Seikatsu No Neko
1 Apresentando A Minha Amada
Notas iniciais
Seikatsu No Neko
Cap. — 1 Apresentando Minha Amada
Estou ao lado dela há muito tempo, não me pergunte como começou que nem mesmo consigo explicar, fui seu presente de Natal aos 7 anos e desde então não nos separamos, ouvia as reclamações de sua mãe em questão a mim o tempo todo, mas pouco ligo já que a tenho a meu lado e mesmo sabendo que estou violando uma das leis mais antigas, me apaixonei por ela...
Isso era possível? Quer dizer algo como o que eu sentia era possível? Poderia ter sentimentos, sentir amor daquele jeito por uma pessoa? Essas eram as perguntas que sempre rondavam a minha mente a noite antes de dormir, junto a ela é claro, compartilhando a mesma cama, o mesmo cobertor, o mesmo abraço...
Nunca esquecerei de como fiquei quando a vi triste pela primeira vez, aqueles belos olhos marejados eram de derreter qualquer coração, até mesmo o meu que não devia ser capaz de sentir com tanta intensidade. Estive a seu lado por vários anos, compartilhando tristezas, alegrias, surpresas, decepções e angústias.
Mas não sei por mais quanto tempo resistirei nesse ritmo, ela já não é mais criança, tornou – se adulta, uma mulher de verdade, linda, forte e muito corajosa coisa que só fazia o meu amor por ela aumentar a cada dia, mas não havia condições de demonstra – lo e mesmo se o fizesse não haveria como ficarmos juntos, isso me entristecia e abalava.
Inúmeras vezes pensei em fugir, escapar daquele abrigo quente, deixar para trás esse sentimento, deixa – lá no passado... mas não podia imaginar como seria a minha vida sem ela que cuidou e zelou por mim desde muito pequeno, não acredito em destino ou predestinação, mas se acreditasse afirmaria com toda certeza que ela e eu fomos almas gêmeas em alguma vida passada.
Mais isso de nada adiantava a mim que violei o estatuto que já viera gravado em minha cabeça e agora só me restava passar mais alguns anos da minha curta vida junto dela, mantendo esse amor oprimido e vê – lá quem sabe algum dia casada com um idiota que só pensaria em usa – lá para seu próprio prazer.
— Hum... vamos acordar preguiçoso? — Ouço a tão doce e bela voz de minha amada me chamar de manhã enquanto ela mais preguiçosa do que eu rola de um lado pro outro recusando – se a levantar para mais um longo dia de trabalho. — Ah... queria não ter que ir trabalhar hoje...
Sei muito bem por que, hoje é a véspera de seu aniversário, nunca esqueceria aquela data, era muito especial, mas infelizmente não havia mais ninguém para comemorar com ela a não ser eu, já que seus pais a muito se foram e como moradora nova e independente da cidade ainda não tivera tempo para fazer amigos.
Me levanto devagar não querendo abandonar tal singelo calor, mas sabendo que teria que faze – lo mais cedo ou mais tarde, sua mão quase tão branca como a neve toca a minha cabeça num carinho e fecho os olhos escarlates aproveitando o momento pois sei que logo acabará, não me enganei alguns segundos depois aquele toque se fora e ela se levanta da cama com o pijama azul bebe colado ao corpo.
A admiro em silencio ainda sentado sobre os cobertores, o modo como fala comigo, animadamente enquanto sai a cata de suas roupas para ir tomar banho, o modo como sorri, o modo como enfrenta a vida dia após dia com esperança e força. Isso é o que me encanta nela. Nunca me apaixonaria por uma mulher fraca.
— Muito bem mocinho fica ai comportado que vou tomar um banho. — Disse divertida apontando o dedo indicador para mim, não preciso de mais nada para encostar meu nariz ali, como concordância. Sempre a obedecia, até por que não gostava de vê – lá aborrecida ou triste.
Momentos depois ela entra no banheiro, me espreguiço novamente e vasculho o quarto em busca de algo para comer, meu prato como sempre tem um petisco, me distraio com ele os minutos que ela demora para sair do banho, sorridente, animada e revigorada.
— Vou trabalhar, ta bem? — Pergunta arrumando – se apressada, mas conservando o mesmo sorriso no rosto, gostaria de poder retribui – lo de alguma forma. — Passeie o quanto quiser, mas volte pra casa a noite, ok?
Não emito som algum e sinto aquela mão macia acariciar minha cabeça de novo, no momento seguinte, estou sozinho no quarto, suspiro, mas uma vez sozinho... mas uma maldita repetição, até quando aguentarei isso?
Passei o dia inteiro em casa, não aprecio muito sair, várias horas depois, quase no fim da tarde ela esta de volta, não com a expressão de felicidade de sempre, mas com o rosto molhado de lagrimas e os olhos inchados. Aquela visão quebrou meu coração, corri para seu lado, tentando entender o que acontecera. Quem havia ousado faze – la chorar, iria matar... ou pelo menos tentar já que com a minha estupida situação não podia fazer muita coisa.
Ela atirou – se na cama ainda chorando, tentando abafar o som com o travesseiro, fui para seu lado e toquei meu nariz úmido em seu rosto, sentindo — o quente, ouvi um soluço e no momento seguinte aqueles braços tão aconchegantes e conhecidos me enlaçaram e vi – me junto de seu peito ouvindo o coração que tanto sofria, mas que também muito lutava.
Fiquei quieto, sabendo que por mais estranho que parece – se minha presença ali a consolaria, havia sido assim quando seus pais morreram, ela me abraçara daquele jeito e junto a mim, aos poucos se conformara, era o máximo que poderia fazer... infelizmente.
Vários soluços depois, ela parou de chorar, plantou um beijo doce no topo da minha cabeça e me apertou um pouco, fiquei mais tranquilo, aquele era um sinal de que conseguira acalma – lá e com alguma sorte talvez pudesse descobrir o que aconteceu...
— Você é meu melhor amigo sabia? Não sei o que faria se não o tivesse comigo. Se fosse um humano com o mesmo jeito que é agora com certeza me apaixonaria por você. — Disse baixinho e senti meu coração bater mais rápido e mais vivo com suas palavras, me aconcheguei a ela desejando o mesmo, virar humano, para poder mostrar o quanto a amo. — Tudo que quero é isso, seria o meu presente de aniversário.
Um vestígio de sorriso surgiu ao pedir aquilo, de olhos fechados repeti seu pedido e sentindo um conforto que nunca senti antes adormeci nos seus braços como fizera tantas vezes, mas dessa vez nós dois com o mesmo pensamento, o mesmo desejo, a mesma esperança.
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