você não vai cuidar da sua vida?

– Porque eu me importo com você!

– Não tem que se importar comigo! – parou e abaixou o tom. – Não tem. Não há mais nada aqui para você se preocupar. – Fez-se um breve silêncio enquanto as duas se encaravam de perto.

– Tem. Você. Você, Regina. Você é família também.

– E o que você entende de família? — Os olhos de Regina começavam a umedecer.

– Talvez não muito mais que você. – Regina começou a chorar. Os olhos ficaram vermelhos e marejados e as lágrimas teimavam em deslizar pelas bochechas macias da morena. – Agora me diga, o que está te incomodando tanto?

–Minhas memórias.

–O quê? — Regina desviou o olhar.

–Sabe, Emma... Todos voltamos para a Floresta Encantada. Começamos a tocar nossas vidas como fazíamos antes... Bem... A maioria de nós. Mas eu... Eu mudei de objetivos, mudei meu modo de vida e minha forma de ver as situações, as coisas, as pessoas... Decidi que ia compensar a todos sendo a melhor rainha desse reino, ensinando a Snow tudo o que eu souber sobre governar... — Olhou nos olhos de Emma mais intensamente. — E agora era suposto eu ter uma família. A família dos encantados. Mas eu sinto que algo está errado... — Abaixou a cabeça.

–O que está errado?

–Não sei. Não sei, eu... Eu tenho lembrado de Daniel sempre que vou aos estábulos, sempre que cavalgo, sempre que observo a floresta. Lembro-me de Robin também... E lembro que o perdi.

–Regina, eu...

–Não, tudo bem. Nós já superamos isso... Henry. Sim, Henry completa minha vida, me faz feliz. Oh, como eu sou grata por ter esse menino na minha vida... Mas, ainda, eu sinto que eu não me encaixo... Entende? — Emma a olhava séria e compreensivamente.

–É, tenho uma ideia.

–Ai, nem sei por que to falando tudo isso pra você...

–Regina, você é minha família também. É isso que a família faz.

–Ouvir lamentações? — A rainha ri sarcasticamente.

–Também. Veja, o tempo todo era isso. O tempo todo... Você precisa se abrir, confiar.

–Acho que... eu ainda tenho um certo medo de...

–De sofrer? — A morena olha, curiosa, para a loira. — Regina, todos nós temos medo de sofrer. Porque acha que eu vivi tanto tempo correndo e me desapegando das coisas? Mas tudo vem com um preço, não só a magia...

–Um preço?

–Pra não sofrer eu tive que viver sofrendo. — Regina pareceu não entender. — Em troca de me desapegar... Eu vivi sozinha. Eu caminhei sozinha. Às vezes, às vezes eu não queria de fato ficar sozinha... Mas a rotina de andarilha já estava impregnada em mim.

–Até que o Henry bateu na sua porta.

–Até que o Henry bateu na minha porta.

Fez-se um silêncio durante alguns segundos.

–Vem cá. — Disse a princesa enquanto abria os braços e abraçava a rainha de supetão.

–Emma, não-

–Para de reclamar, majestade. — Dizia a loira enquanto sentia as mãos de Regina saírem de seus braços, pois estava tentando afastá-la, em direção às suas costas em um forte abraço.

Naquele momento, o abraço não foi nada mais, nade menos que um carinho. Um abraço forte de pura amizade, algo que já começara a despontar entre as duas quando todos ainda estavam em Storybrooke, mas nenhuma das duas admitia para si mesma, muito menos demonstravam. Os anos passaram e certo laço fora criado, mesmo com o jeito mais fechado de Regina. Em algumas ocasiões, a rainha tratava a princesa com muito mais do que mera cordialidade. Ambas abriram-se mais para a vida após se instalarem novamente na floresta, mesmo que esse fato seja mais perceptível no comportamento da loira. Salvadora ou não, Emma estava agora onde sempre deveria ter estado. Sem problemas graves, com uma casa, uma família, suas raízes e, de quebra, um desafio: Regina.

O abraço se desfez.

–Promete que vai parar de se isolar de novo, Regina? — Perguntou Emma enquanto enxugava algumas lágrimas do rosto da morena, que assentiu com a cabeça.

–Sim, sim. Vou tentar.

–Você pode contar sempre conosco. Pode contar sempre comigo.

–Não conta pra ninguém o que aconteceu aqui, está bem?

–Olha, se fosse minha mãe eu não sei, mas eu não vou contar nada. — As duas riram.

–É, isso já virou piada.

–Nas histórias que me contavam, nunca mencionaram que minha mãe é uma fofoqueira.

–Bom, agora é melhor dormirmos.

–Posso só... Ficar olhando a lua da sua janela? É que eu realmente queria ver a vista.

–Está bem, mas não demore muito aí. — Regina avisou enquanto se cobria.

–Não vou. — Emma caminhava para a janela e resolveu sentar no parapeito, para poder observar melhor.

–Vai cair daí...

–Não vou, mamãe. — Emma ironizou. — A noite está realmente muito bonita. Não quer vir dar uma olhada.

–Não.

Depois de um tempo de silêncio, percebendo que Regina ainda não havia adormecido...

–Ah!

Regina ouviu o grito de Emma e quando se virou para ver, a loira não estava no parapeito de sua janela.

–Emma! — Levantou-se correndo e, quando chegou à janela, olhou para baixo e viu a loira a poucos centímetros abaixo do parapeito, encostando levemente uma mão na parede, assim como as pontas dos pés e ambos os joelhos. A princesa estava rindo da cara de pânico da rainha. Na verdade, estava gargalhando.

–Te peguei.

–Emma, sua estúpida! Vai assustar a mãe! — Começou a bater nos ombros da loira, enquanto Emma continuava rindo.

–Eu acho que você ficou preocupada...

Nesse momento Regina perdeu a paciência. Agarrou os ombros de Emma e, usando magia, tal como a loira fez a pouco, ergueu todo o corpo da salvadora com uma força descomunal e jogou-a longe para dentro do quarto, mais precisamente em direção à porta que se abriu em um estrondo. Se Emma não tivesse usado magia para tornar o chão duro, macio como um colchão, provavelmente teria se machucado. A princesa caiu fora dos aposentos da rainha e rolou por alguns metros. Depois do susto, tornou a rir.

–Vá dormir, miss Swan! Boa noite. — Disse por fim enquanto fechava a porta violentamente, o que provocou outro estrondo.

Com o barulho, Henry aproximou-se de Emma, que estava caída no chão.

–Mãe? Tá tudo bem?- Emma assentiu com a cabeça.

–Vá dormir, você.

–Mas, mãe...

–Boa noite, Henry.

Henry volta para o quarto sem entender nada. Snow, David e Neal nada ouviram, pois dormiam em outra parte do castelo. E se ouviram, não ligaram, já que tinham visto, de longe, quando Emma escalava o alto muro e ia em direção à janela do quarto de Regina.

Notas finais
Palpitem, palpitem, palpitem nos comentários. Quero ver teorias se formando na cabecinha de vocês. Se acharem erros de português, podem avisar. Procurem-me no face, eu to aceitando todo mundo que me aparece kkk PS: Precisei postar mais cedo por motivos de: Não entendi essa programação de postagem e preciso começar um trabalho. Até terça que vem, amores.